Provavelmente vou participar com um texto no tema: Constitución, Administración Pública y reforma constitucional, com prazo até 15 de março de 2014 para envio.
Arquivo do autor:Tarso Cabral Violin
Amanhã, 14h, todos no TC para cobrar uma decisão correta sobre o transporte coletivo de Curitiba
Segundo um relatório do Tribunal de Contas do Estado do Paraná coordenado pelo diretor de Execuções, Cláudio Henrique de Castro, a licitação do transporte coletivo realizada pela gestão do então prefeito Beto Richa (PSDB) foi ilegal. Nos termos desse relatório, o TCE-PR mandou reduzir tarifa técnica de ônibus de Curitiba em 43 centavos. Veja a decisão, clique aqui.
Amanhã (6), em sessão do Pleno, o TCE-PR votará a decisão liminar que determinou a redução de R$ 0,43 na tarifa do transporte coletivo de Curitiba. A sessão é aberta ao público e será transmitida, ao vivo, pela TV Sinal, a partir das 14 h.
O relatório da auditoria sobre a tarifa recebeu o apoio de diversas entidades, incluindo a Comissão de Estudos Constitucionais da OAB – Seccional Paraná, da qual faço parte; o Senge – Sindicato dos Engenheiros do PR; a CPI do Transporte Coletivo de Curitiba, instalada pela Câmara de Vereadores, bem como a própria Prefeitura Municipal de Curitiba e a Urbs.
A OAB/PR, em parecer da Comissão de Estudos Constitucionais (veja o parecer, clique aqui), elaborado por seu relator, advogado Ilton Norberto Robl Filho, ratificou os termos do relatório final da auditoria do TCE, durante sessão especial. Na reunião do Senge que debateu a questão, as conclusões do TCE foram avalizadas não apenas pelo órgão que representa os engenheiros, mas também pela APP Sindicato, Sindiurbano, Sindicatos dos Bancários e Associação dos Professores da UFPR, dentre outras entidades.
As conclusões também serviram de subsídio para a elaboração do relatório final da CPI do Transporte da Câmara dos Vereadores. Elas foram destacadas no texto final do documento pelo relator, vereador Bruno Pessuti.
Peço que todos os interessados no tema compareçam à sessão do TC, tragam o maior número de pessoas para o auditório do pleno do Colendo Tribunal. Divulguem, participem!
O TCE-PR fica na Praça Nossa Senhora de Salette s/n, Centro Cívico de Curitiba, ao lado do Palácio do (des)Governo.
Veja a lista dos 34 deputados que não querem investigar suspeita de propina para irmão de Beto Richa

Depois de legislar, a principal função do Poder Legislativo é de fiscalizar o Poder Executivo.
Veja a lista dos 34 deputados estaduais do Paraná que não querem investigar a suspeita de propina para irmão do governador Beto Richa (PSDB, Pepe Richa:
ADELINO RIBEIRO PSL
ADEMAR TRAIANO PSDB
ADEMIR BIER PMDB
ALCEU MARON FILHO PSDB
ANDRÉ BUENO PDT
ARTAGÃO JUNIOR PMDB
BERNARDO RIBAS CARLI PSDB
CAÍTO QUINTANA PMDB
CANTORA MARA LIMA PSDB
DOUGLAS FABRÍCIO PPS
DUÍLIO GENARI PP
ELIO RUSCH DEM
EVANDRO JUNIOR PSDB
FERNANDO SCANAVACA PDT
FRANCISCO BÜHRER PSDB
GILBERTO RIBEIRO PSB
GILSON DE SOUZA PSC
JONAS GUIMARÃES PMDB
LUIZ ACCORSI PSDB
MARLA TURECK PSD
MAURO MORAES PSDB
NELSON GARCIA PSDB
NELSON JUSTUS DEM
NEREU MOURA PMDB
PASTOR EDSON PRACZYK PRB
PEDRO LUPION DEM
PLAUTO MIRÓ DEM
RASCA RODRIGUES PV
ROSE LITRO PSDB
TERCILIO TURINI PPS
WALDYR PUGLIESI PMDB
WILSON QUINTEIRO PSB
Votaram pelo comparecimento de Pepe Richa para dar explicações aos deputados:
CLEITON KIELSE PMDB
ELTON WELTER PT
ENIO VERRI PT
LUCIANA RAFAGNIN PT
NELSON LUERSEN PDT
PÉRICLES DE MELLO PT
PROFESSOR LEMOS PT
TADEU VENERI PT
TONINHO WANDSCHEER PT
Alguns deputados estavam presentes mas não votaram. Por que será? Veja a lista:
ALEXANDRE CURI PMDB
GILBERTO MARTIN PMDB
HERMAS BRANDÃO JR PSB
LUIZ CARLOS MARTINS PSD
NEY LEPREVOST PSD (mas apoiou o não comparecimento de Pepe Richa)
OSMAR BERTOLDI DEM
PARANHOS PSC
ROBERTO ACIOLLI PV
STEPHANES JUNIOR PMDB
TERUO KATO PMDB
VALDIR ROSSONI PSDB (por ser presidente, mas votaria pelo não comparecimento)
Simon Taylor com uma imagem falou mais que mil palavras sobre Beto Richa
34 deputados estaduais não querem investigar suspeita de propina para irmão de Beto Richa
34 deputados estaduais do Paraná não querem convidar o secretário de Infraestrutura e Logística do Paraná José Richa Filho, vulgo Pepe Richa, irmão do governador Carlos Alberto Richa, vulgo Beto Richa, para prestar esclarecimentos na Assembleia Legislativa do Paraná.
