Nova enquete do Blog do Tarso: em quem você votará para prefeito de Curitiba?

Vote na enquete na coluna da direita, um pouco para baixo.

Presidenta Dilma Rousseff (PT) é escolhida a maior brasileira de todos os tempos

Os leitores do Blog do Tarso votaram na enquete e escolheram a presidenta Dilma Rousseff (PT) como a maior brasileira de todos os tempos, com 17% dos votos. Dilma é a primeira presidenta brasileira. Foram 2.696 votos no total. A religiosa Irmã Dulce ficou em segundo com 16%, Zilda Arns da Pastoral da Criança com 12%, Princesa Isabel com 11%, Maria da Penha 7%, a jogadora de futebol Marta com 4%, Anita Garibaldi e Fernanda Montenegro com 3%, foram as mais votadas. Cada internauta votou apenas uma vez na enquete. Obrigado a todos que participaram.

1º Curso Estadual de Comunicação Popular do Paraná está com inscrições abertas

Do Paraná Blogs

Com o tema “Comunicação como direito humano e ferramenta de mobilização popular” atividade ocorrerá nos dias 10 e 11 de maio.

 Fortalecer as iniciativas locais de comunicação contra-hegemônica e avançar na articulação em torno da bandeira da democratização da comunicação no estado: esses são os principais objetivos do 1º Curso Estadual de Comunicação Popular do Paraná, que será realizado nos dias 10 e 11 de maio, em Curitiba (PR). Entre os palestrantes confirmados estão Vito Gianotti, do Núcleo Piratininga de Comunicação (RJ), Elaine Tavares, do Instituto de Estudos Latino-Americanos e da Revista Pobres e Nojentas, Beto Almeida, da Tele Sur, Sérgio Luís Bertoni, de TIE-Brasil, além mais de 15 comunicadores paranaenses e de outros estados brasileiros.Voltado a comunicadores populares, lideranças comunitárias, estudantes, jornalistas e diretores de sindicatos e entidades sociais, o curso pretende ampliar o debate acerca do papel da comunicação na atual conjuntura brasileira e latino-americana e possibilitar a troca de experiências. As inscrições podem ser feitas pelo e-mail curitiba@brasildefato.com.br, com o custo de R$ 80, com alojamento e jantar, e R$ 50 sem hospedagem. Será servido café da manhã, almoço e lanche nos intervalos a todos os participantes.O curso é uma iniciativa da secretaria paranaense do Jornal Brasil Fato,  do Centro de Formação Urbano Rural Irmã Araújo (Cefuria), da Central Única dos Trabalhadores (CUT), do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), do Sindicato dos Bancários de Curitiba, do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Curitiba (SISMUC) e da produtora QuemTV. A atividade também conta com o apoio de diversas outras organizações do estado. Continuar lendo

Obscenas

Na eleição de 1996 o prefeito de Curitiba eleito Cassio Taniguchi (PDT, depois PFL, depois DEMO) e o vice, Algaci Tulio, juntos com Jaime Lerner, Rafael Greca e familiares. Carlos Simões (PSDB) ficou em segundo, Angelo Vanhoni (PT) em terceiro e Max Rosenmann (PMDB) em quarto. Hoje na Gazeta do Povo

As garantias oferecidas pelo governo Lula à FIFA em 2007

O professor de Direito Administrativo da Universidade Positivo, Fernando Borges Mânica, ao realizar um trabalho investigativo com seus alunos, por meio do estudante Leandro Rutano teve acesso às garantias oferecidas pelo governo brasileiro à FIFA em 2007. Os documentos, em inglês e português, assinados pelo ex-presidente Lula e os então ministros Orlando Silva, Celso Amorim, Ronaldo Lessa, Guido Mantega, Tarso Genro, Waldir Pires, Miguel Jorge, Juca Ferreira, Sérgio Rezende, Dias Toffoli e Hélio Costa, podem ser visualizados com um click na imagem ou diretamente no site do professor fernandomanica.com.br.

Veja uma notícia sobre uma confusão na tradução do documento, clique aqui.

Charge: Old School X Moderno

Laertevisão na Folha de S. Paulo de sábado

Você quer ser o ou a Ombudsman do Blog do Tarso?

