Caixa Preta de Taniguchi, Beto Richa e Luciano Ducci, o Instituto Curitiba de Informática (ICI – OS) é desmascarado

Do Bem Paraná (Jornal do Estado)

Prefeitura de Curitiba paga cada vez mais caro pelos serviços do ICI

Só neste ano, foram assinados sete novos contratos de serviços de informática, sem licitação, que somam R$ 585.722.400 e que vão até 2016

Por Josianne Ritz

O tempo passa e as dúvidas e questionamentos sobre o contrato do Instituto Curitiba de Informática (ICI) com a Prefeitura de Curitiba só aumentam, assim como as cifras que envolvem o negócio. Só neste ano, a Prefeitura de Curitiba firmou sete novos contratos, sem licitação, com o ICI para prestação de serviços na área de informática, que somam nada mais nada menos que  R$ 585.722.400, sendo R$ 117.144.480 por ano. Outro detalhe que chama a atenção é que os contratos fechados de janeiro a agosto deste ano valem até 2016, ou seja o prefeito que for eleito em 2012 será obrigado a usar os serviços do ICI até o fim do seu mandato. Os dados sobre os contratos foram encontrados no site da Prefeitura de Curitiba.

O valor que a Prefeitura de Curitiba paga pelos serviços do ICI também não para de aumentar. Em 2003, o instituto recebia por mês R$ 2 milhões. Segundo os novos contratos firmados neste ano, a organização vai receber  R$ 9.762.040 por mês pelos serviços. Em nove anos, o contrato da Prefeitura com o ICI sofreu reajuste de 388%. O índice é bem superior aos 64,46% de inflação entre setembro de 2003 de setembro de 2011 do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O líder da oposição na Câmara, Algaci Túlio (PMDB), acha um absurdo que um contrato deste valor seja feito sem licitação e diz que a Câmara está atenta ao assunto, tanto que pretendia propor uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o Instituto Curitiba de Informática. Só não o fizemos, porque a bancada de situação, com medo, entrou com pedido de duas CPIs laranjas na semana passada, a dos trilhos de trem a das concessionárias”, afirmou. Os vereadores de oposição preparam um pedido de informações sobre o assunto e estudam outras ações para conseguir mais informações sobre o assunto.
Os detalhes sobre o contrato da Prefeitura de Curitiba com o ICI, aliás, são um mistério antigo. Já em 2003, quando o Jornal do Estado fez uma série de matérias sobre os problemas envolvendo o Instituto, os vereadores reclamavam da dificuldade de conseguir informações. Pelo menos sete pedidos de informação sobre o Instituto foram recusados nos últimos sete anos. Em 30 de abril de 2003, a única vez que um representante do ICI, o então diretor do instituto, Luiz Alexandre Fagundes, foi à Câmara Municipal falar sobre o contrato com a Prefeitura, as principais dúvidas ficaram sem resposta, como os valores dos contratos, como são feitas as contratações de funcionários e nem os serviços que presta à administração pública municipal. Para o vereador Pedro Paulo (PT), é preciso abrir a caixa-preta do ICI de uma vez por todas. “É muito tempo sem explicações. Não há o que justifique tanto dinheiro para uma organização que revende softwares para outras empresas. Também não há o que justifique fechar um contrato que vai até 2016”, critica Pedro Paulo, que deve enviar pedido de investigação para o Ministério Público Estadual (MP).

Contratos do ICI  com a Prefeitura fechados neste ano

Período                                                  Valor
31/01/2011     a     30/01/2016    R$ 312.000.000
31/01/2011     a     30/01/2016    R$ 94.500.000
15/04/2011     a     13/04/2016    R$ 58.500.000
25/04/2011     a     23/04/2016    R$ 33.600.000
01/06/2011     a     30/05/2016    R$ 4.752.000
01/06/2011     a     30/05/2016    R$ 13.370.400
02/08/2011     a     31/07/2016    R$ 69.000.000

ICI escapa de licitação por ser OS

Por ser uma Organização Social (OS), instituição de direito privado sem fins lucrativos, o Instituto Curitiba de Informática (ICI) não passou por licitação

Por ser uma Organização Social (OS), instituição de direito privado sem fins lucrativos, o Instituto Curitiba de Informática  (ICI) não passou por licitação, embora cuide de um dos setores mais importantes da administração pública municipal e de um serviço que pode ser oferecido por outras empresas.

