Será um feliz ano novo? – Tarso Genro

Governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro

Folha de S. Paulo de domingo

Os setores emergentes não têm origem em paternalismos populistas e não são massa de manobra; sua mobilização vai oxigenar a vida pública do país

O ano de 2012 será decisivo para o Brasil e para a América Latina. Não se trata de uma crônica de ano novo. É uma afirmação criteriosa, fundamentada em dois cenários, um interno e outro externo.

No externo, há o cansaço tanto da social-democracia como da ideologia thatcherista-neoliberal.

A social-democracia cansou a paciência de todos, em regra, porque a sua adaptação aos novos tempos -de crise do financiamento do “estado de bem-estar”- fez com que ela cultuasse a globalização financeira e passasse a se escravizar nas suas receitas.

De outra parte, o cansaço da ideologia do neoliberalismo adquiriu seu auge na evidência de manipulações fraudulentas, pelos bancos e governos, da situação real dos estoques da dívida pública. Mais uma vez houve frustração e tédio com os seus discursos sem cor.

No cenário interno, tanto brasileiro como latino-americano, vários são os governos, com orientações distintas, que conseguiram conquistar apoio parlamentar e social para não aplicar as regras neoliberais, com objetivo de sair das suas crises e melhorar a vida do povo.

A “melhora da vida do povo”, no âmbito de uma crise mundial com intervenções militares brutais e com castração de direitos sociais nos países de capitalismo avançado, é um dado relevante para avaliar a importância do próximo ano no futuro da democracia na América Latina.

Como é sabido pela ciência política e comprovado empiricamente, nem sempre a democracia gera progresso socioeconômico para a maioria, assim como nem sempre as ditaduras pioram as condições de vida dos cidadãos.

Avançar socialmente dentro da democracia não é pouco. Assim como não é pouco fazer governos serem compreendidos pelos seus povos pelo que estão fazendo e melhorar a renda e a autoestima dos mais pobres dentro de um amplo processo democrático. É muito.

E mais: a inclusão massiva de grupos populacionais no consumo, na produção e na educação gera novos sujeitos sociais e novas demandas. Alguns exemplos: melhor comida, melhor habitação, um melhor carro do ano, mais lazer qualificado, mais educação e melhor transporte coletivo, além de mais segurança para fruir a vida.

A aceleração no combate às desigualdades é que vai resolver se teremos um bom ano novo para as democracias latino-americanas.

A aceleração no combate aos privilégios, dentro e fora do Estado e das empresas públicas e privadas, reduzindo as diferenças de renda e de salários -tanto na esfera pública como na esfera privada-, é que vai criar coesão entre as classes sociais emergentes, o Estado de Direito e a democracia.

Esses novos setores sociais não são massa de manobra de ninguém. Eles não se originam de paternalismos populistas nem de conquistas de burocracias sindicais. Não são “aparelháveis”, pois são dispersos na estrutura produtiva, de serviços e na estrutura de classes.

Eles não são “classe média” frustrada ou raivosa. São os “de baixo”, que apareceram nas urnas e reelegeram Lula e elegeram Dilma. Aparecem nas estatísticas do ProUni, dos novos empregos e das novas atividades na produção e nos serviços.

Esses é que têm potência para constituir -em irmandade política com os demais setores do mundo do trabalho- um consenso superior, forjado a partir das suas mobilizações para a oxigenação da vida pública democrática.

Isso só poderá ser feito diretamente pela política e pelos partidos, na minha opinião os de esquerda, e cada vez menos através de demandas corporativas e setoriais.

A agenda do combate às desigualdades sociais deverá ser a pauta de uma esquerda revitalizada, que já cumpriu tarefas importante no Brasil e na América Latina, após o ciclo das ditaduras cujos fantasmas ainda nos visitam.

TARSO GENRO, 64, é governador do Rio Grande do Sul; foi ministro da Justiça (2007-2010), ministro da Educação (2004-2005) e prefeito de Porto Alegre pelo PT (1993-1996 e 2001-2002).

Beto Richa, Luciano Ducci e Taniguchi são inimigos do Cinema Nacional e dos Cines Públicos de arte. Privatização da cultura?

Será que o que eles gostam mesmo são dos filmes da Xuxa?

Curitiba tinha vários cinemas público-estatais administrados pela Fundação Cultural de Curitiba, como os Cines Groff, Ritz e Luz, que passavam filmes brasileiros, filmes de arte não-comerciais e documentários.

O Cine Groff fechou em 2003, durante a gestão de Cassio Taniguchi (PFL, ex-ARENA e PDS, atual DEMO), ex-secretário de planejamento de Jaime Lerner e atual de Beto Richa. Seu vice era Beto Richa.

O Cine Ritz fechou em abril de 2005, durante a gestão do então prefeito Beto Richa (PSDB), cujo vice era Luciano Ducci (PSB), o atual prefeito.

O Cine Luz, o segundo cinema de Curitiba, fechou as portas dia 11 de novembro de 2009, durante a gestão do então prefeito Beto Richa (PSDB), que logo depois abandonaria o cargo para ser governador do Paraná, deixando o inexpressivo e desconhecido Luciano Ducci em seu lugar.

Sobrou apenas a Cinemateca como cinema público em Curitiba.

Recentemente a Gazeta do Povo fez uma matéria informando que o curitibano rejeita o cinema nacional.

Mas claro, como os moradores de Curitiba assistirão filmes nacionais, documentários, filmes de arte, se não existem cinemas públicos para isso? Cinemas públicos-estatais que não se interessem apenas com a bilheteria, apenas com o lucro, mas sim em difundir a verdadeira cultura cinematográfica em Curitiba?

