28 anos – Verissimo

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Por Luis Fernando Verissimo, publicado ontem na velha mídia

Lembrando aquele tempo, o que me parece mais incrível é que eu tinha 28 anos. Como foi que eu passei pelos meus 28 anos sem me dar conta, todos os dias, do privilégio? A gente deveria poder voltar ao passado só para nos encontrarmos mais moços, nos darmos uma boa sacudida e gritarmos “Cara, isto nunca mais vai te acontecer! Você nunca mais terá 28 anos!”. Descontado o susto que levaríamos ao ser atacados aos gritos por um velho desconhecido, o encontro nos alertaria para o valor daquela raridade – estar vivo e ter 28 anos!

É verdade que eu não tinha muitas razões para festejar a idade. Tinha uma razão para estar eufórico – minha mulher e eu ficamos noivos no dia em que assassinaram o Kennedy, e a caminho da loja para comprar as alianças éramos as únicas pessoas alegres na rua – mas, sem dinheiro e sem perspectiva de ganhá-lo, muitos motivos para estar preocupado com o futuro. E o País naquela agitação. O governo do Jango Goulart atacado por todos os lados, tentando sobreviver, e a oposição, a imprensa, radicais de direita e de esquerda competindo para encurtar sua sobrevida.

Casamos no dia 8 de março de 1964. Poucos dias depois houve a primeira Marcha da Família com Deus pela Liberdade. Milhares de pessoas foram às ruas protestar contra o governo, cujas “reformas de base” eram chamadas de comunizantes e uma ameaça à liberdade no Brasil. Alugamos um quarto e sala perto do Túnel Velho, em Copacabana. A janela do quarto dava para a rua Siqueira Campos, por onde ainda passavam bondes. Mas quem liga para o barulho de bondes (e para a agitação política) no começo de um casamento? E ainda por cima com 28 anos?

As marchas da família com Deus eram impressionantes. Você tinha a ideia de que o País inteiro se sublevava, com velas acesas contra o bolchevismo. E no dia 31 de março, os tanques puseram-se em marcha. Um hipotético esquema militar do Jango para resistir ao golpe provou ser mais hipotético do que se pensava. Jango foi deposto. E mesmo na chamada fase branda da ditadura que se instalava, sob o comando do marechal Castelo Branco, começaram as perseguições e as cassações. Minha tia Lucinda trabalhava no governo do Rio. Não tinha nenhuma atividade política, mas suas opiniões eram de esquerda, em contraste com o pensamento da maioria das suas colegas de repartição. Montamos um esquema, que esperávamos fosse mais confiável do que o do Jango, para ajudá-la a fugir, caso a coisa apertasse. Não foi preciso acionar o esquema – que foi minha única participação na resistência ao regime ditatorial, fora o ritual de ler as crônicas do Cony no Correio da Manhã todas as semanas.

Vivemos dois anos no apartamento sacudido pelos bondes da Siqueira Campos. Nossa primeira filha, a Fernanda, nasceu lá. Acostumada com o ruído dos bondes, é, até hoje, dos nossos filhos, o que tem o sono mais tranquilo. Minha condição econômica continuava a mesma: pouco dinheiro, menos perspectivas. O resultado foi que desistimos do Rio e fomos morar na casa do pai, em Porto Alegre. Prometi à minha mulher, carioca, que seria por pouco tempo, mas estamos em Porto Alegre há quase 50 anos. Estávamos lá quando veio o Ato Institucional n.º 5 e começou o período mais criminoso do regime militar.

Às vezes, penso naquela fase de nossas vidas, e da vida do País, quando morávamos no Rio. Me pergunto se aquelas pessoas que marcharam com Deus, e recolheram ouro, do qual nunca mais se ouviu falar, para ajudar o País, imaginavam que suas marchas cristãs e bem-intencionadas dariam no que deu. Li que nas recentes manifestações contra o governo Dilma surgiram faixas pedindo “intervenção militar já”. E me senti, de novo, com 28 anos.

