“Férias” de Joice Hasselmann repercutem nacionalmente

Do Observatório da Imprensa

Cangaço na cidade

Joice Hasselmann é uma jornalista extremamente competente: faz boas entrevistas, comanda a Bandnews FM de Curitiba e a levou ao primeiro lugar, virou xodó dos paranaenses. Não de todos: alguns de seus entrevistados gostariam de vê-la fora do rádio. Joice acredita na máxima de que notícia é aquilo que as autoridades não gostam de ver publicado; o resto é publicidade.

Depois de uma entrevista com o líder tucano na Assembleia Legislativa, Valdir Rossoni, Joice passou a ser assediada com propostas de suborno. Não teve dúvidas: no ar, contou que estavam tentando comprá-la e avisou que, se houvesse outra tentativa, daria em seu programa os nomes dos subornadores e detalhes das tentativas.

O assédio se transformou em pressão: a Assembleia decidiu investigar as licenças ambientais de uma usina de Joel Malucelli, por coincidência o dono local da Bandnews. O empresário piscou: Joice foi colocada em “férias não-planejadas” (um dos melhores eufemismos que este colunista já viu para censura), com promessa de voltar. Mas deixa de ser a comandante do jornalismo: passa a responder a um chefe, cujo cargo acaba de ser criado. Só isso? Não: ladrões esquisitíssimos entraram em sua casa, mexeram em tudo, não roubaram nada. Digamos que foi apenas um aviso.

Ainda vamos ouvir falar muito desta jornalista. Joice Hasselmann, não demora, estará se apresentando para todo o país, não apenas para uma capital. Os políticos que se cuidem: ágil, bem-humorada, com ótima memória, é melhor que não mintam para ela.

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Votaram pela privatização da COPEL em 2001: Rossoni, Traiano, Accorsi, Kiélse, Durval Amaral, Élio Rush, Nelson Garcia, Justus e Plauto Miró. Quem votará pela privatização via OS?

A mando de Beto Richa, Traiano critica a sociedade civil organizada que se manifesta contra a privatização via OS

Do Zé Beto

Contra a baderna

O deputado estadual Ademar Traiano (PSDB), líder do governo na Assembleia Legislativa do Paraná, disse  que  a decisão de transformar a sessão plenária em comissão geral para aprovar a mensagem que regulamenta as Organizações Sociais no Paraná não aconteceu por receio de se debater a proposta. Garante que foi uma resposta à ação da oposição petista que apostou na pressão e na mobilização de militantes sindicalistas para criar um clima de agitação, sempre a beira da baderna. O líder afirmou que contra esse tipo de estratégia nada democrática a comissão geral é a resposta mais adequada.

Colunista da Gazeta do Povo diz que Beto Richa é confuso, sem rumo, e que disse que não iria privatizar

Qual é a grande vitória?

Publicado hoje na Gazeta do Povo | ROGERIO WALDRIGUES GALINDO • RGALINDO@GAZETADOPOVO.COM.BR

Beto Richa resolveu dar uma parada no seu dia ontem para comemorar o grande feito eleitoral de um ano atrás. Não deixa de ser curioso: imagine-se o trabalhador que usasse anualmente o dia de sua contratação para fazer um almoço, em dia de expediente, com os amigos. Poucos poderiam fazer a pausa mais longa. Quem dirá garantir uma boca livre para tanta gente…

Richa, de certa maneira, chega assim também perto do fim de seu primeiro ano de governo. No exercício do cargo tem menos coisas a comemorar do que teve no período eleitoral. Vitórias não faltaram: na Assembleia, com uma maioria esmagadora, ganhou todas. Mas isso não conta: nossos deputados votam com quem quer que esteja ocupando o poder. Só assim garantem as benesses para as “bases” que os reelegem.

 

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O que se espera de um governo são vitórias de outro tipo. Conquistas sociais, que possam ser repartidas por todos. Os comensais de Beto andam compartilhando do bom e do melhor em restaurantes. Mas o que os milhões de eleitores podem dizer que ganharam nesses 11 meses de gestão.

O tal “novo jeito de governar” parece, no mínimo, um pouco confuso. Beto dizia com todas as letras que não iria privatizar nada. Verdade: vender, de fato, não vendeu. Mas aparentemente havia letrinhas miúdas no programa de governo dizendo que terceirização para ONGs valia.

