Rogerio Galindo da Gazeta do Povo acusa Beto Richa de criar Secretaria Fantasma

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Por Rogerio Waldrigues Galindo no Caixa Zero da Gazeta do Povo

O leitor pode fazer o teste: ligue para o telefone geral do Palácio Iguaçu e peça para falar com o cerimonial. Para onde você imagina que será transferido? Para a Secretaria Especial de Cerimonial e Relações Internacionais? Parece que seria o caminho mais óbvio, afinal o governador Beto Richa (PSDB) criou a secretaria faz três meses. Mas não: o telefonema cairá numa coordenadoria da Secretaria de Governo, comandada por Cezar Silvestri. Erro? Não.

Antes de Richa nomear o amigo Ezequias Moreira para o cargo de secretário especial, havia dentro da Secretaria de Governo uma Coordenadoria de Cerimonial e de Relações Internacionais. Exceto pelo status, é exatamente o mesmo nome da nova secretaria. O curioso, porém, é que após a nomeação de Ezequias essa coordenadoria não sumiu. Para confirmar isso, bastaria olhar o organograma da Secretaria de Governo divulgado na internet. A “CCRI” continua lá.

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Colunista da Gazeta do Povo lembra da atuação ilegal da primeira-dama e critica comando da polícia do governo Beto Richa

Loucademia de polícia

Publicado hoje na Gazeta do Povo

Por Rogerio Waldrigues Galindo

A mansão do crime estourada na semana passada fica a nove quadras de um local simbólico da campanha de Beto Richa (PSDB) para o governo do estado. O Centro de Referência de Assistência Social do Parolin foi palco de um discurso de Fernanda Richa pedindo votos para o marido em maio de 2010. Como a campanha ainda estava proibida, a primeira-dama tomou uma multa da Justiça Eleitoral.

O principal argumento usado por Fernanda para pedir votos, na ocasião, era a melhoria que o marido traria para a segurança pública. “Essa polícia está aqui desde a época em que meu sogro [José Richa] foi governador. É o mesmo número de policiais. Não aumentou um policial, não houve uma capacitação”, dizia a inflamada primeira-dama municipal, que lutava para ser primeira-dama estadual.

“Se Deus quiser, se Deus quiser e as pessoas ali daquela vila tiverem um pouco de bom senso, no ano que vem, além de a gente fazer concurso, chamar muito mais policiais, capacitar, dar condições de dar segurança para a gente, a vila vai poder mudar. Caso contrário, nós vamos ficar nesse sofrimento”, disse Fernanda.

Desde lá, algumas coisas mudaram. Richa foi mesmo eleito governador. Fernanda foi condenada a uma multa de R$ 5 mil e virou secretária de Estado. Houve realmente a contratação de mais policiais. No entanto, os fatos da semana passada mostram que uma melhoria significativa na segurança pública ainda está distante.

Veja o que os fatos sobre a mansão do Parolin indicam:

1 – Que havia uma casa de luxo usada para atividades ilegais. Jogo e prostituição em plena área central de Curitiba.

2 – A polícia havia sido informada em novembro que o crime rolava solto, inclusive com a possibilidade de uso de drogas. Nada fez.

3 – Que um grupo de policiais encapuzados invadiu o local sem autorização da chefia e mostrou ao distinto público que as denúncias tinham razão de ser.

Os chefes da segurança pública dizem que os tiras agiram como milicianos. Num ponto têm ra­­zão. Não dá para deixar as coisas acontecerem assim. Cada policial faz o que tem vontade e invade o que quiser usando um capuz para não ser investigado. Este é o caminho para a barbárie.

Os policiais, porém, dizem que só fizeram isso para mostrar que há “santuários” protegidos por seus superiores. Invadiram para dar um recado: se não fizerem o que o baixo clero da polícia quer, os amigos dos delegados e dos superiores vão sofrer as conse­­­quên­­cias. Na verdade, nem de longe isso melhora a situação dos policiais, que passam a chantagistas – o raciocínio lógico é que, se derem o que eles querem, todos voltarão a ser coniventes.

Mas a coisa fica feia para a cúpula da polícia. Ou realmente alguém fez vista grossa para a casa – e há dezenas do mesmo tipo por aí, o que poderia mostrar que realmente existe acobertamento. Ou perdeu-se completamente o controle sobre os policiais. Um belo jeito de mostrar que tudo ocorrerá como deve seria fechar outros lugares do mesmo gênero, dessa vez com autorização e ordem da chefia. Se tudo continuar como estava, o acobertamento ficará visível.

