Verde e amarelo

Para os que criticam o Estado Social: Brasil é menos desigual e brasileiro é o mais feliz do mundo, diz FGV

Nossa Constituição Social, Desenvolvimentista, Republicana e Democrática de Direito de 1988 prevê que um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil é garantir o desenvolvimento nacional (art. 3º, II).

Por isso um dos objetivos do Direito é garantir que a nação brasileira persiga seu desenvolvimento, como por exemplo assegurar o crescimento da indústria nacional, garantir empregos para os trabalhadores brasileiros, aumentar o turismo no país, fomentar a sociedade civil organizada nacional, entre outras políticas públicas.

Segundo a mesma Constituição a bandeira nacional é um dos símbolos da República Federativa do Brasil (art. 13).

Não, as cores do Brasil não são devidas às suas matas, ouro, céu e paz.

O verde entrou na bandeira em 1822 para homenagear a Casa Real Portuguesa de Bragança do Imperador.

O amarelo, no mesmo ano, representou a Casa Imperial Austríaca de Habsburgo da Imperadora.

Em 1889 a esfera azul-celeste com as estrelas mostra os estados brasileiros e a frase positivista “Ordem e Progresso” escrita em verde homenageou os positivistas.

Não é recente na história do país que sua elite financeira se utilize das cores da bandeira brasileira, o verde amarelo, como as cores da manutenção do status quo.

A mesma elite financeira que quando viaja para o exterior fala mal do Brasil; adora usar vestimentas com as cores estadunidenses; envia recursos brasileiros para o exterior em contas em paraísos fiscais e para compras; explora os trabalhadores brasileiros em suas empresas e residências; sonega tributos, o que gera menos dinheiro para ser investido na saúde, educação e segurança públicos; ensina seus filhos a odiar os diferentes; entre outras atuações indefensáveis.

Na década de 1920, Plínio Salgado (que depois fundou o integralismo nazista no país) e outros membros da vertente conservadora do movimento modernista criaram o grupo dos “Verde-Amarelos”. Defendiam o autoritarismo, a colonização portuguesa, o nacionalismo e o predomínio de instituições conservadoras.

Anos depois a mesma elite, por meio da UDN e Carlos Lacerda, indignaram-se contra as reformas populares de Getúlio Vargas e, com o discurso pelo fim da imoralidade, corrupção e crise de confiança no governo, forçaram o suicídio de Vargas em 1954.

Juscelino Kubitschek em 1955 venceu as eleições, em aliança PSD-PTB e com o apoio do Partido Comunista, com 36% dos votos. A UDN de Carlos Lacerda tentou impugnar o resultado das eleições, e depois, com um movimento golpista, tentou impedir a posse de JK, com o apoio da ala conservadora do Exército. A posse ocorreu depois de um levante militar.

Após a renúncia de Jânio Quadros em 1961, a elite brasileira tentou barrar que o vice-presidente eleito João Goulart assumisse a presidência. Jango fazia uma visita diplomática à China e chegaram a empossar o então presidenta da Câmara dos Deputados como presidente.

Leonel Brizola liderou a campanha da legalidade, o Congresso Nacional aprovou o parlamentarismo e Jango assumiu a presidência, com Tancredo Neves (PSD) como primeiro-ministro. Após um plebiscito o presidencialismo voltou em 1963.

Em 1º de abril de 1964 Jango sofre um golpe militar-empresarial, contra as reformas populares, com apoio da elite brasileira.

Durante a ditadura militar foi criado pelo governo do General Emílio Garrastazu Médici o lema ufanista “Brasil, ame-o ou deixe-o”, com as cores da bandeira, contra os brasileiros críticos à ditadura.

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O primeiro presidente eleito pós-ditadura, o caçador de marajás eleito com o apoio da elite brasileira contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 1989, Fernando Collor de Mello, em momento de crise no governo em 1992, por causa da corrupção, conclamou o povo brasileiro para sair às ruas em apoio ao governo neoliberal com as cores verde e amarelo.

Os estudantes saíram às ruas sim, mas todos de preto, os chamados cara-pintadas, movimento que ajudou a derrubar o governo.

