Requião lidera corrida eleitoral pelo governo do Paraná

Gazeta do Povo

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Segundo o Paraná Pesquisas, na corrida eleitoral para o governo do estado do Paraná em 2018, o senador Roberto Requião (PMDB) aparece com 30,2%, o senador Alvaro Dias (PSDB) tem 26,6%, Ratinho Jr. (PSC) 20,1%, a senadora Gleisi Hoffmann (PT) 8%, a vice-governadora, Cida Borghetti (PP) 1,9%, os que não sabem são 6% e os que não votam em nenhum da lista 7,1%.

A pesquisa foi realizada entre os dias 20 e 24 de junho, com 1344 eleitores em 58 municípios, com margem de erro de 5%.

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Ação do MP contra Beto Richa reforça a tese do impeachment

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Juristas protocolaram dia 25 de maio o pedido de Impeachment do governador Beto Richa (PSDB), mas o pedido está parado na ALEP, na mesa do presidente Ademar Traiano (PSDB)

Advogados vão requerer anexação dos documentos do MP ao processo e querem agilizar tramitação da matéria na Assembleia Legislativa

Os advogados que deram entrada ao processo de impeachment de Beto Richa na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) no dia 25 de maio de 2015 vão requerer, agora, a anexação dos 22 volumes da ação civil pública do Ministério Público do Paraná – MPPR aos autos do processo. Eles entendem que esta ação de improbidade administrativa anunciada ontem pelo MPPR contra Beto Richa, o ex-secretário da Segurança Pública, Fernando Francischini, e o alto comando da PM à frente das decisões do Massacre de 29 de abril, reforça a tese doimpeachment.

“A improbidade administrativa apontada pelo Ministério Público se configura em crime de responsabilidade, cabível de impedimento,” informa o advogado Tarso Cabral Violin, um dos autores do processo que reuniu aproximadamente 10 mil assinaturas em petição pública pelo impechment de Richa. “As investigações e análises feitas pelos promotores estão em sintonia com o nosso processo, quando apontam que o governador foi, no mínimo, omisso em não mandar parar o massacre”, completa Violin.

O advogado André Passos, que também subscreve a proposição de impeachment no Legislativo, lembra que quando ela foi protocolada houve uma reação da parte do governador no sentido de tentar desqualificar tecnicamente a peça jurídica. “Tentaram desqualificar a ação de impeachment, atribuindo a uma iniciativa de motivação político-partidária, quando, na verdade, se trata de interesse público”, argumenta. Para Passos, “hoje, a ação impetrada pelo Ministério Público do Paraná corrobora a tese do impedimento do governador quando diz que ele cometeu crime de improbidade administrativa no episódio de 29 de abril”, conclui.

O processo de impeachment de Beto Richa está parado na mesa do presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, deputado Ademar Traiano (PSDB),  desde o dia 25 de maio. Ele ganhou no protocolo da Casa de Leis o registro de solicitação sob o número 7607/2015-2. Segundo informações do departamento responsável pela tramitação do processo, a ação se encontra na Presidência da Casa, desde então, e não foi despachada para apreciação de nenhuma comissão interna com responsabilidade de apreciar a matéria. Os advogados cobram da ALEP agilidade na tramitação do processo, o que envolve apreciação pelas comissões pertinentes e votação em plenário pelo conjunto dos deputados.

Confira aqui a íntegra da petição pública. Ela encontra-se aberta para mais adesões:

http://www.peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=BR82070

Leonor, gênero “vivedoura”

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Hoje (30) a escritora Leonor Demeterco Corrêa de Oliveira lança às 19h30, nas Livrarias Curitiba do ParkShopping Barigui, com sessão de autógrafos, seu livro de contos e crônicas “Era Uma vez…”. Com textos escritos desde 1955.

Leonor, que estudou com minha mãe no Colégio Cajuru, foi minha professora de redação em 1992. Se tenho alguma qualidade literária, muito se deve à minha querida professora. Já as minhas falhas… essas se devem a mim mesmo.

Nunca vou esquecer que, em uma redação sobre o Impeachment de Collor, ainda sem conhecer o Direito, eu não queria que Itamar assumisse. Foi ela que, com um puxão de orelha muito educado, me ensinou a respeitar nossa Constituição de 1988.

Com Leonor e seu marido, o grande jurista José Lamartine Corrêa de Oliveira, fui ver o cometa Halley no Largo da Ordem em 1986. Se foi uma decepção o pontinho no céu, o programa foi muito divertido para um garoto paulistano que tinha acabado de chegar a Curitiba.

Anos depois aprendi Direito de Família com o livro de Lamartine e de Francisco Muniz, mas isso é outra história…

Recomendo a leitura da coluna de José Carlos Fernandes sobre Leonor!

Leonor, gênero “vivedoura”

Por JOSÉ CARLOS FERNANDES, publicada dia 26.06.2015 na Gazeta do Povo

Pouca gente sabe, mas Dalton Trevisan, The Vamp, não vive apenas de sugar sangue dos pescocinhos lânguidos – até com canudinho, segundo as más línguas. O escritor mais recluso do mundo também faz o bem, sem olhar a quem. Virá o dia – ou a noite – em que saberemos de suas amabilidades. Com os escritores, por exemplo. Há séculos tem quem entregue escritos a ele, para que deguste e plasme uma opinião. Sei de uns tantos casos. Soube faz pouco de Leonor.

