Dilma Rousseff confirma presença no Circo da Democracia, em Curitiba

Abertura do Circo acontece no próximo dia 05, às 18h. A presidente virá no dia 08, segunda feira

Do dia 05 a 15 de agosto, um circo será montado em praça pública, Praça Santos Andrade, no centro da cidade de Curitiba, aliando cultura e participação política na luta pelo fortalecimento da democracia. O evento promete ser um dos maiores fóruns públicos no país para defender direitos sociais hoje em retrocesso. Dilma Rousseff, presidente eleita democraticamente, confirmou presença e virá dia 08 de agosto, às 17h. Junto com ela, estará também Marcelo Lavenére, o ex presidente da OAB, conselheiro atual da entidade e autor do processo de impeachment do ex presidente Collor. Mais de 100 entidades estão envolvidas na organização do Circo da Democracia que fará sua abertura no próximo dia 05, às 18h. Espetáculos circenses e intervenções políticas vão se misturar no picadeiro. O circo utilizado para o evento é da Família circense Zanchettini que tem mais de 20 anos de trabalho no estado do Paraná. Confira os nomes confirmados e a programação completa aqui: http://www.circodademocracia.com.br

Na programação, além dos debates, acontecerão reuniões das entidades, aulas públicas, shows e oficinas. Juventude, justiça, arte, gênero, trabalho , saúde, educação, terra serão alguns dos temas que farão parte do dia a dia do Circo ao longo dos dez dias. Há mais de um mês movimentos sociais e entidades envolvidos organizaram GTS – Grupos de Trabalho, para levantar temas sobre os principais direitos que hoje correm risco com o enfraquecimento da Constituição. 
A ideia do Circo da Democracia se inspira no Circo da Constituinte, realizado também em Curitiba, no ano de 1987. Foram montados naquela época vários circos pela cidade para debater propostas para a Constituinte com a população. O lema daquele também inspira esta edição do Circo: “é proibido proibir a entrada de qualquer pessoa a qualquer hora e não haverá cobrança de ingressos.” Desta forma, a expectativa dos organizadores é promover um amplo fórum popular de debates sobre os rumos da democracia brasileira. Pela grande adesão de diversos setores, o circo também unifica a resistência ao golpe e às tentativas de retiradas de direitos sociais e trabalhistas, protagonizadas pelo governo interino de Michel Temer e pelo Congresso Nacional. As datas coincidem com o período em que o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff deve ser votado no Senado.

 

“É um momento de abrir e aprofundar a reflexão, porque todos nós temos certeza que se abre no Brasil um novo processo de discussão longo, profundo e denso”, afirma Carlos Frederico Marés de Souza Filho, professor de Direito na PUC/PR e membro da articulação Advogados pela Democracia. “Nada é mais simbólico do que um circo para representar a cultura popular, que se expressa como arte, consciência e transformação”, explica, sobre o formato escolhido pelos movimentos para contrapor o cenário de violação à democracia e de avanço do conservadorismo.

 Entre os nomes confirmados estão: Glicéria Tupinambá, Laymert Garcia dos Santos, Plínio de Arruda Sampaio Jr, Ciro Gomes, Vanessa Grazziotin, Roberto Requião, Marcelo Lavenére, Raquel Rolnik, Guilherme Boulos, João Pedro Stédile, Juca Ferreira e outros. E, ao longo dos 10 dias, a lona colorida do circo paranaense Zanchettini e sua arquibancada de mais de setecentos acentos darão espaço às conexões entre política e cultura. Estão previstos shows de artistas locais e nacionais, mesas de debate, rodas de conversa, exibições de filmes, exposições, peças de teatro, oficinas, entre outras atividades.

Curitiba sediará o Circo da Democracia com a participação de mais de 100 entidades

Uma tenda de circo real está sendo montada na frente do prédio histórico da UFPR na praça Santos Andrade de Curitiba. Foto de Fotos: Bruna Baldi na Mídia Ninja

Uma tenda de circo real está sendo montada na frente do prédio histórico da UFPR na praça Santos Andrade de Curitiba para o grande evento popular que começa dia 5. Foto de Fotos: Bruna Baldi na Mídia Ninja

Do dia 05 a 15 de agosto, um circo será montado em praça pública no centro da cidade de Curitiba, aliando cultura e participação política na luta a favor da democracia no Brasil. Na programação, além das mesas de debate, acontecerão reuniões das entidades e aulas públicas. Juventude, justiça, arte, gênero, trabalho , saúde, educação, terra serão alguns dos temas que farão parte ao longo da programação. Há mais de um mês as mais de 100 entidades envolvidas já organizaram GTS – Grupos de Trabalho, para levantar debates sobre os principais direitos que hoje correm risco com o golpe contra a democracia. O circo utilizado para o evento é da Família circense Zanchettini que tem mais de 20 anos de trabalho no estado do Paraná. A abertura oficial contará com apresentações circenses da Familia Zanchettini, intervenções das entidades apoiadoras e a presença do sociólogo Emir Sader.

A ideia do Circo da Democracia se inspira no Circo da Constituinte, realizado também em Curitiba, no ano de 1987. Foram montados naquela época vários circos pela cidade para debater propostas para a Constituinte com a população. O lema daquele também inspira esta edição do Circo: “é proibido proibir a entrada de qualquer pessoa a qualquer hora e não haverá cobrança de ingressos.” Desta forma, a expectativa dos organizadores é promover um amplo fórum popular de debates sobre os rumos da democracia brasileira. Pela grande adesão de diversos setores, o circo também unifica a resistência ao golpe e às tentativas de retiradas de direitos sociais e trabalhistas, protagonizadas pelo governo interino de Michel Temer e pelo Congresso Nacional. As datas coincidem com o período em que o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff deve ser votado no Senado.

“É um momento de abrir e aprofundar a reflexão, porque todos nós temos certeza que se abre no Brasil um novo processo de discussão longo, profundo e denso”, afirma Carlos Frederico Marés de Souza Filho, professor de Direito na PUC/PR e membro da articulação Advogados pela Democracia. “Nada é mais simbólico do que um circo para representar a cultura popular, que se expressa como arte, consciência e transformação”, explica, sobre o formato escolhido pelos movimentos para contrapor o cenário de violação à democracia e de avanço do conservadorismo.

Entre os nomes confirmados estão: Glicéria Tupinambá, Laymert Garcia dos Santos, Plínio de Arruda Sampaio Jr, Ciro Gomes, Vanessa Grazziotin, Roberto Requião, Marcelo Lavenére, Raquel Rolnik, Guilherme Boulos, João Pedro Stédile, Juca Ferreira  e outros. E, ao longo dos 10 dias, a lona colorida do circo paranaense Zanchettini e sua arquibancada de mais de setecentos acentos darão espaço às conexões entre política e cultura. Estão previstos shows de artistas locais e nacionais, mesas de debate, rodas de conversa, exibições de filmes, exposições, peças de teatro, oficinas, entre outras atividades.

A agressão a Letícia Sabatella atinge a democracia pelas costas

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A agressão a Letícia Sabatella atinge a democracia pelas costas

Por Leonardo Isaac Yarochewsky, especial para o Blog do Tarso

Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor eu nada seria

Na noite deste domingo, 31 de julho, a atriz curitibana Letícia Sabatella foi ofendida e agredida em Curitiba. Não, não é um capítulo de novela, também não é um filme ou uma peça de teatro. É a realidade nua e crua. É o autoritarismo e o fascismo assaltando a democracia. O ataque à Letícia é uma afronta a todos nós, nós que defendemos a democracia, a legalidade, os direitos fundamentais, as garantias constitucionais e o Estado democrático de direito.

Com bem observou Nasser Allan, advogado da atriz, Letícia foi vítima da intolerância e do ódio. A atriz Letícia Sabatella, que se manifestou publicamente contra o impeachment da Presidenta da República Dilma Rousseff, foi ofendida com palavras de baixo calão, além de ser constrangida quando passava próximo aos manifestantes em favor do impedimento de Dilma e em apoio a Operação Lava Jato, conduzida pelo juiz Federal de Curitiba Sérgio Moro.

Lamentavelmente, não tem sido raro pessoas serem agredidas e ofendidas em nome do ódio e da intolerância que alimentam o fascismo. Políticos, artistas e todos que estão comprometidos com a defesa da legalidade democrática e contrários ao golpe parlamentar, independente de partidos políticos, estão sujeitos aos ataques daqueles que não sabem conviver com as diferenças e a democracia.

Como bem disse Rubens Casara[1] – na apresentação do livro da filósofa Márcia Tiburi – “o fascismo possui inegavelmente uma ideologia de negação. Nega-se tudo (as diferenças, as qualidades dos opositores, as conquistas históricas, a luta de classe etc.), principalmente, o conhecimento e, em consequência, o diálogo capaz de superar a ausência do saber. O fascismo é cinza e monótono, enquanto a democracia é multicolorida e em constante movimento. A ideologia fascista, porém, deve ser levada a sério, pois, além de nublar a percepção da realidade, produz efeitos concretos contrários ao projeto constitucional de vida digna para todos”.

A sociedade precisa entender que o ataque do último domingo à cidadã Letícia Sabatella atinge a neófita democracia brasileira. Democracia que tem como objetivo a libertação dos indivíduos das coações do autoritarismo. Democracia material que busca excluir, eliminando definitivamente, as desigualdades econômicas e sociais. A democracia social – material e não apenas formal – que visa estabelecer entre os indivíduos uma igualdade de fato que sua liberdade teórica é importante para assegurar. “Democracia pluralista, porque respeita a pluralidade de ideias, culturas e etnias e pressupõe assim o diálogo entre opiniões e pensamentos divergentes e possibilidade de convivência de formas de organização e interesses diferentes da sociedade”.[2]

Não é de hoje que a sociedade brasileira está polarizada e dividida. Como bem observa Wilson Ramos Filho, “houve uma bruta, enorme, estupenda politização da sociedade brasileira que passou a discutir política o tempo todo, nos salões de beleza e nas barbearias, nos bares de esquina e nos restaurantes mais sofisticados, nas salas de aula nas escolas públicas e privadas, nas faculdades e em milhares de grupos de Telegram, de WhatsApp, no Facebook, nas listas de e-mail”.[3]

Contudo, o problema não é discutir, quando a discussão é respeitosa, desprovida de ofensas e agressões não há problema. Quando o respeito ao direito do outro e as diferenças não são ameaças, o diálogo é saudável. O problema está no autoritarismo, no ódio, no radicalismo. Como oberva Márcia Tiburi, “o autoritarismo da vida cotidiana é o conjunto de gestos tão fáceis de realizar quanto difíceis de entender. E ainda mais difíceis de conter. Em nossa época, crescem manifestações de preconceito racial, étnico, religioso e sexual, que pensávamos superadas. À direita e à esquerda, a partir de todos os credos, de todas as defesas que deveriam ser as mais justas e generosas”. [4]

Letícia Sabatella, seu nome é democracia. Caberá a todos que amam a democracia e que respeitam o Estado democrático de direito defendê-la, defendê-la como o poeta Vinícius de Moraes manda defender o grande amor – plagiando o poetinha – defendê-la se sagrando cavalheiro e sendo de sua dama (democracia) por inteiro — seja lá como for. Fazendo do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postando-se de fora com uma espada — para viver um grande amor e, para sempre, defender a democracia.

