Empresários manifestantes temem violência amanhã

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Os empresários milionários manifestantes de Curitiba temem uma possível onda de violência amanhã (15), durante as manifestações golpistas contra a presidenta Dilma Rousseff (PT), que pedirão o Impeachment e até a “intervenção militar” contra a Chefa do Poder Executivo do Partido dos Trabalhadores.

Pessoas que não estão acostumada a andar nas ruas, que normalmente têm contato com o povo apenas quando dão ordens para seus empregados, e que se acostumaram a passear em shoppings ou nas ruas seguras de Miami e Orlando.

O receio dos empresários manifestantes é que as várias facções que vão participar amanhã, entre coxinhas, nazistas, fascistas, não se entendam por causa das diferenças de métodos e objetivos. Alguns querem matar Dilma, outros querem o golpe militar e outros apenas o Impeachment descabido juridicamente. Outra situação que pode gerar violência é que a organização dos atos golpistas não permitirão que os cidadãos usem camisetas e bandeiras de partidos políticos, o que pode gerar confusão, pois as ruas são públicas e vivemos em uma Democracia.

Vários empresários do sexo masculino não levarão suas esposas e filhos para o protesto, com receio de falta de segurança pública.

O governo do Estado do Paraná, comandado por Beto Richa (PSDB), que apoia as manifestações golpistas, garante que os policiais franco atiradores que estarão no topo dos edifícios vão garantir a segurança. Além deles policiais militares da tropa de choque  estão a postos.

O dono de um dos maiores grupos educacionais do Brasil, que contratou carros de som para o evento, com a tentativa da retirada de Dilma do poder, pretende assumir a gestão das universidades federais e estaduais públicas de todo o Brasil. Ele estará nas ruas. Pelo Brasil vários empresários que pretendem assumir a gestão da Petrobras com a sua privatização também farão protestos indignados contra o Estado de Direito.

As manifestações de ontem em defesa da Democracia, dos direitos trabalhistas, da Petrobras, da reforma política e contra o golpe foram pacíficas por todo o Brasil.

A data 15 foi escolhida em homenagem aos militares

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Os organizadores dos atos golpistas do dia 15 de março de 2015 dizem que escolheram a data porque Tancredo Neves tomaria posse nesse dia em 1985 e foi internado na véspera, vindo a falecer logo depois. Só por esse motivo já demonstraria que o PSDB está por trás do ato golpista, pois o tucano Aécio Neves é neto de Tancredo.

Na verdade foi a ditadura militar, na Constituição de 1967, que introduziu o dia 15 de março como dia da posse dos presidentes do Brasil.

Datacenso divulga pesquisa incentivando o golpe

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O Instituto Datacenso de Pesquisas realizou uma pesquisa oportunista com APENAS 602 brasileiros, com o objetivo de avaliar o golpe que será tentado no dia 15 bem como o desempenho da presidenta Dilma Rousseff (PT).

A coleta de dados foi realizada no período de 10 e 11 de março de 2015, com margem estratosférica de erro de 4%.

É mais uma tentativa de golpe que a mídia ajuda a organizar, e o Blog do Tarso se nega a divulgar esse tipo de material com pouco valor científico e alto valor golpista.

Depois de assumir discurso neoliberal e reacionário, hoje o PSDB também virou golpista ao apoiar o dia 15

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O PSDB foi criado em 1988 por membros do PMDB que eram contrários a José Sarney e Orestes Quércia, para a defesa da social-democracia. Para chegar ao poder, se aliou ao PFL (ex-PDS, ex-ARENA, atual Democratas) e abraçou o neoliberalismo em 1994 com Fernando Henrique Cardoso para ganhar de Lula do Partido dos Trabalhadores. Governo FHC que comprou os deputados federais para aprovar a reeleição do então presidente em 1998, para vencer a chapa Lula/Leonel Brizola (PDT). Em 2002 com José Serra, em 2006 com Geraldo Alckmin e em 2010 novamente com Serra o PSDB abraçou não apenas o neoliberalismo, mas também um discurso conservador e reacionário. Hoje o PSDB decidiu assumir também o discurso do golpe contra a presidenta Dilma Rousseff (PT), democraticamente reeleita em 2014. Veja sua nota oficial:

Nota oficial do PSDB sobre as manifestações populares convocadas para o dia 15 de março

O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) se solidariza com as manifestações de indignação dos brasileiros diante da flagrante degradação moral e do desastre econômico-social promovidos pelo governo Dilma Rousseff.

