Salário mínimo regional: Emenda de deputados da base de apoio do governo Beto Richa é traição, diz CUT

Romanelli e seu patrão, o Beto Richa.

O Conselho Estadual do Trabalho, órgão paritário composto por goveno, empresários e trabalhadores, propôs um anteprojeto de lei do que reajusta em 10,32% o salário mínimo regional. Mas os deputados estaduais aliados do governo Beto Richa (PSDB) fizeram emenda que retira do texto a previsão de um aumento real de 5,1% para 2013, o que irritou as centrais sindicais, que acusam o governo de traição.

Pressionados pelos empresários, os deputados que fazem o jogo do grande capital apresentaram a emenda.

O secretário estadual do Trabalho, Luiz Claudio Romanelli disse que o governo mantém a proposta do Conselho. Mas declarações de Roma­nelli não convenceram o presidente da Central Única dos Trabalhadores no Paraná – CUT/PR, Roni Barbosa, que disse para a Gazeta do Povo: “Esperamos que o governo honre sua palavra e que o projeto seja aprovado. (…) É lamentável essa postura de dubiedade em relação aos projetos de interesse dos trabalhadores. Se a emenda passar, será um ato de traição às vésperas do 1.º de maio”.

O “sabonete” líder do governo na Assembleia, deputado Ademar Traiano (PSDB), não sabe o que fazer.

O Blog do Tarso defende as cotas raciais. Veja artigo do professor Túlio Vianna

Na Revista Fórum

Cotas da igualdade

Debate sobre as cotas raciais nas universidades brasileiras trouxe de volta velhos clichês como a suposta “democracia racial” brasileira e o reducionismo econômico, que insiste em negar a diferença de tratamento entre brancos e negros da mesma classe social

Por Túlio Vianna

De todas as ficções com as quais o sistema capitalista se legitima, a mais hipócrita delas é a da igualdade de oportunidades. A meritocracia é uma ficção que só se realizaria se não houvesse heranças. No mundo real, ninguém começa a vida do zero; somos herdeiros não só do patrimônio, mas da cultura e da rede de relacionamentos de nossos pais. Alguns já nascem na pole position, com os melhores carros; outros se digladiam na última fila de largada em calhambeques não muito competitivos.

Quem é o melhor? O piloto que vence a corrida largando na pole position e com o melhor carro ou aquele que largou em último e chega com seu calhambeque em segundo lugar? Quem tem mais mérito? O candidato que estudou a vida inteira em excelentes escolas particulares e passou em primeiro lugar no vestibular ou aquele que passou em último, tendo estudado somente em escolas públicas, enquanto trabalhava oito horas por dia para ajudar seus pais? Continuar lendo

Esposa do Ministro Crivella usando carro oficial? Dilma, favor demitir

Hoje pela manhã o carro oficial do Ministério da Pesca, dirigido por motorista particular pago com dinheiro público, parou diante da loja “Casa do Rio Grande do Sul”, na quadra SQS 207, asa sul de Brasília, para que a esposa do Ministro Marcelo Crivella (PRB) fizesse compras.

Crivella é senador licenciado pelo Rio de Janeiro e atual Ministro da Pesca e Aquicultura. Ele é bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus – IURD e sobrinho de Edir Macedo.

Até quando aceitaremos isso, que infelizmente também ocorre na Administração Pública do Paraná e de Curitiba? Dilma, favor demitir.

Privatização dos presídios de Beto Richa é inconstitucional

Não vou aqui questionar politicamente o governador do Estado do Paraná, sr. Carlos Alberto Richa (PSDB), que prometeu que não iria privatizar e está privatizando atividades-fim nas empresas estatais, aprovou “na marra” a lei de privatização da saúde e cultura via organizações sociais – OS, entre outras. A mais nova é a tentativa, com pedido de urgência, da aprovação do PL 135/12 que o governador encaminhou para a Assembleia Legislativa.

Trata-se da privatização dos estabelecimentos penais no Estado, por meio de ONGs – organizações não-governamentais, que fariam a gestão desses estabelecimentos, inclusive as entidades do Terceiro Setor chamadas APACs – Associações de Proteção e Assistência aos Condenados.

Antes que alguém diga que isso não é privatização, mas sim “terceirização”, ou mesmo “parceria”, apenas deixo claro que uma das maiores administrativistas brasileiras, a professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro, é clara e expressa ao definir que terceirizações e parcerias com o Terceiro Setor também são privatizações, em sentido amplo (Parcerias na Administração Pública, editora Atlas).

