Dia histórico no Paraná

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Não vou aqui noticiar o que ocorreu hoje no Paraná. A velha e nova mídia já fizeram isso por todo o Paraná e até no âmbito nacional.

O que eu tenho a dizer é que fiquei emocionado.

Emocionado pelas imagens, pelos depoimentos, pelos vídeos.

Emocionado por verificar que a força do povo, sem golpismos, supera desmandos dos Poderes constituídos.

Triste por não ter conseguido barrar na Justiça o que ocorreu hoje.

Feliz pela constatação de que a pressão popular barrou um projeto anti-povo.

Feliz ao ver algumas autoridades dentro de um camburão.

Triste ao ver um governador chamando professores de baderneiros.

Triste ao ver policiais agredindo o povo.

Feliz ao ver a mobilização dos professores, estudantes, servidores, militantes, sindicalistas, juristas e instituições democráticas em defesa do Interesse Público e dos direitos fundamentais.

Depois do carnaval a luta continua.

Boas festas para todxs!

Desembargador nega barrar tratoraço de Beto Richa

Veja a decisão:

MANDADO DE SEGURANÇA Nº 1.341.485-6
Impetrantes: Antônio Tadeu Veneri e outros
Impetrado: Presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná.

Vistos.

1. Trata-se de mandado de segurança impetrado pelos Deputados Estaduais Antonio Tadeu Veneri, Nelson Lauro Luersen, José Rodrigues Lemos, Péricles de Holleben Mello, Antonio Annibelli Neto, Nereu Alves de Moura, Maurício Thadeu de Mello e Silva, Ademir Antonio Bier, Adelino Ribeiro, Chico Brasileiro, Evandro Araújo, Gilberto Ribeiro, Marcio Pacheco, Marcio Pauliki, Ney Leprevost, Paranhos, Edson Praczyk, Rasca Rodrigues e Tercílio Turini contra ato do Presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná que, após aprovação da maioria dos parlamentares, transformou a Sessão Plenária em Comissão Geral.

Nas razões, defendem que a realização da Comissão Geral fere o direito de oposição, prerrogativa conferida ao parlamentar de discutir adequadamente os projetos de lei, o devido processo legislativo e o princípio da simetria. Salientam que inexiste, seja na Constituição Federal ou na Constituição Estadual, previsão para transformação da Sessão Plenária em Comissão Geral, de modo o Regimento Interno da Assembleia, ao inovar o processo legislativo, está eivado de flagrante vício de inconstitucionalidade.

Alegam que as normas regimentais podem versar apenas sobre questões interna corporis, limite este que foi ultrapassado no caso do art. 107 do Regimento Interno da Assembleia do Estado do Paraná. Ressaltam que em momento algum o referido art. 107 menciona como será o trâmite da Comissão Geral, nem que poderão ser violados ou suspensos os demais dispositivos do Regimento Interno em relação ao processo legislativo.

Consignam que, pela regra da simetria e nos termos da Constituição Federal e Estadual, compete ao Chefe do Poder Executivo, por meio de pedido de urgência, a iniciativa de supressão de prazo e abreviação do processo legislativo, adotando-se, neste caso, o procedimento sumário e não a instalação de uma Comissão Geral, a qual poderia ter caráter apenas opinativo e não deliberativo.

Sustentam, por fim, que a Comissão Geral seria meio ímprobo de costear o devido processo legislativo pela supressão de fases necessárias à compreensão, debate e deliberação responsável por parte dos parlamentares e fiscalização da sociedade paranaense, principalmente, considerando as repercussões dos projetos de lei em questão para o povo paranaense e, em especial, para os servidores públicos e contas do Estado.

Pleiteiam, assim, pela concessão de liminar para que seja determinada a imediata suspensão da tramitação dos projetos de lei em regime de Comissão Geral e, ao final, pela concessão definitiva da segurança, com o arquivamento definitivo dos projetos de lei em questão.

2. Os impetrantes pretendem, na forma do art. 7º, inc. III, da Lei nº 12.016/09, que seja concedida liminar no sentido de obstar a tramitação dos projetos de lei em regime de Comissão Geral.

Nesse momento inicial, todavia, não se verifica a relevância dos fundamentos, na medida em que, por ora, inexistem elementos hábeis a evidenciar qualquer ilegalidade ou abuso de poder na decisão de transformação das sessões plenárias do dia 12/02/2015 (quinta-feira) em Comissão Geral de Plenário para discussão e votação dos Projetos de Lei nº 60/15, Projeto de Lei nº 92/15, Projeto de Lei Complementar nº 06/15 e do Projeto de Decreto Legislativo nº 01/15.

Pelo que se denota do processo legislativo, juntado às fls. 21/25, a proposta de instalação da Comissão Geral e sua posterior constituição parece, nesse momento inicial, ter observado as disposições do art. 107 do Regimento Interno da Assembleia Legislativa do Paraná , inclusive, em relação ao quórum necessário à sua aprovação, sendo 34 votos a favor e 19 contra. Tendo sido observadas as disposições regimentais, não se vislumbra, por ora, violação ao devido processo legislativo, ao direito de oposição ou qualquer outro poder-dever inerente ao mandado legislativo a ser amparado pela via mandamental.

Cumpre por bem salientar que, a despeito de o rito legislativo não ser enunciado pari passu, dentre as atribuições da Comissão, de acordo com o artigo 107, inc. I, do Regimento Interno, está o “debate de matéria relevante”, cabendo à Presidência assegurar espaço para os debates no período de reuniões, não sendo necessário, no entanto, que tais discussões tenham de durar dias, transcorrer ad nauseam, mesmo porque inexiste garantia alguma que um debate mais extenso forme ou mude opiniões.

Em verdade, os parlamentares buscam, por meio da via mandamental, que o Poder Judiciário efetue um controle prévio ou preventivo durante o processo legislativo. Este controle judicial abrange, todavia, apenas a garantia de um procedimento em total conformidade com as normas constitucionais, ou seja, em linhas gerais, o respeito ao devido processo legislativo.

Não se mostra possível, em sede de mandado de segurança, estender o controle sobre aspectos discricionários, concernentes às decisões de natureza política, bem como, acerca da interpretação e aplicação das normas regimentais. Nos termos da jurisprudência do STF, deve-se evitar a universalização deste tipo de controle e o enfrentamento precoce de questões políticas, cujo ambiente mais adequado para discussão é a Casa Legislativa. Mesmo porque, não se sabe de antemão se os referidos projetos de lei serão aprovados, alterados ou arquivados. Posteriormente, caso sejam efetivamente aprovados, as normas poderão ser submetida ao controle posterior ou repressivo.

