ICI vai dar um golpe e rescindir contrato de gestão com o Município de Curitiba

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A Joice Hasselmann, do Blog da Joice, informou que o Instituto Curitiba de Informática – ICI vai rescindir o contrato de gestão com o Município de Curitiba.

Será um dos maiores golpes da história do Estado do Paraná.

A associação ICI, qualificada como OS – organização social, foi criada na década de 90 pelo então prefeito Cassio Taniguchi para gerir todos os serviços de informática da cidade.

Na verdade, o ICI seria um intermediador de contratos milionários com grandes empresas de informática, tudo sem licitação, sem concurso público, sem controle social, sem transparência.

O ICI, na realidade fática, é uma entidade estatal travestida de privada para fugir do regime jurídico administrativo.

É burla, é um modelo inconstitucional, que por demora do STF para julgar uma ADIn, até hoje existe.

O prédio que hoje é situado o ICI é do Município de Curitiba.

Toda a estrutura inicial do ICI foi criada em decorrência do dinheiro do Município de Curitiba. Muito dinheiro, milhões por mês.

O problema é que o modelo foi criado para burlar. Para enriquecer meia dúzia de empresários.

Todos os programas de computador criados pelo ICI, tudo com dinheiro da prefeitura, tudo sem licitação, agora são de propriedade do ICI. É um total absurdo!

As autoridades públicas que permitiram esses absurdos devem responder civilmente e criminalmente por isso.

A sociedade curitibana, o Ministério Público e o Poder Judiciário não podem permitir que agora, simplesmente, o ICI diga que vai rescindir o contrato com o Município, fazendo chantagem com a prefeitura e com o prefeito Gustavo Fruet (PDT).

Minha tese? Tudo o que é do ICI, na verdade, é do Município de Curitiba.

Prefeito Gustavo Fruet, está na hora do Município de Curitiba pegar de volta o que é seu.

O ICI não é dos empresários amigos do Cassio Taniguchi, Beto Richa e Luciano Ducci.

O ICI, todo o seu patrimônio, inclusive suas licenças, máquinas e programas, são do povo curitibano.

Prefeito Gustavo Fruet, se algum advogado ou procurador está dizendo que o ICI é perfeito juridicamente, tudo certinho, e não há nada a fazer, não acredite! É mentira!

Chega dessa farra!

Conselheiro Luís Mário Luchetta preside interinamente o ICI

Do Instituto Curitiba de Informática – ICI

O diretor-presidente do ICI, Renato Rodrigues, entregou o cargo nesta segunda-feira (29), em caráter irrevogável, em reunião do Conselho de Administração do Instituto. Assume o cargo interinamente, por 60 dias, no dia 2 (quinta-feira), o conselheiro Luís Mário Luchetta, presidente nacional da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação (Assespro), biênio 2013-1014.

Na interinidade de Luís Mário Luchetta, o Conselho de Administração do ICI examinará nomes indicados pela Prefeitura de Curitiba para a presidência do Instituto. Entre os dez conselheiros do ICI, quatro são indicados pela Prefeitura e os outros seis, por entidades privadas do setor de tecnologia da informação. Assim, nos próximos dois meses, os conselheiros buscarão um consenso para que não haja mais atritos na relação do ICI com a Prefeitura de Curitiba.

Luís Mário Luchetta é formado em Ciências Contábeis pela FAE, onde fez pós-graduação em Planejamento Empresarial, e possui pós-graduação também em Marketing Empresarial, pela UFPR. É especialista em governança corporativa e integra o banco de conselheiros do IBGC.

Gustavo Fruet vai trocar a diretoria do ICI “e vai ser já!”

A declaração de Gustavo Fruet ocorreu pouco depois da 1ª Vinada Cultural de Curitiba

A declaração de Gustavo Fruet ocorreu pouco depois da 1ª Vinada Cultural de Curitiba. Foto de Mauro Campos, para a Gazeta do Povo

Por Alvaro Borba, do ABCuritiba.com

Um dos responsáveis por coletar dados sobre a cidade é o ICI, o Instituto Curitiba de Informática. Na padaria, Fruet não menciona os contratos suspeitos que deram fama ao ICI, mas quase se perde ao listar tudo aquilo que a adminsitração municipal poderia estar fazendo se recebesse os preciosos pacotes de informação do instituto. Por fim, ele larga o sonho que estava comendo e assume um ar mais grave: “Vamos trocar toda a diretoria do ICI. E vai ser já”. Já, quando? “Nessa semana. É claro que a gente quer uma solução negociada, mas a coisa tem que funcionar”.

No começo da gestão, Fruet fez com que o ICI aceitasse ser fiscalizado pelo Tribunal de Contas através de um aditivo no contrato. O ICI é uma das faturas mais caras que a prefeitura precisa pagar. Na última gestão, foram firmados mais sete contratos com o instituto que somam R$ 585 milhões. Criado em 1998, o ICI nunca passou por uma auditoria decente e há indícios de superfaturamento que chegaram a despertar o interesse do Ministério Público. Dividido entre a cordialidade e a ruptura, Fruet prefere centrar seus argumentos no trabalho que o instituto deveria estar entregando e não faz referência a suspeitas, por mais bem fundamentadas que pareçam. Foi assim com os restos a pagar deixados pela gestão anterior. Encaminhou um relatório ao MP, mas, ao falar sobre o assunto com a imprensa, não mencionou o nome do antecessor e não ousou soltar a expressão “herança maldita”, recorrente nesses casos. “O [Luiz Geraldo] Mazza diz que me falta ‘punch’. Eu faço o que eu tenho que fazer, não preciso ficar emitindo juízo de valor até porque isso atrapalha os procedimentos”, ele me disse.

