Entrevista exclusiva com Rafael Greca, pré-candidato a prefeito de Curitiba pelo PMDB

Rafael Greca, pré-candidato a prefeito de Curitiba pelo PMDB

Na entrevista exclusiva para o Blog do Tarso, por e-mail, Rafael Greca preferiu não dizer se é de esquerda, centro ou direita, pois é um “humanista”. Deixou claro que o presidente do Plano Real foi Itamar Franco e seu Ministro Rubens Recupero. Alertou que Cassio Taniguchi (DEMO), Beto Richa (PSDB) e Luciano Ducci (PSB) não fizerem nenhuma obra importante e que a Linha Verde não vale porque ainda não terminou e nem foi projeto deles. Denunciou que a excessiva terceirização dessas gestões engessou o Município, que perdeu em ousadia, coragem, eficiência e inovação, e que a cidade e a Câmara Municipal estão dominadas por interesses espúrios. Criticou as terceirização, que fazem o prefeito perder poder, que passa a ser um pagador de contas e a cada dia manda menos e paga mais.

Rafael Greca de Macedo nasceu em Curitiba, em 17 de março de 1956. É filho de Terezinha Greca de Macedo e do engenheiro Eurico Dacheux de Macedo e casado com a jornalista Margarita Pericás Sansone. É formado em Economia e Engenharia, com especialização em urbanismo. Membro concursado do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba. Vereador, Deputado Estadual constituinte, Prefeito de Curitiba, Deputado Federal mais votado do Brasil, Ministro de Estado do Esporte e Turismo. Recebeu inúmeras condecorações e prêmios internacionais. Entre os mais significativos, o “Prêmio Mundial do Habitat 1996”, ou “World Habitat Award 1996”, da Organização das Nações Unidas, pelo conjunto de sua obra humanitária. Escritor, poeta, editor e pesquisador da História, membro da Academia Paranaense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná. Presidiu a Companhia de Habitação do Paraná entre 2007 e abril de 2010, quando assumiu mandato de deputado estadual. Seu site é o www.rafaelgreca.org.br.

Blog do Tarso: Como foi sua carreira política até ser prefeito de Curitiba?

Rafael Greca: Ainda no colégio Medianeira liderei a mobilização pela FIEL – Feira Intercolegial e Estudantil do Livro, que acontecia todo maio na praça Osório. Na Universidade Federal do Paraná fundei o jornal O Pêndulo, da escola de Engenharia, depois apoiado pelo DCE. Organizei o primeiro encontro pós-ditadura de Jornais Universitários do Brasil. Criei , com apoio da sociedade curitibana, a Festa da Igreja da Ordem, para mobilizar a comunidade em torno de causas culturais e humanitárias.

Vereador, eleito em 1982, participei da campanha das Diretas Já, liderei a bancada Pró-Cidade contra os vereadores “na gaveta“ do transporte coletivo de Curitiba. Combati a tentativa de privatizarem a rede municipal de ensino. Criei um curso de urbanismo para meus colegas de Câmara entenderem a cidade que diziam representar. Promovia a despoluição visual da rua XV e do centro histórico, com a Fundação Roberto Marinho.

Fui aprovado engenheiro do IPPUC, em primeiro lugar no concurso público de 1990.

Deputado Estadual , orgulho-me de ter lutado ao lado do Magistério, mandando abrir os portões da Assembléia para salvar das bombas os professores reprimidos a 30 de agosto de 1988. Constituinte Estadual,relatei o capítulo Da Ordem Econômica e Social da atual Constituição do Paraná (1989) e dei-lhe a redação final.

Fui provedor da Casa dos Pobres São João Batista – albergue, casa de apoio para doentes vindos do interior, e creche -mantendo-as com as famosas e animadas Festas da Ordem, no centro histórico de Curitiba.

Então deputado pelo PDT, liderei no Paraná o Movimento Nacional Leonel Brizola, ocasião em que convivi e conheci grandes brasileiros, o professor Darcy Ribeiro , o poeta Thiago de Mello, os deputados Brandão Monteiro, Bocayúva Cunha, Doutel de Andrade, Márcio Moreira Alves, os irmãos Villas Boas, Ziraldo, Millôr e a turma do Pasquim.

E depois da eleição a Prefeito, como foi sua trajetória?

Prefeito dos 300 anos de Curitiba (1993-1996), pude realizar 6.600 novas obras, além da usual conservação da cidade, em 4 anos. Não tive direito a reeleição, então proibida no Brasil.

Tive a alegria de criar e implantar – com a valorosa equipe da Prefeitura Municipal de Curitiba – programas depois imitados nacionalmente e no exterior:

Faróis do Saber (55) – primeiras bibliotecas de bairro, com  módulos de segurança e lan houses públicas do Brasil.

Ruas de Cidadania (8) – sedes regionais da Prefeitura, com biblioteca de 15 mil livros, centro de saúde 24 Horas, Armazém de Família e serviço de Advogados do Povo, pioneiros no Brasil.

O primeiro Restaurante de R$ 1 do Brasil.

A rede Farmácias Curitibanas, as primeiras farmácias básicas com 80 genéricos gratuitos do país, inaugurada, em 1994, pelo ministro da saúde Jamil Hadad.

E ainda, o projeto Carrinheiro Cidadão, Tudo Limpo – mutirões de ação social – Nascer em Curitiba Vale a Vida (1993) – depois chamado Mãe Curitibana (1999), rede de 10 Postos de Saúde 24 Horas e 105 postinhos de saúde 12 Horas, Hospital Amigo da Criança (no Bairro Novo), Pousada de Maria – para mulheres vítimas ou ameaçadas de violência, Vale Vovó/ SOS Idoso – programa pioneiro de renda mínima no BR. Implantei a central de marcação de consultas e internamento hospitalar por telefone e computador – no meu tempo funcionava.

Fiz asfaltar os 3 anéis de ônibus interbairros. Pude comprar 99 ônibus bi-articulados, levei a rede municipal integrada de transportes a todas as cidades metropolitanas vizinhas a Curitiba.

Dos 20 parques da cidade fiz 11 deles – Tanguá, Tingui, Bosque Ucraniano, Bosque Alemão, Bosque Italiano, Bosque de Portugal, Bosque da Fazendinha, Mané Garrincha, Parque dos Tropeiros, Parque do Semeador, Bosque do Trabalhador. Na verdade, fiz 12, pois já havia criado, na gestão Lerner, em 1980, o Bosque do Papa, como mentor intelectual da obra municipal.

