Contra a privatização do Maracanã!

Privatização e Nazismo

Britânicos choram: Thatcher entregou soberania energética aos franceses!

por Luiz Carlos Azenha, do viomundo

As revistas literárias, quem diria, estão se transformando no espaço para as grandes reportagens que antes saiam nos jornais. Como o público delas é razoavelmente sofisticado, não engole qualquer lixo vendido a título de “jornalismo”. A mais recente edição da London Review of Books traz uma reportagem excepcional de James Meek, How we happened to sell off our electricity, “Como aconteceu da gente vender nossa eletricidade”, que é um raio xis do sistema elétrico do Reino Unido.

Resumo: o neoliberalismo de Margaret Thatcher entregou a soberania energética do Reino Unido logo… à França. O equivalente ao Brasil entregar à Argentina o poder de decidir sobre as questões mais importantes do futuro de sua matriz energética — ou vice-versa.

O texto mostra como os britânicos se desfizeram da estatal Central Electricity Generating Board (CEGB) apenas para vê-la substituída primeiro por investidores norte-americanos e em seguida pela estatal francesa EDF. Mostra como, na França, a multinacional EDF enfrenta uma campanha de ativistas que trabalham para evitar cortes de energia para quem não pode pagar a conta, agindo como se fossem Robin Hoods do século 21.

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Vejam duas decisões do STF contrárias às privatizações/terceirizações dos serviços públicos de saúde

STF. Foto de Tarso Cabral Violin / Blog do Tarso

E em defesa do concurso público. Vejam duas decisões sobre o Recurso Extraordinário RE 445.167, clique aqui e aqui.

STF decide que município do Rio não pode terceirizar saúde

O Globo de 22/09/2012

STF decide que município não pode ter terceirizados na saúde

Sindicato dos Médicos diz que só concursados podem trabalhar

MARIA ELISA ALVES

RIO – Os 9.500 profissionais da área de saúde terceirizados e que trabalham em clínicas da família, UPAs e hospitais municipais, poderão ter que deixar seus postos em breve. Na última quarta-feira, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) negou, por unanimidade, um recurso do município contra ação movida pelo Sindicato dos Médicos que exige o fim da terceirização na saúde. A prefeitura já havia sido derrotada outras duas vezes.

A Segunda Turma acompanhou o voto de Cezar Peluso, dado em agosto, antes de o ministro se aposentar. Ele concordou com decisão anterior, que dizia que “os cargos inerentes aos serviços de saúde, prestados dentro de órgãos públicos, por ter a característica de permanência e de caráter previsível, devem ser atribuídos a servidores admitidos por concurso público”.

O presidente do Sindicato dos Médicos, Jorge Darze, comemorou ontem a decisão. Segundo ele, é um absurdo que a administração municipal, em vez de contratar médicos, enfermeiros e auxiliares de enfermagem, prefira fazer contratos temporários.

— A prefeitura vai ter que repensar toda a sua lógica de contratações. A decisão do STF não impede que as Organizações Sociais continuem gerindo clínicas de família e UPAs. Mas elas terão que ter nos locais médicos e outros profissionais aprovados através de concurso público. Não poderão ter funcionários terceirizados — diz Darze.

Segundo ele, o município tem atualmente 25 mil profissionais da área de saúde concursados e cerca de 9.500 terceirizados.

— É urgente que a Secretaria municipal de Saúde faça logo um concurso público. Os médicos terceirizados devem poder permanecer por mais seis meses, até que a situação toda seja regularizada — estimou Darze.

O Sindicato dos Médicos entrou com a ação no governo Cesar Maia, antes de as Organizações Sociais administrarem unidades de saúde. A prefeitura perdeu em 2005, entrou com recurso e foi novamente rejeitado em 2009. Após a decisão do STF, o município ainda tem direito ao recurso de revista, que não julga o mérito da ação. Procurados, assessores de comunicação da Secretaria municipal de Saúde não foram localizados.