A primeira pergunta: quem será que elaborou o anteprojeto de lei? Mal feito, com erros formais e materiais crassos. Como passou pelo deputado Durval Amaral (DEMO), atual chefe da Casa Civil de Beto Richa? Durval Amaral que pretende ser escolhido o novo Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, por ter “notório saber jurídico”. Uma piada.

O PL confunde Estado com Governo. Quem o elaborou e todos os advogados e políticos que o analisaram não sabem que quem celebra convênios é uma pessoa jurídica, o Estado, e não o Governo, que é o grupo de pessoas que está no poder. É primário. Mas que bom seria se o problema fosse apenas esse.

Preliminarmente, há um vício de iniciativa, pois a Constituição do Estado do Paraná dispõe que são de iniciativa privativa do Governador PLs que disponham sobre criação, estruturação e atribuição das Secretarias de Estado e órgãos da Administração Pública (art. 66, IV, e 87, VI). O Regimento Interno da Assembleia determina que a não ser nos casos de projetos de competência exclusiva do governador, os demais terão origem na Assembleia. Ora, o PL em comento trata de convênios, parcerias entre a Administração Pública e a iniciativa privada. Não trata de organização administrativa. Qualquer estudante de direito do 3º ano sabe disso. Portanto, o presente PL deveria ser de iniciativa da Assembleia, e não do governador.

Por mais que alguns juristas penalistas e administrativistas neoliberais entendam que é possível a privatização da gestão dos presídios para a iniciativa privada, entendo que essa terceirização poderia ocorrer apenas em atividades realmente acessórias, atividades-meio, como por exemplo a alimentação, limpeza, lavanderia, etc. Sobre o tema ver DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella, Parcerias na Administração Pública, Atlas, e o meus Terceiro Setor e as Parcerias com a Administração Pública: uma análise crítica (Fórum, 2ª ed., 2010) e Estado, Ordem Social e Privatização – as terceirizações ilícitas da Administração Pública por meio das Organizações Sociais, OSCIPs e demais entidades do “terceiro setor”. A privatização/terceirização da gestão de todo um presídio, no Brasil (não estamos nos EUA) não é possível!

Note-se ainda que, conforme lembra o criminalista Juarez Cirino dos Santos (Privatização de Presídios), a Lei de Execuções Penais – LEP determina que o trabalho do condenado somente pode ser gerenciado por fundação ou empresa pública e deve ter por objetivo a formação profissional do condenado. Assim, nas estruturas prisionais geridas por ONGs não poderia ocorrer qualquer tipo de trabalho do preso, por impedimento legal da Lei 7.210/84 (art. 28 e §§, art. 34, LEP).

O autor ainda entende que o poder disciplinar na execução das penas privativas de liberdade (art. 47, LEP) e das penas restritivas de direito (art. 48, LEP) compete à autoridade administrativa da prisão (Poder Executivo nas faltas leves e médias, e ao juiz da execução penal, Poder Judiciário, no caso de faltas graves, conforme o art. 48, parágrafo único, LEP). Para o autor a LEP impede o exercício do poder disciplinar pelo empresário privado. Cirino dos Santos ainda é incisivo:

“Por último, sistemas de trabalho carcerário que submetam a força de trabalho encarcerada a qualquer outra autoridade diferente do Estado – como, por exemplo, o empresário privado – representam violação inconstitucional da dignidade da pessoa humana (art. 1o, CF), por uma razão elementar: a força de trabalho encarcerada não tem o direito de rescindir o contrato de trabalho, ou seja, não possui a única liberdade real do trabalhador na relação de emprego e, por isso, a compulsória subordinação de seres humanos a empresários privados não representa, apenas, simples dominação do homem pelo homem, mas a própria institucionalização do trabalho escravo. Se o programa de retribuição e de prevenção do crime é definido pelo Estado na aplicação da pena criminal pelo poder Judiciário (art. 59, CP), então a realização desse programa político- criminal pelo poder Executivo através da execução da pena, vinculada ao objetivo de harmônica integração social do condenado (art. 1o, LEP), constitui dever indelegável do Poder Público, com exclusão de toda e qualquer forma de privatização da execução penal.”

O modelo adotado por Beto Richa no Paraná é cópia do modelo mineiro implementado pelo ex-governador e atual senador Aécio Neves, também do PSDB. Sobre a privatização dos presídios em Minas Gerais, recomendo leitura da publicação “Do lado de fora do cárcere”, coordenada por  Virgílio de Mattos. Nessa publicação, Rafhael Lima Ribeiro cita Loïc Wacquant (As prisões da miséria, ed. Jorge Zahar, recomendo também o seguinte texto dele, clique aqui), sobre a privatização do cárcere, que é utilizada:

“quanto mais intensamente a política econômica e social implantada pelo governo do país considerado inspire-se em teorias neoliberais que levam a ‘mercantilização’ das relações sociais, e quanto menos protetor desde o início seja o Estado-providência em questão”.

