“Na ditadura militar havia mais corrupção com empreiteiras”

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Em entrevista para a Folha de S. Paulo publicada em 1º de dezembro de 2014, o historiador Pedro Henrique Pedreira Campos, que publicou o livro objeto de pesquisas durante 4 anos “Estranhas Catedrais: As Empreiteiras Brasileiras e a Ditadura Civil-Militar” (Editora da UFF, 2014), informa que o setor de infraestrutura teve participação ativa no golpe de 1964 e se manteve próximo ao Estado também após a redemocratização.

Segundo ele as empreiteiras têm enorme influência em todos os governos e o poder e a participação delas em escândalos de corrupção têm origem em relações criadas ainda durante a ditadura militar.

Para o historiador os mecanismos de fiscalização atuais é que revelaram os casos de corrupção que antes eram acobertados. Leia partes da entrevista:

“Considerando a história do capitalismo, a apropriação do público pelo privado é mais uma regra. As empreiteiras calculam a corrupção para obter lucro.”

“Durante a ditadura, as empreiteiras tiveram acesso direto ao Estado, sem mediações, sem eleições. Havia um cenário ideal para o seu desenvolvimento: a ampla reforma econômica aumentou recursos públicos disponíveis para investimentos e mecanismos legais restringiram gastos para a saúde e educação e direcionaram essas verbas para obras públicas, apropriadas pelas empreiteiras.”

Essas empresas têm saudades da ditadura, já que não existiam mecanismos de fiscalização de práticas corruptas. Elas não eram alvos de escândalos nacionais, porque isso não era investigado.”

“A empreiteiras mantêm práticas da época da ditadura militar, como por exemplo o descuido com a segurança do trabalhador. Isso acontece porque elas precisam ter uma margem de lucro maior.”

Na ditadura a gente não tinha acesso aos casos de corrupção. Eles não vinham à tona, o que não quer dizer que não existiam. Eu diria que, em relação ao aparelho de Estado, a apropriação era ainda maior. Hoje essas empreiteiras estão sujeitas a órgãos de fiscalização e volta e meia são alvo de denúncias.”

“São as instituições da democracia que conseguem revelar os casos de corrupção: o Ministério Público e a Polícia Federal. É um mérito dos governos recentes o investimento nesses mecanismos.”

“Muitos empreiteiros atuaram no Ipes – Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais, que teve participação ativa no golpe, e financiaram os que buscavam desarticular o governo João Goulart.”

“Hoje, assim como na ditadura, as empreiteiras não atuam de forma individual. Claro que alguns dos maiores empreiteiros têm relação direta com alguns políticos. Mas a maioria dessas empresas tem sindicatos e organizações que levam ao Estado projetos de obras, tentam pautar políticas públicas e forçam o direcionamento do orçamento”.

“Mas muito mudou. Se elas têm saudade da ditadura, é porque eram ainda mais poderosas naquela época. Hoje, há menos obras e elas não têm acesso tão fácil ao Estado. O mecanismo de atuação política dos empresários, que era mais direcionado ao Executivo e às agencias, foi diversificado. O trabalho passou a ser junto ao Legislativo e aos partidos, por meio de financiamento das campanhas.

“O financiamento empresarial de campanhas eleitorais é uma peça muito importante na corrupção”.

Amanhã ato dos movimentos sociais pelas reformas populares em Curitiba. Vamos?

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Centenas de pessoas da sociedade civil organizada que participam da Frente Popular realizarão o Ato pelas Reformas Populares, amanhã (10), com concentração às 11h na Praça Santos Andrade, na frente do prédio histórico da UFPR, Centro de Curitiba. A ação busca pautar mudanças estruturais e populares, com destaque para a reforma política, urbana, agrária, tributária, do judiciário, dos serviços públicos e a democratização dos meios de comunicação.

A Frente Popular é uma articulação de movimentos sociais, juventudes, associações de moradores, intelectuais, partidos e setores de partidos, e sindicatos, que se formou para articular ações comuns em defesa de reformas populares e estruturais. Superando as divergências que existem entre os seus participantes, a Frente Popular atrai para a luta mais de 20 entidades, partidos, correntes e personalidades do mais variado caráter social e orientação política.

Os encontros que têm consolidado a Frente estão sendo realizados na Praça de Bolsa do Ciclista, no Centro de Curitiba. Com o formato de assembleias, as reuniões possibilitaram a definição das pautas estratégicas e da organização da Marcha que será realizada no dia 10 de dezembro.

Conheça a página: https://www.facebook.com/frentepopularcuritiba

O Blog do Tarso, os blogueiros progressistas do Paraná, a Frentex e ativistas em defesa da democratização da mídia estarão presentes no evento. Vamos?