O ICI foi criado por um decreto municipal em junho de 1998. A contratação do instituto pela prefeitura foi permitida após a promulgação da lei municipal de número 9.226, aprovada pela Câmara Municipal no final de 199, que liberarva o prefeito qualificar entidades privadas como OS.  As OS foram instituídas pelo governo federal, por meio da Medida Provisória nº 1.591 de 7 de outubro de 1997, e regulamentadas pela Lei 9.637, de 15 de maio de 1998. São entidades destinadas ao exercício de atividades dirigidas ao ensino, à pesquisa científica, ao desenvolvimento tecnológico, à proteção e preservação do Meio Ambiente, à cultura e à saúde. Apesar de prestarem serviços públicos, elas não fazem parte da administração municipal. A oposição, na época, denunciou que a criação do ICI foi orquestrada, porque, segundo eles, o instituto teria sido criado sob medida para serviço, assim como a Lei 9,226 também teria sido editada pela Prefeitura para a criação do instituto.

A lei permite que o poder público destine às OS recursos orçamentários e os bens públicos necessários ao cumprimento dos contratos de gestão. Para evitar a licitação, como o ICI, essas organizações não podem ter lucro. Para isso, as entidades devem manter um conselho de administração formado por representantes do poder público e da sociedade. Todo lucro obtido deve necessariamente ser voltado para a pesquisa científica e aprimoramento dos serviços. Outra justificativa para a Prefeitura firmar contratos com o ICI sem licitação é o artigo 24 da lei federal 8.666/93, que dispõe sobre as licitações e as contratações der serviços pelo poder público. As contratações feitas pelas OS também não precisam de concurso público.

Terceirizações e forma de pagamento rendem dúvidas

Como outras organizações sociais, Oscips e ONGs, o Instituto Curitiba de Informática (ICI) também terceiriza a maioria dos serviços prestados para a Prefeitura de Curitiba

Como outras organizações sociais, Oscips e ONGs, o Instituto Curitiba de Informática (ICI) também terceiriza a maioria dos serviços prestados para a Prefeitura de Curitiba. Há informações extraoficiais que algumas destas empresas que acabam recebendo dinheiro repassado pelo ICI, que não tem fins lucrativos, são de pessoas ligadas a integrantes da diretoria do instituto. Duas destas empresas que costumam prestar serviço para o instituto, por exemplo, constam no mesmo endereço. Outra  empresa teria registrado um aumento brusco de capital giro, de R$ 1000 para R$ 300.000, seis meses antes de ser contratada pelo ICI para prestar serviços à Prefeitura de Curitiba.

Fontes ligadas ao Instituto também afirmaram que a Prefeitura de Curitiba não tem controle sobre os serviços prestados pelo ICI, já que paga por horas de serviços e essas horas nem sempre são cumpridas e mesmo assim pagas, porque não há como fiscalizar.
Outros clientes — Embora tenha sido criado sob medida para atender a Prefeitura de Curitiba,, o ICI hoje atende outros clientes. No site da organização, constam como clientes a Prefeitura de Araucária, a Prefeitura de Paranaguá,  a Prefeitura de Osasco (SP),  a Prefeitura de Teresina (PI), a Prefeitura de Vitória (ES), a Prefeitura de São José dos Campos (SP) e Justiça Federal. “Ou seja, o ICI desenvolve os programas e o sistema com dinheiro da Prefeitura de Curitiba e depois ganha dinheiro vendendo para outros clientes”, reclama o vereador Pedro Paulo (PT).
Procurados pelo Jornal do Estado, nem o ICI e nem a Prefeitura de Curitiba responderam às indagações da reportagem.

Celepar custa quase o mesmo

A pergunta que a oposição repete desde 1998, quando o Instituto Curitiba de Informática (ICI) foi contratado pela Prefeitura de Curitiba

A pergunta que a oposição repete desde 1998, quando o Instituto Curitiba de Informática (ICI) foi contratado pela Prefeitura de Curitiba, é por que a administração municipal de Curitiba nunca fez uma auditoria no acordo, assim como nunca avaliou outra possibilidade para setor de informática da administração pública municipal. Em 13 anos, a Prefeitura nunca fez uma cotação de preços para verificar se o contrato com o ICI é mesmo vantajoso para os cofres públicos e qual seria o custo de criar um órgão municipal para gerenciar a informática. “Não há garantias de que o contrato com o ICI é a melhor alternativa para os cofres públicos municipais. Pelo contrário, tudo indica que a pior alternativa”, diz o vereador Pedro Paulo (PT).