E depois Ribeiro conclui:

“Neste sentido o governo de Minas Gerais ao introduzir o modelo de parceria público-privada no sistema prisional mineiro traduz bem o que o mesmo autor chama de transformação do “Estado Social” em “Estado Penal”, outro atributo do conservadorismo político da direita.

O que se observa é que a parceria público-privada no sistema prisional mineiro é uma nova ideia velha de o Estado estatizar o prejuízo e privatizar o lucro, inspirado no modelo neoliberal de privatizações disseminado por Thatcher na Inglaterra e Reagan nos EUA. A lógica é simples e sutil: quando uma empresa privada investe, deve ter garantias de que terá o retorno do investimento. Quando ela constrói uma estrada, isso pode ser garantido por um pedágio. Da mesma forma, quando ela constrói uma cadeia, terá lucro pelo aprisionamento, ou dito de outro modo, pelo objeto desse aprisionamento. Quanto mais passam carros, mais a empresa privada ganha. Assim, quanto mais se prende seres humanos, mais a empresa lucrará!

Alguns defensores da privatização dos presídios podem dizer que o modelo a ser adotado é o francês, e não o americano (na verdade o termo correto é estadunidense). Nos Estados Unidos normalmente a privatização é total, com a tutela totalmente privada dos presos. Na França não se admite a privatização total, utilizando-se de uma espécie de gestão mista, na qual a gestão externa do presídio cabe ao poder público e a iniciativa privada constroi o presídio, faz a guarda interna dos presos, a promove o trabalho, a educação, o transporte, a alimentação, o lazer, a assistência social, jurídica e espiritual, a saúde física e mental do preso.

Mas no Brasil nem o modelo francês é possível.

O parecer da Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa do Paraná informa que no PL não há relativização do “jus puniendi” estatal, tendo em vista que não há transferência da função jurisdicional para as entidades privadas, mas apenas algumas funções materiais da execução da pena. Faltava apenas isso: os neoliberais quererem privatizar o Poder Judiciário. O problema é que se o projeto não delega a atividade jurisdicional, que é do Poder Judiciário, o PL delega a atividade administrativa judiciária, que é exclusiva dos Poderes Executivo/Judiciário.

Walter Maierovitch, especialista em segurança e crime organizado e ex-secretário nacional Antidrogas, ainda denuncia que a privatização dos presídios implementada pelo governo Jaime Lerner, ex-PFL, atual DEMO (o Paraná foi um dos pioneiros da idéia no Brasil, que chegou a ter seis unidades terceirizadas) na “penitenciária de Guarapuava a privatização chegou à manutenção da disciplina dos presos. Contrataram uma empresa de segurança que acabou militarizando a prisão, porque era formada por um pessoal que havia saído das bases militares. Substituíram os agentes penitenciários, que têm papel na ressocialização do preso, e colocaram seguranças privados no lugar”. O ex-governador Roberto Requião (PMDB) acabou com a privatização dos presídios no Paraná e, segundo Bia Barbosa, a razão para a medida foi a de que o custo acabava sendo mais alto para o governo, pois a manutenção de um detento, que custa em média R$ 800 no país, chegava a R$ 1.200 no sistema privado, e ao mesmo tempo os agentes contratados recebiam menos do que os concursados, às vezes, o valor chegava a um terço do que era pago pela administração pública, e isso aumentava os riscos na segurança das unidades. Ou seja, a privatização levou à precarização do serviço, acabando novamente com o discurso da iniciativa privada mais eficiente.

Qualquer privatização de atividades de gestão de aparelhos públicos é uma burla ao concurso público. Equipamentos públicos devem ser geridos por agentes públicos, e não terceirizados. Os neoliberais tem horror de concurso público, controle social, controle do Tribunal de Contas, licitações, regime jurídico-administrativo, etc.

Outra inconstitucionalidade/imoralidade do PL é constar que as ONGs chamadas APACs deverão ser filiadas à Fraternidade Brasileira De Assistência aos Condenados, uma entidade privada. Como assim, uma lei definir que instituições privadas devam se filiar a outra instituição privada? Privatizaram uma qualificação de ONGs? Eles não desistem! Outra inconstitucionalidade contrária à liberdade de associação.

