Pela legalidade – Wagner Moura

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Publicado hoje em um jornal golpista

Ser legalista não é o mesmo que ser governista, ser governista não é o mesmo que ser corrupto. É intelectualmente desonesto dizer que os governistas ou os simplesmente contrários ao impeachment são a favor da corrupção.

Embora me espante o ódio cego por um governo que tirou milhões de brasileiros da miséria e deu oportunidades nunca antes vistas para os pobres do país, não nego, em nome dessas conquistas, as evidências de que o PT montou um projeto de poder amparado por um esquema de corrupção. Isso precisa ser investigado de maneira democrática e imparcial.

Tenho feito inúmeras críticas públicas ao governo nos últimos 5 anos. O Brasil vive uma recessão que ameaça todas as conquistas recentes. A economia parou e não há mais dinheiro para bancar, entre outras coisas, as políticas sociais que mudaram a cara do país. Ninguém é mais responsável por esse cenário do que o próprio governo.

O esfacelamento das ideias progressistas, que tradicionalmente gravitam ao redor de um partido de esquerda, é também reflexo da decadência moral do PT, assim como a popularidade crescente de políticos fascistas como Jair Bolsonaro.

É possível que a esquerda pague por isso nas urnas das próximas eleições. Caso aconteça, irei lamentar, mas será democrático. O que está em andamento no Brasil hoje, no entanto, é uma tentativa revanchista de antecipar 2018 e derrubar na marra, via Judiciário politizado, um governo eleito por 54 milhões de votos. Um golpe clássico.

O país vive um Estado policialesco movido por ódio político. Sergio Moro é um juiz que age como promotor. As investigações evidenciam atropelos aos direitos consagrados da privacidade e da presunção de inocência. São prisões midiáticas, condenações prévias, linchamentos públicos, interceptações telefônicas questionáveis e vazamentos de informações seletivas para uma imprensa
controlada por cinco famílias que nunca toleraram a ascensão de Lula.

Você que, como eu, gostaria que a corrupção fosse investigada e políticos corruptos fossem para a cadeia não pode se render a esse vale-tudo típico dos Estados totalitários. Isso é combater um erro com outro.

Em nome da moralidade, barbaridades foram cometidas por governos de direita e de esquerda. A luta contra a corrupção foi também o mote usado pelos que apoiaram o golpe em 1964.

Arrepio-me sempre que escuto alguém dizer que precisamos “limpar” o Brasil. A ideia estúpida de que, “limpando” o país de um partido político, a corrupção acabará remete-me a outras faxinas horrendas que aconteceram ao longo da história do mundo. Em comum, o fato de todos os higienizadores se considerarem acima da lei por fazerem parte de uma “nobre cruzada pela moralidade”.

Você que, por ser contra a corrupção, quer um país governado por Michel Temer deve saber que o processo de impeachment foi aceito por conta das chamadas pedaladas fiscais, e não pelo escândalo da Petrobras. Um impeachment sem crime de responsabilidade provado contra a presidente é inconstitucional.

O nome de Dilma Rousseff não consta na lista, agora sigilosa, da Odebrecht, ao contrário dos de muitos que querem seu afastamento. Um pedido de impeachment aceito por um político como Eduardo Cunha, que o fez não por dever de consciência, mas por puro revide político, é teatro do absurdo.

O fato de o ministro do STF Gilmar Mendes promover em Lisboa um seminário com lideranças oposicionistas, como os senadores Aécio Neves e José Serra, é, no mínimo, estranho. A foto do juiz Moro com o tucano João Doria em evento empresarial é, no mínimo, inapropriada.

E se você também achar que há algo de tendencioso no reino das investigações, não significa que você necessariamente seja governista, muito menos apoiador de corruptos. Embora a TV não mostre, há muitos fazendo as mesmas perguntas que você.

WAGNER MOURA, 39, é ator. Protagonizou os filmes “Tropa de Elite” (2007) e “Tropa de Elite 2” (2010). Foi indicado ao prêmio Globo de Ouro neste ano pela série “Narcos” (Netflix)

Veja um vídeo de Wagner Moura:

Os arrependidos de 64

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O que Sobral Pinto, Carlos Heitor Cony, Dom Paulo Evaristo Arns, Antônio Callado, a grande maioria dos dirigentes da CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e da OAB – Ordem dos Advogados do Brasil, a quase totalidade dos jornais brasileiros e vários outros políticos e personalidades têm em comum?