Imagem do dia: recado dos nossos irmãos portugueses

Requião contra a privatização dos presídios

Greca: “vou me livrar dos 32 contratos do ICI que devoram Curitiba mais do que os ratos do Rio Ivo”

Requião acerta ao dizer que concessão é privatização. Mas erra ao não perceber que a privatização de Dilma é menos pior do que as privatizações de FHC

Análise da Carta Capital sobre a privatização de Dilma mostra o quanto é ruim a Veja

Gostaria de parabenizar a Carta Capital pela matéria de capa “Dilma e o Estado empacado”, com os vários textos de articulistas diferentes. Apenas achei que faltou à revista se posicionar mais claramente sobre sua opinião com relação às concessões realizadas pela presidenta Dilma Rousseff (PT). Luiz Antonio Cintra no “Destino, o fator privado” se posicionou no sentido de que a “opção pragmática” pode ir na direção correta, o que parece defender a privatização. Mas foi interessante a cobrança de que o governo Dilma deixou de avançar no combate às mazelas estruturais do Estado brasileiro. Eu diria mais, o governo Dilma deixa de pensar em como melhorar a Administração Pública e vai pelo caminho mais fácil, mas quase sempre danoso ao interesse público, o da privatização. Sim, é privatização! Privatização em sentido amplo, como diz a jurista Maria Sylvia Zanella Di Pietro, mas é privatização. Sim, é menos pior do que a venda de empresas estatais como fez o governo tucano de FHC, mas é privatização, é desresponsabilizaçao do Estado em setores estratégicos como é o setor de transportes. Dilma preferiu seguira posição privatista de Jorge Gerdau, de consultorias privadas e de empresários sedentos pelo lucro fácil e garantido pelo orçamento público e pelo BNDES. Nesse ponto foi ótima a crítica do texto com relação a Gerdau, às consultorias e ao RDC – Regime Diferenciado das Licitações, que deixa o projeto para depois da licitação, o que pode ganhar tempo mas encarece a contratação. Se bem que no caso de Dilma às vezes é melhor pecar pela omissão. FHC e seu Ministro Bresser-Pereira formularam políticas neoliberais-gerenciais de reforma do aparelho do Estado que até hoje repercutem de forma negativa na Administração Pública, o que ao invés de aprimorar a burocracia, redundou em um retorno ao patrimonialismo e precarização da máquina pública. Parabéns à Carta Capital, que mais uma vez mostrou para a revista Veja que é possível um meio de comunicação ter lado, mas sem fazer política rasteira travestida de jornalismo sério e independente.

Para quem ainda não leu recomendo que comprem a carta Capital desta semana.

Decreto de FHC enriqueceu membro do Governo FHC que ajudou a elaborá-lo

Foto de Marlene Bergamo/Folhapress

“Por mim, quero que os japoneses pesquem até o peixe voar pela janela. Tô nem aí, o oceano não tem dono não”. (observador que deveria estar fiscalizando a pesca dos navios japoneses em águas brasileiras)

O atum no planeta está acabando, com risco de extinção. No Japão já acabou. No Brasil ainda tem.

Quem pesca quase todo o atum brasileiro são navios japoneses, e o maior beneficiado é um empresário brasileiro, Gabriel Calzavara de Araújo, que foi Diretor do Departamento de Pesca e Aquicultura do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), entre 1998 e 2002.

Araújo criou o marco regulatório que permite a barcos estrangeiros pescarem atum na costa brasileira. É o Decreto 2.840/98, que relaxou as severas restrições ao arrendamento que desanimavam postulações estrangeiras, permitindo, por exemplo, o arrendamento com prazo indefinido, quando antes era de apenas 3 anos. Permitiu ainda que barcos estrangeiros desembarquem em portos estrangeiros, o que descontrola a produção, perda de postos de trabalhos para brasileiros no processamento em terra e evasão de divisas. Por fim ainda permitiu que as embarcações tenham menos de 2/3 de brasileiros.

Depois que saiu do governo, o ex-homem de confiança de FHC abriu a empresa Atlántico Tuna (também tem a Norpeixe), que se tornou a maior concessionária de licenças para os barcos de outros países, e ficou milionário. É o único arrendatário de barcos estrangeiros no Brasil. Ou seja, foi o maior beneficiário da norma que ele mesmo ajudou a aprovar.

A Atlántico Tuna opera desde março de 2011 e faturou no ano passado US$ 9 milhões com a exportação de 2.000 toneladas de atum, um quinto do que o Brasil pescou.