Se não bastasse, os impetrantes parlamentares não chegam a apontar ilegalidade ou abuso de poder no processo legislativo em si, mas sim no Regimento Interno da Assembleia, defendendo que o seu art. 107, ao prever a transformação de Sessão Plenária em Comissão Geral, teria violado o princípio da simetria, sendo, segundo eles, inconstitucional. Não obstante, importante observar que não é cabível mandado de segurança para invalidação de normas em tese.

Diante do exposto, não se verificando, nesse momento inicial, a presença dos requisitos legais necessários, INDEFIRO a liminar.

3. Notifique-se a autoridade apontada como coatora, a fim de que, no prazo de dez dias, apresentem as informações que entender necessárias.

4. Cientifique-se a Procuradoria-Geral do Estado para que, em querendo, se manifestar no feito, na forma do art. 7º, inc. II, da Lei nº 12.016/09.

5. Após, vistas à douta Procuradoria Geral de Justiça.

Dil. Int.

Curitiba, 12 de fevereiro de 2015.

DES. LUIS ESPÍNDOLA
Relator

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Advogados e Deputados entram com Mandado de Segurança contra Comissão Geral

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Deputados estaduais Nelson Luersen, Requião Filho, Anibelli Neto, Péricles de Mello, Professor Lemos, Tadeu Veneri, Nereu Moura e o advogado Tarso Cabral Violin

Atualizado no dia 12.02.2015, às 00h15

Nesta quarta (11) um grupo de advogados e professores de Direito Constitucional e Administrativo impetraram um mandado de segurança no Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) contra o regime de Comissão Geral para votação do “pacote de maldades” do governo Richa.

Eles representam 14 deputados estaduais que argumentam que a votação dos projetos em Comissão Geral é ilegal, tendo em vista que o debate é uma prerrogativa parlamentar garantida na Constituição. “A realização da Comissão Geral fere o direito de oposição garantido na Constituição. A supressão do debate viola o direito à Democracia e ao devido processo legislativo”, diz o mandado. Veja a peça do Mandado de Segurança aqui.

A iniciativa da ação foi da professora de Direito Constitucional e Eleitoral da UFPR, Eneida Desiree Salgado, e a peça foi elaborada pelo advogado e professor Tarso Cabral Violin, autor do Blog do Tarso, pelo professor de Direito Constitucional da UniBrasil, Paulo Ricardo Schier, pela professora de Direito Constitucional da UFPR Estefânia Maria de Queiroz Barboza, pelo advogado Rogério Bueno e pela professora Eneida já citada. Os advogados tiveram o apoio da Dr.ª Elisa Stein, e dos advogados da oposição e de Tadeu Veneri.

Assinaram o documento os seguintes deputados estaduais:

Ademir Bier (PMDB)

Antonio Anibelli Neto (PMDB)

Chico Brasileiro (PSD)

Gilberto Ribeiro (PSB)

Márcio Pacheco (PPL)

Márcio Pauliki (PDT)

Nelson Luersen (PDT)

Nereu Moura (PMDB)

Ney Leprevost (PSD)

Péricles de Mello (PT)

Professor Lemos (PT)

Rasca Rodrigues (PV)

Requião Filho (PMDB)

Tadeu Veneri (PT)

O processo pode ser acompanhado no site do Tribunal de Justiça, clique aqui (Processo 1341485-6, Protocolo 2015.00034478). O relator é o Desembargador Luis Espíndola, que provavelmente decidirá que vai conceder a liminar na manhã do dia 12. Os advogados Tarso Cabral Violin e Elisa Stein já se reuniram com o Desembargador relator. Além disso os deputados Antonio Anibelli Neto, Nelson Luersen, Nereu Moura, Professor Lemos, Requião Filho e Tadeu Veneri, e os advogados Tarso Cabral Violin e Marcelo Veneri já conversaram com o presidente do Tribunal de Justiça, Paulo Vasconcelos, sobre a ação.

A quinta-feira promete!

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O advogado Tarso Cabral Violin, os deputados Requião Filho, Anibelli Neto, Nelson Luersen, Professor Lemos, Nereu Moura, Tadeu Veneri e a advogada Elisa Stein protocolam o Mandado de Segurança no Tribunal de Justiça do Paraná

Trabalhadores e estudantes ocupam a Casa do Povo do Paraná contra Beto Richa

Foto de Thiago Moreira

Foto de Thiago Moreira

Atualizado às 19h35

Professores, servidores públicos, trabalhadores, estudantes e militantes ocuparam a Assembleia Legislativa do Paraná após a maioria dos deputados estaduais aprovarem a Comissão Geral para aprovação do pacotaço contra o povo do governador Beto Richa (PSDB). Foram 34 deputados estaduais entreguistas que votaram sim e 19 não.

Vejo o vídeo no Blogoosfero/ParanáBlogs, clique aqui.

Parabéns ao povo paranaense!

Nota oficial assinada pelos senadores e deputados federais contra a utilização dos fundos do ParanaPrevidência para cobrir o rombo nas contas públicas do Paraná

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Nota oficial assinada pelos senadores Gleisi Hoffmann (PT) e Roberto Requião (PMDB), e pelos deputados federais Ênio Verri (PT), João Arruda (PMDB),  Zeca Dirceu (PT), Christiane Yared  (PTN), Toninho Wandscheer (PT) e Aliel Machado (PCdoB), contra a utilização dos fundos do ParanaPrevidência para cobrir o rombo nas contas públicas do Paraná.

Nota Oficial Conjunta:
O propalado  recuo do governador Beto Richa em relação a alguns pontos de seupacotaço, como o fim de quinquênios e anuênios; corte de auxílio-transporte; e suspensão do PDE, se realidade, deve-se, inegavelmente, à mobilização dos professores e de outras parcelas do funcionalismo.

Mas, ao tempo que cumprimentamos os professores por esta possível conquista, é vital, como o ar que respiramos, que a mobilização continue, porque  está em curso um assalto muito mais devastador contra o funcionalismo público paranaense.

A utilização dos oito bilhões de reais dos fundos da Paranaprevidência, para o pagamento de salários e outras despesas, como propõe o governador, é um golpe certeiro contra a aposentadoria dos professores e demais servidores públicos estaduais. Esses recursos, acumulados nas últimas três décadas,  são um patrimônio inviolável  do funcionalismo público paranaense. Aliená-lo, permitindo que o governador use-o para o pagamento de dívidas e da folha, trará como consequência previsível, o aniquilamento da Paranaprevidência.

A incompetência e a irresponsabilidade do atual governo estadual escancaram-se à vista de todos. Por todos os cantos, faz-se água. Não há remendo que estanque a sangria. Só para fornecedores e pequenos empreiteiros são mais de dois bilhões de reais de  calote.

