ObsCena: José Serra, apenas mais um rostinho bonito (e simpático) da política brasileira

Das condutas vedadas aos agentes públicos em campanhas eleitorais

Por Tarso Cabral Violin

Para tentar evitar o uso da máquina pública pelos governantes, a Lei 9.504/97, que estabelece normas para as eleições, define também as condutas vedadas aos agentes públicos em campanhas eleitorais nos arts. 73 e seguintes. Note-se que no gênero “agentes públicos” encontram-se as seguintes espécies: agentes políticos, servidores estatais e os agentes de colaboração.

Os agentes políticos são o presidente, os governadores e os prefeitos e seus vices e ministros e secretários. Alguns doutrinadores do Direito Administrativo ainda incluem no rol os magistrados, membros do Ministério Público e dos Tribunais de Contas.

Os servidores estatais são os estatutários, celetistas e servidores temporários e comissionados.

Entre os agentes de colaboração estão os recrutas do serviço militar, jurados, mesários do TRE, terceirizados, concessionárias/permissionárias de serviços públicos, tabeliões de cartórios privados, estagiários, etc.

A todos esses agentes públicos são proibidas as seguintes condutas tendentes a afetar a igualdade de oportunidades entre candidatos nas eleições:

1. Cessão ou utilização, em benefício de qualquer candidato/partido político/coligação, bens pertencentes à Administração Pública, de todas as esferas da federação. É possível a utilização de bens públicos para a realização de convenção partidária.

Essa vedação não se aplica ao uso, em campanha: (a) de transporte oficial pelo Presidente da República; (b) pelos candidatos a reeleição dos chefes do Poder Executivo e seus vices, de suas residências oficiais para realização de contatos, encontros e reuniões pertinentes à própria campanha, desde que não tenham caráter de ato público. O uso em campanha de transporte oficial pelo presidente e sua comitiva será ressarcido pelo seu partido político/coligação, nos termos da própria lei.

2. Utilização de bens ou serviços custeados pelo Poder Público, de forma contrária às normas aplicáveis aos órgãos e entidades públicas.

3. Cessão de servidor estatal ou utilização de seus serviços, para comitês de campanha eleitoral de candidato/partido político/coligação, durante o seu horário de expediente.

4. Fazer/permitir uso promocional em favor de candidato/partido político/coligação, de distribuição gratuita de bens e serviços de caráter social custeados pelo Poder Público.

5. Apenas na circunscrição do pleito: nomear/contratar/admitir/demitir sem justa causa/suprimir ou readaptar vantagens/dificultar ou impedir o exercício funcional/ex officio, remover, transferir ou exonerar servidor público, nos três meses que o antecedem e até a posse dos eleitos, sob pena de nulidade de pleno direito. As ressalvas a esse ponto 5 são: (a) nomeação/exoneração de cargos em comissão e designação/dispensa de funções de confiança; (b) a nomeação para cargos do Poder Judiciário, do Ministério Público, dos Tribunais de Contas e dos órgãos da Presidência da República; (c) a nomeação dos aprovados em concursos públicos homologados até o início daquele prazo; (d) a nomeação/contratação necessária à instalação ou ao funcionamento inadiável de serviços públicos essenciais, com prévia e expressa autorização do Chefe do Poder Executivo; (e) a transferência ou remoção ex officio de militares, policiais civis e de agentes penitenciários.

Também são proibidos nos três meses que antecedem a eleição:

(a) realizar transferência voluntária de recursos entre União, Estados e Municípios, sob pena de nulidade. Ressalvada obrigação preexistente para execução de obra/serviço em andamento e com cronograma prefixado; ou situações de emergência/calamidade pública.

b) autorizar publicidade institucional dos atos/programas/obras/serviços/campanhas da Administração Pública direta e indireta, federal, estadual e municipal. Ressalvas: caso de grave e urgente necessidade pública, reconhecida pela Justiça Eleitoral; e propaganda de produtos e serviços que tenham concorrência no mercado. Por exemplo, propaganda do Banco do Brasil é possível, pois ele concorre com os bancos privados. Apenas aos agentes públicos das esferas administrativas cujos cargos estejam em disputa na eleição. Ou seja, se a eleição é para prefeito e vice, essa regra não se aplica para governadores e presidente.

c) fazer pronunciamento em cadeia de rádio e televisão, fora do horário eleitoral gratuito. Ressalva: a critério da Justiça Eleitoral, tratar-se de matéria urgente, relevante e característica das funções de governo. Apenas aos agentes públicos das esferas administrativas cujos cargos estejam em disputa na eleição.