Canalizei, draguei e drenei a maioria dos rios de Curitiba, enterrando obras que não aparecem mas são essenciais para o bom funcionamento da cidade.

Instalei o palco da Pedreira Paulo Leminski, aberta aos grandes espetáculos de José Carreras, Roberto Carlos, Ana Botafogo, Arthur Moreira Lima e Sinfônica Brasileira, Gilberto Gil e Caetano Veloso, Paul McCartney, em eventos de ingressos trocados por lixo reciclável.

Criei a Linha Turismo, com os primeiros ônibus urbanos do país, quiçá do mundo, movidos a bio-combustível, Isto trouxe a Curitiba o senador Timothy Wirthy secretário de Meio Ambiente dos EUA e me levou a falar no circuito universitário da costa leste daquele país, o MIT – Massachusets Institut of Tecnologhy incluído.

Trouxe para Curitiba o Prêmio Mundial do Habitat de 1996. 

Deputado Federal mais votado do Brasil em 1998, fui convidado a ser Ministro de Esporte e Turismo do Brasil e Ministro presidente do comitê ministerial bi-nacional dos 500 anos do Brasil pelo presidente Fernando Henrique Cardoso.

Deputado Estadual presidi as comemorações dos 150 anos do Paraná, em 2003, ocasião em que lancei o programa Bibliotecas Cidadãs, e fiz editar a coleção Páginas Escolhidas – síntese da identidade paranaense em 5 volumes.

Secretário de Estado da Habitação, presidi a Cohapar , viabilizando 32 mil novas moradias, das quais 5500 pelo PAC da Habitação nas áreas de risco dos mananciais de água de Curitiba. Ganhamos 3 vezes o Prêmio Nacional de Habitação pelos melhores projetos entre todas as Cohabs do Brasil.

O senhor se considera de direita, de centro ou de esquerda?

Sou humanista. Adepto das idéias de Heráclito de Éfeso: você pode olhar diversas vezes um mesmo rio, nunca é a mesma água que você vê. Toda visão depende desde onde você olha.

Gosto também do pensamento lúcido da filósofa Hanna Arendt: o poder é uma fatia de cebola percorrida em sentido horário. Quando você está fora dele, todos estão à sua direita, ninguém à sua esquerda. Quando você chega ao núcleo, ninguém está à sua direita, todos estão à sua esquerda.

O senhor foi Ministro de FHC e hoje seu atual partido foi e é da base de apoio dos governos Lula e Dilma. Quem foi melhor no governo federal, PT ou PSDB?

Assim como não se apita um jogo de futebol por vídeo-tape, não se pode comparar dois diferentes momentos da história nacional e da conjuntura econômica e política mundial que a influencia.

Cada momento é único.

O Brasil aplaudiu o fim da inflação e o plano Real – criado pelo Itamar Franco e seu genial ministro Rubens Ricúpero, que tive a honra de receber em Curitiba quando prefeito. Levei-o passear de bi-articulado até o Boqueirão, o povo o aplaudia agradecido.

O presidente Fernando Henrique sancionou a Lei de Responsabilidade Fiscal e o Estatuto das Cidades. Perdeu-se em não capitalizar o estado com os dividendos econômicos das privatizações. Razão pela qual sofre as atuais acusações deprivataria.

O presidente Lula, grande comunicador, mexeu com as estruturas sociais do país, devolvendo protagonismo ao Governo Federal sem brigar com as classes dominantes, banqueiros e grandes empresários. Surfou com competência e simpatia sobre a onda adversa do Mensalão. Escolheu o melhor para o Brasil, na pessoa da Dilma, com quem tive a honra de trabalhar enquanto – presidente da Cohapar – coordenei o PAC de Habitação no Paraná.

Jaime Lerner ou Roberto Requião?

Ambos pertencem à história de Curitiba e do Paraná. Juntos somam 15 anos de gestão municipal e 20 anos de gestão estadual.  Tive a ventura, de trabalhar com os dois.

Eles me conhecem, sabem de minhas qualidades e defeitos. Quem não os tem? Ambos me escolheram seu candidato a prefeito de Curitiba, em momentos diferentes. Isto me honra.

Ambos sabem que o que me qualifica a ser pré-candidato a prefeito é meu amor pela nossa terra e nossa gente.

Quais suas criticas as gestões posteriores a sua na Prefeitura de Curitiba?

Diga você, rápidamente, uma obra importante depois que eu saí da Prefeitura?

A Linha Verde não vale, porque ainda não terminou. Nem foi projeto deles.

A excessiva terceirização engessou a nossa competente Prefeitura, que perdeu em ousadia, coragem, eficiência e inovação. Hoje a cidade, com a Câmara Municipal dominada por interesses espúrios, está esmagada por interesses alheios à nossa  história.

Qual sua opinião sobre as privatizações via Organizações Sociais – OS e a da Maratona de Curitiba? Vai manter o ICI se eleito?

Terceirização faz o prefeito perder poder. Passa a ser um pagador de contas. Cada dia manda menos e paga mais. Ontem, fui ao Bosque Ucraniano. Até o museu de pêssankas – ovos de Páscoa pintados a mão – é terceirizado. Do 156 aos Museus, passando pelas Maratonas, Viradas Culturais, Natal, Transporte Coletivo tudo é terceirizado. 20 % mais caro, no mínimo.

Isto significa que a Cidade perde e alguém embolsa.

O que o senhor acha do partido do prefeito Luciano Ducci (PSB) em Curitiba, que mesmo com o nome “socialista” pratica uma política conservadora?

Embora reconheça o valor do ideal de igualdade de oportunidades para todos, não conheço este PSB.

Os moradores de Curitiba costumam votar nos candidatos da situação. O senhor imagina por que isso acontece?

Nas últimas 4 eleições municipais os candidatos de oposição não discutiram a cidade. Ninguém pode amar – ou defender – o que não conhece. Sobraram à situação deitar-se – descansada – sobre os louros conquistados em outras gestões anteriores.

Repito a pergunta: diga rápidamente uma obra importante depois que deixei a Prefeitura? E repito a resposta:A Linha Verde não vale, porque ainda não terminou. Nem foi projeto deles.

Quem é seu vice ideal? O senhor esta conversando com quais partidos?

Fui ao congresso municipal do PC do B. Fui à sede do PV. Conversei com o pessoal do novo partido Pátria Livre. Conversei com os históricos do PDT, com o líder do PT no Congresso Nacional. E , é claro, com os líderes nacionais do meu partido, desde 2003, o nosso PMDB. Sempre muito bem recebido

O PMDB do Paraná sempre esteve mais a esquerda do Nacional, em decorrência do Requião. O partido está em crise, já que quase todos os seus deputados estaduais abraçaram o governo neoliberal de Beto Richa? E o Municipal?

