PPP no Poder Judiciário. Era só o que faltava…

STF. Foto de Tarso Cabral Violin

O Conselho Nacional de Justiça está discutindo se é possível o Poder Judiciário celebrar Parceria Público-Privada – PPP com a finalidade da construção de prédios para abrigarem órgãos judiciais, nos termos de consulta realizada pela Corregedoria-Geral de Justiça do Estado do Maranhão. O Poder Judiciário maranhense pretende que haja investimento da iniciativa privada, que receberia 30% dos valores arrecadados para o Fundo de Modernização do Tribunal de Justiça do Maranhão.

Por enquanto há 10 votos contrários no Plenário do CNJ, mas ainda há possibilidade dos votos serem modificados. Foi criado grupo de trabalho para analisar a questão.

O desenvolvimentismo de direita – Luiz Gonzaga Belluzzo

Carta Capital de 21/03/2012

Em um de seus derradeiros artigos publicados na Folha de S.Paulo, Roberto Campos sentenciava que “os ‘desenvolvimentistas’ não entendem nada de desenvolvimento”. Nesse momento, corria solto, no governo FHC, o conflito entre desenvolvimentistas e a turma do deixa disso.

Entre tantos talentos, Campos passou a vida aperfeiçoando o de espicaçar tudo o que se assemelhasse à heterodoxia. Ex-seminarista e conhecedor de grego, sabia da importância da palavra doxa.

Essa inclinação ao mot d’esprit, sempre beirando o sarcasmo, parece vicejar com mais força entre os conservadores que, num momento de irreflexão, flertaram com o progressismo. Nesse mister, Campos chegou ao delírio, lançando boutades de grosso calibre contra todo tipo de socialismo, nacionalismo e outros partidarismos que considerava irracionais. Dizia, por exemplo, que, “no socialismo, as intenções são melhores que os resultados e, no capitalismo, os resultados são melhores que as intenções”. Achincalhou a “bazófia nacionaleira que substitui a organização pela emoção e confunde a energia intrínseca da onda com o farfalhar frívolo da escuma”.

Em matéria de (mau) humor, exagerou na dose quando apoiou o golpe militar de 1964 e, no livroDo Outro Lado da Cerca, de 1967, escreveu: “Sobre as eleições diretas no Brasil, o melhor que se pode dizer é que funcionaram bem enquanto não existiram”. Uma espécie de revanche do cinismo autoritário contra os exageros da sua razão democrática.

Ministro do governo Castelo Branco, foi protagonista, juntamente com Otávio Gouveia de Bulhões e Mário Henrique Simonsen, das reformas econômicas e financeiras que prepararam o “Milagre Brasileiro” do fim dos anos 1960 e começo dos 1970.

Como M. Jourdain, personagem de Molière no Burgeois GentilhommeCampos foi um desenvolvimentista sem saber. Isso é o que diz a sua biografia de homem de Estado, a despeito de suas preferências intelectuais e ideológicas. Entre o fim da Segunda Guerra Mundial e o começo dos anos 1950, participou de todos os empreendimentos e reconstruções institucionais que alicerçaram o surto desenvolvimentista. Depois de concluir o mestrado em Economia na Universidade George Washington, integrou a delegação brasileira na Conferência de Bretton Woods, em 1944. Em 1950, participou da II Conferência da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), foi conselheiro da Comissão Mista Brasil-Estados Unidos e teve papel preponderante na fundação do BNDE.

Ao assumir a direção do banco, ensejou a criação do grupo misto Cepal-BNDE, um valhacouto de desenvolvimentistas que espalharia (e continua espalhando) suas ideias malignas, por muito tempo, Brasil afora.

Campos, tal como outros que o sucederam na corrente conservadora, escrevia uma coisa e fazia outra. Sua vantagem é que a maré do capitalismo estava na enchente, enquanto os pósteros pegaram a vazante.

O “desenvolvimentismo”, enquanto projeto ideológico e prática política nos países da periferia, nasceu nos anos 30, no mesmo berço que produziu o keynesianismo nos países centrais. A onda desenvolvimentista e a experiência keynesiana tiveram o seu apogeu nas três décadas que sucederam o fim da Segunda Guerra Mundial. O ambiente político e social estava saturado da ideia de que era possível adotar estratégias nacionais e intencionais de crescimento, industrialização e avanço social.

