Neoliberalismo-gerencial, Terceiro Setor, privatização e corrupção

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A Polícia Federal acabou ontem com um esquema de corrupção de R$ 6,6 milhões (o valor pode ser muito maior) do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Paraná – IFPR, com 18 presos, entre eles professores do Instituto e funcionários de duas Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público – OSCIPs.

O atual reitor (Irineu Colombo, ex-deputado federal pelo PT) foi afastado por 90 dias, e alega que foi ele que denunciou o esquema. O último reitor, Alípio Leal, atual secretário de Ciência Tecnologia e Ensino Superior do governo Beto Richa (PSDB), também é suspeito de estar envolvidos no esquema.

A autarquia federal, ao invés de realizar seus serviços por meio de professores concursados, ou terceirizando atividades meio por meio de licitações públicas, simplesmente se utilizou de recursos do Ministério da Educação para a celebração de convênios (ou termos de parceria), sem licitação, com as OSCIPs Instituto Brasileiro de Estudos e Pesquisas para Otimização da Tecnologia e da Qualidade Aplicada – Ibepoteq e Agência Brasileira de Desenvolvimento Econômico e Social – Abdes.

OSCIPs são qualificações concedidas pelo Ministério da Justiça para associações ou fundações privadas sem fins lucrativos, que atuem pelo interesse público e podem ser fomentadas pelo Poder Público. Mas elas não podem ser utilizadas para fins de privatização ou terceirização.

O esquema é velho conhecido: celebrados convênios, termos de parceria ou contratos para serviços que não eram prestados em sua totalidade, com prestações de contas forjadas.

Esses esquemas de corrupção surgiram com mais força a partir da década de 90 no Brasil, com os governos neoliberais e a implementação do chamado gerencialismo no país. Com a privatização/terceirização de serviços por meio de entidades do Terceiro Setor, como associações privadas qualificadas como OSCIPs e OSs – organizações sociais. Essa ideologia neoliberal-gerencial gera mais corrupção, mais nepotismo, mais clientelismo e mais patrimonialismo.

Ao invés de se estruturar os órgãos e entidades estatais, com concursos públicos e licitações, com plena fiscalização da sociedade, se privatiza para fugir de controles, o que gera aumento da corrupção.

O problema é que esse ideário neoliberal corrupto, que foi trazido para o Brasil por governos de partidos de direita como o ex-PFL (atual DEMO) e PSDB, hoje também é utilizado inclusive por governos municipais, estaduais e federal ditos de esquerda ou centro-esquerda.

Tem muita gente ganhando muito dinheiro com essa farra. Até quando?

Não são apenas os governos os culpados. Ministério Público, Tribunais de Contas e Poder Judiciário muitas vezes são coniventes com esses absurdos.

Xô neoliberalismo-gerencial!

O problema da saúde no Brasil é a privatização e a mercantilização

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O grande problema com relação a falta de médicos no interior do Brasil é a inexistência de hospitais estatais com médicos concursados e com uma carreira definida.

O gerencialismo-neoliberal que assombrou o Brasil na década de 90 até hoje dá frutos, com a privatização da saúde por meio de Organizações Sociais da Saúde – OSS e convênios/contratos ilegais com entidades privadas, com o intuito de fuga do concurso público, das licitações e da responsabilidade fiscal.

Os governos municipais e estaduais são os campeões em privatização da saúde via OSs. Inclusive governos que se dizem de esquerda ou centro-esquerda.

Não é verdade que a falta de médicos no interior se deve a falta de equipamentos.

Segundo a Gazeta do Povo de hoje, a professora do Depar­ta­men­to de Saúde Coleti­va da Universidade de Brasília (UnB), Ximena Pamela Bermudez, entende que equipamentos não são suficientes para salvar vidas. Segundo ela:

“Primeiro precisamos de médicos onde não tem. A ideia de que a tecnologia resolve tudo é equivocada”.

“A medicina é uma ciência voltada ao lado social, para salvar vidas. Se tivesse médico em lugares remotos do país haveria atenção básica pelo menos”.

“Infelizmente, os médicos não vão para cidades de menor porte. Há falta de conhecimento sobre essa necessidade. Muitos ainda têm uma visão individualista e, até mesmo, mercantilista da profissão”.