Belo Horizonte, 01 de agosto de 2016.

Leonardo Isaac Yarochewsky

Advogado Criminalista e Professor de Direito Penal da PUC-Minas

[1] TIBURI, Márcia. Como conversar com um fascista. Rio de Janeiro: Record, 2015.

[2] SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional positivo. 22ª ed. São Paulo: Malheiros, 2002.

[3] RAMOS FILHO, Wilson. Alguma coisa está fora da ordem. A política nasceu. In A Resistência ao Golpe de 2016. Carol Proner, Gisele Cittadino, Márcio Tenenbaum e Wilson Ramos Filho (orgs). Bauro: Canal 6, 2016 (Projeto Editorial Praxis).

[4] TIBURI, Márcia. Como conversar com um fascista. Rio de Janeiro: Record, 2015.

Juristas lançam nota em defesa do Estado Democrático de Direito

NOTA EM DEFESA DO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO

Nós abaixo-assinados viemos, por meio desta nota em defesa do Estado Democrático de Direito, repudiar todo e qualquer atentado à Legalidade Democrática, aos Princípios Constitucionais e à criminalização da política partidária.

“Politicamente, o objetivo da democracia é a liberação do indivíduo das coações autoritárias, a sua participação no estabelecimento da regra, que, em todos os domínios, estará obrigado a observar. Econômica e socialmente, o benefício da democracia se traduz na existência, no seio da coletividade, de condições de vida que asseguram a cada um a segurança e a comodidade adquirida para a sua felicidade. Uma sociedade democrática é, pois, aquela em que se excluem as desigualdades devidas aos azares da vida econômica, em que a fortuna não é uma fonte de poder, em que os trabalhadores estejam ao abrigo da opressão que poderia facilitar sua necessidade de buscar um emprego, em que cada um, enfim, possa fazer valer um direito de obter da sociedade uma proteção contra os riscos da vida. A democracia social tende, assim, a estabelecer entre os indivíduos uma igualdade de fato que sua liberdade teórica é importante para assegurar”.

Lamentavelmente, desde que o governo progressista e da classe operária assumiu o poder com a eleição do Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva em 27 de outubro de 2002 (exercendo a Presidência da República por dois mandatos), as elites e a oligarquia, inconformadas com a ascensão da esquerda ao poder, iniciaram uma verdadeira caçada ao Presidente Lula com o apoio da grande mídia.

Embora tenha deixado a presidência da República há cerca de seis anos, Luiz Inácio Lula da Silva continua sofrendo ataques preconceituosos e discriminatórios. Agora as ofensas estão acompanhadas de uma tentativa vil de criminalizar o ex-presidente.

Por quê Lula? Porque ele é filho da miséria; porque ele é nordestino; porque ele não tem curso superior; porque ele foi sindicalista; porque foi torneiro mecânico; porque é fundador do PT; porque bebe cachaça; porque fez um governo preferencialmente para as classes mais baixas e vulneráveis; porque retirou da invisibilidade milhões de brasileiros etc. Lula é reconhecido internacionalmente como um lutador dos direitos dos trabalhadores para o desenvolvimento social do país, combatente das desigualdades sociais, especialmente, da miséria.

Fosse Luiz Inácio Lula da Silva um homem de posses, sulista, “doutor”, poliglota, bebesse vinho e tivesse governado para os poucos que detêm o poder e o capital em detrimento dos que lutam sofregamente para ter o mínimo necessário para uma vida com dignidade, certamente a história seria outra. Grande parte daqueles que rejeitam Lula o fazem pelo que ele representa e pelo que ele simboliza. Os poderosos e plutocratas nunca suportaram ser governados por um homem do povo, com a cara e o jeito do povo brasileiro. Do mesmo modo que a elite, boa parte das classes média alta, não aceita ver pobres, negros e a classe operária saindo da invisibilidade para frequentar lugares antes exclusivos das classes dominantes.

Esse mesmo “ódio” contra os excluídos (negros e miseráveis) é, também, direcionado a Luiz Inácio Lula da Silva quando ele passa de coadjuvante a protagonista, e ocupa a presidência da República. O “ódio” a Lula e ao povo reflete-se nos ataques aos programas sociais do governo como Bolsa Família, ProUni, Luz Para Todos etc. Essa odiosidade foi transferida para a sucessora de Luiz Inácio Lula da Silva, a Presidenta da República Dilma Vana Rousseff que é vítima de um golpe parlamentar que afrontou a democracia brasileira.

Algumas ações tomadas contra Lula, especialmente pelo juiz Federal Sérgio Moro, demonstram claramente o viés parcial e autoritário das medidas que atentaram contra os direitos fundamentais, dele Lula, de seus familiares e até mesmo de seus advogados de defesa.

Assim, depois de ser levado a depor coercitivamente (em 04 de março de 2016), por ordem do juiz Federal da 13ª Vara Federal de Curitiba Sérgio Moro, depois de ter suas conversas gravadas e divulgadas, inclusive com a Presidenta da República Dilma Vana Rousseff – diálogos divulgados em rede nacional – e depois de ser impedido de assumir o ministério da Casa Civil, Luiz Inácio Lula da Silva é processado indevidamente e sem qualquer lastro probatório que pudesse fundamentar a ação penal, que tem caráter nitidamente político e viciado pela parcialidade daqueles que não se envergonham de rasgar a Constituição da República e atropelar os princípios fundamentais, notadamente, a presunção de inocência e o devido processo legal.

Cumpre ressaltar que, em relação à condução coercitiva do ex-presidente Lula, o ministro Marco Aurélio do STF (Supremo Tribunal Federal) assim manifestou-se:

“Eu não entendo. Um mandado de condução coercitiva só é aplicável quando um indivíduo apresenta resistência e não aparece para depor. E Lula não recebeu uma intimação (…) Será que ele (Lula) quer esse tipo de proteção? Eu acredito que, na verdade, este argumento foi dado para justificar um ato de força. (…) Este é um revés, e não um progresso. (…) Somos juízes, e não legisladores, ou vingadores.”

No que diz respeito à divulgação das transcrições das fitas ilegais para os meios de comunicação, o juiz Federal Sérgio Moro tentou justificar a medida arbitrária e abusiva no interesse público, apesar disso não ser defensável. O pedido de desculpas feita pelo condutor da Operação Lava Jato foi rejeitado pelo Ministro Teori Zavascki do STF quando por ele analisada ação proposta pela Presidenta Dilma:

“A divulgação pública das conversas é inaceitável… Contra uma regra constitucional expressa (ver parágrafo 22 acima), não é razoável dizer que o interesse público justifica a divulgação ou que as partes afetadas são figuras públicas (como se eles não tivessem direito à privacidade) … é preciso reconhecer a irreversibilidade dos efeitos práticos decorrentes da divulgação indevida das conversas telefônicas”.

Não é sem razão que Luiz Inácio Lula da Silva foi buscar por meio de Comunicação no âmbito do Protocolo Facultativo ao Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos (ICCPR), no Escritório do Alto Comissariado dos Direitos Humanos das Nações Unidas em Genebra, Suíça, a preservação dos direitos fundamentais, dos direitos humanos e do próprio Estado Democrático de Direito – que vem sendo assaltado pelos inimigos da democracia e pelo autoritarismo de agentes do Estado.

Segundo a petição apresentada em 28 de julho de 2016, foram violados os seguintes artigos do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos:

“(i) Artigo 9 (1) e (4) – proteção contra a prisão ou detenção arbitrária

(ii) Artigo 14 (1) – o direito a um tribunal independente e imparcial

(iii) Artigo 14 (2) – direito de ser presumido inocente até que se prove a culpa por lei

(iv) Artigo 17 – proteção contra interferências arbitrárias ou ilegais na privacidade, família, lar ou correspondência, e contra ofensas ilegais à honra ou reputação”.

Causa estranheza, e é objeto de nosso repúdio, as notas emitidas pela Associação dos Magistrados Brasileiros – AMB e pela Associação dos Juízes Federais – AJUFE que, apressadamente e de pronto, criticaram a ação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por meio de seus advogados, de acionar o Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), para que lhe seja garantido julgamento justo e imparcial livre do ódio e do autoritarismo.

Não é despiciendo lembrar que o Brasil é, desde 1992, signatário do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos da ONU e, desde 2009, também do seu Protocolo Facultativo, que prevê expressamente a possibilidade de qualquer pessoa encaminhar comunicação escrita ao referido Comitê, quando se sentirem ameaçadas pela violação dos direitos protegidos pelo Pacto de Direitos Civis e Políticos da ONU.

Assim sendo, e por todo exposto, os abaixo-assinados manifestam publicamente apoio às medidas tomadas pelos defensores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu nome e em defesa das garantias fundamentais como postulados indispensáveis do Estado Democrático de Direito.

Novas assinaturas aqui.

1- Leonardo Isaac Yarochewsky – Advogado e Professor de direito penal da PUC-Minas;

2- João Ricardo W. Dornelles. Professor de Direito da PUC-Rio e Coordenador-Geral do Núcleo de Direitos Humanos da PUC-Rio;

3- Wilson Ramos Filho, Doutor em Direito, professor na UFPR;

4- Márcio Tenenbaum, advogado RJ;

5- Carol Proner, professora da UFRJ;

6- Claudia Maria Barbosa, professora PUC/PR;

7- Maria Luíza Flores da Cunha Bierrenbach, advogada, Membro da Comissão Justiça e Paz/SP;

8- Tarso Cabral Violin, advogado e professor de Direito Administrativo;

9- Maria Luiza Pereira de Alencar Mayer Feitosa, professora, Doutora em Direito Econômico CCJ- UFPB;

10- Nasser Ahmad Allan, advogado e professor universitário;

11- Maria Luiza Quaresma Tonelli, advogada;

12- Erivan da Silva Raposo, antropólogo e cientista político;

13- Lívia Maria Marques Sampaio. Economista Ba/ Mestre em Comunicação e Culturas Contemporâneas – UFBa;

14 – Moacyr Parra Motta. Advogado/Mestre em Direito Constitucional – UFMG;

15- Gisele Citadino – Professora da PUC-RJ;

16- Gisele Silva Araújo – Doutora/Mestre em Sociologia, Bacharel em Direito e Ciências Sociais, Professora da Unirio;

17- Juliana Neuenschwander Magalhães – Professora da Faculdade Nacional de Direito UFRJ;

18- Rômulo de Andrade Moreira – Procurador de Justiça na Bahia e Professor de Direito Processual Penal na Faculdade de Direito da Universidade Salvador – UNIFACS;

19 – Magda Barros Biavaschi – Desembargadora aposentada do TRT4, professora convidada e pesquisadora CESIT/UNICAMP;

20 – Manoel Moraes professor universitário, cientista político e defensor de direitos humanos;

21 – Daniel torres de Cerqueira.  Professor universitário.  Mestre em direito UFSC;

22 – Sérgio Luiz Pinheiro Sant’Anna, Procurador Federal e Professor de Direito Constitucional da UCAM;

23 – Pedro Estevam Serrano, professor da PUC/SP;

24 – Luiz Carlos da Rocha, advogado e Mestre em Direito;

