Habermas e Krugman analisam a crise europeia e democracia

Parte da matéria “Um continente à deriva” de Antonio Luiz M. C. Costa, da Carta Capital

Posicionamento ainda mais sintomático e muito mais surpreendente vem da própria Alemanha, da pena do maior paladino vivo do Iluminismo europeu: Jürgen Habermas, filósofo da razão comunicativa e do diálogo democrático. Para ele, o acordo Merkel-Sarkozy lançou a Europa numa era pós-democrática: “Querem estender o federalismo do Tratado de Lisboa em uma gestão intergovernamental pelo Conselho Europeu. Tal regime possibilitará transferir os imperativos dos mercados aos orçamentos nacionais sem legitimação adequada, usando ameaças e pressões para obrigar parlamentos esvaziados de poder a pôr em vigor acordos informais e sem transparência. Os chefes de governo transformarão o projeto europeu no seu oposto. A primeira democracia transnacional se tornará em um arranjo para exercer uma espécie de governo pós–democrático, parti-cularmente eficaz por ser disfarçado”.

Em entrevista ao jornalista Georg Diez, de Der Spiegel, Habermas foi ainda mais contundente: “Um pouco depois de 2008, entendi que o processo de expansão, integração e democratização não progride automaticamente por necessidade interna, é reversível. Pela primeira vez na história da União Europeia, experimentamos de fato um desmantelamento da democracia. Eu não pensava que isso fosse possível. Se o projeto europeu falhar, quanto tempo levará para voltar ao status quo? Lembre-se da Revolução Alemã de 1848 (a ‘Primavera dos Povos’): quando fracassou, precisamos de cem anos para recuperar o mesmo grau de democracia de antes”.

Do outro lado do Atlântico, também o economista Paul Krugman vê EUA e Europa em depressão que, mesmo se ainda não é tão grave quanto a dos anos 1930, já ameaça a democracia. Populismos de direita como o dos “Verdadeiros Finlandeses” e do Partido da Liberdade austríaco disputam o poder com partidos tradicionais e, na Hungria, o partido direitista Fidesz, já no poder com ampla maioria parlamentar, está emendando a Constituição para controlar a mídia e o Judiciário, colocar o principal partido de esquerda (ex-comunista) na ilegalidade e se apoderar irreversivelmente do poder.

Na Itália, esse populismo de direita é representado pela Liga Norte, que se recusou a apoiar o governo “tecnocrático” de Mario Monti e agora defende que o Norte da Itália se separe tanto do resto do país quanto da Zona do Euro, recriando a lira.  E o primeiro-ministro mostra pouca habilidade ao tentar impor aos italianos uma improvável “revolução no modo de pensar”, que equivale a transformá-los em alemães da noite para o dia. Nem a extrema-esquerda -conseguiria ser tão utópica.

Que tal democracia direta nos pequenos municípios?

Rogerio Galindo da Gazeta do Povo diz que Beto Richa descumpriu promessas e que Rossoni é anti-democrático

Hoje na Gazeta do Povo

Agenda secreta

 Hoje na Gazeta do Povo

Rogerio Waldrigues Galindo • rgalindo@gazetadopovo.com.br

Beto Richa conclui o seu primeiro ano de governo admitindo que não conseguiu fazer tudo o que queria (nem tudo o que prometeu). Claro, usando o manual de seus antecessores, colocou a culpa em quem veio antes dele. Mas o mais estranho não foi o governador deixar de fazer aquilo a que se havia proposto. Isso até faz parte do jogo: às vezes há amarras, empecilhos, problemas. E, vamos convir, ninguém cumpre 100% do que prometeu em campanha.

O curioso foi Richa fazer o que tinha dito que não faria. Homem de bordões, Beto dizia ao eleitor, pouco mais de um ano atrás, que “faria mais com menos”. Quem não se lembra da frase? As duas partes da equação, porém, não resistiram aos primeiros 12 meses de gestão. Richa aumentou o peso do Estado sobre o nosso bolso (o tarifaço do Detran chegou a 271%) e acabou não entregando nenhuma grande obra até aqui. Não fez mais. E não cobrou menos.