Eles apoiaram o golpe militar-empresarial de 1ª de abril de 1964.

Cony e Callado arrependeram-se em alguns dias, outros passaram a condenar o golpe após o AI-5 em 1968, alguns após as torturas, desaparecimentos e assassinatos. A Rede Globo, que foi privilegiada e cresceu de forma exponencial durante a ditadura, pediu desculpas pelo apoio apenas recentemente.

Alguns, pasmem, até hoje dizem que foi uma “revolução” para livrar o Brasil do comunismo.

O fato é que não apenas fascistas apoiaram o fim da Democracia em 1964.

Muitos deles foram desculpados pela História, outros não.

Foram 21 anos sem Democracia, sem controle social, sem transparência, sem cidadania, sem Política, o que até hoje pagamos mesmo com a redemocratização na década dos anos 1980.

Que os golpistas de hoje mudem de ideia antes que o pior aconteça: mais uma ruptura na Democracia brasileira.

28 anos – Verissimo

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Por Luis Fernando Verissimo, publicado ontem na velha mídia

Lembrando aquele tempo, o que me parece mais incrível é que eu tinha 28 anos. Como foi que eu passei pelos meus 28 anos sem me dar conta, todos os dias, do privilégio? A gente deveria poder voltar ao passado só para nos encontrarmos mais moços, nos darmos uma boa sacudida e gritarmos “Cara, isto nunca mais vai te acontecer! Você nunca mais terá 28 anos!”. Descontado o susto que levaríamos ao ser atacados aos gritos por um velho desconhecido, o encontro nos alertaria para o valor daquela raridade – estar vivo e ter 28 anos!

É verdade que eu não tinha muitas razões para festejar a idade. Tinha uma razão para estar eufórico – minha mulher e eu ficamos noivos no dia em que assassinaram o Kennedy, e a caminho da loja para comprar as alianças éramos as únicas pessoas alegres na rua – mas, sem dinheiro e sem perspectiva de ganhá-lo, muitos motivos para estar preocupado com o futuro. E o País naquela agitação. O governo do Jango Goulart atacado por todos os lados, tentando sobreviver, e a oposição, a imprensa, radicais de direita e de esquerda competindo para encurtar sua sobrevida.

Casamos no dia 8 de março de 1964. Poucos dias depois houve a primeira Marcha da Família com Deus pela Liberdade. Milhares de pessoas foram às ruas protestar contra o governo, cujas “reformas de base” eram chamadas de comunizantes e uma ameaça à liberdade no Brasil. Alugamos um quarto e sala perto do Túnel Velho, em Copacabana. A janela do quarto dava para a rua Siqueira Campos, por onde ainda passavam bondes. Mas quem liga para o barulho de bondes (e para a agitação política) no começo de um casamento? E ainda por cima com 28 anos?

As marchas da família com Deus eram impressionantes. Você tinha a ideia de que o País inteiro se sublevava, com velas acesas contra o bolchevismo. E no dia 31 de março, os tanques puseram-se em marcha. Um hipotético esquema militar do Jango para resistir ao golpe provou ser mais hipotético do que se pensava. Jango foi deposto. E mesmo na chamada fase branda da ditadura que se instalava, sob o comando do marechal Castelo Branco, começaram as perseguições e as cassações. Minha tia Lucinda trabalhava no governo do Rio. Não tinha nenhuma atividade política, mas suas opiniões eram de esquerda, em contraste com o pensamento da maioria das suas colegas de repartição. Montamos um esquema, que esperávamos fosse mais confiável do que o do Jango, para ajudá-la a fugir, caso a coisa apertasse. Não foi preciso acionar o esquema – que foi minha única participação na resistência ao regime ditatorial, fora o ritual de ler as crônicas do Cony no Correio da Manhã todas as semanas.

Vivemos dois anos no apartamento sacudido pelos bondes da Siqueira Campos. Nossa primeira filha, a Fernanda, nasceu lá. Acostumada com o ruído dos bondes, é, até hoje, dos nossos filhos, o que tem o sono mais tranquilo. Minha condição econômica continuava a mesma: pouco dinheiro, menos perspectivas. O resultado foi que desistimos do Rio e fomos morar na casa do pai, em Porto Alegre. Prometi à minha mulher, carioca, que seria por pouco tempo, mas estamos em Porto Alegre há quase 50 anos. Estávamos lá quando veio o Ato Institucional n.º 5 e começou o período mais criminoso do regime militar.