25 -Maria Goretti Nagime. Advogada, professora e mestranda em Sociologia Política na UENF;

26 – Sergio Graziano, advogado e professor da Universidade de Caxias do Sul (RS);

27 -Daniela Felix, Advogada  e Professora Cesusc,  Mestre em Direito PPGD/UFSC;

28 – Marcelo Cattoni – Professor da Faculdade de Direito da UFMG;

29 – Maria Helena Barros de Oliveira advogada, pesquisadora e chefe do Departamento Direitos Humanos e Saúde da Fiocruz;

30 – Emerson Lopes Brotto, Advogado e Mestre em História (UPF);

31 – Wadih Damous – Deputado Federal e Advogado;

32 – Marcos Rocha, doutor em Políticas Públicas e Formação Humana (UERJ) e professor de direitos humanos;

33- : Ipojucan Demétrius Vecchi, advogado, professor de direito do trabalho da UPF;

34 – Denise Assis, jornalista;

35 – Marilia Kairuz Baracat, advogada, mestre em direito;

36 – Meiriene Cavalcante Barbosa, jornalista, mestra e doutoranda em educação pela Unicamp;

37 – Eugênio José Guilherme de Aragão, ex-ministro da Justiça e professor de Direito Internacional Público da UnB;

38 – Marcelo Neves, professor titular de Direito Público da Faculdade de Direito da UnB;

39 – Manoel Volkmer de Castilho, ex-Consultor-Geral da União e ex-Juiz Federal da 4a. Região;

40 – Juarez Estevam Xavier Tavares, professor titular de Direito Penal – UERJ;

41 – Cecilia Caballero Lois, Professora Associada da Faculdade Nacional de Direito/ UFRJ;

42 – Gustavo Ferreira Santos, Professor de Direito Constitucional da UNICAP e da UFPE;

43 – Jefferson Martins de Oliveira, Advogado sindical;

44 – José Carlos Moreira da Silva Filho – Professor no Programa de Pós-Graduação em Ciências Criminais da PUC-RS e Vice-Presidente da Comissão de Anistia do Brasil;

45 – Virginius Lianza da Franca, advogado;

46 – Geraldo Prado, professor UFRJ;

47 – Francisco Celso Calmon Ferreira da Silva, advogado e consultor organizacional;

48 – Marta Guerra, advogada – RN;

49 –  Luiz Moreira Gomes Júnior, mestre em filosofia, doutor em Direito, professor da PUC-MG, ex-Conselheiro do CNMP;

50 – Zora Motta,  Arquiteta;

51- Stella Bruna Santo, advogada;

52 – Rodrigo Botelho Campos, economista;

53 – Lilian Ribeiro, advogada SP;

54 – Sueli Aparecida Bellato, advogada;

55 – Carmen da Costa Barros, advogada;

56 – Mariana de Lima e Silva, antropóloga, Brasília – DF;

57 – Faní Quitéria Nascimento Rehem, professora UEFS;

58 – Juarez Cirino dos Santos, advogado e professor do Instituto de Criminologia e Política Criminal;

59 – Flávio Crocce Caetano, advogado, ex-Secretário Nacional da Reforma do Judiciário;

60 – Lucimara Morais Lima, advogada;

61 – Marthius Sávio Cavalcante Lobato, advogado, professor, mestre e doutor em Direito, Estado e Constituição pela UnB; estágio pós-doutoral em Direito Público pela Universidade de Paris III.

Assine a nota aqui.

PT homologa candidatura de Tadeu Veneri à Prefeitura de Curitiba 

Curitiba, 30 – O deputado estadual Tadeu Veneri teve sua candidatura a prefeito de Curitiba homologada pelo Partido dos Trabalhadores na manhã deste sábado (30). A indicação ocorreu durante o encontro municipal do PT, realizado na sede do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil (Sintracon), no São Francisco. A escolha do vice será feita nos próximos dias.

Durante o evento, o presidente municipal do PT, Natalino Bastos, confirmou também a formação de uma chapa “puro-sangue” de vereadores composta de 23 candidatos à Câmara Municipal. A lista com os 23 nomes está disponível abaixo do texto.
As candidaturas homologadas hoje serão encaminhadas ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) em 5 de agosto, logo depois da convenção que ratificará as candidaturas.

“É possível ter uma gestão diferente para a cidade de Curitiba”, declarou Natalino Bastos ao indicar Tadeu Veneri como o nome defendido pela direção do partido para disputar a prefeitura da capital paranaense.

O evento foi aberto pela apresentação das diretrizes do programa de governo, feita por Édson Cruz, seguida por uma análise de conjuntura elaborada pelo professor Ricardo Costa de Oliveira, da Universidade Federal do Paraná (UFPR). A seguir, o secretário-geral do PT Municipal, Ivan Moraes, abriu o debate sobre a tática eleitoral do partido para o pleito de 2016.

“Precisamos colocar na pauta o desmonte de direitos pelo qual passa o país”, declarou Marlei Fernandes, ex-presidente da APP-Sindicato e atual coordenadora do Fórum Estadual dos Servidores, durante o debate sobre a tática eleitoral.

“Esta é uma eleição de confrontação e resistência”, disse por sua vez a senadora Gleisi Hoffman em intervenção durante o encontro municipal do PT.

Gleisi também denunciou a tentativa de golpe legislativo em andamento contra a presidenta Dilma Rousseff. “Além da desestabilização democrática, há uma ofensiva direta contra os direitos conquistados nas últimas décadas”, advertiu a senadora ao defender a necessidade de uma postura de resistência por parte do PT. “Querem sepultar todas as conquistas obtidas desde os tempos de Getúlio e Jango até os de Lula e Dilma.”

A seguir, Natalino Bastos apresentou a chapa de vereadores do PT para as eleições de 2016 em Curitiba e passou a palavra ao deputado Tadeu Veneri. Em seu discurso, o candidato observou que o partido está preparado para as dificuldades que tem pela frente e fará a campanha com altivez.

“Não será uma candidatura fácil. Será uma candidatura de confronto, uma candidatura de coragem”, advertiu Veneri. “A covardia e a omissão não são a marca deste partido. Quem está aqui não fica embaixo da marquise esperando a chuva passar.”

Ele informou que a escolha do candidato a vice-prefeito resultará de uma decisão consensual. “E com 99% de certeza sairá de dentro do partido”, concluiu Tadeu Veneri.

Chapa de vereadores:

Anaterra Viana;

André Machado;

Angela Maria;

Angelo Vanhoni;

Antonio Rosnei;

Augusto Franco;

Dr. Jonas;

Eyrimar Fabiano;

Gianne Herlain;

João Bello;

Joaquim Maciel;

Kerlen Wosner (Sargentinho);

Marcio Nikoska;

Marco Aurelio dos Santos;

Miguel Arcanjo;

Oziel Pereira de Sá;

Pedro Inácio;

Professora Giselle;

Professora Josete;

Rodinei Prado de Oliveira;

Salete Bez;

Tania Mandarino;

Wilson Brasílio.

Tarso dá dica de livro para o Cult&Grosso

O advogado e professor Tarso Cabral Violin, autor do Blog do Tarso, foi convidado para enviar um vídeo para o Cult&Grosso para indicar um livro.

Marx e o Marxismo

Sobre Marx, Engels e o marxismo, veja a palestra do jurista e filósofo do direito Alysson Leandro Mascaro, sobre as obras “Crítica da filosofia do direito de Hegel”, de Karl Marx (1844-45), “O 18 de brumário de Luís Bonaparte, de Karl Marx (1852) e “O socialismo jurídico”, de Friedrich Engels e Karl Kautsky.

Baixe gratuitamente a apostila do curso realizado pela Boitempo sobre marxismo aqui: http://bit.ly/1zXE4Xg

A palestra de 2014 é atual, pois até uma relação sobre o golpe de 2016 no Brasil e um possível governo Trump nos Estados Unidos da América.

Podemos concordar ou discordar sobre a possibilidade de uma revolução ou reformas para chegarmos a uma sociedade mais justa, mas é obrigatório conhecer Marx e toda a sua crítica ao capitalismo liberal.

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PT homologará no sábado candidatura de Tadeu Veneri à prefeitura de Curitiba

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“A candidatura é um processo de construção coletiva que pretende oferecer aos curitibanos uma alternativa, em contraponto a outros candidatos que todos já sabem como vão se comportar”, declarou Tadeu Veneri.

O Partido dos Trabalhadores homologará no sábado (30) a candidatura do deputado estadual Tadeu Veneri à prefeitura de Curitiba. A homologação ocorrerá durante o encontro municipal do PT, que antecederá a convenção do partido. “A candidatura é um processo de construção coletiva que pretende oferecer aos curitibanos uma alternativa, em contraponto a outros candidatos que todos já sabem como vão se comportar”, declarou Tadeu Veneri.

Restando poucos dias para o evento, ainda não está definido se o PT irá às urnas com uma candidatura pura ou se fechará uma composição com um ou mais partidos do campo da esquerda, observou o deputado estadual e pré-candidato a prefeito Tadeu Veneri. “A expectativa é de que cheguemos a uma definição nos próximos dias. Ainda estamos abertos a possíveis alianças. Caso isso não aconteça, buscaremos uma solução interna para a definição do vice”, explicou Veneri.

No evento de sábado, além da homologação da candidatura de Tadeu Veneri a prefeito, serão homologadas também as candidaturas ao PT à Câmara dos Vereadores. O partido tem pelo menos 22 pré-candidatos a vereador, mas a expectativa é de que o número de candidaturas homologadas chegue a 25 até o sábado.

O encontro municipal, que será realizado na sede do Sintracon, também resultará na definição da tática do PT para as eleições de 2016 em Curitiba, na política de alianças de legenda e na aprovação do programa de governo de Tadeu Veneri para a prefeitura.

“Queremos demarcar um espaço no debate sobre Curitiba e demonstrar que o PT tem propostas viáveis para a cidade”, declarou Natalino Bastos, presidente municipal do partido. “O PT tem uma história acumulada de êxitos em gestões em outras cidades, inovou na gestão democrática e participativa”, prosseguiu ele. “Queremos também resgatar os legados do presidente Lula e da presidenta Dilma para o país, especialmente no que diz respeito a políticas públicas, sociais e afirmativas”, concluiu.

Depois de homologadas, as candidaturas ainda precisarão ser ratificadas em convenção partidária programada para 5 de agosto.

O encontro municipal do PT será realizado em 30 de julho, das 9h às 13h, na sede do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil de Curitiba (Sintracon).

Evento: Encontro Municipal do PT
Data: 30/07/2016
Horário: das 9h às 13h.
Local: Sintracon, Rua Trajano Reis, 558, São Francisco, Curitiba/PR

Praticamente definidas as candidaturas para prefeito de Curitiba

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Estão praticamente definidas as candidaturas para prefeito de Curitiba.

As candidaturas de direita serão da deputada estadual Maria Victoria (PP/PR/PMB), do deputado estadual Ney Leprevost (PSD/PSC/PEN) e do ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (PMN/PSDB/DEM/PSB/PTN).

A de centro será do atual prefeito Gustavo Fruet (PDT/PV/PTB/PPS).