Conforme dados do Ministério da Saúde divulgados pela Gazeta do Povo, 80% dos problemas de saúde podem ser resolvidos na atenção primária, com ações de prevenção e diagnóstico precoce.

O jornal também informa a posição do presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva, Luis Eugenio Portela, que acredita que a falta de médicos não se trata especificamente da falta de equipamentos, mas também das condições de trabalho. Para ele “por condições de trabalho, entendo desde salários e carreiras passando pela questão da falta de organização de redes integradas de serviços”. Ele também entende que a má distribuição de riqueza no país interfere no processo. “Se as cidades do interior tivessem melhores condições de vida, com boas escolas, bons cinemas, bons shopping centers, certamente, teriam bons centros de saúde e atrairiam muitos médicos”.

Governantes: que tal vossas excelências aplicarem a Constituição Social, Democrática, Republicana de Direito de 1988, com hospitais estatais e médicos concursados por todo o país, com o intuito de cumprir as obrigações constitucionais fixadas como “dever do Estado na saúde” e “redução das desigualdades regionais e sociais”?

E universidades que formem médicos menos individualistas e mercantilistas, com uma visão de interesse público e social.

Privatização da Saúde: OSs em SP recebem dinheiro público sem disponibilizar médicos

No Estadão

SP paga por 1,2 mil médicos que não existem

Profissionais deveriam atuar em postos geridos por Organizações Sociais (OSs)

A rede municipal de saúde paga pelo menos 1.286 médicos que não existem. Os profissionais deveriam atuar nas unidades de atendimento administradas por Organizações Sociais (OSs), instituições que recebem repasses da Prefeitura para manter os postos em funcionamento. Por mês, são pagos R$ 116 milhões à rede terceirizada que, assim como ocorre no serviço público, alega dificuldades na contratação, especialmente quando a vaga está na periferia.

A zona leste da capital é a mais prejudicada. Na região há 571 plantões médicos abertos para as mais diversas especialidades, como pediatria, ginecologia e dermatologista. A demanda por clínicos gerais também é enorme nos bairros mais afastados, como Cidade Tiradentes, Guaianases e São Mateus. A zona norte é a segunda na lista de espera por profissionais, seguida pelas zonas sul, sudeste e centro-oeste.

Somente a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) precisa contratar quase 700 médicos – 41 deles para compor o número de funcionários da Assistência Médica Ambulatorial (AMA) Tito Lopes. Da lista de nove entidades que prestam serviço para a Prefeitura, a OS é a que registra o maior déficit. E também é a que recebe o maior repasse mensal: R$ 26 milhões.

Mas, apesar de o quadro de funcionários estar incompleto na maioria das unidades, os depósitos feitos mensalmente pela Secretaria Municipal da Saúde continuam cheios. Isso quer dizer que a ausência dos médicos não leva a descontos automáticos às organizações contratadas, apenas prejuízo aos cofres públicos.

De acordo com cálculos da pasta, cerca de metade das vagas para médicos abertas pelas OSs não está preenchida – índice semelhante ao registrado pelo conjunto de postos administrado pela própria secretaria.

Salário. Os números contrariam o principal argumento da Prefeitura ao manter parceiros na área da saúde – a agilidade na contratação de profissionais pelas instituições, que estão livres da obrigação de promover concursos públicos.

As dificuldades enfrentadas pelo setor ainda vão contra a tese de que salários altos seguram os médicos. Pagar até R$ 1,1 mil por um plantão de 12 horas – o dobro do pago pela Prefeitura – não tem surtido efeito em São Paulo.

O resultado está nas salas de espera das unidades comandadas pelas OSs. Há filas para atendimento de emergência, de especialidade ou mesmo hospitalar. O mesmo quadro encontrado por pacientes que buscam postos de saúde administrados de forma direta. “É tudo igual. Se não fosse pela placa na porta, a gente nem iria notar essa diferença aí (de gestão). Falta médico de todo jeito”, diz a dona de casa Daniele de Souza, de 28 anos, usuária da AMA Perus, na zona norte da capital.