Às vezes, penso naquela fase de nossas vidas, e da vida do País, quando morávamos no Rio. Me pergunto se aquelas pessoas que marcharam com Deus, e recolheram ouro, do qual nunca mais se ouviu falar, para ajudar o País, imaginavam que suas marchas cristãs e bem-intencionadas dariam no que deu. Li que nas recentes manifestações contra o governo Dilma surgiram faixas pedindo “intervenção militar já”. E me senti, de novo, com 28 anos.

13 de março de 1964

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Há 51 anos, em 13 de março de 1964, foi realizado o comício na Praça da República, em frente à Estação Central do Brasil no Rio de Janeiro, para 300 mil pessoas, pelo então presidente João Goulart.

No Comício da Central Jango decretou a nacionalização das refinarias privadas de petróleo, que ainda não estavam nas mãos da Petrobrás, e a desapropriação, para fins de reforma agrária, de propriedades às margens de ferrovias, rodovias e zonas de irrigação de açudes públicos. Também participou do Comício das Reformas o então governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola.

O evento causou arrepios nos meios conservadores. Com isso os golpistas organizaram a Marcha da Família com Deus pela Liberdade para a efetivação do golpe militar-empresarial de 31 de março/1º de abril. Pesquisas do Ibope realizadas pouco antes do golpe mostram que a maioria da população apoiava as reformas propostas por Jango.

Foram 21 anos de ditadura militar (1964-1985).

Que os atos de amanhã (13) por todo o Brasil, em defesa da democracia, da Petrobras, da reforma política e dos direitos dos trabalhadores sejam um sucesso!

Por incrível que pareça, 51 anos depois da desapropriação de refinarias privadas estrangeiras, sairemos às ruas amanhã para a defesa da Petrobras contra a privatização neoliberal, contra o seu desmonte, contra o capital especulativo estrangeiro e forças que querem tirar a Petrobras dos brasileiros e dar suas reservas para o mercado internacional.

Em Curitiba a concentração será a partir das 17h na Praça Santos Andrade, em frente ao símbolo da cidade de Curitiba, o Prédio Histórico da Universidade Federal do Paraná – UFPR.

Marcas da Memória: amanhã até 4ª cinema de qualidade e de graça em Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegra e Salvador

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Amanhã começa em Curitiba e em várias outras capitais brasileiras (São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegra e Salvador) a Mostra de Cinema “Marcas da Memória: 50 anos do golpe”. Será de 24 a 26 de novembro de 2014, sempre sempre às 18h, no Espaço Itaú de cada cidade. Em Curitiba é no Shopping Crystal.

O evento é GRATUITO.

Estudantes protestam contra professor de Direito da USP que apoiou golpe de 1964

O professor Eduardo Botelho Gualazzi da Faculdade de Direito do Largo São Francisco (FDUSP), no dia 31 de março de 2014, tentou homenagear o golpe militar-empresarial de 1964 em sala de aula, golpe que apeou ilegitimamente o presidente João Goulart – Jango e instituiu uma ditadura de 21 anos. Vídeo acima.

Os estudantes se rebelaram e fizeram um protesto contra o conservador professor.

No documento entregue aos alunos, em papel timbrado e registrado em cartório, o professor Gualazzi diz o absurdo golpista mentiroso de que “em 1964, o socialismo/comunismo esquerdista-totalitário almejava apoderar-se totalmente do Brasil, mediante luta armada e subversão de todas as instituições públicas e privadas daquela época. Os líderes civis e militares da Revolução de 1964 sabiamente consolidaram, ao longo de vinte e um anos (1964-1985), infraestrutura e superestrutura que tornaram o Brasil atualmente.”