O PSDB defende a livre manifestação de opinião e o direito à expressão dos cidadãos e, portanto, apoia os atos pacíficos e democráticos convocados para o próximo dia 15 de março em todo o país.

Mais do que uma garantia constitucional, a liberdade de pensamento e de crítica é fundamento essencial para o fortalecimento da vida democrática e o enraizamento social dos valores republicanos.

O PSDB repudia a atitude daqueles que, em nome de seus interesses partidários, cerceiam e deturpam o direito à livre manifestação, e tentam convencer a população de que a crítica aos governantes se confunde com atentados contra a ordem institucional e o Estado de Direito.

Na verdade, ao contrário de que alguns tentam fazer crer, os protestos que ocorrem nas redes sociais e nas ruas não defendem um terceiro turno, mas a rigorosa apuração de responsabilidades sobre a corrupção endêmica incrustrada no corpo do estado nacional, e cobra o abandono dos compromissos assumidos publicamente com a população. São manifestações legítimas de um país que vive em plena democracia e se posiciona perante múltiplas e graves crises.

Acreditamos que a participação popular melhora as instituições e eleva os padrões de governança pública. Por isso, o PSDB, através de seus militantes, simpatizantes e várias de suas lideranças participará, ao lado de brasileiros de todas as regiões do país, desse movimento apartidário que surge do mais legítimo sentimento de indignação da sociedade brasileira.

O PSDB reitera seu compromisso com todos os que desejam um país mais forte, íntegro, justo, solidário e democrático.

Senador Aécio Neves
Presidente Nacional do PSDB

Senador Cássio Cunha Lima
Líder do PSDB no Senado Federal

Deputado Carlos Sampaio
Líder do PSDB na Câmara dos Deputados

Dia 13 todos unidos pelo Brasil

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Dia 13 de março de 2015 todo o Brasil estará unido pela democracia, em defesa da reforma política, da Petrobras e dos direitos dos trabalhadores e contra o golpe.

Em Curitiba o ato começa às 17h na Praça Santos Andrade.

A Associação dos Blogueiros e Ativistas Digitais do Paraná – ParanáBlogs está apoiando o ato, junto com sindicatos de trabalhadores, movimentos sociais e partidos políticos de esquerda e centro-esquerda.

Empresários milionários e tucanos organizam o golpe para o dia 15

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Empresários milionários de Curitiba locaram caminhões de som para divulgar o ato golpista do dia 15, além de pagar milhões em outdoors de divulgação por toda a cidade e distribuição de panfletos apócrifos. Tudo com apoio do governador Beto Richa (PSDB), seu exército de comissionados e demais privilegiados e coxinhas da cidade.

Dia 13, 17h, na Praça Santos Andrade, os trabalhadores e movimentos sociais estão organizando um ato em defesa da democracia, da Petrobras, da reforma política popular, dos direitos dos trabalhadores e contra o golpe.

Organizadores do golpe para o dia 15

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No dia 13 de março de 2015 os sindicatos de trabalhadores, movimentos sociais e partidos políticos de esquerda e de centro-esquerda organizam um ato pela democracia, pelos direitos dos trabalhadores, pela reforma política que limite o poder do dinheiro nas eleições, em defesa da Petrobras e contra o golpe. Em Curitiba será a partir das 17h na Praça Santos Andrade.

Matéria da Folha de S. Paulo mostra quem está organizando o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff (Partido dos Trabalhadores) para o dia 15 de março.

Entre os golpistas organizadores estão empresários oligarcas, jovens ricos neoliberais que apoiaram Aécio Neves (PSDB) e perderam, militares e simpatizantes defensores da “intervenção militar” e militantes do PSDB.

Com apoio da velha mídia golpista.

Em Curitiba quem organiza a manifestação elitistas são os empresários milionários, que já locaram caminhões de som para o dia 15, com o apoio do governador Beto Richa (PSDB), que hoje em entrevista na TV chamou os paranaenses para o movimento golpista do dia 15.

Richa é considerado o pior governador do Paraná de todos os tempos e tem aprovação de apenas 19% dos paranaenses.

Coxinhas, VIPs, elite branca, turma do camarote e do panelaço gourmet. Eles passarão, eu passarinho.

