Luciano Ducci manda aplicar multas de trânsito mesmo com decisões judiciais contrárias

Hoje na Gazeta do Povo

Condutor obtém liminar que suspende multas da Urbs

Autuado por excesso de velocidade duas vezes, motorista recorre à Justiça para conseguir habilitação permanente. Decisão favorável se baseou em acórdão do TJ

Por RAFAEL WALTRICK

Um motorista de Curitiba obteve ontem uma liminar do Juizado Especial da Fazenda Pública garantindo a entrega da carteira nacional de habilitação (CNH) permanente, mesmo após ter praticado duas infrações de trânsito durante a vigência da CNH provisória. A decisão encontrou respaldo no impasse envolvendo o acórdão do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) que nega à Urbanização de Curitiba S/A (Urbs) o poder de aplicar multas de trânsito.

Segundo o advogado Vinícius Augusto Stori Grellert, autor da ação, o condutor teve a carteira permanente negada pelo Departamento de Trânsito (De­­tran) devido a duas multas por excesso de velocidade, registradas por radares eletrônicos em 26 de novembro do ano passado. Na ação, o advogado comprovou que as multas foram aplicadas pela Urbs, que, segundo a decisão do TJ-PR, não teria legitimidade para aplicar sanções de trânsito.

No despacho, o juiz Humberto Gonçalves Brito assinala que “há relevância de que a Urbs não tem a competência exigida pelo artigo 24 do Código de Trânsito Brasileiro para o exercício da atividade que lhe foi atribuída pelo município de Curitiba, não podendo resultar na imposição de infrações de trânsitos ou restrições de direito de qualquer ordem (…)”.

A ação, que pede inclusive o ressarcimento dos valores cobrados, continua em trâmite. Na liminar, o juiz ordena ao Detran que anule em 24 horas as infrações para que a CNH possa ser concedida, sob pena de multa diária de R$ 100. “O cidadão nunca vai ser contra a fiscalização de trânsito, mas sim contra a exploração econômica dessa fiscalização. Nesse caso da liminar, o motorista tinha o direito de não sofrer interferência patrimonial de uma empresa privada que aplica multas”, afirma Grellert.

Impasse

O Ministério Público, autor da ação direta de inconstitucionalidade que resultou na decisão do TJ-PR, contesta o fato de a Urbs ser uma entidade de direito privado, enquanto somente órgãos públicos poderiam regular o trânsito. Apesar de a prefeitura de Curitiba ser a sócia majoritária da Urbs, com 99,9% das cotas, pessoas físicas e empresas, como bancos, formam um grupo com outros 17 sócios.

O acórdão do TJ-PR não tem efeito retroativo. Na decisão, o Órgão Especial do Tribunal deixa claro que a suspensão do poder de multar vale somente após a publicação da decisão, que ocorreu na última quarta-feira. A ressalva, porém, é contestada por advogados, que defendem a anulação e ressarcimento de multas aplicadas pela Urbs nos últimos cinco anos.

Recurso

Antecipando-se ao prazo legal que vence segunda-feira, a prefeitura informou ontem, sem muitos detalhes, ter entrado com recurso junto ao TJ-PR para a revisão do acórdão. O recebimento do recurso não foi confirmado até a noite de ontem pelo tribunal. A Urbs tem mantido os agentes da Diretran nas ruas, atuando normalmente.

Charge: bobo ou esperto?

Hoje na Gazeta do Povo

Charge: violência contra o professor

Blog do Tarso foi bloqueado na rede do Governo Beto Richa

Hoje vários leitores do Blog do Tarso informaram que o blog foi bloqueado para acesso pelos computadores da Administração Pública do Estado do Paraná.

A pergunta que não quer calar: todos os blogs foram bloqueados, inclusive o do Fábio Campana, ou apenas o Blog do Tarso?

Realmente o forte do governo Beto Richa não é o exercício do contraditório.

Censura para ganhar a eleição, censura para se manter no poder.

Será que o bloqueio é para que os servidores não fiquem sabendo, por exemplo, da contribuição extra que terão que pagar para se aposentarem?