Você refere episódios superados. No ano novo já recebi bons sinais do líder Caíto Quintana. Logo teremos novidades. O presidente Waldir Pugliesi foi a todas as plenárias que confirmaram minha pré-candidatura. Presidiu a eleição do Diretório Municipal de Curitiba que consagrou nossa chapa Requião/Greca. Vencemos a convenção municipal com cerca de 807 votantes, 799 votos a favor. Isto num domingo de sol, em julho de 2011, sem mídia, sem máquina, sem comida, sem holerite do pessoal militante da folha, só no ideal. O partido está renovado, tem quadros qualificados, é muito jovem, usa twitter, facebook. Anda de bicicleta, ouve rock e pagode. Mas o importante é que não perdeu sua alma. É apaixonado por Curitiba e pelo bem que a cidade merece.

As classes A e B de Curitiba são privilegiadas. Quais suas principais propostas para a classe D e E? O senhor conhece a periferia atual de Curitiba?

O prefeito serve a todos, sem distinção de classe social. A cidade só melhora quando suas inovações não são de mercado, mas no campo social.

Um Restaurante de R$ 1 serve a todos porque amplia oportunidades, evita necessidade de pedir esmolas, alivia o conflito social.

Se um programa social da F.A.S. (Fundação de Ação Social ) remove populações de rua, aliviando o risco social de pessoas excluídas – por exemplo, na cracolândia que virou nosso centro, os moradores mais ricos, sejam contribuintes do Centro, do Jardim Social, do Batel, ou do Jardim Los Angeles também ganham com isso.

Em ordem inversa. Na gestão Richa/Ducci morreram afogados por ausência de uma política correta de drenagem e dragagem dos rios tanto moradores muito pobres, cidadãos excluídos – que tiveram suas casas arrastadas de favelas beira rio – como um jovem casal da família Baggio que, com seu carrão, foi tragado pelo aluvião do rio Barigui, na ponte da rua Eduardo Sprada, junto aos condomínios de luxo que chamam  de Ecoville.

Nunca me afastei de Curitiba. Na Cohapar fiz um amplo estudo da sub-habitação na nossa amada capital e região. Conheço as quebradas do Tatuquara à Cachoeira, as ocupações beira-rio que não existiam há 15 anos quando fui prefeito, a favela junto aos muros do Ceasa, os mocós do centro histórico – cracolândia em construção. E as ocupações metropolitanas, em Pinhais, Campo Magro, Tamandaré, São José, Piraquara. Há muito serviço a ser feito.

Por isso, num programa de 15 intervenções inovadoras – já em elaboração – nossa principal proposta é uma Prefeitura cuidadora das pessoas, preocupada com as pessoas.

Um país rico é um Brasil sem miséria. Uma cidade verdadeiramente rica é aquela que se importa com as pessoas. Todas as pessoas.  Repito, a cidade só melhora quando a inovação é social, não é de mercado.

Quero agradecer a oportunidade. Proponho que na próxima entrevista você me pergunte sobre idéias de futuro. A conquista da Prefeitura mais do que um trampolim político é ocasião de expor idéias, inovar, ousar, com a coragem daqueles capazes de escrever uma nova história.

Informo que organizarei neste primeiro semestre um debate entre os pré-candidatos na Universidade Positivo, onde será possível a discussão do futuro de Curitiba. Obrigado pela entrevista e boa sorte!

Nos próximos dias entrevista com outro pré-candidato a prefeito de Curitiba. Aguardem!

Blog do Tarso começa série de entrevistas com os pré-candidatos a prefeito de Curitiba

Rafael Greca, ex-prefeito de Curitiba

Não. O Blog do Tarso não está imitando a série de entrevistas da Gazeta do Povo. A idéia da série de entrevistas do Blog do Tarso com os pré-candidatos a prefeito de Curitiba surgiu há dois meses. O problema é que dois pré-candidatos, que por enquanto não divulgarei os nomes, concordaram em participar das entrevistas por e-mail mas, no momento em que chegaram as perguntas, eles não retornaram mais ao Blog com as respostas. O primeiro entrevistado é o pré-candidato do PMDB e ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca, que é leitor do Blog do Tarso e se prontificou na mesma hora em participar da entrevista, que será divulgada no próximo post.

Governo Beto Richa demite servidores concursados da Celepar por eles buscarem seus direitos na Justiça

Diretor-Presidente da Celepar, Jacson Carvalho Leite (ao centro), e o governador neoiliberal Beto Richa

Presente de Natal

Na virada do ano, Governo Beto Richa demite arbitrariamente trabalhadores na Celepar

Demitidos denunciam perseguição na empresa, uma vez que parte deles move ação trabalhista por reenquadramento e assédio moral

Curitiba, PR (4/01/2012) – Reunidos na tarde desta quarta-feira (4) na sede do SINDPD-PR – Sindicato dos Trabalhadores em Informática e Tecnologia da Informação no Paraná -, trabalhadores demitidos da Celepar (Companhia de Informática do Paraná) sem justa causa denunciam perseguição do governo. Parte desses funcionários públicos move ação trabalhista contra a empresa por assédio moral ou visando o reenquadramento funcional e até uma sentença recente, favorável ao trabalhador, foi alegada como motivo do rompimento do contrato de trabalho.

Presente de Natal – Antes do final do ano, os trabalhadores foram comunicados da demissão que se efetivou na última segunda-feira (2) e, desde então, tiveram seu acesso ao local de trabalho, ao prédio, ao computador para retirada de informações pessoais e à rede interna de informática bloqueados. Há insegurança também com relação à manutenção de benefícios, como plano de saúde, durante o período de cumprimento do aviso prévio. Os trabalhadores foram surpreendidos com a decisão arbitrária da empresa, que estragou a virada do ano deles e de suas famílias. Um desses funcionários, que desenvolveu e implantou um sistema inovador na gestão de contas públicas, chegou a ser homenageado publicamente há pouco tempo e recebeu diversos elogios da Secretaria de Planejamento do estado. Por meio da assessoria jurídica do sindicato, os demitidos sem justa causa vão solicitar ao governo que reconsidere essa atitude. “Nunca antes na história da Celepar tínhamos visto uma atitude tão truculenta e desrespeitosa. O clima de final de ano na empresa pública foi marcado pelo terror e pela insegurança, uma vez que além dos quatro trabalhadores que já procuraram o sindicato, temos notícias de que há mais pessoas na mesma situação”, informou a diretora administrativa do SINDPD-PR, Marlene Fátima da Silva.