Um dos problemas é que os barcos japoneses são bem mais modernos e maiores, e mais capazes para acabarem mais rápido com o atum de nossa costa.

O Ministério da Pesca exige que os barcos sejam fiscalizados por um observador de bordo, mas esses observadores são remunerados pelo próprio barco que eles fiscalizam. Isso é pior do que as agências reguladoras criadas também pelo FHC. A Folha de S. Paulo chegou a gravar conversas de observadores que querem mais é que os barcos acabem com o Atum da costa brasileira.

Ou seja, FHC privatizou a fiscalização dos barcos!

O governo tucano de FHC tirou empregos dos pescadores e da indústria da pesca brasileira e deu para os japoneses e outros estrangeiros.

Parabéns ao presidente que mais atuou contra os interesses dos brasileiros em todos os tempos!

Presidenta Dilma Rousseff (PT), por favor, faça alguma coisa! O ministro da pesca é o bispo da igreja universal do reino de deus, Marcelo Crivella, que parece não querer mexer nesse vespeiro. Fora ministro! O ministro José Fritsch (PT/SC) na época de Lula chegou a suspender os arrendamentos, mas em 2010 os arrendamentos voltaram com tudo, e das 17 licenças, 16 foram concedidas a barcos japoneses arrendados pelos ex-membro de confiança do governo tucano de FHC.

Prefiro sushi e sashimi de salmão ao de atum. Será que o salmão também corre o risco de extinção? Parece que não, pois o atum não se deixa domesticar, e o salmão sim.

Veja o vídeo do TV Folha e a matéria no Ilustríssima da Folha de S. Paulo. Mais fotos aqui.

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Pergunta do dia: petistas tucanos e empresariado conservador venceram a queda de braço com a centro-esquerda no governo Dilma?

Contra a privatização via PPP de rodovias e ferrovias

Infelizmente o governo Dilma Rousseff (PT) vai privatizar estradas e ferrovias via parcerias público-privadas (PPP). Sim, isso é privatização, em sentido amplo, como diz a jurista Maria Sylvia Zanella Di Pietro.

A presidenta nega que seja privatização. Algum assessor deve ter convencido ela nesse sentido. Mas presidenta: é sim.

Não é a mesma coisa do que as privatizações tucanas, que vendem as empresas estatais. Isso sim são as privatizações em sentido estrito, que precarizaram ainda mais a Administração Pública brasileira na década de 90.

Mas é privatização! Menos radical do que as do governo FHC (PSDB), mas é privatização!

Serão concessões de rodovias e ferrovias com investimento de R$ 133 bilhões ao longo de 30 anos.

É o “Plano Nacional de Logística: Rodovias e Ferrovias” que prevê duplicar 7.500 quilômetros de rodovias e construir 10 mil quilômetros de ferrovias. São as ideias do neoliberal Gerdau e sua turma no governo Dilma.

Será criada a Empresa de Planejamento e Logística (EPL), em substituição à Empresa de Transporte Ferroviário de Alta Velocidade (Etav), que ficará sob comando de Bernardo Figueiredo. Sim, ele mesmo. O mesmo que foi criticado pelo senador paranaense Roberto Requião (PMDB), que conseguiu que o Senado, por 36 votos a 31, rejeitasse sua recondução para a diretoria-geral da Agência Na­­­cional de Transportes Ter­­­restres (ANTT).

PPP na modalidade concessão patrocinada é uma concessão de serviços públicos em que há patrocínio público de parte da obra a ser realizada pela iniciativa privada.

O problema é que normalmente os investimentos privados são financiados via BNDES a juros baixos. Por que a empresa estatal não assume todo o empreendimento e mantém os lucros nas mãos do estado, e não não nas mãos do grande capital?

Não estou falando de estatização de restaurantes, fábricas de automóveis, cabeleleiros, shoppings.

Empresários estão felizes. Muito lucro privado a vista. E o povo? E o interesse público?

As estatais necessárias – Mauro Santayana

Por Mauro Santayana, divulgado por Mídia Crucis

As empresas estatais são necessárias, em qualquer país do mundo, para o processo de desenvolvimento econômico e social da população e a conquista e defesa de soberania e independência com relação às outras nações.