Pedro Paulo sugere uma comparação do valor pago pela Prefeitura ao ICI e ao custo da Companhia de Informática do Paraná (Celepar), uma sociedade de economia mista de capital fechado, cujo acionista majoritário é o Estado do Paraná  e vinculada a Secretaria  do Planejamento e Coordenação Geral. Segundo informações do site Gestão do Dinheiro Público do governo do Paraná, durante todo o ano de 2010, a Celepar gastou R$ 134.837.378,92. Até outubro deste ano, a empresa gastou R$ 101.016.392,48. A previsão de investimentos, segundo o Orçamento 2011, é de R$ 13.837.378, 92. Esses valores cobrem os gastos com informática do governo do Estado em todo o Paraná. Já o ICI, com os sete contratos firmados neste ano até agora, receberá R$ 117.144.480 por ano só para cuidar do setor de informática da Prefeitura de Curitiba. “É visível a diferença. A Celepar custa quase a mesma coisa que o ICI e cuida de todo o Estado. Trabalha com softwares livres e não temos notícias de problemas com os sistemas da Celepar”, diz o vereador.  Ele alerta para outra dúvida sobre o ICI sobre os computadores. “Se o ICI compra computadores e equipamentos com verbas públicas, eles são de quem? Do Poder Público ou do ICI?. Quem fiscaliza isso”, lembra Pedro Paulo.
Para o vereador, se a Prefeitura criasse uma empresa de informática teria também autonomia sobre o serviço prestado e evitaria problemas em caso de rompimento de contrato. “O próprio ICI deixou o sistema de consulta e leitos do Estado um caos quando o governo do Estado resolveu romper o contrato em 2003. Quem garante que o ICI não vai fazer isso caso o novo prefeito queira romper o contrato, que foi feito até 2016?”, questiona o vereador.

Governo cancelou três contratos

Em 2003, o então governador Roberto Requião (PMDB), logo que assumiu o cargo, cancelou três contratos do Estado com o Instituto Curitiba de Informática

Em 2003, o então governador Roberto Requião (PMDB), logo que assumiu o cargo, cancelou três contratos do Estado com o Instituto Curitiba de Informática (ICI), firmados no governo do seu antecessor Jaime Lerner por irregularidade e falta de licitação.

Um deles, firmado em 2000, no valor de R$ 13,2 milhões, previa a interligação do sistema de informática das delegacias com o Departamento de Polícia Civil. Logo depois, o instituto pediu um aditivo de R$ 4,1 milhões, que foi aprovado.  O segundo contrato do governo com o instituto foi firmado em junho de 2001, no valor de R$ 33.120.000 em 48 parcelas. Pelo valor, o ICI gerenciaria o sistema de marcação de consultas e leitos em todo o Estado. No dia 28 de março de 2003, no entanto, o governo cancelou o contrato. O serviço foi absorvido pela Companhia de Informática do Paraná (Celepar). Na época, o governo chegou a divulgar que a economia mensal chegou a R$ 400 mil. O terceiro contrato cancelado pelo governo Requião com o ICI foi relativo à implantação de rede telefônica para o Sistema de Saúde no valor de R$ 11,5 milhões.
Na ocasião, parecer da Procuradoria Geral do Estado (PGE) desaconselhou a contratação da ICI pelo governo, porque a contratação do instituto não pode ser regida pela “brecha”  do artigo 24, inciso 13 da lei federal 8.666/93, pelo qual a licitação é dispensável na contratação de instituição brasileira incumbida regimental ou estaturamente da pesquisa, do ensino ou do desenvolvimento institucional. Para a PGE,  no caso de serviços de informática seria preciso licitação porque outras empresas habilitadas podem prestar o mesmo serviço com mais eficiência e melhor preço que o ICI. (JR)

Luciano Ducci privatizou o atendimento de ambulâncias do SAMU

Luciano Ducci e seu ex-quase-vice Derosso. Em Curitiba tudo é para a família... deles!

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – Samu foi privatizado pelo prefeito de Curitiba, Luciano Ducci (PSB).

A Ecco-Salva (Salva Serviços Médicos de Emergência) venceu a licitação da prefeitura e será responsável pela contratação de motoristas, socorristas, rádio-operadores e também pela compra de equipamentos de GPS e pela manutenção das 18 ambulâncias (veículos do município). A empresa privada vai embolsar R$ 5,8 milhões em contrato de um ano com o Município de Curitiba.

O departamento de marketing da Ecco-Salva informou que ainda não definiu como serão feitas as contratações dos profissionais, pois ainda está tomando conhecimento de como funciona o Samu. Como assim, venceu uma licitação e não sabe como funciona o Samu?

Os médicos do Samu, de forma irregular, já eram privatizados por meio dos hospitais Evangélico, Cajuru, de Clínicas e Cruz Vermelha. Isso já fere o princípio constitucional do serviço público.

Segundo o Paraná OnLine, o secretário municipal de saúde, Wagno Rigues, não sabe informar quanto isso deve custar a mais para a Prefeitura: “Não fizemos um cálculo”. Uma piada.

Essa privatização vai aumentar os lucros de uma empresa privada e diminuir os salários dos trabalhadores. Também conforme o Paraná OnLine, o presidente do Sindicato dos Socorristas, Resgatistas e Condutores de Ambulâncias do Estado do Paraná (Sindesconar-PR), Roberto Alexandrino da Silva, o “Ceará”, disse que o salário base dos socorristas do Samu é de cerca de R$ 1.080, podendo chegar até a R$ 1.300 com adicionais de periculosidade. No entanto, o edital de licitação prevê um salário de R$ 918 e não cita a necessidade de pagamento de adicionais, com exceção do vale-alimentação e do vale-transporte.