Dizia também o candidato que, quando chegasse ao governo, seria o oposto de Roberto Requião. Essa afirmação começou a ruir ainda antes da posse, conforme o secretariado foi sendo anunciado. Praticou ampla e fartamente o nepotismo, indicando o irmão Pepe e a mulher Fernanda para as duas supersecretarias que criou sob medida, só para presenteá-los. Além disso, cooptou o próprio PMDB para o governo, dando um cargo para Luiz Cláudio Romanelli – ex-secretário, quem diria, do governo Requião…

Dizia que seria o governo do diálogo. E, como lembrou neste espaço, no sábado, a colunista Rosana Félix, fez o exato oposto. O caso atual, da aprovação sob rolo compressor das terceirizações, é o exemplo mais cabal. Não houve uma audiência pública. E no fim das contas, tristemente, foi montada uma linha de policiais em frente à Assembleia para impedir que a população acompanhasse as discussões.

Richa dizia mais. Que não iria privatizar nada (até porque era comumente chamado de lernista na época, coisa que também refutava com vigor). Até aqui, é bem verdade, não vendeu nenhum bem público. Exceto por dois aviões “inservíveis”, que pareceram muito bons para o dono da Helisul e para a família Mussi, do Canal 21, seus felizes compradores. Mas começou o ano falando em criar uma agência reguladora – que serve para fiscalizar serviços concedidos ou privatizados. E terminou aprovando no afogadilho a polêmica lei que repassa partes do Estado para ONGs.

Ninguém ouviu da boca de Richa, nem de seus aliados, que essa seria a agenda do primeiro ano de governo. O plano de governo do candidato, “registrado em cartório”, como ele próprio faz questão de mencionar em mais um de seus bordões, até onde se tenha percebido, também não falava em nada disso.

Aparentemente, porém, havia letras miúdas no documento em que ninguém havia reparado. Havia uma agenda secreta de que o eleitor não foi informado. Richa pode até culpar os antecessores por não ter deixado em caixa dinheiro para que ele fizesse o que cumpriu. Mas não pode, em nenhum momento, dizer que alguém lhe forçou a tomar as decisões que vem tomando.

Sobre isso, pelo menos, ele tem de assumir a responsabilidade.

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Ontem no Blog Caixa Zero

Walter Alves / Agência de Notícias Gazeta do Povo
Walter Alves / Agência de Notícias Gazeta do Povo / Manifestantes na frente da Assembleia: PM foi chamada para regular a entrada na casa
Manifestantes na frente da Assembleia: PM foi chamada para regular a entrada na casa

 

Ninguém nega que os manifestantes exageraram na invasão da Assembleia nesta segunda-feira. Há jeitos mais democráticos de protestar contra um, projeto de lei, ou contra o que for.

Mas isso não dá, obviamente, ao presidente do Legislativo, Valdir Rossoni (PSDB), o direito de restringir o acesso ao plenário com uso de barreira policial.

Só entram “funcionários com crachá, repórteres e visitantes autorizados”, dizem os PMs.

Nesta terça, cerca de 50 policiais militares foram postados em frente ao portão de acesso da Assembleia. A medida veio depois de Rossoni tirar as grades do prédio, dizendo que estava democratizando o acesso.

A Assembleia não pertence aos deputados, e sim ao povo paranaense. Não faz o menor sentido proibir que a população acompanhe o que se passa lá dentro.

O secretismo foi o que criou o monstro da corrupção dentro da Assembleia. Tanto é que os “diários secretos” acabaram se tornando um símbolo dos desvios de conduta que havia lá dentro.

Alguém cometeu vandalismo? Pague por isso. O restante da população não pode pagar por isso tendo uma Assembleia menos democrática.

Charge: Sócrates, o questionador… pela Democracia

Charge: aula de Democracia

Paul Krugman: “concentração extrema de renda é incompatível com a democracia real”

Paul Krugman

Oligarquia, segundo os Estados Unidos

Hoje na Gazeta do Povo

A desigualdade voltou às manchetes, em grande parte graças ao Ocupe Wall Street, mas com um auxílio do Gabinete de Orçamento do Congresso dos EUA. E sabemos o que isso significa: é hora dos ofuscadores entrarem em ação!

Qualquer um que tenha acompanhado o assunto ao longo do tempo sabe o que eu digo. Sempre que disparidades crescentes de renda ameaçam entrar em foco, um grupo previsível de defensores tenta borrar a imagem novamente. Grupos de reflexão independentes (“think-tanks”) redigem relatórios alegando que a desigualdade não está de fato subindo, ou que ela não importa. Comentaristas tentam pôr uma face mais benigna no fenômeno, alegando que não é, na verdade, uma questão dos poucos ricos contra o resto, mas dos possuidores de educação formal contra os menos educados.