 

Nos Estados Unidos, que são citados como paradigma da livre iniciativa, o Exército, com 75 usinas, é o maior operador de hidrelétricas do país e a AMTRAK, a gigantesca empresa ferroviária nacional, subsidiada pelo governo – o que ninguém estranha – oferece um dos melhores serviços de transporte de passageiros do mundo.

 

Na China, com quase 4 trilhões de dólares em reservas internacionais, pouquíssimas empresas não têm participação majoritária do estado ou até mesmo do Partido Comunista Chinês. Elas competem entre si, dentro e fora do país, até mesmo na compra de empresas estrangeiras, principalmente da Europa, da América Latina e dos Estados Unidos.

 

No Brasil, também já tivemos grandes estatais, que foram essenciais para o desenvolvimento da siderurgia, da energia, do transporte, das telecomunicações, nos governos de Getúlio Vargas, de Juscelino e durante o regime militar. O problema das estatais não é o fato de pertencerem ao Estado, mas quem se coloca à frente delas. Como diz o economista Delfim Netto, não há diferença essencial entre empresa pública ou empresa privada, mas, sim, entre empresa bem administrada e mal administrada.

 

Infelizmente, muitas delas foram esquartejadas, desnacionalizadas e vendidas a preço de banana nos anos 1990, para empresas internacionais. Por ironia, muitas das compradoras eram estatais estrangeiras, ou tinham participação de governos estrangeiros, até mesmo de países menos desenvolvidos do que o nosso, que tinham acesso a dinheiro barato e subsidiado, e estão quebrando agora, como é o caso da Espanha.

 

Entre os argumentos para privatização, estava o de que o preço dos serviços ia cair e que ia se acabar com os cabides de empregos. E o que aconteceu? Pagamos, em telecomunicações, por exemplo, algumas das tarifas mais altas do mundo. Os serviços são tão “bons”, que empresas estiveram proibidas de comercializá-los até que melhorassem o funcionamento de suas redes. Seus lucros servem para pagar ao genro do Rei da Espanha, um jogador de handebol envolvido com a corrupção, mais de um milhão de euros por ano para participar de algumas reuniões como conselheiro da Telefónica (Vivo) para a América Latina.

 

A administração das estatais deve ser conduzida por critérios técnicos e sempre subordinada politicamente ao interesse nacional maior.

 

Escândalos como o da VALEC, com o prejuízo de mais de 400 milhões de reais, desgastam o Estado diante da opinião pública, o que só favorece aos estrangeiros que querem dominar a nossa economia.

Beto Richa começou a privatizar a cultura via OS

A Secretaria de Estado da Cultura do Paraná – SEEC vai começar a inscrever Organizações Sociais – OS para que elas assumam toda a gestão de museus, orquestras, teatros e demais aparelhos culturais, como ballet, danças em geral, etc.

De acordo com a Resolução Nº 054/2012 – SEEC podem se inscrever pessoas jurídicas de interesse privado, sem fins lucrativos, com atividades comprovadas na área cultural, conforme definido na Lei Complementar nº 140/2011, a Lei de privatização via OS aprovada no Paraná após pressão do governo Beto Richa sobre os deputados estaduais.

Quando qualificadas as Organizações Sociais farão celebrarão Contrato de Gestão com o Estado, sem qualquer licitação.

A notícia do governo e a Resolução dizem que podem ser repassados para OSs atividades teatrais de teatro, ópera, circo, artes visuais, audiovisual, dança, literatura, livro e leitura, música, patrimônio cultural material e imaterial, e as manifestações populares, tradicionais e étnicas da cultura.

Traduzindo: podem ser privatizados o Teatro Guaíra, o Ballet do Teatro Guaíra, a Orquestra Sinfônica, todos os museus paranaenses e a Biblioteca Pública.

Veja a íntegra da Resolução, clique aqui.

Beto Richa havia prometido ao povo paranaense e aos deputados estaduais, em entrevista, que privatizaria apenas o Museu Oscar Niemeyer e a Orquestra Sinfônica (além de um hospital). Isso após a lei quase não ser aprovado após manifestaçÕes contrárias do povo paranaense.