19 de março de 1964 X 15 de março de 2015

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19 de março de 1964

 

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15 de março de 2015

A Marcha da Família com Deus pela Liberdade realizada em São Paulo no dia 19 de março de 1964 foi uma resposta ao Comício da Central do Brasil realizado pelo então presidente João Goulart em 13 de março de 1964. Com empresários e setores políticos de direita, com 300 a 500 mil pessoas. Organizada pela Campanha da Mulher pela Democracia (CAMDE), União Cívica Feminina (UCF), Fraterna Amizade Urbana e Rural, Sociedade Rural Brasileira, com o apoio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) e do Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES). Pedia o afastamento do presidente Jango.

A Marcha contra a corrupção, contra o PT e contra Dilma realizada em São Paulo e outras cidades do país, no dia 15 de março de 2015 (quatro dias antes) foi uma resposta ao Ato pela Democracia, Petrobras, Reforma Política e Direitos dos Trabalhadores realizado em 13 de março de 2015 (mesmo dia). Com empresários e setores políticos de direita, com 210 mil pessoas em São Paulo e mais algumas milhares de pessoas nas outras cidades. Organizada por movimentos que pedem o Impeachment ou a “intervenção militar” contra a presidenta Dilma Rousseff (PT), com o apoio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) do PSDB.

A diferença é que hoje vivemos em uma sociedade civil ocidental, no sentido gramsciano, com instituições mais consolidadas, com uma Democracia mais consolidada.

A única coisa que não mudou, ou até piorou, é o reacionarismo das nossas elites financeiras e o poder da Rede Globo, que apoiou o golpe militar-empresarial de 1964, e da velha mídia.

Outra diferença é que a internet existe hoje, o que limita um pouco o poderio da velha mídia.

Na dúvida, todos os brasileiros que lutam pela democracia devem ficar atentos até os dias 31 de março (dia da revolução redentora de 1964, segundo os autoritários) e 1º de abril (dia do golpe de 64, segundo os democratas).

13 de março de 1964

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Há 51 anos, em 13 de março de 1964, foi realizado o comício na Praça da República, em frente à Estação Central do Brasil no Rio de Janeiro, para 300 mil pessoas, pelo então presidente João Goulart.

No Comício da Central Jango decretou a nacionalização das refinarias privadas de petróleo, que ainda não estavam nas mãos da Petrobrás, e a desapropriação, para fins de reforma agrária, de propriedades às margens de ferrovias, rodovias e zonas de irrigação de açudes públicos. Também participou do Comício das Reformas o então governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola.

O evento causou arrepios nos meios conservadores. Com isso os golpistas organizaram a Marcha da Família com Deus pela Liberdade para a efetivação do golpe militar-empresarial de 31 de março/1º de abril. Pesquisas do Ibope realizadas pouco antes do golpe mostram que a maioria da população apoiava as reformas propostas por Jango.

Foram 21 anos de ditadura militar (1964-1985).

Que os atos de amanhã (13) por todo o Brasil, em defesa da democracia, da Petrobras, da reforma política e dos direitos dos trabalhadores sejam um sucesso!

Por incrível que pareça, 51 anos depois da desapropriação de refinarias privadas estrangeiras, sairemos às ruas amanhã para a defesa da Petrobras contra a privatização neoliberal, contra o seu desmonte, contra o capital especulativo estrangeiro e forças que querem tirar a Petrobras dos brasileiros e dar suas reservas para o mercado internacional.

Em Curitiba a concentração será a partir das 17h na Praça Santos Andrade, em frente ao símbolo da cidade de Curitiba, o Prédio Histórico da Universidade Federal do Paraná – UFPR.

“Na ditadura militar havia mais corrupção com empreiteiras”

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Em entrevista para a Folha de S. Paulo publicada em 1º de dezembro de 2014, o historiador Pedro Henrique Pedreira Campos, que publicou o livro objeto de pesquisas durante 4 anos “Estranhas Catedrais: As Empreiteiras Brasileiras e a Ditadura Civil-Militar” (Editora da UFF, 2014), informa que o setor de infraestrutura teve participação ativa no golpe de 1964 e se manteve próximo ao Estado também após a redemocratização.

Segundo ele as empreiteiras têm enorme influência em todos os governos e o poder e a participação delas em escândalos de corrupção têm origem em relações criadas ainda durante a ditadura militar.

Para o historiador os mecanismos de fiscalização atuais é que revelaram os casos de corrupção que antes eram acobertados. Leia partes da entrevista:

“Considerando a história do capitalismo, a apropriação do público pelo privado é mais uma regra. As empreiteiras calculam a corrupção para obter lucro.”