Os resultados, ainda que desiguais, não foram ruins. Comparada a qualquer outro período do capitalismo, anterior ou posterior, a era desenvolvimentista e keynesiana apresentou desempenho muito superior em termos de taxas de crescimento do PIB, de criação de empregos, de aumentos dos salários reais e de ampliação dos direitos sociais e econômicos. A moda então entre os economistas, sociólogos e cientistas políticos, eram as teo-rias do desenvolvimento, os modelos de crescimento econômico e o estudo das técnicas de programação e de planejamento.

Não se trata, naturalmente, de reinventar nem de chorar o “desenvolvimentismo” perdido, de resto uma experiência histórica singular do capitalismo. Mas é possível concluir, ao menos, que os “desenvolvimentistas” entendiam bastante de desenvolvimento. Desconfio – sempre mergulhado na dúvida, mas apoiado nos acontecimentos recentes – que entendiam do assunto deles muito mais do que os assim chamados monetaristas imaginam saber dos mistérios da moeda.

Seja como for, o historiador Fernand Braudel, no primeiro volume de sua obra maior, Civilização Material, Economia e Capitalismo – Séculos XV a XVIII, analisando os ciclos econômicos de longa duração, não perdeu a oportunidade de incomodar o leitor com uma frase terrível: “O homem só é feliz em breves intervalos e só se dá conta disso quando já é muito tarde”.

*Este artigo foi publicado por ocasião da morte do ex-ministro Roberto Campos. Diante da controvérsia sobre o desenvolvimentismo de esquerda, decidi republicar o texto, como um exemplo cabal dos ardis da razão.

Aborto: claramente a favor – Vladimir Safatle

Carta Capital de 21 de março de 2012

Há algum tempo, a política brasileira tem sido periodicamente chantageada pela questão do aborto. Tal chantagem demonstra a força de certos grupos religiosos na determinação do ordenamento jurídico brasileiro, o que evidencia como a separação entre Igreja e Estado está longe de ser uma realidade efetiva entre nós. Uma das expressões mais claras dessa força encontra-se no fato de mesmo os defensores do aborto não terem coragem de dizer isso com todas as letras.

Sempre somos obrigados a ouvir afirmações envergonhadas do tipo: “Eu, pessoalmente, sou contra, afinal, como alguém pode ser a favor do aborto? Mas esta é uma questão de saúde pública, devemos analisá-la de maneira desapaixonada…”

Talvez tenha chegado o momento de dizermos: somos sim absolutamente a favor do aborto. Há aqui uma razão fundamental: não há Estado que tenha o direito de legislar sobre o uso que uma mulher deve fazer de seu próprio corpo. É estranho ver algumas peculiaridades brasileiras. Por exemplo, o Brasil deve ser um dos poucos países onde os autoproclamados liberais e defensores da liberdade do indivíduo acham normal que o Estado se arrogue o direito de intervir em questões vinculadas à maneira como uma mulher dispõe de seu próprio corpo.

Há duas décadas, a artista norte-americana Barbara Kruger concebera um cartaz onde se via um rosto feminino e a frase: “Seu corpo é um campo de batalha”. Não poderia haver frase mais justa a respeito da maneira com que o poder na contemporaneidade se mostra em sua verdadeira natureza quando aparece como modo de administração dos corpos e de regulação da vida. Esta é a função mais elementar do poder: fazer com que sua presença seja percebida sempre que o indivíduo olhar o próprio corpo.

Nesse sentido, não deixa de ser irônico notar como alguns setores do cristianismo, como o catolicismo e algumas seitas pentecostais, parecem muito mais preocupados com o corpo de seus fiéis que com sua alma. Daí a maneira como transformaram, a despeito de outros segmentos do cristianismo, problemas como o aborto, a sexualidade e o casamento homossexual em verdadeiros objetos de cruzadas. Talvez seria interessante lembrar: mesmo entre os cristão tais ideias são controversas. Os anglicanos não veem o aborto como um pecado e mesmo entre os luteranos, embora se digam contrários, ninguém pensaria em excomungar uma fiel por ela ter decido fazer um aborto.

