Até a TVeja detona com Beto Richa

Captura de Tela 2015-05-10 às 20.55.55

A proeza de um tucano: conseguir ser mais impopular que Dilma

O homem que tinha tudo para ser uma espécie de menino prodígio da política no ninho do PSDB hoje faz um governo medíocre e que respira por aparelhos. É um tucano que levou a carreira política para a UTI. Saiba quem é o personagem do Salto Agulha com Joice Hasselmann.

Veja aqui.

Blogueira Joice Hasselmann será a apresentadora principal da TVeja

 

A jornalista e blogueira paranaense Joice Hasselmann (Blog da Joice) vai ser a apresentadora da TVeja, a TV da Revista Veja, com estreia na segunda-feira, dia 18.

Os programas vão abrir espaço para Lobão, Reinaldo Azevedo entre outros representantes da direita brasileira.

Joice integra o time de jornalistas de VEJA.com e vai liderar a cobertura, em vídeo, das eleições 2014.

A frase que representa os leitores da Veja é a seguinte: “Se passar na banca e vir a VEJA, não compre. Se comprar, não abra. Se abrir, não leia. Se ler, não acredite. Se acreditar, ZURRE!”.

Mas no final do vídeo acima, ela avisa: “Aqui a gente tem lado, o seu”.

Se o lado é do cidadão, espero que a TV abra espaço também para a esquerda e para os blogueiros progressistas.

Será que a TVeja será diferente da Revista impressa?

Ou que a Veja jogue limpo e confesse que tem lado.

Joice participou do 2º Encontro de Blogueir@s, Redes Sociais e Cultura Digital do Paraná #2ParanáBlogs ocorrido em Curitiba e, 2013.

Captura de Tela 2014-08-14 às 19.54.58

Morreu o italiano Roberto Civita, dono da decadente revista Veja

Captura de Tela 2013-05-26 às 23.27.25

Faleceu hoje o fundador da revista Veja, o italiano Roberto Civita (76), filho do fundador da Editora Abril, Victor Civita. Roberto teve toda sua formação nos Estados Unidos da América, e era considerado um filhinho de papai. Responsável pela criação da revista Playboy no Brasil.

Era um conservador e neoliberal de carteirinha, e um dos responsáveis por transformar a Veja em praticamente um partido político, que apoia tudo o que há de mais retrógrado.

Ele chegou a presenciar a decadência da revista Veja, que a cada dia perde mais leitores e assinantes para revistas como a Carta Capital, Piauí, Caros Amigos, Época e Istoé, e apenas se mantém porque o governo do Estado de São Paulo é o maior assinante da revista e os governos federal e estaduais são quem mais gastam com publicidade na revista.

Além disso toda a velha mídia vem perdendo leitores para os sites e blogs, e a tendência é a mídia impressa é acabar em pouco tempo.

Janio de Freitas escancara as mentiras da velha mídia

Alguém ainda confia na revista Veja?

Alguém ainda confia na revista Veja?

No picadeiro

Por Janio de Freitas, ontem na Folha de S. Paulo

O ato cogerador da ‘crise’ é de Gilmar Mendes, a pedido de um partido do próprio Congresso, o PSB

A “crise” entre o Supremo Tribunal Federal e o Congresso não está longe de um espetáculo de circo, daqueles movidos pelos tombos patéticos e tapas barulhentos encenados por Piolim e Carequinha. É nesse reino que está a “crise”, na qual quase nada é verdadeiro, embora tudo produza um efeito enorme na grande arquibancada chamada país.

Não é verdade, como está propalado, que o Congresso, e nem mesmo uma qualquer de suas comissões, haja aprovado projeto que submete decisões do Supremo ao Legislativo. A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara nem sequer discutiu o teor do projeto que propõe a apreciação de determinadas decisões do STF pelo Congresso. A CCJ apenas examinou, como é de sua função, a chamada admissibilidade do projeto, ou seja, se é admissível que seja discutido em comissões e eventualmente levado a plenário. A CCJ considerou que sim. E nenhum outro passo o projeto deu.

