Secretário Nacional de Justiça ataca conservadorismo do Poder Judiciário, durante palestra sobre justiça de transição

Estadão (jornal O Estado de S. Paulo), Blog do Roldão Arruda

Ao abrir, na noite de quinta-feira, 14, o seminário Direito à Verdade, Informação, Memória e Cidadania, em São Paulo, o secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão criticou duramente o Poder Judiciário. Na avaliação do advogado, que também preside a Comissão de Anistia, enquanto o Legislativo e o Executivo se empenham em levar adiante tarefas destinadas a facilitar o processo de justiça de transição, o Judiciário se omite.

Indiretamente, ele se referia a duas questões: a aceitação pelo Supremo Tribunal Federal (STF), da Lei da Anistia de 1979; e a recusa sistemática de juízes a pedidos feitos pelo Ministério Público Federal (MPF) para processar agentes de Estado envolvidos com violações de direitos humanos no regime militar. O Judiciário tem uma dívida política com a sociedade brasileira, segundo Abrão, por sua atuação na ditadura.

“Onde estavam os juízes quando ocorriam prisões arbitrárias? Quem foram os juízes que negaram habeas corpus aos presos políticos criminalizados pela ditadura? A acusação e o enquadramento na LSN dos perseguidos políticos eram feitas por promotores civis, não militares. Esse poder também tem que promover um acerto de contas com a sociedade”, afirmou.

Abrão conclamou a sociedade a se mobilizar pela revisão da Lei da Anistia de 1979 e disse que a Comissão da Verdade não será o último passo na justiça de transição. Na avaliação dele, o resultado do trabalho iniciado agora para esclarecer fatos ocorridos na ditadura vai estimular ações judiciais contra agentes de Estado.

Ao final de sua longa exposição, no auditório Franco Montoro, na Assembleia, o secretário foi aplaudido de pé. O seminário, que se prolonga pelo fim de semana, é promovido com o apoio da Comissão Estadual da Verdade, presidida pelo deputado Adriano Diogo.

A seguir, alguns dos principais trechos da palestra do titular da Secretaria Nacional de Justiça, que é subordinada ao Ministério da Justiça.

AÇÕES JUDICIAIS. “A Comissão da Verdade não veio para botar uma pedra em cima da história. Muito pelo contrário. A Comissão da Verdade poderá gerar novos efeitos no campo da reparação, novas memórias e, quem sabe, potencializar os mecanismos de Justiça. Ninguém poderá impedir que o Ministério Público Federal, no exercício de suas funções, tenha acesso à documentação produzida pela comissão para ingressar com ações.”

CULTURA DO SILÊNCIO. Vivemos um novo momento histórico, que chamo da terceira fase da luta pela anistia. Ele é demarcado por duas leis, a de acesso à informação e a que cria a Comissão da Verdade. As duas atingem o âmago de uma cultura instalada há muito tempo, a cultura do silêncio e do sigilo. Nunca sistematizamos informações sobre a escravidão, a dizimação dos povos indígenas, a guerra do Paraguai. É a primeira vez na história que é criado um órgão de estado para sistematizar um conjunto de violações. Isso rompe com a cultura de não enfrentamento e projeta para o futuro a imagem de uma sociedade que sabe se organizar e resistir contra a opressão.”

VIOLÊNCIA. A ditadura brasileira foi muito violenta ao impor uma cultura do medo. É por causa disso que, tardiamente, quase trinta anos após iniciado o processo de redemocratização, só agora temos condições de instalar uma Comissão da Verdade.

SOB CONTROLE. Vivemos no Brasil uma transição pactuada, controlada, distinta da Argentina, onde a transição se deu por ruptura, onde as forças militares saíram desmoralizadas diante de uma crise econômica e, depois, pelo episódio das Malvinas. No Brasil não houve essa ruptura. Nossa característica é a dita transição lenta, gradual e segura, que está posta até hoje. E o marco jurídico fundante dessa transição controlada é a Lei de Anistia de 1979. É por isso que toda e qualquer vez que quisermos discutir justiça de transição, reparações, comissão da verdade, será inafastável discutir a dimensão da anistia.”

ROMPIMENTO. “A ruptura com a transição controlada é uma tarefa da sociedade do presente.”

PACTO. “O Congresso que aprovou a Lei da Anistia de 1979 era um congresso controlado. Um terço de seus senadores eram biônicos (indicados diretamente pelo Executivo) . O conceito deles de anistia não era o mesmo conceito de liberdade que existia na sociedade. O propósito deles era o esquecimento e a impunidade. Discordo da ideia de que foi um momento de pacto da sociedade brasileira. O projeto apresentado pelo governo foi aprovado por 212 votos a 206. E vem me dizer que houve pacto? Que pacto?”

BATALHA JURÍDICA. No campo da cultura jurídica a expansão do pensamento conservador é mais hegemônica que nos outros dois poderes. O Judiciário é concebido para ser mais conservador, ter menos mutação que outros poderes. Mas não é possível que, nesse momento de grande mobilização em favor da memória, da verdade, da justiça, de defesa e disseminação dos valores democráticos, enquanto o Poder Executivo e o Legislativo cumprem suas funções, não haja também a participação do Poder Judiciário. Não apenas pela concepção do papel do Estado, mas, fundamentalmente, pelo reconhecimento de que também esse poder precisa se democratizar lá dentro. Até porque ele também tem uma dívida política com a sociedade, pelo papel que cumpriu na ditadura militar. Onde estavam os juízes quando ocorriam prisões arbitrárias? Quem foram os juízes que negaram habeas corpus aos presos políticos criminalizados pela ditadura? A acusação e o enquadramento na LSN dos perseguidos políticos eram feitas por promotores civis, não militares. Esse poder também tem que promover um acerto de contas com a sociedade.”

RECADO AOS GENOCIDAS. Os nossos juristas não conhecem, não aplicam, não fundamentam suas decisões no direito internacional. Isso é péssimo, porque deixamos de fazer parte de um processo civilizatório inaugurado no pós-guerra, com os tribunais internacionais. Foi quando compreendemos que, se deixarmos os genocídios, as torturas, as execuções sumárias e os desaparecimentos de pessoas se generalizarem, estamos pondo em risco a espécie humana. Houve um pacto pós segunda guerra, com novas bases éticas, o reconhecimento dos crimes de lesa humanidade. O contrário dessa tese é a formulação da regra de ouro do autoritarismo, com a seguinte mensagem: ditadores do futuro, genocidas do futuro, algozes das democracias, façam o que quiserem, quando tiverem o poder. Só não esqueçam de, antes de sair, aprovarem uma lei perdoando a vocês mesmos. Se fizerem isso, podem dormir tranquilos.”

A íntegra da palestra do presidente da Comissão da Anistia pode ser vista pelo YouTube. Para a primeira parte basta clicar aqui. A segunda pode ser obtida neste novo clique.

O Regime Diferenciado de Contratações, que flexibiliza regras de licitação, deve valer para as obras do PAC?

Na Folha de S. Paulo de sábado

CHICO ALENCAR

NÃO

Jabuti na árvore

Mérito duvidoso, método errado.

A contratação de obras públicas, delta histórico do rio da corrupção sistêmica, está em questão: o governo Dilma, por meio da lei 12.462/2011, instituiu o chamado Regime Diferenciado de Contratações (RDC) para as obras da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016.

Agora, a Câmara dos Deputados aprovou a extensão desse modelo para todas as obras do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC. Assim, cria uma alternativa supostamente simplificada à Lei das Licitações (8.666/1993).