Veríssimo critica golpes contra governos de esquerda na coluna de hoje

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Valladolid ‘forever’, por Luis Fernando Veríssimo, na velha mídia de hoje

Valladolid é uma cidade de 300 mil habitantes no Noroeste da Espanha. Foi lá que se casaram e reinaram os monarcas católicos Isabel e Fernando, foi lá que viveu Miguel de Cervantes e morreu Cristóvão Colombo.

E foi lá que em 1550 e 1551, diante de uma junta de doutores e teólogos convocada pelo rei Carlos V, o historiador eclesiástico Juan Ginés de Sepúlveda e o frei Bartolomé de Las Casas se reuniram para debater a colonização espanhola do Novo Mundo e o que fazer com seus nativos, além de catequizá-los.

Las Casas voltara do Novo Mundo e tinha uma visão humanitária das suas populações subjugadas. Pregava a sua cristianização benévola. Sepúlveda era um escolástico sem experiência fora do mundo acadêmico e um seguidor da teoria aristotélica segundo a qual seres inferiores são naturalmente escravizáveis.

Assim, para Sepúlveda, os nativos poderiam ser ao mesmo tempo cristãos, para o caso de terem almas a serem salvas, e escravos, para ajudar na pilhagem da sua própria terra.

No famoso debate de Valladolid o Império espanhol pretendia fazer um exame de consciência depois dos excessos da conquista, uma espécie de faxina depois da chacina. O que Las Casas e Sepúlveda estavam realmente discutindo era se índio é gente ou não é gente e, portanto, qual era o tamanho da culpa dos conquistadores.

O fato de os nativos terem almas que respondiam à catequese não provava nada; na época também se discutia, com o mesmo ardor intelectual, se bicho tinha ou não tinha alma. Convencionou-se que Las Casas ganhou o debate, pois tinha os melhores sentimentos cristãos ao seu lado, mas Sepúlveda ficou com a razão.

A pilhagem do Novo Mundo continuou, com a cumplicidade involuntária dos nativos — e continua até hoje. O debate de Valladolid se eternizou. Afinal, os miseráveis do hemisfério são gente ou não são gente?

Os bons sentimentos cristãos de Las Casas impediram que a divisão entre saqueadores e saqueados no continente se aprofundasse ou só serviram para encobrir o abismo com o manto da caridade inútil, que só satisfaz o caridoso?

Por que será que todas as tentativas de romper esta maldição no hemisfério acabam em golpe ou farsa, com os eventuais insurgentes fazendo o mesmo papel de bichos exóticos que os nativos faziam diante dos colonizadores do século 16?

Conforme o adágio, não existe pecado abaixo da linha do Equador. Henry Kissinger, sem saber, fez uma adaptação geopolítica da frase quando disse que ninguém faz história no sul do mundo. O que é outra maneira de duvidar que aqui haja gente, ou pelo menos gente consequente. Talvez por modéstia, não se lembrou de dizer que quando aparece um decidido a não ser mais escravo, como Allende no Chile, é rapidamente abatido.

Luis Fernando Veríssimo é escritor.

 

Não haverá golpe no Brasil

Não tenho o dom de prever o futuro, mas a história pode nos ajudar a não nos surpreendemos com o por vir.

Não vejo no atual cenário do Brasil uma situação nem mesmo parecida com o que ocorreu no país em períodos golpitas contra os presidentes populares Getúlio Vargas e João Goulart.

Também não vejo o Brasil em situação semelhante ao que ocorreu recentemente em Honduras, no Paraguai e o que vem ocorrendo na Ucrânia e Venezuela.

A democracia brasileira é mais consolidada do que nos países supracitados.

A sociedade civil organizada no Brasil existe de fato, o que transforma o Brasil em uma sociedade ocidental no sentido gramsciano da palavra.

Não vivemos um período de guerra fria com o antagonismo capitalismo X comunismo.

Os governos petistas de Lula (2003-2010) e Dilma Rousseff (2011-2014) souberam lidar melhor com as elites econômicas, com os Estados Unidos da América e com os militares do que os governos de Vargas e Jango. Ou seja, fizeram mais concessões para o grande capital e para alguns interesses corporativos dos militares.

Por mais que poucos milhões de brasileiros queiram um golpe de Estado e uma ditadura no Brasil, esses milhões não superam os mais de 150 milhões de brasileiros que não aceitariam o fim da democracia em construção no Brasil.

Sim, há imbecis na internet e nas ruas que querem o golpe, nos moldes do primeiro de abril de 1964. Mas é um número reduzido se comparado aos brasileiros que apoiam a presidenta Dilma ou que, mesmo sendo oposição, não querem um golpe.