No fundo, o que a população quer é que a promessa de Fer­­nanda seja cumprida, mesmo tendo sido feita de maneira ilegal. O povo quer confiar na polícia. Mas, do jeito que está, fica bem difícil.

Copel compra avião e Richa quer mais quatro aeronaves

Hoje na Gazeta do Povo

Estatal pagou R$ 16,9 milhões pelo equipamento, que poderá ser utilizado pelo governador. Estado pretende aumentar a frota ainda neste ano

ROGERIO WALDRIGUES GALINDO

A Copel comprou na terça-feira um avião turboélice com capacidade para oito passageiros por R$ 16,9 milhões. Essa, porém, foi apenas a primeira aquisição do gênero do poder público paranaense. Ontem, a assessoria de imprensa do go­­verno do estado anunciou que o Executivo tem planos de ad­­quirir outras quatro aeronaves: um jato, um turboélice e dois helicópteros. Ainda não há data nem preço estimado para a compra.

O avião comprado pela Copel servirá para atender a diretoria da estatal, mas também poderá ser usado pelo governo do estado. Um convênio firmado entre a empresa e o Executivo prevê que, quando a aeronave não estiver sendo usada pela Copel, o governo poderá emprestá-la. O avião, inclusive, ficará no hangar do governo no aeroporto do Bacacheri, em Curitiba, e usará pilotos do Executivo.

A Copel não se pronunciou ontem sobre a compra do avião. A assessoria de imprensa afirmou que apenas a diretora de gestão corporativa, Yára Eisenbach, poderia falar sobre o assunto. A empresa, na verdade, nem confirmou a compra: apenas no site da estatal havia a informação. O teto estabelecido para a compra era de R$ 17 milhões. O deságio foi apenas de 1%.

Segundo o líder do governo na Assembleia Legislativa, deputado estadual Ademar Traiano (PSDB), o governador poderá usar a aeronave por enquanto. Desde que o governo leiloou dois aviões considerados inservíveis, no ano passado, Beto Richa usa avião fretado para se locomover. “Vejo com simpatia o uso de uma aeronave pública”, afirmou Traiano.

O governador afirmou que “não veria dificuldades” em usar o avião para o governo. “Hoje nós temos um convênio da Copel com o governo do Estado porque nós vamos garantir apoio técnico à Copel, visto que a Copel não tem pilotos e nem um hangar. Agora, se houver a necessidade do governo do estado usar essa aeronave, eu não vejo dificuldade alguma. O governador de São Paulo, inclusive, voa em um avião da CPFL [empresa paulista de energia] há três décadas”, afirmou.

A compra do avião foi criticada pela oposição. O deputado Tadeu Veneri (PT) havia entrado com uma ação judicial pedindo que a compra fosse suspensa. “Escrevemos que o edital era dirigido para que a Líder Aviação vencesse, para vender um Beechcraft”, afirmou. A Copel não confirmou o modelo da aeronave. A reportagem procurou a Líder, vencedora da licitação, mas a empresa afirmou que não iria se pronunciar.

Modelos

A compra dos novos aviões e helicópteros para o governo do estado está sendo analisada pela Casa Militar. Lá serão definidos os modelos e as especificações. O governo também pre­­­­­­cisa definir o valor do in­­ves­­timento. Segundo a assessoria de imprensa, não há data para a compra, mas a expectativa é de que ela ocorra ainda neste ano.

Os dois aviões e os dois helicópteros seriam exclusivos para o deslocamento do govenador e de sua equipe. Hoje, depois da venda de dois aviões, o governo tem três aeronaves pequenas: dois Cessnas e um Caravan.

Colaborou Alexandre Costa Nascimento.

Frota renovada

Os aviões que transportavam os governadores do Paraná foram declarados “inservíveis” pela Casa Militar em 2010. Veja o que aconteceu desde então:

2011

10 de março – Beto Richa, que assumiu o governo em janeiro, faz um contrato emergencial, sem licitação, para aluguel de um jato e de um helicóptero da empresa Helisul.

29 de abril – O governo leiloa a primeira aeronave “inservível”, um King Air. O comprador é Eloy Biesuz, dono da Helisul, que paga R$ 449 mil.

10 de junho – Encerra-se o contrato com a Helisul. Richa chega a viajar em aviões comerciais, mas depois faz outro contrato para fretamento de aeronaves.

25 de outubro – A segunda aeronave classificada como “inservível”, um Citation, é leiloada. A empresa Lym Administração compra o avião por R$ 1,3 milhão.