Muitos já apelidaram essa legislação concorrente de Regime Desesperado de Contratações, em função do conhecido e oneroso atraso do cronograma para a Copa e do notório “empacotamento” de muitas obras do PAC.

Os artigos 8º e 9º da lei 12.462/2011, que criou o RDC, permitem a chamada “contratação integrada”. Por ela, a empresa vencedora da licitação fica responsável tanto pelos projetos básico e executivo como pela realização da obra, o que atualmente é vedado pela Lei das Licitações.

Dessa forma, a licitante fica estimulada a produzir um projeto básico que implique em maior gasto, já que será ela mesma que fará a obra: interesses articulados, valores majorados.

Pela sistemática da Lei das Licitações, após apresentado o projeto básico é aberta outra licitação, na qual diversas empresas apresentam suas propostas para o projeto. No RDC isso não existe, anulando-se o princípio da concorrência e da comparabilidade entre as propostas.

O governo argumenta que a “contratação integrada” agilizaria o processo. Supõe-se que os preços também… Frente à crônica demora para tocar obras públicas, o governo facilita as etapas das licitações. A pressa, aqui, pode ser inimiga da transparência e da austeridade.

O artigo 20 da lei 12.462 amplia o conjunto de licitações nas quais será aplicado o critério de “técnica e preço”, favorecendo a subjetividade no julgamento da disputa. A norma antiga restringe o uso do fator “melhor técnica” a serviços de cunho intelectual, em especial.

O artigo 24 também amplia hipóteses subjetivas para a desclassificação de concorrentes, ao mencionar “vícios insanáveis” e “preços inexequíveis” sem definir exatamente o que são esses óbices. Os artigos 29 a 33 abrem o leque das hipóteses de estabelecer uma pré-qualificação dos concorrentes, mais um elemento para limitar os certames.

Portanto, estender o RDC ao PAC é duvidoso e pode abrir comportas para superfaturamentos. O Ministério Público Federal faz esta mesma avaliação e questiona a iniciativa permissiva.

Foi também grave o método de tramitação da matéria. É verdade que a 8.666, tida como “rigorosa”, não impediu fraudes nas licitações para obras e serviços. Mas propor lei paralela a ela embutida em medida provisória, a 559/12, estranha ao tema, como foi a opção do governo, é uma deformação total do processo legislativo. Acabou por forçar barganha com interesses do governo tucano de Goiás em torno da aquisição do controle acionário da CELG (Companhia Energética de Goiás) pela Eletrobras.

O Executivo abdicou da iniciativa mais lógica e democrática: enviar projeto de lei ao Congresso, que analisaria a proposta, realizaria audiências públicas com os setores interessados e, afinal, a votaria, com o zelo que matéria desse tipo exige.

Colocar o RDC em “carona” de MP é secundarizar um debate importante e desconsiderar o Legislativo. Além de, com essa pressa e esse método estranho, levantar suspeitas que reavivam o adágio popular: “Jabuti em árvore? Foi enchente ou mão de gente”.


CHICO ALENCAR, 62, professor de história, é deputado federal pelo PSOL-RJ e líder da partido na Câmara

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JILMAR TATTO

SIM

Licitações mais rápidas e baratas

Desde a adoção do Regime Diferenciado de Contratações (RDC) como marco legal das obras preparatórias para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, ficou claro que podemos avançar no tocante à agilidade na execução e no estabelecimento de melhores preços nos empreendimentos públicos.

O balanço é positivo e enseja iniciativas que, ao mesmo passo, melhorem a infraestrutura do país e atualizem a legislação, de forma a adequá-la a parâmetros internacionais. A lei 8.666, de 1993, que rege as licitações e contratações públicas, revelou-se defasada, com brechas que abrem caminho para problemas de toda natureza.

Com o RDC, os avanços são visíveis. Onde esse regime foi aplicado, o tempo médio de finalização dos processos licitatórios caiu de 250 para 80 dias. Houve redução aproximada de custos na ordem de 15% nos valores das licitações. E sem prejuízos à fiscalização, já que o regime diferenciado garante total acompanhamento por parte dos órgãos de controle interno e externo.

Agora, a extensão desse novo sistema para as obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) está sob a análise do Senado, depois de aprovado pela Câmara.

Temos, assim, a oportunidade de expandir esse regime modernizante a áreas estratégicas.

O valor dos investimentos do PAC, no período entre 2011 e 2014, é de R$ 955 bilhões, dos quais R$ 204,4 bilhões foram executados em 2011.

O grande vulto dessas ações e seu impacto no desenvolvimento nacional, inclusive com a geração de milhares de empregos, tornam ainda mais evidentes os benefícios de sua inclusão no RDC: racionalização dos procedimentos, diminuição dos prazos e, principalmente, dos custos.

O RDC, proposto pelo governo e aprovado no ano passado pelo Congresso, contou com contribuições expressivas dos órgãos de controle e dos partidos, inclusive da oposição. Não significou flexibilização. Pelo contrário, conferiu mais rigor ao sistema atual, na medida em que ampliou de forma significativa as concorrências públicas.

É o caso, por exemplo, da contratação integrada, que impõe às empresas a entrega da obra em plenas condições de funcionamento, como ocorre em vários países.

Tão importante quanto esses resultados é o fato de que o novo regime mantem cada uma das normas e princípios da lei 8.666 relativos à transparência, à fiscalização e ao controle das ações governamentais, e respeita os princípios da impessoalidade e da moralidade.

A diferença está na aplicação da experiência acumulada ao longo desses 19 anos de vigência da Lei de Licitações e de todo um arcabouço jurídico que promoveu aperfeiçoamentos nos processos licitatórios, inclusive por meio da internalização de práticas adotadas nos Estados Unidos, na União Europeia e por organismos como o Banco Mundial.

São pertinentes muitas das preocupações com a proposta. Afinal, em que pese o controle exercido pelos mecanismos institucionais de fiscalização, é fato que as contratações públicas no Brasil persistem como fonte de desperdício dos recursos públicos e de corrupção.

O que o RDC pretende -e tem conseguido- é justamente atacar esses males, afastando, por exemplo, a possibilidade de recursos e impugnações protelatórios e, em certos casos, estimulando os licitantes a disputarem a definição de custos, propiciando o rebaixamento dos preços.

Esses avanços procedimentais e esses ganhos efetivos podem e devem ser estendidos e otimizados. Ao aprovar a ampliação do RDC para as obras do PAC, o Congresso Nacional dará mais uma importante contribuição ao Brasil.


JILMAR TATTO, 46, formado em história, é deputado federal pelo PT-SP e líder do partido na Câmara

Veja a vice de Gustavo Fruet, Mirian Gonçalves, falando sobre Edésio Passos

Falei no Canal 21 sobre a falta de transparência do ICI

Ontem falei sobre a falta de transparência do ICI – Instituto Curitiba de Informática e descumprimento da Lei de Acesso à Informação, no Jornal Mercosul da Rede Mercosul Canal 21.

Sobral Pinto

Com muita honra fui presidente do Centro Acadêmico Sobral Pinto, entidade representativa dos estudantes de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, campus de Curitiba. Divulgo algumas histórias sobre o grande advogado Heráclito Fontoura Sobral Pinto, patrono do centro acadêmico de direito da PUCPR, o CASP:

Por Tarso Cabral Violin (publicado no Manual do Calouro de 1997 e de 1998)

“É público e notório em todo o país que o Dr. Miguel Arraes de Alencar exercia a função de Governador do Estado de Pernambuco quando irrompeu, no dia 31 de março de 1964, o movimento revolucionário que conduziu à Presidência da República o Exmo. Sr. Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco. Em virtude de haver repelido todas as propostas então apresentadas para sua permanência à frente do Poder Executivo Estadual, com a altivez inerente ao exercício do mandato que o povo pernambucano lhe outorgara, o paciente foi deposto e preso por oficiais das Forças Armadas, no dia 1º de abril de 1964”.