Não há perigo de golpe. Mas é possível que a Rede Globo, a Revista Veja, o SBT, a Folha de S. Paulo, a Band, o Estado de S. Paulo, se unam com a oposição de direita com partidos como PSDB, DEMO, PPS e PSB, para criar um clima de crise institucional no Brasil, o que pode dificultar uma vitória de Dilma ainda no primeiro turno em outubro de 2014.

O Brasil vai bem na economia. O Brasil vai bem no social. O Brasil vai bem no futebol.

Vai ter copa.

Vai ter eleição.

Não vai ter golpe.

Não haverá ditadura!

Charge: a hora e a vez da Venezuela. Brasil o próximo?

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Beto Richa participou de jantar em homenagem ao ex-presidente golpista do Paraguai

O governador Beto Richa (PSDB) foi na última quinta-feira (15) à cerimônia de posse do novo presidente do Paraguai, Horácio Cartes, do Partido Colorado, em Assunção. Até aí tudo bem, a presidenta Dilma Rousseff (PT) e vários outros presidentes de países americanos também foram.

O problema é que um dia antes, Beto Richa participou do jantar de despedida do ex-presidente golpista Federico Franco, do Partido Liberal.

Nenhum outro representante do governo federal brasileiro participou desse jantar.

Note-se que os juristas Pedro Estevam Serrano (veja também aqui), Roberto GargarellaJoão Bonifácio Cabral JuniorCarol Proner e Larissa Ramina, o Partido dos Trabalhadores – PT, o governo da presidenta Dilma Rousseff, o senador Roberto Requião (PMDB), os jornalistas Janio de Freitas e Paulo Moreira Leite, os Oficiais e Subalternos das Forças Armadas e Policiais do Paraguai e o ex-presidente da OAB, Cezar Britto, entendem que Franco foi alçado ao Poder no Paraguai após golpe contra o ex-presidente Fernando Lugo.

PSDB, o senador Álvaro Dias e o P.I.G apoiaram o golpe, com a anuência do Estados Unidos da América.

As raízes do golpismo da direita brasileira

Por Emir Sader

Até 1930 a direita brasileira dispunha a seu bel prazer do Estado, colocava-o totalmente a serviço dos interesses primário-exportadores, desconhecendo as necessidades das classes populares. Getúlio fez a brusca transição de um presidente – Washington Luiz, carioca adotado pela elite paulista, como FHC – que afirmava que “Questão social é questão de polícia”, para o reconhecimento dos direitos dos trabalhadores pelo Estado.

Com o surgimento da primeira grande corrente de caráter popular, a direita passou a ficar acuada. A democratização econômica e social foi seguida da democratização politica, com o processo eleitoral consagrando as candidaturas com apoio popular, Sucessivamente, em 1945, 1950, 1955, a direita foi derrotada e acostumou-se a bater na porta dos quarteis, pedindo golpe militar.

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Presidente golpista do Paraguai demite sem justificativa 250 trabalhadores da Itaipu Binacional

Pérez Esquivel, Nobel de la Paz, rechaza el Golpe de Estado Parlamentario en el Paraguay

Discurso do Senador Requião sobre liberalismo brasileiro que é igual jabuticaba: só dá aqui

O que houve no Paraguai no dia 25 de junho de 2012 é a mesma coisa que aconteceu no Brasil no dia 1º de abril de 1964: um golpe de Estado, disse no plenário, no dia 9 de julho, o senador Roberto Requião (PMDB/PR). Segundo ele, não há eufemismo que possa desmentir ou encobrir os fatos. O senador ironizou ainda a defesa do golpe feita por parlamentares, jornalistas e veículos de comunicação, dizendo que os liberais brasileiros são como a jabuticaba, uma mirtácea que só dá em nosso país.
Requião fez ainda um paralelo entre o golpe que derrubou o presidente João Goulart, em 1964, e golpe que interrompeu o mandato do presidente paraguaio. Para ele, o roteiro é o mesmo, repetindo-se acusações idênticas contra um e outro mandatário. A partir daí, Requião fez um mergulho nos principais fatos políticos da história do país, para mostrar a peculiaridade do “liberalismo-jabuticaba”, sempre na contramão dos interesses populares e nacionais. O senador mostrou ainda como age esse liberalismo sui generis, quando critica as medidas econômicas do governo federal. Leia (abaixo) e veja (acima) o discurso do senador Roberto Requião.

