Por que as manifestações golpistas foram um fracasso?

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As manifestações de hoje (16) pelo Impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT), contra o Partido dos Trabalhadores e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foram um fracasso, com bem menos gente do que os movimentos de junho de 2013 e as duas manifestações de março e abril de 2015.

São vários os motivos:

1. Muita gente que participou das demais manifestações queriam apenas um país ainda melhor, com mais educação e saúde e menos patrimonialismo na Administração Pública, e não a pauta fascista e golpista do movimento de hoje;

2. As manifestações de hoje foram apoiadas por partidos de direita, conservadores, reacionários e elitistas, com o intuito de derrubar a presidenta e assumir o poder, mesmo com a derrota eleitoral em 2014;

3. Não há juridicamente qualquer fundamento para o Impeachment de Dilma;

4. A grande maioria do povo brasileiro é contra uma repetição do golpe militar de 1964 e a ditadura de 21 anos que o sucedeu;

5. Os brasileiros querem que as promessas da Constituição de 1988 sejam cumpridas, como redução das desigualdades, Justiça Social, Bem-Estar, e sabem que uma ruptura democrática poderia gerar retrocessos sociais e econômicos graves para o país;

6. Os empresários milionários que patrocinaram o movimento não representam os interesses da sociedade brasileira.

Os arrependidos de 64

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O que Sobral Pinto, Carlos Heitor Cony, Dom Paulo Evaristo Arns, Antônio Callado, a grande maioria dos dirigentes da CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e da OAB – Ordem dos Advogados do Brasil, a quase totalidade dos jornais brasileiros e vários outros políticos e personalidades têm em comum?

Eles apoiaram o golpe militar-empresarial de 1ª de abril de 1964.

Cony e Callado arrependeram-se em alguns dias, outros passaram a condenar o golpe após o AI-5 em 1968, alguns após as torturas, desaparecimentos e assassinatos. A Rede Globo, que foi privilegiada e cresceu de forma exponencial durante a ditadura, pediu desculpas pelo apoio apenas recentemente.

Alguns, pasmem, até hoje dizem que foi uma “revolução” para livrar o Brasil do comunismo.

O fato é que não apenas fascistas apoiaram o fim da Democracia em 1964.

Muitos deles foram desculpados pela História, outros não.

Foram 21 anos sem Democracia, sem controle social, sem transparência, sem cidadania, sem Política, o que até hoje pagamos mesmo com a redemocratização na década dos anos 1980.

Que os golpistas de hoje mudem de ideia antes que o pior aconteça: mais uma ruptura na Democracia brasileira.