Receita para cura do “coxismo agudo”

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Uma proposta de tratamento, frente à fragilidade do pensamento egoísta no mundo.

Por Ivo Pugnaloni, ivo@enercons.com.br

Nesses últimos dias do segundo turno, aqueles que como eu tem feito campanha com seus parentes, amigos e colegas em favor da permanência de Dilma na presidência, já perceberam que o chamado “pensamento coxinha” é uma nova forma de egoísmo “filosófico” muito fácil de ser combatida.

O “coxismo”, embora inoculado dia e noite na mentalidade dos telespectadores, dos ouvintes de rádio e leitores dos jornais, como se fosse uma gripe artificial, não é assim algo tão forte que não possa ser combatido com menos de quinze minutos de papo descontraído.

Quer saber por que eu digo isso?

Em primeiro lugar porque, fora do período eleitoral, a maioria das pessoas que parecem acometidas de egoísmo e coxismo agudo, não é, na sua vida normal, nem egoísta, nem mesquinha, como apostam a mídia e seus partidos políticos coligados.

Ao contrário, na sua maioria os “coxinhas eleitorais” que contraíram a doença na sua fase aguda são pessoas boas e generosas, que cuidam de suas famílias, querem o bem do Brasil e de todos, importam-se com os menos afortunados, preocupam-se com o futuro da humanidade. Isso acontece porque, desde crianças eles foram educados assim por seus pais, avós, professores e pelas igrejas em geral. E esse pensamento está no fundo, latente, gravado nos corações e mentes dos brasileiros.

É esse pensamento generoso que faz do brasileiro um dos povos mais felizes do mundo segundo não apenas várias pesquisas científicas, mas depoimentos de estrangeiros que você mesmo já deve ter escutado que atribuem à generosidade do povo uma das maiores vantagens que os fazem querer viver aqui.

Em segundo lugar porque, no período eleitoral, a maioria dessas pessoas que no resto do tempo, não ligam muito para a política, recebe doses cavalares de propaganda subliminar dos chamados jornalistas do coxismo, que usam os argumentos mais cretinos, destinados apenas para o consumo básico do grande público. Argumentos não-isentos, quase infantis, concebidos apenas para que esse tipo de publico possa reproduzir, como se fosse um papagaio ou robô, as ultimas bobagens que a mídia adversária criou.

Ora, no momento o assunto é a política, a eleição e a maior parte desse pessoal “que não liga para a política” também quer participar, também quer discutir na “rodinha de amigos”, esse assunto, como se fosse uma copa do mundo, o resultado do desfile de carnaval, o campeonato brasileiro, onde cada um defende um “time”, uma preferência.

Acontece que, graças ao nosso sistema educacional que simplesmente ignora as aulas de cidadania e ao papel deseducador e alienante da maioria da programação dos meios de comunicação de massa e à intrigante inexistência de grandes meios de informação com pensamento “não coxinha”, as pessoas em sua maioria não sabem nem qual é o papel do Congresso, dos Estados, dos municípios, dos partidos e de quase nada que tenha a ver com a política.

E nem podiam saber, pois afinal, em toda parte, nossos amigos coxinhas involuntários, recebem apenas toneladas de informação direcionada contra as ideias de generosidade e de altruísmo. Essa informação diz a ele apenas que a “política é uma sujeira”, algo nojento. E esse é um argumento muito forte, que dá ao nosso amigo uma boa desculpa para não querer saber nada, nem discutir nada sobre isso, no círculo de bate-papo no bar, no escritório, na escola.

Assim, fora do período eleitoral, para a maioria das pessoas é muito fácil escapar do vexame de não saber nada, dizendo para si mesmo: “Eu não sei muita coisa sobre política e nem sobre a história recente do Brasil. Então para eu não passar recibo de desinformado, basta dizer a todos que isso tudo é uma sujeira e que eu nem me interesso pela política. E ainda saio por cima!”.

Mas na época das eleições, não dá para usar esse expediente. Onde quer que nosso amigo vá, o pessoal está discutindo sobre a droga da política. Então, na falta de alternativa, para não ficar “por fora”, o coxinha involuntário adota o único discurso que chega até ele que é o “pensamento coxinha”.

Mas o egoísmo, que é o centro do pensamento coxinha, não é um pensamento próprio, interno, natural de quase ninguém que eu conheça.

A maioria desse pessoal só verbaliza as soluções egoístas, racistas, xenófobas e mesquinhas para os problemas sociais porque ele prefere dizer qualquer coisa, ( mesmo que seja a ultima bobagem que ouviu do Bonner ou da Sherazade ), a ficar quieto e passar recibo de bobo. Afinal, para ele ou ela, a política é a mesma coisa que futebol, que concurso de miss, de fantasia de carnaval: você escolheu um time e torce por aquele time. E a qualidade dos argumentos é o que menos importa. Vale tudo, mesmo as mais flagrantes mentiras, para atingir o adversário, “para ganhar a discussão”.