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Colunista da Revista Época também entende que houve golpe no Paraguai

Amigos de golpe paraguaio não desistem

Coluna Vamos Combinar de Paulo Moreira Leite da Revista Época

É tão difícil defender o golpe de Assunção que seus aliados procuram dizer que o ingresso da Venezuela no Mercosul representa a mesma coisa.

É duro de acreditar.

Ocorreu em Assunção um clássico golpe parlamentar, estratégia que sempre fez parte dos movimentos contra a democracia no Continente mas nem sempre foi fácil de realizar.

Em 1973, a CIA despejou milhões de dólares no Chile – a confissão é de William Colby, diretor da agência na época – para ajudar a oposição parlamentar a derrubar Salvador Allende. Num país onde a constituição exigia uma votação de dois terços para o impeachment, a ideia era reunir votos para destituir o presidente depois das eleições ocorridas no fim de 1972. Mas Allende cresceu e a oposição mudou de estratégia. Foi bater à porta dos quartéis.

Em 1962, quando a Casa Branca decidiu apoiar o golpe que derrubou João Goulart, a primeira iniciativa foi assinar um cheque de 5 milhões de dólares para os parlamentares e senadores de oposição. Era tanto dinheiro que se transformou num escândalo, que terminou em CPI, sobre a direção do deputado Rubens Paiva.

Em 64, quando os tanques derrubaram Goulart, um Congresso amolecido e comprado declarou que a “presidência estava vaga” e assim deu posse a Ranieri Mazzili, laranja que antecedeu a posse de Castelo Branco.

A entrada da Venezuela tem, obviamente, outra origem. Não envolve a soberania de um país. O Mercosul é um acordo comercial.
A Venezuela vinha negociando legitimamente seu ingresso no Mercosul. Todos os países haviam cumprido o ritual para permitir sua entrada. Isso aconteceu porque há um interesse comum entre as partes.

Com uma economia de US$ 350 bilhões, ou dez vezes o Paraguai, a Venezuela é um parceiro que interessa aos vizinhos – e vice-versa. O petróleo venezuelano é e será cada vez mais essencial para o desenvolvimento da região.

O mercado interno daquele país é um destino privilegiado para as exportações brasileiras, que ali garantem um importante superávit comercial.

Se você pensa que alianças regionais são um estratégia adequada para enfrentar o mundo globalizado, deve concluir que o único problema do ingresso da Venezuela no Mercosul é que ele deveria ter acontecido muito antes.

Quem era contra o ingresso da Venezuela?

Apenas o senado do Paraguai, o mesmo que derrubou um presidente eleito soberanamente pela população e não tem compromissos maiores com o desenvolvimento regional. O país tem uma imensa dependência dos vizinhos, mas a parceria estratégica de suas oligarquias se encontra em Washington.

E era por essa aliança que o senado paraguaio barrava a entrada da Venzuela no Mercosul.

De olho nas reservas de petróleo, a Casa Branca não tem o menor interesse em assistir o ingresso da Venezuela numa aliança regional da qual não faz parte.

E por essa razão pressiona os aliados preferenciais para manter a Venezuela à distância de seus vizinhos, usando para isso o fantasma de Hugo Chávez, a quem pretende isolar de todas as formas depois que fracassou no golpe militar-televisivo de 2002.

Ao derrubar Lugo, os golpistas paraguaios se excluíram do Mercosul e suas cláusulas democráticas. Na véspera da encenação parlamentar, a oposição foi informada pelos governos vizinhos do vexame a que estava se submetendo – e tinha ciência do que poderia acontecer.

Mas foi em frente, imaginando que poderia derrubar um presidente e correr para o abraço. Calculava, certamente, que era apenas blefe e, mais tarde, tudo terminaria em pizza.

Mas não. Sem retaliações econômicas, os vizinhos resolveram punir o governo politicamente.

O ingresso da Venezuela no Mercosul foi a única consequência prática que os golpistas receberam por seu gesto. É uma lição para quem não respeita a democracia.

Como é que alguém pode achar ruim?