Terceirização = Escravidão

Empregados terceirizados trabalham mais e ganham menos

Divulgado pelo Blog do Esmael, via Agência O Globo

Os empregados terceirizados trabalham mais, ganham menos e perdem o emprego mais rapidamente do que os contratados diretamente pelas empresas. É o que mostra a pesquisa “Terceirização e desenvolvimento – uma conta que não fecha”, divulgada ontem pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), que compilou dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho, e da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/Seade). Os empregados terceirizados trabalham, em média, três horas a mais por semana que os contratados diretos, sem considerar as horas extras. Sem essas horas a mais, diz o estudo, 801.383 vagas poderiam ter sido criadas no ano passado.

– Isso não é nenhuma novidade. Na teoria, já sabíamos disso. Mas os números deixam um grande desafio, que é melhorar a qualidade do mercado de trabalho para o país crescer de forma sustentável – disse Messias Mello, secretário de Relações do Trabalho da CUT.

De 42,605 milhões de trabalhadores com emprego formal no país, os empregados terceirizados representam 25,5% (10,865 milhões). São Paulo é o estado campeão em terceirizados (3,675 milhões), seguido por Minais Gerais (1,138 milhão) e Rio de Janeiro (1,085 milhão).

Além de trabalhar mais, o levantamento constatou ainda que os salários dos terceirizados é menor: com base na remuneração de dezembro do ano passado, estes ganhavam em média R$1.329,40, cerca de 27,1% a menos que os contratados diretos, com salário médio de R$1.824,20, que realizavam a mesma função.

E o salário não é menor só porque os terceirizados trabalham em empresas pequenas, ou porque têm baixa escolaridade. Pelo estudo, 53,4% dos terceirizados estão em empresas com mais de cem funcionários. Além disso, 61% dos trabalhadores em setores tipicamente terceirizados têm ensino médio e superior. Este percentual para os contratados diretamente é de 75%.

Terceirização acelera rotatividade de mão de obra

A pesquisa diz também que a terceirização acelera a rotatividade da mão de obra no mercado de trabalho. Enquanto a permanência no trabalho direto é, em média, de 5,8 anos numa mesma empresa empregadora, no trabalho terceirizado é de 2,6 anos. Os dados ajudam a explicar porque 44,9% de todos os terceirizados saíram do emprego entre janeiro e agosto de 2010, enquanto apenas 22% dos que foram diretamente contratados passaram pela mesma situação.

Além disso, é comum empresas terceirizadas interromperem suas atividades, sem indenizar os funcionários.

Mello disse que os calotes são constantes em empresas de vigilância e de asseio e conservação. Segundo ele, a empresa desaparece e os trabalhadores não recebem as verbas indenizatórias às quais têm direito com o fim do contrato. De acordo com a CUT, dados do Sindicato dos Rodoviários do DF mostram que, só no Tribunal Superior do Trabalho (TST), mais de 40 motoristas aguardam a restituição de salários, férias e rescisão do contrato com a extinta Serviter, que fechou as portas e desapareceu.

Urbs não pode exercer o Poder de Polícia, mas há quem entenda o contrário

Entendo ser pueril a defesa de que é possível que a Urbs, uma sociedade de economia mista, tenha Poder de Polícia. Apenas autarquias ou a Administração Pública direta poder ter esse poder. E a Emenda Constitucional nº 19/98, a emenda neoliberal-gerencial do governo FHC, não alterou esse cenário.

E o prefeito Luciano Ducci continua cobrando multas, via Urbes, mesmo com decisão do TJ em contrário.

Veja dois textos sobre o tema publicados hoje na Gazeta do Povo:

Reforma administrativa ampliou papel da entidade

CARLOS ALEXANDRE NEGRINI BETTES

Desde a Emenda Constitucional 19/98, as sociedades de economia mista passaram a ter um novo tratamento constitucional, ampliando os conceitos da legislação até então existente

A Constituição deu à União competência privativa para legislar sobre trânsito, competência essa que foi exercida por meio do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que, em seu artigo 24, atribui aos órgãos e entidades municipais atividades de engenharia, educação e fiscalização de trânsito. Alguns municípios, como é o caso de Curitiba, optaram por exercer essas atividades através de sociedades de economia mista.