“Pepe” Richa deve esclarecimentos sobre denúncias de uma empresária que disse que o irmão do governador recebeu propina de R$ 500 mil.
O Ministério Público vai investigar se irmão de Beto Richa é propineiro, mas a maioria dos nossos deputados não têm interesse nas investigações.
Apenas 9 parlamentares são a favor do pedido, entre eles o líder do PT na Assembleia, o deputado Tadeu Veneri.
Os 34 deputados anti-investigação são da situação e foram liderados pelo deputado Ademar Traiano (PSDB), líder do governo Beto Richa (PSDB).
Pepe nega que seja propineiro. Beto nega que seu irmão seja propineiro.
Entendo que uma CPI do Pepe seria legal.
Por favor outubro de 2014, chega logo!
Globo censura documentário sobre Lula da filmografia de Eduardo Coutinho, falecido ontem
Atualizado no dia 04.03.2014, 01h
O cineasta Eduardo Coutinho (81) foi assassinado a facadas ontem (2), em sua casa no Rio de Janeiro. Sua esposa e seu filho também foram esfaqueados, e segundo a polícia o filho de Coutinho, que tem problemas mentais, foi o homicida e depois tentou se matar.
Coutinho era um dos maiores documentaristas do Brasil, com filmes como Cabra Marcado para Morrer, Peões, Edifício Master, entre outros. Em 2007 ele ganhou o Kikito de Cristal, principal premiação do cinema brasileiro, pelo conjunto da obra.
Seu filme “Peões” (2004) foi um dos principais em sua carreira, vencedor do Candango de Ouro de melhor filme, no Festival de Brasília, e do Troféu APCA na categoria de melhor documentário.
O documentário trata dos operários metalúrgicos e sindicalistas do ABC que realizaram grandes greves na década de 70, em plena ditadura militar-empresarial. Em especial trata de Luiz Inácio Lula da Silva, que depois seria presidente do Brasil.
Daniel Coutinho fez a pesquisa de personagens do filme Peões.
Mas infelizmente a Rede Globo de Televisão (no Fantástico, clique aqui, e Jornal Hoje, clique aqui) e outras mídias simplesmente censuraram esse filme da filmografia de Coutinho. Citaram outros filmes não tão relevantes.
Para quem não assistiu, é imperdível, veja na íntegra o documentário “Peões”:
Gleisi “dá pito” em Beto Richa
Veja a decisão do TCE-PR que manda Curitiba diminuir tarifa técnica do transporte coletivo
Decisão cautelar do Conselheiro Nestor Baptista do Tribunal de Contas do Estado do Paraná, que determina a prefeitura de Curitiba e a Urbs diminuírem a tarifa técnica do transporte coletivo da cidade. Clique aqui
Lula, de barba, fala sobre a internet
Liminar do TCE manda reduzir tarifa de ônibus de Curitiba em 43 centavos

Do TCE/PR
Em decisão liminar, emitida pelo conselheiro Nestor Baptista na tarde desta quinta-feira (30), o Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) determinou à Prefeitura Municipal de Curitiba (PMC) e à Companhia de Urbanização de Curitiba S/A (Urbs) que seja aplicada uma redução de R$ 0,43 na tarifa técnica do transporte coletivo, a ser reajustada no próximo mês de fevereiro. O conselheiro é relator do processo de auditoria do transporte coletivo de Curitiba.