O que você precisa saber é que todas essas alegações são basicamente tentativas de obscurecer a realidade crua: nós temos uma sociedade em que o dinheiro está concentrado nas mãos de poucas pessoas, e em que a concentração de renda e riqueza ameaça fazer com que sejamos uma democracia somente no nome.

O gabinete de orçamento expôs um pouco dessa realidade crua num relatório recente, que documentou uma queda abrupta na cota do total de renda indo para americanos de baixa e média renda. Nós, norte-americanos, ainda gostamos de ter uma ideia de nós mesmos como um país da classe média. Mas, com os 80% de base dos domicílios agora recebendo menos do que metade dessa renda total, essa é uma visão que vai na contra mão da realidade.

Culpados

Em resposta, os suspeitos de costume lançaram alguns dos argumentos de sempre: há falhas nos dados (não há); os ricos são um grupo sempre mutável (não muito); e por aí vai. O argumento mais popular agora parece, no entanto, ser a afirmação de que nós podemos não ser uma sociedade de classe média, mas ainda somos uma sociedade de classe média-alta, em que uma ampla classe de trabalhadores com alto nível de educação formal, que têm as habilidades para competir no mundo moderno, está indo muito bem.

É uma história legal e muito menos perturbadora do que a imagem de uma nação em que um grupo muito menor de ricos está se tornando cada vez mais dominante. Mas não é verdade.

Trabalhadores com ensino superior têm, de fato, se dado melhor do que trabalhadores sem, e a diferença tem, em geral, se ampliado com o tempo. Mas os americanos possuidores de alto nível de educação formal de modo algum têm sido imunes à estagnação de renda e à crescente insegurança econômica. Aumentos nos salários para a maioria de trabalhadores com ensino superior não têm sido nada impressionantes (além de inexistentes desde 2000), enquanto mesmo os melhor formados não podem mais contar com empregos com bons benefícios. Particularmente hoje, esses trabalhadores com ensino superior, mas nenhuma outra formação, têm menor chance de receber seguro de saúde do que trabalhadores com apenas o ensino médio completo em 1979.

Então, quem está recebendo os grandes lucros? Uma minoria muito pequena e rica.

99%

O relatório do gabinete de orçamento nos diz que, essencialmente, toda a redistribuição de renda superior, distante dos 80% de base, tem ido para o 1% dos americanos de mais alta renda. Isto é, os manifestantes que se apresentam como representantes dos interesses dos 99% estão basicamente certos, e os comentaristas que garantem solenemente que a questão em pauta é, na verdade, educação, e não os ganhos de uma pequena elite, estão completamente errados.

Na verdade, os manifestantes estão até nivelando muito por baixo. O relatório recente do gabinete de orçamento não chega a inspecionar o interior do 1% do topo, mas um relatório um pouco mais antigo, que só ia até 2005, descobriu que quase dois terços da cota crescente da porcentagem do topo em renda na verdade ia para o 0,1% do topo – o milhar mais rico dos americanos, que viram suas rendas reais aumentarem mais de 400% ao longo do período de 1979 a 2005.

Quem está nesse 0,1% do topo? São empreendedores heroicos criando empregos? Não, na maior parte, eles são executivos corporativos. Pesquisas recentes mostram que cerca de 60% do 0,1% do topo ou são executivos em companhias não financeiras ou fazem dinheiro com finanças, ou seja, a definição ampla de Wall Street. Some os advogados ou pessoas no mercado imobiliário e teremos mais de 70% dos mil sortudos.

Mas por que importa essa concentração crescente de renda e riqueza em poucas mãos? Parte da resposta é que a desigualdade crescente implica uma nação em que a maioria das famílias não participa plenamente do crescimento econômico. Outra parte da resposta é que, uma vez que você descobre quanto os ricos se tornaram mais ricos, o argumento a favor de impostos mais altos sobre rendas elevadas no orçamento a longo prazo se torna muito mais atraente.

Democracia?

A resposta mais ampla, no entanto, é que a concentração extrema de renda é incompatível com a democracia real. Alguém, por acaso, nega com seriedade que nosso sistema político tem sido distorcido pela influência desse dinheiro, e que essa distorção tem ficado pior conforme a riqueza dos poucos se torna cada vez maior?