Ombudsman, do sueco “representante do povo”, é uma pessoa que tem a função de receber críticas, sugestões e reclamações e deve agir em defesa imparcial da comunidade. Pode ser uma espécie de “ouvidor” tanto de entidades públicas quanto privadas e serve de elo com a sociedade. No jornalismo ele é o representante dos leitores. Na imprensa a função foi criada nos Estados Unidos na década de 60, fez sucesso no ornal El País da Espanha e no Brasil foi criado em 1989, na Folha de S. Paulo, o primeiro da América-Latina.

O Blog do Tarso vai celebrar uma parceria com um voluntário interessado em ser o Ombudsman do Blog do Tarso, que terá uma coluna semanal ou mensal no Blog, a ser combinada.

Você quer se o(a) Ombudsman do Blog do Tarso? Envie seu currículo com sua formação e o motivo do interesse em ser Ombudsman do Blog do Tarso para o e-mail tarsocv@gmail.com.

Folha de S. Paulo auto-censura matéria com letras garrafais contrária a Beto Richa

Matéria com letras garrafais da edição impresa nacional da Folha de S. Paulo que divulga frase infeliz do governador do Paraná, Beto Richa (PSDB)

Sim, sou assinante da Folha de S. Paulo desde quando era criança. Recebo a edição nacional impressa da Folha em Curitiba, que fica pronta na madrugada para ser enviada para todo o Brasil, antes da edição distribuída na capital de São Paulo.

A edição nacional da Folha divulgou com letras garrafais a frase infeliz do governador do Paraná Beto Richa (PSDB), que disse que pessoas que têm curso superior se insubordinam, não aceitam cumprir ordens, conforme a imagem acima, na página C3 do caderno Cotidiano.

Eis que, muito estranhamente, a edição digital disponível na internet para assinantes, que também é a edição distribuída em São Paulo, a matéria, antes bastante vistosa e com texto longo, foi diminuída de tamanho e retirada a foto de Beto Richa, conforme imagem abaixo, sendo invertida com a matéria do assalto à casa do jornalista Milton Jung.

A Folha de S. Paulo deve justificar essa ação que poupou o deslize de Beto Richa para milhões de pessoas, principalmente em São Paulo. Beto Richa pretende ser o candidato a vice de Aécio Neves (PSDB) em 2014, nas eleições presidenciais, e perder votos no maior colégio eleitoral do país não seria bom para suas pretensões eleitorais.

Informo que vou encaminhar essa denúncia para o Ombudsman da Folha e para os blogueiros progressistas de todo o país.

Edição digital da internet da Folha de S. Paulo, que diminui a matéria negativa ao tucano Beto Richa.

Paraná passa vergonha nacionalmente

A famosa frase do governador do Paraná Beto Richa (PSDB) “outra questão é a insubordinação, uma pessoa com curso superior muitas vezes não aceita cumprir ordens de um oficial ou um superior” percorreu todo o Brasil.

O jornalista responsável pela coluna Caixa Zero da Gazeta do Povo, Rogério Galindo, foi o primeiro a fazer ampla divulgação da frase infeliz do governador na rádio CBN, o que segundo ele, no twitter, pela primeira vez um único post do seu blog passou de 50 mil visitas, um novo marco para o Caixa Zero. Foi divulgado pelo twitter e pelo facebook em todo o Brasil. Hoje a Folha de S. Paulo divulgou também o absurdo falado pelo governador (ver post crítico sobre o tema).

Vereador João do Suco, presidente da Câmara Municipal, foi para a Lista Proibida

Verba publicitária de R$ 75 mil beneficiou servidor comissionado do presidente da Câmara Municipal de Curitiba, o vereador João do Suco (PSDB). Lei de Licitações 8.666/93 proibi essa prática. Foi para a Lista Proibida do Blog do Tarso!

Gustavo Fruet é o candidato a prefeito pelo PDT, com PT na vice

18º Encontro Municipal do PT de Curitiba ocorrido hoje

O Partido dos Trabalhadores de Curitiba decidiu hoje, oficialmente, por 167 contra 128 votos de seus delegados no 18º Encontro Municipal do PT de Curitiba, que o partido fará aliança com o PDT de Gustavo Fruet já no primeiro turno das eleições municipais.