Essa privatização é mais uma realizada por Luciano Ducci e sua turma que é ilícita, por ser uma atividade-fim do município, que é a prestação do serviço de saúde. Ministério Público e Tribunal de Contas, favor investigar!

Os trapalhões

Hoje na Gazeta do Povo

DIDI: “A cidade vai mudar de patamar. Vai para outro nível. Não tenho dúvida que Curitiba será a melhor das sedes da Copa.” Luciano Ducci, prefeito de Curitiba, que provavelmente não vai nem para o segundo turno da eleição de 2012 (04/10/2011)

DEDÉ: “Quando entramos nesse projeto foi para competir de igual para igual com os outros centros. Por isso a expectativa é de que a cidade não tenha um papel de coadjuvante, mas de ator principal. Seria triste ficar só com as partidas da primeira fase, mas tenho certeza de que isso não vai acontecer.” Luiz de Carvalho, secretário municipal para assuntos da Copa, escolhido por Luciano Ducci. Será que vai ser demitido? (19/10/2011)

MUSSUM: “Com um público de 42 mil torcedores na Arena, podemos chegar até as quartas de final.” Mario Celso Cunha, secretário estadual para Assuntos da Copa, escolhido por Beto Richa. Será que será demitido? (19/10/2011)

ZACARIAS: “Lamento, mas não sei até agora porque Curitiba ficou de fora da Copa das Confederações e apenas com a fase classificatória da Copa do Mundo.” Beto Richa, governador perdido do Paraná (hoje, 21/10/2011)

Beto Richa e Luciano Ducci não conseguem nem oitavas-de-final da Copa para Curitiba

A divulgação da tabela da Copa do Mundo do Brasil 2014 foi uma derrota para o governador Beto Richa (PSDB) e para o prefeito de Curitiba Luciano Ducci (PSB). Em Curitiba ocorrerão apenas 4 jogos da Copa, o que é uma vergonha para nossa cidade. Apenas teremos jogos da fase classificatória, e nenhum jogo das oitavas-de-final, e muito menos de quartas-de-final, semi-final e final. Situação igual apenas para os estados do Amazonas, Rio Grande do Norte e Mato Grosso, sendo que todas as demais cidades-sede terão pelo menos jogos também das oitavas-de-final.

E ainda não teremos jogos da Copa das Confederações que ocorrerá no Brasil em 2013.

Luciano Ducci parece que vem se esforçando para não chegar nem no segundo turno da eleição para prefeito em 2012.

Charge: Luciano Ducci é inimigo dos ciclistas que trabalham

Carlos Latuff: Num trânsito q mata, inclusive ciclistas, prefeito de Curitiba vai inaugurar ciclovia q só funciona 1 vez por mês.

Privatização de Luciano Ducci e Richa acabou com a maratona de Curitiba!

Marcello Richa e Luciano Ducci. Será que vão bater na Maratona de Curitiba até a morte?

O prefeito de Curitiba, o “socialista” Luciano Ducci (PSB), e seu secretário dos esportes, Marcello Richa (PSDB), filho do governador Beto Richa, privatizaram a Maratona de Curitiba (a próxima ocorrerá dia 20 de novembro) para a empresa paulista Latin Esportes.

Os valores da inscrição ficaram astronômicos (de R$ 50 para R$ 70), o que gera lucro fácil para a empresa, pois os maiores gastos são realizados com o bloqueio de tráfego pelo Diretran e PM, as ambulâncias são do Siate, o monitoramento é dos professores de Educação Física funcionários públicos municipais, e o evento ainda tem patrocínio da Caixa, Copel, Sanepar e do banco espanhol Santander (dono da conta pública da Prefeitura de Curitiba).

Uma denúncia de um leitor ainda informa que antes da privatização a renda das inscrições eram do Instituto pro Cidadania de Curitiba, e hoje são destinadas a empresa Latin Sports.

Além disso a premiação para os vencedores baixou em 85%, pois o que no ano passado era R$ 119 mil, com a privatizaçao será de apenas R$ 19 mil. Com isso a maratona até perdeu o status de competição internacional.

Em 2012 a oposição formada pelo PT (Tadeu Veneri ou Dr. Rosinha), pelo PMDB (Rafael Greca) e PDT (Gustavo Fruet) promete varrer essa gente da Prefeitura de Curitiba.