Por fim, mesmo se fosse possível a terceirização/privatização em tela, o PL dispõe que o acordo a ser celebrado entre o Estado e as ONGs serão convênios. É a piada final. Convênio é a união de esforços para atendimento de objetivos comuns. Quando celebrados convênios entre Poder Público e entidades privadas sem fins lucrativos, o objeto desses convênios deve ser o fomento. Quando o Poder Público precisa dos serviços de uma entidade privada, seja com ou sem fins lucrativos, deve celebrar contrato administrativo com a pessoa jurídica, como regra precedido de licitação. Normalmente, políticos e administradores públicos que pretendem celebrar convênios para contratacão de serviços têm o simples intuito de fuga da licitação, o que é mais uma inconstitucionalidade.

E não venham os defensores da privatização justificarem que o termo “convênio” está na Lei de Execução Penal. É uma Lei de 1984, anterior à Constituição e a própria Lei 8.666/93, a Lei Nacional de Licitações e Contratos.

São essas as considerações iniciais sobre o tema. É uma pena que o governo queira aprovar a presente lei em regime de urgência, o que novamente alijará a sociedade de tão importante debate.

TARSO CABRAL VIOLIN – Professor de Direito Administrativo, Mestre em Direito do Estado pela UFPR, autor do livro Terceiro Setor e as Parcerias com a Administração Pública: uma análise crítica (Fórum, 2ª ed., 2010), advogado e blogueiro (Blog do Tarso).

O modelo latinoamericano – Emir Sader

Blog do Emir na Carta Maior

O que melhor caracteriza o cenário mundial é a recessão no centro do capitalismo e a capacidade de manter níveis de expansão de suas economias, acompanhadas de distribuição de renda, no Sul do mundo. Claro que o crescimento de tres décadas seguidas da economia chinesa é alavanca essencial desse fenômeno. Mas ele é parte integrante do cenário, que revela a reiteração do modelo neoliberal no centro e modalidades de expansão com extensão dos mercados internos de consumo popular no Sul.

Antes do ciclo de crises atual, uma recessão no centro era devastadora para o sistema no seu conjunto, com efeitos ainda mais agudos na periferia, pela dependência da demanda, dos investimentos e dos créditos. Desta vez nossas sociedades sofrem os efeitos dessa retração, baixam seu ritmo de crescimento, mas não entram em recessão. Já existe uma certa multipolaridade econômica no mundo, de forma que o que sucede no centro não se transfere mecanicamente para a periferia.

A América Latina pode assim exibir ao mundo um outro modelo, que não apenas mantem ritmos de desenvolvimento econômico, mas o faz simultaneamente com a distribuição de renda. Tem portanto não apenas uma superioridade econômica, mas política, social e moral. Como uma de suas consequências, enquanto na Europa todos os governos que se submetem a processos eleitorais – de esquerda ou de direita – são derrotados, porque responsabilizados por politicas recessivas e devastadoras socialmente, os governos que colocam o modelo alternativo em prática na América Latina, tem sido eleitos, reeleitos e tem conseguido eleger seus sucessores.

Enquanto na Europa se produz um processo sistemático de empobrecimento da população, aqui tem diminuído sistematicamente a pobreza e a miséria. Os países europeus, que tinham recebido grande quantidade de trabalhadores imigrantes, veem agora uma parte destes retornar a seus países, enquanto nacionais passam a buscar trabalho em outros países e continentes.

A maior disputa política hoje no mundo se dá entre o modelo neoliberal mantido no centro do capitalismo e o modelo latinoamericano.

Fim das utopias e ditadura dos mercados? – Emir Sader

Blog do Emir na Carta Maior

O tema da mesa de debate na Bienal do Livro em Brasília colocou dois temas conexos. O alegado fim das utopias abriria caminho para a ditadura dos mercados.

O fim das utopias se ancoraria no fim do campo socialista e na redução do mundo ao horizonte do capitalismo, segundo a visão de Fukuyama, para quem tudo o que existisse no mundo se daria no marco da democracia liberal e da economia capitalista de mercado.

A passagem de um mundo bipolar para um mundo unipolar sob hegemonia imperial norteamericana expressaria esse cenário sem lugar para as utopias. Todos e tudo teria que ser reciclado para esse universo. Além dos que se valeram da circunstância para se bandear diretamente para as hostes vencedoras da direita, outros se refugiaram no liberalismo, como se fosse a versão mais “civilizada” do capitalismo.

O fim da URSS e do campo socialista fez com que Cuba conseguisse sobreviver, mas numa situação de defensiva, buscando sobreviver e, posteriormente, buscando os caminhos da readequação.