Blog do Esmael diz que presidente do ICI jogou os bets. Tesão piá!

No Blog do Esmael Morais

Presidente do ICI jogou os bets; agora a caixa-preta será aberta?

Renato Rodrigues, ex-presidente do ICI.

Renato Rodrigues, ex-presidente do ICI.

Uma fonte da prefeitura informa que Renato José de Almeida Rodrigues, até hoje presidente do famigerado Instituto Curitiba de Informática (ICI), pediu para sair do cargo. Ele deverá ser agasalhado noutra vistosa teta no governo do Paraná, provavelmente no Celepar (Companhia de Informática do Paraná).

A pergunta que não quer calar é: será que agora o prefeito Gustavo Fruet (PDT) abrirá a caixa-preta do ICI?

A Secretaria de Informação e Tecnologia de Curitiba está em boas mãos. Já o ICI…

Prédio do antigo CPD da prefeitura, que hoje está ocupado pelo ICI. Foto de Tarso Cabral Violin

Como sou ex-diretor jurídico da Celepar – Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná, faço parte do Setorial de Ciência & Tecnologia da Informação e Comunicação do Partido dos Trabalhadores do Paraná. Na última terça-feira fomos conversar com o secretário Paulo Roberto Miranda, da Secretaria de Informação e Tecnologia de Curitiba, que ainda será criada oficialmente.

Paulo Miranda é engenheiro civil e mestre em Administração pela UFRGS, tem mais de 30 anos de experiência nas áreas de Tecnologia da Informação e Comunicação, planejamento estratégico e gestão de tecnologia, com atuação nos setores público e privado. Presidiu por três gestões a Associação Brasileira das Empresas Públicas de TIC – Abep, ocupou a presidência da Companhia de Informática do Paraná – Celepar, foi superintendente do Serpro nos estados do Rio Grande do Sul e São Paulo, fundou e dirigiu o Centro Internacional de Tecnologia de Software (CITS).

O Blog do Tarso não fez uma entrevista oficial com o secretário, mas considero a conversa como a segunda com integrantes da gestão do prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet (PDT). A primeira foi com a presidente da Fundação de Ação Social de Curitiba, Marcia Oleskovski Fruet, publicada em 1º de março.

Miranda falou sobre o Instituto Curitiba de Informática – ICI e sobre a futura secretaria, que ainda está sendo discutida, com a elaboração do anteprojeto de lei a ser encaminhado para a Camara Municipal de Curitiba. A secretaria será importante por ser o órgão que vai pensar os serviços de TIC em Curitiba.

Sobre o ICI Miranda explicou as dificuldades que a atual gestão tem de influenciar na escolha de seis dos dez conselheiros do ICI, já que apenas quatro são escolhidos pelo prefeito.

Os atuais conselheiros do ICI escolhido por Fruet são o Secretário de Administração Fábio Scatolin, o Secretário de Governo Ricardo McDonald Ghisi, o Procurador-Geral do Município Joel Macedo e a presidenta da Agência Curitiba de Desenvolvimento Gina Paladino.

O problema é que os outros seis conselheiros não são escolhidos por Fruet. Ou seja, nesse modelo de privatização via OS – organização social, o prefeito ganha uma eleição democrática mas não leva.

Ou os seis conselheiros, que não foram escolhidos democraticamente, são os seguintes:

1. Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação (Assesspro): Luís Mário Luchetta

2. Associação de Usuários de Informática e Telecomunicações (Sucesu): Lincoln Paulo Martins Moreira

3. Comunidade local de informática: Adilson Rodrigues Roesler

4. Empresários de informática: Luiz Alberto Matzenbacher

5. Comunidade acadêmica: Mario Shirakawa

6. Associados do ICI: Luciano Scandelari

Miranda elogiou a Celepar e a Serpro, que são empresas estatais de informática no âmbito do estado do Paraná e da União, respectivamente, modelos os quais defendo que sejam utilizados em Curitiba. Miranda disse ser contrário a criação de uma empresa estatal de TIC em Curitiba.

O secretário disse que não é contra o modelo das OS, mas é contrário a forma como ele foi implementado em Curitiba. Sou totalmente contrário ao modelo de privatização via OS, pois ele foi criado para fins de burlar as licitações, o concurso público, o limite de gastos com pessoal e o controle social e democrático.

Um modelo tem que funcionar bem independentemente das pessoas que estejam no Poder. E as OS não funcionam bem quando os gestores não são transparentes, nem democráticos e quando são parciais em defesa de grandes empresas. Desde maio de 2012 espero informações do ICI as quais solicitei à entidade, que até hoje não me respondeu e por isso mantenho uma ação judicial contra a OS nada transparente.

Por mais que eu discorde da posição de Miranda sobre a não criação de uma estatal curitibana e sobre a sua não aversão ao modelo de OS, sem dúvida o secretário é bem preparado e bem intencionado no comando da SIT, que ainda será criada.

Mas mantenho as minhas sugestões sobre o que fazer com o ICI:

1. Concordo com a tentativa de assumir o poder do ICI com a conquista de mais uma ou duas vagas no conselho. Situação que possibilitaria a escolha de diretores de confiança do atual prefeito. Mas como já se passaram mais de 100 dias e essa alternativa não surtiu efeito, outras medidas deveriam ser tomadas:

2. O prefeito Gustavo Fruet deveria alterar a Lei Municipal das OS, a ser votada pela Câmara, na qual ele tem maioria, no sentido alterar o conselho do ICI, com a escolha de seis membros pelo prefeito.