É a primeira vez que o PT não tem candidatura própria para prefeito de Curitiba, desde o fim da ditadura militar. Em 2008 Gleisi Hoffmann foi a candidata, em 1996, 2000 e 2004 o candidato foi Angelo Vanhoni, em 1992 Doutor Rosinha, em 1988 Claus Germer e em 1985 Edésio Passos.

O Blog do Tarso entende como ótimos nomes para vice de Fruet:

– O deputado estadual Tadeu Veneri, representante da esquerda do PT que uniria o partido na capital, com uma grande atuação na Assembleia Legislativa;

– O advogado André Passos, ex-vereador que em 2004 obteve 9.972 votos, o petista mais votado de Curitiba (o segundo petista mais votado em Curitiba em todos os tempos para vereador, Jorge Samek teve 11.625 votos em 2000, ano da primeira eleição de Passos, que teve 4.203) e o segundo candidato a vereador do PT mais votado no Sul do país (perdeu apenas para o Todeschini, de Porto Alegre/RS, que obteve 12.402 votos), que em 2008 preferiu não não se candidatar; e

– O deputado federal Angelo Vanhoni, com um eleitorado cativo por causa das três candidaturas a prefeito.

Vejam as considerações dos líderes do PT municipal sobre a aliança:

Deputado Estadual Tadeu Veneri: “O sentido de unidade é que determinará se seremos companheiros nas próximas caminhadas, não temos mais chapa um e chapa dois. Saímos com alma grande para enfrentar os próximos desafios e é com essa alma grande que vamos derrotar o PSDB”.

Ministra Gleisi Hoffmann: “Terminamos um processo de debate, de disputa e de diálogo que reuniu os militantes do partido0. É essa militância que faz do PT um partido diferente. Vence mais uma vez a democracia interna. O PT vai dar sustentação ao processo eleitoral”.

Ministro Paulo Bernardo – “Gustavo Fruet é uma pessoa que tem disposição para compor uma aliança, não só agora, mas também em 2014. O mais importante é definirmos o que vamos fazer em Curitiba. O grupo que está aí hoje não resolve os problemas estruturais. Os grandes problemas de mobilidade a Dilma que está resolvendo. Quem faz políticas sociais aqui é o governo federal através do Bolsa Família e do PAC”.

Deputado Federal Dr. Rosinha: “A partir de agora não tem chapa um e chapa dois, tem união e unidade do partido para vencer as eleições de Curitiba”.

Privatização dos presídios de Beto Richa contraria Resolução e o Plano Nacional do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária

O Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária é um órgão vinculado ao Ministério da Justiça e é composto por notáveis juristas da área do Direito Penal brasileiro, inclusive um dos seus presidentes foi o advogado paranaense René Ariel Dotti, um dos maiores juristas do país.

A privatização inconstitucional dos presídios proposta pelo governador Beto Richa (PSDB), que já até virou lei estadual, é totalmente contrária à política nacional criminal e penitenciária.

A Resolução 8, de 9.12.2002, do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária – CNPCP, é expressa, conforme a imagem abaixo:

A Resolução é clara ao definir que as funções de ordem jurisdicional e relacionadas à segurança pública são atribuições do Estado indelegáveis por imperativo constitucional, e que há incompatibilidade entre os objetivos da política penitenciária e de outro lado a lógica de mecado, recomendando a rejeição de quaisquer propostas tendentes à privatização do Sistema Penitenciário Brasileiro.

A resolução 8/2002 ainda deixa claro os serviços penitenciários de segurança, administração, gerenciamento de unidades, disciplina, efetivo acompanhamento e avaliação da individualização da execução penal não são delegáveis à iniciativa privada.