Mas a resolução e a notícia do governo são bem mais amplas. O mais grave? Nas eleições beto Richa disse que não iria privatizar e nem conhecia o modelo das OS:

Dilma não quer novas concessões totais de aeroportos, apenas parcerias parciais

A presidenta Dilma Rousseff (PT) não pretende mais fazer concessões dos aeroportos nos termos dos realizados com Guarulhos, Viracopos e Brasília. Nessas concessões a gestão do aeroporto foi repassada à iniciativa privada e a Infraero participa em até 49% do empreendimento.

A posição agora é de fortalecer a Infraero, que ficaria no comando dos aeroportos estratégicos, mas obras e alguns serviços seriam repassados via PPPs – parcerias público-privadas, em aeroportos como Galeão/RJ e Cofins/MG, que não precisam de muitos investimentos.

Essa política mostra uma diferença com governos tucanos, que se estivessem presidindo o Brasil já teriam privatizado todas as empresas estatais.

Rafinha Bastos critica a eficiência da telefonia celular privada no Brasil, privatizada pelo presidente FHC

Rafinha Bastos (ex-CQC) critica a eficiência da telefonia celular privada no Brasil, privatizada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Mas a iniciativa privada não é eficiente?

O Banco do Brasil, público e estatal, é o mais sólido do mundo. Beto Richa votou pela privatização do Banestado

Segundo o ranking global da agência de notação financeira estadunidense Weiss Ratings, o Banco do Brasil, uma sociedade de economia mista brasileira, pública e estatal, é a instituição financeira mais sólida do mundo.

Para ficar em primeiro o BB apresentou segurança financeira capaz de passar por crises econômicas internacionais.

Veja o ranking dos dez primeiros colocados:

1. Banco do Brasil (Brasil)
2. Hang Seng Bank (Hong Kong)
3. Turkiye Garanti (Turquia)
4. Qatar National Bank (Qatar)
5. Akbank (Turquia)
6. Banco Mandiri (Indonésia)
7. Al Rajhi Bank (Arábia Saudita)
8. Grupo Financiero Santander (México)
9. Samba Bank (Arábia Saudita)

Isso mostra o quento é importante a existência de bancos estatais.

O então governador Jaime Lerner (DEMO, ex-PFL) privatizou o Banestado e o presidente Fernando Henrique Cardoso quase vendeu o Banco do Brasil, com o discurso de que tudo o que é estatal é ineficiente.

O atual governador, então deputado estadual Beto Richa, foi acusado durante a campanha de 2010 de ter votado pela privatização do Banestado. Carlos Alberto Richa respondeu que o banco estava em uma situação “dificílima” e que votou pela venda porque o banco estava prejudicando o Paraná. A venda do Banestado deixou um rombo de R$ 16 bilhões para o Paraná.

Qual a posição sobre o tema dos atuais candidatos à prefeito de Curitiba?

A privatização dos presídios paranaenses – Tarso Cabral Violin

Governador do Paraná Beto Richa (PSDB) copiou o modelo de privatização dos presídios do senador tucano Aécio Neves em Minas Gerais

Publicado hoje na Gazeta do Povo, no caderno Justiça & Direito

Por Tarso Cabral Violin

O governo do Paraná sancionou uma lei, aprovada na Assembleia Legislativa em regime de urgência, e publicada no último mês, que prevê a terceirização da gestão dos presídios paranaenses para entidades do terceiro setor, o que se configura uma privatização em sentido amplo.

A lei prevê que o estado celebre convênios com organizações não-governamentais (ONGs) e com as chamadas associações de proteção e assistência aos condenados (APACs), que poderão administrar estabelecimentos penais. Segundo vários juristas, tal prática contrária a nossa Constituição social e democrática de Direito de 1988.

É pacífico que, como regra, o Poder Público não pode delegar o chamado “poder de polícia” para os particulares. Atividades-fim do Estado não podem ser privatizadas, sendo possíveis terceirizações apenas de atividades-meio.

Qualquer atividade executiva de gestão dentro de uma unidade penal, qualquer parcela de função administrativa prisional que afete a liberdade do preso, faz parte do poder de polícia, e a eventual necessidade do uso da coercibilidade por entidades privadas fere nossa Constituição.