Daí a dizer dos parlamentares que “eles rasgaram a Constituição”, como fez o ministro do STF Gilmar Mendes, vai uma distância só equiparável à sua afirmação de que o Brasil estava sob “estado policial”, quando, no governo Lula, o mesmo ministro denunciou a existência de gravação do seu telefone, jamais exibida ou comprovada pelo próprio ou pela investigação policial.

De autoria do deputado do PT piauiense Nazareno Fonteles, o projeto, de fato polêmico, não propõe que as decisões do STF sejam submetidas ao Congresso, como está propalado. Isso só aconteceria, é o que propõe, se uma emenda constitucional aprovada no Congresso fosse declarada inconstitucional no STF. Se ao menos 60% dos parlamentares rejeitassem a opinião do STF, a discordância seria submetida à consulta popular. A deliberação do STF prevaleceria, mesmo sem consulta, caso o Congresso não a apreciasse em 90 dias.

Um complemento do projeto propõe que as “súmulas vinculantes” -decisões a serem repetidas por todos os juízes, sejam quais forem os fundamentos que tenham ocasionalmente para sentenciar de outro modo- só poderiam ser impostas com votos de nove dos onze ministros do STF (hoje basta a maioria simples). Em seguida a súmula, que equivale a lei embora não o seja, iria à apreciação do Congresso, para ajustar, ou não, sua natureza.

O projeto propalado como obstáculo à criação de novos partidos, aprovado na Câmara, não é obstáculo. Não impede a criação de partido algum. Propõe, isso sim, que a divisão do dinheiro do Fundo Partidário siga a proporção das bancadas constituídas pela vontade do eleitorado, e não pelas mudanças posteriores de parlamentares, dos partidos que os elegeram para os de novas e raramente legítimas conveniências. Assim também para a divisão do horário eleitoral pago com dinheiro público.

A pedido do PSB presidido pelo pré-candidato Eduardo Campos, Gilmar Mendes concedeu medida liminar que sustou a tramitação do projeto no Congresso, até que o plenário do STF dê a sua decisão a respeito. Se as Casas do Congresso votassem, em urgência urgentíssima, medida interrompendo o andamento de um processo no Supremo Tribunal federal, não seria interferência indevida? Violação do preceito constitucional de independência dos Poderes entre si? Transgressão ao Estado de Direito, ao regime democrático? E quando o Supremo faz a interferência, o que é?

Ao STF compete reconhecer ou negar, se solicitado, a adequação de aprovações do Congresso e de sanções da Presidência da República à Constituição. Outra coisa, seu oposto mesmo, é impedir a tramitação regimental e legal de um projeto no Legislativo, tal como seria fazê-lo na tramitação de um projeto entre partes do Executivo.

O ato intervencionista e cogerador da “crise”, atribuído ao STF, é de Gilmar Mendes -e este é o lado lógico e nada surpreendente do ato. Mas o pedido, para intervenção contra competência legítima do Congresso, foi de um partido do próprio Congresso, o PSB, com a aliança do PSDB do pré-candidato Aécio Neves e, ainda, dos recém-amaziados PPS-PMN.

Com o Congresso e o STF, a Constituição está na lona.

Celso Antônio Bandeira de Mello desmente revista Veja

Do Migalhas

O jurista Celso Antônio Bandeira de Mello desmentiu nota publicada na na edição 2.287 da revista Veja informando que ele estaria redigindo um manifesto criticando a atuação dos ministros do STF no julgamento do mensalão.

Confira a declaração de Celso Antônio Bandeira de Mello.