3. Com a maioria no Conselho, poderiam ser escolhidos os três diretores de confiança da gestão atual, vencedora da eleição de 2013. O que se passa em Curitiba hoje é um golpe na democracia, por culpa do modelo criado pelo ex-prefeito Cassio Taniguchi. Uma das principais entidades contratadas pelo Município é gerida por pessoas de confiança do prefeito que perdeu as eleições, ainda no primeiro turno, Luciano Ducci (PSB). E que lidam com milhões de reais da população curitibana, sem licitação.

4. Durante os três próximos anos de gestão, de forma paulatina, seria possível a transformação do ICI em empresa pública municipal, no mesmo modelo do Serpro. Uma empresa estatal que faria parte da Administração Pública indireta municipal, que realizaria concurso público, licitações, seria controlada em seu dia-a-dia pelo Tribunal de Contas e por toda a sociedade.

Com relação ao ICI, Gustavo Fruet apenas prometeu nas eleições que a OS seria transparente. Gustavo ainda prometeu que não terceirizaria atividades-fim dos órgãos e entidades da Administração Pública.

Mas fica aqui minha sugestão.

ICI mostra a ponta do iceberg. Quero o striptease!

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A jornalista e blogueira Joice Hasselmann, do Blog da Joice, me avisou que o Instituto Curitiba de Informática – ICI abriu a “caixa-preta”. Prefiro dizer que essa ONG que recebe R$ 10 milhões por mês do Município de Curitiba, sem licitação, e que não faz licitação e não faz concurso público, apenas mostrou a pontinha do iceberg, mas ainda falta fazer um belo striptease!

O prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet (PDT), em quase quatro meses de gestão, ainda não conseguiu assumir o poder no ICI, pois pode escolher apenas quatro conselheiros do Conselho de Administração do ICI, do total de dez. Assim, os três diretores da época do ex-prefeito Luciano Ducci (PSB), derrotado na eleição de 2012 ainda no primeiro turno, continuam em seus cargos e dando as cartas na entidade qualificada como organização social – OS.

Além de assumir a gestão do ICI, Gustavo pretendia já na eleição deixar o ICI mais transparente, e aos poucos vem conseguindo, a conta gotas.

Charge sobre a falta de transparência do ICI especialmente elaborada por Lucas Fier para o Blog do Tarso

No dia 1º de março de 2013 o Município de Curitiba assinou termo aditivo ao contrato de gestão celebrado com o ICI, para que a entidade seja mais transparente. Em seu site o ICI confessa que o termo aditivo foi celebrado devido à Resolução nº 28/2011 do Tribunal de Contas do Estado do Paraná. Primeira pergunta: por que a gestão passada de Luciano Ducci (PSB) não assinou esse termo há dois anos?

Veja a papelada que o ICI divulgou no Blog da Joice ou em seu site, mas há perguntas que não querem calar, e que devem ser respondidas pelo ICI em face à Lei de Acesso à Informação (Lei 12.527/2011):

1. Quanto o presidente e os dois diretores do ICI recebem de remuneração por mês?

2. Quais são as empresas e escritórios de advocacia que recebem milhões do ICI por mês?

3. Há atividades-fim do ICI que são terceirizadas de forma ilícita? Quais atividades? Quanto custa? Quais empresas?

4. Quanto o ICI gasta com softwares proprietários de grandes empresas estrangeiras, quando poderia estar incentivando a tecnologia nacional e o software livre?

5. É verdade que o ICI é apenas um intermediador de milhões para empresas privadas, com o simples intuito de fuga das licitações, dos concursos públicos e dos limites de gastos com pessoal da Lei de Responsabilidade Fiscal?

6. Quando os diretores escolhidos pelo ex-prefeito perderão seus cargos?

7. Há professor aposentado representando a Academia no Conselho de Administração do ICI?

8. Por que o ICI não respeita a Lei de Acesso à informação, se ele é uma entidade do Terceiro Setor que recebe dinheiro público e funciona em um prédio da prefeitura de Curitiba?

O pior de tudo é que o governo Beto Richa (PSDB) quer implementar o mesmo modelo de privatização via OS do ICI no Teatro Guaíra e no Museu Oscar Niemeyer.

Chamem a Demi Moore!

TARSO CABRAL VIOLIN – autor do Blog do Tarso, advogado, ex-diretor jurídico da Celepar – Companhia de Informática do Paraná, mestre em Direito do Estado pela UFPR e autor do livro Terceiro Setor e as Parcerias com a Administração Pública: uma análise crítica (Fórum, 2ª ed., 2010), que trata de forma crítica das OS e contratos de gestão entre a Administração Pública e o Terceiro Setor.

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ParanáBlogs entrevista prefeito Gustavo Fruet sobre liberdade de expressão, internet, blogs e ICI. Ouça

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Clique aqui e ouça a entrevista que o Paraná Blogs, por meio do blogueiro progressista Sérgio Bertoni, fez com o prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet (PDT), em 11.09.2013, como preparativo para o 2º Encontro de Blogueir@s do Paraná que teve início ontem.

Até a Gazeta do Povo critica a privatização do Tudo Aqui e ICI

O editorial de hoje da Gazeta do Povo, que costuma ser conservador e privatista de direita, criticou a privatização de serviços que o governador Beto Richa (PSDB) queria fazer no Paraná por meio do “Tudo Aqui”, que chamei de “Privatização 171”. Beto por enquanto desistiu, depois das trapalhadas do seu secretário Cassio Taniguchi (DEMO) e de seu líder de governo, Ademar Traiano (PSDB), e da atuação incisiva do deputado estadual Tadeu Veneri (PT) e de alguns deputados da oposição e até alguns da situação.