Também são proibidas, em ano de eleição (antes dos 3 meses), despesas com publicidade da Administração Pública direta e indireta, federal, estadual e municipal, que excedam a média dos gastos nos três últimos anos que antecedem o pleito ou do último ano imediatamente anterior à eleição.

Na circunscrição do pleito, é proibida a revisão geral da remuneração dos servidores públicos que exceda a recomposição da perda de seu poder aquisitivo ao longo do ano da eleição, a partir da escolha do candidato até a posse dos eleitos.

No ano da eleição ainda é proibida a distribuição gratuita de bens/valores/benefícios pela Administração Pública, exceto nos casos de calamidade pública/estado de emergência/programas sociais autorizados em lei e já em execução orçamentária no exercício anterior. Nesses casos o Ministério Público poderá promover o acompanhamento de sua execução financeira e administrativa.

Nos anos eleitorais esses programas sociais não poderão ser executados por entidade nominalmente vinculada ou mantida por candidato.

O descumprimento dessas proibições acarretará (além das de caráter constitucional/administrativo/disciplinar: (a) suspensão imediata da conduta, quando for o caso; (b) sujeitará os responsáveis a multa no valor de cinco a cem mil UFIR (duplicada a cada reincidência); e (c) o candidato beneficiado, agente público ou não, ficará sujeito à cassação do registro/diploma.

As multas aplicam-se aos agentes públicos responsáveis pelas condutas vedadas e aos partidos, coligações e candidatos que delas se beneficiarem. Na distribuição dos recursos do Fundo Partidário (Lei nº 9.096/95) oriundos da aplicação dessas multas, serão excluídos os partidos beneficiados pelos atos que as originaram.

Ocorridas as condutas vedadas fica caracterizado, ainda, atos de improbidade administrativa, nos termos do art. 11, I, da Lei de Improbidade Administrativa (Lei nº 8.429/92), sujeitatando-se àquela lei, em especial ao art. 12, III.

A representação contra a não observância das vedações acima observará o rito do art. 22 da Lei Complementar 64/90 (lei das inelegibilidades), e poderá ser ajuizada até a data da diplomação.

O prazo de recurso contra decisões proferidas com base nessas vedações será de 3 dias, a contar da data da publicação do julgamento no Diário Oficial.

Configura abuso de autoridade, para os fins do disposto no art. 22 da LC 64/90, a infringência do disposto no § 1º do art. 37 da Constituição, que determina que “a publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos”. Fica o responsável, se candidato, sujeito ao cancelamento do registro ou do diploma.

Nos três meses que antecedem as eleições, na realização de inaugurações, ainda é vedada a contratação de shows artísticos pagos com recursos públicos. Se essa vedação for descumprida, além de suspensa imediatamente a conduta, o candidato beneficiado (agente público ou não), ficará sujeito à cassação do registro ou do diploma.

Por fim, é proibido a qualquer candidato comparecer, nos 3 meses que precedem o pleito, a inaugurações de obras públicas, estando sujeito o infrator à cassação do registro/diploma.

Recomendo a cartilha das condutas vedadas dos agentes federais formulada pela AGU em 2010, clique aqui.

Tarso Cabral Violin – Advogado, blogueiro (Blog do Tarso) e professor de Direito Administrativo

Reportagem sobre o RDC na Carta Capital

Na Carta Capital de 27 de junho de 2012

Diferenciado para quem?

GESTÃO PÚBLICA – o governo tenta estender aos contratos de infraestrutura o regime que agiliza as licitações

POR LUIZ ANTONIO CINTRA

APROVADA EM 1993, a Lei de Licitações nun­ca conseguiu evitar a contento o assalto dos corruptos aos cofres públicos. Em todas as esferas da administra­ção, burocratas bem-intencionados quei­maram os neurônios para driblar os en­traves jurídico-administrativos e tirar do papel os projetos de investimento. En­quanto os desonestos de plantão, em cartel ou isoladamente, se esbaldaram na lama das propinas e da ineficiência.

Na terça-feira 26, na sede do Minis­tério da Integração Nacional, em Brasí­lia, esse será o pano de fundo quando um grupo responsável por gerir um quinhão relevante do PAC reservará algumas ho­ras para ouvir o relato de profissionais da Infraero. Pressionados pela urgência que vem da cúpula e os rigores e brechas da legislação, pesarão os prós e contras do Regime Diferenciado de Contrata­ções (RDC), iniciativa que o governo pre­tende estender para as obras do PAC.

Aprovada na Câmara na terça-feira 12, a medida provisória que propõe as novas regras tende a ser aprovada no Senado nas próximas semanas.