O que Luciano Ducci, Beto Richa e Cassio Taniguchi fizeram para reverter essa vergonha? O caso dos fechamentos dos cinemas não deixa de ser uma privatização, pois repassou a responsabilidade cultural para cinemas privados, que preferem passar blockbusters estadunidenses e filmes nacionais comerciais “bobinhos” voltados apenas para crianças.

Com a palavra os citados…

Será que o Marcelo Adnet está falando dos políticos que privatizam a saúde via organizações sociais – OS?

Caso “Sogra Fantasma” do assessor de Beto Richa volta ao noticiário

Beto Richa e Ezequias Moreira

Hoje na Coluna do Celso Nascimento na Gazeta do Povo

Legal

Ninguém aponta qualquer ilegalidade no ato, mas quem leu a edição n.º 320 da versão eletrônica do “Atos Oficiais” do Tribunal de Contas teve sua atenção despertada pela nomeação de Sandra Durau Rodrigues para o cargo de assessora de Planejamento no gabinete do conselheiro Ivan Bonilha. O cargo é um DAS-2, que rende R$ 7,5 mil mensais. Sandra vem a ser esposa de Ezequias Moreira, assessor informal de Beto Richa e protagonista do caso da “sogra fantasma”, cujos salários pagos pela Assembleia eram repassados para o genro. Ezequias atualmente é diretor da Sanepar.

Josias de Souza da Folha de S. Paulo descarta Aécio Neves

 

2014: decepção com Aécio desnorteia oposição

 

Há um ano, Aécio Neves era celebrado como grande promessa da oposição. Hoje, tornou-se um nome duro de roer. Tucanos e aliados viam nele a melhor opção presidencial. Passaram a enxergá-lo como a pior decepção da temporada.

Em qualquer roda de políticos ficou fácil reconhecer um oposicionista: é o que está lamentando a popularidade de Dilma Rousseff e falando mal de Aécio Neves. Nas discussões sobre 2014, o senador mineiro é personagem indefeso.

Para perscrutar as razões do desencantamento com Aécio, o blog ouviu cinco lideranças da oposição. Gente do PSDB, do DEM e do PPS. Um dissidente de legenda governista. O compromisso do anonimato destravou-lhes a língua.

Espremendo-se as opiniões e peneirando-se os exageros, obtem-se um sumo uniforme. A desilusão dos oposicionistas assenta-se em três avaliações comuns:

1. A atuação de Aécio em seu primeiro ano de Senado foi apagada. Algo incompatível com a biografia de um ex-presidente da Câmara. Ele não aconteceu, disse um dos entrevistados, no melhor resumo do sentimento que se generaliza.

Como assim? Quando Itamar Franco era vivo, a voz de Minas no Senado era a dele, não a de Aécio. O grande feito de Aécio no Senado foi a relatoria do projeto que redefine o rito das medidas provisórias. Proposta do Sarney, não dele. É pouco.

2. Dono de estilo acomodatício, Aécio é uma espécie de compositor da política. Compõe com todo mundo. Governou Minas com o apoio de partidos que, no Congresso, davam suporte a Lula. Em Brasília, o espírito conciliador, por excessivo, foi tomado como defeito.

Aécio exagerou, queixou-se um ex-entusiasta do senador. Esmiuçou o raciocínio: no afã de atrair para o seu projeto pedaços insatisfeitos do bloco pró-Dilma, Aécio esquece que a oposição deve se opor. É improvável que ganhe aliados novos. E está perdendo os antigos.

3. Imaginou-se que, livre dos afazeres de governador, que o prendiam a Minas, Aécio viraria rapidamente um personagem nacional. Por ora, nada. Por quê? A projeção exigiria dedicação e ampliação do horizonte temático, palpita um dos queixosos.

Mas Aécio não é um obcecado pelo Planalto? Sim, mas revelou-se pouco aplicado. Viajou pouco. No Senado, não foi dos mais assíduos em plenário. Subiu à tribuna só de raro em raro. No geral, esquivou-se das polêmicas.

O crítico citou um exemplo: PSDB e DEM decidiram quebrar lanças contra a DRU, o mecanismo que permite ao governo dispor livremente de 20% do Orçamento. Entre os tucanos, apenas cinco votaram contra. Aécio não estava entre eles.

Ninguém vira alternativa presidencial fugindo dos temas espinhosos, lamuriou-se um expoente do próprio PSDB. Aécio continua sendo alternativa graças à vontade pessoal e à ausência de um sucedâneo. A sorte dele é que a maioria do partido não suporta o José Serra.

Parte da cúpula do PSDB tenta antecipar para depois da eleição municipal de outubro a definição do nome do presidenciável da legenda. Em âmbito interno, a aversão a Serra faz de Aécio um favorito.

Fora daí, é visto pela própria oposição como uma ex-promessa. Uma liderança que se absteve de acontecer. Um candidato que depende do fortuito para livrar-se da condição de favorito a fazer de Dilma uma presidente reeleita.

Cooptação de deputados por Beto Richa é fator de risco de corrupção

Tucanos Rossoni e Beto Richa: bons companheiros

Segundo a Gazeta do Povo de hoje, a Assembleia Legislativa do Paraná, comandada por Valdir Rossoni (PSDB), é o principal fator de risco de corrupção no estado.

Será que isso é uma verdadeira democracia? O governador Beto Richa (PSDB) saiu da eleição de 2010 com uma base de apenas 50% dos deputados estaduais. Hoje, Carlos Alberto conta com o apoio de 85% dos deputados estaduais.