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Antes da melhor Copa do Mundo de futebol de todos os tempos em 2014, a mesma elite fez uma campanha tão grande contra o evento (“Imagina na Copa”), que os brasileiros tinham vergonha de usar o verde amarelo até o primeiro apito. Justamente quando mais se justifica a utilização dessas cores. A Copa foi um sucesso, durante o evento os brasileiros voltaram a usar o verde-amarelo, mas poderia ter sido uma Copa ainda maior e com resultados econômicos para o país ainda mais efetivos.

A mesma elite financeira, com apoio dos setores mais atrasados do país, inclusive da velha mídia, com o mesmo discurso anti-trabalhador e, com muita hipocrisia, contra a corrupção, simplesmente não deixou que a presidenta Dilma Rousseff (PT) iniciasse seu segundo governo. Desde o final de 2014, após as eleições perdidas pelo PSDB, vêm boicotando a primeira mulher eleita e depois reeleita no Brasil, com o uso das cores verde e amarela, inclusive com o uso da camisa da CBF, uma das instituições mais corruptas do mundo.

Não vou comentar o nível dos presidentes das duas casas legislativas, eleitos pelos seus pares, que são eleitos graças ao financiamento do mercado financeiro e que, infelizmente, não representam a maioria da sociedade brasileira.

Além de enfraquecer Dilma, com a tentativa de pressionar o Impeachment injustificável da governanta, o alvo agora é o ex-presidente Lula, até então favorito para ser eleito presidente em 2018 pelo Partido dos Trabalhadores.

Estamos no meio desse turbilhão. A crise econômica não é tão grande. O desemprego não é tão alto. A inflação não é tão alta. O dólar não estão tão alto. Mas a mídia nos convenceu que sim.

E infelizmente o governo Dilma não vem permitindo que os movimentos sociais e a ala progressista da sociedade ajudem o seu governo, com a implementação de medidas econômicas e sociais recessivas e neoliberais.

Tarso Cabral Violin – advogado e Professor de Direito Administrativo, mestre e doutorando (UFPR), autor do Blog do Tarso

Veja o programa do PT que sofreu panelaço nas áreas nobres

Caberá à Dilma intervir no Estado do Paraná?

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O governo do Paraná, Beto Richa (PSDB), espancou os professores, estudantes e cidadãos, por meio da Polícia Militar, no Massacre do Centro Cívico no histórico dia 29 de abril de 2015.

Sem analisar os problemas financeiros do Estado, que também podem gerar intervenção em situação extrema, a pergunta que não quer calar: Dilma deve intervir no Estado do Paraná e nomear um interventor no lugar de Richa?

A Constituição de 1988 é expressa ao definir que o princípio é o da não-intervenção, ou seja, em regra a União não intervirá nos estados, e os estados não intervirão nos municípios. Portanto, a regra é a autonomia dos estados e municípios e apenas a exceção é a intervenção.

É um ato político de incursão de um ente federativo sobre a atuação de outro, de forma temporária, com hipóteses taxativas fixadas na Constituição.

Entre os objetivos da intervenção estão:

1. Acabar com grave comprometimento da ordem pública (34, III); e

2. Assegurar a observância dos princípios constitucionais como o regime democrático (34, VII, a) e os direitos da pessoa humana (34, VII, b).

O decreto de intervenção será expedido pelo Presidenta da República, que antes deve ouvir o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional, e depois especificará a amplitude, o prazo e as condições de execução e que, se couber, nomeará o interventor.

No caso de comprometimento de ordem pública, a iniciativa é espontânea e será do próprio Presidente, por simples verificação dos motivos que autorizam a intervenção, e o Decreto será submetido à apreciação do Congresso Nacional, no prazo de 24h.

Na hipótese do intento de assegurar o atendimento aos princípios constitucionais como Democracia e dignidade da pessoa humana, a decretação da intervenção federal dependerá de provocação por representação do Procurador-Geral da República e provimento pelo Supremo Tribunal Federal. Se STF julgar precedente, encaminhará para a Presidência, que é vinculada a emitir o Decreto interventivo.

Cessados os motivos da intervenção, as autoridades afastadas de seus cargos a estes voltarão, salvo impedimento legal.