Celso Nascimento da Gazeta do Povo repete argumento jurídico do Blog do Tarso

Coluna do Celso Nascimento de hoje na Gazeta do Povo, sobre a nova Secretaria de Trânsito de Luciano Ducci:

Mas fica ainda um problema: os agentes de trânsito dos quadros da Diretran são celetistas e não servidores públicos concursados. Eles cumprirão a mesma função e sob o mesmo regime na nova se­­­­cre­­­ta­­­­ria. Juristas dizem que isto também não pode. As multas que la­­vrarem serão ilegais, afirmam. Até que ponto tantos problemas vão render na campanha?

Veja o post:

Ao transferir Diretran para uma Secretaria Luciano Ducci desrespeita o STF

Professor Romeu Bacellar Filho entende que secretaria criada por Luciano Ducci é uma “confissão de culpa”

Segundo o jornal Gazeta do Povo de hoje, o Dr. Romeu Felipe Bacellar Filho, professor titular da UFPR e PUCPR e maior administrativista do Paraná, entende que a criação da Secretaria Municipal de Trânsito mostra que a prefeitura comandada por Luciano Ducci (PSB) admitiu a incongruência jurídica que havia até então na atribuição da Diretran como órgão responsável pela aplicação de multas:

“A criação da secretaria é um reconhecimento expresso da prefeitura de que a Urbs realmente não tinha poder de polícia. Demonstra que eles acataram, enfim, a decisão do Tribunal de Justiça”.

Ao transferir Diretran para uma Secretaria Luciano Ducci desrespeita o STF

A exemplo de seus antecessores Beto Richa (PSDB) e Cássio Taniguchi (DEMO), o prefeito de Curitiba Luciano Ducci (PSB) não acerta uma. Mantinha a Urbs, uma sociedade de economia mista, como a entidade responsável pela aplicação das multas de trânsito de Curitiba, mesmo com toda a doutrina do Direito Administrativo dizendo que uma empresa estatal não tem poder de polícia, assim como recentes decisões do Poder Judiciário.

Agora Ducci acabou de transferir o Diretran (Diretoria de Trânsito) para uma recém criada Secretaria Municipal de Trânsito de Curitiba. As secretarias fazem parte da Administração Direta municipal.

O problema é que os guardas do Diretran são todos servidores celetistas (regidos pela CLT), e não estatutários (regidos por lei própria, com estabilidade).

A inconstitucionalidade vai continuar. Explico:

O regime jurídico único previsto no art. 39 da Constituição da República obriga que a Administração Direta tenha apenas servidores estatutários em seus quadros.

É o que determina o Supremo Tribunal Federal, desde 2007, em decisão liminar na ADIn nº 2.135, que declarou inconstitucional a nova redação dada pela EC nº 19/98 ao caput do art. 39. Com isso, voltou a vigorar o conhecido regime jurídico único (RJU).

O art. 39 é claro:

“A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão, no âmbito de sua competência, regime jurídico único e planos de carreira para os servidores da administração pública direta, das autarquias e das fundações públicas”.

Desde 2007 todas as pessoas jurídicas de direito público apenas poderiam contratar servidores estatutários, e não celetistas.

A Diretran, por exercer poder de polícia, sempre teria que fazer parte de uma pessoa jurídica de direito público, com servidores estatutários.

Ou seja, com a mudança de hoje o prefeito Luciano Ducci continua desrespeitando a Constituição da República.

Ministério Público e Tribunal de Contas, por favor, façam alguma coisa!

Luciano Ducci deixou Curitiba esburacada

Abranches: Caminhões vilões - O técnico eletrônico Marcio Henrique Pereira, de 37 anos, considera os caminhões os vilões dos buracos. A imagem acima, na Rua Rodolpho Nunes Pereira, no Abranches, mostra a situação de vias trafegadas por veículos pesados. “Antipó não é adequado para ruas onde passam caminhões e ônibus. A situação é ainda mais grave em regiões com solo mais mole”, diz Valter Fanini. Foto de Albari Rosa/ Gazeta do Povo

Jardim das Américas: cimento em vez de asfalto - O professor universitário Benjamin Martins André, de 67 anos, cansou de esperar pela prefeitura de Curitiba e tapou com cimento alguns dos buracos da Rua André Petrelli, no Jardim das Américas. “Para mim, os administradores das regionais estão cegos ou não estão preocupados com os buracos das ruas”, diz. Na avaliação dele, a prefeitura deveria fazer varreduras temporárias e solucionar os problemas antes das reclamações surgirem. Foto de Marco André Lima/ Gazeta do Povo

Cidade Industrial: material impróprio - Não apenas pelo desconforto e pelos danos aos automóveis, o antipó é inadequado à cidade por segurança. “Quando não há pavimentação definida com meio-fio e calçada, há mistura de pedestres, bicicletas e veículos. Por esse motivo, ele é sempre inadequado”, diz o engenheiro Valter Fanini. Curitiba ainda conta com 461 quilômetros de saibro em sua malha viária

