Ato reúne petistas em defesa da candidatura própria em 2012

Do site do Tadeu Veneri

Cerca de trezentas pessoas, entre militantes e lideranças petistas, participaram do ato em defesa da candidatura própria do PT na disputa à prefeitura de Curitiba nas eleições do próximo ano, realizado na noite de segunda-feira, 21, na Sociedade Treze de Maio. A manifestação expressa a posição de vários setores do partido a favor do lançamento de um nome do PT à prefeitura, a ser escolhido, em prévias, entre as pré-candidaturas já apresentadas, do deputado estadual Tadeu Veneri e dos deputados federais Angelo Vanhoni e Dr. Rosinha.
“Quem decide no PT são os filiados. Quem decide pelo PT são os filiados”, disse Veneri, que destacou a ampla participação da base do partido no movimento. “Nós queremos que o PT municipal inicie o processo de construção do calendário para discutir a eleição municipal. Para nós, discutir a pré-candidatura do PT é um processo natural depois de trinta anos de predomínio de um mesmo grupo político-econômico na prefeitura de Curitiba”, disse Veneri. Para o deputado, o PT precisa apresentar um projeto com a sua identidade para a população de Curitiba. “ Um projeto de transformação, que represente uma inversão de prioridades em que a política deixe de ser aplicada em benefício de uma minoria para atender à maioria da população”, afirmou.
O deputado estadual Professor Lemos e a vereadora professora Josete defenderam a tese da candidatura própria. “Nós não apenas temos o direito de ter candidatura própria em Curitiba, como também o dever, a obrigação de apresentar um projeto de sociedade para a cidade. Nós temos nomes e todos eles podem representar esse projeto”, disse Lemos.
Para a vereadora professora Josete, não há uma justificativa plausível para que o PT abdique de ter um candidato em Curitiba. “Nós estamos no terceiro mandato do governo federal e é um projeto do partido fazer o debate das nossas propostas nas maiores cidades do país. O projeto do partido tem que estar acima dos projetos individuais”, disse.
Representante do Dr. Rosinha no ato, o dirigente do PT estadual Marcio Pessati observou que, em 2010, o PT do Paraná fez um recuo tático ao abrir mão de lançar um candidato ao governo em benefício da eleição da presidente Dilma Rousseff. “Isso foi importante, mas teve um custo para o partido. Em 2012, a diretriz é outra. Nós temos um objetivo de construção do PT do estado. E isso passa pela candidatura própria. Até este momento, nenhuma outra corrente política apresentou tese de aliança”, disse.
Militantes históricos do PT como o professor Romeu Gomes de Miranda e o advogado Claudio Ribeiro também destacaram a importância de o PT lançar candidato. “Nós precisamos defender as bandeiras deste partido. Nós temos uma identidade a defender”, afirmou Ribeiro.
O ato teve ainda a participação de dois integrantes da direção nacional do PT, Marcos Sokol e Marcel Frison, atual secretário de Saneamento do governo do Rio Grande do Sul , um integrante da executiva nacional, Renato Simões, e representantes do PT da Região Metropolitana de Curitiba e do Interior do Estado.
“O Congresso Nacional do PT estabeleceu que precisamos nos consolidar como o partido dos avanços sociais e nossa prioridade é ter candidaturas próprias. O fórum de decisão não é de meia-dúzia de dirigentes, mas do conjunto de filiados. O PT de Curitiba não pode se comportar como uma força política de segunda categoria. Por que todas as grandes cidades do país e do estado podem ter candidaturas próprias e Curitiba não?”, questionou Renato Simões.
Para Frison, nada é tão importante para reforçar o projeto nacional do PT do que a indicação de candidaturas próprias a prefeito nas eleições de 2012. “As alianças são instrumentos táticos. As concessões fazem parte da vida política. Mas não podemos subordinar interesses estratégicos dos trabalhadores às alianças, apenas pelo propósito de chegar ao poder”, disse o representante gaúcho.
O debate sobre a posição do PT na disputa eleitoral de 2012 continua nos dias 5, 6, 7 e 8, nas reuniões das regionais do Portão, Cidade Industrial de Curitiba, Cajuru , Boa Vista, Pinheirinho, Boqueirão e Bairro Novo, Matriz e Santa Felicidade.