Incomodado com o ritmo lento das obras de infraestrutura em várias fren­tes, o Planalto argumenta que o RDC é um expediente provisório até o Con­gresso discutir e aprovar uma reforma ampla da Lei de Licitações, o que leva­rá ao menos um ano e meio, segundo o deputado federal Luiz Pitiman (PMDB­DF), presidente da Frente Parlamentar Mista de Gestão Pública.

“As primeiras experiências com o RDC, levadas pela Infraero, demons­tram que esse pode ser um instrumento bem mais eficiente. O tempo médio das licitações da Infraero, por exemplo, caiu de 250 para 80 dias”, diz Pitiman. “A Lei de Licitações é extremamente ultrapas­sada, não interrompeu a corrupção e é demorada demais. Com a contribui­ção dos três poderes, vamos propor um instrumento definitivo que vá além das obras e sirva também para as áreas de saúde, educação e outras.”

No curto prazo, não cansa de repetir a presidenta Dilma Rousseff a seus minis­tros, a hora é de acelerar os investimen­tos, daí a urgência da MP. Usado até aqui para licitar obras aeroportuárias e outras igualmente ligadas à Copa, o RDC, contu­do, não é consensual. A novidade enfren­ta críticas no Congresso e entre especia­listas por causa de alguns de seus princí­pios, que sob o pretexto de encurtar o pra­zo entre a publicação do edital e a entrega da obra transferiria uma parcela da sobe­rania do Estado para a iniciativa privada.

Alguns consideram o RDC inconstitu­cional, tese que será analisada em breve pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em um primeiro momento, contudo, ca­berá ao ministro Luiz Fux decidir se aca­ta ou não as liminares para suspender a validade do regime propostas em con­junto pelo DEM, PSDB e PPS, e aquela ajuizada pelo procurador-geral da Repú­blica, Roberto Gurgel.

Para o advogado Pedro Estevão Ser­rano, professor da PUC-SP, os aspectos negativos superam os positivos. “O RDC traz avanços em matéria de economia de tempo, ao reduzir as possibilidades de re­cursos administrativos. Mas traz normas muito ruins, como a contratação integra­da, que no fundo leva o Estado a abrir mão de uma parcela de sua soberania.” Para o especialista, o expediente é um resquício da voga neoliberal dos anos 1990.

A chamada contratação integrada cria­da pelo RDC foi usada pela primeira vez pelo governo de Mato Grosso, cuja capi­tal, Cuiabá, será uma das sedes da Copa. Na quarta-feira 20, o governo local assi­nou o contrato para a construção de um trem de superfície do tipo VLT, 78 dias após a publicação do edital. O que preo­cupa os especialistas é que nesse forma­to jurídico a licitação é realizada com ba­se em um anteprojeto de poucas especi­ficações, cujo orçamento é inicialmen­te sigiloso. Coube às empreiteiras detalhar o anteprojeto em suas propostas e apresentar a previsão de custo, que para o consórcio vencedor será de 1,5 bilhão de reais. O projeto básico da obra é pos­terior à escolha do projeto, o que muitos consideram uma incongruência.

À frente do processo, o secretário es­tadual Maurício Guimarães, responsável pelo VLT de Cuiabá, faz um balanço po­sitivo. “Além de ser mais rápido, o RDC não permite a criação de aditivos. E ca­so surjam imprevistos, a responsabilidade será exclusivamente da contratada, ao contrário do que ocorre hoje.” Guima­rães prepara o edital para contratar uma empresa que gerencie as obras do VLT, também pelas normas do RDC. “A nova lei é um grande marco que tira todas as possíveis coisas ocultas que costumam caracterizar muitas licitações.” O secre­tário diz ainda que o processo levaria ao menos 120 dias até a assinatura do con­trato, caso não seguissem as regras para as obras relacionadas à Copa.

O advogado Augusto Dal Pozza, coor­denador de um livro sobre o tema, des­taca como favorável a desburocratização que o novo marco jurídico representaria, a começar pela redução das oportunida­des de recursos, mas também pela inver­são das fases (com a análise das propos­tas prévia à habilitação dos proponentes) e a possibilidade de negociação en­tre as partes envolvidas após a escolha do consórcio vencedor. Dal Pozzo criti­ca, porém, o orçamento sigiloso, por dar margem à venda de informações, já que saber o quanto o contratante estaria dis­posto a gastar torna-se um ativo valioso. E considera “ruim” a contratação inte­grada, pelos mesmos motivos apresentados por Serrano, seu colega na PUC-SP.