A auditoria teve seus trabalhos iniciados em setembro de 2013 e apontou diversas irregularidades na composição da tarifa. A mesma decisão determina a não inclusão de nenhum novo item na composição da planilha de reajuste a ser aplicada. No ano passado, o reajuste da tarifa foi aplicado no dia 14 de fevereiro. A auditoria envolveu cerca de 20 técnicos do TCE e foi coordenada pelo diretor de Execuções do Tribunal, Cláudio Henrique de Castro. O relatório está disponível na página do órgão na internet.
Retirada
Na mesma liminar, Baptista determina à PMC e Urbs a retirada da taxa de gerenciamento, no valor de 4% e que é cobrada pela Companhia de Urbanização, do custo dos Hibribus e da taxa de risco.
Também deverão ser expurgados ou alterados quatro itens na composição da planilha do próximo reajuste: impostos exclusivos (Imposto de Renda sobre Pessoa Jurídica e Contribuição sobre o Lucro Líquido); o parâmetro de compra de combustível, que passará a ser fixado pelo preço mínimo da Agência Nacional do Petróleo – ANP e não pelo atual preço médio; retirada total dos custos com depreciação e remuneração de investimentos em edificações apresentados pelas empresas concessionárias; e redução percentual do consumo do diesel através da readequação para cada um dos lotes licitados, de acordo com os percentuais reais apresentados pelas empresa e não pelo parâmetro superior ao praticado pelo edital de licitação.
Requião apoia que Beto Richa se defenda das denúncias de corrupção
Dilma, Aécio Neves ou Eduardo Campos?
Discuto política desde 1982, ininterruptamente, quando com oito anos de idade apoiei Franco Montoro (PMDB) para governador de São Paulo, contra o candidato da direita e da ditadura militar-empresarial, Reinaldo de Barros (PDS, ex-ARENA, atual Democratas e PP). Eram candidatos também Jânio Quadros (PTB), Lula (PT) e Rogê Ferreira (PDT).
Portanto, não sou daqueles que discutem política apenas em ano eleitoral ou perto das eleições.
Mas o que vemos neste janeiro de 2014 são pessoas na internet e na velha mídia (Globo, Veja, etc), sem qualquer fundamentação, começando a atacar a presidenta Dilma Rousseff (PT) da mesma forma como atacavam o segundo mandato de Getúlio Vargas, os presidentes Jango e Lula, e agora Dilma.
É claro que o governo federal tem problemas. Algumas privatizações desnecessárias, dependência de um congresso nacional que reflete o poder financeiro do grande capital, escolha de alguns ministros incompetentes, algumas concessões ao mercado financeiro, falta de um maior diálogo com os movimentos sociais, etc.
Devemos manter a crítica, mas com a noção de que 2014 é um ano eleitoral. Devemos analisar as alternativas e, atualmente, as alternativas à Dilma são desanimadoras.
Aécio Neves (PSDB), se vitorioso, seria um desastre para o país. Com a linha “coronel playboy”, levaria o Brasil para um caos a la FHC, com privatarias, redução dos programas sociais, precarização da Administração Pública, venda do país ao grande capital, cassete nos movimentos sociais. Ou seja, neoliberalismo puro.
Uma improvável vitória de Eduardo Campos (PSB) seria ainda pior. O governador de Pernambuco é tão neoliberal quanto Aécio. Viria com um discurso de mudança mas seria uma decepção grande, com mais neoliberalismo, ainda menos apoio no congresso, com possibilidade de um governo semelhante ao de Fernando Collor de Mello (PRN).
É claro que o ideal seria um governo mais a esquerda. Mas atualmente não há partidos e nem pessoas que poderiam sagra-se vencedores com uma política mais progressista.
O PSOL, partido que respeito, que terá Randolfe Rodrigues como candidato, além de infelizmente muitas vezes fazer o jogo da direita, se fosse vencedor não teria apoio necessário do Congresso Nacional para governar.
O PDT e o PMDB de Roberto Requião vão de Dilma. Não há outro partido ou candidato que garanta uma continuidade de tudo de bom que ocorreu no Brasil de 2003 para cá, e com a coragem ou potencial de melhorar o que não deu tão certo.