Daí a fúria arrecadadora. No entanto, o aumento do IPVA e do ICMS, o arrocho dos salários e os cortes de benefícios não serão suficientes para  cobrir o rombo. O dinheiro que poderia, por algum tempo, representar efetivo alívio financeiro para o governador, é o dinheiro da Paranaprevidência, aqueles oito bilhões de reais de propriedade do funcionalismo público estadual, que vão garantir o pagamento da aposentadoria dos servidores e o bem-estar de suas famílias. O governador não tem direito de se apossar desse dinheiro. Os deputados não podem cometer o crime de votar uma barbaridade como essa. A aprovação dessa excrescência será, sem nenhuma dúvida, a maior violência praticada contra o funcionalismo público paranaense.

Esse é o verdadeiro foco do pacotaço de Beto Richa. O resto é simples fumaça, para distrair os funcionários públicos do que interessa.

Professores, servidores públicos, paranaenses, vamos continuar a mobilização para impedir que o governador meta a mão grande nos fundos da previdência estadual.  Ele já dilapidou o Paraná e agora quer também suprimir o direito à aposentadoria.

Brasília, 10 de fevereiro de 2015

Senadora Gleisi Hoffmann (PT) 
Senador Roberto Requião (PMDB)
Deputado Federal Aliel Machado (PCdoB)
Deputada Federal Christiane Yared  (PTN)
Deputado Federal Ênio Verri (PT)
Deputado Federal João Arruda (PMDB)
Deputado Federal Toninho Wandscheer (PT) 
Deputado Federal Zeca Dirceu (PT)

Corrupção e o PT – Mirian Gonçalves

Os advogados Tarso Cabral Violin, autor do Blog do Tarso e Mirian Gonçalves, vice-prefeita de Curitiba, membros do Partido dos Trabalhadores do Paraná

Por Mirian Gonçalves

Completamos 35 anos de história e, há algum tempo, o tema corrupção tem sido associado aos membros do partido. Não tenho me manifestado a respeito, mas acho que este é o momento.

Quero estabelecer, primeiramente, algumas premissas: a corrupção é uma doença endêmica que atinge os diversos níveis culturais e sociais e não tem fronteiras geográficas; lamentavelmente, não é uma prática recente; a corrupção passiva é exclusiva de quem detém o poder, seja qual for, caso contrário nada poderia oferecer; o histórico de corrupção não justifica a continuidade dos crimes; e houve, inegavelmente, corrupção na Petrobras, e membros do Partido dos Trabalhadores podem ser responsabilizados.

Entretanto, eu vejo mais o desejo voraz de se acabar com o PT do que com a corrupção.

As últimas notícias divulgando valores astronômicos destinados ao PT não trazem qualquer senão, qualquer questionamento sobre a veracidade, qualquer benefício da dúvida. Os princípios mais básicos do direito processual estão sendo ignorados! Não existe prova de fato negativo! Quem acusa tem o ônus da prova! O que está acontecendo é o desrespeito à moderna processualística penal.

Os corruptores, acuados pelas descobertas das fraudes, tentam, de todas as formas, encontrar uma salvaguarda capaz de livrá-los ou diminuir a pena. Não sou contra a delação premiada, mas o que faz supor que todas as informações desses marginais sejam verdadeiras? Não seria no mínimo razoável a análise de provas antes da condenação?

Pois o PT tem sido condenado e, com ele, todos nós que o integramos. Tenho visto deputados, do alto das suas indiscutíveis condutas e alegada moral, fazendo discursos inflamados contra corrupção quando eles são réus pelo mesmo crime.

Para aqueles que se atêm mais às manchetes, podem passar desapercebidas as declarações dos mesmos corruptores de que a prática é anterior aos governos do PT, citando literalmente o governo de Fernando Henrique Cardoso. Na Gazeta do Povo de 6 de fevereiro, está o relato do depoimento do ex-gerente da Petrobras: “Barusco contou que recebia propina por contratos com a Petrobras desde pelo menos 1998, da empresa holandesa SBM, durante o governo Fernando Henrique Cardoso”.

Quanto às doações de campanha, sou pela reforma política que, entre outros, proíbe a doação por empresas, permitida pela atual legislação. Isso para dizer que algumas das empreiteiras envolvidas nos escândalos contribuíram com a arrecadação de candidatos. Cito como exemplo aquelas feitas ao PSDB e ao candidato Aécio Neves, conforme registradas no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), como poderia fazer com outros partidos, sem presumir que tenham sido produto de crime.

Repito: o histórico de corrupção não justifica a continuidade dos crimes, mas posso afirmar que o PT não é sinônimo de corrupção e corrupção não é sinônimo de PT.

Mirian Gonçalves – advogada, vice-prefeita de Curitiba, é uma das fundadoras do PT no Paraná

OAB Paraná divulga nota pública contra o chamado “pacotaço” do governo estadual

Os advogados Tarso Cabral Violin, membro da Comissão de Estudos Constitucionais e da Comissão de Gestão Pública e Controle da Administração, e o presidente da OAB-PR, Juliano Breda

A OAB-PR acabou de divulgar nota pública contra o chamado “pacotaço” do governo do estado do Paraná, Beto Richa (PSDB). A Comissão de Estudos Constitucionais, da qual o autor do Blog do Tarso, Tarso Cabral Violin, faz parte, ajudou no embasamento da Diretoria da OAB/PR. Veja a nota:

NOTA PÚBLICA

A ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL – SEÇÃO PARANÁ vem publicamente manifestar-se de forma absolutamente contrária ao regime de tramitação sumaríssimo, incompatível com a magnitude dos temas, e ao mérito do projeto de Lei 60/2015, do Governo do Estado, que provoca radicais alterações orçamentárias com profundos impactos sobre direitos adquiridos, em razão dos seguintes fundamentos.

O projeto é permeado pela diversidade das matérias, muitas delas totalmente desconexas. Vai desde uma simples campanha para incentivar a população a pedir nota fiscal até a polêmica medida de desvirtuar todos os fundos públicos existentes, acabando com a destinação específica dos valores que os compõem, e que justificaram suas criações, para permitir que sejam empregados no pagamento de qualquer item orçamentário, projetando, sobretudo, um inaceitável retrocesso no sistema previdenciário paranaense.

O PARANÁ PREVIDÊNCIA foi criado para desonerar o Estado do encargo de pagamento de proventos e de pensões. Um dos poucos, senão o único projeto de real planejamento de longo prazo que já existiu no Estado. A fusão dos fundos previdenciário e financeiro praticamente retira o sentido da existência da entidade, e, no futuro, corremos o risco de voltar a situação anterior a 1998, quando sabia-se do esgotamento do modelo de contribuição e partiu-se para o modelo de capitalização.