Para que servem os deputados? Aprovarem leis e fiscalizarem o Poder Executivo. O que a maioria dos deputados faz na Assembleia? Despachantes do Governador.

Como mudar? Uma reforma política que limite o poder do dinheiro nas eleições. Para quem sabe um dia cheguemos a ser uma democracia substancial, e não apenas formal.

Gazeta do Povo diz que Luciano Ducci não investe no atendimento aos moradores de rua

Foto de Daniel Castellano / Gazeta do Povo

Gazeta do Povo de hoje

Entrelinhas, por Cláudio Feldens

Cena contraditória

Cidade de tantos atrativos turísticos, Curitiba não consegue resolver os problemas típicos das grandes cidades. Os moradores de rua se multiplicam pela cidade e por isso não é novidade que um deles apareça dormindo no banco da praça a poucos metros do embarque dos turistas. Falta investimento no atendimento dessas pessoas, digam as autoridades o que disserem. Antigamente, dormir na praça dava “cadeia por vadiagem”.

Charge: The Beatles X porcaria

Folha de S. Paulo de sábado - Folhinha

“Republicano Mitt Romney enriqueceu enquanto ajudou a destruir a classe média estadunidense” – Paul Krugman

Romney, Obama e empregos – Paul Krugman

Folha de S. Paulo de sábado

Romney e pessoas como ele enriqueceram enquanto ajudaram na destruição da classe média americana

A recuperação da América da recessão vem sendo tão lenta que nem parece uma recuperação. Assim, em um mundo melhor, o presidente Barack Obama enfrentaria um concorrente que proporia uma crítica séria de suas políticas de geração de empregos. Em vez disso, é quase certo que Obama enfrente Mitt Romney.

Romney alega que Obama vem sendo um destruidor de empregos, enquanto ele teria sido um empresário que os criou. Disse à Fox News: “[Obama] perdeu 2 milhões de empregos, mais que qualquer outro presidente desde Hoover”. E declarou sobre seu período trabalhando na firma de participações acionárias Bain Capital: “Ajudamos a gerar mais de 100 mil empregos”.

É verdade que hoje há 1,9 milhão de americanos empregados a menos que os que havia na posse de Obama. Mas o presidente herdou uma economia em queda livre; não pode ser culpado por perdas de empregos nos seus primeiros meses de governo, em 2009, antes de suas próprias políticas terem tido efeito.

Entre janeiro e junho de 2009, a economia americana perdeu 3,1 milhão de empregos; desde então, ganhou 1,2 milhão. Não é o suficiente, mas não tem a menor relação com o retrato traçado pelo republicano.

O que Romney alega sobre Obama não é literalmente falso, mas induz ao engano. Mas mais surpreendente é a alegação de ter criado 100 mil empregos. De onde ela vem?

Segundo a campanha de Romney, é a soma dos empregos ganhos em três empresas que ele “ajudou a fundar ou fazer crescer”: Staples, The Sports Authority e Domino’s.

O “Washington Post” chamou a atenção para dois problemas: a contagem é baseada em “cifras atuais, não do período em que Romney trabalhou na Bain”, e “não inclui perdas de empregos em outras companhias com que a Bain esteve envolvida”. Qualquer desses problemas já invalida a alegação inteira.

De todo modo, não faz sentido olhar mudanças na força de trabalho de uma empresa e achar que servem para medir a geração de empregos na América como um todo.

Suponhamos, por exemplo, que sua rede de papelarias eleva a sua fatia no mercado, às expensas de redes rivais. Você passa a empregar mais pessoas, enquanto a concorrência emprega menos. Qual é o efeito final sobre o emprego?

Melhor: suponhamos que sua empresa tenha crescido em parte não por superar a concorrência, mas, sim, por adquirir as rivais. Agora, os empregados dessas empresas são seus. Você gerou empregos?

Pode-se indagar se não é igualmente incorreto dizer que Romney destruiu empregos. Sim, é. A queixa real é que destruiu empregos bons.

Quando a poeira assentou após o “downsizing” nas empresas que a Bain reestruturou -ou depois de essas companhias terem falido-, o número total de empregados nos EUA era mais ou menos igual ao que teria sido de qualquer maneira. Mas os empregos perdidos pagavam mais, com benefícios melhores.

Romney e pessoas como ele não destruíram empregos, mas enriqueceram enquanto ajudaram a destruir a classe média americana. E é essa realidade que se pretende obscurecer com todo o papo furado sobre empresários geradores e democratas destruidores de empregos.

Tradução de CLARA ALLAIN

40 anos com Prestes – Maria Prestes

‘Ele gostava de criança, cozinhava, descascava um bom abacaxi’, diz a viúva do dirigente comunista

Hoje na Folha de S. Paulo

CLAUDIA ANTUNES
DO RIO

RESUMO A pernambucana Maria Ribeiro Prestes viveu por 40 anos com Luiz Carlos Prestes [1898-90], dirigente do PCB, 34 anos mais velho. Os dois se conheceram quando ela, militante, foi destacada para fazer a segurança dele na clandestinidade, nos anos 50. Para enganar a vizinhança, o chamava de Pedro, apelido que ficou. Em seu apartamento, no Rio, cheio de recordações do exílio em Moscou, ela lembrou passagens dramáticas de sua vida.


Meu pai, João Rodrigues Sobral, era camponês de Poção (PE). Em Recife, trabalhou numa fábrica de óleo de mamona e depois abriu um armazém no bairro onde nasci em 1932. Ele via pessoas furtarem feijão, um pedaço de carne. Ficava revoltado com a pobreza.