É claro que se pode sempre contra-argumentar dizendo que problemas como o aborto não podem ser vistos exclusivamente como uma questão ligada à autonomia a que tenho direito quando uso meu corpo. Pois haveria outra vida a ser reconhecida enquanto tal. Esse ponto está entre os mais inacreditáveis obscurantismos.

Uma vida em potencial não pode, em hipótese alguma, ser equiparada juridicamente a uma vida em ato. Um embrião do tamanho de um grão de feijão, sem autonomia alguma, parasita das funções vitais do corpo que o hospeda e sem a menor atividade cerebral não pode ser equiparado a um indivíduo dotado de autonomia das suas funções vitais e atividade cerebral. Não estamos diante do mesmo fenômeno. A maneira com que certos grupos políticos e religiosos se utilizam do conceito de “vida” para unificar os dois fenômenos (dizendo que estamos diante da mesma “vida humana”) é apenas uma armadilha ideo-lógica. A vida humana não é um conceito biológico, mas um conceito político no qual encontramos a sedimentação de valores e normas que nossa vida social compreende como fundamentais. Se dizemos que alguém desprovido de atividade cerebral está clinicamente morto, mesmo se ele conservar grande parte de suas funções vitais ainda em atividade graças a aparelhos médicos, é porque autonomia e autocontrole são valores fundamentais para nossa concepção de vida humana.

Assim, quando certos setores querem transformar o debate sobre o aborto em uma luta entre os defensores incondicionais da vida e os adeptos de alguma obscura cultura da morte, vemos a mais primária tentativa de transformar a vida em um conceito ideológico. Isso se admitirmos que será necessariamente ideológico um discurso que quer nos fazer acreditar que “as coisas falam por si mesmas”, que nossa definição de vida é algo assentado nas leis cristalinas da natureza, que ela não é uma construção baseada em valores sociais reificados.

Levando isso em conta, temos de saudar o fato de alguns arautos do conservadorismo pretenderem colocar tal questão na pauta do debate político brasileiro e esperar que existam algumas pessoas dispostas a compreender a importância do que está em jogo. Desativar as molas do poder passa pela capacidade de colocá-lo a uma distância segura de nossos corpos.

Oilman imoral? Imorais são alguns dos nossos governantes!

Duplicação na PR 445 de Londrina prometida por Beto Richa foi adiada

A licitação para a duplicação na PR 445 no trecho de Londrina, prometida por Beto Richa em dezembro, foi adiada para abril. Mais uma promessa não cumprida?

Governo Beto Richa falha e atrasa pagamentos de 500 professores públicos desde fevereiro

A Secretaria de Educação comandada por Flávio Arns lavou as mãos e disse que a culpa é da Secretaria de Administração, comandada por Luiz Eduardo Sebastiani. É isso o choque de gestão prometido por Beto Richa? Professores já pensam em greve.

Senador Requião critica proposta de criação do fundo complementar para servidores públicos federais

Ontem o senador Roberto Requião (PMDB/PR) se opôs, na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, à proposta do governo de criação do fundo de previdência complementar para servidores públicos federais. Segundo ele o fundo segue o mesmo caminho das experiências desastrosas do Chile, da Argentina e dos Estados Unidos, que entregaram os recursos dos fundos ao mercado financeiro e quando este quebrou, quebrou-se também a previdência complementar.

Requião disse que na crise financeira de 2008 o único fundo de previdência que não teve prejuízo foi o do Paraná, pois ele, como governador, proibiu a aplicação de recursos em operações de risco, como as bolsas, e essa garantia não haverá em relação à nova previdência complementar, já que o fundo vai ser administrado pelos bancos.

Quebrando o protocolo e desafiando a mesa da comissão, funcionários públicos federais aplaudiram por diversas vezes a intervenção de Requião. O único senador a acompanhá-lo foi o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), que constrangeu a bancada governista lendo as reações indignadas de líderes petistas, quando esta mesma proposta foi apresentada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso e fulminada pelo PT, e hoje, pra ele o PT assume letra por letra o que o PSDB defendia àquela época.