Além de desrespeitar a Resolução, a política de privatização dos presídios de Beto Richa ainda vai em sentido contrário ao Plano Nacional de Política Criminal e Penitenciária, aprovado pelo Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária – CNPCP, em 26/04/2011:

“Temos duas direções a tomar. A primeira é continuar alimentando a espiral da criminalidade: apoiar o endurecimento penal, aumentar as taxas de encarceramento, adotar o modelo de superprisões, ignorar a seletividade penal, idolatrar a pena privativa de liberdade, eleger as facções criminosas como problema central, apoiar a privatização do sistema penal, combater apenas a corrupção da ponta, judicializar todos os comportamentos da vida, potencializar o mito das drogas, enfraquecer e criminalizar os movimentos sociais e defensores de Direitos Humanos e considerar o sistema prisional adjacente e consequente das polícias.

A segunda é criar uma nova espiral, da cidadania e da responsabilização: reduzir as taxas de encarceramento, descriminalizar condutas, ter modelos distintos de prisões para cada segmento, combater a seletividade penal, buscar menos justiça criminal e mais justiça social, investir na justiça restaurativa, empoderar a população para busca de solução dos conflitos, priorizar as penas alternativas à prisão, eleger o sistema prisional como problema central, fortalecer o Estado na gestão do sistema penal, combater todos os níveis da corrupção, enfrentar a questão das drogas nas suas múltiplas dimensões (social, econômica, de saúde, criminal), fortalecer o controle social sobre o sistema penal e ter política, método e gestão específica para o sistema prisional.

Este Plano adota a segunda direção.”

Será que a Ordem dos Advogados do Brasil, seção Paraná, e o Ministério Público Estadual vão permitir essa aberração jurídica?

Beto Richa sanciona a Lei que privatiza presídios em evento no TJ/PR. OAB/PR e MP, presentes no evento, são a favor?

Governador Beto Richa (PSDB) e a Primeira Dama e Secretária da Familia e Desenvolvimento Social Fernanda Richa junto com o Vice-Governador Flávio Arns (PSDB, ex-PT, ex-PSDB) assinam com o presidente do Tribunal de Justiça do Paraná, desembargador Miguel Kforuri Neto o Pacto Mão Amiga pela Paz no TJ. Foto:Rogério Machado/SEDS

Já passados um terço do governo Beto Richa, o clima é de paralisia e incompetência. Mas em uma coisa eles são eficientes: rolo compressor na subserviente Assembleia Legislativa do Paraná quando o assunto é privatização.

Em menos de um mês o governador Beto Richa (PSDB) enviou um anteprojeto de lei (02 de abril) que prevê a privatização da gestão dos presídios para entidades do Terceiro Setor, a Assembleia aprovou o projeto em regime de urgência e, ontem (27 de abril), o governador sancionou a lei. A lei é totalmente inconstitucional!

O mais estranho é que a lei foi sancionada em evento no Tribunal de Justiça do Paraná com a presença do presidente do TJ e presidente da OAB/PR. O esquema foi batizado de “Pacto Movimento Mãos Amigas pela Paz”, e envolve, ainda, os poderes Legislativo, o Ministério Público e a Defensoria Pública do Paraná.

A lei em comento é a que autoriza o Estado a firmar convênios com as Associações de Proteção e Assistência aos Condenados (Apacs), entidades civis sem fins lucrativos que poderão administrar unidades penais de pequeno porte, destinadas a presos considerados de menor periculosidade, especialmente os condenados a cumprimento de penas em regime semiaberto.

Já postei um comentário sobre a inconstitucionalidade da privatização de presídios, com o apoio de colegas juristas que indicaram textos sobre o tema.

Para continuar a discussão, já que ela não ocorreu na Assembleia Legislativa, recomendo leitura do texto “Parcerias Público-Privadas: indelegabilidade no exercício da atividade administrativa de polícia e na atividade administrativa penitenciária”, de José Roberto Pimenta Oliveira, publicado no livro “Parcerias Público-Privadas”, coordenado por Carlos Ari Sundfeld, editora Malheiros, 2005, pp. 406-432.

No texto fica claro que como regra o poder de polícia (atos de produção jurídica, desde emissão de normas jurídicas, atos jurídico-administrativos concretos e atos de execução material de normas e atos previamente estabelecidos) não pode ser delegado para particulares (a exceção é o comandante de navio ou aeronave), o que qualquer estudante de Direito do 3º ano deveria saber, mas parece que os membros do governo não sabem. São passíveis de terceirização apenas atividades preparatórias, instrumentais ou de suporte.