Decisões judiciais, do STJ e, mais recentemente, do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, colocaram em xeque a opção desses municípios. Especificamente em Curitiba questiona-se a figura da Urbs. O cerne da discussão está, basicamente, no fato de se entender inadmissível a delegação de poder de polícia a empresas que são de natureza jurídica privada e dedicadas à exploração de atividade econômica, bem como na destinação da arrecadação de multas aos sócios particulares nessas empresas. E no caso da decisão do TJ, parece que se agregou também, ante a Constituição Estadual, a exclusividade da Polícia Militar para exercer o policiamento de trânsito.

Não se pode ignorar, no entanto, que desde a Emenda Constitucional 19/98, que trouxe a chamada Reforma Administrativa, consolidando a mudança do modelo do Estado brasileiro, essas sociedades de economia mista passaram a ter um novo tratamento constitucional, ampliando os conceitos da legislação até então existente. Deixaram de ser destinadas exclusivamente à exploração de atividade econômica. Passaram a ter função pública, que é o que as distingue das outras empresas de fins econômicos, incidindo sobre elas normas de Direito Público, que envolvem prerrogativas e submissões características dos órgãos públicos.

E por constitucionalmente fazerem parte da administração pública, não há que se falar em delegação de poder de polícia a elas, mas sim em descentralização dessa atividade por meio desse ente criado pelo município à semelhança de seus órgãos.

Assim é que o artigo 24 do CTB, ao falar dos órgãos e entidades executivos de trânsito dos municípios, também admite essas sociedades de economia mista, pois se o vocábulo “órgão” se refere aos integrantes da administração direta, o termo “entidade” abrange essas estruturas privadas da administração indireta.

Já no que concerne à destinação da arrecadação de multas aos sócios particulares nessas empresas, vale lembrar que o artigo 320 do CTB determina que a receita com as multas de trânsito deva ser aplicada, exclusivamente, em sinalização, engenharia, policiamento, fiscalização e educação de trânsito. Trata-se, então, de receita com aplicação vinculada e que, portanto, não pode ser objeto de rateio entre os sócios.

E quanto à competência constitucional estadual da PM para exercer o policiamento de trânsito, primeiramente há de se desfazer uma confusão de conceitos. Segundo as definições contidas no Anexo I do CTB, o policiamento de trânsito, efetivamente exercido pelas PMs, é destinado a prevenir e reprimir atos relacionados com a segurança pública, ou seja, crimes. Diferencia-se, pois, da fiscalização de trânsito, que é o controle do cumprimento das normas estabelecidas na legislação de trânsito, por meio do poder de polícia administrativa de trânsito, ou seja, relativamente a infrações administrativas.

A competência da PM para executar o policiamento de trânsito não afasta, então, a competência do órgão ou entidade municipal em fazer a fiscalização a seu cargo, prevista no artigo 24 do CTB. Aliás, o código, em seu artigo 23, acabou até mesmo por alijar a PM nessa função de fiscalização, exigindo a celebração de convênio com o órgão ou entidade municipal, para que então ela possa exercer essa atividade como agente da autoridade municipal de trânsito e concomitantemente com os agentes municipais.

Dessa forma, não parece subsistirem os argumentos que vêm sendo utilizados em desfavor de a Urbs exercer a fiscalização do trânsito. E considerando a forte carga constitucional envolvida na discussão, a última palavra deverá ser dada pelo Supremo Tribunal Federal.

Carlos Alexandre Negrini Bettes, advogado, é especialista em Trânsito e mestre em Gestão Urbana.

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Poder de polícia é do Estado

REGINALDO KOGA

O exercício do poder de polícia administrativa é uma atividade típica de Estado, não podendo ser delegada a particulares ou empresas com natureza jurídica de direito privado

O trânsito é, antes de mais nada, uma questão de segurança pública e o exercício do poder de polícia pela Urbs afronta não apenas os artigos 173 e 175 da Constituição Federal, como também o artigo 144 da mesma, vez que, inexistindo órgão legalmente competente da administração pública direta em Curitiba, a relevante tarefa compete à Polícia Militar, através do BPTran em fiel observância à legislação de trânsito.

O poder de polícia está definido no artigo 78 do Código Tributário Nacional, como “a atividade da administração pública que, limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão de interesse público concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder Público, à tranquilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos”.