A Gazeta do Povo aproveitou para criticar a privatização dos serviços de TIC – tecnologia da informação e comunicação em Curitiba, que Cassio Taniguchi fez como prefeito de Curitiba com o ICI – Instituto Curitiba de Informática e que foi mantida pelos prefeitos Beto Richa (PSDB), Luciano Ducci (PSB) e Gustavo Fruet (PDT). Pelo menos agora Fruet exige mais transparência do ICI. Veja parte do editorial:

Mas há outros ângulos do projeto Tudo Aqui também preocupantes e que têm sido pouco lembrados ou debatidos, como os abordados pelo professor Belmiro Valverde em seu artigo semanal nesta Gazeta do Povo, no último domingo. Um deles é o perigo de o Tudo Aqui constituir-se numa versão ampliada do que o Instituto Curitiba de Informática (ICI) representa para Curitiba. O grau de dependência da administração municipal é tão grande em relação aos serviços e às bases de dados do ICI (uma organização social de direito privado) que a prefeitura acabou por se tornar refém de um ente sobre o qual não detém controle. Serviços como a marcação de consultas médicas ou a emissão de segundas vias para pagamento de tributos – tudo passa pelos computadores do ICI. Sem falar nos demais controles administrativos, financeiros e orçamentários que constituem o coração da prefeitura.

O ICI, por esse motivo, tornou-se o símbolo pronto e acabado da transposição dos limites entre o público e o privado, perigo em que o estado e o governo paranaenses estavam se arriscando a incorrer com o Tudo Aqui – e pelo prazo de 25 anos, excessivamente longo. Daí as dúvidas em relação à própria legalidade de terceirizar alguns dos serviços para uma empresa privada, já que, entre eles, há inúmeros indelegáveis, isto é, que são de exclusiva competência do poder público, como os da Junta Comercial ou de instituições de natureza policial e de segurança.

Até Belmiro Castor critica a privatização de Beto Richa: “Um novo ICI?”

O Prof. Belmiro Castor defende as privatizações. Mas até para ele Beto Richa está exagerando…

Um novo ICI?

Publicado hoje na Gazeta do Povo

BELMIRO VALVERDE JOBIM CASTOR

Se tudo correr como planejado, o governo estadual irá privatizar o atendimento de 171 diferentes serviços de 34 órgãos públicos e assemelhados, entregando-os a um concessionário administrativo por 25 anos, prorrogáveis por outros 25, a um custo inicial de mais de R$ 3 bilhões. Faz sentido? Minha opinião curta e grossa: não.

Uma coisa é contratar periodicamente empresas privadas para realizar obras e serviços específicos de um ente ou uma empresa pública ou mista. É o caso de serviços de limpeza, de conservação, de entrega de correspondência, de construção e manutenção de obras etc. Outra totalmente diferente é conceder a uma empresa ou grupo privado praticamente todas as atividades de atendimento ao cidadão por um período tão longo, em condições de virtual exclusividade.

Acresce que os serviços a serem prestados o serão inicialmente em apenas nove localidades: três em Curitiba e seis em cidades-polo do interior, o que não caracteriza exatamente uma conveniência para quem mora em uma cidade com milhões ou centenas de milhares de habitantes. Como não é crível nem conveniente que em uma cidade como Curitiba, Londrina ou Maringá serviços públicos sejam concentrados em três lugares apenas, a atual rede de atendimento dos Correios, da Copel, da Sanepar e outras entidades certamente será mantida; mesmo porque as infraestruturas de tecnologia de informação são diversas e, em muitos casos, devem ser protegidas contra o acesso não autorizado de terceiros. Além disso, os serviços que envolvem o exercício do poder de polícia ou da fé pública (Polícia Civil, Detran, Polícia Federal, Receita Federal e Junta Comercial, por exemplo) obviamente não podem ser inteiramente delegados a funcionários de uma empresa privada. E por aí afora.

Minha opinião é que, se é para firmar Parcerias Público-Privadas, deveríamos fazê-lo para financiar obras de infraestrutura, que envolvam grandes investimentos de retorno lento e algum risco para o concessionário privado. O Tudo Aqui não tem nem uma nem outra característica: os investimentos a cargo do vencedor da licitação são relativamente modestos (três das centrais serão atuais Ruas da Cidadania reformadas e nenhuma das demais terá mais de 4 mil m²); boa parte da tecnologia a ser utilizada já foi desenvolvida para outros serviços semelhantes existentes em outros estados; e o risco de demanda é zero, pois se trata – praticamente em todos os casos – de serviços prestados em regime de monopólio legal ou virtual do Estado.

E, se é para gastar esse dinheirão em melhoria do atendimento ao cidadão, que se faça no desenvolvimento e na implantação de um verdadeiro governo eletrônico – isso, sim, um avanço definitivo. No mundo desenvolvido, o cidadão faz praticamente tudo o que envolve o poder público a distância, via informática. Aí, sim, há um avanço real de qualidade e não na criação de nove centros em um estado com 400 municípios e mais de 11 milhões de habitantes.

Estaria eu exagerando quando percebo no projeto do Tudo Aqui a reedição da incrível e surrealista experiência do Instituto Curitiba de Informática (ICI), a quem a Prefeitura de Curitiba paga fortunas e delegou monopolisticamente seus serviços de tecnologia de informação, mas a cujos custos e práticas não tem acesso?

Quando deputados resolveram inquirir o secretário de Planejamento sobre esse projeto de mais de R$ 3 bilhões envolvendo compromissos por uma ou duas gerações, o requerimento foi derrubado por ordem do líder da bancada do governo, como “uma afronta ao governador”. Contrariamente ao que pensa o prestativo deputado Traiano, perguntas não afrontam ninguém; a falta de respostas a perguntas razoáveis é que afronta a inteligência dos outros.

Belmiro Valverde Jobim Castor é professor do doutorado em Administração da PUCPR.