A tendência, para o bem do Brasil, é uma vitória de Dilma, já que não teremos a candidatura de Lula, ou de pessoas como um Leonel Brizola ou um Carlos Marighella.
#NãoVaiTerCopa
Ministério Público vai investigar se irmão de Beto Richa é propineiro
Após o “suposto” escândalo de corrupção no governo Beto Richa (PSDB) publicado na revista Istoé desta semana, em matéria jornalística que informa que uma empresária denunciou que o irmão do governador e atual secretário de Beto Richa, Pepe Richa, recebeu propina de R$ 500 mil, o Ministério Público do Estado do Paraná divulgou nota oficial informando que vai investigar o caso.
Leia a nota oficial do MP-PR sobre a abertura da investigação:
“A respeito dos fatos veiculados pela imprensa envolvendo suposto pagamento de propina no caso AGX Log/Renault, o Ministério Público do Paraná abriu nesta segunda-feira (27/01) investigação sobre o assunto. A apuração está a cargo da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Curitiba.”
Pepe Richa disse que não é corrupto e nem propineiro, e que vai processar a revista Istoé para tentar calar a revista.
Aeroporto estatal de Curitiba é o melhor do país, melhor do que os privados
O aeroporto internacional de Curitiba (São José dos Pinhais), Afonso Pena, um aeroporto estatal, com gestão estatal realizada pela Infraero, foi eleito pela terceira vez consecutiva pelos passageiros como o melhor do país, segundo levantamento da Secretaria de Aviação Civil, com nota 4,10, mesma nota dada para outro aeroporto estatal, o de Natal/RN.
A escala é de 1 a 5 e é a terceira edição do Relatório Geral dos Indicadores de Desempenho Operacional em Aeroportos (Indaero, versão integral aqui), pesquisa coordenada pela Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República – SAC. Lançada em 2013 e realizada trimestralmente, a pesquisa foi feita junto a 19.850 usuários da aviação civil, no momento em que estavam dentro dos aeroportos (72% nos terminais domésticos e 28% nas áreas de embarque internacionais). Atribuíram notas a itens como preço do estacionamento, disponibilidade de carrinhos para bagagem, tempo de espera na fila, cordialidade no atendimento, limpeza dos banheiros, restituição de bagagem, informação de voo, internet e também a satisfação geral com o aeroporto. A amostra foi colhida em 15 dos maiores aeroportos do país: Manaus (AM), Fortaleza (CE), Natal (RN), Recife (PE), Brasília (DF), Salvador (BA), Cuiabá (MT), Confins (MG), Guarulhos (SP), Congonhas (SP), Viracopos (SP), Curitiba (PR), Galeão (RJ), Santos Dumont (RJ) e Porto Alegre (RS).
Enquanto isso o maior aeroporto do Brasil, o de Guarulhos, que é gerido por empresas privadas, cada vez piora mais a sua gestão, que é considerada ineficiente, com nota 3,45. Sua colocação vem piorando, era o 9º, depois 13º, e agora está em 14º lugar entre os aeroportos analisados.
Infelizmente o governo federal, pressionado pelo mercado financeiro e políticos neoliberais, concedeu para a iniciativa privada os aeroportos de Viracopos/Campinas, Guarulhos/SP e Brasília/DF, e no final do ano passado os do Galeão/RJ e Confins/MG.
A pesquisa desmente novamente a falácia de que a iniciativa privada é mais eficiente do que a Administração Pública.
O Estado – Vladimir Safatle
Na Folha de S. Paulo de 14.01.2014
Poucos problemas político-filosóficos têm o dom de produzir tantos conflitos quanto aquele a respeito da função do Estado. A divisão entre os que querem pensar uma sociedade sem Estado e os que não veem sentido algum nessa empreitada ultrapassa a dicotomia tradicional entre esquerda e direita. De toda forma, qualquer reflexão possível sobre o Estado na política contemporânea deve partir da internalização das críticas por ele sofridas nos últimos quarenta anos.
Várias delas insistiam no Estado como aparato disciplinar responsável pela perpetuação de uma vida social normatizada na figura do direito. O cidadão do Estado era, acima de tudo, alguém que deveria se conformar a um aparato normativo legal e uniformizador a fim de ser reconhecido como pessoa capaz de contrair contratos, assumir propriedades, direitos positivos, deveres e funções sociais.