É aí que deve começar nossa “vacinação” ou o “tratamento” contra o “coxismo”, que no total tem cinco pontos, como prescrito a seguir.

Primeiro diga ao seu “paciente” para ficar calmo, respirar com calma. Lembre-o em seguida, que você e ele ( ou ela ) não precisam alterar-se, nem ficar nervosos, nem terminar já uma conversa que nem começou, apenas por que discordam sobre em qual candidato votar. Diga que a democracia é assim mesmo, feita de opiniões diferentes e de discussões. Senão seria tudo discutido na porrada e na facada, como nas sociedades primitivas. E seria a lei do mais forte. Diga a ele que agora, ainda bem, até o mais fraco e mais pobre dos homens pode ter opinião e votar, de dois em dois anos, em seus representantes.

Diga que a política de verdade é feita de consensos, não de vitórias e derrotas. Não se trata de “ganhar” uma discussão política, uma eleição, como se fosse um jogo de futebol, depois do qual, passada a euforia da vitória ou a tristeza da derrota, tudo continua igual na vida de todos. Diga que se a conversa fosse sobre futebol, nada do que cada um disser vai mudar o time do outro. Nem sobre religião. Já na política, os resultados podem mudar muito, para melhor ou para pior, a vida das pessoas.

Em seguida diga que a política é a arte de discutir o todo, os muitos, a cidade e a cidadania ( a palavra vem do grego “polis” ). É a arte de discutir o bem comum, o futuro, a forma como os problemas de todos serão tratados e resolvidos. E que só discutir isso, já é muito difícil. Imagine só como seria difícil resolver os problemas sem discuti-los, sem conhecê-los, dimensiona-los e então estabelecer formas e programas de como resolvê-los.

Diga então que, por mais que na TV pareça que todos deveriam pensar igual, “votando no Aécio porque a Dilma defende um partido corrupto como o PT”, na verdade existem corruptos em todo lugar e em todos os partidos. E que a corrupção não foi inventada em 2003 mas sim, mais combatida, mais perseguida, mais evidenciada.

Sobre isso, diga que, segundo o próprio Tribunal Superior Eleitoral, ( mostre a lista em anexo), apenas por exemplo, o PT, embora tenha a maior bancada no congresso, é atualmente apenas o nono colocado no campeonato da corrupção, com 2, 49% dos políticos cassados. Enquanto o PSDB, partido de Aécio, e queridinho da mídia, está em terceiro lugar, com 17,1 % , o PMDB em segundo, com 19,5 %.

Diga a ele que é engraçado que, embora o campeão da corrupção, segundo o TSE, seja o DEM, com mais de 20,7% dos casos, a mídia curiosamente só valoriza os 2,49% do PT.

Pergunte a ele se ele tem uma ideia da razão pela qual se dá essa preferência. Talvez seja conveniente você andar com algumas cópias da lista em anexo a esse texto, para deixar com seus pacientes, digo, com seus amigos acometidos de coxismo agudo.

A essa hora, mais calmo diante dos fatos que você mostrou, o nosso amigo coxinha involuntário, que chamaremos “Maurício”( ou “Patrícia”, se for o caso), já estará mais calmo pois você e ele terão chegado a um consenso mais ou menos assim: “Temos corruptos e corruptores em todas as sociedades, no Brasil e no exterior. E o mundo só vai melhorar se conseguirmos dificultar sua ação”.

Vamos agora para a segunda fase do “tratamento” que consiste em reativar todos os pensamentos, hábitos e costumes religiosos cristãos, judeus, budistas, muçulmanos, afro-brasileiros e de todas as religiões, que cada um tem dentro de si, há muitos anos. E que estão apenas encobertos por uma camada fina de bobagens e preconceitos do frágil pensamento coxinha que a mídia derramou sobre ele durante tantos anos.

Reflitam juntos sobre aquilo que dizem essas religiões e filosofias sobre o egoísmo e a generosidade. Nosso amigo é ateu? Então fale a ele ou ela sobre as ideias de Platão e Sócrates a respeito dessas duas extremidades do pensamento humano: o egoísmo, que é aquela voltada apenas para o indivíduo, (que desta vida não levará nada de material) e o altruísmo, aquela postura voltada para o outro, para toda a coletividade, para a generosidade.