Alguns comentaristas ainda estão tentando considerar as preocupações sobre a crescente desigualdade como sendo algo tolas. Mas a verdade é que toda a natureza de nossa sociedade está em jogo.

Tradução de Adriano Scandolara.

Charge: Democracia Grega

Cortella diz que política e cidadania devem ser trabalhadas em sala de aula pelos professores

Entrevista publicada hoje na Gazeta do Povo

Mário Sérgio Cortella, professor da PUC-SP

Um dos maiores especialistas no assunto educação e política, o filósofo Mário Sérgio Cortella, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP), considera que alguns problemas ainda insistem em travar o bom diálogo sobre política em sala de aula. Em entrevista à Gazeta do Povo, ele aponta alguns dos principais, como o tratamento errado dos termos política e cidadania. Acompanhe:

Tratar de política dentro da escola ainda é algo pouco comum no Brasil. É possível determinar os principais motivos disso?

Em primeiro lugar, temos uma democracia ainda muito jovem. O país tem 511 anos e sua democracia plena não tem nem 25 anos, sendo seu marco a Constituição de 1988. Durante esse tempo, tivemos momentos rarefeitos de inclusão da sociedade nas decisões. E um modelo com participação restrita acaba tendo reflexos dentro da escola, onde o debate sobre esses temas acabava não acontecendo. Se formos lembrar, a geração anterior teve aulas de Educação Cívica, que eram impostas e se tornaram indesejadas. Com isso, os pais dos alunos de hoje também valorizam pouco a discussão da política no cotidiano.

Em alguns textos, o senhor comenta sobre a confusão que é feita com os termos “política” e “cidadania” no ensino. Qual a sua visão sobre eles e o que essa definição errada acaba acarretando?

A confusão é usar esses termos como coisas separadas. Essas palavras têm origens em locais diferentes, mas seus significados são os mesmos e têm a ver com a noção de comunidade, convivência. Ao entender e promover sentidos diversos, muitas vezes a ideia que fica é a de que política se limitaria apenas à prática partidária, o que não é correto. Sem levar isso em conta, por vezes apostam no ensino do funcionamento dos três poderes, por exemplo, acreditando que se está ensinando política, o que é errado e totalmente insuficiente.

E o que deveria ser ensinado, então? E de que forma?

Justamente a convivência: seu significado, seu respeito à democracia, o que demanda e em que resulta. E isso não deve ser encarado como um componente curricular, que são as disciplinas, mas como conteúdo curricular, estando presente e orientando o ensino desses valores nas matérias. Assim, isso deve acontecer desde a educação infantil, com noções de partilha e respeito recíproco. E no ensino médio já se pode pensar em aliar essa prática ao conteúdo, dentro da teoria das matérias.

O Brasil estaria próximo de alcançar esta condição? É possível ser otimista?

Eu sou extremamente otimista. Nosso país vem decolando fortemente na educação e na escolarização nos últimos 20 anos. Com novas tecnologias e ferramentas de interatividade, como as mídias sociais, isso só aumenta, promovendo a participação, como deve ocorrer dentro da sala de aula.

Conselho de Comunicação já! Globo, Veja e Folha são contra, claro.

O PT e a democratização da comunicação

ANDRÉ VARGAS


Quando o partido fala em regular a mídia, se refere a criar condições para que a informação saia do controle de meia dúzia de famílias