A crítica, peça maior de uma teoria renovada do poder, era pertinente. No entanto, ela não implicava, necessariamente, o abandono do reconhecimento do Estado como instituição política central, mas, sim, sua metamorfose. Pois seu puro e simples abandono trazia problemas insolúveis.
Não queremos apenas a possibilidade de se desenvolver como singularidades, queremos ser reconhecidos enquanto singularidades. Mas não quero ser reconhecido apenas na minha comunidade, entre os meus amigos. Quero ser reconhecido em todo e qualquer contexto social do qual participo e porventura participarei.
Abre-se assim uma dimensão de demanda de universalidade que nos impulsiona em direção a um arranjo institucional de garantias de reconhecimento que nos leva, necessariamente, a um conceito pós-nacional de Estado. Sem tal arranjo, demandas dessa natureza perdem seu direito.
Por outro lado, a atividade econômica é produtora de desigualdades. A ampliação da posse comum minora tais desigualdades, mas uma defesa abstrata do fim da propriedade apenas faria com que o desejo de individualização presente na propriedade se voltasse contra o espaço comum. Hegel era suficientemente astuto para perceber que a propriedade não era o problema, mas sua generalização a toda a esfera social e sua transformação em direito fundamental acima de todos os outros.
Mas que instituição tem a força de quebrar os interesses individuais no campo da economia a fim de impedir o desenvolvimento da desigualdade? Claro que poderíamos recorrer à teoria do Estado como agente da classe dominante, mas, mais de uma vez na história, foi a pressão das classes desfavorecidas sobre o Estado que quebrou tais interesses de classe. O que nos obriga a desenvolver, no mínimo, uma figura um pouco mais contraditória do Estado.
Luta de classes – Paul Singer
Na Folha de S. Paulo de 14.01.2013
Reconhecer a pancadaria ao redor de nossa política econômica como luta de classes é necessário para que o público que vai decidir essa parada nas urnas não seja levado a pensar que se trata de uma contenda entre peritos e jovens ingênuos
Desde que a presidenta Dilma Rousseff denunciou a “guerra psicológica” que estaria sendo travada contra os esforços de seu governo para acelerar o crescimento da economia brasileira, os adversários acirraram suas críticas à política econômica vigente, tornando o debate sobre essas questões um dos mais importantes pomos de discórdia que animam os embates entre os candidatos à Presidência nas próximas eleições.
É interessante observar como esses debates –travados num país como o nosso, em pleno emprego há cinco anos– não se distinguem na essência dos debates travados na maioria dos países capitalistas que são democráticos.
Nestes países, quase sempre o desemprego é o mais importante problema social, causa de profundo sofrimento dos que se sustentam mediante trabalho assalariado, tanto dos que têm emprego e temem perdê-lo como dos que foram demitidos e enfrentam grandes dificuldades em conseguir outro.
Isso se aplica tanto a países tidos como “falidos”, como a Grécia e outros da periferia sul da Europa, como aos Estados Unidos e outros que hospedam poderosas multinacionais financeiras e utilizam seu poderio político-econômico para impor a países esmagados por portentosas dívidas públicas ruinosas políticas de “austeridade”, cujo efeito é produzir recessões sucessivas, que ampliam o desemprego e a desgraça dos que não são donos de empresas nem sequer de instrumentos de trabalho que lhes permitiriam ganhar a vida por conta própria.
A maior parte das divergências que atualmente alimentam as controvérsias giram ao redor da questão do emprego e do tamanho e destino do gasto público e de como o ônus dele decorrente é repartido entre as classes sociais que compõem o universo dos contribuintes.
Ao lado desses dois temas, aparecem assuntos correlatos: como os ganhos de produtividade do trabalho são repartidos entre lucros e salários, como a inflação responde ou não aos aumentos de salários e como a valorização cambial da moeda nacional afeta as exportações e as importações.
A base da maioria dessas controvérsias está no tamanho do poder do Estado em controlar e conduzir a economia nacional, tendo por objetivo atender mais ou menos as reivindicações da maioria pobre da população, que constitui também a maioria do eleitorado.
A classe dominante é formada pelos capitalistas que têm por objetivo a sua “liberdade” de fazer o que quiserem com o câmbio, com a localização geográfica de seus investimentos, com os preços e juros que eles cobram dos clientes. Para tanto, eles reivindicam a exclusão do Estado da arena econômica.