Entendo que apenas o Massacre do Centro Cívico, um ato específico, por mais grave que tenha sido, não é suficiente para a intervenção.

Apenas se reiteradamente o governo Richa comprometer a ordem pública ou descumprir princípios constitucionais como a Democracia e a dignidade da pessoa humana, é que seria caso de intervenção.

Ou seja, apenas se do Massacre do Centro Cívico o Estado ficar comprometido em sua ordem pública, com o fim da Democracia no Estado e reiterados desrespeito aos direitos humanos, é que será possível a intervenção, com a substituição provisória do governador até o retorno à normalidade.

O Massacre pode levar ao Impeachment ou responsabilização criminal e cível de Richa, mas não à intervenção da União, pelo menos por enquanto.

Tarso Cabral Violin – advogado, professor de Direito Administrativo, mestre e doutorando (UFPR) e autor do Blog do Tarso

 

Carta Capital também critica o governo federal e o PT

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Só a ideia sobrou

Errou quem pensou que o partido de Lula pudesse ser revolucionário e anticapitalista. Difícil teria sido imaginar o PT de hoje

por Mino Carta na Carta Capital

O PT nasceu da cabeça de Lula, sei disso desde começos de 1978, mas é possível que a ideia fosse mais antiga. Em todo caso, antes da reforma partidária excogitada pelo general Golbery, a viabilizar a ideia-anseio do então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema.

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Por que as manifestações golpistas retrocederam?

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Várias podem ser as razões da diminuição substancial das manifestações pelo Impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT) e da intervenção militar no Brasil, do dia 15 de março de 2015 para o dia 12 de abril.

Sinto que muitos manifestantes que saíram às ruas no dia 15 de março, por mais que em sua grande maioria conservadores e neoliberais, tinham como pauta a luta pela corrupção e uma antítese à política e aos partidos de esquerda e movimentos sociais.

Não é crime ser de direita, ser liberal, ser contra as conquistas sociais implementadas pelo Estado, ser contra que o proletariado se utilize de espaços que antes eram aproveitados apenas pela burguesia. Pode não ser crime, mas deve ser “pecado”.

A maioria dos “pecadores” do dia 15 de março não são criminosos. Não queriam uma ditadura militar, não queriam um golpe, apenas acreditaram na velha mídia de que o governo chefiado pelo Partido dos Trabalhadores é o mais corrupto de todos os tempos, o que sabemos que é mentira, bastando um mínimo de conhecimento de história.

Não são todos os liberais criminosos. “Pecadores” podem ser, mas não criminosos.

Quando os neoliberais do dia 15 de março perceberam que estavam ao lado de golpistas, fascistas, empresários criminosos que sonegam impostos e mantêm relações promíscuas com o Estado, políticos e partidos conservadores, “pularam fora” do movimento.

Não é porque a pessoa defende o Estado Mínimo, apenas regulador, que ela defenderia atos anti-democráticos.

Outra razão da redução substancial dos protestos golpistas foi a questão da “modinha”. A elite financeira adora novidades, como consumidores sedentos querem sempre mais, querem exclusividade, querem fazer uso dos camarotes.

Dia 15 de março existiam pessoas nas ruas que nunca haviam se manifestado na vida. Não saíram às ruas pelo fim da ditadura militar, não foram nas Diretas Já, não pintaram a cara pelo Impeachment de Fernando Collor de Mello (PRN), não lutaram pela eleição do primeiro trabalhador presidente e nem da primeira mulher presidenta, não participaram das jornadas de julho pelo passe livre.

Quando viram que era moda gritar pelo golpe, xingar a presidenta, chutar bandeiras de partidos de esquerda, com amplo apoio da velha mídia, saíram às ruas. Mas se manifestar dá trabalho. Por isso muitos pertencentes da elite financeira já têm outros afazeres e não vão mais em passeatas sem ar condicionado, sem garçons servindo champagne, sem tapetes vermelhos. Acabou a novidade, “vamos consumir outro produto”.

Outros motivos podem existir para a redução das manifestações golpistas, mas me parece que essas são as duas razões principais pelo fracasso do dia 12 de abril de 2015.