(Da petição de habeas corpus impetrada pelos advogados Sobral Pinto e Antonio de Brito Alves, março de 1965)

Depois de passar onze meses em Fernando de Noronha e conhecer as prisões da Companhia de Guarda e do Corpo de Bombeiros, no Recife, e da Fortaleza de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, Arraes foi liberdado por força de um habeas corpus. Mas não pôde permanecer no País. No dia 20 de maio de 1965 era enquadrado na Lei de Segurança Nacional, ao mesmo tempo em que seu advogado, Sobral Pinto, informava ser impossível mantê-lo em liberdade através de recursos legais. Sem condições de permanecer no País, exilou-se em junho de 1965 na Embaixada da Argélia, no Rio de Janeiro, sendo em seguida condenado a 23 anos de prisão, pelo Tribunal Militar do Recife, por supostos “crimes contra a segurança nacional”.

Sobral Pinto, a vida de um lutador.

Heráclito Fontoura Sobral Pinto, o “Dom Quixote das cartas de protesto”, o “Compêndio cívico de carne e osso”, o “Guardião da democracia”, nasceu em 05 de novembro de 1893, em Barbacena, Minas Gerais. Filho de um casal pobre, Priamo Cavalcanti Sobral Pinto e Idalina Fontoura Sobral Pinto, quando tinha 3 anos a família mudou-se para Porto Novo do Cunha, na divisa de Minas com o Rio de Janeiro. Passou a adolescência em Nova Friburgo (RJ), onde estudou no Colégio Anchieta, coordenado por padres jesuítas. Foi aí que modelou a religiosidade que o acompanhou por toda a vida.

Adquiriu as primeiras noções de justiça discutindo política com o pai. Formou-se em Direito em 1917 na Faculdade Nacional de Direito do Rio de Janeiro (Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro), onde deu início a sua luta em defesa das liberdades. Foi um dos fundadores da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (nossa co-irmã carioca), onde lecionou Direito Penal até 1963, além de lecionar Filosofia na Faculdade Nacional de Filosofia.

Aos 31 anos, em 1924, assumiu como interino a Procuradoria Criminal da República do Governo Arthur Bernardes (passando a efetivo em 1926), onde atuou como promotor no julgamento dos tenentes que lideraram a revolta de 1922. Em 1928, sem maiores justificativas, renunciou ao cargo, explicando o seguinte: “Já casado, eu tive uma paixão, que me levou a desviar-me do meu dever de esposo católico, razão pela qual eu me demiti da Procuradoria Criminal da República. Eu achei que não tinha mais o direito de acusar ninguém depois que eu tinha tido esta atitude”. No mesmo ano exerceu o cargo de Procurador-Geral do Distrito Federal em 1928 (então no Rio de Janeiro), onde se demitiu em setembro do mesmo ano.

Foi eleito presidente do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), onde tomou posse em abril de 1964, tendo renunciado em 1965. Foi eleito Conselheiro Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) várias vezes, representado os Estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais e representou o IAB uma vez no Conselho Seccional do Distrito Federal, ainda no Rio de Janeiro.

Sobral Pinto defendeu presos políticos durante a ditadura do Estado Novo (1930-1945), de Getúlio Vargas, participou em 1945 de uma associação denominada “Resistência Democrática”, que objetivou trabalhar pela restauração da Democracia no Brasil. Nesta época ele escrevia para a revista “A Ordem”.

Sem dúvida, o caso mais importante do Dr. Sobral foi em 1937, quando foi convocado pela OAB, e, apesar de ser considerado um homem conservador e de direita (afinal de contas ninguém é perfeito), e sendo católico praticante, foi o único advogado no Brasil que aceitou defender o Secretário-Geral do Partido Comunista, Luiz Carlos Prestes (preso em 1935) e Harry Berger, os líderes da Intentona Comunista, no Tribunal de Segurança Nacional do Estado Novo.

Prestes, o “Cavaleiro da Esperança”, não queria advogado, porque se recusava a seguir as regras dos Tribunais de Getúlio. Nosso patrono levou tempo para conquistar a confiança de Prestes, que passou nove anos preso, e só foi solto com a anistia de 1945. Foram amigos até a morte de Prestes, em 1990. Sobre essa amizade, Sobral Pinto diria: “Prestes tentou me convencer ao comunismo, eu tentei convertê-lo ao catolicismo. Mas nenhum dos dois conseguiu”.

Harry Berger, que era alemão, também demorou a confiar no advogado. Preso embaixo de um vão de escada, recusava-se a falar em português e terminou os seus dias louco na Alemanha, devido às torturas que sofreu no Brasil. Sobral conseguiu melhorar suas condições carcerárias graças a uma petição em que, numa jogada de mestre, invocou a Lei de Proteção dos Animais, como argumento para protestar contra as condições não-humanas às quais estes estavam submetidos.

Em 1955, criou a Liga de Defesa da Legalidade, cujo objetivo era lutar pelas eleições para a Presidência, ameaçadas quando Juscelino Kubitscheck e João Goulart entraram na disputa. Defendeu sistematicamente a posse de JK (Sobral Pinto era eleitor da UDN, partido contrário à Juscelino), e este lhe oferece, em 1956, uma vaga como Ministro do Supremo Tribunal Federal, a qual ele agradece quase ofendido, justificando que a defesa pela posse do Presidente tinha sido somente pela defesa à legalidade. Combateu ainda os que tentavam impedir que Jango assumisse a presidência logo após a renúncia de Jânio Quadros.

Ainda defendeu o revolucionário Carlos Marighela, o político Carlos Lacerda, o jornalista Hélio Fernandes, o político socialista Miguel Arraes, Euclydes de Figueiredo, o integralista Plínio Salgado; bem como integralistas da extrema direita, que se envolveram no movimento de 10 de maio de 1938.

Outra atração célebre marcou o episódio conhecido como “o caso dos nove chineses”, chineses estes da República Popular da China que se encontravam numa missão comercial no Brasil a convite do Presidente João Goulart, e, com o golpe de 64, foram presos sob a acusação de práticas revolucionárias e subversivas, e de prepararem uma rebelião de caráter bolchevista no país. Durante o processo, Sobral fazia questão de visitá-los no cárcere, prestando além da assessoria jurídica, um trabalho de cunho social. Até hoje o governo da China mantém contato com sua família, em agradecimento aos serviços prestados pelo advogado, que conseguiu a expulsão dos agentes e o retorno a sua pátria no mesmo ano, única vitoria possível num estado de exceção.

Um dos nossos maiores escritores, Graciliano Ramos, que também foi defendido por Sobral Pinto na época da ditadura de Getúlio, em sua obra “Memórias do Cárcere”, escreveu o seguinte:

“Sobral Pinto defendia Prestes e Berger, tinha para nós uma grande importância; era idiota supor que fosse tratar de casos mesquinhos, insignificantes. Liberal, católico, homem de pensamento e homem de ação, afastava-me.

(…) A princípio esse cavalheiro não inspirava confiança. Berger o tratara secamente, num inglês misturado com alemão: suspeitava de uma defesa imposta pelas autoridades. E Sobral, sem se ofender, gastara meses num trabalho áspero, provara enfim não ser um funcionário nomeado para afligir as criaturas. Prestes se avia tornado amigo dele.”