“Durante a ditadura, as empreiteiras tiveram acesso direto ao Estado, sem mediações, sem eleições. Havia um cenário ideal para o seu desenvolvimento: a ampla reforma econômica aumentou recursos públicos disponíveis para investimentos e mecanismos legais restringiram gastos para a saúde e educação e direcionaram essas verbas para obras públicas, apropriadas pelas empreiteiras.”

Essas empresas têm saudades da ditadura, já que não existiam mecanismos de fiscalização de práticas corruptas. Elas não eram alvos de escândalos nacionais, porque isso não era investigado.”

“A empreiteiras mantêm práticas da época da ditadura militar, como por exemplo o descuido com a segurança do trabalhador. Isso acontece porque elas precisam ter uma margem de lucro maior.”

Na ditadura a gente não tinha acesso aos casos de corrupção. Eles não vinham à tona, o que não quer dizer que não existiam. Eu diria que, em relação ao aparelho de Estado, a apropriação era ainda maior. Hoje essas empreiteiras estão sujeitas a órgãos de fiscalização e volta e meia são alvo de denúncias.”

“São as instituições da democracia que conseguem revelar os casos de corrupção: o Ministério Público e a Polícia Federal. É um mérito dos governos recentes o investimento nesses mecanismos.”

“Muitos empreiteiros atuaram no Ipes – Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais, que teve participação ativa no golpe, e financiaram os que buscavam desarticular o governo João Goulart.”

“Hoje, assim como na ditadura, as empreiteiras não atuam de forma individual. Claro que alguns dos maiores empreiteiros têm relação direta com alguns políticos. Mas a maioria dessas empresas tem sindicatos e organizações que levam ao Estado projetos de obras, tentam pautar políticas públicas e forçam o direcionamento do orçamento”.

“Mas muito mudou. Se elas têm saudade da ditadura, é porque eram ainda mais poderosas naquela época. Hoje, há menos obras e elas não têm acesso tão fácil ao Estado. O mecanismo de atuação política dos empresários, que era mais direcionado ao Executivo e às agencias, foi diversificado. O trabalho passou a ser junto ao Legislativo e aos partidos, por meio de financiamento das campanhas.

“O financiamento empresarial de campanhas eleitorais é uma peça muito importante na corrupção”.

Marcas da Memória: amanhã até 4ª cinema de qualidade e de graça em Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegra e Salvador

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Amanhã começa em Curitiba e em várias outras capitais brasileiras (São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegra e Salvador) a Mostra de Cinema “Marcas da Memória: 50 anos do golpe”. Será de 24 a 26 de novembro de 2014, sempre sempre às 18h, no Espaço Itaú de cada cidade. Em Curitiba é no Shopping Crystal.

O evento é GRATUITO.

Estudantes protestam contra professor de Direito da USP que apoiou golpe de 1964

O professor Eduardo Botelho Gualazzi da Faculdade de Direito do Largo São Francisco (FDUSP), no dia 31 de março de 2014, tentou homenagear o golpe militar-empresarial de 1964 em sala de aula, golpe que apeou ilegitimamente o presidente João Goulart – Jango e instituiu uma ditadura de 21 anos. Vídeo acima.

Os estudantes se rebelaram e fizeram um protesto contra o conservador professor.

No documento entregue aos alunos, em papel timbrado e registrado em cartório, o professor Gualazzi diz o absurdo golpista mentiroso de que “em 1964, o socialismo/comunismo esquerdista-totalitário almejava apoderar-se totalmente do Brasil, mediante luta armada e subversão de todas as instituições públicas e privadas daquela época. Os líderes civis e militares da Revolução de 1964 sabiamente consolidaram, ao longo de vinte e um anos (1964-1985), infraestrutura e superestrutura que tornaram o Brasil atualmente.”