Sobre a economia e corrupção na ditadura, o colunista da Folha de S. Paulo, Vladimir Safatle, disse: “A inflação brasileira em 1963 era de 78%. Vinte anos depois, em 1983, era de 239%. O endividamento chegou, ao final da ditadura, a US$ 100 bilhões, legando um país de economia completamente cartelizada, que se transformara na terceira nação mais desigual do mundo e cujas decisões eram tomadas não pelo ministro da economia, mas pelos tecnocratas do Fundo Monetário Internacional chefiados pela senhora Ana Maria Jul. A concentração e a desigualdade se acentuaram, o êxodo rural destruiu nossas cidades, a educação pública foi destroçada, a começar por nossas universidades. Mas o maior exemplo desse revisionismo histórico encontra-se na crença, de 68% da população brasileira, de que aquele era um período de menos corrupção. Alguém deveria enviar para cada uma dessas pessoas os dossiês de casos como: Coroa-Brastel, Capemi, Projeto Jari, Luftalla, Banco Econômico, Transamazônica e Paulipetro.”

Os estudantes convidaram Antonio Carlos Fon, ex-militante que foi torturado durante a ditadura. Abaixo um vídeo mais completo:

Algumas informações do Pragmatismo Político

50 anos do golpe militar-empresarial de 1964

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O jornalista Vladimir Herzog (Vlado) foi torturado até a morte nas instalações do DOI-CODI, no quartel-general do II Exército, em São Paulo

Amanhã (1º de abril), e não hoje (31 de março), faz 50 anos que ocorreu o golpe militar-empresarial no Brasil, que redundou em 21 anos de uma ditadura corrupta que matou e torturou, além de atrasar o desenvolvimento democrático do Brasil por mais de uma geração.

O presidente João Goulart foi apeado do poder pelos militares, com amplo apoio, inclusive financeiro, do empresariado, da direita e dos Estados Unidos da América.

Que nunca mais ocorra um golpe no país. Para isso devemos radicalizar a Democracia, com um aprimoramento e fortalecimento da Democracia representativa e uma efetivação dos instrumentos necessários para a Democracia participativa e direta, nos termos da Constituição Social, Republicana e Democrática de Direito de 1988.

Muita educação, muita informação realmente livre, muito debate político.

Transformar a Democracia formal brasileira em uma Democracia substancial. É o que espero para as atuais e futuras gerações.

Sobre o tema:

Veja eventos e filmes pelo Brasil em memória aos 50 anos do golpe militar-empresarial

Filmes sobre o golpe e ditadura militar-empresarial no Brasil (1964-1985)

“Este país será o que queremos se conseguirmos garantir a democracia”, diz Lula sobre golpe militar

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva gravou um vídeo sobre os 50 anos do golpe militar no Brasil. Em sua mensagem, ele lembra que que aquele momento histórico “suspendeu nosso regime democrático, revogou liberdades essenciais, prendeu milhares de militantes políticos e fez com que outros tantos tivessem que sair do país”.

Lula ressalta que as lembranças da ditadura devem servir para valorizarmos “ainda mais o período democrático que o Brasil vive hoje”. Apenas em períodos de democracia “trabalhadores, mulheres, todos os segmentos sociais podem chegar ao poder pois têm o pleno direito de expressão e manifestação”, afirma o ex-presidente.

O direito à livre manifestação é enfatizado por Lula, que ressalta a importância da participação popular na democracia: “Apenas em uma democracia o povo pode ir às ruas reivindicar seus direitos pois a democracia não é nenhum pacto de silêncio, é a sociedade em movimento buscando novas conquistas”.

“Devemos sim lembrar nosso passado, lamentar o período sombrio pelo qual passamos, mas sobretudo lutar a cada dia para ampliar a nossa democracia, incluindo cada vez mais gente e fazendo com que nosso sistema político represente cada vez melhor o povo brasileiro. (…) Este país será o país que queremos se conseguirmos garantir a democracia”, finaliza.

Relembrar e viver: O Globo comemorou o golpe militar de 1° de abril de 1964

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O golpe militar de 1964 não foi no dia 31 de março, mas sim no dia da mentira, dia 1º de abril de 1964. Acabou com o governo popular e democrático do presidente João Goulart – Jango (PTB, atualmente PDT) e instaurou a ditadura militar que foi até 1985.

Amanhã a data trágica fará 49 anos.

A Rede Globo de Televisão foi fundada um ano depois, e se tornou a maior TV do país graças ao apoio recíproco da ditadura.