30 de novembro – O deputado Tadeu Veneri (PT) pede informações por suspeitar que o avião da Copel seria na verdade para uso do governador. Veneri também entrou com ação na Justiça afirmando que a licitação era dirigida para a Líder Aviação.

5 de dezembro – A Copel suspende o pregão para a compra de um turboélice. O preço máximo previsto era de R$ 16 milhões.

2012

10 de janeiro – A Copel compra o turboélice. O novo edital previa teto de R$ 17 milhões. A vencedora foi a Líder Aviação, que pediu R$ 16,9 milhões.

11 de janeiro – O governo do estado anuncia que pretende comprar mais um jato, um turboélice e dois helicópteros em 2012.

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Rogerio Galindo da Gazeta do Povo diz que Beto Richa descumpriu promessas e que Rossoni é anti-democrático

Hoje na Gazeta do Povo

Agenda secreta

 Hoje na Gazeta do Povo

Rogerio Waldrigues Galindo • rgalindo@gazetadopovo.com.br

Beto Richa conclui o seu primeiro ano de governo admitindo que não conseguiu fazer tudo o que queria (nem tudo o que prometeu). Claro, usando o manual de seus antecessores, colocou a culpa em quem veio antes dele. Mas o mais estranho não foi o governador deixar de fazer aquilo a que se havia proposto. Isso até faz parte do jogo: às vezes há amarras, empecilhos, problemas. E, vamos convir, ninguém cumpre 100% do que prometeu em campanha.

O curioso foi Richa fazer o que tinha dito que não faria. Homem de bordões, Beto dizia ao eleitor, pouco mais de um ano atrás, que “faria mais com menos”. Quem não se lembra da frase? As duas partes da equação, porém, não resistiram aos primeiros 12 meses de gestão. Richa aumentou o peso do Estado sobre o nosso bolso (o tarifaço do Detran chegou a 271%) e acabou não entregando nenhuma grande obra até aqui. Não fez mais. E não cobrou menos.

Dizia também o candidato que, quando chegasse ao governo, seria o oposto de Roberto Requião. Essa afirmação começou a ruir ainda antes da posse, conforme o secretariado foi sendo anunciado. Praticou ampla e fartamente o nepotismo, indicando o irmão Pepe e a mulher Fernanda para as duas supersecretarias que criou sob medida, só para presenteá-los. Além disso, cooptou o próprio PMDB para o governo, dando um cargo para Luiz Cláudio Romanelli – ex-secretário, quem diria, do governo Requião…

Dizia que seria o governo do diálogo. E, como lembrou neste espaço, no sábado, a colunista Rosana Félix, fez o exato oposto. O caso atual, da aprovação sob rolo compressor das terceirizações, é o exemplo mais cabal. Não houve uma audiência pública. E no fim das contas, tristemente, foi montada uma linha de policiais em frente à Assembleia para impedir que a população acompanhasse as discussões.

Richa dizia mais. Que não iria privatizar nada (até porque era comumente chamado de lernista na época, coisa que também refutava com vigor). Até aqui, é bem verdade, não vendeu nenhum bem público. Exceto por dois aviões “inservíveis”, que pareceram muito bons para o dono da Helisul e para a família Mussi, do Canal 21, seus felizes compradores. Mas começou o ano falando em criar uma agência reguladora – que serve para fiscalizar serviços concedidos ou privatizados. E terminou aprovando no afogadilho a polêmica lei que repassa partes do Estado para ONGs.

Ninguém ouviu da boca de Richa, nem de seus aliados, que essa seria a agenda do primeiro ano de governo. O plano de governo do candidato, “registrado em cartório”, como ele próprio faz questão de mencionar em mais um de seus bordões, até onde se tenha percebido, também não falava em nada disso.

Aparentemente, porém, havia letras miúdas no documento em que ninguém havia reparado. Havia uma agenda secreta de que o eleitor não foi informado. Richa pode até culpar os antecessores por não ter deixado em caixa dinheiro para que ele fizesse o que cumpriu. Mas não pode, em nenhum momento, dizer que alguém lhe forçou a tomar as decisões que vem tomando.

Sobre isso, pelo menos, ele tem de assumir a responsabilidade.

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Ontem no Blog Caixa Zero

Walter Alves / Agência de Notícias Gazeta do Povo
Walter Alves / Agência de Notícias Gazeta do Povo / Manifestantes na frente da Assembleia: PM foi chamada para regular a entrada na casa
Manifestantes na frente da Assembleia: PM foi chamada para regular a entrada na casa

 

Ninguém nega que os manifestantes exageraram na invasão da Assembleia nesta segunda-feira. Há jeitos mais democráticos de protestar contra um, projeto de lei, ou contra o que for.