Inadmissível a redução do valor das RPVs de 40 salários mínimos para R$ 12.000,00, ou seja, dívidas que devem ser pagas em 60 dias após a expedição da requisição de pequeno valor. Isso significa que condenações impostas contra o Estado que ultrapassarem o novo limite terão que ser submetidas ao regime dos precatórios, também seriamente comprometido pelo seguido inadimplemento do governo com sua obrigação constitucional.

O desequilíbrio das finanças do Estado não pode ser equacionado com uma oneração excessiva à população e aos funcionários públicos, especialmente logo após a aprovação do aumento de impostos e a concessão de inúmeros subsídios e auxílios a categorias mais privilegiadas do setor público.

Nesse cenário, espera-se que os Deputados Estaduais, fiéis à representação popular e ao dever de independência como pressuposto do exercício legítimo do Poder Legislativo, atentos a relevância da matéria e à contrariedade ao interesse público que as alterações causarão, rejeitem o projeto de lei em exame.

Curitiba, 10 de fevereiro de 2015
Diretoria da OAB/PR

As contradições do líder governista Romanelli

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O deputado estadual Luiz Claudio Romanelli (PMDB) é a contradição em pessoa.

Foi líder do governo na gestão de Roberto Requião (PMDB), um governo social, e agora é líder do governo Beto Richa (PSDB), que prega o neoliberalismo.

Durante o governo Requião, um governador inimigo dos pedágios privados, o advogado passava sem pagar (e ensinava na internet como fazer – veja o vídeo aqui) as cancelas de pedágio; e agora defende um governo que é amigo dos pedágios.

O londrinense de formou recentemente em Direito pela UniBrasil e contou com aulas dos maiores constitucionalistas do Brasil.

Mas agora seu chefe, Carlos Alberto Richa, mandou e ele obedeceu: está defendendo que projetos que vão precarizar ainda mais a Administração Pública paranaense e retirar direitos dos servidores sejam votados em Comissão Geral na Assembleia Legislativa do Paraná.

Comissão Geral é um artifício que só existe na AL do Paraná que permite a redução do interstício entre as discussões dos projetos, com a realização de sessões ordinária e extraordinárias no mesmo momento. É previsto no Regimento Interno da Casa (art. 107), para agilizar a tramitação dos projetos, mas é totalmente inconstitucional segundo vários juristas, pois retira a discussão democrática que deve existir no Parlamento.

Hoje Romanelli justificou para a imprensa (eu estava lá como autor do Blog do Tarso) que é contra a Comissão Geral, mas a defende agora por causa da situação emergencial que vive o Estado. Situação emergencial? Como assim? Richa já está quatro anos no Poder. Se o Estado está quebrado a culpa principal é de Richa e de seu governo. Não é possível que um governante haja com desídia para depois querer justificar uma atuação excepcional por emergência. É uma burla do ordenamento jurírico e esse governante deve ser responsabilizado.

Um ex-aluno meu, atual deputado estadual do Paraná, assinou documento pela Comissão Geral. Uma vergonha para mim.

Os grandes constitucionalistas que foram professores de Romanelli também devem estar tristes com a atuação de seu ex-aluno.

PT continua sendo o partido preferido entre os brasileiros

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Mesmo com toda a campanha contrária feita pela velha mídia, contra a política e, principalmente, contra o Partido dos Trabalhadores, a maioria dos brasileiros que têm preferência partidária, 12%, preferem o PT. Depois vem o PSDB com apenas 5% e o PMDB com 4%. Todos os demais somam 4%.

Infelizmente a mídia golpista fez com que 71% dos brasileiros não tenham partidos políticos de preferência.

Lembrando que os partidos políticos são essenciais para a democracia. Sobre o tema ver meu O regime jurídico dos Partidos Políticos no Brasil.

Dados do Datafolha, que é um jornal a serviço do PSDB de São Paulo, levantados em pesquisa realizada entre os dias 3 e 5 de fevereiro, com base em 4.000 entrevistas feitas em 188 municípios, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Garibaldis e Sacis finaliza pré-carnaval de Curitiba sábado no Sítio Cercado e domingo na Marechal

Foto de Julio Garrido

Foto de Julio Garrido

O bloco de pré-carnaval Garibaldis e Sacis espalha animação por toda a Curitiba. Semana passada o bloco transformou a Rua Saldanha Marinho em uma praia de Curitiba, fazendo a alegria dos foliões. Neste fim de semana o fechamento do pré-carnaval tem folia nos dois dias. No sábado, no bairro Sitio Cercado, com a participação da Escola de Samba Imperatriz da Liberdade e como tema super-heróis e babys. No domingo, na Avenida Marechal Deodoro, com o tema invertidos (homem se veste de mulher e mulher se veste de homem), com a participação especial da Orquestra Contemporânea de Olinda.

Sítio Cercado com Escola de Samba Imperatriz da Liberdade

Já virou tradição, pelo terceiro ano o bloco Garibaldis e Sacis se apresenta no bairro Sitio Cercado. Será no próximo sábado, dia 07 de fevereiro, a partir das 15h00, na Avenida São José dos Pinhais, com a presença da Escola de Samba Imperatriz da Liberdade. A alegria toma conta do bairro, muitas crianças, adultos e famílias aproveitam o bloco e brincam o carnaval. O tema da festa no Sítio é super heróis e baby. Segundo Ariosvaldo Cruz e Olga Romero, veteranos do bloco que participaram juntos da primeira edição do G&S no Sítio; “Agora sim o Garibaldis e Sacis cumpriu sua função de espalhar a alegria por ai”.

Invertidos na Marechal com Orquestra Contemporânea de Olinda

Este ano o Garibaldis e Sacis repete a dobradinha com a Orquestra Contemporânea de Olinda na Marechal, mas dessa vez no fechamento do pré carnaval. A folia promete ser intensa com o tradicional bloco de fechamento do Garibaldis e Sacis, os invertidos. O bloco convida os homens a se fantasiarem de mulher e as mulheres a se fantasiarem de homem. “O invertidos sempre foi o dia mais esperado pelos foliões do Garibaldis, liberar as fantasias e brincar é o que faz do carnaval uma festa única.” Concluíram os integrantes do Garibaldis e Sacis.

Orquestra Contemporânea de Olinda

A Orquestra Contemporânea de Olinda surgiu em 2008 do encontro entre músicos de frevo do tradicional Grêmio Musical Henrique Dias e expressivos nomes da nova geração musical pernambucana. Em seis anos de existência, desenvolveu uma significativa trajetória.