Para os que abandonaram qualquer possibilidade de ruptura com o sistema dominante, se reinserindo no seio do capitalismo, as utopias teriam terminado. Trata-se de convencer os demais. Mas principalmente contar com que as contradições inerentes ao capitalismo não aflorem de maneira aguda, desmentindo previsões e esperanças.

O fim das utopias trouxe consigo o abandono da esfera pública, do Estado, da política, de toda forma de ação coletiva e a entrega ao mercado. Desembocou assim na centralidade deste, diante de um Estado mínimo que renunciava a regulamentar a economia, a garantir os direitos elementares dos trabalhadores, a proteger o mercado interno, a induzir as modalidades de investimento.

O neoliberalismo produz isso – a ditadura dos mercados, considerados “os melhores alocadores de recursos”, entregando-se à lei da oferta e da procura a definição da repartição dos recursos econômicos. A crise de 2008 e seu segundo ciclo em 2011 desmistificaram esse clichê e quem, como a Europa, busca remédios de mercado aos males do mercado, aprofunda e estende sua crise.

Nem por isso as utopias voltam mecanicamente. Suas possibilidades residem nos que resistem às politicas neoliberais e a América Latina é o território privilegiado da construção de alternativas ao neoliberalismo. Reagindo contra o recorde negativo de ser o território mais desigual do mundo, pela primeira vez contando com uma maioria de governos progressistas, o continente promove políticas que priorizam as questões sócias e atacando a desigualdade e a miséria.

A construção de sociedades de igualdade, de solidariedade, de cooperação, é a via das utopias na era neoliberal.

Download ilegal não é roubo de propriedade intelectual

Por João Ozorio de Melo do Consultor Jurídico

Por mais que baixar filmes ou músicas pela internet seja uma prática errada, caracterizada como ilegal, ela não pode ser juridicamente qualificada como roubo — nem mesmo furto — de propriedade intelectual. As indústrias da música, do cinema e do vídeo, entre outras, se referem ao download não autorizado como roubo para que as pessoas se sintam ameaçadas. Mas roubo — ou furto — significa se apossar de alguma coisa que pertence a outra pessoa. No caso de downloads, ninguém perde a propriedade de sua obra. O posicionamento foi defendido em entrevista ao canal de TVABC pelo professor da Faculdade de Direito da Universidade Rutghers, de Nova Jersey, Stuart Green, que também é especialista em crime do colarinho branco.

No momento, os americanos discutem a qualificação dessa infração. É uma discussão importante, segundo o professor, porque há alguns anos as produtoras de bens intelectuais, os parlamentares que as defendem, agentes do FBI e promotores tentam fazer o público pensar sobre esse problema como um roubo. E tentam usar o peso moral do roubo para condenar essa prática. Mas muita gente distingue a apropriação de bens tangíveis da apropriação de bens intangíveis. Assim, pessoas que nunca entrariam em uma loja para roubar um DVD ou um CD, podem não ser relutantes em baixar alguma coisa da internet, diz ele.

“Para os jovens, por exemplo, fazer o download de música, filmes, vídeos e softwares da internet sequer parece uma coisa errada, carregada com a mesma dose de ilegalidade que caracteriza o furto de propriedades físicas”, diz o professor. “Quando se trata de propriedade intangível, a coisa muda de figura. Se eu coloco alguma dessas propriedades em meu website para ganhar dinheiro, mas você descobre uma maneira de baixá-la sem me pagar, você não me subtraiu aquela propriedade, porque eu ainda a tenho”, explica.

Se não é furto e muito menos roubo, o que é então? Em vez de falar sobre esses tipos de crime, é melhor falarmos sobre transgressão, contravenção ou, quem sabe, apropriação indébita ou uso não autorizado, diz. No caso, a transgressão é tradicionalmente entendida como o uso temporário da propriedade de alguém, sem a devida permissão. “Mas isso não significa subtração de propriedade. Dizer que alguém roubou a propriedade de alguém torna a coisa muito mais séria. É provavelmente uma das formas mais substanciais de crime contra a propriedade que temos”, diz ele.

“E isso é exatamente o que as indústrias americanas do cinema, da música, do vídeo, entre outras, querem que aconteça. Elas querem que as pessoas acreditem que fazer o download de suas obras é um crime tão sério quanto o roubo, que deve ser punido na mesma medida”, declara. Mas, por essa ser uma ideia que muita gente não aceita, é preciso rever todo o quadro, antes que ele comece a minar a eficácia e a legitimidade da legislação pertinente e as pessoas deixem de levar a lei a sério, afirma.

João Ozorio de Melo é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 23 de abril de 2012

Piada do dia: Luciano Ducci nega que Derosso seria seu vice! kkkk

Pergunta do dia: Por que Beto Richa não gasta sua energia cuidando melhor dos parques estaduais?