Deputado Tadeu Veneri, pré-candidato a prefeito de Curitiba, chama militantes para evento por candidatura própria do PT

Saudade do confronto eleitoral direto anima militância do PT em Curitiba

Deputado estadual pelo PT, Tadeu Veneri

Os filiados do PT de Curitiba estão vibrando com a pré-candidatura a prefeito do deputado estadual Tadeu Veneri, que coloca no tabuleiro eleitoral um nome forte como opção de candidatura própria do PT em 2012, contrapondo-se ao argumento de que “o PT não tinha nomes em 2010”, que foi utilizado para apoiar candidato de outro partido na última eleição para governador.

Os militantes do PT que querem candidatura própria, que são muitos , marcaram se reunir num Ato Público, dia 21 de novembro, às 19 horas, na sede do Diretório Estadual e dizem que contam como certa a presença de integrantes da Direção Nacional do PT, dos Diretório Estadual e Municipal.

O local do Ato, que é na sede estadual do PT, na Alameda Princesa Izabel, 160, nas Mercês, foi escolhido por ser o local que unifica os petistas de todas as matizes.

“Somos os filhos da paixão… projetamos a perigosa imagem do sonho, somos a perigosa memória das lutas.”

Este trecho do poema de Pedro Tierra está na carta aos filiados assinada pelo Tadeu Veneri convocando para o Ato do dia 21 de novembro, denunciando que queremos resgatar a perigosa imagem do sonho e das lutas para uma construir uma cidade para todos, numa campanha alegre e militante. “Nesse dia  teremos uma pequena mostra de nossa organização, militancia e alegria em fazer política por uma causa justa e ética. Mas acima de tudo, de resgate histórico das melhores tradições do PT”, diz Tadeu. Poetas, músicos e outros artistas estarão dedicando sua criatividade e ousadia para animar o ato dos militantes petistas.

Tadeu defende que a militância não pode ficar a margem dos acordos entre as direções dos partidos. “É necessário convocar a militância para decidir sobre o futuro do PT nas eleições de 2012.E eu estou à disposição para quem não quer abrir mão do numero 13, das cores do PT e da estrela do PT nas próximas eleições ”.

Animados também estão os pré-candidatos a vereadores que com a candidatura própria  terão mais chance de se eleger. “É só fazer as contas. É matemático.Para vereador a eleição não tem segundo turno. Partido que não tem candidato próprio, tem dificuldade de eleger vereadores. Pelo menos para aqueles disputam sua primeira eleição”, diz Tadeu Veneri.

Entrevista com Zélia Passos

Foto de Alexandre Mazzo/ Gazeta do Povo

Ela chegou à política de braço dado com o amor e com a arte. O amor se chamava Edésio Passos, seu primo. A arte era o teatro. Desses casamentos nasceu um animal político chamado Zélia – a mulher que viveu todas as paixões de seu tempo.

Hoje na Gazeta do Povo

Estrela Clandestina

Houve um tempo, no Paraná, em que encontro de esquerda que prezasse, fosse forró ou convenção, precisava confirmar duas presenças – a de Zélia e Edésio Passos. “Chegaram”, dizia-se, levando um palanque e meio a dar rodopios com a cabeça. Era o que bastava: sobre a dupla se teciam pequenas e grandes histórias de revolução. A mais divertida era a de que o Partido dos Trabalhadores, o PT, ainda em cueiros, cabia inteirinho na casa do casal. Que ali tinha nascido. Que Lula lhes era hóspede tão íntimo que podia fechar a geladeira com a ponta do pé, caso quisesse.

Os tempos são outros, sabe-se. Tsunâmis levaram a inocência do PT, um PT que já não cabe na sala dos Passos. E Zélia – aposentada – anda às voltas com cerâmicas, hoje destinatárias do impulso que a levaram, um dia guria de colégio de freiras, a abraçar, sem reservas, todos os desejos de sua geração. Aos 70 anos, tornou-se uma líder discreta. Mas como em tempos idos, basta o anúncio de sua presença para que a imaginação fique convulsiva. Como antes, ela é a depositária da vida sonhada dos carbonários.

A sala do apartamento em que vive no bairro do Cabral, em Curitiba, é pequena. Está separada de Edésio. Quase se separou também do PT – reconhece, ao qual hoje está ligada depois de muito discutir a relação. O partido tem mesmo que fazer por merecê-la. É sua estrela.

Natural de Penápolis, no Noroeste de São Paulo, Zélia chegou adolescente a uma Curitiba de província. Estava fadada a casar e, quem sabe, a tricotar. Até participar – meio clandestinamente – de um curso de teatro e de uma passeata pró-Jango. Foi sua primeira vez.