Mais infos no site: (www.orquestraolinda.com.br)

Serviço

Pré Carnaval com Garibaldis e Sacis

Participação Escola de Samba Imperatriz da Liberdade

07 fevereiro – Sítio Cercado 15h00

Participação Orquestra Contemporânea de Olinda

08 fevereiro – Marechal Deodoro 15h00

Assine aqui e ajude a encaminhar projeto de lei de iniciativa popular pela democratização da mídia

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Sabe aquelas correntes da internet com abaixo-assinados para fazer pressão junto às autoridades, que são importantes, mas não tem validade jurídica nenhuma?

Seus problemas acabaram. Apresento-lhes uma campanha com validade jurídica, que se arrecadar o número de assinaturas suficiente, um projeto de lei de iniciativa popular será encaminhado oficialmente para o Congresso Nacional.

A campanha Para Expressar a Liberdade lançou ontem (5), formulário online de apoio ao Projeto de Lei de Iniciativa Popular da Comunicação Social Eletrônica (clique aqui e veja o projeto), conhecido como Lei da Mídia Democrática.

A ferramenta está disponível no site www.paraexpressaraliberdade.org.br e faz parte do conjunto de estratégias para ampliar a visibilidade da proposta e promover a discussão sobre a necessidade de democratizar a comunicação social no Brasil.

Lançado no primeiro semestre de 2013, por dezenas de entidades da sociedade civil e do movimento social, a proposta precisa da adesão de 1% do eleitorado nacional para ser protocolizado na Câmara dos Deputados e poder seguir o trâmite normal até virar lei.
O projeto regulamenta os arts. 5º, 21, 220, 221, 222 e 223 da Constituição Federal. Entre os principais dispositivos estão a criação do Conselho Nacional de Comunicação e do Fundo Nacional de Comunicação Pública, veto à propriedade de emissoras de rádio e TV por políticos, proibição do aluguel de espaços da grade de programação e a definição de regras para impedir a formação de monopólio e a propriedade cruzada dos meios de comunicação, entre outros pontos.

Desde seu lançamento, a proposta vem recebendo apoio por meio de formulário físico (cerca de cem mil pessoas já assinaram). A plataforma de assinatura online segue o modelo estipulado pelo Regimento Interno da Câmara dos Deputados (mesmos campos) e ficará disponível indefinidamente.

Rosane Bertotti, coordenadora-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), afirma que a iniciativa é uma forma de ampliar a visibilidade da proposta e o diálogo com a sociedade.  “Nosso projeto articula propostas para regulamentar a Constituição e, acima de tudo, quer dialogar com a sociedade. Acho que a experiência de participação social na construção do Marco Civil da Internet nos mostra que a rede é um instrumento eficiente para articular a sociedade em torno das causas democráticas, por isso, nossa expectativa é de que o apoio à Lei da Mídia Democrática ganhe mais amplitude”, afirma.

Ao contrário de países democráticos como Estados Unidos, França, Reino Unido, Alemanha, Canadá, Espanha e Argentina, que promovem regulação do sistema de mídia, o Brasil ainda hoje é caracterizado por uma brutal concentração dos meios de comunicação, tanto na radiodifusão quanto nos veículos impressos. A internet tem cumprido importante papel no sentido de multiplicar as vozes em circulação na esfera midiática, mas neste espaço também atuam os grandes conglomerados de mídia, reforçando a concentração econômica do setor.

Ao mesmo tempo, carecemos de mecanismos transparentes e democráticos para a concessão de outorgas de radiodifusão e não há no país uma política que garanta a complementaridade entre os sistemas público, privado e estatal de comunicação, como previsto na Constituição Federal. A ausência de um campo público de comunicação robusto aumenta o poder de mercado do setor privado/comercial, enquanto canais comunitários seguem à margem do sistema midiático.

Dispositivos de fomento à produção nacional, regional e independente estão restritos hoje ao Serviço de Acesso Condicionado (TV por assinatura), a partir da Lei 12.485/2011. Na TV aberta, prevalece a concentração da produção no eixo Rio/São Paulo, a maior parte dos canais já tem mais produção estrangeira que nacional, crescem os casos de sublocação das grades de programação e de transferência de concessões de forma irregular e sem qualquer debate público. A ausência de mecanismos para o direito de resposta nos meios de comunicação também cria um ambiente de violação dos direitos humanos e de restrição à liberdade de expressão de indivíduos e grupos sociais.

A campanha Para Expressar a Liberdade – Uma nova lei para um novo tempo, é uma iniciativa do FNDC e nasceu da mobilização de dezenas de entidades do movimento social brasileiro em 2012. Atualmente, reúne mais de 260 entidades. “O envolvimento de todas as entidades que constroem a campanha será fundamental para que essa estratégia atinja seu principal objetivo”, ressalta Rosane.

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Veja debate: é ilegal que as TVs loquem seus horários

As emissoras locam para Igrejas e empresas comerciais os espaços concedidos pelo governo. O Ver TV da TV Brasil discute a legalidade e ética dessa prática. O programa recebe o procurador da república Jefferson Dias, integrante do grupo de trabalho sobre comunicação social da Procuradoria-Geral dos Direitos do Cidadão, do Ministério Público Federal; a coordenadora do coletivo de comunicação Intervozes, Bia Barbosa; o professor de comunicação da Universidade de Brasília, Murilo Ramos.

Este Ver TV traz entrevistas com o professor de comunicação Marcos Dantas, da UFRJ, que aborda os interesses que envolvem a regulação do setor; o advogado, jurista e escritor Fábio Konder Comparato, que discorre sobre o modelo de concessões de rádio e televisão e da falta de regulamentação do setor; o procurador regional da república Domingos Dresch, que comenta o arrendamento do espectro para interesses comerciais e religiosos e a falta de fiscalização do setor; a professora da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Edna Miola, analisa a necessidade de revisão das concessões públicas para garantir a pluralidade nos meios de comunicação.

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Beto Richa vai privatizar a cobrança dos créditos tributários e não tributários do Paraná

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O deputado estadual mais atuante e combativo da Assembleia Legislativa do Paraná, Tadeu Veneri (PT), está estudando e pretende questionar um projeto de lei encaminhado ao Parlamento pelo governador do Paraná, Carlos Alberto Richa, vulgo Beto Richa (PSDB).

Richa é considerado o pior governador do Paraná de todos os tempos, mas conseguiu se reeleger para mais quatro anos com o apoio da mídia local (Globo, SBT, Band e Gazeta do Povo), com muito dinheiro público gasto em propaganda do seu desgoverno nos últimos quatro anos e com muito dinheiro do grande capital, que o apoia em defesa do desmonte do Estado e precarização da Administração Pública.

Imitando o ex-governador de São Paulo, o também tucano José Serra, Richa encaminhou ontem para a Assembleia, para tramitação e votação em regime de urgência, a mensagem 002/20015 (veja aqui) que entre outras disposições, pretende ceder direitos creditórios para entidades privadas. Uma cópia da Lei 13.723/2009 do Estado de São Paulo.