Xaxim: Contrário ao antipó - Antonio Marques França, de 48 anos, é contrário ao antipó. É um paliativo de baixa qualidade, critica. A Rua Enrico Fonseca dos Santos, no Xaxim, mostra exatamente o que acontece, especialmente em períodos de chuva. Se a manutenção não for feita, os buracos pequenos ficam grandes com meia-dúzia de chuvas, diz o diretor Valter Fanini, do Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Albari Rosa/ Gazeta do Povo)

Curitiba tem buracos em ruas de norte a sul

Hoje na Gazeta do Povo

Desgaste do piso de antipó deixa vias intransitáveis na maioria dos bairros da capital. Prefeitura afirma que prioriza conserto em ruas do transporte coletivo

Por Vinicius Boreki

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Terceiro Setor: Gestão Luciano Ducci celebrou contrato milionário sem licitação com ONG indígena para cursos de qualificação

Página da ONG: link da prestação de contas não leva a informação alguma

ONG indígena é contratada para cursos de qualificação

Publicado hoje na Gazeta do Povo, por Euclides Lucas e Sandro Moser

Sem licitação, prefeitura de Curitiba escolheu entidade especializada em índios para ministrar qualificação profissional para jovens. Valor dos contratos é de R$ 5,4 milhões

A prefeitura de Curitiba fechou no ano passado dois contratos com a organização não governamental (ONG) Associação de Defesa do Meio Ambiente Reimer, especializada no atendimento à população indígena, para qualificar jovens ao mercado de trabalho. No valor total de R$ 5,4 milhões, os contratos foram fechados por meio de inexigibilidade da licitação – quando, de acordo com a legislação brasileira, a competição é inviável. O site da Reimer, porém, não traz nenhuma prestação de contas da aplicação dos recursos recebidos do poder público.

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Diretora da Urbs, escolhida por Luciano Ducci, admite que não precisa cumprir a lei

Dr. Rosinha falou, Dr. Rosinha avisou, um prefeito picareta com anel de doutor!

Luciano Ducci manda aplicar multas de trânsito mesmo com decisões judiciais contrárias

Hoje na Gazeta do Povo

Condutor obtém liminar que suspende multas da Urbs

Autuado por excesso de velocidade duas vezes, motorista recorre à Justiça para conseguir habilitação permanente. Decisão favorável se baseou em acórdão do TJ

Por RAFAEL WALTRICK

Um motorista de Curitiba obteve ontem uma liminar do Juizado Especial da Fazenda Pública garantindo a entrega da carteira nacional de habilitação (CNH) permanente, mesmo após ter praticado duas infrações de trânsito durante a vigência da CNH provisória. A decisão encontrou respaldo no impasse envolvendo o acórdão do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) que nega à Urbanização de Curitiba S/A (Urbs) o poder de aplicar multas de trânsito.

Segundo o advogado Vinícius Augusto Stori Grellert, autor da ação, o condutor teve a carteira permanente negada pelo Departamento de Trânsito (De­­tran) devido a duas multas por excesso de velocidade, registradas por radares eletrônicos em 26 de novembro do ano passado. Na ação, o advogado comprovou que as multas foram aplicadas pela Urbs, que, segundo a decisão do TJ-PR, não teria legitimidade para aplicar sanções de trânsito.

No despacho, o juiz Humberto Gonçalves Brito assinala que “há relevância de que a Urbs não tem a competência exigida pelo artigo 24 do Código de Trânsito Brasileiro para o exercício da atividade que lhe foi atribuída pelo município de Curitiba, não podendo resultar na imposição de infrações de trânsitos ou restrições de direito de qualquer ordem (…)”.

A ação, que pede inclusive o ressarcimento dos valores cobrados, continua em trâmite. Na liminar, o juiz ordena ao Detran que anule em 24 horas as infrações para que a CNH possa ser concedida, sob pena de multa diária de R$ 100. “O cidadão nunca vai ser contra a fiscalização de trânsito, mas sim contra a exploração econômica dessa fiscalização. Nesse caso da liminar, o motorista tinha o direito de não sofrer interferência patrimonial de uma empresa privada que aplica multas”, afirma Grellert.

Impasse

O Ministério Público, autor da ação direta de inconstitucionalidade que resultou na decisão do TJ-PR, contesta o fato de a Urbs ser uma entidade de direito privado, enquanto somente órgãos públicos poderiam regular o trânsito. Apesar de a prefeitura de Curitiba ser a sócia majoritária da Urbs, com 99,9% das cotas, pessoas físicas e empresas, como bancos, formam um grupo com outros 17 sócios.

O acórdão do TJ-PR não tem efeito retroativo. Na decisão, o Órgão Especial do Tribunal deixa claro que a suspensão do poder de multar vale somente após a publicação da decisão, que ocorreu na última quarta-feira. A ressalva, porém, é contestada por advogados, que defendem a anulação e ressarcimento de multas aplicadas pela Urbs nos últimos cinco anos.