As candidaturas de esquerda e centro-esquerda serão do deputado estadual Tadeu Veneri (PT), do deputado estadual Requião Filho (PMDB/Rede/PPL) e da advogada Xênia Mello (PSOL/PCB).

O PCdoB está em dúvida se apoia Veneri, Requião ou Fruet.

Circo da Democracia de 5 a 15 de agosto em Curitiba

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Respeitável Público! Uma história e um convite:

A instalação da Assembleia Nacional Constituinte em 87-88 recolheu iniciativas por todo o Brasil, mobilizando entidades e pessoas as mais diversas. Uma delas, o Circo da Constituinte criado em Curitiba. Em 88, Carlos Frederico Marés era o presidente da Fundação Cultural de Curitiba e montou por toda a cidade diversos circos nos bairros e um no centro para realizar debates com a população. E em 2016, o advogado e professor de Direito, Carlos Frederico Marés que esteve a frente do Circo da Constituinte em 88, provocou a ideia para a realização de uma nova edição deste circo, mas agora com o nome de Circo da Democracia. Pois bem, fica aqui o convite do Marés pra vocês:

“É um momento de abrir e aprofundar a reflexão, porque todos nós temos certeza que se abre no Brasil um novo processo de discussão longo, profundo e denso. Nada é mais simbólico do que um circo para representar a cultura popular, que se expressa como arte, consciência e transformação para contrapor o cenário de violação à democracia e de avanço do conservadorismo. Cada um de vocês deve pegar nas mãos dos seus filhos e trazer para ver a lona levantar. É talvez um dos espetáculos mais bonitos da Terra, quando o circo, do nada, se transforma em um espaço cultural simbólico, cheio de luzes e estrelas.”

Casagrande e seus demônios

Sim, adoro o Direito, em especial o Direito Administrativo, e cada vez mais o Direito Constitucional.

Mas nas férias gosto de ler livros que não têm nada a ver com o Direito.

Em 2014 já comentei aqui a imperdível biografia do Doutor Sócrates.

Também aqui já comentei sobre o dia em que encontrei o Casagrande, por coincidência, em uma livraria em Fortaleza, em 2013.

Mas infelizmente eu ainda não havia conseguido ler a biografia do Casão (tenho ela assinada).

Após saber que um amigo, não corinthiano, já havia lido o livro, e depois de me informar do lançamento do segundo livro do Casa com o Gilvan Ribeiro, o “Sócrates Casagrande: uma história de amor”, coloquei o livro “Casagrande e seus demônios” como minha prioridade nessas férias de julho de 2016.

Gramado, lareira e chimarrão, ajudaram na leitura desse belo livro.

Mostra a vida de Casão, sua atuação como moleque, jogador de futebol, político, inclusive sua luta contra o vício de drogas. Uma ótima leitura, recomendo!

Carta aos companheiros sindicalistas petistas de Curitiba

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CARTA AOS (AS) COMPANHEIROS (AS) SINDICALISTAS PETISTAS DE CURITIBA

Companheiros (as),

No ano passado, às vésperas do 5º Congresso Nacional do PT, que realizou-se de 11 a 13 de junho em Salvador-BA, mais de 400 sindicalistas petistas – entre eles eu – subscreveram um Manifesto dirigido aos delegados deste Congresso para propor “O PT de volta para a classe trabalhadora”.

Além de criticar a política econômica de ajuste fiscal implementada pelo governo Dilma, através do então Ministro Levy, o manifesto constatava: “O PT acomodou-se a um sistema eleitoral que privilegia o financiamento de empresas para suas campanhas, em detrimento de suas características originais que privilegiam sua militância”.

Na ocasião nós dissemos no Manifesto: “O momento é grave e nós nos dispomos a assumir nossa parcela de responsabilidade no resgaste das melhores tradições do partido, intervindo de forma mais ativa e militante na sua vida”.

Hoje, com o golpe de Temer e da direita, a situação é bastante mais complicada para a classe trabalhadora e o PT. Mas, por outro lado, a disposição de luta da classe trabalhadora não arrefeceu e a CUT coloca no horizonte uma greve geral contra a destruição de direitos.

Esse ano temos eleições municipais e como sindicalista bancário pesei bem qual deveria ser minha parcela de responsabilidade nesse processo. Todos sabem que os sindicalistas petistas foram, nos últimos anos, desincentivados ou pouco apoiados para concorrer eleitoralmente pelo PT. É algo que precisa mudar.

Desse modo, resolvi, depois de ouvir a opinião de inúmeros companheiros petistas, me colocar como pré-candidato a vereador em Curitiba pelo nosso partido.

Como pré-candidato a vereador na última campanha municipal, penso que organizei uma campanha nas “melhores tradições eleitorais do PT”, com uma plataforma que procurava exprimir aspirações populares fundamentais e, sobretudo, privilegiando a participação militante de filiados petistas e simpatizantes.

Sou candidato para defender as conquistas obtidas pela classe trabalhadora, por Fora Temer e pela Constituinte Exclusiva do sistema político para barrarmos o plano de austeridade do mercado e avançarmos em mudanças mais que nunca necessárias.

Reafirmo aqui meu compromisso de colocar minha campanha a serviço da luta contra qualquer reforma da previdência que retire direitos das antigas e novas gerações. Assim como estarei nas ruas junto com aqueles que defendem a atual lei de partilha do pré-sal e uma Petrobras cada vez mais estatal e forte, além de defender os direitos trabalhistas, o direito ao emprego e a melhoria dos serviços públicos.

A Executiva Nacional da CUT, reunida em 5 de julho, decidiu lançar na segunda quinzena de agosto uma “Plataforma da Classe Trabalhadora para as Eleições Municipais”. Minha pré-candidatura se integrará nesse esforço da Central Única para ajudar a classe trabalhadora a distinguir na disputa eleitoral os seus interesses de classe num cenário em que os empresários, a grande mídia, os partidos da direita golpista, vão tentar rebaixar a discussão para impedir o debate sobre o ajuste fiscal e a defesa dos direitos.

No plano municipal, penso que os sindicalistas tiveram muito que ver com a decisão do PT pela candidatura própria a prefeito de Curitiba em 2016, assim como com o afastamento do partido da atual administração municipal de Gustavo Fruet. Realmente não era possível que o PT continuasse ao lado de um governo municipal que privilegia suas relações com os empresários do transporte, com as elites locais, em detrimento das demandas do povo trabalhador de nossa cidade.

Essa carta não pretende esgotar todos os assuntos em relação à campanha eleitoral do nosso partido em Curitiba. Certamente temos muito o que discutir sobre qual deve ser o melhor modo de atuar de uma candidatura de um sindicalista petista, mas tenham a certeza que, de acordo com nosso manifesto ao 5º Congresso, estou disposto a colocar minha campanha a vereador à disposição do resgate das melhores tradições eleitorais do PT, fazendo uma campanha militante, ligada às aspirações de nossa base social.

Estou à disposição de cada um e cada uma para conversarmos sobre minha campanha.

Saudações,

André Machado

14/07/2016

Um novo livro sobre o golpe de 2016 será lançado em Curitiba

Índice

Recentemente lançamos o livro “A resistência ao golpe de 2016” (compre aqui), um sucesso de público em seus lançamentos pelo país e de venda.

Os recentes acontecimentos da política brasileira tiveram uma característica peculiar: a participação massiva da população. Além dos protestos de rua, tanto contra quanto a favor do impeachment, o país assistiu a uma intensa discussão sobre o presente e o futuro de nossa democracia.

Para que o debate se aprofunde ainda mais no campo das ideias, a editora ComPactos lança no dia 28 de julho de 2016 mais um novo livro sobre o golpe, “Crônicas da resistência 2016 – Narrativas de uma democracia ameaçada”, no Teatro da Reitora da UFPR em Curitiba (PR).

A obra reúne artigos e crônicas de intelectuais, jornalistas, professores, economistas, cientistas políticos, historiadores, artistas, escritores e profissionais de várias áreas, são brasileiros de todas as regiões do país e do exterior que se posicionam contra a ruptura institucional representada pela deposição da presidenta Dilma Rousseff.

“O ataque à democracia cometido pela oposição exige de cada cidadão uma postura clara de defesa das instituições. A honra de nossa República está em jogo na diplomacia internacional, tanto que praticamente nenhum país reconheceu este novo governo. Com este livro, pretendemos adensar o debate e esclarecer alguns pontos discordantes, servindo como um contraponto à mídia convencional”, afirma a organizadora do livro Cleusa Slaviero.

O lançamento será mais um grande Ato de Resistência com o apoio e participação de Movimentos Sociais. O evento reunirá autores, editores, apoiadores, lideranças políticas e membros da Academia.

A abertura do evento será com o belíssimo espetáculo “Os Semeadores de Sonhos” com João Bello e Susi Monte Serrat e Cultura Resiste.

Serviço:

Livro Crônicas da resistência 2016 – Narrativas de uma democracia ameaçada

Editora ComPactos 230 p., R$ 30,00

Local: Teatro da Reitora UFPR

Horário: 18h

Dia: 28 de julho

Endereço: Rua XV de Novembro, 1299 – Centro – Curitiba (PR)

Hoje no salão Nobre da Faculdade de Direito da UFPR ocorrerá a Cerimônia de Lançamento do Circo da Democracia

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Hoje (11), às 18h30, no salão Nobre da Faculdade de Direito da UFPR, ocorrerá a Cerimônia de Lançamento do Circo da Democracia. Todas e todos estão convidados para o ato. Convidem mais um amigo ou entidade para o momento.

Curtam a página, acompanhem e compartilhem:

https://www.facebook.com/Circo-da-Democracia-1725571481057249

O nosso site é: http://www.circodademocracia.com.br

O evento é realizado pelos Advogados e Advogadas pela Democracia no Paraná e pelo Fórum Brasil de Juristas pela Democracia.

Carta de Brasília dos Princípios e Diretrizes da Frente Brasil de Juristas pela Democracia

Índice

CARTA DE BRASÍLIA DOS PRINCÍPIOS E DIRETRIZES DA FRENTE BRASIL DE JURISTAS PELA DEMOCRACIA-FBJD

Nós, advogadas e advogados, juízas e juízes, promotoras e promotores, defensoras e defensores públicos, professoras e professores, estudantes de direito e demais membros da comunidade jurídica, reunidos de 04 a 06 (seis) de julho de 2016 em Brasília, visando a retomada e defesa do Estado Democrático de Direito, conforme a Constituição Federal de 1988, tendo como princípios o respeito aos direitos humanos econômicos, sociais, culturais e ambientais – DHESCA; em observância à igualdade social, de gêneros e étnico-racial,  bem como à solidariedade entre os diversos segmentos da sociedade, constituímos FRENTE BRASIL DE JURISTAS PELA DEMOCRACIA-FBJD, tendo como base os seguintes princípios e diretrizes:

1 – A FBJD luta pela democracia como meio para efetivação um conjunto de conquistas populares. Para isto, a Frente tem como parte de seus objetivos a defesa das demandas dos movimentos sociais populares, embasada nos direitos humanos, tais como as lutas contra o racismo, o machismo, o patriarcado, a misoginia, a LGBTfobia, a defesa dos territórios das comunidades tradicionais e dos povos originários, bem como a luta pelos direitos socioeconômicos e ambientais;

2 – A FBJD repudia o golpe perpetrado contra o mandato da Presidenta Dilma Rousseff, eleita por mais de cinquenta e quatro milhões de votos e atualmente ameaçado por este golpe, que é parlamentar, jurídico, midiático, reconhecidamente racista, classista, machista e adultocêntrico e que representa uma reedição do neoliberalismo.