Richa quer a autorização do Poder Legislativo para criar uma sociedade de propósito específico ou um fundo de investimento, para a emissão de valores mobiliários originários de créditos tributários e não tributários objeto de parcelamentos administrativos ou judiciais. O intuito é a captação de recursos financeiros mediante a oferta de créditos estaduais, para poder fechar as contas de um estado que o governo Beto Richa faliu nos últimos quatro anos.

O art. 53 do projeto de lei dispõe: “Fica o Poder Executivo autorizado a ceder, a título oneroso, à sociedade de propósito específico (…) ou a fundo de investimento em direitos creditórios, constituído de acordo com as normas da Comissão de Valores Mobiliários, os direitos creditórios originários de créditos tributários e não tributários, exclusivamente aqueles objeto de parcelamentos administrativos ou judiciais, relativos aos impostos, às taxas de qualquer espécie e origem, às multas administrativas de natureza não tributária, às multas contratuais, aos ressarcimentos e às restituições e indenizações”.

Note-se que “a cessão compreende apenas o direito autônomo ao recebimento do crédito e somente poderá recair sobre o produto de créditos tributários cujos fatos geradores já tenham ocorrido e de créditos não tributários vencidos, efetivamente constituídos e inscritos na Dívida Ativa do Estado ou reconhecidos pelo contribuinte ou devedor mediante a formalização de parcelamento”.

Note-se que “na hipótese de cessão a fundo de investimento em direitos creditórios, este deverá ser instituído e administrado por instituição financeira credenciada pela Secretaria de Estado da Fazenda”.

O incompetente governo estadual pretende criar um novo instrumento de captação de recursos para financiar suas despesas junto ao mercado de capitais.

Ou será constituído um fundo emitindo títulos baseados nestes direitos, que conformarão o patrimônio deste fundo, ou o governo irá captar recursos junto a investidores mediante a distribuição de cotas. Note-se que os investidores receberão uma taxa de remuneração das cotas.

Serão milhões de reais que o governador poderá “torrar” agora.

O problema é que os direitos creditórios/recebíveis acabarão sendo cedidos/vendidos ao mercado com deságio, com um valor menor que o previsto, de acordo com o perfil e histórico do devedor, o que é uma regra do mercado que afronta o princípio da igualdade tributária, lesa o patrimônio público e destrói o seu sistema de arrecadação.

O Estado recebe pelo valor integral o imposto do contribuinte que paga em dia, mas receberá com deságio o imposto pago em atraso (parcelado).

A instituição administradora destes recebíveis terá que contratar uma empresa avaliadora dos riscos inerentes a estes direitos, afetando o sigilo fiscal dos contribuintes devedores.

O Tesouro Estadual corre o risco, ainda, de ter que desembolsar recursos para o re-equilíbrio econômico financeiro da operação, uma vez que o Estado poderá ser acionado judicialmente pelos cotistas do Fundo caso haja atraso no pagamento do parcelamento dos tributos por parte do contribuinte, aumentando os riscos da operação e afetando a remuneração dos investidores.

Será permitido que os devedores do Estado invistam em títulos lastreados na sua própria dívida, o que cria forte risco moral permitindo ao contribuinte ganhar nas duas pontas atrasando o pagamento de tributos e investindo em fundos lastreados nestas dívidas.

É uma antecipação de receita, e tais recursos deveriam ser enquadrados nas normas da Lei de Responsabilidade Fiscal pertinentes às operações de crédito por antecipação de receitas.

O crédito tributário é inalienável, indisponível e deve cobrado mediante atividade administrativa plenamente vinculada, pelos órgãos específicos voltados para essa atividade, nas esferas administrativa e judicial.

A alienação do direito autônomo e supostamente de livre circulação no mercado, derivado do crédito tributário parcelado a longo prazo, dentro de generosos programas de incentivo, fere o princípio da igualdade, pois discrimina o contribuinte pontual, para favorecer o contribuinte inadimplente, meramente em razão de necessidade de caixa.

O princípio da capacidade contributiva também é violentado, outro aspecto do princípio da isonomia tributária, previsto no artigo 150, III da Constituição Federal.

Na medida que a receita proveniente dos parcelamentos é cedida à sociedade de propósito específico, desrespeita-se a proibição de vinculação de que se ocupa o artigo 167, IV, da Constituição Federal; o procedimento criado dependeria da edição de emenda constitucional.

O Estado procura criar as condições para realizar operação de crédito, livre das peias do artigo 32 da Lei de Responsabilidade Fiscal (LC n. 101/2000), que submete tais operações ao crivo do Ministério da Fazenda, justamente para que ele aquilate o respeito aos limites de endividamento. Mas, a operação de crédito entre uma instituição financeira estatal e o ente da federação que a controle, na qualidade de beneficiário do empréstimo, também é proibida (art. 36 da LRF).

No § 1º de seu art. 3º, a Resolução nº 43 do Senado equipara a operação de crédito, para proibi-la no art. 5º, I, o recebimento antecipado de valores de empresa em que o Poder Público detenha, direta ou indiretamente, a maioria do capital social com direito a voto, salvo lucros e dividendos, na forma da legislação.

A securitização de dívidas ativas não dispõe do necessário respaldo constitucional e, portanto, sujeita-se a questionamento judicial.

Por fim, Beto Richa vai pressionar a Assembleia Legislativa para que a lei seja aprovada em comissão geral (prevista no regimento interno da AL), o que para o advogado e professor constitucionalista, Paulo Schier, é inconstitucional por não assegurar o debate democrático no Parlamento: “A democracia prevê o debate público, a participação da mídia, da oposição e de diversos atores sociais. Quando a discussão de um projeto de lei se faz rapidamente, não existe tempo para que esses atores formem uma opinião, o que acaba subvertendo a ideia de democracia”. Schier destaca que as comissões parlamentares, permanentes ou temporárias, realizam um trabalho importante no estudo das matérias: “No caso das comissões gerais, o assunto não é devidamente debatido e pensado tecnicamente para, por exemplo, elaborar argumentos para que a matéria seja refutada”.

Caberá Ação direta de inconstitucionalidade (Adin) ou Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental – ADPF perante o STF a ser proposta por, exemplo pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), pelo PT, PMDB ou outro partido político com representação no Congresso Nacional ou por confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional.

Contra os atos administrativos decorrentes da Lei também caberá Ação Popular, com fundamento no art. 5º, LXXIII, da CF a ser interposta por cidadão brasileiro nos termos da Lei nº 4.717/65; ou mesmo uma Ação Civil Pública e ação por improbidade administrativa.