Fachin ou Clèmerson podem ser escolhidos para o STF ainda hoje

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A presidenta Dilma Rousseff (PT) pode indicar ainda hoje (7) como ministro do Supremo Tribunal Federal os grandes juristas paranaenses Luiz Edson Fachin ou Clèmerson Merlin Clève, que são professores da Universidade Federal do Paraná.

Outros possíveis nomes são os ministros do Superior Tribunal de Justiça Luis Felipe Salomão, Mauro Campbell, Herman Benjamin e Benedito Gonçalves, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Marcus Vinícius Coêlho e o tributarista Heleno Torres.

Pesquisa: ricos e brancos invadiram as ruas dia 15 de março contra Dilma

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A Fundação Perseu Abramo divulgou pesquisa “Manifestações de Março/2015” sobre as manifestações ocorridas nos dias 13 e 15 de março de 2015, com o objetivo de conhecer o perfil dos manifestantes e seu posicionamento político, bem como suas percepções e expectativas frente ao atual momento da conjuntura nacional.

A pesquisa ouviu 839 pessoas no total, nos dois dias de manifestações, em São Paulo. A margem de erro para a amostra do dia 13 é de 5.4 pontos percentuais, e para a do dia 15 é de 4.13 pontos percentuais para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.

A pesquisa mostra, entre outras coisas, que no dia 15 foram os ricos e a classe média alta que pediu a cabeça da presidenta Dilma Rousseff (PT). Uma grande maioria de brancos (por isso o termo “elite branca”), votantes em Aécio Neves (PSDB) e pessoas contrárias aos sindicatos.

Baixe a pesquisa aqui.

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Eduardo Cunha diz que não vai abrir o Impeachment contra Dilma

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O presidente da Câmara dos Deputados, deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que seria o responsável segundo a Constituição para abrir um processo de Impeachment contra a presidência da República, disse hoje (16) que não vai abrir o processo contra a presidenta Dilma Rousseff (PT).

Disse que não é porque há uma crise política que há razão para o Impeachment.

Com isso a principal exigência do movimento golpista de ontem (15) cai por terra.

Os empresários milionários golpistas que organizaram as manifestações de ontem vão ter que pedir claramente um golpe militar ou, então, tentar financiar um candidato contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2018. Isso se não ficar proibida o corrupto financiamento empresarial de campanhas, pelo STF ou pelo próprio Congresso Nacional.

19 de março de 1964 X 15 de março de 2015

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19 de março de 1964

 

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15 de março de 2015

A Marcha da Família com Deus pela Liberdade realizada em São Paulo no dia 19 de março de 1964 foi uma resposta ao Comício da Central do Brasil realizado pelo então presidente João Goulart em 13 de março de 1964. Com empresários e setores políticos de direita, com 300 a 500 mil pessoas. Organizada pela Campanha da Mulher pela Democracia (CAMDE), União Cívica Feminina (UCF), Fraterna Amizade Urbana e Rural, Sociedade Rural Brasileira, com o apoio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) e do Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES). Pedia o afastamento do presidente Jango.

A Marcha contra a corrupção, contra o PT e contra Dilma realizada em São Paulo e outras cidades do país, no dia 15 de março de 2015 (quatro dias antes) foi uma resposta ao Ato pela Democracia, Petrobras, Reforma Política e Direitos dos Trabalhadores realizado em 13 de março de 2015 (mesmo dia). Com empresários e setores políticos de direita, com 210 mil pessoas em São Paulo e mais algumas milhares de pessoas nas outras cidades. Organizada por movimentos que pedem o Impeachment ou a “intervenção militar” contra a presidenta Dilma Rousseff (PT), com o apoio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) do PSDB.

A diferença é que hoje vivemos em uma sociedade civil ocidental, no sentido gramsciano, com instituições mais consolidadas, com uma Democracia mais consolidada.

A única coisa que não mudou, ou até piorou, é o reacionarismo das nossas elites financeiras e o poder da Rede Globo, que apoiou o golpe militar-empresarial de 1964, e da velha mídia.

Outra diferença é que a internet existe hoje, o que limita um pouco o poderio da velha mídia.