Nada é mais caro ao PT do que a democracia e seus valores. Está em nosso DNA, em nossa história, em nossa razão de ser e de existir.
Os que ainda não compreenderam isso precisam olhar com mais atenção para o que se passou no 4º Congresso Extraordinário do Partido dos Trabalhadores.
Lá aprovamos, entre outras, uma moção sobre a democratização das comunicações. O debate de relevo, para o qual todo o partido estava focado, no entanto, era a reforma estatutária, motivo da convocação.
Nem nosso mais ferrenho opositor poderá ignorar o grande exemplo de democracia. Criamos regras que ampliam a participação de mulheres, jovens e negros na vida partidária e limitamos o número de mandatos consecutivos para deputados e senadores petistas.
O PT governa o país há nove anos com ampla aprovação do eleitorado; cresce nas prefeituras e nos parlamentos; é o preferido da população nas pesquisas, além de servir de referência para a atuação da esquerda internacional.
Por que então mudar o estatuto? Porque o PT é um partido vivo, democrático, aberto, que tem cúpula dirigente, mas faz a discussão na base -a palavra final vem dos filiados. Os delegados do congresso foram eleitos por voto direto por mais de 500 mil petistas.
Um partido assim não pode ser acusado de autoritário. Os que dizem essa bobagem não conhecem a sigla, não sabem o que significa autoritarismo ou buscam, autoritariamente, criar falsas polêmicas para interditar o debate.
A democratização das comunicações é pauta antiga na legenda. Temos posição consolidada a respeito dela.
Produzimos uma resolução sobre o tema no 3º Congresso, em 2007. Em 2008, fizemos a nossa Conferência Nacional de Comunicação com debates e a presença de líderes petistas e de representantes de movimentos.
Em 2009, participamos da conferência nacional convocada pelo governo Lula.
A moção não brotou da cabeça de meia dúzia de déspotas interessados em cercear, censurar a imprensa, nem surgiu porque algum membro do PT foi atingido de maneira vil pelo noticiário. Ela nasceu de uma construção democrática, e em nada fere direitos como a liberdade de imprensa e de expressão.
Imaginar o contrário disso é uma ofensa não só à história mas também à inteligência dos petistas e dos brasileiros de forma geral.
É impossível controlar a livre circulação de informação num regime democrático, ainda mais em tempos de internet. E nós, mais do que ninguém, somos os últimos interessados nisso.
Quando falamos em regular a mídia, nos referimos a criar condições para que a informação deixe de ser controlada por meia dúzia de famílias, a serviço de poucos interesses. Quando defendemos o Conselho de Comunicação, falamos em cumprir o que determina a Constituição desde 1988.
Entendemos a comunicação como um direito. Estamos na luta para que esse direito se estenda a todos os brasileiros.
E queremos debater o tema, ainda que isso não seja do agrado dos que se apropriam do discurso democrático para impedir o avanço da democracia no Brasil.

ANDRÉ VARGAS é secretário nacional de comunicação do PT e deputado federal pelo Paraná

Comissão da Verdade. Eu apóio!

O Blog do Tarso apóia a criação da Comissão da Verdade, para apurar a história da repressão durante a ditadura militar. O Comitê Paranaense pela Verdade, pela Memória e pela Justiça se reune todas as quartas-feiras, 19h30, na Rua Voluntários da Pátria, 475, edifício Asa, sala 608, Centro, Curitiba. Fone (41) 3079-1759.

Parabéns ao STF! Pela liberdade da marcha da maconha!

Para criticar as decisões conservadoras dos desembargadores e juízes, na área do Direito Administrativo, aos meus alunos digo que alguns dos nossos magistrados infelizmente estudaram apenas pelo Hely Lopes Meirelles de antes da Constituição de 1988. O que dizer daqueles que censuraram as marchas da maconha e da liberdade? Estudaram pelo Manoel GonçalvesFerreira Filho da época da “revolução democrática” ou “revolução redentora” (na verdade o golpe militar) de 1964?

Foi unânime a posição do STF pelos direitos constitucionais de reunião e de livre expressão do pensamento, que garantem a realização da marcha da maconha. A liberdade de expressão e de manifestação somente pode ser proibida quando for dirigida a incitar ou provocar ações ilegais e iminentes. Por isso que, por exemplo, a homofobia praticada em algumas igrejas deve ser criminalizada sim.

Perdeu o Deputado Federal Fernando Francischini (PSDB do PR) e demais conservadores, reacionários e anti-democráticos. Pergunto o que anda caindo nos concursos públicos da polícia federal.

Parabéns ao nosso Supremo Tribunal Federal! Espero que agora considerem inconstitucional a Lei das Organizações Sociais!

Aniversário do Golpe de 64

Prefiro a tese de que o Golpe militar de 1964 na verdade ocorreu no dia 1º de abril, o dia da mentira. Mas normalmente se fala que o Golpe se iniciou no dia 31 de março, com apoio dos Estados Unidos da América. Então, não custa nada desancar os ditadores golpistas tanto no dia 31 de março quanto no dia 1º de abril de cada ano pelo resto de nossas vidas.

TFP - Tradição, Família e Propriedade

Como pode muitos ainda chamarem o Golpe de 64 de revolução. Ignorância ou conservadorismo?