O sindicato dos trabalhadores da Celepar repudia veementemente essa atitude e está movendo denúncia junto ao Ministério Público do Trabalho, na qual pede a apuração dos fatos relacionados às demissões arbitrárias. Também ingressa paralelamente com medidas coletivas, questionando a legalidade dos atos da empresa e a descriminação. “Estamos ainda oficiando o governador Beto Richa a respeito dessas demissões e pedindo a reconsideração delas, uma vez que tal postura fere totalmente a tradição das relações trabalhistas construídas na empresa”, acrescentou a diretora do SINDPD-PR.

Insegurança nos concursos – Grande parte dos demitidos na Celepar na virada do ano têm entre cinco e sete anos de serviço, mas há quem, com menos tempo de empresa, também esteja nessa leva de demissões. “Paira uma tremenda insegurança com relação aos concursos e à fila que passou a andar mais rapidamente com a troca do governo. As pessoas começam a planejar suas carreiras e suas vidas e são demitidas sumariamente sem nenhuma justificativa plausível, isso não está certo”, critica o advogado André Passos. A diretora de informática do sindicato, Valquíria Lizete da Silva, e o advogado André Passos, que apresentaram a denúncia no Ministério Público do Trabalho nesta tarde também comunicaram o procurador-chefe do MPT, Dr. Ricardo Bruel, dessa ação contra as demissões arbitrárias na Celepar e pediram providências.

Jornalista: Thea Tavares (MTb 3207-PR)

Contatos: SINDPD-PR – (41) 3254-8330 / (41) 9685-3313, com Marlene e (41) 9685-3312, com Valquíria.

Veja a entrevista com o pré-candidato a prefeito Doutor Rosinha (PT) na Gazeta do Povo

Veja a entrevista, clique aqui.

Charge: 8 anos de “eficiência” e “choque de gestão” de Aécio Neves não resolveram inundações das Minas Gerais

Hoje na Gazeta do Povo

Luciano Ducci abandonou academia ao ar livre do parque Tingui

Academia ao ar livre do Tingui está abandonada

Por Joice Hasselmann (Blog da Joice)

A academia da terceira idade do parque Tingui, que fica ao ar livre, está abandonada. Sem manutenção, diversos aparelhos estão com problemas. Há pedais quebrados, peças enferrujadas e outras emperradas. Quem frequenta o parque todas as semanas reclama da situação. A agente de saúde Cíntia dos Santos mora próximo ao Tingui e afirma que é impossível fazer exercícios físicos na academia. Por causa da situação, muitas pessoas vão até o local e desistem de usar os aparelhos. A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Curitiba que informou por meio da assessoria de imprensa que foi feita uma licitação para a compra de novos equipamentos. Eles devem ser instalados em breve e vão substituir os atuais.

Colunista da Gazeta do Gazeta do Povo diz que Beto Richa ainda não começou a governar depois de 25% do mandato

Agora só falta Richa começar a governar

Hoje na Gazeta do Povo

Por Celso Nascimento | CELSO@GAZETADOPOVO.COM.BR

Este 3 de janeiro de 2012 marca o 367.º dia da administração Beto Richa. O que significa que já cumpriu 25% do mandato que assumiu no primeiro dia do ano passado. Diante disso, a pergunta que se faz é: ele já teria cumprido 25% das realizações que prometeu durante a campanha? A resposta seria um solene e peremptório “não” se a indagação fosse feita por um simplório que quisesse aquilatar a qualidade de um governo pela contagem de tijolos que empilhou ou pelos quilômetros de asfalto que espalhou.

Não é bem assim. O primeiro ano de um governo, seja ele qual for – mas principalmente para aqueles que se propuseram a representar uma ruptura com o passado, caso de Beto Richa – costuma ser tomado por medidas preparatórias necessárias à viabilização do projeto administrativo e que a maioria do eleitorado aprovou. É o que se chama de “arrumar a casa”. Diante disso, como nesse primeiro quarto de mandato quase não há obras visíveis a contabilizar, espera-se que o tempo tenha sido consumido na preparação.

Ano dedicado a “arrumar a casa”

Assim, imagina-se, por exemplo, que as finanças tenham sido sa­­­nea­­­das (embora o Tribunal de Contas tenha atestado que Requião e Pessuti as deixaram em ordem) e que se tenham concluído as condições essenciais para a inauguração da nova era de paz e prosperidade prometida na campanha. Re­­conheça-se, nesse sentido, que, ao menos em parte, tais condições foram de fato alcançadas, dentre as quais o restabelecimento do diálogo com setores vítimas, no governo anterior, de conflituosa convivência.

No campo institucional e legislativo, criaram-se instrumentos que, embora potencialmente representem perigosíssimo terreno para desvios e para a perda do poder de intervenção do Estado, em tese podem ser úteis para melhorar a gestão de alguns serviços públicos capengas – caso da abertura à participação de organizações sociais (OS) na gestão pública. Mas é bom recordar que os escândalos que derrubaram seis ministros de Dilma Rousseff envolviam ONGs, o que significa que este sistema não garante nem a eficiência nem a higidez pretendidas.

Outra medida legislativa que promove a participação privada na administração pública – o que explica o viés privatista de que o governo Richa é acusado – foi a aprovação da lei que permitirá ao governo firmar PPPs (parcerias público-privadas) para a realização de obras de alto custo ou delegação da gestão de serviços públicos. Essa modalidade ensejará, por exemplo, a construção de estradas e sua exploração por empresas privadas mediante cobrança de pedágio.

No campo financeiro, o primeiro ano do governo também registrou a autorização para que o Paraná contrate empréstimos da ordem de R$ 350 milhões junto a organismos internacionais – recursos extras que Richa pretende aplicar sobretudo em projetos de desenvolvimento das regiões social e economicamente mais deprimidas do estado.

Na área política, Richa criou condições para não ser incomodado com votações desfavoráveis na Assembleia Legislativa. Além da maioria que já detinha desde a eleição, quando os partidos que o apoiaram já eram suficientes para sufocar a oposição, a bancada do PMDB – que antes prestava serviços a Requião – também lhe caiu no colo. Quase de graça. Hoje, dos 54 deputados, apenas oito não são de sua base. O que significa que todas as matérias de interesse do governo serão sempre aprovadas. Exemplo marcante do poder de fogo que detém sobre o Legislativo foi a recente aprovação pelos deputados do tarifaço do Detran, com elevações que chegaram a 276%.