Sobre a economia e corrupção na ditadura, o colunista da Folha de S. Paulo, Vladimir Safatle, disse: “A inflação brasileira em 1963 era de 78%. Vinte anos depois, em 1983, era de 239%. O endividamento chegou, ao final da ditadura, a US$ 100 bilhões, legando um país de economia completamente cartelizada, que se transformara na terceira nação mais desigual do mundo e cujas decisões eram tomadas não pelo ministro da economia, mas pelos tecnocratas do Fundo Monetário Internacional chefiados pela senhora Ana Maria Jul. A concentração e a desigualdade se acentuaram, o êxodo rural destruiu nossas cidades, a educação pública foi destroçada, a começar por nossas universidades. Mas o maior exemplo desse revisionismo histórico encontra-se na crença, de 68% da população brasileira, de que aquele era um período de menos corrupção. Alguém deveria enviar para cada uma dessas pessoas os dossiês de casos como: Coroa-Brastel, Capemi, Projeto Jari, Luftalla, Banco Econômico, Transamazônica e Paulipetro.”

Os estudantes convidaram Antonio Carlos Fon, ex-militante que foi torturado durante a ditadura. Abaixo um vídeo mais completo:

Algumas informações do Pragmatismo Político

50 anos do golpe militar-empresarial de 1964

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O jornalista Vladimir Herzog (Vlado) foi torturado até a morte nas instalações do DOI-CODI, no quartel-general do II Exército, em São Paulo

Amanhã (1º de abril), e não hoje (31 de março), faz 50 anos que ocorreu o golpe militar-empresarial no Brasil, que redundou em 21 anos de uma ditadura corrupta que matou e torturou, além de atrasar o desenvolvimento democrático do Brasil por mais de uma geração.

O presidente João Goulart foi apeado do poder pelos militares, com amplo apoio, inclusive financeiro, do empresariado, da direita e dos Estados Unidos da América.

Que nunca mais ocorra um golpe no país. Para isso devemos radicalizar a Democracia, com um aprimoramento e fortalecimento da Democracia representativa e uma efetivação dos instrumentos necessários para a Democracia participativa e direta, nos termos da Constituição Social, Republicana e Democrática de Direito de 1988.

Muita educação, muita informação realmente livre, muito debate político.

Transformar a Democracia formal brasileira em uma Democracia substancial. É o que espero para as atuais e futuras gerações.

Sobre o tema:

Veja eventos e filmes pelo Brasil em memória aos 50 anos do golpe militar-empresarial

Filmes sobre o golpe e ditadura militar-empresarial no Brasil (1964-1985)

“Este país será o que queremos se conseguirmos garantir a democracia”, diz Lula sobre golpe militar

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva gravou um vídeo sobre os 50 anos do golpe militar no Brasil. Em sua mensagem, ele lembra que que aquele momento histórico “suspendeu nosso regime democrático, revogou liberdades essenciais, prendeu milhares de militantes políticos e fez com que outros tantos tivessem que sair do país”.

Lula ressalta que as lembranças da ditadura devem servir para valorizarmos “ainda mais o período democrático que o Brasil vive hoje”. Apenas em períodos de democracia “trabalhadores, mulheres, todos os segmentos sociais podem chegar ao poder pois têm o pleno direito de expressão e manifestação”, afirma o ex-presidente.

O direito à livre manifestação é enfatizado por Lula, que ressalta a importância da participação popular na democracia: “Apenas em uma democracia o povo pode ir às ruas reivindicar seus direitos pois a democracia não é nenhum pacto de silêncio, é a sociedade em movimento buscando novas conquistas”.

“Devemos sim lembrar nosso passado, lamentar o período sombrio pelo qual passamos, mas sobretudo lutar a cada dia para ampliar a nossa democracia, incluindo cada vez mais gente e fazendo com que nosso sistema político represente cada vez melhor o povo brasileiro. (…) Este país será o país que queremos se conseguirmos garantir a democracia”, finaliza.

Não haverá golpe no Brasil

Não tenho o dom de prever o futuro, mas a história pode nos ajudar a não nos surpreendemos com o por vir.

Não vejo no atual cenário do Brasil uma situação nem mesmo parecida com o que ocorreu no país em períodos golpitas contra os presidentes populares Getúlio Vargas e João Goulart.

Também não vejo o Brasil em situação semelhante ao que ocorreu recentemente em Honduras, no Paraguai e o que vem ocorrendo na Ucrânia e Venezuela.

A democracia brasileira é mais consolidada do que nos países supracitados.

A sociedade civil organizada no Brasil existe de fato, o que transforma o Brasil em uma sociedade ocidental no sentido gramsciano da palavra.

Não vivemos um período de guerra fria com o antagonismo capitalismo X comunismo.