Ministério Público autoriza que a prefeitura de Curitiba pague diretamente aos trabalhadores do ICI

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Desde a gestão de Luciano Ducci (PSB), depois dele perder a eleição, a prefeitura de Curitiba não vem pagando o Instituto Curitiba de Informática (ICI), uma entidade privada que recebia milhões do Poder Executivo Municipal para supostamente prestar serviços de TIC – tecnologia da informação e comunicação, sem licitação.

O prefeito Gustavo Fruet (PDT) e sua equipe estão questionando o valor que o ICI recebia, muito alto.

Para não haver prejuízo aos trabalhadores, o Ministério Público do Trabalho permitiu que a prefeitura pague diretamente aos trabalhadores, para que o ICI não sirva mais de atravessador com altas taxas de administração.

Parabéns à procuradora do Trabalho, Margaret Matos, e à equipe da prefeitura de Curitiba.

Agora falta o atual prefeito, que foi eleito democraticamente, tomar o poder do ICI, a maior caixa-preta de Curitiba.

Trabalhadores do ICI colocam a culpa na ponte

ICI, que se utiliza de prédio da prefeitura de Curitiba, do antigo CPD. Foto de Tarso Cabral Violin

Sou solidário aos trabalhadores do ICI – Instituto Curitiba de Informática, assim como sou solidário a todos os trabalhadores do mundo, sejam servidores públicos ou não.

Isso eu demonstro e demonstrei na minha atuação como ex-diretor jurídico da Companhia de Informática do Paraná – Celepar, como ex-chefe da Assessoria Jurídica do antigo Instituto de Ação Social do Paraná, como ex-assessor jurídico da antiga Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Promoção Social – SETP e dos Conselhos Estaduais dos Direitos da Criança e da Adolescência, da Assistência Social, dos Direitos do Idoso e da Segurança Alimentar e Nutricional, como consultor jurídico para a Administração Pública, como advogado, como professor de Direito Administrativo e estudioso das terceirizações e privatizações. Inclusive meu mestrado em Direito do Estado na UFPR foi sobre as organizações sociais (o ICI é uma OS) Uma análise crítica do ideário do “Terceiro Setor” no contexto neoliberal e as Parcerias entre a Administração Pública e Sociedade Civil Organizada no Brasil, que virou o livro Terceiro Setor e as Parcerias com a Administração Pública: uma análise crítica (Fórum, 2ª ed., 2010).

Alguns trabalhadores do ICI ficaram magoados com o posto do Blog do Tarso Presidente do ICI fez empréstimo em seu nome para pagar trabalhadores. Milionário?.

Estão nervosos, com razão, com risco de perderem seus empregos ou ficarem com seus salários atrasados. Parece que consideram o atual presidente do ICI um heroi, por ele ter feito um empréstimo em seu nome para o pagamento dos salários dos trabalhadores.

Colocar a culpa dessa situação trágica no Blog do Tarso, nos críticos ao modelo de privatização via organizações sociais – OS, ou mesmo na atuação gestão da prefeitura é um erro crasso.

É a mesma coisa do que colocar a culpa na ponte pela ocorrência de um suicídio de alguém que se joga dela.

O ICI é inconstitucional. A privatização do antigo CPD via ICI é inconstitucional, ilegal e imoral. A realização da privatização realizada pelo ex-prefeito Cassio Taniguchi e mantida pelos ex-prefeitos Beto Richa (PSDB) e Luciano Ducci (PSB) é um absurdo.

O modelo neoliberal-gerencial das OS é um modelo de precarização da Administração Pública, uma modelo de maior exploração do trabalhador de tecnologia da informação e comunicação – TIC, é um modelo que combato desde os anos de 1997 e 1998, quando Taniguchi aqui e FHC lá, implementaram o abominável modelo, com o intuito de fuga das licitações e do concurso público, fuga do controle social e do Tribunal de Contas, de precarização e exploração do trabalhador.

Os trabalhadores atuais do ICI não foram contratados por concurso público. Se fosse o antigo Centro de Processamento de Dados, todos seriam concursados. O ICI não faz licitação, e recebe milhões da prefeitura sem ter vencido uma licitação. O STF está prestes a entender que o modelo é inconstitucional.

Não entendem os trabalhadores do ICI que se tivessem passado por concurso público e fossem servidores não estariam passando pelo que passam nesse momento?

Culpados? Os ex-prefeitos citados e os ex-diretores e atuais diretores do ICI, que foram silentes e mantiveram o absurdo.

E agora o atual presidente quer sair como heroi? E os trabalhadores do ICI acreditam nisso? Abram os olhos!

Quem sempre lutou e continua lutando pela existência de uma entidade estatal responsável pela TIC da prefeitura de Curitiba, e quem na gestão de Gustavo Fruet (PDT) quer resolver os absursos do ICI de todos esses anos é que são os mocinhos nessa história… Quem são os bandidos?

Tarso Cabral Violin – autor do Blog do Tarso, advogado e professor de Direito Administrativo

Presidente do ICI fez empréstimo em seu nome para pagar trabalhadores. Milionário?

Charge sobre a falta de transparência do ICI – Instituto Curitiba de Informática, do cartunista Lucas Fier, especialmente elaborada para o Blog do Tarso

Charge sobre a falta de transparência do ICI – Instituto Curitiba de Informática, do cartunista Lucas Fier, especialmente elaborada para o Blog do Tarso

A jornalista e blogueira Joise Hasselmann, do Blog da Joice, informou que Renato Rodrigues, diretor-presidente do Instituto Curitiba de Informática – ICI, fez empréstimo usando aval pessoal para pagar os salários desse mês dos funcionários da associação privada qualificada como organização social – OS que cuida de todos os serviços de tecnologia da informação e comunicação – TIC da prefeitura de Curitiba.