Millôr 1924 – 2012

Vereador Roberto Hinça defendeu que táxis em Curitiba fossem herdados. Foi para a Lista Proibida!

Serviços dos táxis são serviços públicos, de titularidade do município, e não podem ser herdados.

Ele voltou!

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva gravou o vídeo hoje (28) após receber os resultados dos exames realizados no hospital Sírio Libanês e que mostraram remissão completa do câncer. Foram realizados exames de ressonância nuclear magnética e laringoscopia, que mostraram a ausência de tumor visível, revelando apenas leve processo inflamatório nas áreas submetidas à radioterapia, como seria esperado. O ex-presidente continua realizando sessões de fonoaudiologia e iniciará programação de avaliações periódicas.

Edésio Passos será homenageado pelos seus 50 anos de advocacia

A advogado trabalhista Edésio Passos será homenageado pelos seus 50 anos de advocacia, em evento a ser realizado na UFPR dia 13 de abril. Ocorrerá o lançamento do site e do livro “Edésio Passos: 50 anos de advocacia” e a exibição de documentário sobre a trajetória do consagrado advogado, com a apresentação de fotos de toda a vida do homenageado.

O evento contará com a presença do Ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, que ministrará a palestra “A importância da advocacia para a transformação do Brasil nos últimos 50 anos”.

Edésio Passos foi deputado federal pelo PT/PR e é o atual Diretor Administrativo da Itaipu Binacional.

Local: Salão Nobre da Faculdade de Direito da UFPR, Praça Santos Andrade, às 18h30.

Charge: Formatação

Beto Richa também foi vaiado no Curitiba Country Festival 2012

No domingo divulguei com exclusividade que a Primeira Dama Fernanda Richa foi vaiada no Curitiba Country Festival 2012 ocorrido no sábado. Eis que fui informado que o governador Beto Richa (PSDB) também foi vaiado (no mínimo).

A crise está instalada no governo…

Vejam algumas manifestações no Twitter:

Marcello Richa será homenageado hoje na Assembléia Legislativa do Paraná

Marcello Richa e o segundo da esquerda para direita.

O estudante de Direito, Secretário de Esporte Lazer e Juventude de Curitiba da gestão Luciano Ducci (PSB), Presidente nacional da Juventude do PSDB e filho do governador do Paraná Beto Richa, Marcello Richa, será homenageado hoje (29), às 11h, no plenário da Assembléia Legislativa do Paraná, em sessão especial proposta pelo deputado estadual Ney Leprevost.

DEMÓstenes Torres

Últimos dias da enquete sobre a maior brasileira de todos os tempos. Presidenta Dilma e Irmã Dulce lideram

Vote na coluna da direita.

O neoliberal visitou o maior de todos os tempos

Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002 pelo PSDB) visitou hoje (27/03/2012) o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010 pelo PT), no Hospital Sírio-Libanês, e o encontro durou cerca de 50 minutos. Lula estava no hospital para fazer uma sessão de fonoaudiologia.

Em janeiro Lula foi escolhido pelo leitores do Blog do Tarso como o maior presidente brasileiro de todos os tempos, com 78% dos 3.489 votos (2.779 votos). E é o favorito para ser o escolhido como o maior brasileiro de todos os tempos, na enquete realizada pelo SBT.

Paraná no Ar, com Joice Hasselmann, de segunda à sexta, 7h30, na RIC/Record Canal 7

Entrevista exclusiva com o pré-candidato a prefeito de Curitiba pelo PT, Deputado Federal Dr. Rosinha

Dando continuidade à séria de entrevistas com os pré-candidatos a prefeito de Curitiba, realizada com exclusividade pelo Blog do Tarso, e após a primeira entrevista com o ex-prefeito Rafael Greca (PMDB), apresentamos a entrevista com um dos pré-candidatos a prefeito do Partido dos Trabalhadores, o Deputado Federal Doutor Rosinha, que prontamente atendeu o pedido de entrevista do Blog do Tarso.

Dr. Rosinha defende que o PT tenha candidatura própria, disse que se eleito vai acabar com as privatizações via as OS, inclusive com o ICI, chamou Beto Richa de “supernepotista”, e defendeu o financiamento público de campanha e o voto em lista nas eleições proporcionais.