Próximo ao governo federal, o eco­nomista Amir Khair, ex-secretário de Finanças de São Paulo, chama a aten­ção para o que considera o pior dos mundos, as normas da famigerada le­gislação de 1993. “Fazer compras ou in­vestir no sistema público pela lei atual é algo gravíssimo. O cipoal burocráti­co e o medo dos funcionários de segun­do e terceiro escalões de serem respon­sabilizados sacrifica a todos. É preciso desburocratizar, mas também fiscali­zar, não só no momento da contratação, mas também durante a execução.”

Reduzida a burocracia, diz um conhe­cedor da máquina pública, as obras de in­fraestrutura terão de encarar outro gar­galo: a falta de pessoal com expertise pa­ra criar um processo de licitação eficien­te, para além da inescapável retidão.

ObsCena: Discurso de Serra empolga militância

Do Esquerdopata

Senador Álvaro Dias (PSDB/PR) pode não se reeleger ao apoiar o golpe no Paraguai

O PSDB apoiou o golpe no Paraguai e o Senador pelo Paraná, Álvaro Dias, virou o embaixador do partido na defesa do presidente golpista. Álvaro Dias garantiu ao presidente Franco o apoio incondicional do PSDB à nova ordem estabelecida em Assunção.

Nas próximas eleições para o Senado em 2014 Álvaro Dias terá dificuldades em se reeleger. Apenas uma vaga será disputada em 2014.

Primeiro vai ter que conseguir que seu irmão Osmar Dias (PDT) não se candidate, o que é difícil, pois como os candidatos ao governo serão Beto Richa (PSDB), Roberto Requião (PMDB) e Gleisi Hoffmann (PT), ele não vai querer entrar em bola dividida e tentará voltar ao Senado.

Mesmo se Osmar não for candidato, para Álvaro ser o candidato da direita vai ter que concorrer previamente com o presidente da Assembleia Legislativa Valdir Rossoni (PSDB) e o candidato a vice de Luciano Ducci, Rubens Bueno (PPS).

Mesmo se vencer a disputa interna, vai ter que explicar seu até recente dueto no Senado com o Demóstenes Torres (ex-DEMO).

Vai ter que explicar, sempre, quando como governador em 1988 os professores apanharam da PM no Paraná (veja vídeo abaixo).

Vai ter que explicar porque sempre foi contra os programas sociais dos presidentes Lula e Dilma Rousseff (PT).

E por fim vai ter que explicar a posição golpista de apoio ao ilegítimo impeachment de Fernando Lugo no Paraguai.

Na Boca Maldita já se fala que Álvaro Dias está querendo ser eleito presidente da loja Monalisa em Ciudad del Este.

Um vergonha para quem já foi contra a privatização da Copel e hoje está com essa turma conservadora golpista dos demotucanos.

Caetano Veloso canta jingle de Marcelo Freixo (PSOL) no Rio, candidato à prefeito

clique aqui e ouça o jingle

O negociador Rubens Bueno, vice de Luciano Ducci, traiu a filha, vereadora Renata Bueno (PPS). Ela não subirá no palanque

Imagem do Blog do Esmael, da revista Veja de amanhã

“A vereadora Renata Bueno, do PPS, havia lançado dois meses atrás sua candidatura a prefeita de Curitiba. Já tinha marqueteiro contratado, jingle pronto e apoio de dois partidos. Na semana passada, porém, foi surpreendida pelo próprio pai, deputado federal Rubens Bueno, líder do PPS e membro da CPI do Cachoeira. Rubens comunicou à filha que ela deveria retirar seu nome da disputa, uma vez que ele havia negociado uma aliança para a reeleição do atual prefeito, Luciano Ducci (PSB), de quem será vice. Sem opção, Renata obedeceu, mas avisou que não subirá no palanque de Ducci e do pai.”

Caos na saúde da Curitiba do médico Luciano Ducci

Pergunta do dia: Juntos? Onde está o ex-quase-vice Derosso na propaganda do Luciano Ducci?

Três considerações sobre o vídeo de campanha de Luciano Ducci

Três considerações sobre o vídeo de campanha do prefeito Luciano Ducci (PSB) na internet:

1. Se a justiça eleitoral não fizer nada com relação ao “Juntos”, por ser propaganda eleitoral antecipada, há meses nas ruas nos carros dos comissionados da prefeitura de Curitiba e do Estado do Paraná, vai comprovar que ela não é séria;

2. O PSB tem as cores dos tucanos (e do Boca Juniors) em Curitiba. Atucanaram os “socialistas”!

3. Luciano Ducci é o poste de Beto Richa, sem rodinhas, sem alça…

Professoras doutoras também entendem que ocorreu golpe no Paraguai

Publicado na Carta Maior e Gazeta do Povo de hoje

O Mercosul do futuro

O Mercosul vive um novo momento e uma expectativa muito favorável no sentido de sua expansão. Em um mundo multipolar agonizante, não interessa aos países hegemônicos o fortalecimento de blocos de Estados, e o consequente fortalecimento de sua força econômica e política nas negociações multilaterais. Também não interessa o fortalecimento econômico do Mercosul em decorrência, por exemplo, da entrada da Venezuela como membro pleno. O artigo é de Carol Proner e Larissa Ramina.