A esse respeito, os interesses dos capitalistas e das classes trabalhadores não podem deixar de se contrapor. O povo trabalhador depende das políticas ditas “sociais” que tomam a forma de serviços públicos essenciais: saúde, segurança, transporte, energia, telecomunicações, educação de crianças, jovens, adultos e idosos, habitação social, previdência, cultura etc..
Embora os serviços públicos estejam à disposição de toda a população, somente os pobres dependem deles. As classes abastadas não os usam, porque quase todos eles têm como contraparte serviços análogos prestados por empresas capitalistas privadas.
O entrechoque de interesses fica flagrante no caso do transporte urbano: o espaço de circulação é disputado por automóveis de passageiros e ônibus e outras modalidades de transporte público.
A mesma disputa fica tristemente óbvia quando os porta-vozes da classe capitalista encenam campanhas contra o tamanho dos impostos, quando todos sabem que o SUS, o Sistema Único de Saúde do qual dependem os trabalhadores, carece de meios para curar e salvar vidas porque o Orçamento do governo federal não dispõe de recursos para tanto.
A luta de classes até o fim do século passado se travava entre liberais extremados, conhecidos como neoliberais, e partidários de diferentes socialismos então sendo praticados em diversos países. Atualmente, a maioria desses socialismos “realmente existentes” não existe mais. A plataforma dos críticos e adversários do capitalismo hoje é inspirada tanto no marxismo como em autores profundamente comprometidos com a democracia como Keynes, Gramsci, Karl Polanyi, Rosa Luxemburgo e Baruch Spinoza.
O que atualmente surge como alternativa mais significativa ao capitalismo é a economia solidária, praticada por setores organizados em movimentos sociais em todos os continentes, geralmente sob a forma do cooperativismo.
A economia solidária é um modo de produção que surgiu nos alvores da primeira revolução industrial, no início do século 19, na Grã-Bretanha e na França, como reação aos salários miseráveis pagos então aos operários, operárias e crianças nas fábricas por jornadas extenuantes de 15 ou mais horas…
Ocorrendo conflitos com os patrões, os grevistas eram despedidos e, em reação, formavam suas próprias oficinas, uma vez tendo aprendido os segredos do ofício.
Desse modo surgiram as primeiras cooperativas de trabalho, empresas pertencentes aos trabalhadores, que as administravam coletivamente, cada sócio tendo um voto nas assembleias em que as decisões eram adotadas. Os ganhos resultantes do trabalho comum eram repartidos por critérios de justiça distributiva entre os sócios, adotados por maioria ou unanimidade nas assembleias.
Esse modelo aperfeiçoado pelos Pioneiros de Rochdale, em 1844, continua sendo praticado, com aprimoramentos de todas as filiadas à Aliança Internacional de Cooperativas, inclusive as agrárias, de consumo, de crédito, de moradia e de diversas outras modalidades.
Hoje, 170 anos depois, o cooperativismo surge como um modo de organizar atividades de produção, comércio justo, poupança e crédito, consumo consciente e responsável e sob a forma de movimento social dedicado à luta contra a miséria e naturalmente como alternativa ao modo de produção dominante –o capitalismo.
Com a difusão da democracia como modelo de normalidade politica, a economia solidária torna-se cada vez mais atraente para os que almejam igualdade e justiça para suas comunidades.
Os seus partidários defendem em geral políticas econômicas inspiradas pelo keynesianismo, cujo objetivo maior é o pleno emprego e a eutanásia do rentista, o que significa o fim da hegemonia global do capital financeiro, que é o maior responsável pelas frequentes crises internacionais, das quais os trabalhadores são as principais vítimas.
O trágico fiasco que precipitou o fim pacífico da maioria dos regimes ditos comunistas abriu um imenso vazio ideológico, político e, por que não, ético que o novo papa Francisco começa a preencher em nome da Igreja Católica.
Por tudo isso, reconhecer a pancadaria ao redor de nossa política econômica como luta de classes é necessário para que o público que vai decidir essa parada nas urnas não seja levado a pensar que se trata de uma contenda entre peritos (experts em inglês) e jovens ingênuos que pouco entendem do que está em jogo.
Os que reagimos aos excessos do neoliberalismo temos em vista, acima de tudo, preservar e enriquecer a democracia em nosso país, como garantia de que a luta por uma sociedade mais justa poderá prosseguir até que seus frutos possam ser usufruídos por todos.