Deve ser milionário o salário de diretor do ICI. Mas por enquanto não há como saber. Tive que entrar com uma ação judicial contra o presidente e contra o ICI para saber essa informação e várias outras.

Os estagiários do ICI recebem mais de R$ 9 mil por mês?

Charge sobre a falta de transparência do ICI – Instituto Curitiba de Informática, do cartunista Lucas Fier, especialmente elaborada para o Blog do Tarso

Entrevista com o prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet (PDT), publicada no último domingo na Gazeta do Povo:

E a mudança na gestão do ICI?

O ICI é um instrumento muito importante para a gestão da cidade, mas é preciso redefinir os valores, os contratos e como se dá essa relação com a prefeitura. A cidade paga, por exemplo, R$ 148 mil todos os meses por um serviço de alta complexidade para o atendimento presencial do contribuinte do ISS, que é executado por 16 estagiários. É mais de R$ 9 mil por estagiário, quando, na verdade, os gastos devem ser de R$ 1,5 mil para cada um deles. Empresas que são fornecedoras da prefeitura por meio do ICI não recebem há 10 meses e ameaçam paralisar os serviços. É correto continuarmos num sistema como esse?

Charge: ICI – Instituto Caixa-Preta de Informática

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A partir de hoje o Blog do Tarso vai contar com a charges do cartunista Lucas Fier. A estreia é sobre o ICI – Instituto Curitiba de Informática, uma associação privada que recebe milhões da prefeitura de Curitiba, mas não respeita a Lei de Acesso à Informação e não divulga os valores recebidos da prefeitura, o dinheiro que repassa para empresas privadas, o salário de seus dirigentes, entre outras informações de interesse público. O prefeito Gustavo Fruet (PDT) está tentando assumir o poder no ICI, já que foi eleito de forma democrática com a promessa de deixar o ICI mais transparente.

 

ICI: prefeito Gustavo Fruet não pretende deixar que o neoliberalismo vença a Democracia

Membros novos e antigos do Conselho de Administração do ICI. Foto: Cesar Brustolin/SMCS

Membros novos e antigos do Conselho de Administração do ICI. Foto: Cesar Brustolin/SMCS

Hoje conversei com o prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet (PDT), e fiquei mais tranquilo com relação ao ICI – Instituto Curitiba de Informática.

Muitos me perguntam: “por que você fala tanto do ICI?”. Explico: desde 1998 questiono a constitucionalidade das organizações sociais – OS, uma qualificação criada pelo ex-presidente FHC (PSDB) concedida pelo Poder Pública para associações ou fundações privadas, com o intuito de privatizar a educação, a saúde, entre outros serviços públicos sociais. Eu era estudante de Direito na época e já questionava a lei, nos termos do professor Celso Antônio Bandeira de Mello. Depois fiz um mestrado em Direito do Estado na UFPR cuja a dissertação foi sobre as parcerias entre a Administração Pública e o chamado “terceiro setor”, e um dos focos do estudo foram as OSs e seus contratos de gestão (Uma análise crítica do ideário do “Terceiro Setor” no contexto neoliberal e as Parcerias entre a Administração Pública e Sociedade Civil Organizada no Brasil) que depois se transformou em livro já na 2ª edição (Terceiro Setor e as Parcerias com a Administração Pública: uma análise crítica (Fórum, 2ª ed., 2010).

Em Curitiba essa mesma OS foi criada por lei municipal, pelo ex-prefeito Cassio Taniguchi (DEMO, ex-PFL), com o intuito principal de privatizar a informática pública para uma entidade privada que não precisaria realizar licitação, concurso público, ser controlada efetivamente pelo Tribunal de Contas e pela sociedade. Essa entidade se chama ICI, que utiliza até hoje como sua sede um prédio da prefeitura, que ocupava o antigo CPD – Centro de Processamento de Dados.

Desde 1998 a OAB, o PDT e o PT têm ações diretas de inconstitucionalidade – ADIn contra a Lei das OS e, provavelmente, ainda em 2013 o STF vai tomar uma decisão final sobre o tema, provavelmente pela inconstitucionalidade da Lei criada no período neoliberal.

Desde então saiu Taniguchi, entrou Beto Richa (PSDB), saiu Richa, entrou Luciano Ducci (PSB) e, com sua derrota e a vitória de Gustavo Fruet (PDT), com um discurso incisivo pela transparência do ICI, toda a sociedade achava que a partir do dia 1º de janeiro de 2013, o novo prefeito escolheria os dirigentes do ICI para cumprir sua promessa de campanha vencedora e deixar o ICI mais transparente.

O problema é que quem escolhe os diretores do ICI são os 10 membros do seu Conselho de Administração. E 6 membros foram escolhidos por Ducci com mandato. Fruet tem o poder de escolher apenas 4 membros. Dia 01 de janeiro, então, era impossível Fruet escolher o novo presidente e os novos diretores técnico e administrativo do ICI.

Dia 15 eu achava que Fruet conseguiria os votos dos seus quatro membros e de pelo menos mais um, mas isso não foi possível, e por isso postei “Neoliberalismo venceu a Democracia: presidente do ICI escolhido por Ducci fica no cargo“.

Mesmo o presidente escolhido por Ducci, Renato Rodrigues, colocando seu cargo a disposição, como o prefeito atual não teria poder de alterar naquele momento a nova diretoria, decidiu-se unanimemente no sentido de deixar Rodrigues por mais dois meses. Até que Fruet consiga pelo menos mais um voto no Conselho e possa escolher seus diretores de confiança, que poderão aplicar as políticas públicas que venceram a eleição.

Outra notícia importante de Fruet em nossa conversa foi que o Tribunal de Contas está determinado a ser mais incisivo na busca pela transparência do ICI, que mesmo sendo uma entidade privada, como lida com milhões de dinheiro público, deve ser transparente.