Aconteceu na década de 1970. Leonor Demeterco Corrêa de Oliveira se mandou para a Rua Emiliano Perneta – envelope nas mãos. Era ali que Dalton despachava, num escritório das Cerâmicas Trevisan. Não se viram nem nada. Falaram-se via intermediários, o que rendeu à então “jovem senhora” uma indicação para escrever na Gazeta do Povo. A conselho de DT, que sonhava poder fazer o mesmo, adotou um pseudônimo que bem parecia saído de uma novela de Janete Clair – “Francisca Lemos”. A parceria durou uns poucos anos. Muito lhe valeu.

Acabam aqui as confidências sobre o interregno literário de Leonor/Francisca e Dalton/Nelsinho, a pedido dela, debaixo de meu juramento. Seus argumentos são justos: viram-se frente a frente apenas uma vez. Não são próximos, apenas padrinho e afilhada. E ponto. “Dalton não gosta dessa invasão”, encerra, sepultando de vez o mexerico. Além do mais, faz uma data.

O Vampiro completou “Bodas de Caverna” este mês – soma 90 anos e goza de boa forma. Quanto a Leonor, 75 anos, lança na próxima terça-feira o seu primeiro livro – Era uma vez…reunião de contos e crônicas que editou debaixo da insistência canina de amigos, aos quais devemos agradecer. Até então, a autora tinha sido publicada em raras coletâneas – inclusive no exterior, a exemplo de Erkundungen – 38 brasilianische Erzähler, de 1988 –, mas nada que a retirasse do anonimato, lugar onde faz gosto em permanecer.

Justiça seja feita, DT não foi o único mestre da pena a apoiá-la. O poeta do modernismo português Sidónio Muralha, que viveu em CWB na década de 1980, encantou-se com o que leu e pediu a Leonor que publicasse, sem sucesso. Antônio Callado, de quem se tornou amiga, igualmente. Numa das cartas que trocaram, o autor de Quarup lhe disse que o mundo se divide entre pessoas “morredouras” e “vivedouras”. Ela pertencia à segunda categoria. Faz sentido.

Não tenho certeza se o título Era uma vez… guarda alguma ironia com os contos de fada. Talvez. Leonor nasceu em família rica – os Demeterco. Bela e inteligente, recebeu formação à francesa no Colégio Nossa Senhora de Lourdes – as irmãs de São José de Chambery a apontavam como a melhor das pupilas. Conheceu seu príncipe encantado no auge dos anos dourados, durante um encontro da Ação Católica. Ela pertencia à JEC, ele à JUC. Chamava-se Lamartine Corrêa de Oliveira, advogava e tinha brilho próprio – tempos depois, seu nome estaria inscrito entre os que peitaram a ditadura militar no Brasil.

Namoraram por cartas – longas cartas, muitas escritas na barca de Niterói, onde Lamartine morava. Casaram-se e tiveram quatro guris, uma “escadinha”. Em 6 de janeiro de 1967 – Dia de Reis –, a família se acidentou na estrada que ligava Matinhos à capital. Leonor tinha 26 anos e ficou paralítica. Os contemporâneos lembram do episódio como uma peça do destino, dessas que pareciam existir apenas nas crônicas de Nelson Rodrigues.

O poema A arte de perder, de Elizabeth Bishop, serve feito luva a Leonor. Anos depois do acidente, o trânsito lhe levaria ainda um filho e uma neta. Lamartine, o grande, se foi cedo também, aos 54 anos – problemas de coração. Leonor provou tudo isso a bordo de sua cadeira de rodas. Estão juntas há quase meio século, o que não a impediu de criar as crianças, dirigir um Mercury Cougar, escrever para jornal e ter se tornado no passado uma disputada professora particular de redações pré-vestibular.

Era uma vez…, o livro, é a soma de tudo isso, incluindo, claro, as seguidas rasteiras da vida. A experiência da deficiência a levou a lugares e a pessoas que não veria nem em sonhos – ela cita o irromper de aplausos numa clínica argentina, quando um tetraplégico conseguiu levar um garfo à boca. Ou a Babel de idiomas num hospital novaiorquino. A propósito, não esperem que diga impropérios. Teria todo o direito, mas não o fez, para surpresa dos psicanalistas. Quem a viu chorar? Jornalista monstro, tive de perguntar. Nem Lamartine nem os filhos, apenas o monge beneditino pére Phillipe, um dos religiosos que a ajudaram em sua sereníssima jornada noite adentro.

Informações aos navegantes – não chamem Leonor de escritora, ela diz que “apenas lida com palavras”. Acha que o fez com alguma propriedade nos contos Colóquio com Nádia, A língua e O milagre, sobre um paralítico que não volta a andar. É mulher sem afetação, dona de fala pequena e pausada. Lembra a chuva fina. Seus olhos são de uma cor que ninguém diz. Ainda brilham.