Dali em diante, o mundo virou a sala onde conheceu a militância na Ação Popular – uma das muitas organizações de esquerda da década de 1960 –, o trabalho como operária de fábrica, a prisão e as preliminares da tortura. Foram tão violentas quanto, principalmente para uma mulher grávida. Depois veio a sociologia e a política propriamente dita. “Candidata, nunca mais”, diverte-se.

Já pensou em se desfiliar do PT, partido que ajudou a criar?

Muitas vezes balancei, mas o que me segurou foi a certeza de que os petistas que causam escândalo na imprensa são uma minoria. Continuo filiada. Mas não foram águas tranquilas. Passei por períodos de muitos questionamentos.

Quantos graus de separação há entre Zélia e o ex-presidente Lula?

O Lula dormiu na minha casa algumas vezes. No começo do PT, nós não tínhamos dinheiro para hotel. Mesmo aqui no estado, acompanhávamos o Lula em vários lugares. E quando tínhamos que, por tarefa, ser candidatos a algum cargo, ele vinha pra cá prestigiar.

Dizem que o PT nasceu na sala de estar da Zélia e do Edésio Passos. Como foi?

O PT de Curitiba nasceu na minha casa, porque nós éramos dos poucos que morávamos em um lugar espaçoso. Realizávamos as reuniões maiores lá, com participação de 20 ou 30 pessoas. Naquele tempo, o partido cabia na minha sala. Logo em seguida, a gente passou a enfrentar o desafio de legalizar o PT. Para isso, tivemos que criar o PT em 60 municípios. A gente conseguiu.

Quão distante o PT de hoje está daquele da sala da sua casa?

Nós éramos idealistas. A carta de princípios do PT é linda e eu gostaria muito que fosse viável. Mas no decorrer da luta isso mudou. Hoje a gente convive com a injustiça como se fosse algo normal. Num país em que prevalecem o individualismo e o lucro, ao se entrar num jogo é preciso lutar nas condições que nos são postas.

Quando a política começou para você?

O Edésio [ex-marido] é meu primo. Na infância convivemos pouco, mas isso mudou quando ele veio de Londrina para Curitiba cursar Direito, e ia muito à minha casa. Ele começou a se envolver na política. Acabou me puxando.

A minha primeira vez foi em 1961, com a renúncia do Jânio. Curitiba foi um foco de resistência em defesa à posse do Jango, que estava na China na ocasião. Embora eu fosse estudante de um colégio de freiras, fiquei deslumbrada com tudo aquilo.

O teatro só veio a reforçar.

Teatro?

Cursei o Colégio Sagrado Coração de Jesus. Na hora de escolher o que fazer no vestibular, não sabia o que queria. Fiquei noiva do Edésio e resolvi parar de estudar por um ano. Passei a acompanhar a minha irmã numa oficina de teatro. Ela desistiu, eu fiquei. Ali conheci o [jornalista e escritor] Walmor Marcelino, o Euclides [Correia de Souza, o Dadá, do Teatro de Bonecos], entre outras pessoas completamente diferentes daquelas com as quais eu convivia.

A Zélia que conhecemos nasceu no palco?

Foi marcante. Eu tinha 17, 18 anos e uma vida restrita. Foi só com o teatro que passei a participar. Eu já lia sobre existencialismo, mas o contato com a turma do teatro era muito instigante. Comecei a rever os meus valores e minha formação dentro de uma família muito católica. Não foi fácil. Sofri muito. Tinha crises de choro. [risos]

Fale-nos da mulher que deixou tudo e foi viver com os operários…

Por volta de 1970, eu lecionava em Maringá e estava ligada à Ação Popular, que tinha uma política de inclusão de seus filiados na vida da classe trabalhadora. Pedi exoneração e me mudei para o Rio de Janeiro, onde trabalhei por alguns anos como operária de fábrica.

A repressão era muito violenta. A cada prisão tínhamos que mudar de casa, porque poderia haver delação. Na ocasião, minha filha, Ana Beatriz, tinha 5 anos. Foi um período difícil, sobretudo no aspecto emocional. Eu tinha que sobreviver como operária, recebendo um salário mínimo. Com tantos presos e mortos – inclusive o rapaz com quem eu morava no Rio – decidi voltar para Curitiba.

Como foi o retorno?

Continuei ligada à Ação Popular, mas já não como clandestina, pois era uma pessoa conhecida na cidade. Comecei tudo de novo: batalhei para conseguir emprego. A professora Eni Caldeira conseguiu uma indicação para eu trabalhar no Senac. Logo fui aprovada no concurso da UFPR. Na ocasião, o Jaime Lerner foi nomeado prefeito e um antigo colega de turma, o Rubem Murilo, me convidou para assumir a diretoria de Educação. A prefeitura tinha só dez escolas na ocasião. Trabalhei um ano. Até ser presa.