Confio que Gustavo Fruet conseguirá da melhor forma possível resolver a caixa-preta do ICI.

Tarso Cabral Violin – autor do Blog do Tarso, é professor de Direito Administrativo e advogado na área de licitações e contratos administrativos e Direito do Terceiro Setor

Morre o advogado Edson Feltrin

Feltrin conseguiu na Justiça mais de 25 mil páginas de documento que o Instituto Curitiba de Informática (ICI) escondia

Feltrin conseguiu na Justiça mais de 25 mil páginas de documento que o Instituto Curitiba de Informática (ICI) escondia

Conforme notícia do Blog do Esmael, Edson Feltrin acabou de falecer, vítima de pneumonia.

Feltrin era presidente da Federação das Associações de Moradores de Curitiba (Femotiba) e secretário-geral do PDT da capital. Ele era de Maringá, tinha 62 anos, e estudou Direito na PUCPR.

Em paralelo ao Blog do Tarso, Feltrin também era um advogado que lutava pela transparência do ICI – Instituto Curitiba de Informática, clique aqui.

Fruet terá 60 dias para articular a eleição de um aliado para o ICI

Sede do ICI: instituto recebeu R$ 128,4 milhões da prefeitura no ano passado. Foto de André Rodrigues/Gazeta do Povo

Sede do ICI: instituto recebeu R$ 128,4 milhões da prefeitura no ano passado. Foto de André Rodrigues/Gazeta do Povo

Hoje na Gazeta do Povo

Conselho do Instituto Curitiba de Informática tem 10 membros e só 4 foram indicados pelo atual prefeito. Ontem, conselheiros de Fruet tomaram posse e pediram acesso a dados

EUCLIDES LUCAS GARCIA

O prefeito Gustavo Fruet (PDT) terá os próximos 60 dias para tentar conhecer mais de perto a situação do Instituto Curitiba de Informática (ICI), considerado uma das “caixas-pretas” da administração municipal. Nesse período, ele também vai buscar articular a eleição de um aliado para a presidência da instituição. Ontem, na posse dos quatro representantes indicados pelo pedetista para participar da gestão do ICI, o atual presidente da entidade, Renato Rodrigues, colocou o cargo à disposição.

Entidade não governamental responsável por uma série de serviços de informática utilizados pela prefeitura, o ICI recebeu somente no ano passado R$ 128,4 milhões em contratos com a administração da capital. Além disso, o instituto armazena uma série de informações estratégicas para a gestão municipal, relativas a tributos, folha de pagamento, consultas médicas, entre outras. A aplicação dos recursos, porém, é alvo de questionamentos pelo Tribunal de Contas do Estado (TC), que diz não ter recebido dados sobre os contratos mantidos durante a gestão anterior.

Em meio a essa polêmica, Fruet trabalha nos bastidores para colocar alguém de sua preferência no comando do ICI. Formado por dez representantes do poder público e de segmentos da iniciativa privada, o conselho deliberativo da entidade é quem elegerá o próximo presidente. No entanto, o pedetista está em desvantagem, uma vez que ele indicou apenas quatro desses membros. Os outros seis estão no cargo desde a gestão do ex-prefeito Luciano Ducci (PSB).

A data da eleição ainda não foi definida. A tendência é que o pleito ocorra em no máximo dois meses, período durante o qual o atual presidente do ICI vai permanecer no cargo.

Caixa-preta

Fruet também enfrenta dificuldades para ter acesso a informações sobre o funcionamento do ICI. O pedetista alega que solicitou os dados à gestão de Ducci durante o período de transição, mas não teve os pedidos atendidos.

Ontem, os conselheiros indicados pelo novo prefeito entregaram à direção da entidade um documento requisitando acesso a uma série de informações para “avaliar os serviços prestados pela instituição à administração municipal”. Entre os dados solicitados, estão a estrutura de funcionários do ICI, com nomes e salários; cópia dos contratos com a prefeitura, incluindo o nome das empresas prestadoras de serviço; e custos de operação e manutenção da rede de fibra ótica da prefeitura.

Antes de assumir o mandato, Fruet afirmou que pretende fazer uso do ICI durante a sua gestão, mas quer dar mais transparência aos dados colhidos pelos sistemas, além de acompanhar de perto os serviços contratados.

ICI não repassou informações a Gustavo Fruet

Gustavo Fruet e Mirian Gonçalves

Gustavo Fruet e Mirian Gonçalves

De Maíra Gioia da CBN (clique aqui e ouça a matéria)

Fruet afirma que equipe de transição sonegou informações sobre o ICI

O secretário municipal do Planejamento e Gestão, Fábio Scatolin, passou a manhã desta quarta-feira levantando o montante pago para o ICI em 2012. Foram repassados cerca de 122 milhões de reais e até 2016, quando vence o convênio entre a instituição e a prefeitura, o repasse previsto chega a meio bilhão de reais. Segundo o secretário, o Instituto detém dados de várias áreas da Prefeitura.

Neoliberalismo venceu a Democracia: presidente do ICI escolhido por Ducci fica no cargo

imageO neoliberalismo, por enquanto, está vencendo a Democracia. O prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet (PDT), eleito com mais de 60% dos votos, por enquanto não conseguiu trocar o comando do ICI – Instituto Curitiba de Informática. O ICI é uma associação privada qualificada como organização social – OS, criada pelo ex-prefeito Cássio Taniguchi (DEMO), que recebe milhões da prefeitura sem licitação e não faz concurso público. Presta serviços de tecnologia da informação e comunicação – TIC.