3- A FBJD luta pela democratização do sistema de justiça, bem como dos órgãos de representação das categorias profissionais da área jurídica, a exemplo da Ordem dos Advogados do Brasil; das associações das magistraturas; dos ministérios públicos, defensorias e advocacia públicas.

4 – A representação plural da FBJD se reflete na direção de suas ações, por meio da horizontalidade, alteridade, diversidade, consenso e convencimento dos e das integrantes, garantindo a transparência e a participação dos seus membros nas instâncias deliberativas.

5- A FBJD promoverá suas ações políticas e jurídicas por meio de: assessoria jurídica popular, ações judiciais no âmbito nacional e internacional, organização de atos públicos, debates, seminários, publicações, manifestos, denúncias, entre outros.

A partir destes princípios e diretrizes, seguiremos convictas e convictos da necessidade da atuação militante e concreta da comunidade jurídica, comprometida com a defesa da democracia e contra os retrocessos dos direitos humanos e fundamentais.

Brasília, 06 de julho de 2016

Comparato, Dallari e juristas estrangeiros lançam manifesto com críticas ao rito do Impeachment de Dilma

Fábio Konder Comparato

Fábio Konder Comparato

Os professores eméritos de Direito Constitucional da USP, Fabio Konder Comparato e Dalmo de Abreu Dallari, acabaram de lançar um manifesto de juristas brasileiros e estrangeiros com críticas ao rito do Impeachment da presidenta afastada Dilma Rousseff (PT).

O manifesto, que está disponível em português, inglês e francês, pode ser acessado e assinado aqui e conta ainda com assinaturas de juristas como Gilberto Bercovici (USP), Marcelo Neves (UnB), Friedrich Müller (Alamanha), André Ramos Tavares (USP e PUC-SP), Pedro Estevam Serrano (PUC-SP), Martonio Mont’Alverne Barreto Lima (Universidade de Fortaleza), Silvio Luís Ferreira da Rocha (PUC-SP), Wilson Ramos Filho – Xixo (UFPR), António Avelãs Nunes (Portugal), José Esteban Castro (Reino Unido), Manuel Gandara Carballido (Espanha), Marcos Sacristán Represa (Espanha), Pablo Ángel Gutiérrez Colantuono (Argentina), Sylvia Calmes-Brunet (França), Agostinho Ramalho Marques Neto, Carlos Frederico Marés de Souza Filho (PUC-PR), Claudia Maria Barbosa (PUC/PR), Eneida Desiree Salgado (UFPR), Geraldo Prado (UFRJ), Gisele Cittadino (PUC-Rio), Jacinto Nelson de Miranda Coutinho (UFPR), Jorge Luiz Souto Maior (USP), José Antônio Peres Gediel (UFPR), José Geraldo de Sousa Júnior (UnB), Manoel Caetano Ferreira Filho (UFPR), Paulo Abrão (ex-SNJ), Paulo Ricardo Schier (UniBrasil), Ricardo Lodi Ribeiro (UERJ), Ricardo Marcondes Martins (PUC-SP), Rômulo de Andrade Moreira, Sueli Gandolfi Dallari (USP), Tarso Cabral Violin, Thomas Bustamante (UFM), entre vários outros advogados, professores e juristas.

Veja o texto:

A CORRETA SISTEMÁTICA JURÍDICA DO PROCEDIMENTO DE IMPEDIMENTO DA PRESIDENTE DILMA ROUSSEFF.

LA SYSTEMATIQUE JURIDIQUE APPROPRIEE POUR LA PROCEDURE DE DESTITUTION DE LA PRESIDENTE DILMA ROUSSEFF.
THE PROPER LEGAL SYSTEMATIC FOR THE IMPEACHMENT PROCEEDING OF THE BRAZILIAN PRESIDENT DILMA ROUSSEF

1. A Constituição Federal de 1988 abre-se com a declaração solene de que “a República Federativa do Brasil constitui-se em Estado Democrático de Direito”. O atual processo de crime de responsabilidade, instaurado contra a Presidente Dilma Rousseff, infringe flagrantemente seus três princípios políticos fundamentais.
1. La Constitution Fédérale de 1988 s’ouvre avec la déclaration solennelle : « la République Fédérative du Brésil se constitue en un Etat Démocratique de Droit ». La présente procédure de crime de responsabilité, instaurée contre la Présidente Dilma Rousseff viole de façon flagrante ses trois principes politiques fondamentaux.
1. The Federal Constitution of 1988 opens with the solemn declaration: “the Federative Republic of Brazil is a legal democratic state”. The current process of crime of responsibility, initiated against President Dilma Rousseff, flagrantly violates its three fundamental political principles.

2. Viola o princípio republicano, porque submete o bem comum do povo (res publica) ao interesse particular de um grupo minoritário de cidadãos. Desrespeita o princípio democrático, porque busca destituir a Presidente da República legitimamente eleita, em razão de fatos que não dizem respeito à violação da soberania popular. Por fim, infringe o princípio do Estado de Direito, porque descumpre uma série de procedimentos que constituem condições indispensáveis ao exercício do poder excepcional de destituição da Chefe de Estado, como se passa a demonstrar.
2. Elle viole le principe républicain, car elle soumet le bien commun du peuple (res publica) à l’intérêt privé d’un groupe minoritaire de citoyens. Elle ne respecte pas le principe démocratique, parce qu’elle cherche à destituer la Présidente de la République élue de façon légitime en raison de faits qui ne concernent pas la violation de souveraineté populaire. Finalement, elle enfreint le principe de l’Etat de Droit, parce qu’elle n’accomplit pas une série de procédures constituant des conditions indispensables à l’exercice du pouvoir exceptionnel de destitution de la Chef d’Etat, comme nous le démontrerons ci-après.
2. It violates the republican principle, because it submits the common good of the people (res publica) to the private interest of a minority group of citizens. It violates the democratic principle, because it seeks to remove the legitimately elected President of the Republic, because of facts that do not concern the violation of popular sovereignty. Finally, it infringes the principle of the Rule of Law, because it does not accomplish a number of procedures constituting essential conditions for the exercise of the exceptional power of impeachment of the Head of State, as will be shown below.

3. Para caracterizar “crime de responsabilidade”, na forma do art. 85, inc. VI, da CF, e do artigo 10 da Lei 1079/1950, com fundamento em fatos extraídos do orçamento da União de 2015, é necessário parecer prévio do Tribunal de Contas, relativo às contas prestadas pela presidência da República no exercício orçamentário que se pretenda questionar.
3. Afin de caractériser un « crime de responsabilité », en conformité avec l’article 85, point VI, de la Constitution Fédérale, et de l’article 10 de la Loi nº 1079/1950, se fondant sur des faits extraits du budget de la Fédération de 2015, il faut un rapport préalable de la Cour des Comptes sur les comptes présentés par la présidence de la République pour l’exercice budgétaire que l’on entend contester.
3. In order to characterize a “crime of responsibility”, in accordance with art. 85, VI, of the Constitution and art. 10 of Law nº 1079/1950, on the ground of facts taken from the 2015 Federal Budget, prior opinion of the Accounting Court on the accounts provided by the Presidency of the Republic for the fiscal year that is to be to question is required.

4. Assim também, neste mesmo sentido, faz-se necessário prévio parecer da “Comissão Mista Permanente de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização”, sobre as contas prestadas pela presidência da República relativas ao mesmo orçamento, nos termos do art. 166, inc. I, da CF.
4. En ce sens, un rapport préalable de la « Commission Mixte Permanente de Plans, de Budgets Publics et d’Inspection » au sujet des comptes présentés par la présidence de la République pour le même exercice budgétaire est nécessaire, conformément à l’article 166, point I, de la Constitution Fédérale.
4. In this sense, a prior opinion of the “Permanent Joint Committee of Plans, Public Budgets and Monitoring”, on the accounts provided by the presidency for the same budget is necessary, in accordance with art. 166, I, of Federal Constitution.

5. E, por fim, após ultrapassadas estas duas etapas, é imperiosa a conclusão do Congresso, em sessão conjunta, sobre a rejeição das contas, com base no art. 49, inc. IX, da CF (com “rejeição” ou “aprovação com ressalva” que evidencie a conduta ilícita).
5. Finalement, après être passé par ces deux étapes, la conclusion du Congrès pour le rejet des comptes, au cours d’une séance conjointe, est impérative, suivant l’article 49, point IX, de la Constitution Fédérale (concluant pour un « rejet » ou une « approbation sous condition » qui démontre le comportement illicite).
5. Finally, after having overcome these two steps, the conclusion of Congress for the rejection of the accounts, in joint session, is imperative, based on art. 49, IX, of the Constitution (concluding for “rejection” or “approval with reservations” evidencing unlawful conduct).

6. A sistemática do artigo 85 da Constituição exige, para fundamentação do pedido de afastamento do Presidente, a indicação precisa do ato que ele praticou, diretamente, no exercício do mandato que esteja exercendo, para que reste enquadrado em uma das figuras legais de crime de responsabilidade. E para que se caracterizar o crime, é necessária ainda a comprovação de que o ato foi praticado de má fé, com a intenção de obter proveito ilícito próprio.
6. Afin de justifier la demande d’écartement du Président, la systématique de l’article 85 de la Constitution exige l’indication précise de l’acte pratiqué, directement, dans l’exercice du mandat qu’il est en train d’exercer, pour l’encadrer dans l’une des figures légales de crime de responsabilité. Pour que ce crime soit caractérisé, il faut encore prouver que l’acte a été commis de mauvaise foi, dans l’intention d’obtenir un profit personnel illicite.
6. In order to justify the motion of impeachment of the President, systematic of art. 85 of the Constitution requires the precise indication of the act he/she committed, directly during the mandate he/she is exercising, so that the crime of responsibility is framed in one of the legal provisions. For the crime to be characterized, it is still necessary to prove that the act was committed in bad faith, with the intention of obtaining personal illicit advantage.

7. Sem isso, não é possível utilizar o argumento jurídico-constitucional de ter havido desrespeito à lei orçamentária, para fins de validamente tramitar ou aprovar impedimento do Presidente da República por crime de responsabilidade.
7. Sans cela, il n’est pas possible de se servir de l’argument juridique et constitutionnel de non-respect de la loi budgétaire, aux fins de faire avancer ou d’approuver la destitution du Président de la République pour crime de responsabilité.
7. Without this, it is not possible to use the legal-constitutional argument of not having respected the budget law, for the purpose of advancing or approving the impeachment of the President of the Republic for crime of responsibility.