O partido que apoiava a ditadura era a ARENA, que depois virou o PDS, PPB e atualmente é o PP. O PDS se dividiu e foi criado o PFL, depois denominado DEMO. Se dividiu e foi criado o PSD. Hoje a ARENA e a ditadura militar são representados pelo DEMO, PP e PSD.

Veja o Editorial de “O Globo” do dia 02 de abril de 1964:

“Ressurge a Democracia”

Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas, independentemente de vinculações políticas, simpatias ou opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é essencial: a democracia, a lei e a ordem. Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas, que obedientes a seus chefes demonstraram a falta de visão dos que tentavam destruir a hierarquia e a disciplina, o Brasil livrou-se do Governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições.

Como dizíamos, no editorial de anteontem, a legalidade não poderia ser a garantia da subversão, a escora dos agitadores, o anteparo da desordem. Em nome da legalidade, não seria legítimo admitir o assassínio das instituições, como se vinha fazendo, diante da Nação horrorizada.

Agora, o Congresso dará o remédio constitucional à situação existente, para que o País continue sua marcha em direção a seu grande destino, sem que os direitos individuais sejam afetados, sem que as liberdades públicas desapareçam, sem que o poder do Estado volte a ser usado em favor da desordem, da indisciplina e de tudo aquilo que nos estava a levar à anarquia e ao comunismo.

Poderemos, desde hoje, encarar o futuro confiantemente, certos, enfim, de que todos os nossos problemas terão soluções, pois os negócios públicos não mais serão geridos com má-fé, demagogia e insensatez.

Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos militares, que os protegeram de seus inimigos. Devemos felicitar-nos porque as Forças Armadas, fiéis ao dispositivo constitucional que as obriga a defender a Pátria e a garantir os poderes constitucionais, a lei e a ordem, não confundiram a sua relevante missão com a servil obediência ao Chefe de apenas um daqueles poderes, o Executivo.

As Forças Armadas, diz o Art. 176 da Carta Magna, “são instituições permanentes, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade do Presidente da República E DENTRO DOS LIMITES DA LEI.”

No momento em que o Sr. João Goulart ignorou a hierarquia e desprezou a disciplina de um dos ramos das Forças Armadas, a Marinha de Guerra, saiu dos limites da lei, perdendo, conseqüentemente, o direito a ser considerado como um símbolo da legalidade, assim como as condições indispensáveis à Chefia da Nação e ao Comando das corporações militares. Sua presença e suas palavras na reunião realizada no Automóvel Clube, vincularam-no, definitivamente, aos adversários da democracia e da lei.

Atendendo aos anseios nacionais, de paz, tranqüilidade e progresso, impossibilitados, nos últimos tempos, pela ação subversiva orientada pelo Palácio do Planalto, as Forças Armadas chamaram a si a tarefa de restaurar a Nação na integridade de seus direitos, livrando-os do amargo fim que lhe estava reservado pelos vermelhos que haviam envolvido o Executivo Federal.

Este não foi um movimento partidário. Dele participaram todos os setores conscientes da vida política brasileira, pois a ninguém escapava o significado das manobras presidenciais. Aliaram-se os mais ilustres líderes políticos, os mais respeitados Governadores, com o mesmo intuito redentor que animou as Forças Armadas. Era a sorte da democracia no Brasil que estava em jogo.

A esses líderes civis devemos, igualmente, externar a gratidão de nosso povo. Mas, por isto que nacional, na mais ampla acepção da palavra, o movimento vitorioso não pertence a ninguém. É da Pátria, do Povo e do Regime. Não foi contra qualquer reivindicação popular, contra qualquer idéia que, enquadrada dentro dos princípios constitucionais, objetive o bem do povo e o progresso do País.

Se os banidos, para intrigarem os brasileiros com seus líderes e com os chefes militares, afirmarem o contrário, estarão mentindo, estarão, como sempre, procurando engodar as massas trabalhadoras, que não lhes devem dar ouvidos. Confiamos em que o Congresso votará, rapidamente, as medidas reclamadas para que se inicie no Brasil uma época de justiça e harmonia social. Mais uma vez, o povo brasileiro foi socorrido pela Providência Divina, que lhe permitiu superar a grave crise, sem maiores sofrimentos e luto. Sejamos dignos de tão grande favor.”