Foi golpe, o resto é eufemismo – Pedro Estevam Serrano

Realismo fantástico. É mais fácil levar uma multa de trânsito do que sofrer impeachment

Na Carta Capital de 04 de julho de 2012

O Congresso e a Corte Suprema agrediram a Constituição paraguaia

Por Pedro Estevam Serrano *

Normas jurídicas não se interpretam isoladamente. Eis uma lição que se aprende no primeiro ano da graduação em Direito. Como todo texto, o normativo tem um contexto sem o qual é impossível compreender seu sentido. Do mesmo modo que frases destacadas de uma página ou de um pronunciamento muitas vezes subvertem seu sentido original, normas jurídicas interpretadas isoladamente resultam na subversão de seu sentido.

No Brasil, a maioria dos analistas, mesmo os que questionam a legitimidade do ato contra Fernando Lugo, atribui um caráter de legalidade  ao golpe. Erram nesse aspecto.
Por quê? Porque interpretam isoladamente o artigo 225 da Constituição do Paraguai sem levar em conta outros dispositivos da referida Carta que também deveriam ter incidido na análise do impedimento de Lugo. Tal dispositivo estabelece o julgamento político do presidente. Como o próprio nome diz, antes de ser “político”, é um julgamento, ou seja, um processo, mesmo que não judicial. A decisão de impedimento do presidente por “mal desempenho de suas funções” só deve, portanto, ser tomada após o devido processo.

O artigo 17 da Constituição paraguaia estabelece literalmente: “No processo penal, ou em qualquer outro do qual possa derivar pena ou sanção, toda pessoa tem direito a:

3- Não ser condenada sem julgamento prévio…
7- …dispor das cópias, meios e prazos indispensáveis para apresentação de sua defesa…
8- oferecer, praticar, controlar e impugnar provas”.

O direito a um prazo razoável de defesa e de produzir e impugnar provas contenciosamente é, pelo disposto na Constituição, inerente a qualquer processo do qual possa advir sanção ou pena, mesmo que não sendo de natureza judicial penal. Por óbvio, tais normas aplicam-se também  ao julgamento político e seu processo, haja vista que a sanção é gravíssima, pois implica perda de mandato outorgado pelo povo.
Oferecer menos de 24 horas de prazo para Lugo elaborar sua defesa e não lhe dar direito à produção de provas foi uma evidente agressão aos dispositivs citados da Constituição.
O decreto n° 6.704 da Presidência da República do Paraguai, em seus artigos 17 e 20, oferece dez dias de prazo para a oferta de provas e defesa em audiência e cinco dias de prazo para recurso de reconsideração no procedimento de aplicação de uma simples multa de trânsito. Em resumo, tem mais direito de defesa quem ultrapassar um farol vermelho no Paraguai do que teve Lugo na defesa de seu mandato popular.
A decisão da sala constitucional da Corte Suprema de Justiça que rejeitou liminarmente e também sem dilação processual a ação promovida por Lugo para invalidar a Resolução n° 878/12, que estabeleceu o procedimento de tramitação de seu impedimento, proferida pelo Senado, surpreende pela carência óbvia de observância da Constituição de seu país e dos princípios mais elementares de interpretação jurídica.
Disse a decisão que o juízo político deve “reger-se exclusivamente pelo artigo 225 da Constituição”. Isso significa que a Corte Suprema mandou ignorar os outros dispositivos da Constituição, em especial o artigo 17.
À semelhança do ocorrido em Honduras, ao menos no plano institucional, o Parlamento e o Judiciário aliaram-se para, em agressão à Constituição, apear do poder um presidente legitimamente eleito sem lhe oferecer um mínimo direito ao devido processo legal.
A fraude não deixa de ser ilegal por procurar ter uma aparência de legalidade, da mesma forma que não se agride a democracia apenas pelo uso das armas.
Pode-se chamar o ocorrido com Lugo de “golpe branco”, “golpe parlamentar” ou qualquer outra expressão. Mas se trata, inequivocamente, de um inconstitucional golpe de Estado.
* Pedro Estevam Serrano é professor da Faculdade de Direito da PUC – SP

Professoras doutoras também entendem que ocorreu golpe no Paraguai

Publicado na Carta Maior e Gazeta do Povo de hoje

O Mercosul do futuro

O Mercosul vive um novo momento e uma expectativa muito favorável no sentido de sua expansão. Em um mundo multipolar agonizante, não interessa aos países hegemônicos o fortalecimento de blocos de Estados, e o consequente fortalecimento de sua força econômica e política nas negociações multilaterais. Também não interessa o fortalecimento econômico do Mercosul em decorrência, por exemplo, da entrada da Venezuela como membro pleno. O artigo é de Carol Proner e Larissa Ramina.