Preparativos prontos, vamos às promessas

Feito este balanço do primeiro ano da administração, a população passa claramente a ter o direito legítimo de cobrar do governo o que não lhe foi dado de concreto até agora. Querem ver alguns exemplos de promessas de campanha que, a partir deste 2012, não encontrarão muitas desculpas para não ser cumpridas?

• Negociar com as concessionárias de pedágio o barateamento das tarifas e antecipação de obras.

• Reduzir os alarmantes índices de criminalidade, contratando mais policiais civis e militares, construindo presídios e eliminando a superlotação das cadeias; modernizando a polícia científica e cumprindo a lei que melhora os salários dos policiais…

• Equipar, contratar pessoal e fazer funcionar plenamente os hospitais públicos regionais.

• Modernizar e manter dragados os portos de Paranaguá e Antonina; ampliar a infraestrutura de estradas, aeroportos e energia.

• Dar o aumento real de 26% aos professores.

Se nos três anos que ainda tem de governo Beto Richa cumprir somente as promessas acima já terá justificado boa parte dos votos que o elegeram em 2010.

Há 114 anos nascia Luís Carlos Prestes, o Cavaleiro da Esperança

Luís Carlos Prestes nasceu em 3 de janeiro de 1898, em Porto Alegre. O chamado Cavaleiro da Esperança foi o líder da revolucionária Coluna Prestes, que percorreu durante mais de dois anos cerca de 25.000 km do Brasil. Também foi líder do partidão, o Partido Comunista do Brasil – PCB, chegando a ser Senador. Foi companheiro de Olga Benário, morta pelos nazistas na Alemanha, após ser presa junto com Prestes depois da Intentona Comunista contra Getúlio Vargas. Com o golpe de 1964 e a ditadura militar exilou-se na União Soviética. Com a anistia voltou ao Brasil e apoiou Leonel Brizola para presidente em 1989. Faleceu em 1990 no Rio de Janeiro.

Ricardo Boechat da Band confirma que houve privataria do PSDB relatada no livro “A Privataria Tucana”

Divulgado pelo Conversa Afiada do Paulo Henrique Amorim e Blog da Dilma:

Ministra de Direitos Humanos Maria do Rosário é personagem de 2011 segundo maior jornal espanhol

A ministra Maria do Rosário (PT), da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, foi eleita uma das 100 personalidades do ano pelo “El País”, o maior jornal da Espanha. Rosário é a única brasileira da lista, lembrada por seu ímpeto na investigação dos crimes da ditadura militar. O perfil da Ministra foi assinado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva:

“Ao longo desses anos, Maria constituiu uma sólida carreira parlamentar sempre muito dedicada a causas nobres: os direitos humanos para todas as pessoas, em especial as mais necessitadas. Seu foco na defesa dos direitos da criança e do adolescente e contra todas as formas de discriminação fez dela uma parlamentar com atuação de destaque”.

Vanhoni não é pré-candidato a prefeito de Curitiba. Talvez a vice

O deputado federal Angelo Vanhoni (PT) não é pré-candidato a prefeito de Curitiba. O relator do Plano Nacional de Educação na Câmara dos Deputados, segundo a Gazeta do Povo de hoje, quase não concedeu entrevista ao jornal como pré-candidato pois estava “muito envolvido com o projeto e a cabeça longe das discussões locais”, e falou apenas depois de alguma insistência da reportagem.

Com isso verificamos que Vanhoni não será candidato a prefeito de 2012 pelo PT. As duas candidaturas do PT postas são dos deputados Tadeu Veneri e Doutor Rosinha. A tendência de Vanhoni no PT defende aliança já no primeiro turno com Gustavo Fruet (PDT).

Talvez Vanhoni coloque seu nome como vice de Fruet, caso a tese vencedora do PT seja a de não ter candidato próprio.

Decreto 7.661/2011 – Aprova o Estatuto Social da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – EBSERH

DECRETO Nº 7.661, DE 28 DE DEZEMBRO DE 2011.

Aprova o Estatuto Social da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares -EBSERH, e dá outras providências.

A PRESIDENTA DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista o disposto na Lei no 12.550, de 15 de dezembro de 2011,

DECRETA: 

Art. 1o  Fica aprovado o Estatuto Social da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – EBSERH, nos termos do Anexo, empresa pública federal, unipessoal, vinculada ao Ministério da Educação.

Art. 2o  A constituição inicial do capital social da EBSERH será de R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais), a ser integralizado pela União.

Art. 3o  O disposto no art. 1o, inciso II do caput, do Decreto no 757, de 19 de fevereiro de 1993, não se aplica à EBSERH.

Art. 4o  Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 28 de dezembro de 2011; 190o da Independência e 123o da República.

DILMA ROUSSEFF
José Henrique Paim Fernandes
Alexandre Rocha Santos Padilha
Miriam Belchior

Este texto não substitui o publicado no DOU de 29.12.2011

ANEXO 

ESTATUTO SOCIAL DA EMPRESA BRASILEIRA DE SERVIÇOS

 HOSPITALARES S.A. – EBSERH

CAPÍTULO I

DA NATUREZA, FINALIDADE, SEDE E DURAÇÃO 

Art. 1o  A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – EBSERH, empresa pública dotada de personalidade jurídica de direito privado e patrimônio próprio, reger-se-á pelo presente Estatuto Social e pelas disposições legais que lhe forem aplicáveis.

Parágrafo único.  A EBSERH fica sujeita à supervisão do Ministro de Estado da Educação.

Art. 2o  A EBSERH tem sede e foro em Brasília, Distrito Federal, e atuação em todo o território nacional, podendo criar subsidiárias, sucursais, filiais ou escritórios e representações no país.

Art. 3o  A EBSERH terá por finalidade a prestação de serviços gratuitos de assistência médico-hospitalar, ambulatorial e de apoio diagnóstico e terapêutico à comunidade, assim como a prestação às instituições públicas federais de ensino ou instituições congêneres de serviços de apoio ao ensino, à pesquisa e à extensão, ao ensino-aprendizagem e à formação de pessoas no campo da saúde pública, observada, nos termos do art. 207 da Constituição, a autonomia universitária.