… por suas atividades no Rio de Janeiro…

Por minha atuação na Ação Popular em Maringá, no Rio e em Curitiba. Na ocasião, um ato institucional autorizava a Polícia Federal a prender uma pessoa por até 60 dias para averiguação. Fiquei presa dois meses numa delegacia da Santa Quitéria. Depois fui transferida para o Hospital da Polícia Militar, porque estava grávida do meu segundo filho, André.

Meu médico, doutor Paulo Bittencourt, fez um escarcéu, e me removeram. Fiquei num cubículo do porão, onde havia uma porta e uma janela: dois policiais na porta e um soldado nesta janela. Para ir ao banheiro tinha de estar acompanhada de uma enfermeira.

Na véspera de Natal, chega o comandante da 5.ª região, acompanhado por muitos homens. Eles falavam de espírito natalino e que tinham ido lá para ver se estava tudo bem. Respondi que não. Ganhei de presente poder ir ao banheiro sozinha e não ter ninguém na janela. Passei a fazer sapatinhos para o André.

Eu me sentia superpoderosa, como acontece com as mulheres grávidas. Enfrentei os interrogatórios de nariz empinado. Eles não conseguiram que eu fizesse nenhuma confissão.

Você sofreu tortura?

Sofri muita ameaça de tortura física. E interrogatórios que começavam cedo e iam até a noite. O Edésio foi preso logo depois e transferido para o Rio e depois para Minas, onde fizera militância. Havia muita ameaça de um em relação ao outro e em relação a nossa filha. Mas eu tinha um cargo de certa importância na prefeitura e o Jaime Lerner não me demitiu, numa atitude de dignidade surpreendente. Tanto que no final do ano, quando eu ainda estava incomunicável, chegou um funcionário da prefeitura com uma porção de processos para eu assinar. Quando saí da prisão, voltei a trabalhar na diretoria de Educação. Ao saber que o Jaime tinha sofrido muita pressão, sugeri minha transferência para o Ippuc.

E na UFPR….

Reassumi as aulas. No segundo ou terceiro dia, chegou um bedel na sala e me entregou um ofício do reitor, dizendo que eu não prestava mais serviços na universidade. Procurei a Reitoria, mas lá ninguém me dizia nada. Acabei entrando com uma ação trabalhista. Ganhei, recebi indenização, mas não fui readmitida. Voltei com a Lei da Anistia, em 1979, mas na área de Ciências Sociais.

O que pensa sobre as indenizações?

Recorri para ser reintegrada à UFPR porque fui injustiçada e queria reparação. As indenizações no Paraná, por iniciativa do Beto Richa, fo­­ram de até R$ 30 mil para os que foram presos. Acho que isso materializou uma tentativa do estado de corrigir uma injustiça. Mas do ponto de vista nacional, várias pessoas que foram indenizadas tiveram perdas irreparáveis.

No caso da Comissão da Verdade, que pretende identificar e punir os torturadores, não tenho muito claro qual seria o resultado positivo. Não vejo na sociedade uma preocupação com essa punição. Desconheço qual é a eficácia de punir essas pessoas já velhas. Não sei se devemos lhes jogar pedras. Espero que a vida os tenha punido. Eles morreram para a história.

E a Zélia candidata?

Nunca levei jeito para isso. Me candidatava porque era tarefa para o partido. Concorri a deputada estadual em 1982. Em 1986 fui candidata ao Senado. Eu não podia me furtar. No início dos anos 90 fui suplente do [dr.] Rosinha na Câmara Municipal [de Curitiba]. Assumi o lugar dele por dois anos. Foi um atraso de vida. Jurei que nunca mais. [risos]

Para onde você transferiu a energia da militância?

Estou aposentada, trabalho no PT sempre que sou chamada e faço coisas que nunca fiz na vida, como cerâmica. [risos] Gosto demais. Mas minha primeira experiência artística foi com a ikebana, que prega que você tem de buscar harmonia no desigual. Quando eu fiz a primeira ikebana, pensei: “Não acredito que consigo fazer algo tão bonito”.

Petistas em municípios com comissões provisórias do PT poderão formar chapas até 04/11

Alguns militantes históricos do Partido dos Trabalhadores do Paraná estão preocupados com o futuro do partido em muitos municípios pequenos e médios do estado.