Pensava Graciliano à época: “O doutor Sobral Pinto deve ser rico, e eu nem tenho dinheiro para pagar os selos da procuração”. Descreveu fisicamente nosso patrono: “se apresentou um cidadão magro, de meia altura, rosto enérgico, boca forte, olhos terrivelmente agudos”.

Primeira troca de palavras:

“- Ora, doutor, para que tantas minúcias? Como é que o senhor vai preparar a defesa se não existe acusação?

O advogado estranhou minha impertinência. Em que país vivíamos? Era preciso não sermos crianças.

– Não há processo.

– Dê graças a Deus, replicou o homem sagaz espetando-me com o olhar duro de gavião. Porque é que o senhor está preso?

– Sei lá! Nunca me disseram nada.

– São uns idiotas. Dê graças a Deus. Se eu fosse chefe de polícia, o senhor estaria aqui regularmente, com processo.

– Muito bem. Onde é que o senhor ia achar matéria para isso, doutor?

– Nos seus romances, homem. Com as leis que fizeram por aí, os seus romances dariam para condená-lo.”

Por fim, Graciliano Ramos, que após um ano de prisão foi libertado por Sobral Pinto, aduziu o seguinte:

“Sobral Pinto me fez outras visitas. Palavra aqui, palavra ali – notei que ele era pobre também. E por isso queria libertar-me. As nossa idéias discrepavam. Coisa sem importância. Sobral Pinto, homem de caridade perfeita, queria tirar da cadeia um bicho inútil, na minha opinião, um filho de Deus, na opinião dele.”

Conseguiu ainda um habeas corpus e asilo no México para o socialista Francisco Julião, líder das Ligas Camponesas (espécie de MST da época), que foi preso após o golpe de 64. Líder esse que chegou a requerer junto à URSS mil metralhadoras e munição para seu exército camponês de resistência em 1957 (segundo o livro “Dossiê Brasil”, de Geneton Moraes Neto).

Ao mesmo tempo em que trabalhava com grandes nomes, não negava assessoria aos proletários. Exemplo marcante deste fato foi a defesa de um quitandeiro em conflito com o próprio presidente do Tribunal de Segurança Nacional, Barros Barreto. Ele tinha uma conta na quitanda, não quis pagar e ainda prendeu o homem. A despeito das represálias futuras no Tribunal, Sobral aceitou o caso, sem nada receber.

Mesmo defendendo no início o golpe de 64 (Ato Institucional nº 1 do Presidente Castelo Branco), erro aliás de quase toda a classe média conservadora desse país, logo percebeu que se tratava de uma ditadura, e combateu as cassações de mandatos e direitos políticos de vários brasileiros, tudo isso gratuitamente. Em 1968, após a edição do AI-5, o Dr. Sobral passa por uma situação que é descrita no livro “1968 o Ano que Não Terminou” do jornalista Zuenir Ventura, que eu transcrevo:

“Às 19h30min do sábado, em Goiânia, um outro advogado, o grande Sobral Pinto, fazia hora para a solenidade de formatura de uma turma da qual era paraninfo. O calor estava insuportável, e ele resolveu se por à vontade no quarto do hotel. De chinelo, sem meias, em mangas de camisa e calças de pijama, Sobral repousava sentado, quando, de repente, a porta foi praticamente arrombada, e apareceu um major. O advogado pode ver que atrás dele havia seis homens em fila.

O major não cumprimentou:

– Eu trago uma ordem do presidente Costa e Silva para o senhor me acompanhar.

Sentado estava, sentado Sobral ficou.

– Meu amigo, o marechal Costa e Silva pode dar ordens ao senhor. Ele é marechal, o senhor major. Mas eu sou paisano, sou civil. O presidente da República não manda no cidadão. Se esta é a ordem, então o senhor pode se retirar porque eu não vou.

A primeira reação do militar foi de espanto:

– O senhor está preso! – gritou o major, achando que não se tinha feito entender.

– Preso coisa nenhuma!

Só então o major percebeu que precisaria usar a força. A um grito de “prendam!”, quatro dos seis homens que estavam na porta atiraram sobre o velho sentado. Sobral foi agarrado e arrastado atá o elevador, agarrado e arrastado pelo salão do hotel e, esperneando, foi jogado no banco de trás de um carro, cercado por dois agentes e com mais dois na frente, além do motorista.

Estavam todos exaustos.

Ao comandar aquele sequestro, o major certamente aprendeu que a bravura cívica podia ter 75 anos, pesar 67 quilos e andar de pijama e de chinelo.

A mesma lição seria aprendida pelo coronel comandante do quartel para onde Sobral foi arrastado.

– O senhor é patriota?

É possível até que o coronel não quisesse ofender o advogado; ele talvez estivesse esperando uma resposta óbvia para iniciar um diálogo mais descontraído. O que ouviu, porém, afastava qualquer possibilidade de entendimento:

– O senhor engula o que está dizendo! Eu sou patriota, o senhor não. O senhor vive à custa do Estado, eu não.

Aos 95 anos, Sobral Pinto se lembra com prazer dessas peraltices, como se elas tivessem ocorrido quando ele era adolescente, e não com 75 anos: “Havia dois oficiais no gabinete: um alto e outro até mais baixo do que eu. Eu tive a impressão de que o alto ia me agredir, porque o menor disse: ‘fica quieto, você está louco?’ E não deixou que ele chegasse até mim.”

Reconstituindo esses episódios, Sobral se exalta, reproduz os diálogos, gesticula e chega a chutar sem querer o chinelo sobre o neto, o jornalista Guilherme Fiuza, que toma o seu depoimento.

– Retirem esse homem e ponham na prisão – ordenou o coronel, temendo a reação dos seus subordinados.

Conduzido para uma cela onde não havia nem cadeira, nem cama, nem mesa, com dois soldados de baioneta calada na porta, Sobral voltou a protestar e conseguiu ser transferido para o quarto do oficial de dia. Uma hora depois, traziam o terno preto, o chapéu de sempre, a pasta, o colete e o paletó, e informavam que ele poderia vestí-los para ir para Brasília. Antes de embarcar no mesmo carro com os mesmos policiais, Sobral ainda aprontaria mais uma cena de insubordinação civil.

– Verificamos que nos bolsos do seu colete tem dinheiro – observou o tenente que trouxera as roupas – o senhor faça o obséquio de contar para ver se falta alguma coisa.

– Não vou examinar coisa nenhuma. Os senhores são brutais e violentos, mas não são ladrões. O dinheiro deve estar aí.

Às duas e meia da madrugada de domingo, depois de umas três horas de viagem, vestido de preto como o país se acostumara a vê-lo, chegava a um quartel de Brasília o indomável guerreiro da dignidade. Ali, ele encontraria outros presos famosos, como o colunista Carlos Castello Branco.

A recordação desses episódios 20 anos depois torna inevitável a imagem de que naquele sufocante quarto de um quinto andar de hotel, em Goiânia, começava uma batalha que ia ser de todo o país nos anos seguintes: a luta do direito contra a força.

Mas Sobral Pinto ainda ia dar mais trabalho. No quarto dia de prisão, terça-feira, um oficial foi buscá-lo para prestar depoimento.

– Não vou, não tenho que prestar depoimento nenhum. Vocês me arrastem, mas eu não vou.

Como já sabia com quem estava falando, o oficial saiu às pressas para pedir socorro a seu superior, um paciente coronel, que foi até a cela:

– Doutor Sobral, não me imponha a humilhação de ter que repetir o que fizeram com o senhor em Goiânia. Olha aqui a ordem que recebi de apresentá-lo ao coronel Jansen e ao tenente-coronel Melo. Serei obrigado a chamar um sargento para levá-lo. Não faça isso comigo, me poupe essa humilhação.