Coluna do Celso Nascimento “A cachoeira é nossa?!” (duplo sentido):

“A pergunta que permanece é: por que o governo estadual decidiu, de uma hora para outra e sem consulta ou negociações prévias, não deixar dúvidas cartoriais de que é dono do local? Ambientalistas têm outra pergunta: por que o estado não gasta sua energia cuidando melhor dos parques estaduais, como o de Vila Velha, que só no ano passado teve 160 hectares destruídos por queimadas?

Beto Richa escolhe cunhado de Jaime Lerner para cargo de presidente do Conselho de Administração do ParanaPrevidência

O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), mostrando que é “unha-e-carne” com o ex-governador Jaime Lerner (DEMO), nomeou o ex-conselheiro do Tribunal de Contas Henrique Naigeboren como novo presidente do Conselho de Administração da ParanaPrevidência. Naigeboren é cunhado de Lerner e foi indicado pelo ex-governador para o TC.

Poder Judiciário manda Maringá demitir 150 servidores comissionados

A 4ª Vara Cível de Maringá determinou ao Prefeito de Maringá que exonere cerca de 150 cargos em comissão. O magistrado Alberto Marques dos Santos decidiu com base em ação civil pública do Ministério Público do Paraná, do promotor de Justiça José Aparecido da Cruz, que requereu a exoneração de assessores comunitários, gerentes, diretores de escolas e subprocuradores contratados sem concurso público. O prefeito de Maringá é Silvio Magalhães Barros II, do PP (ex-PPB, ex-PDS, ex-ARENA).

Vereadores de Curitiba acabaram de aprovar permissão hereditária de taxistas. Foram para a Lista Proibida!

Os vereadores de Curitiba acabaram de aprovar o projeto de lei que permite a transferência da permissão de táxi para familiares e terceiros em caso de morte do taxista. Totalmente inconstitucional.

Serviços de taxi são serviços públicos, não são atividades econômicas. Serviço público é de propriedade do Poder Público, e não de particulares. Com o falecimento do taxista, a família deve garantir seu sustento por meio da previdência pública ou privada. O contrato de permissão deve ser rescindido e o município deve abrir nova licitação para a contratação.

Uma lei aprovada apenas para que os taxistas continuem sendo cabos-eleitorais do grupo Lerner/Beto Richa/Luciano Ducci em época de eleição. Mas a tendência é que nas eleições de outubro os curitibanos façam uma limpa na Câmara Municipal.

É a oficialização do patrimonialismo na Administração Pública. Os vereadores que votaram essa barbaridade vão para a Lista Proibida do Blog do Tarso. São eles (não os reelejam):

Aladim Luciano (PV),

Beto Moraes (PSDB),

Celso Torquato (PSD),

Denilson Pires (DEM),

Dirceu Moreira (PSL),

Dona Lourdes (PSB),

Emerson Prado (PSDB),

Felipe Braga Cortes (PSDB),

Francisco Garcez (PSDB),

Jairo Marcelino (PDT),

João Claudio Derosso (PSDB),

Jorge Yamawaki (PSDB),

Juliano Borghetti (PP),

Julião Sobota (PSC),

Julieta Reis (DEM),

Nely Almeida (PSDB),

Odilon Volkmann (PSDB),

Professor Galdino (PSDB),

Sabino Picolo (DEM),

Serginho do Posto (PSDB),

Tico Kuzma (PSB),

Tito Zeglin (PDT),

Valdemir Soares (PRB),

Zé Maria (PPS) e

Zezinho do Sabará (PSB).

Entrevista com Fernando Haddad na Carta Capital: “Quero humanizar São Paulo”

Na Carta Capital de 25 de abril de 2012

“Quero humanizar São Paulo”

Fernando Haddad

O candidato do PT mira no trasnporte público e na educação

O EX-MINISTRO Fernando Haddad está mais longilíneo. E mais confiante. Acredita que as circunstâncias eleitorais o favorecem, embora, no momento, a realidade pareça bastante madrasta. O PT perdeu um tempo precioso na tentativa de fechar um acordo eleitoral com o prefeito Gilberto Kassab, do PSD, que no fim das contas lançou-se aos braços de seu padrinho José Serra. Agora busca tirar o pre­juízo e formar um arco de alianças sólido.