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Livro recomendado: “Teatro inexperto em 2 peças quase distópicas”, de Clèmerson Merlin Clève

Recomendo o livro “Teatro inexperto em 2 peças quase distópicas”, que recebi do professor Clèmerson Merlin Clève, editora Artes & Textos. Em especial a segunda peça “Razão de Estado”, uma crítica ao positivismo racional, tratando de justiça e revolução. Parabéns professor!

Nova enquete: qual o maior presidente do Brasil de todos os tempos?

Palácio do Planalto - Brasília. Foto de Tarso Cabral Violin

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Enquete: 50% dos leitores do Blog do Tarso dão nota zero para o 1º ano do governo Beto Richa

Na última enquete, 50% dos leitores do Blog do Tarso dão nota zero para o primeiro ano do governo do Paraná Beto Richa (PSDB).

76% dos leitores não deram mais do que nota 3 para o governo neoliberal.

10% dos leitores deram nota 10 para Beto Richa, enquanto que apenas 13% dos leitores deram nota acima da média 7.

Portanto, o governo Beto Richa foi reprovado em seu primeiro ano pelos críticos leitores do Blog do Tarso.

Eduardo Suplicy defende o CNJ

O advogado trabalhista André Passos, Senador Eduardo Suplicy, professor Marcos Alves e Tarso Cabral Violin, em evento na Universidade Positivo sobre Terceiro Setor

Não convém esvaziar poderes do Conselho

Eduardo Matarazzo Suplicy

No dia 19 de dezembro, foi tornada pública uma decisão do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), em caráter liminar, que suspende o chamado “poder originário” do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para investigar os delitos cometidos por juízes. Pelo entendimento do ministro, o CNJ somente poderá atuar nos casos que envolvam os magistrados após decisão das corregedorias internas dos tribunais.

A decisão liminar do ministro Marco Aurélio terá validade até que o plenário do STF julgue o mérito da ação direta de inconstitucionalidade, ajuizada pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) contra a resolução do CNJ que uniformiza normas relativas ao procedimento administrativo disciplinar aplicável aos magistrados. O plenário do STF somente deve julgar o mérito dessa ação no ano que vem.

Segundo notícia desta Folha, em 19 de dezembro, a decisão do ministro também suspendeu mais de dez outras normas presentes na resolução do CNJ em questão, inclusive aquela que permitia a utilização de outra lei, mais dura que a Lei Orgânica da Magistratura Nacional, para punir magistrados acusados de abuso de autoridade.

Além do mais, ficarão prejudicadas investigações que tiveram início diretamente no conselho.

É competência do CNJ, prevista no § 4º do art. 103-B da Constituição da República, realizar o controle do “cumprimento dos deveres funcionais dos juízes”. Compete à ministra-corregedora do CNJ, pelo § 5º do mesmo artigo, “receber as reclamações e denúncias, de qualquer interessado, relativas aos magistrados e aos serviços judiciários”.

Cabe ressaltar que a ministra Eliana Calmon tem honrado suas atribuições. O § 7º do mesmo art. 103-B determina, inclusive, a criação de ouvidorias de Justiça para colher essas denúncias e reclamações, representando diretamente ao CNJ.

Ora, então o CNJ deve receber as denúncias contra magistrados, conforme determina a Constituição, para controlar o trabalho e a conduta dos juízes, e nada fazer?

Deve o CNJ aguardar o controle realizado pelas corregedorias dos tribunais inferiores? Então por que o constituinte derivado teria definido essas atribuições de controle ao novo órgão criado em 2004?

Qualquer interpretação que postergue a análise do CNJ parece ferir a síntese dos argumentos que levaram à sua criação.

Não foi essa a decisão do legislador constituinte. O CNJ foi criado para ter poderes de investigação e controle como resposta às dificuldades de apuração que ocorriam e que, pelo noticiário, continuam ocorrendo em algumas corregedorias internas dos Tribunais de Justiça de vários Estados.

Como consequência da decisão tomada pelo ministro Marco Aurélio, também estão anuladas outras regras estabelecidas pelo CNJ para coibir manobras de que se valem os magistrados para proteger os colegas. Duas das mais comuns são a deliberada falta de quórum para julgar processos disciplinares e a lentidão para concluir as investigações.

Com todo respeito ao ministro Marco Aurélio Mello, e tendo presente os valores de excelência que compõem os quadros do Poder Judiciário, penso que mutilar as competências do CNJ, conferidas pelo texto constitucional, seria dar guarida a possíveis desmandos e delitos cometidos por quem deve julgá-los e coibi-los.

Essas atribuições representam importante braço do Estado democrático estabelecido pelo constituinte de 1988.


EDUARDO MATARAZZO SUPLICY, doutor em economia pela Universidade Estadual de Michigan (EUA), é senador pelo PT-SP, professor da Eaesp-FGV e copresidente de honra da Rede Mundial da Renda Básica.

Europeus em crise aplicam neoliberalismo, e não Keynes

Publicado na Folha de S. Paulo de 31.12.2011

Keynes estava certo

Por PAUL KRUGMAN

O teste tem vindo de países europeus como Grécia e Irlanda, que tiveram que impor austeridade fiscal

“O momento de expansão, e não de retração, é a hora certa para o Tesouro Nacional ser austero.”

Foi o que disse John Maynard Keynes em 1937, quando o BC americano estava a ponto de provar que Keynes estava certo ao tentar equilibrar o orçamento cedo demais, fazendo a economia americana entrar em profunda recessão.

Um governo que adota política de cortes numa economia em depressão faz a queda ser pior; a austeridade deve esperar até que a recuperação esteja bem encaminhada.

Infelizmente, no fim de 2010 e início de 2011, políticos e governantes em muitas partes do ocidente acreditavam que sabiam mais, e que nós deveríamos focar em deficits e não em empregos, ainda que nossas economias tivessem acabado de se recuperar da depressão pós-crise financeira. Agindo de forma anti-keynesiana, acabaram provando que Keynes estava certo mais uma vez.

Ao declarar que a economia keynesiana foi vingada, estou indo contra o saber convencional. Especialmente em Washington, a incapacidade do pacote de estímulos de Obama de gerar grande número de empregos é geralmente vista como prova de que gastos governamentais não conseguem produzir empregos.

Mas aqueles de nós que fizeram as contas corretamente perceberam desde o início que a Lei de Recuperação e Reinvestimento de 2009 era restrita demais, dada a profundidade da queda. E também previmos o consequente retrocesso político.

Portanto, o verdadeiro teste para a economia keynesiana não veio dos tépidos esforços do governo americano para impulsionar a economia, que foram largamente contrabalançados por cortes em níveis estaduais e municipais.