O armazém era frequentado por pessoas de ideias evoluídas, que o levaram ao Partido Comunista. Tornou-se um revoltado, como se dizia. Era analfabeto, eu ensinei meu pai a ler e escrever.

Em 1935, minha mãe faleceu e teve aquele movimento [Intentona Comunista]. Meu pai foi preso, torturado. Depois, deportado de navio para o Rio, mas na Bahia se jogou no mar. Voltou para Recife a pé e passamos à clandestinidade.

Em Recife, entrei na Juventude Comunista. Distribuía volantes, fazia pichação. Fui presa, rasparam a minha cabeça. Vi o Prestes pela primeira vez em 1945, num comício da campanha dele para o Senado. Eu fiz a segurança dele com outros jovens.

SEGURANÇA

Aos 18 anos arranjei um marido, que não deu certo. Meu pai estava em São Paulo, doente, e me mandaram para a casa dele. Morreu em 1952 incógnito porque usava outro nome. Nunca soubemos onde foi enterrado.

Na época o registro do partido tinha voltado a ser cassado. Me disseram que eu ia cuidar de um dirigente. Só vi quem era no dia em que Prestes chegou. Ele ficou até 1959 sob minha responsabilidade.

Antes eu era Altamira Rodrigues Sobral, e, por segurança, me deram documentos em nome de Maria do Carmo Ribeiro, nascida em 1930.

Na época o Giocondo Dias [dirigente comunista, 1913-1987] nos dava assistência. Eu tinha já dois filhos, Pedro e Paulo. Um belo dia Prestes propôs casamento. Eu disse que já tinha sido frustrada, que não aceitava assinar papel com ninguém. Ele disse que tinha gostado de mim.

“Não posso ser uma boa companheira porque não sou intelectual que nem você, sou uma pessoa comum”, respondi. E ele: “Se fosse casar com uma intelectual, os nossos pensamentos iam estar sempre em contradição”.

“Tudo bem, se não der certo você vai para um lado e eu para o outro”, eu disse.

Nunca casamos no papel. Vivemos 40 anos juntos e nunca brigamos. Ele valorizava o trabalho da mulher e da mãe. Gostava de criança, cozinhava, fazia biscoito, bolo, bacalhau à portuguesa, descascava um bom abacaxi.

Me ensinou a ler os clássicos, Shakespeare, Dickens, Górki, Dostoiévski. Toda semana eu e o Giocondo tínhamos aula de leitura com ele.

Um motorista, o José das Neves, aparecia em público comigo e as crianças, fazendo as vezes de marido. Para os vizinhos não perceberem que tinha mais gente na casa, a gente chamava o Velho de Pedro, nome do meu filho. Chamei ele de Pedro até o fim.

Tive o João, a Rosa, a Ermelinda. Quando veio a semilegalidade [no final do governo Juscelino Kubitschek], tive o Luiz Carlos, a Mariana, a Zóia e o Yuri. Um dia eu disse, “vamos parar?”. E ele: “Deus quer, né. Vamos ter filhos”. Gostava de família grande, achava que devia dar continuidade à vida.

As crianças não sabiam que ele era o pai, chamavam de tio. Todos só foram saber depois, em Moscou.

Depois de 1964, Prestes teve que se esconder de novo, mas eu não podia porque tinha os filhos em idade escolar. Tinha uma câmera em frente à nossa casa filmando quem entrava e saía.

Mesmo assim, me encontrava com Prestes. Até viajamos. Levantei a proposta de irmos embora. Fui com as crianças em 1970 para Moscou e nos deram um apartamento de onde a gente via a Praça Vermelha. Em 1971 o Velho chegou.

Queriam que eu botasse os meninos numa escola para filhos de estrangeiros. Eu disse que preferia que fossem estudar com os filhos das pessoas comuns. Eles não sabiam uma letra de russo, mas o PC soviético botou uma professora que ia três vezes na semana dar aula para nós.

Ainda falo russo. É um idioma muito sonoro, meigo. Meus filhos se formaram lá.

Conheci todas as 17 repúblicas soviéticas e muitos países europeus. Nossa casa era mais frequentada do que a Embaixada do Brasil. Fazíamos sempre feijoada.

COMUNISMO

A readaptação foi complicada. Tinha o Comitê da Anistia que nos ajudava, o Oscar Niemeyer, o João Saldanha.

Acho que ainda sou comunista, sim. A exploração do homem pelo homem não acabou. No sistema socialista não tinha desemprego. Havia problemas, mas o povo trabalhava e recebia salário.

Tenho 24 netos e nove bisnetos. Todo ano a gente se reúne no aniversário do Velho, 3 de janeiro. Os meninos criaram o blog [mariaprestes.blogspot.com], mas não gosto muito. Com a internet, as pessoas não se encontram.

Ainda vou a atos políticos. O exercício que faço é andar. Gosto de cinema, do Almodóvar. Esse filme “A Pele que Habito” é impressionante.

De vez em quando faço uma sopa russa de beterraba e convido minhas amigas. Chamo meus filhos e a gente faz uma noite de russo, eles cantam, recordamos alguns momentos. Se fosse me preocupar com o passado, não era o que sou. Acho que a gente tem que ser otimista, almejar algo melhor.