Segue a entrevista:

Blog do Tarso – Dr. Rosinha, obrigado por ter aceitado o convite para ser entrevistado pelo Blog do Tarso, sobre as eleições de outubro. Fale um pouco sobre sua trajetória política.

Dr. Rosinha – Nasci em Rolândia, região Norte do Estado. Estudei medicina na Universidade Católica do Paraná, hoje PUC, em Curitiba. Sou médico pediatra, servidor da Prefeitura Municipal de Curitiba licenciado, sem remuneração, desde que fui eleito vereador, em 1988.

Comecei minha militância política no movimento da saúde e, posteriormente, no sindical. Participei da fundação do Partido dos Trabalhadores e da Central Única dos Trabalhadores.

Antes disso, na luta pela saúde publica, presidi no Paraná o Centro Brasileiro de Estudos da Saúde. Em 1991, fui eleito deputado estadual, e, em 1998, deputado federal. Durante esses quatro mandatos na Câmara dos Deputados também já presidi o Parlamento do Mercosul.

Blog do Tarso –  Quais são os pontos fortes e os pontos fracos, até agora, do Governo da Presidenta Dilma Rousseff? 

Dr. Rosinha – O ponto mais forte do governo Dilma foi ter ganho a confiança da sociedade. Muitos achavam que ela ficaria dependendo do Lula. Mas Dilma mostrou ser independente e capaz.

Outro ponto forte é a forma como tem enfrentado a crise econômica mundial. Diga-se de passagem, uma crise nos países centrais da economia. Tanto ela como Lula têm enfrentado a maior crise econômica da história. Economistas dizem que esta crise é mais grave que a de 1929. Este é, a meu ver, um dos pontos mais fortes, pois FHC não conseguiu enfrentar as crises em seu governo. E olha que, naquela época, eram crises de países periféricos.

Pontos fracos? Não me recordo de nenhum, ela tem enfrentado e superado todos os desafios. 

Blog do Tarso –  O senhor é pré-candidato para a eleição de Prefeito de Curitiba em 2012. Com quais partidos que o senhor aceitaria fazer coligação?

Dr. Rosinha – O PT definiu em seu 4º Congresso que os únicos partidos com os quais estão vetadas coligações são DEM, PSDB e PPS.

Na qualidade de pré-candidato, aceito coligar com todos os partidos da base aliada da presidenta Dilma, destacando que, a meu ver, o PT deve encabeçar essa aliança em um primeiro turno. A exceção em Curitiba seria o PSB, que por aqui está totalmente alinhado com a direita.

Se eventualmente não conseguirmos chegar a um segundo turno, daí, sim, poderíamos debater o apoio a um ou outro candidato.

Blog do Tarso –  Haverá disputa interna no PT? Inclusive com o deputado Tadeu Veneri?

Dr. Rosinha – Historicamente, o PT é um partido muito intenso, com muito debate, muita disputa interna. Sempre foi assim e espero que sempre seja. É um dos pontos fortes do partido.

No momento, a disputa em Curitiba se dá entre os que querem a candidatura própria e entre a ala que defende o apoio ao candidato de outro partido já no primeiro turno. Decidiremos por uma das duas propostas num encontro em abril, no qual todos os filiados em dia com o partido poderão votar.

Se a tese da candidatura própria sair vencedora, passaremos a discutir qual o melhor quadro para disputar a prefeitura da capital. O meu nome e o do deputado Tadeu Veneri já estão colocados.

Blog do Tarso – Quem o senhor acha que está um pouco mais à esquerda, Gustavo Fruet ou Luciano Ducci?

Dr. Rosinha – Ambos fazem parte de um mesmo grupo político. As concepções, tanto de um quanto de outro, estão distantes de qualquer coisa que possamos definir como pensamento de esquerda.

Ducci é o candidato a prefeito do atual governador Beto Richa, que tem implantado no estado medidas franca e abertamente lernistas.

Fruet vem do mesmo grupo. No Congresso, foi um dos maiores críticos do governo Lula, não com o mesmo grau de hostilidade de um Arthur Virgílio, mas no mesmo viés do PSDB, conservador.