Pais protestam contra privatização e precarização do Ballet Guaíra

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Os pais de alunos e ex-professores da Escola de Dança Teatro Guaíra fizeram manifestação na quarta-feira (2) contra a privatização do Guaíra e contra a precarização da Escola. Pais disseram ao Blog do Tarso que são contrários à privatização do Guaíra via OS – organização social, que o governo Beto Richa (PSDB) pretende realizar. Além disso confessaram que se arrependeram em votar em Beto Richa, pois a situação piorou com o atual governo.

O governo Beto Richa disse que não vai contratar servidores por concurso e que vão tentar transferir a Escola para um lugar “que não é uma Brastemp”. Veja o vídeo, clique aqui.

Foto do dia: Dançarinos pedem anulação da privatização do Maracanã

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Ontem, durante o show do final da Copa das Confederações, dançarinos se manifestam e exibem faixa pedindo a anulação da privatização do Maracanã. Foto: Agência Reuters. Enquanto isso Beto Richa estava curtindo com ingressos gratuitos na arquibancada, e o povo do Paraná, óh…

Privatização = Corrupção = Preguiça = Incompetência

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Você é um governante que acabou de vencer as eleições e tomou posse?

Você tem duas alternativas:

1. Melhorar e profissionalizar a Administração Pública; ou

2. Privatizar tudo o que você vê pela frente, aplicando o neoliberalismo-gerencial.

Você sabia que os maiores casos de corrupção na Administração Pública se dão por meio de privatizações e terceirizações?

Licitações prévias aos contratos administrativos para contratação de serviços e fornecimento de bens com a iniciativa privada; venda de empresas estatais; concessões de serviços públicos; Parcerias Público-Privadas; convênios com ONGs; contratos de gestão com Organizações Sociais – OS; termos de parceria com OSCIPs – organizações da sociedade civil de interesse público.

É por meio de acordos de vontade com a iniciativa privada que ocorrem os maiores casos de corrupção, de dinheiro público indo para o ralo.

Um hospital público é ineficiente? O museu estatal não funciona? A escola pública poderia ser melhor? Que tal aplicar a Constituição Social e Democráica de Direito de 1988 e melhorar a administração do órgão ou da entidade pública? Que tal fazer mais concurso público e contratar menos comissionados, terceirizados ou temporários? Que tal capacitar seus servidores públicos? Que tal ensiná-los a realizar licitações? Que tal melhorar os instrumentos de controle interno? Que tal deixar tudo 100% transparente para que haja um controle externo efetivo por meio da própria população, imprensa, Tribunais de Contas, Ministério Público, Poder Legislativo e Poder Judiciário? Que tal gastar menos com publicidade? Que tal nos poucos cargos comissionados preenchê-los com pessoas preparadas técnica e politicamente?

Que tal parar com o discurso mentiroso de que a iniciativa privada é mais eficiente e começar a pensar que não existe apenas o Princípio da Eficiência na Constituição? Mas também os Princípios da Moralidade, Igualdade, Impessoalidade, Publicidade, Finalidade, Razoabilidade, Supremacia do Interesse Público sobre o privado, entre outros?

Enfim, que tal senhor governante preguiçoso “arregaçar as mangas” e começar a trabalhar? Que tal melhorar a estrutura pública e não deixá-la ainda mais precária para depois justificar uma privatização?

Sempre ouço falar que o Estado é corrupto, que a Administração Pública é corrupta. Mal sabem que quem é o corruptor do Estado, da Administração Pública, dos governantes, dos servidores públicos, é a iniciativa privada.

Escolha por privatizações corruptas e precarização da Administração Pública? O senhor governante é preguiçoso ou incompetente. Ou muito esperto, com o intuito de engordar o caixa 2 nas próximas eleições.

Privatização das ferrovias na Argentina não deu certo e será revertida

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O contrato da Argentina com a empresa brasileira América Latina Logística – ALL foi rescindido no último dia 4 pelo governo da presidenta Cristina Kirchner, pois a empresa privada abandonou 60% da malha ferroviária de 8 mil quilômetros, privatizada desde 1999 para transporte de carga. A ALL ainda rejeitou novos clientes e prejudicou a economia argentina, para beneficio da sua própria frota de caminhões brasileiros, que faziam o mesmo trajeto que os trens.

A privatização da rede ferroviária argentina ocorrida nos anos 1990 é questionada porque as empresas privadas que ganharam as concessões têm sido acusadas de investir pouco em manutenção. O contrato com uma empresa privada argentina também foi rescindido por descumprimento e o Estado não terá que pagar indenização.