Uma notícia deslavadamente falsa publicada por um semanário intitulado “Veja” diz que eu estaria a redigir um manifesto criticando a atuação de Ministros do Supremo Tribunal Federal no julgamento da ação que a imprensa batizou de mensalão e sobremais que neste documento seria pedido que aquela Corte procedesse de modo “democrático”, “conduzido apenas de acordo com os autos” e “com respeito à presunção de inocência dos réus”. Não tomei conhecimento imediato da notícia, pois a recebi tardiamente, por informação que me foi transmitida, já que, como é compreensível, não leio publicações às quais não atribuo a menor credibilidade.

No caso, chega a ser disparatada a informação inverídica, pois não teria sentido concitar justamente os encarregados de afirmar a ordem jurídica do País, a respeitarem noções tão rudimentares que os estudantes de Direito, desde o início do Curso, já a conhecem, quais as de que “o mundo do juiz é o mundo dos autos” – e não o da Imprensa – e que é com base neles que se julga e que, ademais, em todo o mundo civilizado existe a “presunção de inocência dos réus”.

É esta a razão pela qual, sabidamente, indiciados não são apenados em função de meras conjecturas, de suposições ou de simples indícios, mas tão somente quando existirem provas certas de que procederam culposa ou dolosamente contra o Direito, conforme o caso. Pretender dizer isto em um manifesto aos Ministros do Supremo Tribunal Federal seria até mesmo desrespeitoso e atrevido, por implicar suposição de que eles ignoram o óbvio ou que são capazes de afrontar noções jurídicas comezinhas. Nenhum profissional do Direito experimentado, com muitos anos de profissão, cometeria tal dislate. É claro que isto pode passar desapercebido a um leigo ao preparar noticiário, mas não convém que fique sem um cabal desmentido, para que os leitores não sejam enganados em sua boa-fé.

Celso Antônio Bandeira de Mello

Prefeito Luciano Ducci confirma que é milionário mas desmente denúncia da Veja

Nota pública de esclarecimento

A reportagem da revista Veja é profundamente injusta, difamatória e infundada. Não há qualquer irregularidade na evolução patrimonial do prefeito Luciano Ducci e de sua família, como pretende insinuar nota publicada pela revista. Todos os recursos e bens declarados têm origem comprovada junto à Receita Federal.

A suposta notícia de que o Ministério Público abriria investigação sobre a referida variação patrimonial carece de fundamento fático. O Ministério Público não iniciou, até o momento, qualquer procedimento a respeito.

Para provar que não tem nada a esconder, o prefeito Luciano Ducci vai nesta segunda-feira ao Ministério Público para entregar as declarações de Imposto de Renda dos últimos cinco anos e se colocar à disposição do procurador geral Gilberto Giacóia para qualquer esclarecimento que se fizer necessário.

Todos os bens declarados no Imposto de Renda do prefeito Luciano Ducci e de sua família têm origem e estão registrados, assim como a origem de todos os recursos.

A referida reportagem carece de credibilidade, na medida em que ignora os documentos oficiais sobre o patrimônio e a sua evolução. A revista Veja foi “usada” por fonte mal-informada e evidentemente determinada a fabricar um falso escândalo.

As duas fazendas mencionadas pela Veja, na verdade são cinco fazendas situadas no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná, e pertencem a Marry Dal Prá Ducci, recebidas, em sua origem, em herança ou adquiridas e registradas legalmente pela mulher e pelos filhos do prefeito.

No que se refere ao “apartamento de cobertura no Batel”, no qual, segundo a Veja, residiria o prefeito Luciano Ducci, mais uma vez a informação é falsa. O prefeito e sua família vivem, desde 2007, no 5º andar do edifício Le Mirage e não na cobertura. O referido apartamento foi adquirido com recursos da família, como está registrado nas declarações de Imposto de Renda do prefeito e de sua família.

Em relação ao sr. Cícero Paulino, citado pela Veja como capataz das fazendas da família do prefeito, trata-se de contador com MBA em administração pública, que presta serviços profissionais a diversas empresas. Em maio de 2010, foi nomeado funcionário em cargo em comissão na Prefeitura de Curitiba, lotado no gabinete do então vice-prefeito.