– Tá bom, diante disso eu vou.

Se aqueles oficiais achavam que estava tudo resolvido, enganaram-se. Na hora de prestar o seu depoimento, o advogado disse:

– Não dou. É um desaforo que o Exército, depois de ter-me imposto essa humilhação, ainda tenha a petulância de querer devassar minha consciência. Em hipótese nenhuma! Eu não declaro nada.”

O hábil coronel perguntou então ao advogado se ele concordaria em escrever o que acaba de dizer. A proposta foi aceita, mas com a condição de receber uma cópia:

– Quando eu sair, quero escrever uma carta a esse ditador que está fingindo que é Presidente da República. Eu quero terminar a carta com essa declaração.”

Se naquele ano fosse instituído um prêmio de física e cívica, os milhares de estudantes que enfrentaram a polícia nas ruas iam ter um sério concorrente na pessoa desse jovem insubordinado chamado Heráclito Fontoura Sobral Pinto”.

Nesta época, dirigindo-se a um militar que achava que o AI-5 pretendia estabelecer uma “democracia à brasileira”, cunhou uma de suas frases mais famosas: “Há peru à brasileira, mas não há soluções á brasileira. A democracia é universal, sem adjetivos”.

Continuando sua caminhada, foi agraciado pela OAB com a medalha de Teixeira de Freitas do IAB. Foi eleito o intelectual do ano em 1979, recebendo o troféu Juca Pato da União Brasileira dos Escritores. Em 1981, o Papa João Paulo II condecorou-o com o título de Comendador da Ordem de São Gregório Magno.

É autor dos livros “Lições de Liberdade” (1977), “Por Quê e Como Defendi Luiz Carlos Prestes e Henry Berger” (1979), “Teologia da Libertação: Materialismo Marxista na Teologia Espiritualista” (1984), entre outros.

O Advogado nunca parou de trabalhar, mas ficou 7 anos sem enfrentar júri. Em 1983, voltou ao tribunal para defender um vizinho de um caso simples de tentativa de homicídio. Sua presença no tribunal lotou o auditório. Ganhou a causa, e o acusado foi absolvido.

Nesse mesmo ano, recebeu uma carta que lhe deu muita alegria. O remetente era Carlos Drummond de Andrade:

“Caro Dr. Sobral,

Não há brasileiro bem informado que ignore isto: o senhor é o escritor de cartas mais fértil e mais carojaso do país. Pois agora recebe a cartinha de um brasileiro que tem aprendido muito com a sua inumerável correspondência. Não vou fazer a estatística das cartas que o senhor vem escrevendo em dezenas de anos. São milhares, talvez. E todas contém uma verdade desagradável, que pouquíssima gente ousa dizer. O senhor ousa. O senhor, Dr. Sobral, nasceu e vive para reclamar justiça sob as formas mais variadas. Alguém praticou uma arbitrariedade? Negou uma prerrogativa do cidadão? Ameaçou a estabilidade das instituições legais? Aí o senhor záz! Despeja contra o infrator a terrível artilharia de um homem desarmado: a palavra certa. Em geral suas cartas são irrespondíveis. Como, se o senhor esta sempre do lado justo? Se é advogado do país, e não apenas dos clientes da sua banca. Um advogado que não chicana e nem sequer cobra honorários, pois se julga devedor do povo. Muitas dessas cartas surtiram efeito devastador, ou pelo menos geraram arrependimentos. De qualquer forma; elas ficarão como testemunho de uma consciência cívica e de uma época. Por que o senhor, no fundo, não escreve para os contemporâneos. Escreve para o futuro, para as gerações que estão no ventre das possibilidades para o amanhã do Brasil. E com que arte escreve… Por mais zangadas que sejam as suas cartas, elas são gentilíssimas, e sempre humildes, como devem ser os atos do bom cristão. Pois o senhor, reunindo amor e justiça, é rigorosamente um bom cristão.

Nós lhe beijamos as mãos calejadas. Esta carta deixa de ser minha apenas. Milhões de brasileiros, agradecidos e emocionados, a subscrevem.

Carlos Drummond de Andrade”

Aos 91 anos, teve participação marcante na campanha pelas Diretas Já em 1984, o maior movimento cívico de nossa história. Por ironia do destino, mas ironia daquelas que lavam a alma, não conseguia subir a escada íngreme que levava ao palanque. A solução foi um grupo de soldados da Polícia Militar o levantarem pelos braços, subindo com ele. Em momento inesquecível num comício gigantesco na Candelária, centro do Rio, o Dr. Sobral suplantou Tancredo Neves, Ulysses Guimarães, Leonel Brizola e quantos outros que lá se encontravam. Em seu indefectível paletó e chapéu preto (símbolo de luto pela morte de dois de seus sete filhos na década de 50), leu apenas o art. 1º da Constituição Federal: “Todo poder emana do povo e em seu nome é exercido”.

Sobral Pinto trabalhou até um pouco antes de sua morte, em escritório na Rua D’ebret, no centro do Rio. Em 1990, atendeu o último cliente, o 1º tenente da FAB, Milton Mascaro, que fora cassado pelo Ministério da Aeronáutica em 1980. Mascaro foi absolvido.

Em sua última manifestação pública, na VII Conferência Estadual da OAB/RJ, Sobral declarou seu otimismo em relação ao futuro do país. Afirmou: “Sem Direito, sem leis e sem justiça não há sociedade que cresça e se organize”.

Dr. Sobral tornou-se nacionalmente conhecido por suas cartas. Escrevia para Presidentes da República, Ministros de Estado, amigos e familiares. Remeteu várias cartas de protesto, como as de repúdio ao envio de Olga Benário (esposa de Luiz Carlos Prestes) para a Alemanha Nazista, onde foi morta; defendendo a posse de Juscelino; contra o golpe de 1964; e em outros momentos difíceis da história.

Um pouco antes de morrer, em entrevista à Revista Veja, declara como última sentença: “O país sairá da crise com uma campanha que eduque a juventude brasileira, que amanhã vai dirigir os destinos da nação.”

Aos 98 anos (o mais antigo advogado do Brasil), nosso grande jurista e patrono veio a falecer na manhã do dia 30 de novembro de 1991, em sua casa, no bairro das Laranjeiras, na cidade do Rio de Janeiro, por causa de uma falência múltipla dos órgãos, causada por uma pneumonia. Seu corpo está enterrado no cemitério São João Batista.

Nesta época, o presidente da OAB no Rio declarava que Sobral Pinto era o maior advogado do Brasil. Evandro Lins e Silva, amigo de Sobral desde 1934, comentou: “Ele foi um advogado nobre e vitorioso, que morreu numa pobreza franciscana”.

Em 05.11.96, no Auditório Antônio Carlos Amorim, foi inaugurado o Centro de memória Heráclito Fontoura Sobral Pinto, constando dele mais de 12.000 volumes de livros, revistas e folhetos acumulados durante sua vida jurídica e que foi doado pela família Sobral Pinto à Escola de Magistratura do Estado do Rio de Janeiro. Após a abertura da solenidade, o Ministro Nelson Jobim conferiu honra póstuma a Sobral Pinto a comenda da Ordem Nacional do Mérito, até então só concedida a chefes de Estado.

