Há quem arrisque dizer que Curitiba vive a realização de uma das profecias de Paulo Leminski : “isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é, ainda vai nos levar além”. A cidade foi além. Ou, talvez, assista a seus habitantes executarem, no palco urbano, o roteiro do novo espírito do tempo. Fato é que a mudança está no ar.
Dois jornalistas da Gazeta do Povo já escreveram sobre o fenômeno. Cristiano Castilho destacou o surgimento de “Uma nova ordem curitibana” , ao ressaltar que “de uns anos para cá, Curitiba tem saído às ruas”, sobretudo com eventos culturais que tem surpreendido a cidade. As reivindicações por direitos de quinta geração – como o das mães, em amamentar seus bebês em público – foi notada por Rogério Galindo, que perguntou em seu texto se a classe média da cidade se tornaria um novo grupo de pressão.
Na Corrente Cultural de novembro passado, o povo foi às ruas pela cultura: entre os Palcos da Rua Riachuelo, das Ruínas e do São Francisco, a cidade literalmente se (re)encontrou. Em setembro, a Marcha das Bicicletas tomou as avenidas para emplacar as ciclovias como preocupação central na agenda da mobilidade urbana. Todos esses eventos foram construídos através das redes sociais. A corrente humana diminuiu a distância entre as ruas, praças, e a cidade pareceu ter ficado menor.
A análise conjunta de todos esses acontecimentos nos leva a concluir que o curitibano está reconstruindo seu espaço público, reformulando consensos e afirmando os novos laços (e promessas) de convivência que unem a comunidade . Há uma onda de mudanças na cultura, no comportamento e, mais recentemente, na posição e preocupação política do curitibano.
Às vésperas do 1o turno das eleições municipais, a blogueira Claudia Wasilewski sintetizou essa nova atitude cidadã, ao afirmar que o povo foi às ruas resgatar Curitiba (“Devolvam Curitiba”). O curitibano reagiu à possibilidade de ver, no 2o turno, uma disputa entre dois candidatos que arrastariam a cidade para o passado. Em busca de uma Curitiba (quase) perdida, reinventou-se o futuro.
A eleição de Gustavo Fruet coincide com essa onda de fenômenos que recriam o espírito do tempo curitibano, porque rompe com o grupo dirigente e inaugura um novo capítulo da história política da cidade: a carta programa do prefeito eleito – “Um Caminho para o Desenvolvimento” – tem como fonte elementos de uma aliança programática cujo conteúdo resgata a capacidade da cidade em inovar, e a projeta novamente como referência nacional.
O trabalhismo democrático do PDT, o desenvolvimentismo com forte inclusão social do PT, e a sustentabilidade ambiental do PV são três ingredientes de uma receita que pode resultar num dos melhore governos da história de Curitiba e colocar à prova, no médio prazo, o vazio administrativo do Palácio Iguaçu.
O povo vai às ruas na Corrente Cultural, ocupa os parques e praças da cidade nos fins de semana, reinventa o pré-carnaval, reúne milhares na marcha das bicicletas e elege Gustavo Fruet prefeito.
Da cultura à política, algo importante aconteceu: Curitiba mudou.
GP

Professor, teu comentario ficou quase perfeito, utilizo o termo “quase” porque considero que a vitoria de Gustavo reprsenta que Curitiba nao se transformou, muito pelo contrario, o triunfo de Gustavo demonstrou que a cidade continua com uma mentalidade tradicionalista e conservadora, o medo do novo venceu a vontade de mudar, o cenário politico de Curitiba vem demonstrando que em nossa cidade mudam-se muitos nomes e poucos sobrenomes (a 30 anos atras o governador era Jose Richa e prefeito Mauricio Fruet), alem do nome nada mudou, pois os sobrenomes dos politicos e a mentalidade do povo curitibano continuam os mesmos.
Um forte abraco professor!
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Excelente texto meu nobre
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Tarso, cadê voce “home”….ou você foi pra Dubai ou esta na equipe de Transição (hehehehe) !
Se vc estives na transição, aguardo uma visita sua no SMAD !
Abraço !!
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chegou a tão sonhada primavera curitiboca.
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