O teste tem vindo de países europeus como a Grécia e a Irlanda, que tiveram que impor severa austeridade fiscal como condição para receber empréstimos de emergência -e têm sofrido perdas econômicas do mesmo nível da Grande Depressão. Isso não deveria acontecer, segundo a ideologia que domina grande parte do nosso discurso político.

Em março passado, a parte republicana do Comitê Econômico Conjunto do Congresso divulgou relatório que ridicularizava as preocupações de que cortes em um momento de queda poderiam piorar a situação, argumentando que os cortes aumentariam a confiança de consumidores e de mercados, e isso sim poderia levar a um crescimento mais rápido, não mais lento.

A insistência em cortes imediatos continuou dominando o cenário político, com efeitos maléficos sobre a economia. É verdade que não houve novas grandes medidas de austeridade do governo federal, mas vimos muita austeridade “passiva” à medida que o pacote de estímulos de Obama saiu de cena e governos estaduais e municipais sem liquidez continuaram fazendo cortes.

Você poderia argumentar que Irlanda e Grécia não tinham escolha quanto à imposição de austeridade a não ser fazê-lo ou declararem-se inadimplentes e deixar o euro.

Mas outra lição de 2011 foi que os EUA tinham e têm uma escolha; Washington pode estar obcecado com a questão do deficit, mas os mercados financeiros estão, sim, sinalizando que nós deveríamos tomar mais empréstimos.


Tradução de THOMAS MUELLO

Livro “A Privataria Tucana” continua sendo o 2º livro de não ficção mais vendido

Férias!

Livro “A Privataria Tucana” de Amaury Ribeiro Jr continua sendo o 2º livro de não ficção mais vendido, segundo a Folha de S. Paulo do último dia do ano. Perde apenas para a biografia de Steve Jobs. A Privataria Tucana é também o segundo livro eletrônico mais vendido, em todas as categorias, perdendo também para Jobs.

Curiosidade: a Folha diz que o livro A Privataria Tucana é de “não-ficção”. Isso que dizer que ela concorda que não há nenhuma ficção no livro, ratificando os escândalos das privatizações tucanas de José Serra e demais tucanos?

Comissão da Verdade, crimes praticados pelos golpistas e a corrupção da ditadura militar

Revista Carta Capital de 28 de dezembro de 2011

À sombra da ditadura

O Brasil não julgou seus torturadores e virou pária do direito internacional. Sua polícia é o reflexo

Por Vladimir Safatle

Este será um ano lembrado, entre outras coisas, como aquele no qual o Brasil se viu assombrado por seu passado. Durante décadas, o País tudo fez para nada fazer no que se refere ao acerto de contas com os crimes contra a humanidade perpetrados pela ditadura. Isso o transformou em um pária do direito internacional, objeto de processos em cortes penais no exterior. Contrariamente a países como Argentina, Uruguai e Chile, o Brasil conseguiu a façanha de não julgar torturador algum, de continuar a ter desaparecidos políticos e de proteger aqueles que se serviram do aparato de Estado para sequestrar, estuprar, ocultar cadáveres e assassinar.

Nesse sentido, não é estranho que convivamos até hoje comum aparato policial que tortura mais do que se torturava na própria época da ditadura. Aparato completamente minado por milícias, grupos de extorsão e extermínio, assim como pela violência gratuita contra setores desfavorecidos da população. A brutalidade securitária continua a nos assombrar. Este é apenas um dos preços pagos por uma sociedade incapaz de dissociar se dos crimes de seu passado recente.

Outro preço é o tema que mais assombra certos setores da classe média brasileira, a saber, a corrupção. Esquece-se muito facilmente como a ditadura foi um dos períodos de maior corrupção do Brasil. Basta lembrar-se de casos como Capemi, Coroa- Brastel, Lutfalla, Baumgarten, Tucuruí, Banco Econômico, Transamazônica, Ponte Rio-Viterói, entre tantos outros. Eles demonstram a consolidação de um modus operandi na relação entre Estado e empresariado nacional que herdamos da ditadura. Talvez não seja por acaso que boa parte dos casos de corrupção que assolam o País tenha participação de empresas que praticam negócios escusos desde a ditadura. Empresas que tiveram participação ativa, por exemplo, no financiamento da Operação Bandeirantes.

Corrupção e violência policial são apenas dois aspectos do que restou da ditadura. Poderíamos lembrar ainda do caráter imperfeito da democracia brasileira. Temos leis herdadas de períodos totalitários que se esconderam em nosso ordenamento jurídico. Ou seja, esperamos por uma reforma jurídica que racionalize nosso direito a partir de princípios gerais de liberdade social. Seria bom lembrar como temos uma lei constitucional que legaliza golpes militares. Basta lermos com calma o Artigo 142, no qual as Forças Armadas são descritas como “garantidoras dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”. Ou seja, basta, digamos, o presidente do Senado pedir a intervenção militar em garantia da lei (mas qual?sob qual interpretação?) e da ordem (social? moral? jurídica?) para que um golpe militar esteja legalizado constitucionalmente.

Diante desse cenário de desagregação normativa da vida social por causa da incapacidade da sociedade brasileira de elaborar seu passado, poderia esperar-se que a instalação de uma Comissão da Verdade servisse para iniciar um real processo de reconciliação nacional. Temos, porém, sólidas razões para duvidarmos disso.

Um dos pontos mais aberrantes da comissão é a indicação de que seus integrantes devam ser pessoas “isentas”. Uma piada de mau gosto. Há de se perguntar quem seria suficientemente amoral para ser isento diante de crimes contra a humanidade e atos bárbaros de violência estatal contra setores descontentes da população. Quem pode ser isento diante da informação de que integrantes do Exército, no combate à Guerrilha do Araguaia, jogavam camponeses de helicópteros e estupravam mulheres da região? Há algo de profundamente intolerável em pedidos de “isenção” nesse contexto.

Um dos exemplos pedagógicos de tal isenção pode ser encontrado no próprio dia de anúncio da criação da Comissão da Verdade. Diante da pressão dos militares, Vera Paiva, filha do deputado desaparecido Rubem Paiva, não pôde ler seu discurso, deixando os parentes de desaparecidos sem voz. Não poderia haver gesto mais simbólico e prenhe de significado. Não haverá voz para enunciar demandas de Justiça que não são apenas de familiares, mas de toda a sociedade brasileira.