FOLHA.com
Leia o depoimento de Maria Prestes na íntegra
www.folha.com/no1031285

Beto Richa, Cassio Taniguchi e seus aspones não respondem sobre acusação grave na Celepar

Cassio Taniguchi (que tem na ficha corrida ter sido secretário de Jaime Lerner, José Arruda e ser atual de Beto Richa), o irmão secretário de Beto Richa e o chefão de todos, Carlos Alberto.

O governador Carlos Alberto Richa (PSDB), o seu secretário de planejamento e presidente do Conselho de Administração da Companhia de Informática do Paraná – Celepar, Cassio Taniguchi, e a direção da Celepar ainda não responderam para a imprensa e sociedade paranaense a acusação grave sobre a demissão que a Celepar efetivou de quatro trabalhadores concursados.

Os servidores, frise-se, concursados, foram demitidos porque questionaram seus direitos na Justiça do Trabalho, um direito de todo trabalhador brasileiro, inclusive de servidores celetistas das empresas estatais.

Enquanto isso Beto Richa aumentou em 462% o número de cargos comissionados sem concurso público na Celepar, com muitos aspones incompetentes e não entendem nada de Tecnologia da Informação e Comunicação ou de Administração Pública.

Hoje foi a vez do jornal Gazeta do Povo informar que o Governo Beto Richa e seus aspones ainda não se manifestaram sobre esse absurdo.

Por enquanto, o único que se manifestou sobre o caso foi um blogueiro laranja e sem credibilidade, que é servidor comissionado sem concurso público da prefeitura municipal, que fez ataques pessoais a respeitáveis profissionais da comunidade curitibana.

Coragem, é o que falta ao governador, secretário e aspones.

Por enquanto vai sobrar para o pobre coitado do blogueiro.

Veja mais sobre o tema:

Governo Beto Richa demite servidores concursados da Celepar por eles buscarem seus direitos na Justiça

Nota de Esclarecimento do SINDPD-PR (Sindicato dos trabalhadores da Celepar) sobre informações falsas veiculadas

Ministério Público do Trabalho agendou audiência de mediação entre demitidos pelo governo Beto Richa e diretoria da Celepar para o dia 9

Ministério Público do Trabalho agendou audiência de mediação entre demitidos pelo governo Beto Richa e diretoria da Celepar para o dia 9

Do Sindpd-PR

O Ministério Público do Trabalho (MPT), que recebeu dia 4 denúncia sobre demissões arbitrárias de trabalhadores da Celepar – Companhia de Informática do Paraná, já agendou para a próxima segunda-feira (9), às 16h, a audiência de mediação entre a empresa e o SINDPD-PR – Sindicato dos Trabalhadores em Informática e Tecnologia da Informação no Paraná.

Por meio da assessoria jurídica do advogado de trabalhadores André Passos e da diretora da entidade Valquiria Lizete da Silva, foram apresentados ao procurador-chefe do MPT no Paraná, Dr. Ricardo Bruel da Silveira, os termos da denúncia, na qual o sindicato relata que parte dos demitidos move ação trabalhista por assédio moral e para pleitear o reenquadramento funcional e que até mesmo uma sentença favorável ao trabalhador recentemente foi apontada como motivo do rompimento brusco do contrato de trabalho. Antes do final do ano, eles foram comunicados do afastamento e da demissão que se efetivou no dia 2 de janeiro. Desde então, tiveram o acesso a seu local de trabalho e à rede interna de informática bloqueados. A truculência e o desrespeito causaram espanto na direção do SINDPD-PR e o clima dentro da empresa é de total insegurança diante das arbitrariedades que estão sendo aos poucos relatadas ao sindicato.

Autor de A Privataria Tucana em Curitiba dia 19/01 – debate com Amaury Ribeiro Jr

Do Paraná Blogs

Nota de Esclarecimento do SINDPD-PR (Sindicato dos trabalhadores da Celepar) sobre informações falsas veiculadas

O Sindicato dos Trabalhadores em Informática e Tecnologia da Informação do Paraná SINDPD-PR vem a público informar que é favorável a quaisquer formas de esclarecimento e fiscalização de atos que envolvam a classe trabalhadora, colocando-se à disposição para auxiliar e dirimir dúvidas. Confiamos plenamente no Poder Judiciário e no Ministério Público, órgãos aos quais recorremos sempre que frustradas todas as chances de resolução de conflito de maneira amigável. Porém não admitimos, de forma alguma, a utilização dessa prática para justificar irregularidades, atos ilícitos ou moralmente condenáveis. Estão sendo veiculadas na imprensa paranaense informações falsas e, no mínimo equivocadas, sobre a existência de uma indústria de ações trabalhistas impetradas contra a Celepar – Companhia de Informática do Paraná – (Blog do Zé Beto dia 5 de janeiro de 2012 postada às 10h50).

O sindicato é a ferramenta de organização da categoria que visa salvaguardar os direitos dos trabalhadores, zelar por melhores relações entre empresa e empregados no ambiente de trabalho e pela qualidade de vida. É por isso que toda e qualquer medida em defesa dos interesses da categoria, sejam elas individuais ou coletivas, movidas na Justiça por intermédio e assessoramento do escritório de advocacia Passos & Lunard, seguem as orientações da direção do SINDPD-PR. E se houve e há a necessidade dessa representação nas instâncias judiciais é porque esgotaram-se todas as possibilidades de solucionar nas instâncias administrativas os problemas que ferem os direitos dos trabalhadores. Antes de mover ações coletivas na Justiça trabalhista, o sindicato tem por hábito buscar o entendimento com a empresa e até mesmo a reconsideração de medidas autoritárias e injustificadas.