Debate sobre regulação econômica da mídia na TV Brasil da EBC

Para discutir a regulação econômica da mídia prometida pela presidenta Dilma Rousseff (PT) e que deve ser implementada pelo Ministro das Comunicações Ricardo Berzoini (PT), Luis Nassif recebeu no programa de debates Brasilianas.org o especialista em crítica e conceito de ética jornalística e colunista da Revista Época, Eugênio Bucci; o superintendente da Diretoria Geral da TV Brasil, que foi representante da Presidência durante o processo de instalação da TV digital no Brasil, André Barbosa, a advogada e membro do conselho diretor do Intervozes, Veridiana Alimonti e o Procurador Federal dos Direitos do Cidadão, Aurélio Rios.

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Entrevista com Altamiro Borges sobre a Democratização da Mídia

Ives Gandra está errado! Não cabe o Impeachment de Dilma por culpa!

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Em artigo publicado hoje na Folha de S. Paulo, o advogado tributarista Ives Gandra da Silva Martins (Opus Dei, Instituto Millenium, Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, Escola Superior de Guerra, defensor da “revolução de 64” e da ditadura militar) aduz que cabe o Impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT) por ato de improbidade administrativa, por culpa da presidenta.

Data venia Dr. Ives!

Em seu parecer o jurista cita a lei de improbidade administrativa. Mas a lei de improbidade administrativa não se aplica ao presidente da República, segundo a doutrina e o próprio STJ!

Em sua fundamentação o tributarista da Opus Dei diz que o crime de responsabilidade é cabível por culpa da presidência, quando é aplicável apenas por dolo (violação intencional) da Chefe do Executivo. Por culpa apenas nos casos previstos expressamente na lei, o que não é o caso.

Mais uma mácula no currículo do advogado…

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Amanhã reunião de organização do #3ParanáBlogs em Curitiba

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Amanhã, 19h, na APP-Sindicato, mais uma reunião de organização do 3º Encontro de Blogueir@s e Ativistas Digitais do Paraná #3ParanáBlogs, que ocorrerá em 12 e 13 de junho de 2015, em Curitiba, com o tema Democracia e Comunicação. Mais de 20 blogueir@s e ativistas digitais estão participando da organização. Participe você também!

Star Wars = Brasil?

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Nas saga Star Wars um parlamentar corrupto (Palpatine/Darth Sidious/Imperador), utilizando-se do lado obscuro da força, se une com quem aparentava ser bonzinho (Anakin Skywalker/Darth Vader) engana um colega (Jar Jar Binks) e a Rainha Padmé Amidala, sem que o todo poderoso do bem (Yoda) e seu partido (Conselho Jedi) percebessem, e com o apoio dos clones (Clone Troopers/Stormtroopers) assume o poder da Galáctica e a transforma de uma República Democrática em um Império, com a defesa sendo feita pela Estrela da Morte. Os rebeldes, com o uso da força, com Luke Skywalker, o espírito de Obi-Wan Kenobi, Han Solo, princesa Leia, Chewbacca, R2-D2, C3PO e Ewoks vão lutar contra essa tirania.

Se o Eduardo Cunha ou o Renan Calheiros são o Palpatine, utilizando-se do lado obscuro da força (grande capital, neoliberalismo e reacionarismo) e dos clones (deputados do baixo-clero ou militares) e da Estrela da Morte (imprensa golpista), o Lula é o Yoda e o PT é o Conselho Jedi, a Dilma é a Padmé, seria algum deputado ou dirigente do PT o Jar Jar Binks? E espero que o vice-presidente Michel Temer não seja o Anakin Skywalker! A força é a Constituição de 1988. Nesse caso os rebeldes seriam os blogueiros progressistas e o Obi-Wan o Barão de Itararé.

Pergunta que não querem calar: na saga “Guerra nas Estrelas” não havia Poder Judiciário. No Brasil há um Poder Judiciário justo e independente?

Globo abre guerra contra a Democratização da Mídia na minissérie “Felizes para Sempre?”

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A Rede Globo de Televisão abriu guerra contra a Democratização da Mídia e contra a blogosfera progresista na minissérie “Felizes para Sempre?”, dirigida pelo cineasta Fernando Meirelles, que sempre teve coragem de dizer que vota nos candidatos do PSDB como José Serra, Fernando Henrique Cardoso, Geraldo Alckmin e Aécio Neves.

O competente ator Enrique Díaz faz o papel de empresário e empreiteiro corrupto Cláudio Drummond, que no episódio de hoje (30) diz para sua esposa Marília, interpretada pela paranaense Maria Fernanda Cândido, que a “imprensa golpista” tenta destruir pessoas.

A Globo é a principal representante do chamado P.I.G – Partido da Imprensa Golpista e faz parte da chamada velha mídia pela blogosfera progressista.

Com isso a Globo tenta dar a entender que quem critica a péssima imprensa brasileira são os corruptos.

Isso é desespero contra a Democratização da Mídia que o segundo governo da presidenta Dilma Rousseff (PT) vai implementar a partir de 2015 com o Ministério das Comunicações comandado pelo Ministro Ricardo Berzoini. Sobre a a democratização da mídia no Brasil clique aqui.

Para levantar sua audiência em queda a Globo até mostrou cenas quentes com a bela atriz Paolla Oliveira, que interpreta a prostituta de luxo Danny Bond/Denise/Simone, quase totalmente nua.

A Globo, uma das maiores redes de comunicação do mundo, que cresceu durante a ditadura militar brasileira e pratica oligopólio inconstitucional com outras redes brasileiras, será o principal alvo da democratização e regulação econômica dos meios de comunicação.

Tarso Cabral Violin – advogado, professor de Direito Administrativo, autor do Blog do Tarso, está elaborando tese de doutorado sobre a Democratização da Mídia na Universidade Federal do Paraná – UFPR

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Tarso Lover

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O meu amigo, grande jornalista e escritor, Palmério Dória escreveu um texto imperdível sobre Tarso de Castro, jornalista e editor do O Pasquim, que serviu de inspiração para meu nome. Fui autorizado por Palmério a publicar o texto:

TARSO LOVER
Palmério Dória*

Meados da década de 1980. Por volta das 11 da noite, Tarso de Castro abre a porta de blindex do Florentino carioca e passa como um bólido pela mesa em que estamos sentados, eu e Rubem Braga, com o uniforme de sempre: camisa social neutra, manga arregaçada, fora da calça, sapato mocassim. O genial cronista comenta, num tom representado de despeito:

— Esse é o único homem que eu invejo. Pegou todas as mulheres que eu queria pegar.
Rubem Braga, hein?, que namorou Tônia Carrero. Na volta do banheiro, senta conosco. João, o garçom instantâneo, serve-lhe “társica” dose de Grant’s. Tarso já pôs o pequeno João Vicente – uma homenagem a Jango –para dormir em sua casa no Jardim Botânico e está pronto para a noite. 