Privatização: imoralidade na relação entre o Secretário de Saúde de SP e OSs da saúde

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Charge do Latuff sobre as OS do Rio de Janeiro mas que se encaixa perfeitamente no caso concreto.

Publicação da ADUSP faz denúncia sobre a relação imoral que o Secretário de Estado da Saúde de São Paulo Guido Cerri, do governo Geraldo Alckmin (PSDB), e as organizações sociais da saúde (OSS) que recebem milhões dos cofres públicos. Esse tipo de privatização serve para burlar a Constituição da República. Veja a matéria, clique aqui.

Governo do RS acaba com o pedágio nas estradas, estatiza e baixa tarifa

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O governador do Rio Grande do Sul,  Tarso Genro (PT), realizou na última sexta-feira (31) um ato comemorativo por causa do fim da praça de pedágio de Farroupilha, conforme sua promessa de eleição. Na quarta-feira (29) o Tribunal Regional Federal da 4ª Região – TRF4 anulou liminares que garantiam às concessionárias Sulvias e Convias a administração dos pólos dos pedágios de Caxias do Sul (quatro praças de pedágio) e Lajeado (seis praças).

Das dez praças de pedágio, cinco existem em BRs e vão permanecer com as cancelas erguidas.

A estação em rodovia estadual de Farroupilha será exterminada e outras quatro praças serão administradas pela Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR), uma empresa estatal que vai baixar de R$ 7,00 para R$ 5,20 a tarifa cobrada para automóveis.

Tarso Genro disse que o fim do pedágio de Farroupilha vai injetar R$ 52 milhões na economia local, que seu ato se insere em contexto de luta contra privatizações no país, e que na Europa, as privatizações levaram à crise.

Enquanto isso no Paraná o governador Beto Richa (PSDB) mantém as tarifas indecorosas do pedágio e ainda pensa em prorrogar o contrato com as concessionárias.

Por favor 2014, chega logo!

Tarso Genro levanta cancela e acaba com privatização

Tarso Genro levanta cancela e acaba com privatização

Ultrafértil: FHC privatizou, Petrobrás reestatizou

Governo Dilma reestatiza a Ultrafértil depois de 20 anos privatizada; assista ao vídeo

Do Blog do Esmael Morais

Em 1993, como deputado estadual, Dr. Rosinha articulou a aprovação por unanimidade, na Assembleia, de um relatório contra a privatização da Ultrafértil; luta antineoliberal reuniu ainda Requião, Lula, sindicalistas, movimento estudantil, partidos, dentre outras lideranças; foi um dos maiores movimento de resistência à privatização no país. (Foto: reprodução/site Dr. Rosinha).

Em 1993, como deputado estadual, Dr. Rosinha articulou a aprovação por unanimidade, na Assembleia, de um relatório contra a privatização da Ultrafértil; luta antineoliberal reuniu ainda Requião, Lula, sindicalistas, movimento estudantil, partidos, dentre outras lideranças; foi um dos maiores movimento de resistência à privatização no país. (Foto: reprodução/site Dr. Rosinha).

A Petrobras bateu o martelo e comprou da Vale a Ultrafértil, unidade de produção de nitrogenados localizada em Araucária (PR), região metropolitana de Curitiba, por US$ 239 milhões.A informação veio há pouco a este blogueiro pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Petroquímicas do Estado do Paraná (Sindiquímica-PR). A entidade sindical prepara um ato político para comemorar a “reestatização” da empresa pelo governo Dilma.

A empresa de fertilizantes, cuja capacidade anual de 700 mil toneladas de ureia e de 475 mil toneladas de amônia, fora privatizada em 23 de junho de 1993 no então governo de Itamar Franco pela bagatela de US$ 207 milhões.

A própria Comissão de Desestatização dizia que a Ultrafértil valia US$ 426 milhões. Os trabalhadores afirmavam que o custo de instalação da fábrica era de US$ 1,2 bilhão.

Trabalhadores e as forças vivas paranaenses de antanho chegaram depositar fé no então recém-nomeado ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, para barrar a privatização. Não sabíamos nós que o tucano comandaria mais adiante o maior crime lesa-pátria com a privataria das demais estatais (vide registro no livro de Amaury Ribeiro Jr).