O exercício da função administrativa prisional abrange atos jurídicos, como por exemplo a emanação de provimentos sancionatórios, que de forma alguma poderão ser delegados a particulares. Entre os atos materiais, os que incidem sobre a pessoa do preso, como a vigilância, também não podem ser delegados, pois há monitoramento dos deveres dos presos, e não raro ocorre uso de coação. Enfim, o poder disciplinar na execução das penas privativas de liberdade e restritivas de direito compete exclusivamente ao Estado.

Apenas as atividades materiais acessórias e realização de obras podem ser delegadas. Note-se, a cooperação da comunidade, prevista na Lei 7.210/84, Lei de Execução Penal (LEP), não quer dizer que a iniciativa privada poderá administrar o presídio.

O governo argumenta que a lei não prevê terceirização e muito menos privatização – o que seria transferido para as entidades privadas sem fins lucrativos seriam apenas algumas funções materiais da execução da pena, mas não a atividade jurisdicional. Mas o problema é que a lei delega a atividade administrativa judiciária, que é exclusiva do Estado.

Ressalte-se que o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP), órgão vinculado ao Ministério da Justiça, editou a Resolução 8/2002, que rejeita quaisquer propostas tendentes à privatização do sistema penitenciário e que consolida o entendimento de que os serviços de segurança, administração, gerenciamento de unidades, disciplina, efetivo acompanhamento e avaliação da individualização da execução penal não são delegáveis à iniciativa privada. O Plano Nacional de Política Criminal e Penitenciária do CNPCP 2011 também é contrário a privatização do sistema penal e prevê, entre outras políticas progressistas, o fortalecimento do Estado na gestão do sistema penal.

Mesmo se fosse possível a privatização, nas unidades geridas por ONGs não poderia ocorrer qualquer tipo de trabalho do preso, por impedimento contido na LEP.

O modelo adotado é cópia do mineiro, contrário ao estado social e favorável ao estado penal, que assegura que quanto mais se prender seres humanos, mais a iniciativa privada lucrará. Tanto o modelo de privatização total estadunidense, quanto o modelo de gestão misto francês; no qual a gestão externa cabe ao poder público, mas a iniciativa privada constroi o presídio, faz a guarda interna dos presos, promove o trabalho, a educação, o transporte, a alimentação, o lazer, a assistência social, jurídica e espiritual e a saúde do preso; não se encaixam no nosso ordenamento jurídico.

Lembremos que, na década de 90, o Paraná foi um dos pioneiros no Brasil com as penitenciárias privadas. Elas foram extintas posteriormente com a justificativa de que o custo por detento no país era em média R$ 800, enquanto que nos presídios privados R$ 1,2 mil. Além disso, os agentes contratados eram, muitas vezes, um terço dos servidores públicos, o que aumentava os riscos na segurança das unidades. A prática levou à precarização do serviço, enfraquecendo o discurso de que a iniciativa privada é mais eficiente. Uma pesquisa nos EUA concluiu que com os presídios privados não há diminuição de custos, mas, sim, uma tendência deles ficarem com os presos com penas mais leves e de melhor comportamento, deixando os que cometeram crimes mais graves nas prisões públicas.

Há outras inconstitucionalidades na lei, ainda, como o vício de iniciativa, burla ao concurso público, previsão de que as APACs deverão ser filiadas a uma entidade privada, e a previsão do acordo de vontade ser um convênio, e não contrato administrativos precedido de licitação.

Existem problemas sérios nos presídios do país, mas devemos resolvê-los com a profissionalização da administração pública brasileira, com muita transparência e controle social e dos órgãos de controle, e dentro dos limites constitucionais.

Tarso Cabral Violin, professor de Direito Administrativo da Universidade Positivo, mestre em Direito do Estado pela UFPR, advogado

Governo Beto Richa é acusado de elitizar, precarizar e privatizar a Escola de Dança do Teatro Guaíra

Os pais de alunas e alunos, professores e servidores da Escola de Dança do Teatro Guaíra – EDTG acusam o governo Beto Richa (PSDB) de fazer mudança, PARA PIOR, na Escola, sem qualquer discussão com os envolvidos. O Teatro Guaíra vai ser reformado e não foi providenciado pelo governo estadual um novo local para instalá-la. Além disso a EDTG passa por muitas dificuldades e os pais, professores e funcionários têm receio até do fim da Escola.