Carol Proner (*) e Larissa Ramina (**)

O Mercosul foi instituído em 1991, por iniciativa dos então presidentes Collor, Menen, Rodrigues e Lacalle. Como não poderia deixar de ser, o Bloco foi fruto do seu tempo, impregnado do modelo neoliberal da década de noventa e da ideia de integrar para competir no mercado globalizado pela via da eliminação das barreiras comerciais. Seus pilares foram ditados pelo consenso de Washington, quais sejam, enfraquecimento do Estado por meio da desregulamentação, privatização e livre movimento de bens, serviços e capitais. Não se tratava, como já bastante estudado, de amplo projeto de integração regional, mas de projeto de mercado.

As características mais marcantes do Bloco sempre foram as assimetrias estruturais. Seus quatro membros incluem os dois Estados com maior território na América do Sul, o Estado com menos população (Paraguai) e o país de maior renda per capita e IDH do subcontinente (Uruguai), sem mencionar as discrepâncias econômicas, energéticas, tecnológicas entre tantas outras. Os desequilíbrios que decorrem dessas assimetrias persistem e se renovam a partir das demandas internas e internacionais.

O atual momento de crise capitalista, no entanto, traz novos desafios aos países do Cone Sul. Vinte anos de integração comercial não contribuíram significativamente para a diminuição das assimetrias, seja no plano interno de cada país, seja no próprio Bloco econômico. Recentemente, com a criação do cargo de Alto Representante Geral do Mercosul, tentou-se uma alteração de foco nos rumos do Bloco visando uma integração socialmente orientada e preocupada com o efetivo desenvolvimento econômico, para transformar o Mercosul, de simples união aduaneira e área de livre comércio imperfeitas, em um modelo de desenvolvimento regional equilibrado e harmonioso, passando pela eliminação das assimetrias. Todavia, a falta de compreensão do Mercosul como uma alavanca para o desenvolvimento de seus sócios aparentemente contribuiu para a renúncia de Samuel Pinheiro Guimarães, um dos grandes estrategistas da política externa independente do governo Lula e primeiro ocupante daquele cargo.

Para Pinheiro Guimarães, a destituição de Fernando Lugo do Paraguai é simbólica de um momento sensível, erodindo a credibilidade do Mercosul e desgastando os governos progressistas da região. Ressalta que o projeto dos EUA para a América do Sul nunca foi a integração do Cone Sul, mas antes a ALCA, e agora o que chamou de “mini-Alcas” bilaterais, em referência aos acordos de livre-comércio celebrados individualmente com vários países sul-americanos. Em um mundo multipolar agonizante, não interessa aos países hegemônicos o fortalecimento de blocos de Estados, e o consequente fortalecimento de sua força econômica e política nas negociações multilaterais. Também não interessa o fortalecimento econômico do Mercosul em decorrência, por exemplo, da entrada da Venezuela como membro pleno.

Como visto recentemente, a suspensão do Paraguai abriu a brecha para o ingresso da Venezuela como membro do Bloco, inaugurando uma nova e promissora fase no aspecto econômico e político. Já se manifestam vozes no sentido de argumentar a ilegalidade do ingresso do novo Membro diante do processo veloz de suspenção do Paraguai, mas a análise meramente legalista da questão esbarra em aspectos fundamentalmente políticos, em especial agravados pela crise gerada pelo golpe “constitucional” eivado de ilegalidade e ilegitimidade.

É inquestionável que a entrada da Venezuela no Mercosul objetiva, primordialmente, uma questão econômica. A Venezuela é o quinto produtor mundial de petróleo, de forma que os benefícios econômicos advindos da inclusão daquele país são suficientemente convincentes até mesmo para acalmar os ânimos antichavistas. Com o ingresso da Venezuela, o Mercosul terá cerca de 80% do PIB, 72% da área e 70% da população sul-americana. O artigo de Martín Granovsky, publicado na Carta Maior, especula a dimensão econômica dessa incorporação, enfatizando que a integração já existe em muitos aspectos e que só tende a tornar o Mercosul mais forte e competitivo:

I – As importações feitas pela Venezuela de países do Mercosul aumentaram em mais de seis vezes nos últimos 7 anos (desde 2003) saltando de 1,194 para 7,453 bilhões de dólares.