Como atividade indissociável da ideia de Estado, o poder de polícia somente pode ser exercido por órgãos da administração pública direta, enquanto poder público, o que afasta a atuação das entidades paraestatais, como empresas públicas, sociedades de economia mista ou outras entidades que explorem atividade econômica que somente podem receber delegação de poderes para a prestação dos denominados serviços “impróprios”, ou “não típicos do Estado”.

O exercício do poder de polícia de trânsito é uma atividade jurídica exclusiva do poder administrativo do Estado e jamais poderá ser exercido por entidade que congregue capital ou interesse particular, ou por seus agentes, por não restar vínculo direto e estrito com o poder público.

Assim, aplicar multas, arrecadar, apreender veículos, julgar motoristas infratores e tantas outras inerentes à fiscalização e garantia da paz e segurança no trânsito é, segundo o artigo 24 do Código de Trânsito Brasileiro, exercício de poder de polícia que compete ao poder público municipal, portanto, indelegável a ente privado, ainda que sob a forma de empresa estatal.

É incompatível a Urbs aplicar multas e ser remunerada pelo Município em 4% pelos valores recolhidos ao Fundo de Urbanização de Curitiba, (artigo 10 da Lei Municipal n.º 4.369/72) ou ainda, nos termos do artigo 41 do seu Estatuto Social, deduzir 25% do lucro líquido para distribuição como dividendos aos acionistas representados por uma seguradora, fundos de pensão, políticos e empresários, demonstrando assim um conflito de interesses entre segurança do trânsito e exploração da atividade econômica pelo Estado.

Assim, não há qualquer sombra de dúvida quanto à impossibilidade jurídica de um ente de natureza privada, como no caso da Urbs S/A, exercer poder de polícia, pois está em causa a restrição à liberdade e a propriedade do administrado, além da insustentável violação ao Estado Democrático de Direito (art. 1.º da Constituição Federal).

Algumas decisões judiciais já reconheceram a indelegabilidade do poder de polícia a pessoa jurídica de direito privado: 1.ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Paraná, Autos n.º 24 – 09.2010.8.16.0179; Superior Tribunal de Justiça, caso da BHTrans, autos n.º 817.354; Supremo Tribunal Federal, autos da Adin n.º 1717; Tribunal de Justiça do Paraná, Adin n.º 52764-2.

Portanto, no âmbito do trânsito, o exercício do poder de polícia administrativa é uma atividade típica de Estado, não podendo ser delegada a particulares ou empresas com natureza jurídica de direito privado, ainda que constituída de patrimônio público e tendo como sócio majoritário o Município, pois os atos administrativos praticados por essas entidades são nulos, por falta de competência, o que permite aos administrados buscarem o reembolso dos valores que indevidamente recolheram.

Reginaldo Koga é advogado.

Cortella diz que política e cidadania devem ser trabalhadas em sala de aula pelos professores

Entrevista publicada hoje na Gazeta do Povo

Mário Sérgio Cortella, professor da PUC-SP

Um dos maiores especialistas no assunto educação e política, o filósofo Mário Sérgio Cortella, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP), considera que alguns problemas ainda insistem em travar o bom diálogo sobre política em sala de aula. Em entrevista à Gazeta do Povo, ele aponta alguns dos principais, como o tratamento errado dos termos política e cidadania. Acompanhe:

Tratar de política dentro da escola ainda é algo pouco comum no Brasil. É possível determinar os principais motivos disso?

Em primeiro lugar, temos uma democracia ainda muito jovem. O país tem 511 anos e sua democracia plena não tem nem 25 anos, sendo seu marco a Constituição de 1988. Durante esse tempo, tivemos momentos rarefeitos de inclusão da sociedade nas decisões. E um modelo com participação restrita acaba tendo reflexos dentro da escola, onde o debate sobre esses temas acabava não acontecendo. Se formos lembrar, a geração anterior teve aulas de Educação Cívica, que eram impostas e se tornaram indesejadas. Com isso, os pais dos alunos de hoje também valorizam pouco a discussão da política no cotidiano.

Em alguns textos, o senhor comenta sobre a confusão que é feita com os termos “política” e “cidadania” no ensino. Qual a sua visão sobre eles e o que essa definição errada acaba acarretando?