Mostre que a generosidade, ao preocupar-se em cuidar de todos, cuida muito melhor dele e de sua família, do que o individualismo. Afinal, se milhões de crianças ficarem fora da escola e doentes, em poucos anos, tornam-se um verdadeiro perigo, uma ameaça para a segurança e a saúde dele e de sua família, não importa quão ricos sejam.

Lembre a ele que se as crianças que hoje são pobres e miseráveis forem educadas e saudáveis, desde pequenas, por exemplo com a ajuda do programa Bolsa Família copiado em vários países do mundo, inclusive nos Estados Unidos, se forem à escola e tomarem todas as vacinas, serão cidadãos com todas as capacidades de crescerem, terem trabalho digno, reduzindo a criminalidade. Peça a ele para pensar com calma e responder se ele tem mesmo alguma coisa contra os pais de cada criança receber 77 reais por mês para garantir, por meio de um cartão magnético, que seu filho está indo à escola e tomando todas as vacinas.

Nesse momento, em tom de brincadeira, logo depois dele ou dela virem com a velha história do “é melhor dar a vara para ensinar a pescar, do que dar o peixe” pergunte a ele: “Você gosta de pescar estando com fome e com sede? Ou quando vai pescar você leva sempre seu isoporzinho, com sua geladinha e sua carninha para queimar enquanto espera o peixe que, quem sabe, uma hora dessas, virá?”

Chegamos à terceira fase.

Nosso amigo já está pronto para pensar em política sem ajuda do Bonner, da Mírian Leitão e da Scherazade. Está quase curado. Agora você precisa apenas dar a ele a outra visão.

Mas não comece pelo Minha casa Minha Vida, que já deu um teto a quase 4 milhões de famílias mais pobres, com juros não escorchantes, gerando milhões de empregos. Nem comece com o Prouni, que colocou mais de cinco milhões de jovens pobres, negros e índios nas universidades públicas e privadas, trocando imposto de renda atrasado por vagas.

Não.

Comece por aquilo que um tal de Francisco, filho de um rico comerciante da cidade italiana de Assis, na Itália, escreveu, viveu e pregou há mais de oitocentos anos. E que você pode dar a ele de presente, em honra da conversa boa e civilizada que acabaram de ter.

E não esqueça por ultimo de pedir a ele para prometer que irá tentar remover os pensamentos egoístas de seu coração.

Mas tenha cuidado.

As prescrições acima só servem para curar o coxismo na sua fase aguda.

Na fase crônica, quando não há mais possibilidade de cura, a única coisa é lembrar do que disse Francisco sobre isso: “devemos aceitar com serenidade as coisas que não podemos modificar, ter coragem para modificar as que podemos e sabedoria para perceber a diferença”. E não perder mais tempo com esse amigo, dessa vez.

Ajude a curar o “coxismo” enviando essa receita fitoterápica a mais dez de seus amigos.

Ivo Pugnaloni, 18.10.2014

ivo@enercons.com.br

http://limpinhoecheiroso.com/2013/07/25/ranking-dos-partidos-mais-corruptos/

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7 comentários sobre “Receita para cura do “coxismo agudo”

  1. Pingback: Receita para cura do “coxismo agudo” | MANHAS & MANHÃS
  2. Aqueles que tem feito isso já notaram que pararam de ser convidados para ir na casa dos parentes ? kkkk oooo gente chata que só fala em política e briga por causa de político….ingênuos…os políticos tão nem aí….daqui a pouco se acertam entre eles e oces nem um carguitinho vão ganhar…só vão ganhar inimizades e antipatia…deixem de ser os chatos do grupo, falem de outros assuntos….nada vai mudar nesse país, ganhe quem ganhe, então, sosseguem e aproveitem a vida do jeito que dá, parem de se iludir, o povo já votou em Renan, Collor, tiririca, caiado…..o próximo presidente, seja quem seja, não importa…quem manda é o Renan….ingênuos…

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  3. Tem um outro…é o HIPOCRITISMO…é assim ó = 0 cara fala que ama os pobres, que é pobrinho intelectualzóide….MAS nas férias se manda pra Disney, não vai pra África nem faz qualquer trabalho social mesmo aqui…só frequenta restaurantes finos…nunca comeu com o povão como fez a Dilma no bandejão pela primeira vez na vida…fala mal dos EUA mas tem blog do google, usa e abusa de celular, iphone, mas quer a volta da Telepar….anda de carro do ano, não anda de busão, tem empregada doméstica e reclama dela, mas se diz alto defensor dos pobres….VÃO DORMIR, HIPÓCRITAS !!!!

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  4. Não podemos perder a eleição para esta classe média fascista e para esta imprensa subserviente ao poder econômico. Dilma sempre!

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