8. Uma série enorme de argumentos de mérito pode ser utilizada e alegada em defesa do não-cabimento de pedido de impedimento da Presidente Dilma Rousseff por descumprimento da legislação orçamentária. Têm sido listados: (a) desvio de finalidade pelo Presidente da Câmara no recebimento do pedido de impedimento, (b) perda de objeto por aprovação posterior da nova meta fiscal, (c) impossibilidade de alteração da jurisprudência do TCU com efeitos retroativos, etc. Todos estes argumentos nem chegam a ter cabimento ou debate sem que o pleito de impedimento, pelo mérito, tenha início com a verificação, ainda que em tese, da figura típica do art. 85, inc. VI, da CF.
8. Toute une série d’arguments de fond peut être invoquée et alléguée pour défendre l’impossibilité d’accepter la demande de destitution de la Présidente Dilma Rousseff pour violation de la législation budgétaire. Par exemple : (a) détournement de pouvoir par le Président de la Chambre des Députés dans l’acceptation de la demande de destitution, (b) perte de l’objet étant donné l’approbation postérieure d’un nouvel objectif fiscal, (c) impossibilité de changement de la jurisprudence de la Cour des Comptes avec des effets rétroactifs, etc. Tous ces arguments ne peuvent pas avoir lieu ou même être débattus sans que la demande de destitution sur le fond ait débuté avec la vérification – même en théorie – de la figure typique de l’article 85, point VI, de la Constitution Fédérale.
8. A large number of arguments on the merits can be invoked and alleged to defend inability to accept the motion for impeachment of President Dilma Rousseff for breach of budget legislation. For instance: (a) misappropriation of power by the Chamber of Deputies upon acceptance of the motion for impeachment, (b) the subsequent approval of the new fiscal target has made the motion for impeachment to become moot, (c) impossibility of changing the Accounting Court’s precedents with retroactive effect, etc. All these arguments cannot take place or even be discussed if motion for impeachment on the merits has not started with the checking – even in theory – of the behavior contained in art. 85, VI, of the Federal Constitution.

9. O percurso e competências constitucionais decorrentes dos arts. 85, inc. VI, 166, inc. I, e 49, inc. IX, são cogentes, e não podem ser afastados por um procedimento especialmente criado para acelerar uma vontade política conjuntural, ainda que à unanimidade.
9. Le parcours et les compétences constitutionnelles prévus par les articles 85, point VI, 166, point I et 49, point IX, sont obligatoires, et ne peuvent être écartés par une procédure créée spécialement pour accélérer une volonté politique de conjoncture, même à l’unanimité.
9. The path and constitutional powers arising from arts. 85, VI, 166, I and 49, IX, are cogent, and cannot be removed by a procedure specially created to accelerate a conjuncture of political will, although unanimously.

10. A Constituição de 1988 continua em vigor, e não podem a Câmara, o Senado, o STF, e nem mesmo o especial tribunal de impedimento (Senado sob a presidência do Ministro-Presidente do STF) alterarem casuisticamente o rito nela traçado.
10. La Constitution de 1988 continue en vigueur, et la Chambre des Députés, le Sénat, la Cour Suprême Fédérale, ni même le tribunal spécial de destitution (le Sénat sous la présidence du Ministre-Président de la Cour Suprême Fédérale) ne peuvent modifier de façon casuistique le rite qui y a été tracé.
10. The 1988 Constitution is still in force, and the Chamber of Deputies, the Senate, the Supreme Court, and even the special impeachment court (Senate under the chairmanship of Minister-President of the Supreme Court) cannot change case by case the rite that was traced there.

Brasil, 27 de junho de 2016.

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Golpe em uma Democracia em construção

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Primeiramente, fora Temer!

Hoje, em Ponta Grossa, e amanhã, em União da Vitória, vou palestrar e lançar nosso livro “A resistência ao golpe de 2014”. Vou explicar por que chamamos o processo de Impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT) é, na verdade, um golpe de Estado.

Quando analfabetos políticos veem em meu carro ou computador adesivos como “Não ao golpe” ou “Fora Temer”, também me perguntam por que é golpe, e as vezes não temos tempo suficiente de fundamentar.

A primeira pergunta que temos que nos fazer é: quem manda em um país? Quem tem mais poder no Brasil? A resposta não é simples. Se nos séculos XVIII, XIX e início do XX o todo poderoso era o Estado e seus Poderes constituídos, durante o século XX e no atual XXI a coisa mudou de figura.

Em um país desenvolvido, com uma Democracia substancial (utilizando a nomenclatura de Celso Antônio Bandeira de Mello), há uma divisão de poderes entre os Poderes estatais (Executivo, Legislativo, Judiciário, Ministério Público, Tribunais de Contas), e o poder popular, da sociedade civil organizada e dos agentes do mercado, entre eles igrejas, mídia, partidos políticos, etc.

Entretanto, em países ainda em desenvolvimento, com Democracias em construção (Democracia formal), há duas forças principais que se sobrepõem sobre todas as demais: o grande capital e os meios de comunicação de massa oligopolistas. Não estamos falando em pequenos comerciantes, em profissionais autônomos com suas pequenas pessoas jurídicas, em empresas de mídia sem grande apelo popular.

São os grandes conglomerados privados que dominam os poderes constituídos nos países, patrocinado a grande mídia, comprando parlamentares e juízes, influenciando na tomada de decisões dos chefes do executivo, e “fazendo a cabeça” dos cidadãos pouco politizados, os chamados “analfabetos políticos”. A mídia, em países em desenvolvimento, é monopolizada/oligopolizada, nas mãos de poucas famílias, pouco plural, o que é um desrespeito para a Constituição brasileira, por exemplo.

E isso é um problema! Uma Democracia nunca será uma Democracia de verdade quando estiver não mãos apenas de interesses financeiros. Uma Democracia não se faz com um Poder Judiciário que decide para agradar e aparecer no Jornal Nacional. Não é democrático que nosso Poder Legislativo e Poder Executivo seja composto em sua maioria por pessoas que se elegeram com a força do dinheiro, e não por que tivessem melhores propostas para a população. Não há Democracia substancial em um país no qual a população apenas vota de dois em dois anos, escolhe seus representantes, e depois não participa e não delibera sobre as principais questões de interesse público a serem definidas pelos Poderes.

Foi dado início ao golpe quando em 2013 o governo federal começou a questionar os lucros excessivos dos bancos no Brasil. Com isso o mercado financeiro decidiu que deveria ser outro grupo político que assumiria a chefia do Poder Executivo federal. Seria um grupo que retornaria com os ideais do neoliberalismo no Brasil, como ocorreu na década de 1990. Estado mínimo, privatizações, redução dos direitos trabalhistas, extermínio dos sindicatos dos trabalhadores e movimentos sociais populares, aumento do poder dos grandes conglomerados econômicos e midiáticos, redução de gastos sociais, aumento do desemprego, aumento das desigualdades sociais e regionais, etc.

A única coisa que eles não contavam era com um detalhe: 54 milhões de votos de brasileiros que escolheram Dilma e não o segundo colocado.

E isso é possível segundo a nossa Constituição de 1988? Nossa Constituição prevê que o Brasil seja, um dia, um Estado Social, Republicano, Desenvolvimentista e Democrático de Direito.

Social uma vez que prevê uma sociedade livre, justa e solidária (art. 3º); desenvolvimento, independência e soberania nacional (arts. 1º, 3º, 4º e 170, I); erradicação da pobreza e redução das desigualdades sociais e regionais (arts. 3º, III, e 170, VII); bem de todos (art. 3º); bem estar (art. 193); direitos humanos (art. 4º); igualdade (art. 5º); justiça social (arts. 170 e 193); livre iniciativa mas respeitados os valores sociais do trabalho (arts. 1º, IV, e 170); propriedade que cumpra a função social (arts. 5º, XXIII e 170, III); favorecimento a empresas de pequeno porte (art. 170, IX); dever do Estado na educação (art. 205, com igualdade e gratuidade nas entidades estatais) e saúde (art. 196, com acesso universal igualitário); e salário mínimo capaz de atender as suas necessidades vitais básicas e às de sua família como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social.

O desenvolvimento está no preâmbulo da Constituição, no sentido de desenvolvimento nacional sustentável. E quando falamos em sustentável, não apenas sob o ponto de vista ambiental, mas também social, econômico, ético, jurídico e político. Devemos, enfim, pensar nas futuras gerações.

República não necessariamente apenas como antônimo de monarquia, mas com a busca do bem comum, do interesse público, contra o patrimonialismo e como “norte” uma Administração Pública organizada e profissional.

Democrática tanto no sentido de democracia representativa quando da democracia participativa e deliberativa. Não basta que votemos de dois em dois anos, mas é essencial que o povo possa participar das decisões de interesse público, participando do debate e deliberando. Essa participação popular em uma espécie de democracia direta é essencial para aprimorarmos a democracia.

Quando falamos em “Estado de Direito”, é no sentido de que o Estado deve ter os poderes que se controlam e são controlados pelos cidadãos, com respeito aos direitos fundamentais. Em um Estado de Direito há os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, que se controlam de forma independente e harmônica, e são controlados pelo povo.

Os golpistas de hoje defendem o retorno do neoliberalismo para que não se fale mais em Estado de Bem-Estar Social no Brasil, mas como um agravante com relação à década de 1990. Junto com o neoliberalismo está vindo um pensamento fascista, anti-democrático, autoritário, contrário aos direitos fundamentais, aos diretos humanos, às minorias, e ao Estado laico.

E por que é golpe?

Primeiro porque não há qualquer comprovação ou processo de corrupção contra a presidenta Dilma.

Segundo: crise econômica não é fundamento para Impeachment.

Terceiro: não temos a figura do Recall na Constituição brasileira. Não há previsão de que o povo pode votar para tirar um presidente da República eleito no meio do mandato.

Quarto: no Brasil vige o Presidencialismo, e não o Parlamentarismo. É no Parlamentarismo que o Primeiro-Ministro, que é o chefe de governo, escolhido de forma indireta pelo Parlamento, pode perder seu cargo a qualquer momento, por falta de confiança, também de forma indireta. Nos Estados Unidos da América o atual presidente governou em grande parte de seu governo com minoria na Câmara e no Senado, com crise econômica, sem conseguir aprovar a maioria dos seus projetos, e nem por isso ele sofreu Impeachment. Por que? Porque a Democracia estadunidense é mais consolidada e longa do que a brasileira.

E, por fim, há crime de responsabilidade da Presidenta?

Após perícia realizadas por técnicos do Senado, constatou-se que a presidenta não é responsável por “pedalas fiscais” (repasses não realizados ou realizados com atraso pelo Tesouro Nacional ao Banco do Brasil, relativos à equalização de taxas de juros do Plano Safra de 2015, o que seria uma contratação ilegal de operação de crédito com instituição financeira controlada pela União).

Assim, segundo a perícia, sobram dos seis decretos inicialmente citados pelos golpistas (R$ 96 bilhões), apenas três decretos de 2015 assinados por Dilma (R$ 2,5 bilhões baseados em receita nova, sendo que o governo diz não alteraram o limite global de gastos, autorizaram, apenas, o remanejamento das despesas) supostamente em desacordo com a LDO e sem autorização do Congresso Nacional para abertura de créditos suplementares (o que feriria o art. 167, V, da Constituição, e arts. 15 e 16, II, § 1º, II, da LRF).