Na condição de líder estudantil, em 1993, estive presente na ocupação da Ultrafértil contra a privatização.

Na época, Roberto Requião (PMDB), governador do Paraná, uniu-se à luta contra a privatização. Alegava ser a companhia estratégia à economia e à Nação.

Luiz Inácio Lula da Silva, 9 anos antes de se eleger presidente da República, esteve em Araucária para se solidarizar aos trabalhadores.

O jornalista e blogueiro Luís Nassif, em comentário na televisão, afirmava com veemência que a privatização da Ultrafértil em si — e em geral — era um péssimo negócio para os contribuintes.

Atualmente, segundo o Sindiquímica, a Ultrafértil opera com 430 trabalhadores diretos e 350 terceirizados.

Relembre a histórica luta contra a privatização da Ultrafértil; assista ao vídeo:

Requião critica o neoliberalismo e as privatizações no Senado. E o PT?

Governo Beto Richa privatizou os concursos públicos no Paraná e gerou caos

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Por Tarso Cabral Violin – advogado, professor de Direito Administrativo e autor do Blog do Tarso

Durante a gestão do ex-governador e atual senador Roberto Requião (PMDB), entre 2003 e 2010, o Estado do Paraná contratava universidades públicas-estatais para a elaboração e aplicação dos concursos públicos na área de educação, como a Universidade Estadual de Londrina e Universidade Federal do Paraná.

Eis que o atual governo Beto Richa (PSDB) resolveu privatizar os concursos públicos no Estado e contratou a Pontifícia Universidade Católica do Paraná para organizar o concurso público para professores e pedagogos no presente ano.

O concurso ocorreu nesse domingo (19.05.2013) em 14 cidades do Paraná e foi um caos.

Dos 94 mil inscritos em todo o Paraná, apenas dos que realizariam a prova na sede da PUCPR em Curitiba, mais de 2 mil cidadãos tiveram problemas nas suas inscrições por causa de problema no sistema da internet.

Mas o problema não foi apenas esse. As reclamações dos professores que realizaram a prova são desde o conteúdo da prova, metodologia, desorganização e falta de estrutura no dia da prova, falta de informações, problemas no ensalamento, entre outros relatados ao APP-Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná e divulgados pela mídia.

A falta de informação ou informações desencontradas levaram centenas de candidatos a ficarem de fora dos prédios da PUCPR de Curitiba e não conseguiram realizar a prova. A manifestação desses atrapalhou os demais candidatos. Há cenas na TV que mostram até candidatos-professores sendo agredidos por seguranças da PUCPR (veja o vídeo, clique aqui).

Em face aos vícios no edital e na realização da prova, entendemos que é caso de nulidade do concurso público em tela, para que milhares de candidatos não sejam prejudicados.

Além disso a realização de processos administrativos, sejam eles licitações, processos administrativos disciplinares – PAD ou mesmo concursos públicos não podem ser terceirizados para a iniciativa privada. São atividades-fim do Estado indelegáveis, que devem ser realizadas por servidores públicos concursados.

Defendemos não apenas a educação pública, gratuita e universal, mas também que os concursos públicos sejam realizados por entidades públicas-estatais. Acreditamos que seja uma falácia o discurso neoliberal de que a iniciativa privada seja necessariamente eficiente e a Administração Pública e os servidores públicos obrigatoriamente ineficientes.

Vários exemplos concretos confirmam que o que falta à Administração Pública é a tão desejada profissionalização da função pública, sem uma política neoliberal-gerencial de precarização, como exige nossa Constituição Social e Democrática de Direito de 1988.

Anulação do concurso público e a realização de novo certame, a ser realizado por uma Universidade Pública e Estatal. É o que desejamos!

Movimentos sociais preparam ofensiva contra as privatizações do governo Beto Richa

Privatização do Teatro Guaíra por meio de uma OS – organização social.

Privatização do Museu Oscar Niemeyer.

Privatização Tudo Aqui é 171, por meio de PPP – Parceria Público-Privada.

Privatizações de atividades-fim na Celepar, por meio de terceirizações ilícitas.

Privatização de estabelecimentos prisionais.

Privatizações de mais estradas com mais pedágios.

Precarização da Administração Pública estadual.

Aumento de cargos comissionados sem concurso público.