Na dúvida, todos os brasileiros que lutam pela democracia devem ficar atentos até os dias 31 de março (dia da revolução redentora de 1964, segundo os autoritários) e 1º de abril (dia do golpe de 64, segundo os democratas).

Ex-Ministro do STF, Carlos Ayres Britto, diz que não cabe Impeachment contra Dilma

Um dos maiores juristas do Brasil, o Prof. Dr. Carlos Ayres Britto, ex-Ministro do Supremo Tribunal Federal e especialista em Direito Constitucional e Direito Administrativo, disse hoje em um canal de TV que não cabe o Impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff (PT). Uma vez que ela não cometeu nenhum crime em seu segundo mandato.

Ou seja, quem apoia o Impeachment de Dilma ou é ignorante, que não conhece o Direito, ou mal-intencionado. Nas duas situações, é um golpista.

Manifestante de Londrina prega a morte de Dilma por meio de forca

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Em Londrina, a segunda maior cidade do Paraná, um manifestante chegou a pregar a morte da presidenta Dilma Rousseff (PT) por meio de uma forca. Londrina é a cidade que mais apoia o governador Beto Richa (PSDB) e que mais votou em Aécio neves (PSDB), candidato derrotado para a presidência em 2014.

Governar para os pobres e para a classe-média e romper com as elites financeiras

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Nas manifestações de hoje participaram menos de um por cento dos brasileiros e em sua maioria foram compostas por ricos e membros da classe média-alta.

Mesmo assim a presidenta Dilma Rousseff (PT) deve se utilizar desse movimento para ajustar seu governo no rumo da manutenção das conquistas sociais para os miseráveis e pobres e para a ampliação de conquistas para a classe-média.

Para isso a saída é o rompimento com o mercado financeiro.

Taxação das grandes fortunas e aumento substancial do imposto de transmissão de bens intervivos, a exemplo do que ocorre nos Estados Unidos da América, o que seria uma ação junto aos estados e municípios.

Aumento substancial da educação e saúde públicas, estatais, universais e gratuitas, como manda a Constituiçao de 1988, a exemplo de Cuba e vários países europeus, o que desoneraria a classe-média do pagamento de escolas particulares e planos de saúde.

Aumento substancial do investimento junto aos estados e municípios no transporte público e em ciclovias, para diminuir o trânsito de automóveis nas ruas e reduzir os gastos da classe-média com transporte motorizado individual.

Incentivo, fomento e desoneração ainda maior para micros, pequenas empresas e cooperativas.

Um escalonamento da cobrança do Imposto de Renda com isenção total para também a classe-média-média, e aumento do pagamento por milionários e ricos.

Ações que seriam realizadas junto com o Parlamento, estados, municípios, brasileiros pobres, classe-média e pequenos empresários. Os milionários, ricos, bancos, Rede Globo, Veja e velha mídia seriam contrários, mas Dilma teria amplo apoio da sociedade, que cobraria nossos parlamentares e o Poder Público nesse sentido.

Isso não é revolução, é reforma. Uma reforma que já correu nos países desenvolvidos no século passado e que é o mínimo que se pretende de um governo de centro-esquerda.

Lula, Dilma e o PT erraram

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Alguém tinha alguma dúvida de que a elite branca brasileira conseguiria reunir muitas pessoas hoje nas ruas contra a presidenta Dilma Rousseff e o Partido dos Trabalhadores?

Por mais que menos de 1% dos brasileiros tenham saído às ruas, o grande capital venceu uma batalha nesse dia 15 de março de 2015.

Com o apoio da velha mídia, que divulgou há semanas maciçamente as manifestações e chamou os brasileiros às ruas desde a manhã do domingo, empresários milionários, movimentos golpistas de direita e políticos de oposição conseguiram chamar a atenção dos demais 99% dos brasileiros que não saíram às ruas.

Além de algumas privatizações e concessões ao mercado financeiro nacional e internacional, uma das grandes falhas dos presidentes Lula e Dilma e do PT foi de não terem feito a democratização da mídia quando podiam.

Outra falha grave foi a de alguns dirigentes do Partido que se distanciaram do povo, dos movimentos sociais e dos militantes da base do PT, não discutiram política nos últimos 12 anos e se encastelaram nas instâncias superiores do PT e do Poder Público Federal.