Em janeiro de 2012, Cícero Paulino foi desligado de sua função na Prefeitura de Curitiba. Durante todo o período em que prestou serviços à Prefeitura, não houve sobreposição entre função pública e atividade privada.

Curitiba, 16 de junho de 2012.

Luciano Ducci

Prefeito de Curitiba

O efeito Skuromatic. Papel vs. Online – Carta Capital

Na Carta Capital de 23 de maio de 2012

A revista Veja não lida bem com a crítica na internet e propõe de forma enviesada a censura na rede

Por Philip Asimov C. Clarke

Os editores de revista Veja andam assistindo a filmes de ação demais. No afã de se defenderem sem dar explicações plausíveis para a íntima relação de um jornalista da semanal com um contraventor preso – e diante da reação a essa promiscuidade na internet –, construíram um roteiro de terror B que até Zé do Caixão se recusaria a filmar.

A tese era a seguinte: robôs controlados por uma militância esquerdista raivosa teriam inundado a internet com mensagens de ódio para atacar a imprensa livre. Esses robôs (em forma de aranhas? Ou de formigas?) seriam guiados por maléficos seres que tiveram seu cérebro derretido por excessiva leitura de terroristas do calibre de Antonio Gramsci, defensor da eliminação física, mental, espiritual e literária de seus adversários. E o futuro da humanidade estaria sob risco, caso esse exército de seres inanimados e vampirescos vencesse. É uma mistura de O Ataque das Aranhas Gigantes, Exterminador do Futuro e Plano 9 do Espaço Sideral (título em português de um dos clássicos do rei do cinema trash, Ed Wood). Continuar lendo

Wagner Moura foi Renato Russo da Legião Urbana por duas noites

Para quem não assistiu o tributo à Legião Urbana promovido pela MTV na terça-feira e quarta-feira, transmitido ao vivo no Espaço das Américas, em São Paulo, vale a pena assistir as reprises. Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá tocaram com o ator Wagner Moura, interpretando o vocalista original da banda, Renato Russo, falecido em 1996.

A última música do show de quarta foi Faroeste Caboclo. Wagner Moura não é um grande cantor, mas junto com a Legião Urbana conseguiu emocionar o público.

Wagner Moura já declarou à revista Caros Amigos que a revista Veja é medíocre, escrota, arrogante, violenta, conservadora, elitista, “uma revista de extrema direita brasileira” e que não a lê pois nela “escreve Diogo Mainardi!”

Presidente da OAB condena Lula antecipadamente. Denúncia não se confirmando, impeachment de Ophir Cavalcante?

Ophir Cavalcante e Demóstenes Torres

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB, Ophir Cavalcante, acreditando nos suspeitos Gilmar Mendes e revista Veja, pré-julgou sem qualquer oportunidade de defesa o ex-presidente Lula, acreditando apenas na versão de Gilmar Mendes. Lembremos que o ex-Ministro do STF Nelson Jobim desmentiu a revista Veja e Gilmar Mendes.

Caso a denúncia contra Lula não se confirme, será caso até de impeachment de Ophir Cavalcante, tamanho o absurdo da sua declaração contra Lula.

É uma pena que cada vez mais a OAB, ao invés de ser a defensora da República e da Democracia, se mostre apenas uma instituição corporativista em defesa de advogados.

Rede Record diz que a revista Veja mente. Que tal boicotar lugares que vendem apenas a Veja?

O jornalismo da Record divulgou escutas telefônicas e causou irritação na direção da revista Veja, da editora Abril, que neste final de semana reagiu com ataques contra a Record. A Record diz que a Veja publicou a mentira em uma seção chamada Radar. A mesma que aparece nas gravações da operação Monte Carlo como destino das informações de interesse do bicheiro/contraventor Carlos Cachoeira. Aperece na matéria o senador Roberto Requião (PMDB/PR). Veja o vídeo, clique aqui.