Como alguém ainda pode votar em partidos derivados da ARENA? Na democratização se tranformou em PDS, com um racha foi criado o PFL, atual Democratas. O PDS virou o PPB, e agora o PP. E desses partidos vários políticos acabaram de criar o PSD. Democratas (verdadeiros) de todo o Brasil, uni-vos: não votem em políticos do DEMO, PP e PSD!

Por favor, pesquisem quem foram os políticos que apoiaram o Golpe e se beneficiaram da ditadura militar e não votem neles! Vamos fazer uma lista de políticos paranaenses que apoiaram o Golpe de 64, que fizeram parte da ARENA e se beneficiaram da ditadura militar? O Blog do Tarso se compromete em divulgar.

Presto minhas homenagens ao Jango, a todos que morreram, apanharam, foram censurados ou foram presos a partir do Golpe de 64 e da ditadura que se estendeu até 1984.

Líbia e a “Democracia”

Hoje na Folha de S. Paulo

Democracia?

Charge do Tiago Recchia de hoje na Gazeta do Povo

Quem tem medo da democracia no Brasil?

Por Emir Sader (Carta Maior)

O Brasil saiu da ditadura política, mas as transformações estruturais que poderiam democratizar o país nos planos econômico, social e cultural, não foram realizadas. O governo Sarney representou essa frustração, essa redução da democratização aos marcos liberais da recomposição do Estado de direito e dos processos eleitorais.

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A democracia e a demonização da política

Governador do Rio Grande do Sul, ex-Ministro da Justiça e da Educação no Governo Lula, Tarso Genro

Hoje na Folha de S. Paulo

Por TARSO GENRO


A maior parte dos partidos políticos está desatenta ao fato de que é preciso propor novas formas de organização do Estado e políticas públicas


Novos sujeitos políticos estão surgindo no interior de um processo de desconstituição da política, que ocorre em escala mundial, após o fracasso das receitas neoliberais para a reforma do Estado.
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Ética, Democracia, Verdade e Legalidade: princípios do Beto Richa! Será?

O Governador Carlos Alberto Richa, quando em campanha, na Rádio BandNews, disse que eu não merecia sua credibilidade, que não reconhecia autoridade moral em mim. Vocês sabem porque tenho esse conceito com o senhor Governador?

Na véspera do natal de 2009 o então Prefeito Carlos Alberto enviou um e-mail com cartão de natal de cunho pessoal, como cidadão e não como Prefeito, para todos os cidadãos moradores de Curitiba que têm seus e-mais registrados no serviço 156 da Prefeitura de Curitiba.

Recebi o e-mail, não gostei, por não ter autorizado que um estranho me enviasse um e-mail, e quando apertei o link para me descadastrar foi a minha surpresa: fui encaminhado para um site com o timbre da Prefeitura de Curitiba. Achei um absurdo, uma vez que restou configurado uso da lista de e-mails da Prefeitura para uso particular.

Fiz uma ata notarial em cartório no mesmo dia, para registrar o ilícito, e ainda bem que fiz isso nesse momento, pois já no dia seguinte o deslize tinha sido corrigido, e quando apertávamos o link para desregistrar éramos encaminhados para o site pessoal http://www.betoricha.com.br.

Com toda as provas do ilícito devidamente documentada, entrei com uma Ação Popular contra o senhor Carlos Alberto, processo que continua seu andamento no Poder Judiciário Estadual. Se a ação for procedente, o Senhor Carlos Alberto será considerado um Ficha Suja e ficará inelegível. Repito, tenho provas do ilícito cometido!

Segundo o Governador Carlos Alberto Richa, no dia da posse, sua gestão será norteada pelos princípios da ética, da democracia, da verdade e da legalidade.

O simples ato relatado fere a ética, pois não é moral que um administrador público se utilize de bens públicos para uso pessoal. Não é democrático, pois atos como o descrito dão uma visibilidade ao político que nenhum outro adversário tem, o que fere o jogo democrático nas eleições. E também não é democrático que um político diga que um cidadão não tem credibilidade e autoridade moral apenas porque o cidadão entrou com uma ação para questionar uma ilicitude cometida pelo político. Ao esconder no dia seguinte a prova de que utilizou a estrutura púbica para uso próprio, o político também não agiu com a verdade. Por fim, a legalidade foi afetada, pois o ato foi ilegal, improbo, ilegítimo e, portanto, contrário ao ordenamento jurídico.

Na Prefeitura de Curitiba parece que os princípios não foram atendidos. Será que no Governo do Paraná serão?