Não é uma crítica aos mais de 95% dos membros do Partido dos Trabalhadores, mas sim a alguns dirigentes que pensaram mais em seus projetos pessoais e não fizeram o que deveria ser feito.

É claro que sabemos que em uma Democracia que assume a chefia do Poder Executivo não tem todo o poder para mudar o Brasil para melhor. Longe disso. Temos um Congresso Nacional, ainda bem. Temos o poderio do grande capital que domina a mídia, a cabeça dos brasileiros, os burocratas e agentes políticos. Mas é possível que o governo federal faça avanços gradativos, sem retrocessos.

É claro que politicamente Lula errou bem menos do que Dilma, pois é um dos maiores políticos e foi o maior presidente do Brasil de todos os tempos. Mas ainda é possível que a presidenta dê uma volta por cima, não faça tantas concessões ao capital internacional, faça a reforma política popular por meio de lei a ser aprovada no Congresso e a democratização dos meios de comunicação e não deixe que o projeto neoliberal-entreguista vença as eleições em 2018.

Internautas que querem a morte de Dilma no dia 15

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Influenciados pelo discurso de ódio da oposição, da revista Veja e de parte da velha mídia e de empresários e socialites brasileiros milionários, internautas que gostam de novelas da Globo estão pregando a morte da presidenta Dilma Rousseff (PT), no ato golpista do dia 15 de março de 2015. Vejam algumas imagens acima de redes sociais.

Note-se que essas são mensagens abertas de redes sociais que o Blog do Tarso encontrou em rápida pesquisa. Imaginem o que estão falando em grupos fechados e em mensagens em aplicativos de mensagens.

Os atos da sexta-feira 13 em defesa da Democracia foram pacíficos por todo o Brasil. No dia 15 o receio é que a mistura de pessoas com concepções de vida diferentes possam causar risco para a segurança dos manifestantes.

Vão participar no dia 15 desde inocentes úteis bem intencionados até pessoas que querem um golpe militar e até a morte da presidenta e dos membros do Partido dos Trabalhadores.

Panelaço Gourmet = “oligarcas de mierda”

Área VIP vaia Dilma durante seu pronunciamento

O post do Blog do Tarso mais acessado de todos os tempos, com mais de 540 mil visitas, foi na abertura da Copa do Mundo do Brasil de 2014, quando vaias e xingamentos contra a presidenta Dilma Rousseff (PT), na Arena Corinthians, vieram da área VIP com ingressos a R$ 990 e cortesias para artistas globais.

Eis que hoje a área VIP voltou a atacar. Nos bairros nobres de São Paulo como o Morumbi, em Curitiba no Champagnat e Batel e outros locais abastados de capitais como Belo Horizonte e Porto Alegre, vários coxinhas vaiaram e bateram panela durante o pronunciamento da presidenta no Dia Internacional da Mulher, em que Dilma desmentiu a elite e a média golpista e pessimista.

Eis que a Folha de S. Paulo, UOL e Gazeta do Povo imediatamente publicaram matéria dizendo que os “brasileiros” vaiaram Dilma.

Mentira!

Durante o pronunciamento e algum tempo depois o tweet mais divulgado no Twitter foi #DilmadaMulher, em apoio à presidenta.

Meia dúzia de coxinhas com pouca leitura, pouco conhecimento de história, e muita audiência de TV, em sua maioria nos bairros nobres das capitais do Sul e Sudeste é que fizeram esse papelão contra Dilma.

São os coxinhas que se calaram nas históricas manifestações populares contra governo Beto Richa (PSDB) no Paraná.

São os desinformados que não sabem que a falta de água em São Paulo se dá por causa dos mais de 20 anos de governos tucanos.

São os repetidores de senso comum que têm ódio contra o PT e nada contra o PSDB, DEM, PP, PTB, PSB, PSB, que têm alto número de escândalo de seus membros.

Fazem o jogo da elite econômica, fazem o jogo da mídia golpista.

Para eles é sempre bom lembrar Brecht:

“O Analfabeto Político

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.”