Carol Proner (*) e Larissa Ramina (**)

O Mercosul foi instituído em 1991, por iniciativa dos então presidentes Collor, Menen, Rodrigues e Lacalle. Como não poderia deixar de ser, o Bloco foi fruto do seu tempo, impregnado do modelo neoliberal da década de noventa e da ideia de integrar para competir no mercado globalizado pela via da eliminação das barreiras comerciais. Seus pilares foram ditados pelo consenso de Washington, quais sejam, enfraquecimento do Estado por meio da desregulamentação, privatização e livre movimento de bens, serviços e capitais. Não se tratava, como já bastante estudado, de amplo projeto de integração regional, mas de projeto de mercado.

As características mais marcantes do Bloco sempre foram as assimetrias estruturais. Seus quatro membros incluem os dois Estados com maior território na América do Sul, o Estado com menos população (Paraguai) e o país de maior renda per capita e IDH do subcontinente (Uruguai), sem mencionar as discrepâncias econômicas, energéticas, tecnológicas entre tantas outras. Os desequilíbrios que decorrem dessas assimetrias persistem e se renovam a partir das demandas internas e internacionais.

O atual momento de crise capitalista, no entanto, traz novos desafios aos países do Cone Sul. Vinte anos de integração comercial não contribuíram significativamente para a diminuição das assimetrias, seja no plano interno de cada país, seja no próprio Bloco econômico. Recentemente, com a criação do cargo de Alto Representante Geral do Mercosul, tentou-se uma alteração de foco nos rumos do Bloco visando uma integração socialmente orientada e preocupada com o efetivo desenvolvimento econômico, para transformar o Mercosul, de simples união aduaneira e área de livre comércio imperfeitas, em um modelo de desenvolvimento regional equilibrado e harmonioso, passando pela eliminação das assimetrias. Todavia, a falta de compreensão do Mercosul como uma alavanca para o desenvolvimento de seus sócios aparentemente contribuiu para a renúncia de Samuel Pinheiro Guimarães, um dos grandes estrategistas da política externa independente do governo Lula e primeiro ocupante daquele cargo.

Para Pinheiro Guimarães, a destituição de Fernando Lugo do Paraguai é simbólica de um momento sensível, erodindo a credibilidade do Mercosul e desgastando os governos progressistas da região. Ressalta que o projeto dos EUA para a América do Sul nunca foi a integração do Cone Sul, mas antes a ALCA, e agora o que chamou de “mini-Alcas” bilaterais, em referência aos acordos de livre-comércio celebrados individualmente com vários países sul-americanos. Em um mundo multipolar agonizante, não interessa aos países hegemônicos o fortalecimento de blocos de Estados, e o consequente fortalecimento de sua força econômica e política nas negociações multilaterais. Também não interessa o fortalecimento econômico do Mercosul em decorrência, por exemplo, da entrada da Venezuela como membro pleno.

Como visto recentemente, a suspensão do Paraguai abriu a brecha para o ingresso da Venezuela como membro do Bloco, inaugurando uma nova e promissora fase no aspecto econômico e político. Já se manifestam vozes no sentido de argumentar a ilegalidade do ingresso do novo Membro diante do processo veloz de suspenção do Paraguai, mas a análise meramente legalista da questão esbarra em aspectos fundamentalmente políticos, em especial agravados pela crise gerada pelo golpe “constitucional” eivado de ilegalidade e ilegitimidade.

É inquestionável que a entrada da Venezuela no Mercosul objetiva, primordialmente, uma questão econômica. A Venezuela é o quinto produtor mundial de petróleo, de forma que os benefícios econômicos advindos da inclusão daquele país são suficientemente convincentes até mesmo para acalmar os ânimos antichavistas. Com o ingresso da Venezuela, o Mercosul terá cerca de 80% do PIB, 72% da área e 70% da população sul-americana. O artigo de Martín Granovsky, publicado na Carta Maior, especula a dimensão econômica dessa incorporação, enfatizando que a integração já existe em muitos aspectos e que só tende a tornar o Mercosul mais forte e competitivo:

I – As importações feitas pela Venezuela de países do Mercosul aumentaram em mais de seis vezes nos últimos 7 anos (desde 2003) saltando de 1,194 para 7,453 bilhões de dólares.