No caso específico das demissões arbitrárias ocorridas na Celepar na virada do ano,  o escritório do advogado de trabalhadores, André Passos, e a direção do SINDPD-PR buscaram primeiramente entrar em contato com a direção da empresa para esclarecer e reverter tais ações. Oficializamos o governador do Estado, solicitando a reversão das demissões e, finalmente, recorremos à mediação do Ministério Público do Trabalho (MPT) com o intuito de fazer com que a empresa reconsidere e volte atrás nessas demissões. O sindicato e sua assessoria jurídica também, por inúmeras vezes, já se colocaram à disposição da Celepar para debater e auxiliar na implantação de medidas que melhorem a política de gestão de recursos humanos da empresa pública.

É falsa a alegação de existência de uma suposta indústria de ações trabalhistas, o que existe, sim, é uma profunda inabilidade da empresa em evitar, contornar e não produzir conflitos. Se as decisões judiciais são favoráveis aos trabalhadores a culpa é toda da má gestão da Celepar e não dos trabalhadores, do sindicato e muito menos dos advogados destes. A entrada com a ação por si só não significa a condenação da empresa, mas se a Justiça Trabalhista dá ganho de causa aos trabalhadores e ao sindicato é porque ela entende que a razão está ao lado destes e que a empresa erra nas suas atitudes e na manutenção das irregularidades. Qualquer outra interpretação desse fato se configura em afronta e desrespeito ao Judiciário, às instituições democráticas e à cidadania.

É lamentável que, em vez de resolver da melhor maneira os problemas criados na relação com os trabalhadores, motivos das ações por assédio moral ou contra a disfunção em diversos setores, a direção da Celepar opte por se esconder atrás de falsas teorias conspiratórias e levante acusações infundadas para justificar o desrespeito aos direitos dos profissionais. A nota postada em blog jornalístico, em resposta à representação do sindicato em favor dos trabalhadores demitidos na virada do ano pela Celepar, atenta contra a dignidade dos trabalhadores, demonstra profundo desrespeito e contribui para aumentar ainda mais o clima de insegurança que se instalou na empresa, onde a truculência e a perseguição espalharam o medo e a preocupação entre todos.

A direção do SINDPD-PR

Curitiba-PR, 5 de janeiro de 2012.

Confira as ações do sindicato que motivaram acusações falsas:

Na virada do ano, Governo Beto Richa demite arbitrariamente trabalhadores na Celepar –http://www.sindpdpr.org.br/noticia/na-virada-do-ano-governo-beto-richa-demite-arbitrariamente-trabalhadores-na-celepar

Ministério Público do Trabalho agendou audiência de mediação entre demitidos e Celepar para o dia 9 – http://www.sindpdpr.org.br/noticia/ministerio-publico-do-trabalho-agendou-audiencia-mediacao-entre-demitidos-e-celepar-para-dia

E informações falsas, divulgadas na imprensa pela empresa:

Celepar faz auditoria e vai ao Ministério Público denunciar “indústria de ações trabalhistas” –  http://jornale.com.br/zebeto/2012/01/05/celepar-faz-auditoria-e-tambem-vai-ao-ministerio-publico/

Contatos: SINDPD-PR – (41) 3254-8330/(41) 9685-3313, com Marlene e (41) 9685-3312, com Valquíria.

Entrevista com o pré-candidato a prefeito de Curitiba Mauricinho Tucanus

Divulgo a entrevista que um importante meio de comunicação de Curitiba fez ao pré-candidato a prefeito de Curitiba, Mauricinho Tucanus:

O senhor prefere se ir para o trabalho de Ferrari ou Harley Davidson?

Então, tipo assim… Não gosto muito de trabalhar, aprendi isso com o papai e com o vovô. Uso minha Ferrari nos dias chuvosos e a Harley nos dias de sol.

O que o senhor costuma ler?

Não gosto muito de ler, vejo mais televisão, principalmente o BBB, o Manhattan Connection e o programa do Tucano Huck. Adoro o Diogo Mainardi. Mas leio a revista Veja e a Caras.

Como o senhor se define?

Não sou nem de esquerda, nem de centro, nem de direita.

Do que o senhor mais gosta na cidade?

Quando entro no elevador e ninguém me dá bom dia.

Do que menos gosta?

Do povão com dinheiro, quando invade os locais que costumo frequentar.

Qual o seu lugar favorito em Curitiba?

Minha cobertura no Batel.

E para o senhor, quem é o curitibano?

O meu clube.

E como definir Curitiba?

É o melhor restaurante da cidade, o Bar Curityba.

Do que o senhor sente falta quando está fora de Curitiba?

Do meu papai.

Existe algo que o senhor viu em outra cidade e que adaptaria a Curitiba?

Estátua da Liberdade e Torre Eiffel.

O curitibano é fechado?

O Clube Curitibano não fechou não, está aberto. Vou lá jogar golf.

Em qual época a cidade é mais bonita?

Não leio a Época, leio a Veja.

Alguma lembrança de infância?

Quando meu papai me deu o primeiro carro aos 12 anos.

Qual a sua praça favorita?

Nenhuma, todas são publicas. Posso citar a praça do meu condomínio?

Alguma feira que frequenta?

As feiras de carros, são as melhores.

Existe algum local pouco conhecido de Curitiba que o senhor indicaria a um amigo visitar?

Posso indicar ótimos restaurantes.

Existe um personagem histórico da cidade que o senhor admira?

Jaime Lerner.

E da atualidade?

Beto Richa.

Se um gênio da lâmpada concedesse um pedido para o senhor fazer uma única mudança em Curitiba, o que mudaria?