PAUL SINGER, 81, é secretário nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego. Foi secretário municipal do Planejamento de São Paulo (gestão Luiza Erundina)
Filmes sobre o golpe e ditadura militar-empresarial no Brasil (1964-1985)
Uma lista elaborada por mim de filmes sobre o golpe e sobre a ditadura militar-empresarial que ocorreu no Brasil entre 1964 e 1985. Alguns deles têm a ver com a ditadura porque foram feitos durante o período. Vários em sua versão completa, outros apenas os trailers. Há uma enormidade de outros filmes sobre as ditaduras da América Latina, mas isso fica para uma outra lista. Esqueci algum? Favor informar nos comentários.
Tarso Cabral Violin – autor do Blog do Tarso
Filmes completos:
O dia que durou 21 anos
Cidadão Boilesen
Jango
Lamarca
Marighella
Batismo de Sangue
Pra frente Brasil
O que é isso, companheiro?
Zuzu Angel
Eles não usam black-tie
Cabra Cega
Lula o filho do Brasil
Peões
Brizola – tempos de luta
Ditadura – tempo de resistência
Perdão Mr. Fiel
Condor
Paula – A história de uma subversiva
O bom burguês
Araguaia: Campo Sagrado
Araguaya conspiração do silêncio
Kuarup
Documentário chileno
Oitenta anos de Resistência – A História da UFPR
Corpo em delito
O ano em que meus pais saíram de férias
Hércules 56
Nunca fomos tão felizes
Quase dois irmãos
O casamento
Vlado – 30 anos depois
Os fuzis
Manhã cinzenta
Libertários
Cabra marcado para morrer
O fio da memória
O caso dos Irmãos Naves
Que bom te ver viva
Dossiê Jango
Barra 68
Trailer:
Repare Bem
Ação entre amigos
Dois córregos
Cara ou coroa
Topografia de um desnudo
Uma longa viagem
Diário de uma busca
Tatuagem
A memória que me contam
Hoje
Sem link:
O profeta das águas
Os anos passaram (curta-metragem)
E agora, José? Tortura do sexo
OAB/PR vai denunciar na Justiça e na OEA a situação dos presídios geridos pelo governo Beto Richa
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção do Paraná vai protocolar nos próximos dias um requerimento junto à Organização dos Estados Americanos – OEA denunciando as condições dos presídios no Estado do Paraná, geridos pelo governo Beto Richa (PSDB). A Seccional também entrará com ações civis públicas cobrando indenizações para familiares de presos mortos sob custódia do Estado do Paraná.
O advogado Juliano José Breda, presidente da OAB/PR, afirma que a Ordem prepara relatórios de todas as carceragens do Estado há quatro anos e, desde então, tem cobrado solução dos problemas junto às autoridades.
Segundo Breda “há milhares de presos em delegacias do Paraná, em situações piores que as unidades do sistema penitenciário” e “a verdade é que o sistema como um todo oferece tratamento indigno e desumano aos presos e falha em cumprir sua missão. Temo que, em poucos anos, a barbárie noticiada nos últimos dias se torne a rotina em todos os estabelecimentos prisionais. Falta pouco, muito pouco, para que isso aconteça”. Para ele “é fundamental reduzir a população carcerária ao invés de construir mais presídios, os quais, mal administrados, irão apenas repetir em maior escala os problemas hoje evidenciados. Para Breda “os agentes públicos precisam ser responsabilizados pelos danos a que a má gestão causa” e “o Poder Judiciário e o Ministério Público devem ser convocados a discutir a sua parcela de responsabilidade, a partir dos órgãos de cúpula. Os magistrados e promotores devem ser orientados a requerer e adotar as medidas restritivas da liberdade de locomoção nos casos verdadeiramente necessários. Verificamos no Paraná casos de magistrados e promotores que assumidamente se utilizam da prisão preventiva como medida pedagógica”.
O presidente da comissão de Direitos Humanos da OAB/PR, José Carlos Cal Garcia, disse que o sistema penitenciário do Paraná vive um problema sério que pode gerar crises como a do Maranhão.
A secretária de Justiça, Maria Tereza Uille Gomes, viaja para o Maranhão para dar pitacos ao governo daquele estado. O presidente da comissão de Direitos Humanos da OAB/PR defende que o estado tem muito pouco para ajudar.