Ainda ontem, na campanha de 2010, ele era visto andando de mãos dadas com Richa e Serra.

Ambos só estão à esquerda quando sentados: estão à esquerda de alguém.

Blog do Tarso –  Caso o senhor se eleja, o que fará com o ICI – Instituto Curitiba de Informática?

Dr. Rosinha – Fácil. Deixará de existir no atual modelo. Mudaremos o modelo e faremos com que todas as atividades e ações na área da informática sejam desenvolvidas por empresa estatal ou pública. Ou seja, acabarei com mais uma privataria tucana.

Blog do Tarso – Qual sua opinião sobre as Organizações Sociais – OSs criadas no Governo FHC e Beto Richa, a Fundação de direito privado de Luciano Ducci e a Empresa Estatal de Saúde criada pelo Governo Lula? O senhor prefere que a saúde seja prestada por autarquias ou pela Administração direta?

Dr. Rosinha – Fui um dos que lutou para que a Constituição de 1988 garantisse a saúde como um direito do cidadão e dever do Estado.

Sob o ângulo da legalidade e do modelo de gestão, é possível dizer que as organizações sociais não cumprem os pressupostos legais para garantir ao cidadão o direito à saúde.

Os outros dois modelos se diferenciam das OSs. Dependendo do que dispõe a legislação que as criam (fundações ou empresas), elas podem garantir o serviço totalmente público, com transparência e sem duas portas de entrada.

É o caso da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares. Chamo a atenção que a Ebserh não pode ser considerada uma terceirização dos serviços, já que está definido no projeto que todos os atendimentos devem ser realizados via SUS. Ou seja, não terá leitos privados. Todas as compras também devem ser feitas por licitação e todos os funcionários, contratados através de concurso público.

Blog do Tarso – Socialismo ou social-democracia? Hoje o PT é social-democrata?

Dr. Rosinha – Eu sou socialista. Quanto ao PT, o que acontece é que, ao chegar ao governo, o partido foi obrigado a fazer certas concessões, por conta do modelo político vigente, o presidencialismo de coalizão.

Mas isso é uma questão de governo. O partido, sua base, continua carregando as bandeiras históricas do socialismo, da igualdade.

Isso ficou claro no nosso 4º Congresso, em 2011, quando aprovamos medidas como, por exemplo, a paridade de gênero nas chapas do partido.

Blog do Tarso – Qual sua opinião sobre o Governo Requião? E o Governo Beto Richa?

Dr. Rosinha – Embora com algum viés personalista e problemas como a prática do nepotismo, Requião fez uma gestão com vários pontos positivos: priorizou a área social, apoiou os programas do governo Lula, barrou as privatizações e terceirizações, acabou com a farra dos gastos em publicidade da era Lerner, entre outras ações elogiáveis.

Já Beto Richa tem retomado as mesmas políticas de direita de seu padrinho, Jaime Lerner. Além de repassar serviços públicos para organizações sociais, Richa inovou ao praticar uma espécie de supernepotismo, inflando as secretarias comandadas por seu irmão e por sua esposa.

Isso sem contar o primo dele dirigindo o Detran e o filho nomeado por Luciano Ducci na Prefeitura de Curitiba, um típico caso de nepotismo cruzado.

Assim como Serra em São Paulo, Richa demonstrou que é um político sem palavra. Em 2008, quando era prefeito e candidato à reeleição em Curitiba, ele disse com todas as letras que cumpriria os quatro anos de mandato, se fosse eleito.

Beto Richa também prometeu não fazer novas privatizações, mas novos trechos de pedágio serão concedidos em breve. Vemos uma tendência clara pró-interesses privados em várias outras áreas, como na Celepar, por exemplo.

Não se pode esquecer ainda que o PSDB do Paraná vive uma crise séria com o escândalo Derosso. Vão mesmo dar a legenda para ele, com a ficha suja que tem, ser candidato tucano a vereador em outubro?