Mas a LOA/2015, em seu art. 4º, autoriza a abertura de créditos suplementares, condicionando ao cumprimento da meta do superavit primário (economia que o governo deve fazer para pagar juros da dívida). O orçamento é anual, e segundo o princípio na anualidade, só podemos verificar o cumprimento ou o descumprimento da meta fiscal no final do exercício, por mais que a LRF preveja relatórios bimestrais, cuja consequência jurídica é o contingenciamento. Antes do final do ano de 2015, como já havia ocorrido em outros anos, o próprio Congresso nacional, por meio de lei, reduziu a meta primária, permitindo o déficit. Ou seja, ocorreu uma convalidação, totalmente permitida no ordenamento jurídico brasileiro, ainda mais quando há um suposto vício de competência, quando a autoridade competente pode concordar e convalidar o ato supostamente irregular.

Note-se, ainda, que a perícia ainda isenta Dilma de crime de responsabilidade ao deixar claro que a presidenta não foi alertada pela Secretaria de Orçamento Federal do Ministério do Planejamento a respeito “de incompatibilidade com a meta fiscal” ao emitir os decretos.

Diante de todo o exposto, verifica-se que é golpe o mercado financeiro unir-se com a oligarquia brasileira, a mídia oligopolista e setores dos Poderes Executivo, Judiciário e Legislativo, com Michel Temer, Eduardo Cunha e corruptos que querem barrar investigações sobre corrupção e o fim dos privilégios, para a retirada do Poder de uma presidenta honesta e eleita com R$ 54 milhões de votos.

Mortes e ressurreições da Democracia brasileira

Como personagem de ficção do chamado realismo fantástico, a democracia brasileira morreu e voltou à cena duas vezes em nossa história, mas Latuff cometeu um equívoco nessa charge.

Como personagem de ficção do chamado realismo fantástico, a democracia brasileira morreu e voltou à cena duas vezes em nossa história, mas Latuff cometeu um equívoco nessa charge.

Por Raul Longo

Depois de assassinada em 1º de Abril de 1964, a democracia não ascendeu ao Planalto Central em 1985 por soberana decisão do povo. O povo brasileiro bem lutou por isso, mas foi traído inclusive pelo então chamado “Senhor Diretas”, o Ulisses Guimarães, quando ao invés dos compromissos que assumiram com o povo nos comícios do Movimento das Diretas Já, os políticos do MDB aceitaram as imposições dos algozes da democracia para concorrer com a ARENA por votos indiretos dos parlamentares do período ditatorial.

Até se pode argumentar que se não fosse aceita a imposição, a democracia não renasceria 8 anos depois. Argumentar pode, embora não convença. Com toda a mobilização do “Diretas Já” e o total desgaste, inclusive internacional, da ditadura, perdeu-se ali grande oportunidade de promover a consciência dos brasileiros sobre a própria soberania, como ocorre entre todos os povos livres que muitas vezes podem errar elegendo maus políticos, mas sabem exigir respeito às suas escolhas.

Mas lá, instituições, partidos políticos, magistrados, policiais, funcionários de qualquer órgão público, seja o que for referente ao Estado; são do povo. No Brasil e em todos os países da América Latina o que é público não existe em razão do público que o mantém, mas das elites que através desses órgãos se protegem e protegem a impunidade de seus crimes.

E isso todo mundo sempre soube e sempre quis que se investigasse e se condenasse os que corrompem o que é público. O problema é que a justiça pública julga o público roubado, não as elites que o roubam.

Aqui, quando surge quem queira investigar os roubos, as concessões públicas concedidas à mídia se empenham para convencer o público de que quem investiga o roubo é o ladrão. E o ladrão é o herói! Ou alguém acredita que a mídia que diz que sabe de tudo, até do que jamais aconteceu; já não soubesse das falcatruas do Eduardo Cunha antes do MP da Suíça?

Até quem não é da mídia sabia de Cunha, como é que a mídia não ia saber desde quando o vendia como um de seus heróis?

E assim, sejam armados ou por artifícios político/jurídicos, os golpes promovidos pela mídia matam a democracia à bala ou por colapso como em roteiro de novela, naquela fórmula que o Roberto Marinho detalhou à BBC a respeito de sua própria cria, o Collor de Melo: “Nós o pusemos, nós o tiramos!”. Fácil, fácil!

Desse jeito a democracia brasileira morreu e foi enterrada conforme bem interpretou o Latuff nessa charge, mas se equivocou quanto às efemérides e é preciso conhecer com exatidão o memorial da falecida para o caso de algum dia ela aparecer na esquina de um futuro qualquer, não ficarmos na dúvida se é ou não uma certa senhora com a qual já esbarramos em outros momentos da história da nação. Afinal não se trata de uma democracia qualquer, mas de uma que morreu e renasceu para morrer novamente como uma fênix a se desfazer em cinzas pelo desapreço à soberania do povo. Observemos seu voo:

O difícil parto da democracia brasileira se deu muitas décadas depois de um golpe das elites latifundiárias contra a Monarquia que emprenhou o Brasil de República maquiada de democracia. O golpe de1889 foi fruto da abolição da escravatura por D. Pedro II no ano anterior, 1888. Desgostosas por a terem alijado da força de trabalho gratuita, instituíram a República para reparar o que consideraram prejuízo instaurando o servilismo feudal.

O sistema de relações sociais retrocedeu em duas eras e para mascarar esse retorno à Idade Média se manteve as eleições periódicas já instituídas desde Império, quando éramos regido por uma Monarquia parlamentarista. No entanto a farsa democrática novamente nos subjugou ao poder feudal dos coronéis, tal qual estivéramos subjugados pelos capitães donatários logo após o descobrimento do país. E nessa condição a chamada democracia limitava-se à escolha de votar em quem o coronel mandava ou a perder a vida. Em caso em mais ameno, expulsão da terra, o que equivalia ao mesmo, pois numa economia agrária a terra era o único meio de sobrevivência.

Essa realidade só foi transformada em 1930 quando através de uma revolução Getúlio Vargas tomou o poder. Dois anos depois as elites feudalistas reagiram com outro ato revolucionário, mas Getúlio resistiu e em 1937 instituiu uma ditadura: o Estado Novo.

Paradoxalmente foi nessa ditadura que se começou a democratizar os direitos públicos e as elites passaram a ser obrigadas a respeitar determinações de leis trabalhistas e a pagar impostos para manutenção de sistemas de educação e saúde pública. Não obstante, o regime político foi ditatorial.

Somente em1945 conseguiram depor o ditador, substituindo-o pelo candidato que ele mesmo indicou. Quem indicou foi o ditador, mas o primeiro presidente realmente eleito por voto livre e democrático no Brasil foi o general Gaspar Dutra.

Nascia então a democracia brasileira, com a concorrência pelo voto popular por 4 partidos:

PSD – Partido Social Democrático – de centro e influências getulistas.

PTB – Partido Trabalhista Brasileiro – de base eleitoral no operariado urbano, fundamentando-se no projeto de realização de Assembleia Constituinte com manutenção de Getúlio Vargas na Presidência da República.

UDN – União Democrática Nacional – de orientação conservadora, em defesa dos interesses das elites econômicas, frontalmente opositora à política e à pessoa de Vargas.

PCB – Partido Comunista Brasileiro – fundado em 1922, proscrito no Estado Novo e então legalizado.

Os candidatos da UDN e do PCB foram derrotados pelo da coligação PSD e PTB. Não obstante, depois de assumir o general Eurico Gaspar Dutra trai a Getúlio Vargas, a coligação partidária e seus eleitores, aliando-se a UDN.

Em 1946 é promulgada nova Constituição onde se prevê o controle estatal da produção de petróleo. No ano seguinte, 1947, a UDN obtêm de Dutra a aprovação ao Estatuto do Petróleo, projeto de lei que altera a determinação constitucional permitindo a exploração do petróleo nacional pelo capital estrangeiro.

Militares nacionalistas e legalistas se contrapõem lançando a Campanha do Petróleo da qual surge o primeiro grande movimento popular nacional: O Petróleo é Nosso!

Na eleição de 1950 a UDN coliga-se com 3 novos partidos criados durante o governo Dutra, apresentando candidatos à presidência e vice-presidência, cargo criado pela Constituição de 1946 para escolha democrática, independente da eleição à presidente.

O PCB fora novamente cassado pelo governo Dutra em 1947 e um novo partido, o PSB – Partido Socialista Brasileiro, apresenta seus candidatos.

A coligação PSD/PTB, com demais novos partidos, é novamente vitoriosa na eleição dos dois cargos: presidente e vice-presidente. Getúlio Vargas retorna, dessa vez eleito democraticamente.

Getúlio cria a Petrobras e a reação da UDN é feroz. Sem tréguas os porta-vozes dos interesses do capital estrangeiro: jornal O Estado de São Paulo, jornal e rádio Globo e o jornalista Carlos Lacerda se esforçam para denegrir sua imagem perante o Brasil, acusando-o de corrupto.

O então grande empresário de comunicação era Assis Chateaubriand, dono de uma rede de emissoras de rádio e jornais diários em cada capital de estado, da revista de maior circulação nacional, O Cruzeiro, e da primeira emissora brasileira de TV, a TV Tupi fundada em 1950. Chateaubriand se declara disposto a defender Getúlio com a condição de que desistisse da Petrobras, evidenciando que nem mesmo o rei da mídia do Brasil teria condições de enfrentar as forças movidas pelos interesses do capital estrangeiro que financiavam os políticos da oposição.

Contando com o apoio de militares entreguistas o golpe foi precipitado por tresloucado atentado contra Lacerda que supostamente haveria ferido o pé do jornalista, mas efetivamente matou a um oficial das Forças Armadas. Ao ser informado do atentado, Getúlio lamentou: “Acertaram um tiro no pé do Lacerda e me deram um tiro nas costas”. De fato, o atentado provocou um documento militar, “A Carta dos Generais”, exigindo a renúncia de Getúlio.

Ciente de que seu afastamento da presidência resultaria na internacionalização da Petrobras, Getúlio encontra num ato trágico uma última tentativa de proteger o maior patrimônio da história do país, E suicida-se em 1954.

A reação popular é violenta. No Rio de Janeiro o povo empastela a rádio e o jornal O Globo, obrigando Lacerda a fugir do país. Assume o vice-presidente democraticamente eleito pelo PSB: Café Filho.

Café Filho fora eleito por apoiar a candidatura de Getúlio à presidência, mas como Dutra rompe com a linha nacionalista do getulismo e apresenta candidatos próprios para eleição de 1955, sendo derrotado pela coligação PSD/PTB que apresentara Juscelino Kubistchek e João Goulart. Completando a traição, apoia nova manobra golpista afastando-se da presidência para que assuma o presidente da Câmera Federal, Carlos Luz.

Do PSD, mas nitidamente abduzido pela UDN, Luz é deposto 3 dias depois por militares legalistas que percebem a manobra e impedem que se rasgue a Constituição desonrando a soberania democrática. Assume Nereu Ramos, também do PSD e da presidência da Câmara, que finaliza o mandato e o transfere a JK, eleito pela maioria dos brasileiros.

Dentre as Forças Armadas, a Aeronáutica era a mais ligada à UDN e logo após a pose de JK um major e um capitão decolam do Campo dos Afonsos no Rio de Janeiro para pousar em Jacareacanga no sul do Pará. Dominam algumas cidades da região e mais uma vez ameaçam a democracia.