Outras condecorações recebidas por Sobral foram: Ordem do Mérito Jurídico Militar, pelo STM em 1959; Ordem de Mayo – Al Mérito, no grau de Comendador, pelo Presidente da Argentina, em 1964; Medalha Cultural José Veríssimo, pela Academia Paraense de Letras, em 1971; Grande Medalha da Inconfidência, pelo Governador de Minas Gerais, em 1983; Ordem do Mérito Judiciário, pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, em 1983; Ordem do Mérito Legislativo, no grau Mérito Especial, pela Assembléia Legislativa de Minas Gerais, em 1983; Ordem do Rio Branco, no grau Grande Oficial, pelo Presidente da República, em 1985; e Ordem do Mérito do Trabalho, no grau Grâ-Cruz, pelo Presidente da República, em 1985.

Sobral Pinto foi um jurista e professor brasileiro que se notabilizou, nos seus 74 anos de carreira, pela atuação em defesa constante das instituições democráticas, dos direitos individuais e das liberdades públicas; e eterna oposição aos governos autoritários. Sempre em defesa do respeito à justiça e aos Direitos Humanos fundamentais, não discriminava dentre seus clientes, sexo, cor, filosofia ou religião. A vida de Sobral Pinto, enfim, foi uma lição de respeito ao valor da vida, sempre defendendo que todos os cidadãos têm direito à ampla defesa e ao contraditório, princípios consagrados constitucionalmente.

Tamanha coerência de princípios e integridade fizeram dele um homem respeitado, mas não rico: “Eu sou um homem de poucos recursos. Trabalho até hoje porque preciso ganhar dinheiro no meu escritório.”

Este homem deixou um vazio que nunca mais será preenchido nas trincheiras da lei e da justiça no país. Entretanto, homens com Sobral Pinto não morrem nunca!

Tarso Cabral Violin

Símbolo do CASP, criado na gestão “Daqui por diante, vai ter que ser assim” (1996-1997).

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Autor: , publicado pelo Luis Nassif, recomendado pelo advogado Rogério Bueno da Silva:

Sobral Pinto

Heráclito Fontoura Sobral Pinto talvez tenha sido o maior advogado brasileiro, superando mesmo o próprio Rui Barbosa. Continuar lendo

Terceirização na Administração, livro em homenagem ao professor Pedro Paulo de Almeida Dutra

O livro “Terceirização na Administração“, em homenagem ao professor Pedro Paulo de Almeida Dutra, coordenado por Cristiana Fortini, publicado pela editora Fórum, já está na 2ª edição. Com textos de:

Cristiana Fortini

Flávia Cristina Mendonça Faria da Pieve

José dos Santos Carvalho Filho

Maria Sylvia Zanella Di Pietro

Rita Tourinho

Tarso Cabral Violin

Virginia Kirchmeyer Vieira

Beto Richa na Celepar: fuga do concurso público e privatização de atividades-fim de quase R$ 40 milhões

A Companhia de Informática do Paraná – Celepar continua a terceirizar suas atividades-fim, o que é uma burla ao concurso público (art. 37 da Constituição da República). A empresa estatal, gerida pelos homens de confiança do governador Beto Richa (PSDB), abriu licitação para contratação de empresas privadas para complementar a capacidade de fornecimento de soluções de TIC – tecnologia da informação e comunicação da companhia, por meio de desenvolvimento e fornecimento de produtos de software, para que sejam agregados às soluções desenvolvidas pela CELEPAR aos órgãos do Estado do Paraná.

Ou seja, ao invés de realizar concurso público para a contratação de pessoal, vai privatizar para que empresas privadas prestem os serviços para a empresa. E não são atividades-meio, mas atividades-fim da empresa, que devem ser executadas por servidores da Celepar, e não por empresas privadas.

Beto Richa prometeu nas eleições que não iria privatizar, mas sim fortalecer as empresas estatais. Mas está fazendo exatamente o que fez o ex-governador Jaime Lerner: precarizar a Celepar e terceirizar as atividades essenciais da empresa, transformando a Celepar apenas numa intermediadora entre governo e empresas privadas, a exemplo do ICI – Instituto Curitiba de Informática.

A licitação é a concorrência pública 002/2012, e será aberta no dia 16 de julho de 2012, com valor estimado de R$ 38.318.464,73. para maiores informações, clique aqui.

Ministério Público? Não questiona as terceirizações ilícitas. Tribunal de Contas do Paraná? Está virando piada. Oposição na Assembleia Legislativa? Onde está você?

Charge: Tortura e o Direito do Trabalho

Folha de S. Paulo de 10.06.2012

ONG que recebe milhões de Curitiba se nega a cumprir Lei da Transparência

Sede do ICI em Curitiba, que é de propriedade do povo curitibano, mas utilizada por instituição privada não transparente. Foto de Tarso Cabral Violin / Blog do Tarso. Via iPhone/Instagram

O Instituto Curitiba de Informática – ICI é uma associação privada qualificada como organização social – OS pelo Município de Curitiba, e recebe milhões de reais anuais da Prefeitura de Curitiba, para prestar serviços de TIC  – Tecnologia da Informação e Comunicação para o município.

Conforme amplamente divulgado no Blog do Tarso, há mais de vinte dias enviei um pedido de informação ao ICI, requerendo várias informações para a entidade privada, já que a Lei de Acesso a Informação exige total transparência também das entidades do Terceiro Setor que recebam dinheiro público.

Veja a petição que encaminhei pelo correio para o ICI (com AR), já que ele se negou a receber o protocolo, clique aqui.

Veja agora a resposta atrasada do ICI, clique aqui. Em sua resposta, o ICI culpa o prefeito Luciano Ducci (PSB) por ele ainda não ter regulamentado a Lei 12.527/11 (Lei de Acesso à Informação), por meio de decreto, sendo que a presidenta Dilma Rousseff (PT) e o governador Beto Richa (PSDB) já regulamentaram nos seus âmbitos federal e estadual, respectivamente.

O ICI, em sua resposta, simplesmente joga a Constituição e a Lei de Acesso à Informação no lixo, ao não respeitar o princípio constitucional da publicidade (art. 37 da CF) e o art, 2º da Lei:

Art. 2o  Aplicam-se as disposições desta Lei, no que couber, às entidades privadas sem fins lucrativos que recebam, para realização de ações de interesse público, recursos públicos diretamente do orçamento ou mediante subvenções sociais, contrato de gestão, termo de parceria, convênios, acordo, ajustes ou outros instrumentos congêneres.

A lei é clara ao obrigar que entidades privadas do Terceiro Setor que recebam dinheiro público devem ser transparentes.

O maior jurista do Direito Administrativo paranaense, professor doutor Romeu Felipe Bacellar Filho (titular da UFPR e PUCPR), é claro ao dizer em suas palestras que o dinheiro público é igual ao Rei Midas. Enquanto no que Midas encosta vira ouro, no que envolve o dinheiro público, publicizado está.

Em sua resposta, o ICI, para divulgar o contrato de gestão celebrado com o Município de Curitiba, que deveria estar divulgado no site da prefeitura e do ICI, quer cobrar R$ 141,00 para o obtenção de cópias, quando solicitei a disponibilidade por meio de CD ou outra forma digital.

E todos os demais pedidos foram negados:

1. Relação dos contratos administrativos, convênios e demais acordos de vontade celebrados entre o ICI e o Município de Curitiba, com objeto, valor do acordo e vigência, desde a fundação do ICI;

2. Relação dos contratos administrativos, convênios e demais acordos de vontade celebrados entre o ICI e demais órgãos e entidades da Administração Pública do Brasil, com objeto, valor do acordo e vigência, desde a fundação do ICI

3. Relação das verbas financeiras recebidas pelo ICI do Município de Curitiba, desde sua fundação;

4. Relação dos contratos administrativos com empresas privadas na área de TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação), com o nome da empresa, objeto do contrato, valor e vigência;

5. Relação de todos os trabalhadores do ICI;

6. Valor da remuneração e demais benefícios recebidos por seus Diretores, Conselheiros e demais cargos de comando como superintendes, gerentes, etc.

