Direita? Esquerda? Diagrama de Nolan da Gazeta do Povo tem falhas

Os dois são de centro?

Os dois são de centro?

As posições políticas são direita e esquerda, com as variações entre extrema-direita, direita, centro-direita, centro, centro-esquerda, esquerda e extrema-esquerda.

Me considero entre a esquerda e a centro-esquerda.

O cientista político estadunidense David Nolan era contrário à divisão apenas entre esquerda e direita, e inventou ainda os termos estadista e libertário, e se considerava um libertário.

A ideia é responder perguntas que vão apontar se a pessoa é de esquerda (defesa de restrições na economia e liberdade individual), centro (equilíbrio entre intervenção e liberação), direita (não intervenção econômica e controle da liberdade individual), estadista (restrição nos dois campos) ou libertário (liberdade nos dois campos).

No meu teste deu esquerda (na primeira tentativa deu centrista), mas entendo que o Diagrama de Nolan tem falhas, inconsistências e imprecisões. Já havia feito uma análise nas eleições municipais de 2012, quando na época fiz o teste e deu centrista (clique aqui).

Vamos analisar as perguntas?

São cinco perguntas sobre questões sociais (liberdades individuais) e cinco sobre questões econômicas.

1ª pergunta: O governo deve ter maneiras de controlar o conteúdo exibido na imprensa e na internet?

A resposta não pode ser apenas “discordo”, “talvez” e “concordo”.

O governo não deve controlar nem a internet nem a imprensa, mas é claro que o Estado pode. TV e rádio no Brasil são serviços públicos e o Estado deve regular esses serviços nos termos da Constituição.

A internet deve ser livre, mas é claro que abusos devem ser controlados posteriormente pelo Estado, principalmente pelo Poder Judiciário.

2ª pergunta: O alistamento militar deve ser obrigatório?

É claro que não deve.

3ª pergunta: Deve ser feita uma seleçao de estrangeiros que desejam morar no Brasil?

Óbvio que não. O mundo não pode ter fronteiras físicas, deve existir a livre circulação de pessoas.

4ª pergunta: A produção, a comercialização e o uso de drogas devem ser combatidos?

Pergunta equivocada. Entendo que ser de esquerda é ser contra a criminalização da produção, comercialização e uso de drogas. Mas é óbvio que o uso não deve ser estimulado, podendo existir restrições na propaganda e venda para crianças e adolescentes.

5ª pergunta: Deve haver cotas para o serviço público e universidades?

Óbvio que ser de esquerda é ser favorável às cotas, para reduzir as desigualdades sociais e raciais. Como é claro que apenas essa política não basta e devem existir outras mais efetivas, como ensino público, estatal, gratuito, universal e de qualidade para todos.

6ª pergunta: O governo pode cobrar altos impostos se os serviços prestados forem adequados.

Ser de esquerda é defender os impostos, mas que essas verbas sejam justamente distribuídas. Claro que se um dia atingíssemos uma igualdade material o Estado e os impostos não seriam mais necessários. Note-se que não é o governo que cobra impostos, mas o Estado, pela Administração Pública.

7ª pergunta: Deve haver salário mínimo determinado pelo governo?

Óbvio que sim, pela dignidade da pessoa humana o Estado deve fixar uma renda mínima a ser garantida pelo próprio Estado e pela iniciativa privada.

8ª pergunta: O governo deve resgatar empresas em dificuldade financeira?

Em princípio não, mas a pergunta é complexa. Ser de esquerda pode ser defender a ajuda a micro-empresas.

9ª pergunta: O governo deve criar agências para regular o setor privado?

Talvez a pergunta mais equivocada de todas. É claro que é ser de esquerda querer que o Estado regule o setor privado. Mas não pelas agências reguladoras criadas pelos neoliberais-gerenciais, com o intuito de retirar o poder na democracia de regular e repassar para entidades independentes do governo, que acabam sendo capturadas pelo grande capital, atuando no interesse do mercado financeiro.

10ª pergunta: O governo deve usar os impostos para fazer distribuição de renda?

Óbvio que sim, é uma obrigação constitucional. Por isso que muitos neoliberais de direita são contrários à Constituição Social, Republicana e Democrática de Direito de 1988.

Meus candidatos a deputado federal André Vieira, Paulo Salamuni, foram considerados de esquerda.

Mas vejam os absurdos: Reinhold Stephanes, Rubens Bueno e Sandro Alex foram considerados equivocadamente como de esquerda.

Meus candidatos a deputado estadual Professora Josete, Tadeu Veneri, Toni Reis e Xênia Melo  foram considerados de esquerda.