A transformaria em Nova York.

Alguma proposta de inovação para a cidade?

Transformar o Batel e o Ecoville em condomínios fechados.

Como melhorar o trânsito da cidade?

Proibindo pobres de terem carros.

É possível fazer ciclofaixas em toda a cidade?

Concordo com as ciclofaixas de final de semana do atual prefeito Luciano Ducci (PSB). Bicicleta é para diversão, e não para ir ao trabalho.

Qual meta social o senhor gostaria de atender?

Então, tipo assim… As colunas sociais dos grandes jornais poderiam aumentar né?.

O que mais o irrita no trânsito como motorista?

Detesto encontrar fuscas pela rua.

Qual a opinião do senhor sobre o metrô?

Vou instalar os trens da Disney aqui.

Lula ou FHC?

FHC, claro!

Qual sua opinião sobre o golpe de 1964?

Que golpe? A Veja disse que foi uma revolução gloriosa.

Quais suas principais propostas?

Pena de morte, redução da maioridade penal para 4 anos, fim do bolsa família, proibição da união estável entre homossexuais, obrigação do ensino religioso nas escolas públicas, privatização de tudo, fim dos concursos públicos e licitações.

Coxa ou Furacão?

Prefiro o São Paulo.

Praias do Paraná ou Santa Catarina?

Nunca fui, adoro Miami, onde há mais anticastristas no mundo.

Para turismo Foz do Iguaçu ou Rio de Janeiro?

Disney.

Um lugar que nunca iria?

Cuba, o Jornal Nacional e o pastor disse que lá é coisa do capeta.

Se eleito quem serão seus secretários?

Cassio Taniguchi, Fernando Francischini, Jair Bolsonaro, minha esposa, meu irmão, meu filho e toda a família do meu ídolo, Beto Richa.

Folha de S. Paulo: enquanto petista critica Ministro que privilegiou Pernambuco, Aécio e Beto Richa o afagam por interesses eleitorais

Bons companheiros

Painel da Folha de S. Paulo de hoje:

Pintou um clima

Chamou atenção do Planalto a prudência de tucanos alinhados a Aécio Neves nas considerações acerca da atuação de Fernando Bezerra (Integração Nacional), acusado de privilegiar Pernambuco, seu reduto eleitoral, no repasse de verbas para prevenção de enchentes em 2011. Apesar de Minas Gerais ter sido o Estado mais penalizado com as chuvas, nem mesmo Antonio Anastasia se aventurou a censurar o ministro.

O pacto de não agressão é interpretado nos bastidores como um afago do PSDB ao governador Eduardo Campos (PE), padrinho de Bezerra e próximo de Aécio, que trata o PSB como potencial aliado em 2014.

Pesos e medidas Poupado por Anastasia, Bezerra também foi elogiado por Beto Richa (PSDB), que o considerou “atencioso” com o Paraná. Coube a José Serra a crítica quase solitária ao “loteamento político” da pasta.

#prontofalei Do secretário de Comunicação do PT, André Vargas (PR), no Twitter: “Ministro que vira as costas ao país para privilegiar seu quintal deve ser contido. Na Integração, a história se repete e Dilma toma atitude”.

Charge: Alckmin comprova que discurso tucano da “eficiência” é mentiroso, ao entregar 422 casas sem condições

Hoje na Folha de S. Paulo

Prefeitura de Luciano Ducci proíbe que crianças brinquem na grama do Bosque do Alemão

Luciano Ducci, a companheira de Derosso que ele disse que não é sua esposa nem sua parente, e Derosso, o ex-quase-vice de Luciano Ducci

Moradores do Bosque Alemão estão proibidos de usar gramados do local

Do Blog da Joice Hasselmann

Moradores do entorno do Bosque do Alemão reclamam que foram proibidos por guardas municipais de usar os gramados do local para brincar com bolas e animais. O ouvinte Alfredo Ferreira mora na região e estava no parque com o cão dele, um cocker de 12 anos, quando foi abordado por um guarda e foi informado que aquele tipo de atividade era proibida. Pessoas que estavam com crianças, brincando com bolas também foram repreendidas. O nosso ouvinte enviou um e-mail para a rádio e questiona para que servem os parques, se não podem ser usados pelos moradores como forma de entretenimento. Entramos em contato com a prefeitura de Curitiba e o superintendente de obras e serviços, Sérgio Tóquio, afirma que a proibição de animais no bosque do alemão existe para evitar ataques, já que o lugar é composto por trilhas. Ele explica que os gramados do bosque do alemão não podem ser usados para brincadeiras com bolas e animais porque não é um parque de lazer e sim um bosque de preservação.

Silicone nos seios PIP: responsabilidade pode também ser do médico

Milhares de mulheres que colocaram próteses de silicone da marca francesa PIP (Poly Implants Protheses) estão muito preocupadas, uma vez que a empresa faliu e o que se tem notícia é que o silicone utilizado nas próteses não é adequado e pode vazar.

De quem é a responsabilidade por essa empresa fornecer próteses irregulares?

Em princípio a responsabilidade é da empresa PIP, mas a ANVISA, a empresa brasileira importadora e o próprio médico podem ser responsabilizados, dependendo se configurada a culpa dessas pessoas.

O problema é que, por questões que podem ser de corporativismo, entidades médicas na área plástica se contradizem. A Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps) diz que todas as próteses devem ser trocadas. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica diz que basta uma consulta com seu médico para a verificação se há ruptura, e questiona o alarde da entidade internacional.

Em que confiar? Que tal em ninguém!?