Mas isso não dá, obviamente, ao presidente do Legislativo, Valdir Rossoni (PSDB), o direito de restringir o acesso ao plenário com uso de barreira policial.

Só entram “funcionários com crachá, repórteres e visitantes autorizados”, dizem os PMs.

Nesta terça, cerca de 50 policiais militares foram postados em frente ao portão de acesso da Assembleia. A medida veio depois de Rossoni tirar as grades do prédio, dizendo que estava democratizando o acesso.

A Assembleia não pertence aos deputados, e sim ao povo paranaense. Não faz o menor sentido proibir que a população acompanhe o que se passa lá dentro.

O secretismo foi o que criou o monstro da corrupção dentro da Assembleia. Tanto é que os “diários secretos” acabaram se tornando um símbolo dos desvios de conduta que havia lá dentro.

Alguém cometeu vandalismo? Pague por isso. O restante da população não pode pagar por isso tendo uma Assembleia menos democrática.

Colunista da Gazeta do Povo diz que Beto Richa é confuso, sem rumo, e que disse que não iria privatizar

Qual é a grande vitória?

Publicado hoje na Gazeta do Povo | ROGERIO WALDRIGUES GALINDO • RGALINDO@GAZETADOPOVO.COM.BR

Beto Richa resolveu dar uma parada no seu dia ontem para comemorar o grande feito eleitoral de um ano atrás. Não deixa de ser curioso: imagine-se o trabalhador que usasse anualmente o dia de sua contratação para fazer um almoço, em dia de expediente, com os amigos. Poucos poderiam fazer a pausa mais longa. Quem dirá garantir uma boca livre para tanta gente…

Richa, de certa maneira, chega assim também perto do fim de seu primeiro ano de governo. No exercício do cargo tem menos coisas a comemorar do que teve no período eleitoral. Vitórias não faltaram: na Assembleia, com uma maioria esmagadora, ganhou todas. Mas isso não conta: nossos deputados votam com quem quer que esteja ocupando o poder. Só assim garantem as benesses para as “bases” que os reelegem.

 

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O que se espera de um governo são vitórias de outro tipo. Conquistas sociais, que possam ser repartidas por todos. Os comensais de Beto andam compartilhando do bom e do melhor em restaurantes. Mas o que os milhões de eleitores podem dizer que ganharam nesses 11 meses de gestão.

O tal “novo jeito de governar” parece, no mínimo, um pouco confuso. Beto dizia com todas as letras que não iria privatizar nada. Verdade: vender, de fato, não vendeu. Mas aparentemente havia letrinhas miúdas no programa de governo dizendo que terceirização para ONGs valia.

Trata-se também de um governo de contradições. Por um lado, a terceirização faria imaginar que o Estado ficaria mais leve, mais barato. Aliás, esse é o discurso do “choque de gestão” que Beto fez durante toda a campanha. Mas agora o contribuinte já viu que a conta não vai ficar exatamente mais barata.

Não é só o tarifaço do Detran (aquele que Ademar Traiano, artífice do eufemismo do ano, insiste em chamar de “realinhamento das taxas”). Em menos de um ano, Richa já avisou a seus eleitores que vai contratar R$ 1,7 bilhão em empréstimos de longo prazo. Alguém se lembra de ter visto algo sobre isso na campanha?

Claro que quando chegar a hora de fazer os últimos pagamentos, Beto terá terminado seu mandato faz tempo. Mas eu e você continuaremos pagando, com nosso imposto e nosso suor. Nada contra: imposto faz parte. Sem isso, não há civilização. Mas faz sentido falar em choque de gestão e sair tomando tudo isso de empréstimo?

Mais grave do que tudo isso, porém, é a aparente falta de rumo do governo. Aonde Beto quer chegar? Qual é o seu grande plano de longo prazo para o estado? Por vezes, parece que estamos navegando sem norte, pensando apenas em finanças e projetos pontuais. A falta de um pensador por trás da atual gestão é evidente. Richa precisava de alguém com uma visão mais longa do que a sua. Mas o grupo à sua volta parece formado mais por ganhadores de eleições do que por estadistas.

Ganhar eleições é bom. Claro que Beto tem o que comemorar (embora pudesse marcar isso para um fim de semana…). Mas em teoria um bom governante deveria ver a eleição como um meio de chegar ao cargo, como um mero passo para iniciar as transformações sociais que é preciso fazer. Quando a vitória na eleição é a maior conquista a ser celebrada, algo há de ser revisto.