Diminuição dos direitos dos servidores públicos.

Sindicatos, movimentos sociais, movimento estudantil, professores, advogados, partidos de esquerda e de centro-esquerda, ONGs, membros da sociedade civil organizada estão preparando uma batalha contra as privatizações no governo Beto Richa (PSDB).

Infelizmente o governo da presidenta Dilma Rousseff (PT) também está privatizando, mas em menor medida. É uma privatização tímida, que não chega aos pés dos governos FHC, Jaime Lerner e Beto Richa.

Participe dos debates, reuniões, virtualmente mas também pessoalmente.

Foi apenas com o povo nas ruas que a Petrobrás, Banco do Brasil, Copel não foram vendidas.

Por favor 2014, chega logo!

Aécio Neves diz que o PSDB é o “partido das privatizações”

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O senador Aécio Neves assumiu a presidência do PSDB em eleição que Alvaro Dias chamou de anti-democrática e a juventude do PSDB informou que vai às ruas por Aécio Neves.

Aécio fez discurso parecendo um pouco fora de si e confessou: “Somos o partido das privatizações que tão bem fizeram ao Brasil”.

O governo do ex-presidente FHC (1995-2002) foi o mais privatizante de todos os tempos no Brasil, aplicando o neoliberalismo, privatizando quase tudo, precarizando a Administração Pública e quase faliu o país. Tentou até privatizar a Petrobrás e o Banco do Brasil. A política de privatização do PSDB ficou conhecida como a Privataria Tucana.

Sem esquecer da compra de votos para a aprovação da reeleição no Congresso Nacional.

Foi com FHC que se criou também as inconstitucionais Organizações Sociais, com o intuito de privatizar toda a saúde, educação e cultura para as entidades do Chamado Terceiro Setor.

Foi com o governo tucano que as terceirizações ilícitas de atividades-fim da União mais ocorreram.

Com esse discurso Aécio Neves pode nem ir para o segundo turno, ficando atrás até de Marina Silva (Rede) e Eduardo Campos (PSB). A presidenta Dilma Rousseff (PT) é a favorita para vencer no primeiro ou segundo turno.

A MP dos Portos afeta capacidade de planejamento do Estado

A MP ora aprovada parece cometer o grande erro de entregar inconstitucionalmente à iniciativa privada a possibilidade de ser proprietária de terminais portuários.

A regra geral, segundo nossa carta Magna, dever ser a de regime público de prestação de serviços portuários, em que se transfere a execução ao particular mantendo-se a titularidade dos mesmos na mão do Estado.

A MP cria competição entre portos públicos e privados em evidente desfavorecimento competitivo dos primeiros.

Se cuidados rigorosos não forem adotados, perderão o interesse publico e a capacidade de planejamento do Estado.

Em mais um setor o governo encaminha soluções demasiadamente privatistas. As futuras gerações arcarão com as nefastas consequências.

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Por Pedro Estevam Alves Pinto Serrano e Christian Fernandes Gomes da Rosa*, no GGN

É certo que os serviços portuários têm grande relevância para o desenvolvimento econômico e social brasileiro, mas a decisão acerca dos meios mais adequados para sua organização ainda está longe de se mostrar algo consensual.

Todo o debate a respeito da Medida Provisória 595/2012 deixou claro que há muita contraposição, nos distintos setores sociais e dentre os agentes e grupos econômicos, quanto aos parâmetros que devem pautar os investimentos na atividade. Continuar lendo

Privatização: Juiz se declara incompetente para julgar ação contra leilões do petróleo

Ação, proposta pela FUP e o Sindipetro/SC, pede a suspensão da 11ª rodada de licitações, que ocorre hoje (14) e amanhã (15); advogado afirma que recorrerá da decisão

Michelle Amaral do Brasil de Fato

O Juiz Federal Claudio Roberto da Silva, da 2ª Vara Federal da Curitiba (PR), se declarou incompetente para julgar a Ação Civil Pública proposta pela Federação Única dos Petroleiros (FUP) e o Sindicato dos Petroleiros do Paraná e Santa Catarina (Sindipetro-PR/SC). A ação pede a suspensão da 11ª rodada de licitações de blocos para a exploração de petróleo e gás natural, que começou nesta terça-feira (14) e continua na quarta-feira (15). Continuar lendo

Carta contra a privatização a Dilma, lida por Roberto Requião

Veja a edição especial do jornal Brasil de Fato contra as privatizações

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Privatizações e a Constituição Social e Democrática de Direito de 1988

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A Constituição Social e Democrática de Direito de 1988 da República Federativa do Brasil obriga que juristas, políticos, autoridades, administradores públicos e toda a sociedade almejem que um dia cheguemos no país ao Estado do Bem-Estar Social e Democrático de Direito.