Em crimes como os cometidos pela ditadura, não estamos a lidar com o sofrimento individual. Este é um erro cometido inclusive por setores de esquerda que querem”resolver tudo isso o mais rápido possível”. Eles compraram a ideia de que se trata apenas de encontrar reparação adequada para o sofrimento individual, seja por meio de compensações financeiras, seja por meio de anulação de atos que portaram prejuízo a um grupo reduzido de pessoas. Estamos, no entanto, lidando neste caso com um sofrimento social. Ou seja, toda a sociedade sofreu e ainda sofre por meio do “corpo torturável” desses indivíduos. Ela sabe que a violência estatal ainda paira como uma espada de Dámocles por sobre nossas cabeças. Ela pode explodir de maneira a mais irracional, como um conteúdo recalcado que retorna lá de onde menos esperamos.

Por outro lado, é claro que tais demandas de “isenção” escondem o pior dos raciocínios, a saber, a defesa de que a violência de um Estado ilegal contra a população equivale à violência de setores da população contra o aparato repressivo do Estado. “Temos de julgar também os terroristas”, é o que dizem.

Aqui talvez seja o caso de se perguntar: Para que serve a verdade? Alguns acreditam que a verdade serve principalmente para reconciliar. Ou seja, sua enunciação forneceria o quadro de um reconhecimento dos danos ocasionados no passado. Tal reconhecimento, por mais simbólico que seja, teria a força de produzir conciliações e versões unificadas da história nacional.

Não creio que isso possa ocorrer. Sempre teremos leituras divergentes e irreconciliáveis do que foi a ditadura. Sempre haverá os que dirão que os militares nos salvaram da transformação do Brasil em uma ditadura comunista. Por isso, talvez seja o caso de dizer que a enunciação da verdade não serve para conciliar. Ela serve para romper. Ela rompe com o medonho exercício de desresponsabilização que foi colocado em marcha no Brasil. Rompe com a tentativa de colocar no mesmo patamar quem usurpa o poder e cria um Estado de medo e aqueles que se voltam contra tal situação. Desde o Evangelho sabemos isso: a verdade não tem o poder de unir. Ela tem a força de cortar.

E importante dizer isso porque corremos o risco de ver a Comissão da Verdade se transformar em uma macabra validação da famosa “teoria dos dois demônios”. Certamente haverá a tendência em colocar em circulação a necessidade de investigar os “crimes feitos pelos terroristas de esquerda”. Por isso creio ser mais que necessário perder o medo de dizer em alto e bom som: toda ação contra um governo ilegal é uma ação legal. Um Estado ilegal não pode julgar ações contra si por ser ele próprio algo mais próximo de uma associação criminosa. Esta era a situação brasileira.

Pois podemos dizer que dois princípios maiores fundam a experiência de modernização política que caracteriza a tradição da qual fazemos parte. O primeiro desses princípios afirma que um governo só é legítimo quando se funda sobre a vontade soberana de um povo livre. O segundo princípio afirma o direito à resistência. Mesmo a tradição política liberal admite, ao menos desde John Locke, o direito que todo cidadão tem de assassinar o tirano, de lutar de todas as formas contra aquele que usurpa o poder e impõe um Estado de terror, de censura, de suspensão das garantias de integridade social. Nessas situações, a democracia reconhece o direito à violência.

Costuma-se dizer que o direito à resistência não pode ser aplicado ao caso brasileiro já que are pressão caiu exclusivamente sobre os ombros de integrantes da luta armada que procuravam criar um governo comunista e totalitário no Brasil. Mas a afirmação é falsa. A repressão agiu contra toda forma de resistência, não só aquela da luta armada. O deputado Rubem Paiva, assim como vários sindicalistas e estudantes não faziam parte da luta armada e foram brutalmente mortos. Diz-se que estávamos em uma guerra e “efeitos colaterais” são produzidos. Mas, mesmo em situações de guerra, abusos são punidos.

Por outro lado, contrariamente ao que ocorreu na Argentina, os grupos de guerrilha apareceram no Brasil a partir do golpe militar, ou seja, se não houvesse ditadura não haveria grupos de guerrilha, a não ser focos isolados e completamente irrelevantes. É bom lembrar que boa parte daqueles que se engajaram na guerrilha tinha apenas uma vaga ideia do que queria, mas tinha uma ideia muito clara do que não queria. Lembre-se ainda que o direito à resistência não se anula pelo fato de defender outro regime de governo. Não por outra razão, líderes comunistas ainda são vistos como heróis da resistência na Europa.

Por essas razões, a única reconciliação possível ocorrerá quando aplicarmos no Brasil o que foi feito na África do Sul. O que queremos não é a cadeia para generais octogenários. Queremos que os responsáveis pelos crimes da ditadura peçam perdão, em sessão pública, diante dos familiares e torturados. Se o perdão é o gesto que reconcilia e apaga as feridas do passado, há de se lembrar que só pode haver perdão onde há reconhecimento do crime. Que a Comissão da Verdade não sirva para, mais uma vez, tentarem nos extorquir uma falsa reconciliação.

Pesquisa: maioria é contra privatizações. Por isso Beto Richa diz que apenas “terceiriza” e faz “parcerias”

Segundo pesquisa divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo (instituto Ipsos), a maioria dos brasileiros (62%) é contra a privatização de serviços públicos, sendo que apenas 25% dos brasileiros a aprova.

Para a maioria dos brasileiros as privatizações pioraram os serviços prestados à população nos setores de telefonia, estradas, energia elétrica e água e esgoto.

As pessoas com nível superior de estudo e as classes A e B rejeitam ainda mais as privatizações (73%).

Na década negra do neoliberalismo brasileiro, a maioria dos brasileiros defendiam as privatizações, e pelo que se vê agora se arrependeram.

Os serviços públicos privatizados prestados pelas concessionárias de energia elétrica estão piores para 55%, água e esgoto 54% e telefonia 51%.

Foram entrevistados 1.000 eleitores brasileiros, em 70 cidades e 9 regiões metropolitanas, entre os dias 24 e 31 de outubro, com uma margem de erro de 3%.

Enquanto isso, o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), está privatizando a saúde, informática, cultura e tudo mais o que o secretário Cassio Taniguchi ver pela frente, adotando política claramente reacionária e contrária aos ideais da população brasileira.

Mas Beto Richa diz que é tudo terceirização ou parcerias, e não privatização. É ou não é um cara-de-pau? A maior jurista do Direito Administrativo brasileiro, Maria Sylvia Zanella Di Pietro, diz que venda de estatais, parcerias com organizações sociais – OS e terceirizações são privatizações.