Representante da elite curitibana, Beto Richa sempre foi um parceiro de Derosso e não deve deixá-lo na mão, assim como não deixou na mão o Ezequias Moreira, lembra dele? Aquele que teve a sogra fantasma nomeada por Beto Richa e hoje é funcionário de confiança do governo estadual. Esse é o tão falado “novo Paraná”…

Blog do Tarso –  O que o senhor acha do PSD?

Dr. Rosinha – É um partido amorfo em termos ideológico e programático. Foi criado para aderir ao governo, seja ele qual for.

O Gilberto Kassab criou a legenda depois que a eleição da presidenta Dilma mostrou uma oposição sem rumo, criou para poder aderir ao governo.

Veja o exemplo de São Paulo: namorava o PT, mas bastou o José Serra lançar sua pré-candidatura a prefeito e aparecer na frente nas pesquisas, e lá foi o PSD atrás.

É aquele tipo de legenda que a gente diz que não é de esquerda, nem direita, nem de centro – muito pelo contrário.

Blog do Tarso –  O que o senhor acha das medidas neoliberais de prefeitos e governadores do PSB e de outros partidos ditos de esquerda?

Dr. Rosinha – Quando Lula assumiu a Presidência da República, imperavam no Brasil as políticas neoliberais. Essas políticas haviam ganhado corações e mentes dos governantes, e não havia espaço para outras ideias.

Lentamente, Lula foi fazendo a transição para outro modelo, o do desenvolvimento. Hoje, com Dilma, estamos deixando para trás o neoliberalismo.

Muitos governantes, por inércia, medo ou por ideologia, insistem no neoliberalismo, mas creio que logo mesmo o mais empedernido dos neoliberais enxergará  que este modelo não dá certo.

Como sua pergunta se refere aos que se dizem de esquerda e persistem nesse modelo, tenho comigo que não são de esquerda, mas oportunistas que usam uma sigla de esquerda para ganharem eleições.

Blog do Tarso – O senhor está acompanhando a gestão do primeiro prefeito do PT na região metropolitana de Curitiba? O que acha do Governo do Luizão?

Dr. Rosinha – Acompanho à distância, e o que vejo são resultados positivos em todas as áreas. Tem diminuído a violência, melhorou o atendimento na saúde, inclusive reabriu o hospital.

Atacou e reduziu bastante as enchentes, investiu em cultura e educação. Poderia ampliar a lista de seus feitos, mas não é o caso. Só afirmo que é, se não o melhor, um dos melhores prefeitos da região metropolitana.

Blog do Tarso –  Por que o senhor e o PT defendem o financiamento público de campanha e o voto em lista na reforma política?

Dr. Rosinha – O financiamento público de campanha é necessário porque é uma forma de combater a corrupção. Hoje, o que se vê são empresas que fazem doações para campanhas –às vezes para vários candidatos que concorrem para o mesmo cargo– esperando depois poder lucrar em cima dos mandatos.

Ou seja, não doam por questões ideológicas, mas na perspectiva de posteriormente conseguir contratos e outros favorecimentos.

Assim, de certa forma hoje as campanhas já são financiadas, de maneira indireta e ilegal, com dinheiro público.

Com o financiamento público, isso acaba, porque se eu não lhe dou dinheiro hoje, não posso te colocar contra a parede mais tarde. Se conseguirmos aprovar o financiamento público, teremos mais transparência nos gastos das campanhas.

Sei que não acaba, mas criaremos mecanismos mais efetivos para evitar o famigerado caixa dois.

Já o voto em lista fechada é bom porque fortalece os partidos, os projetos. Os partidos no Brasil hoje são muito carentes de projetos, são personalistas, centrados em caciques. Você vota em uma pessoa, não vota em um projeto de país, Estado ou município.

Tem gente que diz: “ah, mas o voto em lista favorece o PT”. Se favorece é porque temos projeto. Se aprovarmos o voto em lista, outros partidos serão obrigados a elaborar projetos. Isso é bom para o país, enriquece o debate.

Blog do Tarso – Deputado Doutor Rosinha, obrigado pela entrevista esclarecedora e boa sorte nas prévias e quem sabe na eleição!

TV Folha: juízes trabalhistas de SP não fazem expediente na sexta e privatização de aeroportos na África do Sul aumentou em 130% as tarifas

 

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