O autor saliente que mesmo no caso de execução material sucessiva ao ato de polícia (por exemplo retirada de veículo de local proibido), a empresa contratada não é autorizada a iniciar a execução por vontade própria. Portanto, para Oliveira:

“a deflagração da atividade executiva até a gestão da fase final de mera execução técnica e objetiva de tarefas que lhe são inerentes não poderá, em sua integralidade, ser objeto de delegação, em face da eventual necessidade do uso da coercibilidade, sob pena de contrariar os vetores constitucionais que justificam a indisponibilidade do poder de polícia”.

Para o autor, na “parcela da função administrativa prisional que afeta o direito de liberdade do preso” há coerção sobre a liberdade, além do caráter restritivo de direitos fundamentais, “aproximando a atividade administrativa prisional da atividade de ordenação de direitos, abrangente do exercício do poder de polícia”.

O autor informa que o art. 66 da LEP define que as competências jurisdicionais (típicas, I a V) e administrativas (atípicas, VI a IX) foram atribuídas ao juízo de execução, ao Poder Judiciário, portanto não delegáveis.

O exercício da função administrativa prisional, atribuídas a órgãos administrativos, abrange:

(a) atos jurídicos (edição de provimentos sancionatórios – art. 53, emanação de recompensas – art. 56, autorizações de trabalhos externos – art. 37)

(b) atos materiais

(b.1) atividade material incidente sobre a pessoa do preso (providências materiais de vigilância – art. 39). Não podem ser delegadas. Diferente de vigilâncias terceirizadas na Administração Pública em geral. Aqui há monitoramento dos deveres dos presos, e não raro com uso de coação.

(b.2) atividade material de gestão (assistências em geral – arts. 12, 14, 15, 22, 25, 28). Não são atos jurídicos ou atos materiais coercitivos. APENAS ELES PODEM SER DELEGADOS PARA PRIVADOS, JUNTAMENTE COM OBRAS.

O autor argumenta que “não há como justificar a transferência indiscriminada de integralidade da função administrativa prisional partindo da remissão legal à çooperação da comunidade”” e conclui que a gestão mista ou a gestão plena são inconstitucionais.

Governador Beto Richa discursando sobre como é bom privatizar. Ao fundo o presidente da OAB/PR, José Lúcio Glomb. Foto:Rogério Machado/SEDS

Garotinho denuncia governador Cabral do RJ sobre ligação com a Delta. O roto falando do esfarrapado

Veja o blog do deputado federal e ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, que já foi filiado ao PT, PDT, PSB, PMDB e PR, clique aqui.

Garotinho denuncia o governador Sérgio Cabral (PMDB-RJ) sobre ligações com Fernando Cavendish da Delta (escândalo Carlinhos Cachoeira / Demóstenes Torres). O roto falando do esfarrapado.

Estudo da Ocepar prova que os pequenos agricultores estariam protegidos pelo projeto do código florestal negado pelos ruralistas

No último dia 25 os deputados federais votaram pelo interesse dos ruralistas no projeto do Código Florestal, contra o meio ambiente e a proposta aprovada no Senado e defendida pelo governo Dilma. Um dos argumentos foi a tese, falaciosa, de que os pequenos agricultores seriam prejudicados pela nova legislação. Estudo da Ocepar – Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (esquema acima), divulgado pela Carta Capital de 25 de abril de 20012, mostra que no projeto do Senado, alterado pela Câmara dos Deputados, os pequenos agricultores teriam aumento as suas áreas produtivas em 285% e redução da área a ser recuperada em 1.258%, com relação à legislação anterior (Código de 1965).

Ou seja, os deputados defenderam apenas os interesses dos grandes ruralistas.

Demóstenes X Rosa Weber

A coluna Rosa dos Ventos de Mauricio Dias da revista Carta Capital de 18 de abril de 2012 lembra que o senador Demóstenes Torres, suspeito de envolvimento no esquema de Carlinhos Cachoeira, talvez esteja pessimista com a repercussão no STF do comportamento que teve na inquirição da hoje ministra Rosa Weber. Na sabatina do senado para a ratificação da sua escolha, Weber sofreu 14 minutos de torura psicológica infligida por Demóstenes. Ele valeu-se da tensão natural da ministra e formulou 22 perguntas, usando a técnica maldosa de se referir a decisões tomadas nos últimos anos pelo STF, não testando o saber, mas a memória.