Os governos petistas de Lula (2003-2010) e Dilma Rousseff (2011-2014) souberam lidar melhor com as elites econômicas, com os Estados Unidos da América e com os militares do que os governos de Vargas e Jango. Ou seja, fizeram mais concessões para o grande capital e para alguns interesses corporativos dos militares.

Por mais que poucos milhões de brasileiros queiram um golpe de Estado e uma ditadura no Brasil, esses milhões não superam os mais de 150 milhões de brasileiros que não aceitariam o fim da democracia em construção no Brasil.

Sim, há imbecis na internet e nas ruas que querem o golpe, nos moldes do primeiro de abril de 1964. Mas é um número reduzido se comparado aos brasileiros que apoiam a presidenta Dilma ou que, mesmo sendo oposição, não querem um golpe.

Não há perigo de golpe. Mas é possível que a Rede Globo, a Revista Veja, o SBT, a Folha de S. Paulo, a Band, o Estado de S. Paulo, se unam com a oposição de direita com partidos como PSDB, DEMO, PPS e PSB, para criar um clima de crise institucional no Brasil, o que pode dificultar uma vitória de Dilma ainda no primeiro turno em outubro de 2014.

O Brasil vai bem na economia. O Brasil vai bem no social. O Brasil vai bem no futebol.

Vai ter copa.

Vai ter eleição.

Não vai ter golpe.

Não haverá ditadura!

Hoje lançamento do livro “Sem liberdade, eu não vivo. Mulheres que não se calaram na ditadura”

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Será lançado hoje (03) o livro “Sem liberdade, eu não vivo. Mulheres que não se calaram na ditadura”, das autoras Laura Beal Bordin e Suelen Lorianny. A obra reúne seis depoimentos de mulheres paranaenses que foram presas ou  torturadas na época da Ditadura militar (1964-1985): a jornalista Tereza Urban recentemente falecida, Noemi Osna Carriconde, Judite Barboza Trindade, Elisabeth Fortes, a advogada e ex-deputada federal pelo PT, Clair da Flora Martins e a ex-vereadora pelo PT, Zélia Passos, leitora do Blog do Tarso. Há ainda miniperfis de filhas e irmãs de algumas dessas mulheres e o depoimento da ex-militante comunista Elza Correia.

Laura Bordin que começou a pesquisa depois que a então ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff rebateu o senador Agripino Maia (DEM-RN), que questionava as atividades clandestinas da atual presidenta durante a ditadura.

Às 19h, na Livraria Cultura do Shopping Curitiba (Rua Brigadeiro Franco, 2300).

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“Eu tive a vida que quis. Muitas vezes sofrida, outras gloriosa. Nunca fiz nada que não quisesse fazer”. Zélia Passos, ex-vereadora de Curitiba pelo PT, pedagoga, militante e perseguida pela ditadura militar

Alternativa – Luis Fernando Verissimo

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Hoje no Globo, Gazeta do Povo e outros jornais do país

Ao contrário da morte, de uma ditadura se volta, preferencialmente com uma lição aprendida. Para mudar isso aí, prefira a vida — e o voto

Envelhecer é chato, mas consolemo-nos: a alternativa é pior. Ninguém que eu conheça morreu e voltou para contar como é estar morto, mas o consenso geral é que existir é muito melhor do que não existir. Há dúvidas, claro. Muitos acreditam que com a morte se vai desta vida para outra melhor, inclusive mais barata, além de eterna. Só descobriremos quando chegarmos lá. Enquanto isto vamos envelhecendo com a dignidade possível, sem nenhuma vontade de experimentar a alternativa.

Mas há casos em que a alternativa para as coisas como estão é conhecida. Já passamos pela alternativa e sabemos muito bem como ela é. Por exemplo: a alternativa de um país sem políticos, ou com políticos cerceados por um poder mais alto e armado. Tivemos vinte anos desta alternativa e quem tem saudade dela precisa ser constantemente lembrado de como foi. Não havia corrupção? Havia, sim, não havia era investigação para valer. Havia prepotência, havia censura à imprensa, havia a Presidência passando de general para general sem consulta popular, repressão criminosa à divergência, uma política econômica subserviente e um “milagre” econômico enganador. Quem viveu naquele tempo lembra que as ordens do dia nos quartéis eram lidas e divulgadas como éditos papais para orientar os fiéis sobre o “pensamento militar”, que decidia nossas vidas.,

Ao contrario da morte, de uma ditadura se volta, preferencialmente com uma lição aprendida. E, se para garantir que a alternativa não se repita, é preciso cuidar para não desmoralizar demais a política e os políticos, que seja. Melhor uma democracia imperfeita do que uma ordem falsa, mas incontestável. Da próxima vez que desesperar dos nossos políticos, portanto, e que alguma notícia de Brasília lhe enojar, ou você concluir que o país estaria melhor sem esses dirigentes e representantes que só representam seus interesses, e seus bolsos, respire fundo e pense na alternativa.