A Secretária de Justiça, Maria Tereza Uille Gomes, de confiança do governador Beto Richa (PSDB), rebateu as críticas de Cal Garcia e defende que, apesar das dificuldades, o Paraná é modelo.
Por favor outubro de 2014, chega logo!
Folha de S. Paulo esquece a Constituição e questiona gastos sociais de Itaipu
Uma reportagem do caderno “Mercado” da Folha de S. Paulo de domingo (12) questionou os gastos sociais que a usina hidrelétrica Itaipu Binacional realizou durante os governos dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) e Dilma Rousseff (2011-2014), ambos do Partido dos Trabalhadores – PT.
Para a Folha e os demais neoliberais, a questão social deve ser tratada de acordo com o “mercado”. Típico da Folha.
A reportagem informa que a empresa binacional (Brasil-Paraguai) despendeu US$ 80 milhões em 2012 em hospitais, escolas e projetos sociais, e em 2003 o valor era de apenas US$ 8,7 milhões.
A Folha está indignada que a Itaipu tenha gastado em hospitais, turismo, comunidades indígenas, proteção à criança, incentivo a empresas nascentes, um observatório astronômico e até, vejam só, em uma universidade. Que absurdo não é?
Por causa da Itaipu os municípios afetados pelo reservatório de água da usina melhoraram muito o seu IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) e duas escolas de Foz do Iguaçu estão entre as dez melhores do país na educação básica.
Mas a Folha chamou “especialistas” para que criticassem os projetos sociais.
Chamou o professor da UFRJ Edmar Luiz de Almeida para questionar: “Será que uma empresa de eletricidade não está substituindo o papel do Estado?”.
Por que o jornal não chamou um professor do Paraná, mais conhecedores da realidade da Itaipu?
Para o professor carioca, a Itaipu é uma simples “empresa de eletricidade”. É uma piada!
Mas a Folha não para por aí. Cita ainda Adriano Pires do CBIE: “Itaipu é mais um exemplo do uso que o PT faz das estatais para tocar projetos sociais e alavancar voto”.
A Folha e seus “especialistas” esquecem que a nossa Constituição Social, Republicana e Democrática de Direito de 1988 garante justiça social, igualdade e o papel do Estado de intervir diretamente e indiretamente na economia e no social por meio de empresas estatais, por razões de interesse público. A Folha esquece da função social da propriedade, da função social das empresas, da dignidade da pessoa humana e demais princípios constitucionais.
Por que a Folha não questiona os gastos sociais e com propaganda da Sabesp dos governos tucanos de São Paulo?
Por que a Folha não questiona os gastos das empresas estatais em propagandas em suas páginas?
Por que a Folha não questiona as assinaturas da Folha realizadas por órgãos e entidades estatais, com dinheiro público?
Pelo menos o jornal escutou Jorge Samek, o diretor-geral de Itaipu: “Nosso foco principal é produzir energia, e com isso não se brinca. Mas, se eu não aproveitasse o pessoal qualificado que tenho para desenvolver a região, não estaria cumprindo meu papel de cidadão”.
Os gastos sociais representam apenas 1% da receita da Itaipu.
A Folha informa que o montante e os projetos apoiados são definidos pela diretoria de Itaipu. Mas é claro que isso passa também pelo Conselho de Administração da empresa e pelos governos do Brasil e do Paraguai. O jornal queria que fossem definidos por quem? Pelos tucanos? Pela Folha? Pela Globo? Pela Veja? Pelo mercado financeiro?
A Folha tem saudades do governo FHC. Para os neoliberais tudo deveria ser privatizado e o Estado deveria servir apenas para garantir os lucros altíssimos e imorais do mercado financeiro e grande capital. Mercado financeiro, inclusive, que manda na Folha, no Estão, na Veja, na Globo, etc.
E se não criarmos o financiamento público de campanha, esse mercado financeiro continuará mandando nas eleições do Brasil.
Viva a Itaipu!
Viva seus gastos sociais e a redução da desigualdade social no Brasil!
Tarso Cabral Violin – advogado, professor de Direito Administrativo, mestre em Direito do Estado e doutorando em Políticas Públicas pela UFPR, ex-Diretor Jurídico da Celepar – Companhia de Informática do Paraná, autor do Blog do Tarso

