O ICI ainda informa que não faz concurso público para a contratação de seus trabalhadores, e nem licitação para suas contratações.

O Acordo Coletivo de Trabalho do ICI com seus trabalhadores, o instituto também quer cobrar pelas cópias, ao invés de divulgar no seu site.

Essa falta de transparência é uma vergonha! O que o ICI tem a esconder da população curitibana? Ministério Público e Tribunal de Contas do Estado, façam alguma coisa!

Veja mais informações sobre o ICI, clique aqui.

Tarso Cabral Violin – Blog do Tarso

Corinthians e o fim da terceirização

Veja matéria de hoje da Folha de S. Paulo

Construtoras ampliam equipe própria

Substituição da terceirização no canteiro de obras é recurso para reduzir atrasos e gastos com ações trabalhistas

Aquecimento do setor viabiliza mudança; obra do estádio do Corinthians tem 70% de funcionários próprios

MARIANA SALLOWICZ
DE SÃO PAULO

Pressionadas por atrasos nas entregas de empreendimentos e pelo crescimento de ações trabalhistas, as construtoras têm aumentado a contratação de trabalhadores próprios nos canteiros e reduzido a terceirização.

Essa reestruturação é viabilizada pelo aquecimento do mercado. “O crescimento deu condições para manter o funcionário interno. Hoje é possível mandar o operário de uma obra para a outra”, diz Haruo Ishikawa, vice-presidente de relações capital-trabalho do SindusCon-SP.

A Tecnisa é uma das empresas que têm seguido o movimento. O percentual de trabalhadores próprios nas obras subiu de 40%, em 2010, para 50% no ano passado.

Já a Odebrecht tem cerca de 70% de funcionários diretos na obra do estádio do Corinthians, em São Paulo.

“O gasto tende a crescer ao internalizar a mão de obra. Porém a conta fecha porque o risco de ações trabalhistas e atrasos é maior [com as terceirizadas]”, diz Marcello Zappia, diretor de Recursos Humanos da Tecnisa.

A alta no custo da mão de obra foi de 10,2% nos últimos 12 meses, segundo dados da FGV.

As ações trabalhistas também têm grande peso para o setor. As construtoras respondem solidariamente na Justiça pelas empresas terceirizadas. Assim, quando a prestadora de serviço não quita o débito, é acionada.

“Se o funcionário é nosso, estamos certos de que encargos e impostos estão sendo recolhidos corretamente.”

PLANEJAMENTO

Outro estímulo para a contratação direta é a possibilidade de planejar o uso da mão de obra. A Hochtief do Brasil, com sede em São Paulo, vai iniciar no segundo semestre uma obra no Rio com mais de 500 operários e planeja deslocar funcionários.

“Vou ter muita dificuldade de conseguir esse número de terceirizados lá, onde o mercado está muito aquecido”, diz André Glogowsky, presidente do conselho de administração da empresa.

A construtora vai optar pela contratação direta para evitar multas por atraso.

“O serviço interno permite que a empresa tenha maior domínio sobre o processo e administre melhor os prazos”, afirma Ana Maria Castelo, coordenadora de projetos da construção da FGV.

As queixas contra construtoras em São Paulo cresceram 153% entre 2008 e 2011, segundo o Procon-SP. A maioria das reclamações é relacionada a atrasos na entrega.

A qualidade é outro ponto sensível no setor. Como muitas prestadoras lucram pelo volume de trabalho, algumas não entregam o serviço conforme o esperado.

Esse é um dos motivos que fizeram a WTorre Engenharia optar pelas terceirizadas só para a execução de serviços especializados, que não podem ser feitos internamente (como fundação do terreno e impermeabilização).

“Quando contrato um operário, ele fica em período de teste antes. Depois, pode ser treinado e, dessa forma, aumento a produtividade”, diz Sérgio Lindenberg, diretor-superintendente da empresa.

“O gasto tende a crescer ao internalizar a mão de obra. Porém a conta fecha porque o risco de ações trabalhistas e atrasos é maior [com as terceirizadas]”

MARCELLO ZAPPIA
diretor de RH da Tecnisa

Operários preferem vínculo mesmo com salário menor

Trabalhador diz que contrato com construtora dá mais garantia de receber em dia

Empresas terceirizadas até oferecem ganhos maiores, mas atraso no pagamento é comum, relatam operários

DE SÃO PAULO

A maior parte dos operários da construção civil prefere trabalhar diretamente com construtoras a trabalhar com terceirizadas, mesmo que isso signifique às vezes abrir mão de salário maior.

Antonio de Sousa Ramalho, presidente do Sintracon-SP (Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias na Construção Civil), diz que os operários buscam garantia de que receberão os benefícios.

O carpinteiro Reinaldo Pascoal, 39, faz parte desse grupo. “Estou há quase dez anos no setor da construção e já tive muitos problemas. Hoje, valorizo fazer parte de uma empresa grande”, conta Pascoal, há um ano contratado por uma construtora.

Segundo Ramalho, um pedreiro que recebe, em média, R$ 2.000 nas grandes empresas poderia ganhar R$ 2.600 nas empreiteiras. “Não vale a pena ter a promessa de receber mais sem garantias.”

Além de atrasos nos pagamentos, os trabalhadores enfrentam problemas com recolhimento de FGTS e INSS. Pascoal diz já ter ficado cinco meses com salário atrasado. “Tinha que avisar o engenheiro da construtora que a empreiteira não estava pagando. Daí corriam para pagar e não perder o contrato.”

Trabalhadores de nível superior também preferem o vínculo com a construtora. A engenheira Vanda Vilarinho Borges, 54, é gerente de obras da Tecnisa. Antes, trabalhou numa prestadora de serviços.

“Na empresa, é mais fácil ter acesso a informações dos projetos. O relacionamento com a equipe também é melhor.”

(MARIANA SALLOWICZ)

Lei de Mobilidade Urbana sendo discutida no Congresso de Direito Público do Mercosul, em Foz do Iguaçu

Abertura do VI Congresso da Associação de Direito Público do Mercosul, em Foz do Iguaçu, dia 07.06.2012. Foto de Tarso Cabral Violin, via Instagram

Neste momento no  VI Congresso da Associação de Direito Público do Mercosul, em Foz do Iguaçu, debate sobre a Lei de Mobilidade Urbana entre os professores Paulo Roberto Ferreira Motta, Marcio Cammarosano e Rogério Gesta Leal, sob a presidência de Lígia Maria de Melo Casimiro. Veja o texto completo da Lei 12.587/2012: Continuar lendo

Dilma imita FHC

O art. 62 da Constituição da República dispõe que em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional. Portanto, a MP é um ato excepcional do presidente. Em sua edição não há a discussão democrática prévia no Congresso Nacional. O controle parlamentar é a posteriori.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardozo (1995-2002), do PSDB, foi o campeão em edição de MPs. Várias leis de sua época foram primeiro editadas via MPs, como por exemplo a lei do pregão e a lei das OS.

O maior administrativista brasileiro, Celso Antônio Bandeira de Mello, em seu Curso de Direito Administrativo aponta várias críticas sobre o abuso na edição de MPs pelo Poder Executivo.