Recurso

Antecipando-se ao prazo legal que vence segunda-feira, a prefeitura informou ontem, sem muitos detalhes, ter entrado com recurso junto ao TJ-PR para a revisão do acórdão. O recebimento do recurso não foi confirmado até a noite de ontem pelo tribunal. A Urbs tem mantido os agentes da Diretran nas ruas, atuando normalmente.

Urbs não pode exercer o Poder de Polícia, mas há quem entenda o contrário

Entendo ser pueril a defesa de que é possível que a Urbs, uma sociedade de economia mista, tenha Poder de Polícia. Apenas autarquias ou a Administração Pública direta poder ter esse poder. E a Emenda Constitucional nº 19/98, a emenda neoliberal-gerencial do governo FHC, não alterou esse cenário.

E o prefeito Luciano Ducci continua cobrando multas, via Urbes, mesmo com decisão do TJ em contrário.

Veja dois textos sobre o tema publicados hoje na Gazeta do Povo:

Reforma administrativa ampliou papel da entidade

CARLOS ALEXANDRE NEGRINI BETTES

Desde a Emenda Constitucional 19/98, as sociedades de economia mista passaram a ter um novo tratamento constitucional, ampliando os conceitos da legislação até então existente

A Constituição deu à União competência privativa para legislar sobre trânsito, competência essa que foi exercida por meio do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que, em seu artigo 24, atribui aos órgãos e entidades municipais atividades de engenharia, educação e fiscalização de trânsito. Alguns municípios, como é o caso de Curitiba, optaram por exercer essas atividades através de sociedades de economia mista.

Decisões judiciais, do STJ e, mais recentemente, do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, colocaram em xeque a opção desses municípios. Especificamente em Curitiba questiona-se a figura da Urbs. O cerne da discussão está, basicamente, no fato de se entender inadmissível a delegação de poder de polícia a empresas que são de natureza jurídica privada e dedicadas à exploração de atividade econômica, bem como na destinação da arrecadação de multas aos sócios particulares nessas empresas. E no caso da decisão do TJ, parece que se agregou também, ante a Constituição Estadual, a exclusividade da Polícia Militar para exercer o policiamento de trânsito.

Não se pode ignorar, no entanto, que desde a Emenda Constitucional 19/98, que trouxe a chamada Reforma Administrativa, consolidando a mudança do modelo do Estado brasileiro, essas sociedades de economia mista passaram a ter um novo tratamento constitucional, ampliando os conceitos da legislação até então existente. Deixaram de ser destinadas exclusivamente à exploração de atividade econômica. Passaram a ter função pública, que é o que as distingue das outras empresas de fins econômicos, incidindo sobre elas normas de Direito Público, que envolvem prerrogativas e submissões características dos órgãos públicos.

E por constitucionalmente fazerem parte da administração pública, não há que se falar em delegação de poder de polícia a elas, mas sim em descentralização dessa atividade por meio desse ente criado pelo município à semelhança de seus órgãos.

Assim é que o artigo 24 do CTB, ao falar dos órgãos e entidades executivos de trânsito dos municípios, também admite essas sociedades de economia mista, pois se o vocábulo “órgão” se refere aos integrantes da administração direta, o termo “entidade” abrange essas estruturas privadas da administração indireta.

Já no que concerne à destinação da arrecadação de multas aos sócios particulares nessas empresas, vale lembrar que o artigo 320 do CTB determina que a receita com as multas de trânsito deva ser aplicada, exclusivamente, em sinalização, engenharia, policiamento, fiscalização e educação de trânsito. Trata-se, então, de receita com aplicação vinculada e que, portanto, não pode ser objeto de rateio entre os sócios.

E quanto à competência constitucional estadual da PM para exercer o policiamento de trânsito, primeiramente há de se desfazer uma confusão de conceitos. Segundo as definições contidas no Anexo I do CTB, o policiamento de trânsito, efetivamente exercido pelas PMs, é destinado a prevenir e reprimir atos relacionados com a segurança pública, ou seja, crimes. Diferencia-se, pois, da fiscalização de trânsito, que é o controle do cumprimento das normas estabelecidas na legislação de trânsito, por meio do poder de polícia administrativa de trânsito, ou seja, relativamente a infrações administrativas.

A competência da PM para executar o policiamento de trânsito não afasta, então, a competência do órgão ou entidade municipal em fazer a fiscalização a seu cargo, prevista no artigo 24 do CTB. Aliás, o código, em seu artigo 23, acabou até mesmo por alijar a PM nessa função de fiscalização, exigindo a celebração de convênio com o órgão ou entidade municipal, para que então ela possa exercer essa atividade como agente da autoridade municipal de trânsito e concomitantemente com os agentes municipais.