Para piorar, o partido foi punido pela Justiça Eleitoral e perdeu o horário gra­tuito no rádio e na tevê do primeiro se­mestre, uma chance de ouro para apre­sentar um candidato desconhecido pelos paulistanos. Na única pesquisa de inten­ção de votos divulgada, Haddad aparece com 3%, menos da metade do peemede­bista Gabriel Chalita e há quilômetros de Serra (e seus 30%). “É uma pesquisa de 60 dias atrás”, incomoda-se o ex-minis­tro. “Vamos ver a próxima rodada.”

Depois de um longo período mergu­lhado em articulações internas, Haddad colocou o bloco na rua. No sábado 14, durante um evento em São Bernardo do Campo, apareceu pela primeira vez ao lado de Lula e Marta Suplicy, fiadores de sua campanha (ainda que a senado­ra continue a não demonstrar empenho e entusiasmo). E tem intensificado os contatos com os eleitores. Seu principal alvo é a qualidade do transporte públi­co. Segundo o petista, São Paulo vive um “apagão” no setor. Ele promete retomar os investimentos em corredores de ôni­bus, ampliar a parceria no metrô, desde que o governo estadual aceite estabelecer metas de entrega de estações, e melhorar a engenharia de trânsito. Promete ainda acabar com a taxa de inspeção veicular – e mudar o modelo. “Ela não produziu o efeito desejado. A qualidade do ar não melhorou.” Como ele vê São Paulo da­qui a quatro anos, caso ganhe a eleição? “Uma cidade mais humana.”

CartaCapital: O senhor é o candidato do Lu­la e de um partido, o PT, que costuma ter ao menos 30% dos votos na cidade de São Paulo. Ainda assim, está estacionado na casa dos 3% nas pesquisas. O que acontece?

Fernando Haddad: Você se refere a uma pesquisa de 60 dias atrás, a única feita até o presente momento. A sua obsessão – e a de muita gente – por essa pesquisa me parece imprópria. Vamos aguardar uma nova rodada de pesquisas e verificar a evolução do quadro. Estamos no início do trabalho. É minha estreia em elei­ções e tenho total confiança: ao tomar conhecimento do nosso projeto, a popula­ção da cidade vai apoiá-lo naturalmente. Continuar lendo

No Paraná os blogueiros são censurados… no Maranhão assassinados!

O jornalista e blogueiro do Maranhão, Décio Sá, foi executado a tiros, na noite desta segunda-feira (23), na Avenida Litorânea, em São Luís, com seis tiros de um homem que estava numa moto. Décio Sá era repórter de política de O Estado do Maranhão e autor de um dos blogs mais acessados do Maranhão.

Espero que a moda não pegue no Paraná. Aqui, por enquanto, os blogueiros são apenas censurados!

Há 20 anos Cristina Kirchner apoiou a privatização da YPF. As pessoas evoluem!

A revista Carta Capital desta semana, sempre imperdível, informa que a presidenta argentina, Cristina Kirchner, que acabou de reestatizar a primeira empresa estatal petrolífera do mundo, a Yacimientos Petrolíferos Fiscales – YPF, em 1992, junto com o seu marido o ex-presidente Néstor Kirchner, então governador de Santa Cruz, apoiaram o projeto privatizante do presidente Carlos Menem (o FHC argentino). Cristina era deputada provincial.

Mas se aqui no Brasil o ex-ministro da administração e reforma do estado de FHC, Bresser-Pereira, se arrependeu do período neoliberal, porque a presidenta não pode ter mudado nesses 20 anos?

Então vamos começar a campanha: tucanos, se arrependam das políticas neoliberais-privatizantes da década de 90 ou então se unam ao DEMO e se assumam de vez como o partido da direita brasileira!

Súmula Vinculante 13 do STF anti-nepotismo

Nunca é demais relembrar que em 2008 o Supremo Tribunal Federal – STF aprovou, por unanimidade, a 13ª Súmula Vinculante da Corte, que veda o nepotismo na Administração Pública brasileira, proibindo a contratação de parentes para cargos/funções de confiança/comissão, inclusive o chamado “nepotismo cruzado”. É bom ressaltar que a súmula anti-nepotismo não se aplica aos agentes políticos (ministros de estado, secretários estaduais e municipais, etc):

“A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica, investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança, ou, ainda, de função gratificada na Administração Pública direta e indireta, em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal.”