Sequer pensar que a alternativa seria preferível — como tem gente pensando — equivale a um suicídio cívico. Para mudar isso aí, prefira a vida — e o voto.

39% dos paulistanos aceitam a Ditadura

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Pesquisa de hoje do Datafolha divulgou que diminuiu em dez anos de 57% para 53% os moradores da cidade de São Paulo que acham que a Democracia sempre é o melhor regime de governo.

O problema é que subiu de 16% para 19% o número de paulistanos que apoiam “em certas circunstâncias” a ditadura ao invés da Democracia.

E para 20% tanto faz democracia ou ditadura.

Tradução:

1. Pouca leitura de bons livros.

2. Muita leitura da revista Veja.

3. Muita rede Globo, com BBB, Jornal Nacional e novelas.

4. Pouco estudo.

5. Muito conservadorismo.

Relembrar e viver: O Globo comemorou o golpe militar de 1° de abril de 1964

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O golpe militar de 1964 não foi no dia 31 de março, mas sim no dia da mentira, dia 1º de abril de 1964. Acabou com o governo popular e democrático do presidente João Goulart – Jango (PTB, atualmente PDT) e instaurou a ditadura militar que foi até 1985.

Amanhã a data trágica fará 49 anos.

A Rede Globo de Televisão foi fundada um ano depois, e se tornou a maior TV do país graças ao apoio recíproco da ditadura.

O partido que apoiava a ditadura era a ARENA, que depois virou o PDS, PPB e atualmente é o PP. O PDS se dividiu e foi criado o PFL, depois denominado DEMO. Se dividiu e foi criado o PSD. Hoje a ARENA e a ditadura militar são representados pelo DEMO, PP e PSD.

Veja o Editorial de “O Globo” do dia 02 de abril de 1964:

“Ressurge a Democracia”

Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas, independentemente de vinculações políticas, simpatias ou opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é essencial: a democracia, a lei e a ordem. Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas, que obedientes a seus chefes demonstraram a falta de visão dos que tentavam destruir a hierarquia e a disciplina, o Brasil livrou-se do Governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições.

Como dizíamos, no editorial de anteontem, a legalidade não poderia ser a garantia da subversão, a escora dos agitadores, o anteparo da desordem. Em nome da legalidade, não seria legítimo admitir o assassínio das instituições, como se vinha fazendo, diante da Nação horrorizada.

Agora, o Congresso dará o remédio constitucional à situação existente, para que o País continue sua marcha em direção a seu grande destino, sem que os direitos individuais sejam afetados, sem que as liberdades públicas desapareçam, sem que o poder do Estado volte a ser usado em favor da desordem, da indisciplina e de tudo aquilo que nos estava a levar à anarquia e ao comunismo.

Poderemos, desde hoje, encarar o futuro confiantemente, certos, enfim, de que todos os nossos problemas terão soluções, pois os negócios públicos não mais serão geridos com má-fé, demagogia e insensatez.

Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos militares, que os protegeram de seus inimigos. Devemos felicitar-nos porque as Forças Armadas, fiéis ao dispositivo constitucional que as obriga a defender a Pátria e a garantir os poderes constitucionais, a lei e a ordem, não confundiram a sua relevante missão com a servil obediência ao Chefe de apenas um daqueles poderes, o Executivo.

As Forças Armadas, diz o Art. 176 da Carta Magna, “são instituições permanentes, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade do Presidente da República E DENTRO DOS LIMITES DA LEI.”

No momento em que o Sr. João Goulart ignorou a hierarquia e desprezou a disciplina de um dos ramos das Forças Armadas, a Marinha de Guerra, saiu dos limites da lei, perdendo, conseqüentemente, o direito a ser considerado como um símbolo da legalidade, assim como as condições indispensáveis à Chefia da Nação e ao Comando das corporações militares. Sua presença e suas palavras na reunião realizada no Automóvel Clube, vincularam-no, definitivamente, aos adversários da democracia e da lei.