II – A eventual associação da PDVSA venezuelana e da Petrobras poderia resultar na maior empresa petrolífera do mundo;

III – O Mercosul ganha uma dimensão andina com a entrada da Venezuela, fortalecendo-se geoeconômica e geopoliticamente;

IV – Grandes projetos fronteiriços entre Brasil e Venezuela já estão em andamento para melhorar a integração física, como a rodovia e a interconexão ferroviária do sudeste de Venezuela ao norte do Brasil e a interconexão elétrica entre a empresa venezuelana Del Gurí e Manau, ganhando institucionalmente mais força com a entrada da Venezuela como Membro pleno;

V – a entrada da Venezuela segue a ideia, fomentada por Samuel Pinheiro Guimarães no Relatório feito ao Conselho de Ministros, de que o Mercosul, para consolidar-se como pedra angular da integração econômica, deve ainda gradativamente incorporar Equador, Bolívia, Suriname e Guiana, incorporações diferenciadas e com respeito ao nível de desenvolvimento de cada país.

O ingresso da Venezuela como Membro do Bloco estava sendo cogitada há anos. Todavia, seu ingresso vem sendo questionado muito mais por razões ideológicas que por fundamentações econômicas. Conforme ressalta Marco Aurélio García, Assessor especial da Presidência da República do Brasil, os governos dos Estados integrantes tanto do Mercosul como da Unasul têm trabalhado com um bom nível de apoio recíproco nos últimos anos, incluindo bom diálogo com governos que poderiam ser caracterizados como de direita ou centro-direita, como foi o caso da Colômbia no período de Uribe.

As acusações relacionadas ao atual governante venezuelano em nada podem desaconselhar a participação daquele Estado no Bloco econômico. Nesse sentido, o Mercosul vive um novo momento e uma expectativa muito favorável no sentido de sua expansão e se renova a partir do exercício de um ato simbólico muito positivo: os mesmos três votos que autorizaram o ingresso da Venezuela no Bloco também decidiram, com fundamento no Protocolo de Ushuaia I, pela suspensão do Paraguai em razão da “quebra da estabilidade democrática”, consolidando a importância da cláusula democrática em uma região castigada por golpes de Estado e quebras institucionais.

(*) Carol Proner é Doutora em Direito Internacional pela UPO. Coordenadora do Mestrado em Direito da UniBrasil e Codiretora do Programa Máster-Doctorado em Derechos Humanos da UPO-Sevilla-ES.

(**) Larissa Ramina é Doutora em Direito Internacional pela USP. Professora Mestrado em Direito da UniBrasil. Professora da UFPR e da UniCuritiba.

Rafael Greca, o candidato que investe em obras de arte!

Na declaração de bens do candidato a prefeito de Curitiba, Rafael Greca (PMDB), constam várias obras de arte. O candidato tem bom gosto em seus investimentos!

Sou mais rico do que o prefeito milionário Luciano Ducci!

Não entendi. O prefeito de Curitiba, Luciano Ducci (PSB), é milionário, conforme ele mesmo confessou, mas informou à justiça eleitoral que tem apenas R$ 312.100,22 de bens.

Para a justiça eleitoral, sou mais milionário do que o Luciano Ducci! Amém!

Começou a campanha hoje. Veja a lista proibida do Blog do Tarso, dos atuais vereadores que não merecem ser reeleitos

Professora Josete, a mais transparente e com menor rejeição, começa a campanha para vereadora

A vereadora Professora Josete (PT) foi considerada a vereadora mais transparente de Curitiba e na enquete do Blog do Tarso é a vereadora de Curitiba com menor rejeição (vote e veja na coluna do lado direito).

Josete acabou de lançar sua campanha e seu número é o 13613.

Os advogados candidatos

Os advogados Gustavo Fruet (PDT) e Mirian Gonçalves (PT), candidatos à prefeito e vice-prefeita de Curitiba, na aliança que ainda conta com o PV, protocolaram ontem no TRE/PR suas candidaturas (foto acima).

Serão os candidatos de toda a classe jurídica, desde advogados, juízes, promotores, procuradores, professores, bacharéis e estudantes de Direito.

O outro candidato à prefeito que também é advogado é Bruno Meirinho (abaixo), do combativo PSOL, que também promete votos da classe jurídica.