Novamente os militares legalistas desmantelam o levante golpista prendendo um dos líderes. Os demais fogem para a Bolívia, mas Juscelino magnanimamente anistia a todos os envolvidos.

Se como ditador Getúlio deu início à democratização social e implantou a indústria de base com a criação da siderurgia nacional e a nacionalização da exploração mineral, criando a Companhia Vale do Rio Doce com a estatização de tudo o que na Velha República os coronelistas haviam entregado ao empresário e especulador internacional estadunidense, Percival Farquhar; JK deu prosseguimento aos empreendimentos que possibilitaram a industrialização do Brasil, promoveu a indústria naval, construiu grandes hidroelétricas, implantou a indústria automobilística e transferiu a capital do Rio de Janeiro para o interior do país, expandindo as fronteiras administrativas e produtivas para o oeste.

Brasília se torna modelo internacional de modernidade e urbanismo e o país alcança um crescimento de mais de 7% ao ano, ainda que os altos investimentos do governo de JK tenha dado início à dívida externa, através de empréstimos ao FMI.

O desenvolvimento alcançado pelo país em breve cobriria a dívida contraída e não foi por essa razão que em 1960, pela primeira vez, o eleitor brasileiro escolheu por vias democráticas a um candidato apoiado pela UDN. Jânio Quadros atraiu diversos apoios partidários apesar de seu estilo essencialmente personalista e sem qualquer identificação com as linhas dos partidos que o apoiavam.

Exibicionista, dramático e demagógico, Jânio obteve uma ascensão meteórica conquistando o eleitorado paulista através de discursos pelo combate à corrupção. Seu símbolo era o de uma vassoura com a qual dizia que varreria a sujeira do país.

Um jornalista perguntara a Getúlio Vargas, o político que por mais tempo presidiu o país, qual teria sido a tarefa mais difícil que enfrentara no governo. A resposta foi imediata: “- O combate à corrupção.”

Tampouco Jânio combateu corrupção alguma e na verdade pouco governou. Sete meses depois de eleito renunciou justificando-se pressionado por “forças terríveis”.

Realmente Jânio Quadros conquistara no Congresso ferrenha oposição daqueles que o apoiaram, inclusive da própria UDN que embora aplaudisse medidas moralistas como  proibição do uso do biquíni nas praias, do maiô nos concursos de miss e do lança-perfume em bailes de carnaval; não aceitava a política externa independente às determinações dos Estados Unidos. E de forma alguma pôde admitir a outorga da maior condecoração nacional, a Grão Cruz da Ordem do Cruzeiro do Sul, a Ernesto Che Guevara.

Se cogitou que a verdadeira razão da renúncia fora um mal fadado intento golpista e, de fato, muitos anos depois um sobrinho de Jânio revela publicamente que o tio lhe confidenciara haver acreditado que o povo o reconduziria ao governo como ditador.

Jânio se iludira com a reação do povo ao suicídio de Getúlio e imaginou que simulando um suicídio político os brasileiros o ajudariam a eliminar seus opositores do Congresso, assim como expulsaram Lacerda do país em 1954. Mas o povo brasileiro não amou Getúlio por ser ditador e, sim, por ter sido o primeiro a dar início a democratização social.

O personalismo megalômano de Jânio Quadros o impediu de perceber o apreço do eleitor brasileiro pela democracia evidenciado pela eleição de seu vice. Ainda que iludido pelo discurso vazio de combate à corrupção, preventivamente o eleitor novamente confiou a vice-presidência a Jango Goulart do PTB.

Mais uma vez o golpismo inerente aos políticos da UDN se opôs à Constituição e, sempre escondidos atrás das fardas entreguistas, tentaram impedir a pose do vice-presidente eleito democraticamente.

Em 1955 Jango já fora eleito ao mesmo cargo com mais votos do que os obtidos por JK à presidência, confirmando o PTB como maior representação popular da política brasileira e, naquele ano de 1961, o povo atendeu à mobilização de Leonel Brizola através da Campanha da Legalidade, garantindo a pose de Jango, também com respaldo de militares legalistas.

No entanto os poderes de manipulação política do setores econômicos e dos interesses do capital estrangeiro pressionam e o Congresso condicionou a pose de Jango à mudança do sistema de governo do presidencialismo para o parlamentarismo e se empossou Jango como presidente e Tancredo Neves, do PSD e ex-ministro do governo Vargas, como Primeiro Ministro. No ano seguinte, 1962, Neves renuncia para concorrer ao governo do estado de Minas Gerais e sucedem-se dois outros no cargo de Primeiro Ministro até que em1963, através de plebiscito democrático, mais uma vez o povo brasileiro reverenda Jango Goulart com plenos poderes para representá-lo, rejeitando o parlamentarismo.

A opção pelo presidente que elegera duas vezes se fez ainda mais inequívoca pelas dificuldades econômicas decorrentes da forte oposição parlamentar ao Plano Trienal, elaborado por Celso Furtado e Santiago Dantas. Impedindo a aprovação do plano econômico através da política do “quanto pior, melhor” a UDN obriga o Brasil a mais uma vez recorrer ao FMI, provocando aumento da inflação. Através de seus aliados de setores de produção e distribuição desabastecem o mercado de produtos básicos, mas o povo resiste aceitando substitutivos como a carne de baleia e enfrentando longas filas para aquisição de alimentos essenciais: açúcar, pão, farinha, café, etc.

Novamente capitaneados por Carlos Lacerda que retornara ao Brasil e concedia entrevistas à imprensa estrangeira denegrindo a Petrobras, o governo e o exército brasileiro; os golpistas aumentam a tensão sobre a população e os militares solicitam ao presidente a implantação de estado de sítio. Jango expõe a proposta dos militares ao Congresso que a rejeita e a Jango apenas resta a apresentação de seu plano de reformas de base em comícios para multidões que se concentravam em amplos espaços públicos em otimista apoio ao futuro social do país:

Reforma Agrária – desapropriação de grandes áreas improdutivas ou utilizadas para produções inapropriadas.

Reforma Educacional – valorização do magistério, investimento no ensino público, combate ao analfabetismo através do método de Paulo Freire.

Reforma Fiscal – limitação de remessas ao exterior, sobretudo pelas multinacionais.

Reforma Urbana – implantação de projetos do IAB – Instituto de Arquitetos do Brasil, para solucionar problemas de concentração populacional nas cidades e oferecimento de habitação condigna à população desabrigada.

Reforma Bancária – ampliação de crédito a médios e pequenos produtores.

A inequívoca manifestação democrática nas urnas que por duas vezes elegeram Jango à vice-presidência, a completa indiferença popular à renúncia de Jânio Quadros, as manifestações de rua em defesa da pose, a fragorosa vitória democrática do presidencialismo e o amplo apoio popular às reformas de base não foram suficientes para conter a insurgência golpista que reuniu em passeatas chamadas de Marcha de Deus com a Família as senhoras da alta classe média paulista. Empresários e banqueiros de São Paulo e Minas Gerais investem numa organização de manifestações católicas medievalistas, mas de cunho evidentemente fascista, a TFP – Tradição, Família e Propriedade.

Por fim, conforme revelado pela abertura de arquivos do Pentágono neste século, o embaixador dos Estados Unidos, Lincoln Gordon, com malas de dólares compra os generais de pouca projeção dentro das instituições militares. Os arquivos do órgão de defesa daquele país também revelaram que Gordon obteve do então presidente dos Estados Unidos o envio da frota da marinha de guerra, a mais poderosa do mundo, para as costas brasileiras.

Assim, em 1º de abril de 1964, se assassinou a democracia brasileira com apenas 19 anos de idade. Apenas 19 anos desde quando pela primeira vez em nossa história o povo brasileiro elegeu livremente ao general Eurico Gaspar Dutra. Um erro, conforme se confirmou ao longo de seu mandato, mas um erro democrático.

Embora efêmera, essa história se torna extensa pelos tantos sobressaltos golpistas de que foi vítima. Tão extensa que para se contar de sua ressurreição, da sua segunda existência, igualmente ameaçada pelas mesmas forças que outrora se concentraram na UDN, posteriormente chamada de ARENA, em seguida PFL, e, além de PSDB e DEM, disseminadas por siglas que outrora requereram a redemocratização como o antigo MDB e atualmente golpista PMDB, além de outras tradicionais abreviaturas partidárias que se identificavam pela defesa da democracia, mas hoje compõem a ampla coligação contrária à manifestação eleitoral da soberania popular, como o PTB e o PSB do saudoso Miguel Arraes.

Infelizmente, à triste realidade do povo brasileiro a cada vez que lhe foi imposto um presidente ilegítimo e sem respaldo democrático, não se faz possível imprimir o tom humorístico de Jorge Amado, mas se poderia parodiar o título de uma de suas obras prometendo a segunda parte desta história da Morte e a Morte da Democracia Brasileira.

Amanhã em Curitiba: Juristas lançam livro e fazem ato contra o golpe

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Amanhã (14), às 18h30, na APP-Sindicato, será lançado o livro “A Resistência ao Golpe de 2016” em Curitiba.

“Em menos de um mês articularmos a participação de diversos intelectuais e atores sociais que, claramente, defendem a tese do golpe e expõem as razões destas convicções nessa obra com mais de 100 artigos” explica um dos coordenadores do livro, o advogado Wilson Ramos Filho, o Xixo. Ele é um dos responsáveis pelo livro ao lado dos também juristas e professores universitários Giselle Cittadino, Marcio Tenebaum e Carol Proner.

O livro, com cerca de 450 páginas, reúne textos juristas, intelectuais, jornalistas e ativistas dos movimentos sociais contribuíram para a produção da obra. Ele entre eles, além dos organizadores do livro, assinam artigos Luís Nassif, Miguel do Rosário, Wadih Damous, Tarso Genro, Guilherme Boulos, João Pedro Stédile, Giovanni Alves, Tarso Cabral Violin, Nasser Allan, Ricardo Lodi Ribeiro, além de intelectuais de outros países como Boaventura Sousa Santos, François Houtart, Antonio Baylos, Baltasar Garzon, entre outros.

Na capital paranaense, o lançamento do livro será sucedido de um evento dos “Advogados pela Democracia”, que realizará seu terceiro ato em Curitiba. Participará do evento o ex-presidente do Conselho Federal da OAB, Cezar Britto, que realizará uma conferência sobre o atual cenário político e jurídico no Brasil; Hugo Cavalcanti, presidente da associação latino americana de juízes; e Claudia Barbosa, professor de Direito Constitucional da PUC-PR e uma das autoras do livro. O evento será presidido por Manoel Caetano Ferreira Filho, de Direito Processual Civil da UFPR.

Durante o evento o livro será vendido no local por R$ 30. Posteriormente, diretamente na editora Praxis e nas livrarias o valor será de R$ 60. Para visualizar o evento no Facebook, confirmar presença e convidar amigos e amigas clique aqui.

Serviço: Lançamento do livro “A Resistência ao Golpe de 2016”.
Data: 14 de junho
Horário: 18h30
Local: APP-Sindicato, Av. Iguaçu, 880, Rebouças.

Entrevista com Dilma na TV Brasil

A TV Brasil, em parceria com a Rede Minas, apresentou nesta quinta-feira (9), entrevista gravada com a presidenta afastada, Dilma Rousseff, feita pelo jornalista Luis Nassif.