Temos o direito de desconfiar que a entidade internacional pode estar querendo que os médicos tenham ainda mais lucro ao trocarem as próteses. A entidade brasileira pode estar apenas querendo poupar os médicos brasileiros que se utilizaram da prótese da marca PIP.

O parágrafo 4º do artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90) dispõe o seguinte:

“A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada mediante verificação de culpa.”

Portanto, a responsabilidade do médico é subjetiva, depende de demonstração de culpa do médico.

O art. 951 do Código Civil diz ainda:

“o disposto nos arts. 948, 949, 950 aplica-se ainda no caso de indenização devida por aquele que, no exercício de atividade profissional, por negligência, imprudência ou imperícia, causar a morte do paciente, agravar-lhe o mal, causar-lhe lesão, ou inabilitá-lo para o trabalho”.

Mas em algumas situações o CDC permite a inversão do ônus da prova:

“Artigo 6 º São direitos básicos do consumidor”:

VIII – A facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiência.”

Note-se que o CDC, no artigo 25, aduz que “é vedada a estipulação contratual de cláusula que impossibilite, exonere ou atenue a obrigação de indenizar prevista nesta e nas Seções anteriores.” Ou seja, não é possível que o contrato firmado entre médico e paciente tente desresponsabilizar o médico de qualquer dano culposo. O artigo 51 do CDC determina que “são nulas de pleno direito, entre outras, as clausulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços que impossibilitem, exonerem ou atenuem a responsabilidade do fornecedor por vícios de qualquer natureza dos produtos e serviços ou impliquem renúncia ou disposição de direitos.”

Na realização de cirurgia plástica cuja finalidade é estética ao médico é imputado o dever de sucesso, obrigação de resultado na operação.

O problema é que segundo o médico cirurgião plástico Marcelo Moreira, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, a PIP era uma prótese bem mais barata que a média do mercado. Enquanto o preço de uma prótese gira em torno de R$ 1.800, as da PIP custavam cerca de R$ 1.000. A qualidade do material também era, segundo ele, “visivelmente pior”: “Eu nunca usei essa marca porque só de pegar na mão você via que era mais frágil”, afirma Moreira. Normalmente, as próteses têm três camadas de silicone texturizado para proteger o gel que fica dentro de escapar para o organismo. No caso da PIP, era apenas uma camada (fonte G1).

Se o que esse médico diz for verídico, os médicos que colocaram próteses da marca PIP em suas pacientes são culpados e devem ser responsabilizados, inclusive com indenizações por possíveis danos estéticos e morais em suas pacientes.

Todos os dias sabemos de denúncias que alguns médicos recebem benefícios de empresas farmacêuticas e de equipamentos hospitalares para receitarem ou utilizarem determinadas marcas. Viagens turísticas com tudo pago, eventos gratuitos em paraísos turísticos, são alguns exemplos do que determinadas empresas são capazes para que os médicos ajudem na lucratividade das fornecedoras. Quem garante que a PIP não fez isso com alguns médicos, para que esses utilizassem suas próteses nas cirurgias?

As pessoas que colocaram próteses da marca PIP e que decidam trocar de prótese não podem ser responsabilizadas em arcar com os custos dessa operação. Que lutem por seus direitos!

Tarso Cabral Violin – professor de Direito Administrativo da Universidade Positivo, advogado do Bueno & Grande Advogados Asssociados

Governo Beto Richa não entende nada de Administração Pública

Durval Amaral, secretário de Beto Richa, que quer ser o próximo conselheiro do TC, o neoliberal Beto Richa e seu secretário Cassio Taniguchi, o mentor das privatizações.

Beto Richa, o PSDB, seu secretário de planejamento Cassio Taniguchi do DEMO (ex-ARENA, ex-PDS, ex-PFL) e a grande maioria dos membros do seu governo não entendem nada de Administração Pública.

Falta um médico no hospital público? Por que não faz gestão e penaliza o profissional? Não, nosso governador prefere privatizar o hospital para uma organização social – OS.

Fazer concurso público demora muito? Não tem problema! Para o nosso governador é simples: terceiriza o serviço para uma empresa privada, mesmo sendo uma atividade-fim, como ele está fazendo em alguns serviços da Companhia de Informática do Paraná.

Um servidor público incomoda ao tentar garantir seus direitos trabalhistas no Poder Judiciário? Não tem problema, o governo Beto Richa simplesmente demite o trabalhador, mesmo ele sendo concursado, como ele fez agora, na passagem do ano, com servidores da Celepar.

No concurso público podem ser aprovadas pessoas que não são neoliberais, conservadores ou privatizantes como o governador carlos Alberto? Não tem problema, demita servidores concursados e contrate assessores sem concurso público, que não entendem nada de Administração Pública mas apoiaram o governador nas eleições (como ele também está fazendo na Celepar).

Os aspones de Beto Richa não entendem nada de Direito Administrativo, de Direito Constitucional, de Direito Público. No máximo entendem alguma coisa sobre como funciona uma empresa privada. Não sabem que nossa Constituição obriga que o governante siga o regime jurídico-administrativo, que dá poderes e deveres ao administrador público. Ou não entendem nada ou são tão puxa-saco que não têm coragem em questionar as ordens absurdas do governador ou do secretário de planejamento e presidente do Conselho de Administração da Celepar, Cassio Taniguchi, que foi secretário de José Arruda no DF (escorraçado do governo) e ex-prefeito de Curitiba que criou o ICI. para alguns Taniguchi é que está governando o Paraná, enquanto Beto Richa pilota Ferraris e sua Harley Davidson.