Conheça a Marinalva Silva, candidata a vice-prefeita de Rafael Greca (PMDB) em Curitiba

Missionária e Militante Política

A vice-candidata do PMDB à Prefeitura de Curitiba é a missionária religiosa e militante dos movimentos sociais, Marinalva Gonçalves da Silva, de 57 anos de idade. Mulher obstinada, hoje, esposa e mãe, sua trajetória política carrega o DNA do Movimento Democrático Brasileiro, que deu origem ao atual PMDB, onde foi representante feminina na Comissão Provisória da fundação do partido, em 1980.

Marinalva da Silva tem formação acadêmica e presença efetiva em movimentos sociais comprometidos com a qualidade de vida do povo, no contexto local e nacional. Na saúde pública lutou pela criação do SUS, que na Oitava Conferência Nacional de Saúde, em março de 1986, definiu o Sistema Único de Saúde-SUS como “Direito do Cidadão e Dever do Estado”.

A vice-prefeita do PMDB é Assistente Social/Sanitarista, com especialização em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Foi professora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). É servidora da Secretaria de Estado da Saúde (SESA). Já atuou como Diretora da Segunda Regional de Saúde Metropolitana, atendendo as demandas da grande Curitiba, nas três gestões do governo Roberto Requião. Atualmente está lotada no HEMEPAR, setor importante para a participação cidadã através da doação de sangue salvando vidas.

Sua escolha para vice de Rafael Greca representa o respeito à sua histórica militância social, e sinaliza o propósito de restaurar na Prefeitura os ideais de uma cidade saudável, mais humana, tranquila para seus habitantes, cuja maior beleza será a justiça social.

Experiência Comprovada

Para Marinalva, a aprovação de Greca como candidato à Prefeitura de Curitiba, nas eleições de 7 de outubro,  “é a escolha certa de alguém com visão sistêmica e de planejamento, pois Curitiba não pode continuar com este manifesto desânimo de sua população. Greca significa Curitiba em boas mãos, pois é um Engenheiro experiente e um urbanista voltado para inovação e para a justiça social”, disse.

Marinalva tem por base moral e ética, os preceitos da Teologia da Libertação, na linha dos pensadores cristãos Leonardo Boff e Frei Beto, comprometidos com a mudança social iluminada pela força da fé em Deus. Esta filosofia de vida, Marinalva e seu marido João Benjamim dos Santos aplicam na reflexão e na prática política.

Nascida em Campo Mourão, região Noroeste do Paraná, num patrimônio de lavradores de café, conhecido por Paraná d’Oeste.

Marinalva da Silva deixou o trópico dos pés vermelhos rumo a São Paulo, onde foi buscar sua formação, e engajou-se na luta do povo mais humilde de Itaim Paulista por saneamento básico e moradia. Depois, sempre inspirada pelo ideal cristão e socialista, veio a Curitiba, ao tempo do Movimento das Diretas Já onde participou do MDB, ao lado do advogado dos movimentos populares que viria a ser o deputado popular, prefeito, governador e senador Roberto Requião.

Do MDB, seguiu para o PMDB, no ano de 1980, pois avaliava como a opção viável para as mudanças políticas e sociais que o Brasil necessitava. Desde então, Marinalva, que mora no Fazendinha,  um dos bairros mais populosos da capital paranaense, destaca-se pelo trabalho nas mudanças sociais, envolvendo saúde, educação, moradia e lazer.

Teologia da Libertação

A vida cívica da assistente social/sanitarista começou antes mesmo de iniciar-se no mundo da política partidária. Aos 13 anos, Marinalva ingressou na Congregação das Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado, permanecendo aproximadamente 10 anos.

Como religiosa já desenvolvia um belo trabalho social voltado principalmente aos moradores de periferias e bairros mais pobres com a missão de “levar a palavra de Deus onde a pobreza dificulta a saída das pessoas na procura de mudanças”. A constante missionária traz a vida com os preceitos de mudança social como direito do cidadão.

Opção de vida

De religiosa, a assistente social/sanitarista optou pela participação política como instrumento de transformação social. A mudança para Curitiba, em 1978, proporcionou para Marinalva um contato direto com os movimentos sociais, somando esforços ao lado de lideranças como Gilberto Carvalho, que hoje tem forte atuação junto ao governo da presidenta Dilma, em focos de atuação na realidade social dos moradores das margens do Rio Belém.

Marinalva entende que a ação em cada local se distingue pela união da comunidade cobrando a responsabilidade dos órgãos competente, como a prefeitura e sistemas de controle ambiental.

O trabalho social na comunidade era feito com a bandeira da Pastoral, relacionada à Teologia da Libertação. “Participávamos da vida das pessoas, tínhamos uma organização para buscar mudanças. Este bairro passou a ser referência para trabalhar outras realidades”, relatou.