A confusão é usar esses termos como coisas separadas. Essas palavras têm origens em locais diferentes, mas seus significados são os mesmos e têm a ver com a noção de comunidade, convivência. Ao entender e promover sentidos diversos, muitas vezes a ideia que fica é a de que política se limitaria apenas à prática partidária, o que não é correto. Sem levar isso em conta, por vezes apostam no ensino do funcionamento dos três poderes, por exemplo, acreditando que se está ensinando política, o que é errado e totalmente insuficiente.

E o que deveria ser ensinado, então? E de que forma?

Justamente a convivência: seu significado, seu respeito à democracia, o que demanda e em que resulta. E isso não deve ser encarado como um componente curricular, que são as disciplinas, mas como conteúdo curricular, estando presente e orientando o ensino desses valores nas matérias. Assim, isso deve acontecer desde a educação infantil, com noções de partilha e respeito recíproco. E no ensino médio já se pode pensar em aliar essa prática ao conteúdo, dentro da teoria das matérias.

O Brasil estaria próximo de alcançar esta condição? É possível ser otimista?

Eu sou extremamente otimista. Nosso país vem decolando fortemente na educação e na escolarização nos últimos 20 anos. Com novas tecnologias e ferramentas de interatividade, como as mídias sociais, isso só aumenta, promovendo a participação, como deve ocorrer dentro da sala de aula.

Noam Chomsky diz que os protestos em Wall Street são corajosos e colocam em evidência os desequilíbrios do neoliberalismo

Hoje na Gazeta do Povo

Revolta mostra calamidade da crise, diz Chomsky

O linguista e ensaísta norte-americano Noam Chomsky, de 82 anos, diz que os protestos que tomaram conta de Wall Street contra a crise e a ganância das corporações são “corajosos”. Chomsky, que na década de 1960 protestou contra a Guerra do Vietnã, declarou apoio ao movimento Occupy Wall Street, que está se espalhando de Nova York para outras cidades dos Estados Unidos.

Segundo Chomsky, o movimento dos jovens norte-americanos poderá colocar em evidência pública a “calamidade” da crise internacional e os desequilíbrios do neoliberalismo, um tema central de vários livros do ensaísta. Para Chomsky, os jovens que protestam podem guiar a sociedade “para um caminho mais saudável”.

“Qualquer um que tenha os olhos abertos sabe que o gangsterismo de Wall Street – das instituições financeiras em geral – infligiu graves danos ao povo dos Estados Unidos (e ao mundo). E deveria saber também que tal coisa foi ocorrendo progressivamente nos últimos trinta anos na medida em que aumentou de modo radical seu poder no comando da economia e com isso seu poder político”, escreveu Chomsky.

Beto Richa lança hoje o Programa “Privatizando” a Gestão Pública

O governador Beto Richa (PSDB) lança hoje, 17h30, no Palácio das Araucárias, o programa Modernizando (traduzindo: privatizando) a Gestão Pública, em parceria com o Movimento Brasil Competitivo (MBC).

A idéia principal é privatizar tudo o que ele ver pela frente.

O presidente da Câmara de Política de Gestão e Competitividade, representante da ala que defende o ideário neoliberal-gerencial do governo de Dilma Rousseff (PT), Jorge Gerdau Johannpetter, é fundador do MBC e participará do lançamento do programa, que tem como discurso a eficiência, o mesmo da década de 90 do governo FHC, quando era Ministro o Bresser Pereira.

Na verdade é um modelo de privatização, precarização da Administração Pública e fuga do regime jurídico administrativo.

O MBC já recomendou o modelo neoliberal-gerencial nos governos estaduais de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Sergipe e Rio de Janeiro e na Prefeitura de Curitiba, além de diversos outros municípios brasileiros, com excelentes resultados para os interesses do grande capital, o que desencadeia um retorno ao patrimonialismo.

Uma das principais idéias do movimento é privatizar os hospitais públicos e repassá-los às organizações sociais, conforme denúncia em recente post do Blog do Tarso.

Charge: supersalários na Administração Pública

Hoje na Folha de S. Paulo

Charge: iPad

Prefeito Jaime Lerner permitiu demolição de prédio histórico em Curitiba

Foto da coluna de Cid Destefani de ontem na Gazeta do Povo, com os dizeres: "Rua XV esquina com Oliveira Belo. Prédio do Café Paratodos, demolido em 1972. Lerner era o prefeito".