Bertolt Brecht

Na TV Dilma desmente os pessimistas

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A presidenta Dilma Rousseff (Partido dos Trabalhadores) afirmou hoje em pronunciamento oficial na TV (veja aqui) que as medidas do ajuste fiscal adotado pelo governo são necessárias para dar continuidade ao processo de crescimento com distribuição de renda e reforçou o compromisso com os direitos dos trabalhadores.

Dilma disse que “o Brasil passa por um momento diferente do que vivemos nos últimos anos, mas nem de longe está vivendo uma crise nas dimensões que dizem alguns”, em clara crítica às elites e à mídia golpista.

Segundo Dilma “o Brasil tem todas as condições de vencer estes problemas temporários – e esta vitória será ainda mais rápida se todos nós nos unirmos neste enfrentamento. Queremos e sabemos como fazer isso, distribuindo os esforços de maneira justa e suportável para todos. Como sempre, protegendo de forma especial as classes trabalhadoras, as classes médias e os setores mais vulneráveis. Temos compromissos profundos com o futuro do país e vamos continuar cumprindo, de forma inabalável, estes compromissos”.

A presidenta comparou a necessidade do governo controlar seus gastos com a realidade cotidiana enfrentada por empresas, donas de casa e pais de família: “Começamos cortando os gastos do governo sem afetar fortemente os investimentos prioritários e os programas sociais. Revisamos certas distorções em alguns benefícios, preservando os direitos sagrados dos trabalhadores” e “mais importante, no entanto, do que a duração destas medidas será a longa duração dos seus resultados e dos seus benefícios. Que devem ser perenes no combate à inflação e na garantia do emprego. Que devem ser permanentes na melhoria da saúde, da educação e da segurança pública. As medidas serão suportáveis porque além de sermos um governo que se preocupa com a população, temos hoje um povo mais forte do que nunca”.

Segundo Dilma, o processo de ajuste fiscal durará “o tempo que for necessário para reequilibrar a nossa economia” e “como temos fundamentos sólidos e as dificuldades são conjunturais, esperamos uma primeira reação já no final do segundo semestre deste ano”.

Finalizou dizendo: “Viva a mulher brasileira! Viva o povo brasileiro. Viva o Brasil!”

O tuíte  nesse momento é o mais divulgado no Brasil.

Veja a íntegra do pronunciamento:

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Ives Gandra está errado! Não cabe o Impeachment de Dilma por culpa!

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Em artigo publicado hoje na Folha de S. Paulo, o advogado tributarista Ives Gandra da Silva Martins (Opus Dei, Instituto Millenium, Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, Escola Superior de Guerra, defensor da “revolução de 64” e da ditadura militar) aduz que cabe o Impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT) por ato de improbidade administrativa, por culpa da presidenta.

Data venia Dr. Ives!

Em seu parecer o jurista cita a lei de improbidade administrativa. Mas a lei de improbidade administrativa não se aplica ao presidente da República, segundo a doutrina e o próprio STJ!

Em sua fundamentação o tributarista da Opus Dei diz que o crime de responsabilidade é cabível por culpa da presidência, quando é aplicável apenas por dolo (violação intencional) da Chefe do Executivo. Por culpa apenas nos casos previstos expressamente na lei, o que não é o caso.

Mais uma mácula no currículo do advogado…

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UOL mente sobre número de participantes na posse de Dilma

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Imagem da matéria falaciosa do UOL

 

O portal de notícias UOL, do grupo da Folha de S. Paulo, mentiu sobre o número de pessoas na posse da presidenta Dilma Rousseff (PT) ocorrida na quarta-feira (1º).

O Universo On Line, que é famoso por fazer uma defesa do PSDB de São Paulo e ataques aos seus adversários, faltou com a verdade ao informar que apenas 6 mil pessoas viram Dilma subir a rampa, receber a faixa e discursar no Parlatório na Praça dos Três Poderes, em Brasília (veja a matéria aqui). E ainda fez comparação com as posses de Lula em 2003 (71 mil), 2007 (10 mil) e Dilma em 2011 (30 mil).

A Polícia Militar do Distrito Federal calculou que 40 mil pessoas estiveram presentes na Esplanada dos Ministérios, e durante o pronunciamento de Dilma 20 mil pessoas.