Demóstenes precisa que o STF anule os indícios graves contra ele contidos nas investigações da Polícia Federal. Veja a tortura de Demóstenes e o seu voto contrário à indicação da ministra:

Do Suco uma laranjada!

Ibope: saúde pública vai mal, mas quem mais avalia negativamente é quem não a utiliza

Carta Capital de 18 de abril de 2012

Incógnita social

As pesquisas de opinião, todas elas, sempre apontam grande reprovação da atuação dos governos petistas (Lula/Dilma) quando se trata de avaliar o desempenho do setor da Saúde.

Segundo a mais recente pesquisa do Ibope, no fim de março, o desempenho do governo Dilma foi aprovado por 34% da população e reprovado por quase o dobro, 63%.

Curioso é que a maior reprovação vem das camadas mais altas da população, considerado o grau de instrução e a renda familiar (tabela).

Esse pessoal mais próximo do topo do que da base da pirâmide social, portador de planos de saúde, frequenta hospitais privados.

Mas é verdade que o atendimento nos hospitais públicos, que eles não frequentam, é precário.

Ciência e religião – Mino Carta

As caridosas e sábias lições do cardeal Carlo Maria Martini

Editorial da Carta Capital de 18 de abril de 2012, por Mino Carta

Sou filho de um anticlerical agnóstico e de uma católica praticante. Meu pai, que poderia ser visto pelos anjos como “homem de boa vontade”, não hesitou em matricular os dois filhos no curso primário do colégio genovês das marcelinas, por serem elas, em plena Segunda Guerra Mundial, antifascistas. Tenho das freiras lembrança saudosa, embora as aulas de catecismo e relativas provas não fossem de pura diversão. Outras coisas valiosas aprendi com elas, e neste aprendizado não incluo o fato de ter sido competente coroinha, presa de uma ponta de exibicionismo a bem do justo exame de consciência.

A lição paterna, de todo modo, influenciou bem mais meus comportamentos do que a de minha mãe, e assim esclareço por que meu propósito é tocar em assuntos a envolverem fé religiosa e atitudes eclesiásticas. Espanta-me, confesso, que ao cabo de oito anos de debates, o Supremo Tribunal Federal somente agora decida se grávidas de fetos sem cérebro podem abortar sem risco de acabarem presas. E falamos de seres destinados ao oblívio em vida.

Quando, candidata à Presidência da República, Dilma Rousseff aventou a possibilidade da descriminalização do aborto, foi grita geral. A ex-guerrilheira ousava além da conta e a ideia foi rapidamente abortada. Há muito tempo o aborto deixou de ser crime nos países mais civilizados e democráticos do mundo. Na Itália, cujo Estado e cuja Justiça foram afrontados pelo governo brasileiro no Caso Battisti, o aborto foi descriminalizado na década de 70, na época em que, segundo o ex-ministro Tarso Genro e eminentes juristas nativos, a Península era dominada por um governo de extrema-direita contra quem se insurgiam heróis da resistência como Cesare Battisti. Diante disso, o arco da velha descoloriu.

Não sei o que se pode esperar do nosso Supremo. Mas que aquela questão esteja em pauta, e em uma versão que não aceita perplexidades, é de pasmar. Leio um pequeno livro que a Editora Einaudi acaba de lançar na Itália, registra o diálogo entre o cardeal Carlo Maria Martini, figura extraordinária que concorreu à vaga papal com o então cardeal Ratzinger no Consistório de 2005, e o cientista Ignazio Marino. Observa Martini que a postura negativa e apriorística da Igreja diante das mudanças provocadas pelo progresso e pela técnica nunca foi bem-sucedida. Galileu docet, ensina, acrescenta.