Com o fim da ditadura militar iniciada com o golpe de 1964 e a redemocratização a partir de 1985, e desde a Constituição de 1988, a Democracia formal ainda está sendo construída no país, para que um dia sejamos uma Democracia substancial.

O Estado do Bem Estar ou Estado Social caracteriza-se como um Estado que intervêm na economia e no social, de forma direta e indireta. Nossa Constituição prevê uma evolução do primitivo liberalismo, do Estado Liberal.

O Estado Social garante a liberdade, mas uma liberdade que vai além da igualdade do liberalismo, é uma liberdade com dignidade. Garante igualdade, mas não apenas a igualdade formal do Estado Liberal, mas uma igualdade material, com redistribuição. Prevê fraternidade, não como um favor do liberalismo, mas como direitos sociais, uma obrigação do Estado.

O Estado Social não interfere no econômico e social apenas de forma indireta. O Estado do Bem-Estar caracteriza-se como um Estado prestador de serviços públicos, um Estado que explora atividades econômicas nos termos do art. 173 da Constituição (casos de segurança nacional ou a relevante interesse coletivo).

O Estado Social não é um Estado apenas policial como o liberal, mas um Estado prestacional, que limita os poderes econômicos. Democracia em que o poder do dinheiro é o que vale não é democracia.

A desigualdade é autoritária e vai contra a democracia. E serviços públicos prestados apenas por particulares e um Estado apenas regulador, com o velho discurso da liberdade liberal, joga na lata de lixo a igualdade e a fraternidade.

No Brasil o neoliberalismo, o retorno ao Estado Liberal, é inconstitucional. O que diz nossa Constituição Social e Democrática de Direito de 1988?

–Sociedade livre, justa e solidária (3º)

–Cidadania (1º)

–Dignidade da pessoa humana (1º)

–Desenvolvimento nacional ( 3º), independência nacional (4º), soberania nacional (1º, 170 I)

–Erradicação da pobreza e redução das desigualdades (3º III e 170 VII)

–Bem de todos (3º) e Bem Estar (193)

–Direitos Humanos (4º)

–Igualdade (5º)

–Justiça Social ( 170 e 193)

–Soberania Nacional (1 I e 170 I)

–Livre iniciativa e valores sociais do trabalho (1º IV e 170)

–Função Social da Propriedade (5º XXIII e 170 III)

–Favorecimento a empresas de pequeno porte (170 IX)

–Dever do Estado: educação (205 igualdade e gratuidade nas do Estado) e saúde (196 acesso universal igualitário)

–Salário mínimo: capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social.

Isso tudo não combina com o neoliberalismo, com o egoísmo, com o individualismo e consequentemente com as privatizações.

Privatização é qualquer parceria entre o Poder Público e a iniciativa privada com o intuito de repassar responsabilidade do Estado para os particulares, de diminuir o tamanho do Estado nas áreas econômicas e sociais. Também chamada de desestatização.

De forma mais radical as privatizações surgiram nas décadas de 70, 80 e 90, do século XX, dependendo do país, com o intuito de atacar o modelo do Estado do Bem-Estar Social e Democrático de Direito, e implementação do Estado Mínimo, Estado apenas Regulador. Enfim, com o intuito de adoção do chamado neoliberalismo.

Em sentido amplo existem os seguintes tipos de privatizações:

1. Privatizações em sentido estrito: a venda de uma empresa estatal (sociedade de economia mista ou empresa pública). É a transferência de propriedades estatais para privados, como bens e ações. Essa privatização pode ser total (repasse de mais de 50% para a iniciativa privada, como por exemplo a venda da Companhia Vale do Rio Doce ou Banestado) ou parcial (venda de propriedade sem transferência de mais de 50%, por exemplo quando a Petrobrás vende algumas de suas ações). Também chamada de desnacionalização. Regulada no Brasil pela Lei 9.491/97 de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que alterou o Plano Nacional de Desestatização da Lei 8.031/90 de Fernando Collor de Mello (ex-PRN). Sempre lembrando: uma empresa estatal que existe para fins de segurança nacional ou a relevante interesse coletivo NÃO PODE SER PRIVATIZADA.