Ministra Gleisi diz que Beto Richa não tem projeto estruturante para o Estado do Paraná

Publicado hoje na coluna “notas políticas” da Gazeta do Povo

Críticas pesadas

Em reunião no fim de semana, em Curitiba, com pré-candidatos a prefeito do PT nas eleições de 2012, a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (foto) cobrou do governador Beto Richa (PSDB) projetos estratégicos de longo prazo para o Paraná. Dizendo que o tucano não tem um projeto estruturante para o estado, ela afirmou que jamais foi procurada por Richa para debater o tema, ao contrário de lideranças de outros estados. O discurso foi seguido pelo ministro das Comuni­­­cações, Paulo Bernardo, que declarou que o Paraná, apesar da representatividade do estado no governo federal, recebe menos recursos da União pela falta de projetos para políticas públicas e programas de infraestrutura.

Recadastramento biométrico obrigatório no TRE PR até 20.01.2012

Na semana passada divulguei via twitter que fiz a biometria no TRE/PR em apenas 3 minutos, questionando o discurso conservador de que o que é público necessariamente é ineficiente. Coincidentemente hoje a Gazeta do Povo fez uma matéria sobre o tema, citando a eficiência do TRE PR (veja o post Serviço pode ser eficaz! Até a Gazeta do Povo reconhece). Para maiores informações sobre o recadastramento obrigatório:

FÓRUM ELEITORAL DE CURITIBA
Central de Atendimento ao Eleitor
Rua João Parolin, 55 (Veja no mapa)
Horário de funcionamento:
Segunda à Sábado das 9h00min às 18h00min
Telefones: 41 3330-8674 / 41 3330-8673

Luciano Ducci privatizou a Maratona de Curitiba

Do Margarita Sem Censura

A sanha de terceirizar da Prefeitura de Curitiba não pára. Multas com a Consilux, podas de árvores com a família Derosso, exames de saúde pública com laboratórios particulares, pavers no lugar das calçadas tradicionais, ônibus com as famílias detentoras de concessão que remonta a 1957. Agora, até a Maratona de Curitiba.

A empresa paulista Latim Esportes é a dona do pedaço. Quem quiser correr os 42 km olímpicos deve pagar R$ 70 de inscrição. Para correr só 10 km, na modalidade amador, paga-se R$ 60. Para caminhar – como iniciante – apenas 5 km, pasmem, a taxa é de R$ 50.

Perguntamos: se quem corre somos nós, as ruas são públicas, o bloqueio de tráfego é do Diretran e da PM, as ambulâncias – seu pessoal e combustível – são do Siate, o monitoramento é dos valorosos professores de Educação Física funcionários públicos municipais, o secretário de Esportes Municipal de Esportes e Lazer – Marcelo Richa, acadêmico de direito da Universidade Positivo – é pago com dinheiro público, o que sobra de despesa e investimento para a empresa particular terceirizada?

Ainda vale lembrar que o evento é patrocinado com dinheiro público pela Caixa, Copel (ainda pública), Sanepar (em parte pública) – mas que fornecerá água pura dos mananciais da serra – e o banco espanhol Santander – dono da conta pública da Prefeitura de Curitiba.

O valoroso vereador Algaci Túlio (PMDB), com ideais olímpicos, adepto das corridas esportivas, não se conforma. Fez pedido de informações ao prefeito Ducci. Ainda sem resposta.

Dilma e Lula também privatizam

Em nosso sistema eleitoral é quase impossível que alguém se torne presidente (ou presidenta) sem realizar amplas alianças políticas. E ninguém ou nenhum partido assume o poder em sua inteireza. O poder num Estado democrático é compartilhado entre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, Ministério Público, Tribunais de Contas, mercado e sociedade civil.

Além disso, mesmo dentro de partidos de centro-esquerda, como o Partido dos Trabalhadores, existem alas a direita, com ideologia muito semelhante a políticos de centro ou de direita.

FHC chegou ao poder com o apoio do grande capital, em aliança entre o PSDB e o então PFL. Fez um governo claramente neoliberal, com privatizações amplas nas mais variadas áreas. Chegou a vender empresas estatais estratégicas, entre elas a Telebrás e a Companhia Vale do Rio Doce. Queria ter privatizado a Petrobrás e o Banco do Brasil mas não conseguiu terminar seu plano radicalmente privatizante.