Junto ao movimento sindical, Marinalva se somou aos metalúrgicos em uma mobilização que entrou para a história de Curitiba, do Paraná e do Brasil. “Em 1979, a possível mobilização com a missão de levar a palavra de Deus onde a pobreza dificulta a saída na procura de mudanças”. A greve vitoriosa contribuiu para a organização da categoria, melhores salários e condições dignas de trabalho”, conta.

Diretas Já e PMDB

No MDB, a militante participou da Comissão Provisória de montagem do PMDB Estadual, ao lado de lideranças históricas na luta pela redemocratização do país, como o senador Requião.

O primeiro comício e a primeira manifestação por eleições diretas no Brasil, recorda Marinalva, aconteceu em Curitiba, em 12 de janeiro de 1984. “E nós, do MDB, hoje PMDB, estivemos na linha de frente da mobilização dos militantes e população em geral, rumo às Diretas Já”.

Candidatura própria

A candidatura própria do PMDB hoje, tendo seu nome como vice, demonstra o reconhecimento da militância pela sua participação constante na luta junto aos movimentos populares de Curitiba e do Paraná.

“Ao ser indicada pelo Presidente do PMDB municipal, senador Requião, como vice do competente Rafael Greca e confirmada pelos companheiros históricos do PMDB, tomei esta batalha como continuidade da luta pela mudança social que Curitiba tanto necessita”, destaca, reforçando que “nós, peemedebista, somos parte do processo de transformação em Curitiba, no Paraná e em todo contexto nacional”.

Visão sistêmica

Marinalva avalia que a aprovação do nome de Rafael Greca para a disputa eleitoral à Prefeitura de Curitiba, significa a melhor opção do partido. Primeiro por respeitar as diretrizes nacionais pela candidatura própria e também por “escolher alguém com uma visão sistêmica e capacidade técnica de planejamento”.

Essa visão inteligente de planejamento e mudanças precisa ocorrer além da capital e abranger todas as cidades que formam a região metropolitana, “com possibilidade de expandir para todo o interior do Paraná”, conclui Marinalva, destacando a importância do Consórcio Metropolitano de Saúde com a centralização participativa de Curitiba.

Situação Familiar

Esta mulher, 57 anos, é filha dos baianos Ananias Gonçalves do Nascimento e Izaltina Gonçalves da Silva, pioneiros do norte do Paraná. Marinalva tem 4 irmão e está casada a 33 anos com João Benjamim dos Santos, economista professor da PUC-PR. Seu filho, Luasses, advogado especialista em Direito Administrativo, é um membro atuante do bloco carnavalesmo curitibano Garibaldi&Sacis.

Beto Richa (Betaxa Prichatiza) cria nova taxa e privatiza o serviço de inspeção veicular

A inspeção veicular no Paraná custará entre R$ 70 e R$ 79, mais do que a de São Paulo, de R$ 44,36 (estado que tem mais carros e mais poluição). O licenciamento anual dos veículos ficará condicionada à inspeção.

O governador Beto Richa (PSDB) irá privatizar esse serviço de avaliação dos níveis de poluentes.

Ou seja, o valor altíssimo da taxa de inspeção veicular vai todo para o bolso de empresas privadas. Serviço que deveria ser realizado pelo Detran.

O governador já está sendo chamado de “Betaxa Prichatiza” na Boca Maldita.

Com a palavra o governador…

TJ/PR passa vergonha nacionalmente: CNJ exige divulgação de salários

O Conselho Nacional de Justiça – CNJ, de forma unânime, determinou que todos os tribunais de justiça do país divulguem os salários individualizados dos magistrados e servidores públicos, nos termos da Lei de Acesso à Informação. O prazo é o dia 20 de julho.

O Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Paraná em junho considerou inconstitucional essa exigência para o Poder Judiciário.

O STF, órgão máximo da justiça brasileira, já divulga os salários dos ministros e servidores.

TJ/PR, Beto Richa no Poder Executivo Estadual, Luciano Ducci na Prefeitura de Curitiba e o Instituto Curitiba de Informática – ICI se acham acima da lei e não divulgam os salários individualizados. Vergonha para o Paraná!

Tarso Genro cobra transparência das concessionárias empresas de TV e rádio

O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), cobrou transparência, em face à lei de acesso à informação, e a divulgação dos salários dos executivos das concessionárias de serviços públicos, inclusive das empresas de comunicação social, como TVs e rádios:

“Julgo que as empresas de serviços concedidos, como as de comunicação social, deveriam também divulgar os salários de seus executivos e seus respectivos nomes. Isso seria razoável.”