Atendendo aos anseios nacionais, de paz, tranqüilidade e progresso, impossibilitados, nos últimos tempos, pela ação subversiva orientada pelo Palácio do Planalto, as Forças Armadas chamaram a si a tarefa de restaurar a Nação na integridade de seus direitos, livrando-os do amargo fim que lhe estava reservado pelos vermelhos que haviam envolvido o Executivo Federal.

Este não foi um movimento partidário. Dele participaram todos os setores conscientes da vida política brasileira, pois a ninguém escapava o significado das manobras presidenciais. Aliaram-se os mais ilustres líderes políticos, os mais respeitados Governadores, com o mesmo intuito redentor que animou as Forças Armadas. Era a sorte da democracia no Brasil que estava em jogo.

A esses líderes civis devemos, igualmente, externar a gratidão de nosso povo. Mas, por isto que nacional, na mais ampla acepção da palavra, o movimento vitorioso não pertence a ninguém. É da Pátria, do Povo e do Regime. Não foi contra qualquer reivindicação popular, contra qualquer idéia que, enquadrada dentro dos princípios constitucionais, objetive o bem do povo e o progresso do País.

Se os banidos, para intrigarem os brasileiros com seus líderes e com os chefes militares, afirmarem o contrário, estarão mentindo, estarão, como sempre, procurando engodar as massas trabalhadoras, que não lhes devem dar ouvidos. Confiamos em que o Congresso votará, rapidamente, as medidas reclamadas para que se inicie no Brasil uma época de justiça e harmonia social. Mais uma vez, o povo brasileiro foi socorrido pela Providência Divina, que lhe permitiu superar a grave crise, sem maiores sofrimentos e luto. Sejamos dignos de tão grande favor.”

Divulgado por Pragmatismo Politico, Acerto de Contas e Blog do Esmael Morais.

Ditadura militar iniciada com o golpe de 1964 matou mais um

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Carlos aos 3 anos, com os pais

Carlos Alexandre Azevedo suicidou-se no sábado (16), filho de ex-preso político que havia sido torturado com apenas um ano e oito meses pela ditadura.

“A indenização não vai apagar nada do que aconteceu na minha vida. Mas a anistia é o reconhecimento oficial de que o Estado falhou comigo.”

“Para mim a ditadura não acabou.” (Carlos Alexandre Azevedo, conforme divulgou via Twitter o Secretário Nacional de Justiça, Paulo Abrão)

Vejam a mensagem de seu pai, divulgada em seu facebook (Facebook.com/dermi.azevedo):

Aos meus amigos e às minhas amigas,

LUTO

Meu coração sangra de dor. O meu filho mais velho, Carlos Alexandre Azevedo, suicidou-se na madrugada de hoje, com uma overdose de medicamentos. Com apenas um ano e oito meses de vida, ele foi preso e torturado, em 14 de janeiro de 1974, no DEOPS paulista, pela “equipe” do delegado Sérgio Fleury, onde se encontrava preso com sua mãe. Na mesma data, eu já estava preso no mesmo local. Cacá, como carinhosamente o chamávamos, foi levado depois a São Bernardo do Campo, onde, em plena madrugada, os policiais derrubaram a porta e o jogaram no chão, tendo machucado a cabeça. Nunca mais se recuperou. Como acontece com os crimes da ditadura de 1964/1985, o crime ficou impune. O suicídio é o limite de sua angústia.

Conclamo a todos e a todas as pessoas que orem por ele, por sua mãe Darcy e por seus irmãos Daniel, Estevao e Joana, para que a sua/nossa dor seja aliviada.

Tenho certeza de que Cacá encontra-se no paraíso, onde foi acolhido por Deus. O Senhor já deve ter-lhe confiado a tarefa de consertar alguns computadores do escritório do céu e certamente o agradecerá pela qualidade do serviço. Meu filhinho, você sofreu muito. Só Deus pode copiosamente banhar-te com a água purificadora da vida eterna.
Seu pai
Dermi

Vejam matéria da Istoé sobre Carlos Alexandre em 2010: Continuar lendo