Lula e Dilma também chegaram ao poder com apoio de parte do grande mercado, mas não em aliança com partidos de direita. Mas é claro que não é apenas o PT que manda no governo, mas sim o conjunto de partidos da aliança, que não necessariamente têm posições favoráveis ao Estado Social e Democrático de Direito.

Lula apenas privatizou dois bancos em 2003 e realizou concessões de algumas estradas, mas com pedágio bem mais barato do que na época de FHC ou dos demotucanos nos estados de São Paulo e Paraná, por exemplo.

Na saúde o modelo de Lula era o das empresas estatais ou fundações públicas de direito privado, modelos que não podem ser confundidos com privatizações. Seriam hospitais públicos ainda geridos pelo Estado, ao contrário do modelo das privatizações via Organizações Sociais de FHC e governos tucanos.

Dilma vai privatizar algumas estradas e aeroportos. Na verdade é uma privatização em sentido amplo, é uma concessão de serviços públicos, em que não existirá a venda de empresas estatais.

Num governo democrático a pressão de grupos de interesse são legitimanente levados em conta na tomada de decisões, e com a mídia todo o dia cobrando a privatização das estradas e aeroportos seria difícil o governo segurar essas concessões.

Entendo que os partidos de centro-esquerda, como o PT, mesmo em governos que privatizam, mas de forma não radical, ainda podem manter as bandeiras anti-privatização. Mas nas eleições não vão poder mais chamar os tucanos de privatizadores, mas apenas de “radicalmente” privatizadores.

Estudantes exigem ensino público universal e gratuito… no Chile! E no Brasil?

Hoje na Folha de S. Paulo

Chile em transe

Na visão do ministro, a gratuidade na educação não é boa porque: 1) é justo que os que têm condições paguem; e 2) produz hiperdemanda por educação superior

A coalizão de centro-esquerda que chegou ao poder praticamente não tocou no arcabouço econômico, jurídico e social da ditadura, analisa Mönckeberg

O ensino privado na mira dos estudantes

RESUMO As manifestações de estudantes que tomaram as ruas de Santiago do Chile abalaram a popularidade do presidente Sebastián Piñera e pela primeira vez puseram em xeque o modelo de educação privada instaurado na era Pinochet, que passou incólume pela democratização. Governo e manifestantes discutem reformas.

ELEONORA DE LUCENA

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Serviço público pode ser eficaz! Até a Gazeta do Povo reconhece.

Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) é um dos campeões de reclamações de usuários de serviços públicos. Foto de Antônio More/Gazeta do Povo

A capa da Gazeta do Povo de hoje traz a manchete “Por que o serviço público é tão ruim” em letras garrafais e em letras pequenas “e os setores onde ele funciona bem”. A capa mostra a ideologia do jornal, mais conservadora e privatizadora, mas a matéria do jornalista Rogério Galindo é muito boa.

A matéria mostra o óbvio: se pagarmos bem para os servidores, diminuirmos os cargos comissionados (com mais servidores concursados) e não esbanjarmos o dinheiro público com besteiras, é óbvio que o serviço público pode ser eficaz.

Pena que a matéria apenas ouviu neoliberais “especialistas” que dizem que a Administração Pública deve imitar a iniciativa privada, que apenas Sarney e Collor precarizaram o serviço público, sem citarem os militares e o Governo FHC, e que é boa a participação privada nas empresas estatais.

A matéria também não reconhece que foram os Governos Lula e Dilma que começaram a diminuir a precarização da Administração Pública ao diminuirem as terceirizações ilícitas e ao fazerem mais concursos públicos.

A matéria também está de parabéns ao reconhecer que apenas com a universalização do serviço público que ele vai melhorar, pois uma parte da população mais crítica fará o controle dos serviços.

Veja a matéria completa: Continuar lendo →

Recordar é viver: FHC, o privatizador

Charge do Angeli de 1997

Charge do Angeli de 1997

Charge do Angeli de 1997

Charge: Kassab, Ney Leprevost e Eduardo Sciarra paraquedistas?