Tarso Cabral Violin (advogado e professor de Direito Administrativo) – Blog do Tarso

ObsCenas

Saga de Cachoeira no Paraná

Por Cícero Cattani

Para que a Larami vencesse a concorrência e explorar a Loteria no Paraná, precisou de uma mãozinha da GThec. Mas antes de tudo, passou pelo crivo de um poderoso do Jaime Lerner, José Cid Campello, presidente do conselho de administração do Serlopar.  Começava a história de Carlinhos Cachoeira com o Paraná.  Vamos à GThec: a mais poderosa organização voltada para o jogo dos Estados Unidos chegou ao Brasil comprando a Racimec, uma empresa curitibana que prestava serviços à Caixa . Não muito tempo depois, a GThec/Racimec passou a dominar todo o serviço de Loterias da Caixa Econômica Federal. O conselho de administração da Racimec  era integrado por José Richa (ex-governador do Paraná), Karlos Rischibieter (ex-ministro da Fazenda), Carlos Alberto Vieira, Simão Brayer e Antônio Carlos Lino da Rocua. Voltando à Larami: na licitação “vencida”, a GThec só fez número, pois nem apresentou proposta.

O procurador Luiz Francisco de Souza, que participou do início das investigações, acusa em entrevista à revista Conju. de o4/03/2004.  o PSDB de ter ajudado a Gtech a crescer de forma ilegal no País. “Quando ela avança, comprando as quotas da testa-de-ferro Racimec, o presidente do conselho de administração da empresa é o sr. José Richa, que era aquele tucano-mor, de bico comprido. Aí a Gtech passa a controlar todo o sistema de loterias, correspondências, assistência social, principalmente através do cartão Bolsa-Escola”. Em entrevista à revista Consultor Jurídico na quinta-feira 4, Luiz Francisco espeta o ex-ministro José Serra ao lembrar que o sistema Bolsa-Escola foi organizado pelo Ministério da Saúde para tornar-se carro-chefe de sua campanha à Presidência em 2002. “Quem passou a gerir todo esse sistema de assistência social do governo foi a Gtech, no governo Fernando Henrique.” GTche era a  múlti americana que dava suporte a Carinhos Cachoeira.

Aécio Neves defende privatizações de FHC na Folha de S. Paulo. Desse jeito em 2014 não se elege nem para síndico de prédio

Celepar torra R$ 35,7 milhões dos tontos sem licitação – Esmael Morais

Diário Oficial do Estado do Paraná (Comércio, Indústria e Serviços) de 30/03/2012

Do Blog do Esmael

A Companhia de Informática do Paraná (Celepar), do governo do estado, assinou contrato de inexigibilidade de licitação no valor de R$ 35.763.728,00 com a empresa Aceco Ti Ltda. Traduzindo em português claro: a licitação foi dispensada.

Segundo edital publicado no Diário Oficial do Estado, do dia 30 de março de 2012,edição 8683, a Aceco foi contratada para instalar um “Data Center” no Celepar.

O curioso é que a mesma empresa foi duramente criticada no ano passado pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça) por conta de um contrato de R$ 8,69 milhões, também celebrado sem licitação, para a aquisição de um mesmo “Data Center”.

A seguir, eu reproduzo um e-mail encaminhado ao blog por um especialista em informática questionando o valor que será pago por nós, os tontos dessa história, e a dispensa da licitação. O moço, por motivos óbvios, pede para não ser identificado.

“Olá Esmael, tudo bem?

Acompanho seu blog e trabalho e gostaria de compartilhar contigo uma dúvida: saiu no Diário Oficial do Estado do Paraná a autorização para contratar empresa que fornecerá ao Celepar um Data Center por mais de R$ 35 milhões.

Trabalho com tecnologia faz alguns anos e pelo nosso conhecimento, não existe motivo para esta compra por inexigibilidade sendo que existem empresas concorrentes do mesmo produto no mercado com níveis iguais de certificação ou até melhores.

Temos um exemplo no Estado que é o caso do TRT-9, que comprou por menos de R$ 5 milhões uma Sala Cofre Outdoor. A mesmo empresa que deve fornecer ao Celepar por inexigibilidade vende a mesma solução na média de R$ 8 milhões – detalhe, por inexigibilidade.

Sabemos que a inexigibilidade deve ser bem justificada… mas o que diz o Celepar dessa compra “no escuro”?

Ele pode alegar que a empresa contratada é a única que obtém as certificações da NBR 15247 da ABNT, mas peraí, existem normas internacionais utilizadas por empresas do mercado equivalentes ou melhores.

Prezado Esmael, pode parecer uma tempestade em copo d’água, mas garanto para você que será o metro quadrado mais caro que vi até o Governo comprar, considerando que essa sala deve ter uns 250 metros quadrados…

Peço apenas que não divulgue meus contatos pois como deve perceber, essa contratação do Governo acorreu sem muita gente saber. Afinal, onde foi divulgado? Quais empresas participaram da tomada de preço? Qual a % dos Paranaenses que lêem o Diário Oficial?

Um abraço do
LFP (iniciais fictícias)”