Divulgado por Pragmatismo Politico, Acerto de Contas e Blog do Esmael Morais.

Ditadura militar iniciada com o golpe de 1964 matou mais um

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Carlos aos 3 anos, com os pais

Carlos Alexandre Azevedo suicidou-se no sábado (16), filho de ex-preso político que havia sido torturado com apenas um ano e oito meses pela ditadura.

“A indenização não vai apagar nada do que aconteceu na minha vida. Mas a anistia é o reconhecimento oficial de que o Estado falhou comigo.”

“Para mim a ditadura não acabou.” (Carlos Alexandre Azevedo, conforme divulgou via Twitter o Secretário Nacional de Justiça, Paulo Abrão)

Vejam a mensagem de seu pai, divulgada em seu facebook (Facebook.com/dermi.azevedo):

Aos meus amigos e às minhas amigas,

LUTO

Meu coração sangra de dor. O meu filho mais velho, Carlos Alexandre Azevedo, suicidou-se na madrugada de hoje, com uma overdose de medicamentos. Com apenas um ano e oito meses de vida, ele foi preso e torturado, em 14 de janeiro de 1974, no DEOPS paulista, pela “equipe” do delegado Sérgio Fleury, onde se encontrava preso com sua mãe. Na mesma data, eu já estava preso no mesmo local. Cacá, como carinhosamente o chamávamos, foi levado depois a São Bernardo do Campo, onde, em plena madrugada, os policiais derrubaram a porta e o jogaram no chão, tendo machucado a cabeça. Nunca mais se recuperou. Como acontece com os crimes da ditadura de 1964/1985, o crime ficou impune. O suicídio é o limite de sua angústia.

Conclamo a todos e a todas as pessoas que orem por ele, por sua mãe Darcy e por seus irmãos Daniel, Estevao e Joana, para que a sua/nossa dor seja aliviada.

Tenho certeza de que Cacá encontra-se no paraíso, onde foi acolhido por Deus. O Senhor já deve ter-lhe confiado a tarefa de consertar alguns computadores do escritório do céu e certamente o agradecerá pela qualidade do serviço. Meu filhinho, você sofreu muito. Só Deus pode copiosamente banhar-te com a água purificadora da vida eterna.
Seu pai
Dermi

Vejam matéria da Istoé sobre Carlos Alexandre em 2010: Continuar lendo

Memórias Torturadas: peça no presídio do Ahú critica Gazeta do Povo e Jaime Lerner

No último sábado, durante o Festival de Teatro de Curitiba, depois de assistir a espetacular peça Palácio do Fim, com Vera Holtz e dirigida por José Wilker, sobre a invasão estadunidense no Iraque no Teatro Bom Jesus, fomos à peça Memórias Torturadas, à meia-noite, no presídio desativado do Ahú. Sem a mesma qualidade de produção da primeira peça, a grande sacada do espetáculo foi o local e as críticas ácidas ao golpe militar que hoje faz 48 anos, da ditadura, das torturas, sobrando críticas até para a “Gazeta do Povo do Xico Beleza” e para o prefeito biônico da época, Jaime Lerner, que era da ARENA, partido que apoiava a ditadura.

O que não pegou bem foi a informação de que José Richa era o prefeito do MDB de Londrina, referência para a esquerda. Mas hoje seu filho, Beto Richa, se juntou com o grupo que apoiava a ditadura para se eleger prefeito e governador (grupo do Jaime Lerner da ARENA, posteriormente PDS e PFL, atualmente PP e DEMO).

Quem for às sessões dos dias 5 a 7 de abril, recomendo uma almofada e agasalho, se estiver frio.

O que o golpista Estadão achava de Paulo Freire antes do golpe militar de 1964

“Assim, a Campanha Nacional de Alfabetização, através do sistema Paulo Freire, representaria enorme perigo para as instituições, pois pretende alfabetizar, em moldes marxistas, em 1964, quatro milhões de brasileiros que serão eleitores em 1965… Não se pode permitir, porém, que esse movimento venha a ser desvirtuado em benefício dos que pretendem implantar o comunismo em nosso País, visando a tomada do poder.”

(Jornal O Estado de S. Paulo, 30/11/1963, citado no livro URBAN, Teresa. 1968 Ditadura Abaixo, Curitiba: Arte e Letra, 2008)