Uma das grandes promessas de Gustavo era deixar o ICI mais transparente e diminuir as terceirizações de atividades fim. Mas para a prefeitura não parar, e como o Conselho de Administração tem 10 membros, mas Fruet pode escolher apenas 4 membros, o Conselho acabou decidindo hoje, por unanimidade, segundo Joice Hasselmann, a manutenção de Renato Rodrigues como presidente. Ele é homem de confiança e foi escolhido pelo ex-prefeito Luciano Ducci (PSB), derrotado ainda no primeiro turno nas eleições de 2012.

O modelo das OS foi criado no governo FHC para a privatização de serviços.

Em minoria no ICI, Fruet tenta emplacar novo presidente do órgão

Fachada da sede do ICI no Cabral: instituto é uma entidade não governamental responsável pela informática da prefeitura de Curitiba. Durante a campanha, foi chamado de caixa-preta. Foto de André Rodrigues

Fachada da sede do ICI no Cabral: instituto é uma entidade não governamental responsável pela informática da prefeitura de Curitiba. Durante a campanha, foi chamado de caixa-preta. Foto de André Rodrigues

Tomam posse hoje os quatro indicados pelo novo prefeito para o conselho do Instituto Curitiba de Informática. Comando da entidade é escolhido por dez conselheiros

ANDERSON GONÇALVES, hoje na Gazeta do Povo

O prefeito Gustavo Fruet (PDT) inicia hoje sua intervenção em uma das chamadas “caixas-pretas” da administração municipal. O conselho deliberativo do Instituto Curitiba de Informática (ICI) se reúne hoje para dar posse aos quatro representantes indicados pelo novo prefeito para participar da gestão do instituto – uma entidade não governamental que é responsável por uma série de serviços de informática utilizados pela prefeitura.

Mais do que definir a participação da nova administração municipal nas decisões do ICI, a mudança faz parte do trabalho que Fruet terá para tentar conseguir emplacar um nome para a presidência do órgão. Hoje, Fruet está em minoria, pois o conselho do ICI é formado por dez pessoas que representam o poder público e segmentos da iniciativa privada. Os dez integrantes elegem o presidente da instituição.

O ICI recebeu no ano passado R$ 128,4 milhões em contratos com a prefeitura. Além disso, o instituto armazena uma série de informações estratégicas para a gestão municipal, relativas a tributos, folha de pagamento, consultas médicas, entre outras.

Fruet pode ter dificuldades para colocar alguém de sua preferência no comando do ICI porque está em desvantagem no conselho. No fim do ano passado, o ex-prefeito Luciano Ducci (PSB) convocou uma reunião extraordinária para que o conselho escolhesse dois novos representantes. Somados aos quatro indicados por outros setores, que já faziam parte do conselho durante o governo Ducci, eles somam votos suficientes para eleger um novo presidente.

Segundo a comunicação da prefeitura, ainda não está definida a data para eleição da nova diretoria do ICI. A definição po­­de­­rá ocorrer na reunião de ho­­­­je, que será comandada pe­lo atu­al diretor-presidente, Re­­nato Almeida Rodrigues. Nos bastidores, comenta-se que Fruet já estaria em tra­­tativas para tentar fazer com que os conselheiros escolhessem um nome de sua preferência para o comando do instituto.

Informações

Os quatro nomes indicados por Fruet para participar do conselho são: o procurador-geral do município, Joel Macedo; o secretário de Governo, Ricardo McDonald Ghisi; o secretário de Administração, Fábio Scatolin; e a presidente da Curitiba S.A., Gina Paladino. Após tomar posse, o grupo entregará ao diretor-presidente do ICI uma carta solicitando informações sobre o órgão. De acordo com a assessoria de comunicação da prefeitura, são dados sobre as finanças e os contratos administrados pelo instituto, os quais não foram repassados durante o processo de transição.

O prefeito Gustavo Fruet já afirmou que pretende fazer uso do ICI durante a sua gestão, mas quer dar mais transparência aos dados colhidos pelos sistemas e acompanhar de perto os serviços contratados.

Quem é quem

Quem faz parte do conselho deliberativo do ICI:

Indicados pelo setor público

• Secretaria de Administração: Fábio Scatolin*

• Secretaria de Governo: Ricardo McDonald Ghisi*

• Procuradoria-Geral do Município: Joel Macedo*

• Secretaria de Finanças: Gina Paladino*

Indicados pelo setor privado

• Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação (Assesspro): Luís Mário Luchetta

• Associação de Usuários de Informática e Telecomunicações (Sucesu): Lincoln Paulo Martins Moreira

• Comunidade local de informática: Adilson Rodrigues Roesler

• Empresários de informática: Luiz Alberto Matzenbacher

• Comunidade acadêmica: Mario Shirakawa

• Associados do ICI: Luciano Scandelari

* Tomam posse nesta terça-feira como indicados pelo prefeito Gustavo Fruet.

Funções

Dos portais na internet ao 156, tudo passa pelo instituto

O Instituto Curitiba de Informática (ICI) é responsável por um conjunto de informações da prefeitura de Curitiba. Os bancos de dados mantidos pelo instituto permitem elaborar planos de governo específicos para solução de eventuais problemas na cidade. Entre os serviços administrados estão a Central 156, a central de marcação de consultas médicas, o Cartão Qualidade (cartão eletrônico com informações e créditos para os servidores comprarem produtos e serviços), a Central de Relacionamento Municipal e os portais da prefeitura na internet. Os contratos mantidos com o ICI em 2012 custaram R$ 10,7 milhões por mês para a administração municipal – ou R$ 128,4 milhões no ano. O montante representou 2,8% do orçamento da prefeitura, que foi de R$ 5,1 bilhões. A aplicação dos recursos é alvo de questionamentos pelo Tribunal de Contas do Estado (TC), que diz não ter recebido dados sobre os contratos mantidos durante a gestão anterior.