A Executiva Nacional do PT estabeleceu que os municípios que não organizarem processos eleitorais diretos no dia 11 de dezembro, reconstruindo os diretórios municipais que foram destituídos pela atual direção estadual, não poderão lançar candidatos do PT nas próximas eleições.

O prazo para inscrição de chapas para esse PED extraordinário encerra-se em 4 de novembro, próxima sexta-feira. Os petistas poderão formar suas chapas com apenas cinco membros, por meio de uma simples carta, requerendo sua inscrição a algum membro das atuais comissões provisórias, com recibo.

O número de comissões provisórias no Paraná é de 201. O PT estadual tem apenas 183 diretórios municipais, menos da metade dos 399 municípios paranaenses.

 

Entrevistas com petistas: um socialista e um social-democrata

Entrevistas de Rogerio Waldrigues Galindo, publicadas hoje na Gazeta do Povo

Deputado Federal Dr. Rosinha. Foto de Valterci Santos - Gazeta do Povo

“Quero socialismo para dividir riqueza”

Dr. Rosinha, deputado federal

O congresso mostrou que o PT caminha mais para o centro?

Não acredito. O congresso retomou questões de organização que são típicas de esquerda, como a limitação do número de mandato de parlamentares e a contribuição dos militantes. Não são questões ideológicas, propriamente. Mas limitar os mandatos, por exemplo, mostra que o mais importante é o programa, não a pessoa. Além disso, o partido decidiu não coligar com PPS, DEM e PPS.

Houve pressão do governo para aliviar alguma resolução?

Não houve. Não acho que as votações seriam diferentes se estivéssemos na oposição.

As alas mais à esquerda do PT, como a Democracia Socialista, da qual o senhor participa, estão ficando mais brandas?

Eu acho que são duas coisas diferentes. Na disputa interna do partido, a nossa postura tem de ser a de exigir mais. Mas outra coisa é a atuação do governo, que não podemos querer que represente uma ou outra tendência.

O estatuto do PT prevê que o partido rume para o socialismo. Isso ainda faz sentido?

Faz sentido. O partido atua dentro dos moldes do capitalismo. O Celso Furtado, em 1950, já dizia que o rumo do socialismo passava pelo fortalecimento do mercado interno. E o PT no governo faz isso. Mesmo porque eu quero socialismo para dividir riqueza, não para dividir pobreza.

O partido então quer a extinção da propriedade privada, por exemplo?

O PT, não. Mas alguns de nós, sim.

Deputado Federal André Vargas. Foto de Antônio More - Gazeta do Povo

“Continuamos defendendo teses de esquerda”

André Vargas, deputado federal

O congresso mostrou um PT mais próximo do centro?

O PT é de esquerda, e um dos maiores partidos de esquerda democrática do mundo. É único partido no país, por exemplo, que faz um congresso como esse, com 1,4 mil delegados eleitos. Continuamos defendendo teses de esquerda. Defendemos os mais pobres, distribuição de renda. Não somos de centro.

O estatuto do partido prevê o socialismo. Isso ainda vale?

Temos de avançar para uma sociedade mais justa, onde o lucro não esteja acima das pessoas. Precisamos avançar para essa sociedade. Mas queremos o socialismo com democracia. Não defendemos a extinção do mercado livre ou o fim da propriedade privada.

Mas esse socialismo com democracia não é muito semelhante à social-democracia?

Foram os conceitos de Karl Marx que criaram a social-democracia europeia. Aqui no Brasil é que o partido que se diz social-democrata é de direita.

Houve pressão do governo para que alguns pontos fossem suavizados no congresso?

Nós interagimos com pessoas dentro do governo. Não existe essa entidade “governo”. Existem militantes nossos que estão no governo. Podem existir contradições entre a tese partidária e o governo. Mas temos de levar pelo menos o debate às últimas consequências.

O fato de ser governo mudou o PT?

Qualquer partido quando chega ao poder tem novos deveres. Mesmo porque você não governa só com as suas teses.

Seminário Modelos de Gestão e PPPs: dilemas e perspectivas – 19/09, 8h30, na ALPR

Fui convidado para palestrar nesse evento mas, infelizmente, não poderei participar. Mas recomendo participação. Obrigado pelo convite Deputado Elton Welter (PT).

Charge: o 4º Congresso do PT

Gilberto Carvalho: “Aposto nessa mulher [Gleisi Hoffmann]. Vamos ouvir falar muito nessa menina”!