Cada dia chego a conclusão que a revista Veja ainda é a mais vendida do país apenas porque faz a melhor distribuição, ou exige monopólio. Por exemplo, no supermercado Angeloni em Curitiba apenas a revista Veja, das semanais, é vendida. E a Carta Capital, Istoé e Época? Vamos fazer o seguinte: exigir dos estabelecimentos comerciais que vendam as quatro revistas, e os que não venderem, que tal boicotá-los?

O supermercado Angeloni vende apenas a revista Veja, das semanais. Foto de Tarso Cabral Violin, via iPhone/Instagram

Adversárias, Globo e Veja se unem em defesa da grande mídia golpista

Vejam o editorial da Carta Capital de 16 de maio de 2012, de Mino Carta:

Eternos chapa-branca

Em patético editorial, O Globo exibe a sua verdadeira natureza e a mídia nativa

O jornal O Globo toma as dores da revista Veja e de seu patrão na edição de terça 8, e determina: “Roberto Civita não é Rupert Murdoch”. Em cena, o espírito corporativo. Manda a tradição do jornalismo pátrio, fiel do pensamento único diante de qualquer risco de mudança.

Desde 2002, todos empenhados em criar problemas para o governo do metalúrgico desabusado e, de dois anos para cá, para a burguesa que lá pelas tantas pegou em armas contra a ditadura, embora nunca as tenha usado. Os barões midiáticos detestam-se cordialmente uns aos outros, mas a ameaça comum, ou o simples temor de que se manifeste, os leva a se unir, automática e compactamente.

Não há necessidade de uma convocação explícita, o toque do alerta alcança com exclusividade os seus ouvidos interiores enquanto ninguém mais o escuta. E entra na liça o jornal da família Marinho para acusar quem acusa o parceiro de jornada, o qual, comovido, transforma o texto global na sua própria peça de defesa, desfraldada no site de Veja. A CPI do Cachoeira em potência encerra perigos em primeiro lugar para a Editora Abril. Nem por isso os demais da mídia nativa estão a salvo, o mal de um pode ser de todos.

O autor do editorial 
exibe a tranquilidade de Pitágoras na hora de resolver seu teorema, na certeza de ter demolido com sua pena (imortal?) os argumentos de CartaCapital. Arrisca-se, porém, igual a Rui Falcão, de quem se apressa a citar a frase sobre a CPI, vista como a oportunidade “de desmascarar o mensalão”. Com notável candura evoca o Caso Watergate para justificar o chefe da sucursal de Veja em Brasília nas suas notórias andanças com o chefão goiano. Ambos desastrados, o editorialista e o líder petista.

Abalo-me a observar que a semanal abriliana em nada se parece com o Washington Post, bem como Roberto Civita com Katharine Graham, dona, à época de Watergate, do extraordinário diário da capital americana. Poupo os leitores e os meus pacientes botões de comparações entre a mídia dos Estados Unidos e a do Brasil, mas não deixo de acentuar a abissal diferença entre o diretor deVeja e Ben Bradlee, diretor do Washington Post, e entre Policarpo Jr. e Bob Woodward e Carl Bernstein, autores da série que obrigou Richard Nixon a se demitir antes de sofrer o inevitávelimpeachment. E ainda entre o Garganta Profunda, agente graduado do FBI, e um bicheiro mafioso.

Recomenda-se um mínimo de apego à verdade factual e ao espírito crítico, embora seja do conhecimento até do mundo mineral a clamorosa ignorância das redações nativas. Vale dizer, de todo modo, que, para não perder o vezo, o editorialista global esquece, entre outras façanhas deVeja, aquele épico momento em que a revista publica o dossiê fornecido por Daniel Dantas sobre as contas no exterior de alguns figurões da República, a começar pelo presidente Lula.