2. Concessões e permissões de serviços públicos nos termos do art. 175 da Constituição: delegação da prestação dos serviços públicos privativos às empresas privadas (concessionárias). Não se delega a titularidade, mas apenas a prestação. O cidadão deixa de pagar impostos e passa a pagar tarifas. Por exemplo as concessões de estradas com consequente cobrança de pedágio ou concessões do transporte coletivo municipal. As concessões e permissões tradicionais de serviços públicos, nos termos da Lei 8.987/95 e 9.074/95. Aqui também as Parcerias Público-Privadas – PPPs, na modalidade Concessão Patrocinada, nos termos da Lei 11.079/2004. Essa privatização é constitucional, é o único caso de possibilidade de delegação de atividades-meio do Estado. Mas não poderia o Estado privatizar a maioria dos serviços públicos por meio de concessões.

3. Terceirizações. Contratação da prestação de serviços de entidades privadas. Também chamada de “contracting out”. Apenas são possíveis as terceirizações de atividades-meio do Poder Público, e não de atividades-fim. Por exemplo: a celebração de contrato administrativo, após a realização de licitação, como regra, com o objeto de prestação de serviços de limpeza em órgão ou entidade estatais. Aqui estão englobadas as inconstitucionais delegações de serviços públicos sociais realizadas pela Administração Pública com as entidades do chamado “Terceiro Setor”, como por exemplo com associações qualificadas como organizações sociais – OSs, via contratos de gestão. Ver Terceiro Setor e as Parcerias com a Administração Pública: uma análise crítica (Fórum, 2ª ed., 2010)Uma análise crítica do ideário do “Terceiro Setor” no contexto neoliberal e as Parcerias entre a Administração Pública e Sociedade Civil Organizada no Brasil e Estado, Ordem Social e Privatização – as terceirizações ilícitas da Administração Pública por meio das Organizações Sociais, OSCIPs e demais entidades do “terceiro setor”. Aqui também as Parcerias Público-Privadas – PPPs, na modalidade Concessão Administrativa, nos termos da Lei 11.079/2004.

4. Fomento: a Administração Pública pode fomentar a iniciativa privada por meio de dinheiro ou isenções/imunidades fiscais. Por exemplo empréstimos com juros baixos para empresas privadas com fins lucrativos por meio do BNDES. Ou repasses de verbas para entidades do Terceiro Setor (convênios com associações e fundações de utilidade pública ou termos de parceria com entidades do Terceiro Setor qualificadas como OSCIPs – Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público). Mas para vários serviços sociais como educação e saúde, a principal política pública não pode ser o fomento à iniciativa privada. O Estado é o principal ator na prestação de serviços de ensino e saúde.

Tarso Cabral Violin – autor do Blog do Tarso, advogado em Curitiba, professor de Direito Administrativo, mestre em Direito do Estado pela UFPR e autor de vários livros e artigos jurídicos

Bibliografia:

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Privatização piora o aeroporto de Brasília

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Consórcio Inframérica, que assumiu a operação do aeroporto da capital federal, ainda não conseguiu organizar nem o essencial; fila para pagar estacionamento chega a durar mais de trinta minutos em horários de pico

Do Brasil 247

Arrematado pelo consórcio Inframérica, que é liderado pelo grupo Engevix, o Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek ainda não apresenta melhorias desde que foi privatizado. Ao contrário. Neste fim de semana, passageiros que chegavam de viagem chegaram a enfrentar uma fila de mais de trinta minutos para pagar o estacionamento.

Antes da privatização, o serviço podia ser pago na saída do próprio estacionamento, mas o consórcio Inframérica eliminou os caixas. Hoje, todos têm que se dirigir ao terminal, onde apenas duas funcionárias atuam no atendimento nos horários de pico.

Em Brasília, no aeroporto privatizado, tirar o carro do estacionamento pode ser tão cansativo quanto uma viagem numa aeronave lotada.