Em 2001 a Emenda Constitucional 32 limitou a edição e reedição das MPs, mas os presidentes do Partido dos Trabalhadores, Lula e Dilma, infelizmente, também editam muitas MPs.

O exemplo mais recente foi a inclusão da possibilidade da utilização do Regime Diferenciado de Contratações, inicialmente criado apenas para as obras da Copa e Olimpíadas, nas obras do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento.

Ainda bem que a presidenta Dilma não imitou FHC nas privatizações de empresas estatais, desrespeito com os aposentados, programas sociais tímidos, aumento das desigualdades sociais, aumento na descrença ao Estado Social e Democrático de Direito, entre outros retrocessos do governo tucano.

Mas o exagero na utilização de MPs deve ser algo a ser freado no atual governo, para o bem da democracia, por mais que nosso congresso nacional seja lento, complexo e sedento por atender interesses privados e não públicos.

Amanhã Foz do Iguaçu!

Cataratas do Iguaçu em outubro de 2011, Foz do Iguaçu – Paraná – Brasil. Foto de Tarso Cabral Violin

Amanhã irei para Foz do Iguaçu para o VI Congresso da Associação de Direito Público do Mercosul, dias 07 a 09 de junho de 2012. Evento essencial, clique aqui.

Barragem iluminada da Usina da Itaipu Binacional. Foto de Tarso Cabral Violin

Foram escolhidos os dois novos Ombudsman do Blog do Tarso

Nos próximos dias estrearão as colunas mensais dos dois novos Ombudsman do Blog do Tarso.

Ombudsman, do sueco “representante do povo”, é uma pessoa que tem a função de receber críticas, sugestões e reclamações e deve agir em defesa imparcial da comunidade. Pode ser uma espécie de “ouvidor” tanto de entidades públicas quanto privadas e serve de elo com a sociedade. No jornalismo ele é o representante dos leitores. Na imprensa a função foi criada nos Estados Unidos na década de 60, fez sucesso no jornal El País da Espanha e no Brasil foi criado em 1989, na Folha de S. Paulo, o primeiro da América-Latina.

O Blog do Tarso celebrou parcerias com dois voluntários interessados em ser o Ombudsman do Blog do Tarso, e terão uma coluna mensal no Blog, um no começo do mês e o outro no meio.

Aguardem!

Vergonha para o Paraná: 3º estado com mais leis inconstitucionais

STF. Foto de Tarso Cabral Violin / Blog do Tarso

Segundo o caderno Justiça e Direito da Gazeta do Povo de sexta-feira, em 2011 o Paraná é o terceiro estado com mais leis inconstitucionais, das questionadas no STF. Das 7 leis do Paraná questionadas, 5 foram consideradas inconstitucionais.

Como melhor esse quadro vergonhoso? Assessores jurídicos concursados e com independência nos poderes Executivo e Legislativo e deputados estaduais que compõem a CCJ da Assembleia Legislativa mais competentes, com assessores jurídicos concursados.

Acabou de ser escolhido um Conselheiro do Tribunal de Contas pela Assembleia Legislativa que justificou ter NOTÓRIO conhecimento jurídico por ter sido deputado estadual membro da CCJ e ter sido Secretário Chefe da Casa Civil do governo do estado. Pelo baixo nível de constitucionalidade de nossas leis, parece que estamos mal de representação também no Tribunal de Contas do Estado. Por suas mãos passaram leis inconstitucionais como as recentes Lei de privatização da saúde e da cultura via OS – organizações sociais e a Lei da privatização dos presídios. Ambas inconstitucionais e de baixo nível técnico.

Mas o que esperar da maioria dos nossos deputados estaduais?

Professores são reeleitos à frente da direção da Faculdade de Direito da UFPR

Os professores Ricardo Marcelo Fonseca e Vera Karam de Chueiri foram reeleitos na última quarta-feira (30) diretor e vice-diretora da Faculdade de Direito da UFPR.

Ricardo Marcelo e Vera Karam obtiveram 93% dos votos entre os servidores técnico-administrativos –25 dos 27 votantes optaram pela chapa. Houve dois votos nulos na urna dos técnicos.

O mesmo percentual de votação foi verificado na urna dos professores, que registrou 53 votos (93%) em Ricardo e Vera, três nulos e um em branco.

Entre os alunos,  Ricardo Marcelo Fonseca obteve 196 votos (86%) e Vera Karam de Chueiri, 193 (85%). Os votos nulos somaram 22. E os brancos, 9 para o cargo de diretor e 12 para o de vice-diretora.

Ricardo Marcelo observou que 100% dos servidores técnico-administrativos votaram. No caso do corpo docente, o percentual de comparecimento foi de quase 90%.

“Só temos que agradecer imensamente pelo apoio intenso e pela votação legitimadora”, afirmou Ricardo. “Considerando o contexto de greve na UFPR e a existência de uma só candidatura, só temos a comemorar o grande envolvimento da comunidade nas eleições.”

Vera Karam agradeceu a participação da comunidade no processo eleitoral. “Cremos na comunicação sem entraves e na construção de canais mais amplos de diálogo. Este espaço se constituiu para isso.”

O novo mandato, de quatro anos, começa no próximo mês de julho. A data da posse ainda não está definida.

“Só podemos retribuir toda a confiança trabalhando, com muita dedicação, diálogo e compromisso público, para o crescimento contínuo de nossa Faculdade de Direito da UFPR. Muito obrigado”, concluiu Ricardo.

Juristas criticam permissões de taxi vitalícias e transferíveis implementadas por Luciano Ducci

Conforme já questionado pelo Blog do Tarso, o prefeito de Curitiba Luciano Ducci (PSB) acabou de sancionar lei que permite que as concessões de taxi em Curitiba ejam repassadas de pai para filho, o que é totalmente inconsticucional. Veja matéria de hoje da Gazeta do Povo, onde vários juristas criticam o procedimento. Ducci quer ganhar os votos dos taxistas em ano que pretende se reeleger.

Ministério Público, Tribunal de Contas e OAB, façam alguma coisa!

O RDC e o PAC

Veja matéria sobre o Planalto não ter conseguido aprovar a tempo a flexibilização de licitações (RDC – Regime Diferenciado de Contratações) do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento, na Gazeta do Povo de hoje, clique aqui.

Ministro Marco Aurélio Mello do STF defende Lula e questiona Gilmar Mendes

Ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF). Foto de Lula Marques/Folhapress

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal – STF, disse ontem em entrevista para a Folha de S. Paulo que mesmo se for verdade, é “legítimo” e “normal” que o ex-presidente Lula manifeste opinião sobre a data que considera mais conveniente para o julgamento do mensalão. Justificou que é aceitável porque Lula não não é jurista e porque ele é do PT, e que ele não tratou do mérito do processo. Disse também que o encontro deveria ter ocorrido no STF, e não no escritório de Nelson Jobim, ex-ministro do STF.

Mello ainda disse não ter entendido porque Gilmar Mendes demorou muito tempo para relatar a conversa.

Veja os vídeos da entrevista, clique aqui.

Documentário sobre a ABDConst – Academia Brasileira de Direito Constitucional

Parabéns ao Flávio Pansieri e professor Dalmo de Abreu Dallari. Estou no documentário no 5’51”, falando sobre o meu apoio inicial ao embrião da entidade quando fui presidente do Centro Acadêmico Sobral Pinto (Direito PUCPR). Inclusive, logo depois fala o professor Edson Vieira Abdala sobre sua histórica palestra nas escadarias da PUCPR de São José dos Pinhais, pois a direção da época fechou as portas do teatro.