Anos de chumbo. O grande e conveniente amigo chamava-se Armando Falcão

Concentro-me em outras miopias deO Globo. Sem citar CartaCapital, o jornal a inclui entre “os veículos de imprensa chapa-branca, que atuam como linha auxiliar dos setores radicais do PT”. Anotação marginal: os radicais do PT são hoje em dia tão comuns quanto os brontossauros. Talvez fossem anacrônicos nos seus tempos de plena exposição, hoje em dia mudaram de ideia ou sumiram de vez. Há tempo CartaCapital lamenta que o PT tenha assumido no poder as feições dos demais partidos.

Vamos, de todo modo, à vezeira acusação de que somos chapa-branca. Apenas e tão somente porque entendemos que os governos do presidente Lula e da presidenta Dilma são muito mais confiáveis do que seus antecessores? Chapa-branca é a mídia nativa e O Globo cumpre a tarefa com diligência vetusta e comovedora, destaque na opção pelos interesses dos herdeiros da casa-grande, empenhados em manter de pé a senzala até o derradeiro instante possível.

Não é por acaso que 64% dos brasileiros não dispõem de saneamento básico e que 50 mil morrem assassinados anualmente. Ou que os nossos índices de ensino e saúde públicos são dignos dos fundões da África, a par da magnífica colocação do País entre aqueles que pior distribuem a renda. Em compensação, a minoria privilegiada imita a vida dos emires árabes.

Chapa-branca a favor
 de quem, impávidos senhores da prepotência, da velhacaria, da arrogância, da incompetência, da hipocrisia? Arauto da ditadura, Roberto Marinho fermentou seu poder à sombra dela e fez das Organizações Globo um monstro que assola o Brazil-zil-zil. Seu jornal apoiou o golpe, o golpe dentro do golpe, a repressão feroz. Illo tempore, seu grande amigo chamava-se Armando Falcão.

Opositor ferrenho das Diretas Já, rejubilado pelo fracasso da Emenda Dante de Oliveira, seu grande amigo passou a atender pelo nome de Antonio Carlos Magalhães. O doutor Roberto em pessoa manipulou o célebre debate Lula versus Collor, para opor-se a este dois anos depois, cobrador, o presidente caçador de marajás, de pedágios exorbitantes, quando já não havia como segurá-lo depois das claras, circunstanciadas denúncias do motorista Eriberto, publicadas pela revista IstoÉ, dirigida então pelo acima assinado.

Pronta às loas mais desbragadas a Fernando Henrique presidente, com o aval de ACM, a Globo sustentou a reeleição comprada e a privataria tucana, e resistiu à própria falência do País no começo de 1999, após ter apoiado a candidatura de FHC na qualidade de defensor da estabilidade. Não lhe faltaram compensações. Endividada até o chapéu, teve o presente de 800 milhões de reais do BNDES do senhor Reichstul. Haja chapa-branca.

Impossível a comparação entre a chamada “grande imprensa” (eu a enxergo mínima) e o que chama de “linha auxiliar de setores radicais do PT”, conforme definem as primeiras linhas do editorial deO Globo. A questão, de verdade, é muito simples: há jornalismo e jornalismo. Ao contrário destes “grandes”, nós entendemos que a liberdade sozinha, sem o acompanhamento pontual da igualdade, é apenas a do mais forte, ou, se quiserem, do mais rico. É a liberdade do rei leão no coração da selva, seguido a conveniente distância por sua corte de hienas.

Acreditamos também que entregue à propaganda da linha auxiliar da casa-grande, o Brasil não chegaria a ser o País que ele mesmo e sua nação merecem. Nunca me canso de repetir Raymundo Faoro: “Eles querem um País de 20 milhões de habitantes e uma democracia sem povo”. No mais, sobra a evidência: Roberto Civita é o Murdoch que este país pode se permitir, além de inventor da lâmpada Skuromatic a convocar as trevas ao meio-dia. Temos de convir que, na mídia brasileira, abundam os usuários deste milagroso objeto.