Mas há absurdos: Douglas Fabrício e Felipe Francischini de esquerda?

Candidatos que eu recomendo o voto para governador Bernardo Pilotto e Rodrigo Tomazini são corretamente de esquerda.

Entre os candidatos a deputado federal estatista está a correta Dr.ª Clair.

Mas há absurdos entre os estatistas: Luiz Carlos Hauly, Ricardo Barros, entre outros.

Outros absurdos entre candidatos a deputado federal: Professora Marlei e Ulisses Kaniak, claramente de esquerda, juntos com o direitista Delegado Francischini entre os candidatos de centro.

Os candidatos ao senado Alvaro Dias, Marcelo Almeida e Ricardo Gomyde são todos de centro, segundo o diagrama.

Os candidatos ao governo Beto Richa e Roberto Requião são de centro segundo o diagrama, o que é um equívoco total.

Gleisi Hoffmann não foi avaliada, nem os principais candidatos à presidência.

Faça o seu teste e confira seus candidatos, clique aqui.

7 comentários sobre “Direita? Esquerda? Diagrama de Nolan da Gazeta do Povo tem falhas

  1. Baita cientista político o Sr David Nolan um real libertário. A matéria da gazeta surpreendeu pela melhor qualidade do que normalmente vinham fazendo.

    Curtir

  2. Q materia essa fazer um teste pra ver se encontra dos seus!! membros da esquerda que são automaticamente ligados ao seu estimado partido e a corrupção ao qual ele se está ligado e vc tão cegamente os defende!!

    Curtir

  3. Existe um diagrama simples e fácil de entender: o do bom senso, que seria continuar com Beto Richa, e do descalabro, que seria votar em Requião. Ganha o bom senso.

    Curtir

  4. Anteriormente ao do Diagrama de Nolan, havia feito outro teste semelhante na página da Folha de São Paulo. Porém, apesar de ambos terem perguntas bastante semelhantes, o resultado foi distinto. No da Folha, fiquei entre os 4% da população brasileira identificada como sendo “de esquerda”. Já no de Nolan, fui tachado de “estatista”. Não me conformando com o resultado deste último, fui pesquisar e acabei caindo aqui.
    O que mais me surpreendeu foi a descrição de “estatista” apresentada ao final do teste e as respectivas “sugestões de leitura” que me levaram ao portal “libertarianismo.org”. Ao abrir este portal, verifiquei que em sua “biblioteca”, constavam como sugestões de leitura nomes como os de Eduardo Giannetti da Fonseca, José Guilherme Merquior e José Osvaldo de Meira Penna. O primeiro deles, pelo que pesquisei, um dos braços-direito da campanha de Marina Silva (PSB). O segundo e o terceiro têm relações com Olavo de Carvalho, Reinaldo Azevedo (Veja). Definitivamente não me senti satisfeito, quiçá representado por estes “profissionais”.
    Mas o que realmente queria dizer, Tarso, é que achei teu texto muito interessante. Síntese esclarecedora e representativa daquilo que também penso. Acredito que as perguntas do Diagrama de Nolan são muito objetivas, e em se tratando de temas no mínimo discutíveis, a maioria não tem uma única resposta que acaba sendo específica e excludente.

    Curtir

  5. Muito interessante a análise do diagrama. Concordo que ele é muito mais um instrumento de reflexão do que de etiquetação (no qual se provou falho).
    As perguntas abrem muita margem para discussão.
    Cotas? Para educação, infelizmente temos que admitir esta situação visto à desigualdade social e o acesso limitado a educação de qualidade (no meu ponto de vista, apenas sociais). No serviço público, o qual depende de educação superior, jamais. Já existe um sistema de cotas para o acesso à educação. E utilizar um sistema de cotas para processos seletivos é atestar que quem utiliza a cota para o acesso ao ensino não é capaz de sair dele no mesmo nível, o que é contestável.
    Este tipo de análise vale pra todas as perguntas. E responder “é claro” para alguma, ou “claro que não”… fecha muitas portas para reflexão coletiva.
    Alistamento militar: Por que não ser obrigatório (não só para homens). Não seriam todos incorporados, claro. Mas forma-se uma reserva. Estabeleça um sistema de voluntariado. No meu ano de alistamento, foi patético ver que pessoas que colocavam-se como voluntário eram dispensados (com pessoas que não se colocavam como voluntários cumpriam todo o processo). Se não houverem voluntários para preencher a demanda, começa-se a colocar outros. Não precisa ser um Sim seco ou Não seco.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s