Trata-se também de um governo de contradições. Por um lado, a terceirização faria imaginar que o Estado ficaria mais leve, mais barato. Aliás, esse é o discurso do “choque de gestão” que Beto fez durante toda a campanha. Mas agora o contribuinte já viu que a conta não vai ficar exatamente mais barata.

Não é só o tarifaço do Detran (aquele que Ademar Traiano, artífice do eufemismo do ano, insiste em chamar de “realinhamento das taxas”). Em menos de um ano, Richa já avisou a seus eleitores que vai contratar R$ 1,7 bilhão em empréstimos de longo prazo. Alguém se lembra de ter visto algo sobre isso na campanha?

Claro que quando chegar a hora de fazer os últimos pagamentos, Beto terá terminado seu mandato faz tempo. Mas eu e você continuaremos pagando, com nosso imposto e nosso suor. Nada contra: imposto faz parte. Sem isso, não há civilização. Mas faz sentido falar em choque de gestão e sair tomando tudo isso de empréstimo?

Mais grave do que tudo isso, porém, é a aparente falta de rumo do governo. Aonde Beto quer chegar? Qual é o seu grande plano de longo prazo para o estado? Por vezes, parece que estamos navegando sem norte, pensando apenas em finanças e projetos pontuais. A falta de um pensador por trás da atual gestão é evidente. Richa precisava de alguém com uma visão mais longa do que a sua. Mas o grupo à sua volta parece formado mais por ganhadores de eleições do que por estadistas.

Ganhar eleições é bom. Claro que Beto tem o que comemorar (embora pudesse marcar isso para um fim de semana…). Mas em teoria um bom governante deveria ver a eleição como um meio de chegar ao cargo, como um mero passo para iniciar as transformações sociais que é preciso fazer. Quando a vitória na eleição é a maior conquista a ser celebrada, algo há de ser revisto.

Presidente do TC diz que projeto de Lei das OS deveria passar por audiência pública

O truculento anti-democrático e o presidente do TCPR, Fernando Guimarães

O Presidente do Tribunal de Contas do Paraná, Fernando Guimarães, disse para a Gazeta do Povo de hoje que projeto de Lei das Organizações Sociais deveria passar por audiência pública: o PL das OS deveria ser objeto de discussão numa audiência pública na Assembleia para ouvir a sociedade, sindicatos e o gestor. Seria mais saudável para convencimento da sociedade”.

Se o projeto for aprovado hoje Beto Richa, Valdir Rossoni e Ademar Traiano (todos do PSDB) ficarão para a história como os neoliberais tucanos privatizantes truculentos!

Deputados “soldadinhos do Beto Richa” apressam votação e podem aprovar a Lei das OS hoje

Manifestante contra as OS, ontem, na ALPR. Foto de Tarso Cabral Violin

Deputados da situação apressam votação do projeto que regulamenta organizações sociais

Do Blog da Joice

Deputados estaduais da bancada de apoio do governador Beto Richa fizeram hoje uma manobra para acelerar a votação do projeto que regulamenta parcerias com as organizações sociais, as OS. O projeto seria discutido somente na semana que vem na Comissão de Constituição e Justiça, já que o deputado Tadeu Veneri (PT) fez um pedido de vista na sessão de hoje. No entanto, o líder do governo, Ademar Traiano (PSDB), apresentou um pedido para que o plenário seja transformado em comissão geral. Isso significa que o projeto de lei pode ser aprovado nesta quarta-feira, sem passar por outras comissões, como ocorre normalmente. Sessões extraordinárias também podem ser realizadas amanhã para a votação em segunda e terceira discussão e redação final. Para o deputado Tadeu Veneri (PT), o governo ainda precisa explicar diversos pontos da lei.

Segundo o texto, as organizações sociais vão poder contratar médicos para o atendimento público de saúde, gerenciar hospitais, entre outras atividades. As OS só ficam impedidas de fazer convênios nas áreas de segurança e educação. O PMDB pretende apresentar emendas à proposta para restringir a atuação das organizações sociais, como explica o deputado Nereu Moura.

O líder do governo, deputado Ademar Traiano, voltou a defender o projeto e disse que, por enquanto, as OS serão contratadas em poucos setores do governo.

Pelo segundo dia consecutivo, cerca de 100 servidores da saúde protestaram contra a proposta na sala de comissões e no plenário da Assembleia. Por causa do barulho a sessão chegou a ser suspensa por cinco minutos.

ALPR lotada de manifestantes contrários à Lei das privatizações via OS de Beto Richa. Foto de Tarso Cabral Violin