Com isso prepararam até um abaixo-assinado reivindicatório a ser enviado ao Secretário de Estado da Cultura, Paulino Viapiana.

Uma das acusações é a tentativa do governo Beto Richa privatizar o ensino de dança para as crianças até 12 anos, conforme informado em matéria da Gazeta do Povo. Outra acusação é o autoritarismo e a falta de transparência do governo estadual, em especial da Secretaria de Estado da Cultura.

Note-se que ainda é possível, conforme várias denúncias do Blog do Tarso, que o governo Beto Richa privatize museus, teatros e a Orquestra Sinfônica por meio de Organizações Sociais – OS, para fugir dos concursos públicos e licitações.

Com a palavra o Governo do Estado.

Ganhador do prêmio nobel de economia desmascara privatizações nos EUA, em especial as dos presídios

Veja mais textos sobre as privatizações dos presídios, clique aqui.

Folha de S. Paulo de sábado

PAUL KRUGMAN

Prisões, privatização e padrinhos

Pense nos benefícios que a privatização traz aos fundos de campanha e às finanças pessoais dos políticos

Nos últimos dias, o “New York Times” publicou reportagens aterrorizantes sobre o sistema de casas de semi-internato de Nova Jersey -ala auxiliar, operada pelo setor privado, do sistema penitenciário estadual.

A série é um modelo de jornalismo investigativo que todos deveriam ler. Os horrores descritos são parte de um padrão mais amplo sob o qual funções do governo estão sendo privatizadas e degradadas.

Em 2010, Chris Christie, o governador de Nova Jersey, descreveu as operações da Community Education Centers, a maior operadora dessas instalações, para a qual fez lobby, como “uma representação do que há de melhor no espírito humano”.

Mas as reportagens revelam algo mais próximo ao inferno -um sistema mal gerido, com escassez de funcionários e equipes desmoralizadas. A história é terrível. Mas é preciso vê-la no contexto mais amplo de uma campanha nacional da direita americana pela privatização de funções de governo, o que inclui a administração de prisões.

O que move essa campanha? Seria tentador dizer que ela reflete a crença dos conservadores na magia do mercado. É assim que os políticos da direita gostariam de ver a questão. Mas basta pensar por um minuto para perceber que as empresas que formam o complexo penitenciário privado não concorrem num mercado livre. Vivem de contratos governamentais.

Os operadores privados de penitenciárias só conseguem economizar dinheiro por meio de reduções em quadros de funcionários e nos benefícios aos trabalhadores. As penitenciárias privadas economizam dinheiro porque empregam menos guardas e pagam menos a eles. E em seguida lemos histórias de horror sobre o que acontece nas prisões.

O que levanta a questão dos motivos reais para a campanha pela privatização das penitenciárias. Uma resposta é que a privatização pode servir como forma encoberta de elevar o endividamento do governo, já que esse deixa de registrar despesas antecipadas e eleva os custos de longo prazo de maneira invisível pelos contribuintes.

Outra resposta para a privatização é que ela representa uma forma de eliminar funcionários públicos, que têm o hábito de formar sindicatos e tendem a votar nos democratas. Mas a principal resposta está no dinheiro. Pouco importa o efeito da privatização sobre os orçamentos estaduais. Pense nos benefícios que ela traz aos fundos de campanha e às finanças dos políticos.

Com a privatização de funções governamentais, os Estados se tornam paraísos de pagamento nos quais contribuições políticas e pagamentos a amigos e parentes se tornam parte da barganha na obtenção de contratos do governo.

As empresas estão tomando o controle dos políticos ou os políticos estão tomando o controle das empresas? Pouco importa.

Não se deve imaginar aquilo que o “New York Times” descobriu sobre a privatização de prisões em Nova Jersey como exemplo isolado de mau comportamento. Trata-se quase certamente de apenas um vislumbre de uma realidade cada vez mais presente, de uma conexão corrupta entre privatização e apadrinhamento que está solapando as funções do governo em muitas regiões dos EUA.

Tradução de PAULO MIGLIACCI