Outros começam a chegar: José Lewgoy, Fernando Sabino, acompanhado da mulher Lígia, que inspirou música de Tom Jobim, a amiga dela Lúcia Pedroso, eterna namorada de Juscelino Kubitschek, Jaime Lerner, Hélio Fernandes Filho, Fred Suter, Anna Maria Tornaghi, Agildo Ribeiro, Lúcio Mauro, Paulo Cesar Peréio, Hélio Fernandes Filho, Chico Caruso, Fernando Balbi, o artista plástico Angelo de Aquino… Uma constelação. E boa parte das 15 pequenas mesas do bar se transforma em um só.

Era uma noite comum no “boteco”. Há algum tempo o Antonio’s tinha virado mausoléo do bêbado desconhecido, e o Florentino, na última quadra da rua San Martin, tornou-se um dos principais redutos da boemia carioca e QG de Tarso, que fazia dos bares uma extensão das redações que comandava.

Mas foi no Antônio’s, bistrô também no Leblon, que Tarso conquistou uma das mulheres mais bonitas da década de 1970, a atriz e fotógrafa Candice Bergen, estrela de Ricas e Famosas – que até recentemente podia ser vista na TV na série americana Justiça Sem Limites. Foi assim:

Ele chega no Antonio’s, vê Candice Bergen com sua entourage, dá meia volta, pega um táxi, vai a uma floricultura, compra a corbeille mais linda com um dinheiro que não tem, volta para o Antonio’s, entra no bistrô, fica diante da musa e arranha em inglês: “Para a mulher mais bela do mundo”. Ela manda ele sentar e dali já saem namorados.
Dali pra frente, o folclore é imenso. Tome duas histórias:

Tarso vai encontrar Candice filmando na Bahia. Do hotel em que se hospedam, quando a namorada vai tomar banho, liga eufórico para o velho amigo João Ubaldo Ribeiro, em plena faina num jornal em Salvador:

— João Ubaldo, eu estou hospedado aqui num hotel com a Candice Bergen.

E João Ubaldo, incrédulo, devolve.

— E eu estou aqui com a Sophia Loren.

Na onda da anistia, Tarso foi encontrar o amigo Leonel Brizola em Nova York, onde o entrevistou para o Enfim, semanário que acabava de lançar. Brizola, claro, foi capa do tabloide. E havia um crédito miúdo da fotógrafa: Candice Bergen. É o tal charme da aventura.

No Florentino como no Antonio’s, qualquer que fosse o grupo, Tarso dava o tom do papo. Clown, o magnífico. Mesmo quando não estava presente, alguém se encarregava de alimentar o folclore romântico em torno da figura dele.

Certa noite chega com Zezé Motta. A atriz, deslumbrante, no auge do sucesso. Os dois enamorados iniciam Tetê-à-tête numa das tais mesinhas. À vontade, Tarso descalça o mocassim e começa a engavetar seus pés com as pernas de Zezé. De repente, não mais que de repente, como diria seu querido amigo Vinicius de Morais, solta um urro. Todos imaginam enfarte fulminante. Na operação, Tarso desloca o joelho e tem que sair carregado para o Hospital Miguel Couto, no Leblon. Ainda aos urros.

Na maioria das vezes, no entanto, Tarso chega desacompanhado. E à medida que a noite avança, fica com todos os sentidos em alerta para não permanecer assim, de olho nas avulsas, amigas ou futuras amigas. É muito comum alguma beldade lhe oferecer carona – ele não dirige mais; despachou recentemente um Dodge Dart caindo aos pedaços. Pode ser o começo de um novo romance.

A persistência de Tarso é lendária. Encerrava suas colunas na revista Afinal com um pedido: “Xuxa, dá pra mim!”. Foi confrontado certa vez por um estudante durante palestra em Belo Horizonte, que lhe cobrou compostura. Perguntou se não pegava mal “cara que participou tão intensamente da campanha das Diretas se prestar a esse papel”. Tarso coçou o queixo e devolveu com outra pergunta: “E se colar?”. A plateia aplaudiu em peso.

No fundo, no fundo, era variação de tática aplicada ainda em sua coluna na Última Hora para conquistar a socialite Sílvia Amélia Chagas Marcondes Ferraz, neta do sanitarista Carlos Chagas: “Estou a 200 metros de Silvia Amélia”. “Hoje, fiquei apenas 50 metros”. “Hoje, estou a 10 metros”. Houve uma disputa entre Tarso e Roberto, que teria inspirado a canção Detalhes. O rei da censura às biografias nega que Tarso seja o cara do trecho ”Se um outro cabeludo aparecer na sua rua”. O certo é que os dois tiveram cada qual seu romance com a Pantera de Ibrahim Sued. Silvia Amélia hoje é
baronesa Silvia Amélia de Waldner. Vive em Paris, casada com o herdeiro de uma das famílias mais tradicionais da França.

Tarso e Roberto Carlos se davam bem, mas uma situação no bar do Hippopotamus, na Praça Nossa Senhora da Paz, podia pôr essa relação em risco. Certa época, eu e Tarso íamos ao night club quase toda noite. O semanário O Nacional, sua derradeira aventura jornalística. Como Ricardo Amaral amava Tarso, tínhamos boca livre ali.

Myriam Rios, então casada com Roberto Carlos, diverte-se ali com amigas e o irmão. Roberto está em excursão na Venezuela. Myriam festeja a entrada de Tarso, que senta ao lado dela. Começa discreta troca de carinhos. Quando ficam mais intensas, o irmão sugere que partam. Ela faz que não ouve. Ele levanta-se, toma um braço da irmã, e fala no pé do ouvido dela: “Você não vai estrepar a gente!” (o irmão não disse exatamente estrepar). Myriam em pé, Tarso toma o outro braço, dando início a um cabo de guerra em que o irmão leva a melhor.

Tarso falava com ternura de todas as suas namoradas célebres (além das acima citadas, Leila Diniz e Regina Lecléry, que também namorou John Kennedy) e esposas (Barbara Oppenheimer e Gilda, mãe do João Vicente da Porta dos Fundos). E elas retribuíam com a mesma ternura.

Meses depois da morte de Tarso, topo com Betsy Monteiro de Carvalho saindo do banheiro do Florentino. Ali mesmo, em pé, emocionada, ela faz revelações. Conta que a casamento dela com Olavo Monteiro de Carvalho acabou no dia em que o empresário ouviu um papo dos dois na extensão. Acho que Betsy foi a última das deslumbrantes namoradas de Tarso.

*texto completo na IstoÉ Gente, junho, 2014