Dentro do Palácio do Planalto havia cerca de 3 mil pessoas convidadas entre autoridades, notoriedades e militantes.

A própria Folha desmentiu o UOL e falou em 15 mil pessoas na Praça dos Três Poderes e 30 mil no total.

Um dos fundamentos para a mentira do UOL é a foto acima. Mesmo se for verdade que a foto foi tirada durante o discurso de Dilma, o número de pessoas é bem maior do que de 6 mil.

Outra questão importante é que muita gente ficou por mais de 5 horas em pé, no sol, esperando Dilma. Nesse período escutamos o longo discurso da presidenta, por meio de caixas de som, do Congresso Nacional, e ouve atraso. E muitas pessoas, após verem Dilma subindo a rampa, foram embora, antes do discurso no Parlatório, na frente do Palácio do Planalto, pois estavam quase desmaiando de calor ou perderiam seu transporte para voltar para casa.

Eu estava lá. No meio do povo. Eu vi.

Não confie no UOL! Democratização da mídia já!

Posse da Dilma: Globo esconde “o povo não e bobo, abaixo a Rede Globo”

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Foto de Tarso Cabral Violin

 

Desde a vitória da presidenta Dilma Rousseff (PT) no dia 26 de outubro de 2014, na sua tentativa de reeleição no segundo turno contra Aécio Neves (PSDB), eu já havia decidido participar da posse que ocorreu ontem, dia 1º de janeiro de 2015.

Em novembro comprei as passagens Fortaleza-Brasília-Fortaleza, já que eu sabia que estaria passando minhas férias na linda cidade nordestina que minha mãe resolveu residir depois de se aposentar.

Eis que no dia 31 de dezembro, ao tentar fazer o check in via internet, percebi que na correria de novembro eu havia comprado passagens para o dia 1º de dezembro de 2014, e não 1º de janeiro de 2015! Arrumada a situação em pleno último dia do ano, pagando as multas devidas junto a companhia de aviação, foi confirmada minha ida para Brasilia para ver a primeira posse presidencial da minha vida. Sim, infelizmente eu não havia visto pessoalmente as posses de Lula em 2003 e 2007 e nem a de Dilma em 2011.

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Foto de Tarso Cabral Violin

 

Neste dia 1º, logo após as comemorações da virada na Beira Mar de Fortaleza, me dirigi ao aeroporto, peguei o avião e cheguei em Brasília às 8h da manhã. Fui direto para a praça dos Três Poderes!

Ao contrário de outras ocasiões, quando por exemplo fui convidado para evento como debatedor no Palácio do Planalto ou mesmo para o comício da presidenta Dilma na periferia de São Paulo, dessa vez, infelizmente, não recebi convite para a cerimônia e participei da posse com o povo, em plena praça dos 3 Poderes. O que foi espetacular!

Fiquei muito tempo em pé para guardar um ótimo lugar na frente da rampa do Palácio do Planalto? Sim! Estava muito calor? Sim! Tinha muita água mas pouca comida na praça? Sim! Mas foi muito legal o contato com simpatizantes de Dilma dos mais variados partidos, desde o PT, PCdoB e PMDB, até pessoas que apenas aderiram à campanha apenas no segundo turno.

As minhas fotos da Posse da Dilma 2015 vocês podem ver no meu Facebook, Instagram ou no Flickr.

Cheguei em Fortaleza no próprio dia 1º a noite e eis que vi o Jornal da Globo, que simplesmente escondeu a principal manifestação dos mais de 40 mil apoiadores de todo o Brasil e do mundo que estavam na Posse.

A todo momento cantavam: “O Povo não é bobo, abaixo a Rede Globo”. Em claro apoio a democratização da mídia que a presidenta prometeu em campanha que irá fazer, pelo menos por meio da regulação econômica.

Sobre o tema ver meu post A democratização da mídia no Brasil e acompanhe o Blog do Tarso.

Feliz ano novo!

Tarso Cabral Violin – advogado, professor universitário e autor do Blog do Tarso, está escrevendo sua tese de doutorado sobre Democratização da Mídia no Programa de Pós-Graduação  em Políticas Públicas da UFPR

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Foto de Tarso Cabral Violin