II – A eventual associação da PDVSA venezuelana e da Petrobras poderia resultar na maior empresa petrolífera do mundo;

III – O Mercosul ganha uma dimensão andina com a entrada da Venezuela, fortalecendo-se geoeconômica e geopoliticamente;

IV – Grandes projetos fronteiriços entre Brasil e Venezuela já estão em andamento para melhorar a integração física, como a rodovia e a interconexão ferroviária do sudeste de Venezuela ao norte do Brasil e a interconexão elétrica entre a empresa venezuelana Del Gurí e Manau, ganhando institucionalmente mais força com a entrada da Venezuela como Membro pleno;

V – a entrada da Venezuela segue a ideia, fomentada por Samuel Pinheiro Guimarães no Relatório feito ao Conselho de Ministros, de que o Mercosul, para consolidar-se como pedra angular da integração econômica, deve ainda gradativamente incorporar Equador, Bolívia, Suriname e Guiana, incorporações diferenciadas e com respeito ao nível de desenvolvimento de cada país.

O ingresso da Venezuela como Membro do Bloco estava sendo cogitada há anos. Todavia, seu ingresso vem sendo questionado muito mais por razões ideológicas que por fundamentações econômicas. Conforme ressalta Marco Aurélio García, Assessor especial da Presidência da República do Brasil, os governos dos Estados integrantes tanto do Mercosul como da Unasul têm trabalhado com um bom nível de apoio recíproco nos últimos anos, incluindo bom diálogo com governos que poderiam ser caracterizados como de direita ou centro-direita, como foi o caso da Colômbia no período de Uribe.

As acusações relacionadas ao atual governante venezuelano em nada podem desaconselhar a participação daquele Estado no Bloco econômico. Nesse sentido, o Mercosul vive um novo momento e uma expectativa muito favorável no sentido de sua expansão e se renova a partir do exercício de um ato simbólico muito positivo: os mesmos três votos que autorizaram o ingresso da Venezuela no Bloco também decidiram, com fundamento no Protocolo de Ushuaia I, pela suspensão do Paraguai em razão da “quebra da estabilidade democrática”, consolidando a importância da cláusula democrática em uma região castigada por golpes de Estado e quebras institucionais.

(*) Carol Proner é Doutora em Direito Internacional pela UPO. Coordenadora do Mestrado em Direito da UniBrasil e Codiretora do Programa Máster-Doctorado em Derechos Humanos da UPO-Sevilla-ES.

(**) Larissa Ramina é Doutora em Direito Internacional pela USP. Professora Mestrado em Direito da UniBrasil. Professora da UFPR e da UniCuritiba.

Pergunta do dia: juiz que também é colunista em jornal de grande circulação que defende o golpe no Paraguai deve ser denunciado na corregedoria-geral?

Oficiais e Subalternos das Forças Armadas e Policiais do Paraguai emitem comunicado contra o golpe

COMUNICADO AO POVO PARAGUAIO

Oficiais e Subalternos das Forças Armadas e Policiais nos fazemos presentes ante a cidadania paraguaia para expressar nosso repúdio à quebra institucional, que pretendem as cúpulas partidárias do PLRA, PARTIDO COLORADO, PATRIA QUERIDA e UNACE. Por isso damos o Apoio à institucionalidade democrática no Paraguai e ao povo paraguaio em defesa da institucionalidade democrática do país.

Rechaçamos, juntos a iniciativa de levar a juízo político o Presidente da República, mais ainda sem existir um debate público, consultas ou processos respeitosos da vontade da cidadania paraguaia, o que se constitui em um grave retrocesso no processo de democratização da região.

Fazemos expresso nosso repúdio a este intento de dobrar a vontade e a soberania popular do povo paraguaio.

Aderimos às lutas e mobilizações na defesa da democracia e encorajamos o povo a manter a calma.

Com este comunicado deixamos bem claro que também somos PARAGUAIOS e que vimos dos estratos mais humildes do país, por isso não levantaremos nossas armas contra os nossos a expressar sua solidariedade e apoio em defesa da institucionalidade irmãos paraguaios, pedimos que confiem nos que estão vos cuidando.

Damos nosso apoio sem condições ao senhor presidente constitucional do Paraguai Don Fernando Armindo Lugo Méndez, eleito pela maioria do nosso povo paraguaio.

Terminamos esta mensagem confiando que a democracia siga imperando em nosso amado Paraguai.

COORDENADORIA DAS FORÇAS MILITARES E POLICIAIS DO PARAGUAI