Martini não tem dúvidas, e nem pode tê-las à luz da sua fé: na hora em que o espermatozoide penetra o óvulo, a vida começa. É como o toque de dedos entre Deus e Adão no afresco da Sistina. O Brasil é, porém, um Estado laico, nele quem professa algum credo religioso tem a mesma liberdade de decidir o destino da gravidez quanto o tem quem não professa credo algum. O professor Safatle escreveu a respeito uma coluna magistral há quatro semanas. E nem se fale da situação agora entregue à decisão do STF. No caso, mandam a lógica, a razão, o senso comum, por cima das crenças ou da falta delas.

Há inúmeros momentos exemplares no diálogo entre o cardeal e o cientista. Por exemplo. Pergunta Marino: “Não seria razoável encaminhar com urgência um debate internacional em busca de um equilíbrio entre o mundo da ciência e as diversas sensibilidades éticas e religiosas, superando com honestidade intelectual as atitudes dogmáticas?” Responde Martini: “Parece-me evidente que não podemos deixar de ouvir os cientistas (…), por isso é desejável que a discussão ocorra de forma serena e construtiva, não somente no que tange às células-tronco, mas, em geral, a respeito de temas éticos que com razão agitam almas e consciências”.

O cardeal não evita discorrer acerca da sexualidade, “campo obscuro, profundo, magmático, difícil de definir, parte da existência onde entra em jogo o subconsciente (ou o inconsciente?) e onde as explicações racionais podem defrontar-se, tanto no plano individual quanto no de grupos sociais e nas culturas, com uma resistência interior que não se deixa convencer”. Segundo Martini, existem dentro de cada um “cavernas obscuras e labirintos impenetráveis”. De mais a mais, “o filão evolutivo que inclui o homem não se esgotou, de sorte que não podemos prever facilmente os desenvolvimentos dos próximos milênios”. Temos, portanto, um cardeal evolucionista.

E vem à tona uma questão crucial, o homossexualismo. E o cardeal pronuncia algo inédito em relação às posições de sua Igreja. Ele se diz pronto a admitir que “a boa-fé, as experiências de vida, os hábitos adquiridos, o inconsciente e provavelmente alguma inclinação de nascimento podem levar à escolha de uma vida em parceria com alguém do mesmo sexo”. Diz ainda: “No mundo atual, esse gênero de comportamento não se presta, portanto, a ser demonizado ou condenado”.

Não consigo escapar a uma derradeira reflexão: o mundo de hoje não mereceria um papa Martini em vez de um papa Ratzinger? Certas desventuras, infelizmente, não acontecem por acaso.

O neoliberalismo na berlinda

Carta Capital de 18 de abril de 2012

Islândia – A mídia silencia sobre o país que humilha o sistema financeiro

O ex-primeiro-ministro Geir Haarde está sendo julgado em Reijkjavik por ter conduzido o país à catástrofe de 2008 e pode ser condenado a até dois anos de prisão. A virada neoliberal da Islândia, com desregulamentação financeira e privatizações em massa, começou no governo de David Oddson, em 1991. Haarde não é o único culpado, embora tenha sido parte importante do processo desde bem antes do início do seu governo, em 2006, primeiro como líder parlamentar do Partido da Independência (conservador, então no governo) de 1991 a 1998 e ministro da Fazenda de Oddson de 1998 a 2005. É uma oportunidade para o país refletir sobre a transformação de estável social-democracia escandinava em centro financeiro desregulamentado cuja precariedade se viu quando a crise hipotecária dos EUA fez falir seus maiores bancos, com passivos externos mais de 20 vezes maiores que o PIB. Leia também: Ditadura: Promotor italiano vai propor ação contra militares brasileiros The Observer: O fracasso da guerra às drogas A CPI de Cachoeira e a retórica do ‘mensalão’ A ducha gelada da crise despertou os -islandeses do sonho consumista e os lançou às ruas com uma versão nórdica do “que se vayan todos!” A renúncia de Haarde e a eleição de um governo de centro-esquerda não bastaram para satisfazê-los: rejeitaram por duas vezes, em plebiscito, propostas de pagamento parcial da dívida externa deixada pelos bancos falidos. O fato de que, depois disso, o país esteja se recuperando muito melhor que os europeus oprimidos pela “austeridade” é a explicação para o silêncio quase absoluto da mídia internacional sobre esse país e seu julgamento do neoliberalismo.