Hoje na Coluna de Mônica Bergamo na Folha de S. Paulo

ESSA MENINA

Gilberto Carvalho diz à revista “Piauí” deste mês o que acha da saída do ex-ministro Antonio Palocci Filho da Casa Civil: “Melhorou muito o quadro aqui dentro [do Palácio do Planalto]”. Sem “demérito” para Palocci. E “do ponto de vista de distribuição de funções”. O secretário-geral da Presidência diz colocar suas fichas em Gleisi Hoffmann, escolhida para substituir Palocci: “Aposto nessa mulher. Vamos ouvir falar muito nessa menina”.

NO EIXO

Carvalho diz também que, enquanto a presidente Dilma Rousseff tem reação “visceral” contra “a mediocridade, o desvio, o desmando”, o ex-presidente Lula é “mais macunaímico.

O combate à corrupção, no entanto, “tem de ser marginal”, afirma o secretário. “O eixo é outro”. E Dilma “tem consciência” disso.

Leitores do Blog do Tarso preferem que PT tenha candidatura própria

O Deputado Estadual Tadeu Veneri é o preferido dos leitores do Blog do Tarso como candidato do PT

Conforme enquete realizada até ontem, a maioria dos leitores do Blog do Tarso prefere que o Partido dos Trabalhadores tenha candidatura própria na eleição para a Prefeitura de Curitiba em 2012.

57% querem candidatura própria do PT.

43% querem que o PT apóie Gustavo Fruet na eleição, com o PT como vice.

Dos que preferem o PT com candidatura própria, o Deputado Estadual Tadeu Veneri ficou em primeiro com 45,6% da preferência, o Deputado Federal Dr. Rosinha com 36,8% e o Deputado Federal Angelo Vanhoni com 17,5%.

Participe da próxima enquete sobre as eleições em Curitiba 2012.

Partido dos Trabalhadores de Curitiba discute agora as eleições de 2012 e 2014

O campo “Construindo um novo Brasil” do Partido dos Trabalhadores – PT de Curitiba discute agora as eleições de 2012 e 2014, com as presenças do Diretor-Presidente da Itaipu Binacional Jorge Samek, do Deputado Federal Angelo Vanhoni, do advogado e ex-vereador de Curitiba André Passos, outras autoridades e muitos militantes.

Será que o PT vai lançar como candidatos Tadeu Veneri, Dr. Rosinha, Angelo Vanhoni, ou apoiará a candidatura de Gustavo Fruet (sem partido), indicando seu vice? Vote na enquete sobre o tema do Blog do Tarso.

Nova enquete: no 1º turno o PT deve ter como candidato em Curitiba o Tadeu Veneri, o Dr. Rosinha ou o Gustavo Fruet?

Nova enquete do Blog do Tarso: no 1º turno das eleições para Prefeito de Curitiba em 2012 o Partido dos Trabalhadores (PT) deve escolher como candidato o Deputado Estadual Tadeu Veneri, o Deputado Federal Dr. Rosinha ou ser vice do ex-Deputado Federal Gustavo Fruet, que saiu do PSDB e por enquanto está sem partido?

Um erro a ser corrigido e um artigo a ser lido

O PT mobilizou e participou, ativamente e como nenhum outro partido, de todas as iniciativas populares. Foi o responsável por transformar e fazer daquela Constituinte um movimento nacional e popular. O que acontece é que, para marcar e demarcar sua posição, o PT votou contra o texto com uma declaração de voto em separado, na qual explicava exatamente porque teve e mantinha aquela posição.

É este voto em separado que, desde então (1988), induz a erro sobre a posição do partido. E leva muitos a confundir, e a embarcar na lenda criada e difundida à exaustão pelos nossos adversários e pela oposição em geral, de que o PT não assinou a Carta de 1988.

Seria importante para o autor do artigo a leitura dessa declaração de voto em separado do PT, até porque este erro não invalida seu excelente artigo, que vale a pena ser lido. Por isso, a ele eu peço essa leitura do voto do PT; aos meus amigos leitores aqui do blog eu recomendo que vejam o texto publicado pelo professor na Folha de S.Paulo hoje.

Leiam, também, texto de minha autoria sobre a Proposta de Constituição elaborada pelo PT.

O PT e a Constituição de 1988

Por EDUARDO FAGNANI

Publicado ontem na Folha de S. Paulo


Avaliações sobre o inegável êxito de Lula na área social desconsideram a notável transferência de renda fruto da Constituição de 1988


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Partido dos Trabalhadores faz hoje 31 anos