Dessa forma, não parece subsistirem os argumentos que vêm sendo utilizados em desfavor de a Urbs exercer a fiscalização do trânsito. E considerando a forte carga constitucional envolvida na discussão, a última palavra deverá ser dada pelo Supremo Tribunal Federal.

Carlos Alexandre Negrini Bettes, advogado, é especialista em Trânsito e mestre em Gestão Urbana.

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Poder de polícia é do Estado

REGINALDO KOGA

O exercício do poder de polícia administrativa é uma atividade típica de Estado, não podendo ser delegada a particulares ou empresas com natureza jurídica de direito privado

O trânsito é, antes de mais nada, uma questão de segurança pública e o exercício do poder de polícia pela Urbs afronta não apenas os artigos 173 e 175 da Constituição Federal, como também o artigo 144 da mesma, vez que, inexistindo órgão legalmente competente da administração pública direta em Curitiba, a relevante tarefa compete à Polícia Militar, através do BPTran em fiel observância à legislação de trânsito.

O poder de polícia está definido no artigo 78 do Código Tributário Nacional, como “a atividade da administração pública que, limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão de interesse público concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder Público, à tranquilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos”.

Como atividade indissociável da ideia de Estado, o poder de polícia somente pode ser exercido por órgãos da administração pública direta, enquanto poder público, o que afasta a atuação das entidades paraestatais, como empresas públicas, sociedades de economia mista ou outras entidades que explorem atividade econômica que somente podem receber delegação de poderes para a prestação dos denominados serviços “impróprios”, ou “não típicos do Estado”.

O exercício do poder de polícia de trânsito é uma atividade jurídica exclusiva do poder administrativo do Estado e jamais poderá ser exercido por entidade que congregue capital ou interesse particular, ou por seus agentes, por não restar vínculo direto e estrito com o poder público.

Assim, aplicar multas, arrecadar, apreender veículos, julgar motoristas infratores e tantas outras inerentes à fiscalização e garantia da paz e segurança no trânsito é, segundo o artigo 24 do Código de Trânsito Brasileiro, exercício de poder de polícia que compete ao poder público municipal, portanto, indelegável a ente privado, ainda que sob a forma de empresa estatal.

É incompatível a Urbs aplicar multas e ser remunerada pelo Município em 4% pelos valores recolhidos ao Fundo de Urbanização de Curitiba, (artigo 10 da Lei Municipal n.º 4.369/72) ou ainda, nos termos do artigo 41 do seu Estatuto Social, deduzir 25% do lucro líquido para distribuição como dividendos aos acionistas representados por uma seguradora, fundos de pensão, políticos e empresários, demonstrando assim um conflito de interesses entre segurança do trânsito e exploração da atividade econômica pelo Estado.

Assim, não há qualquer sombra de dúvida quanto à impossibilidade jurídica de um ente de natureza privada, como no caso da Urbs S/A, exercer poder de polícia, pois está em causa a restrição à liberdade e a propriedade do administrado, além da insustentável violação ao Estado Democrático de Direito (art. 1.º da Constituição Federal).

Algumas decisões judiciais já reconheceram a indelegabilidade do poder de polícia a pessoa jurídica de direito privado: 1.ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Paraná, Autos n.º 24 – 09.2010.8.16.0179; Superior Tribunal de Justiça, caso da BHTrans, autos n.º 817.354; Supremo Tribunal Federal, autos da Adin n.º 1717; Tribunal de Justiça do Paraná, Adin n.º 52764-2.

Portanto, no âmbito do trânsito, o exercício do poder de polícia administrativa é uma atividade típica de Estado, não podendo ser delegada a particulares ou empresas com natureza jurídica de direito privado, ainda que constituída de patrimônio público e tendo como sócio majoritário o Município, pois os atos administrativos praticados por essas entidades são nulos, por falta de competência, o que permite aos administrados buscarem o reembolso dos valores que indevidamente recolheram.

Reginaldo Koga é advogado.

Luciano Ducci privatizou a Maratona de Curitiba

Do Margarita Sem Censura

A sanha de terceirizar da Prefeitura de Curitiba não pára. Multas com a Consilux, podas de árvores com a família Derosso, exames de saúde pública com laboratórios particulares, pavers no lugar das calçadas tradicionais, ônibus com as famílias detentoras de concessão que remonta a 1957. Agora, até a Maratona de Curitiba.

A empresa paulista Latim Esportes é a dona do pedaço. Quem quiser correr os 42 km olímpicos deve pagar R$ 70 de inscrição. Para correr só 10 km, na modalidade amador, paga-se R$ 60. Para caminhar – como iniciante – apenas 5 km, pasmem, a taxa é de R$ 50.

Perguntamos: se quem corre somos nós, as ruas são públicas, o bloqueio de tráfego é do Diretran e da PM, as ambulâncias – seu pessoal e combustível – são do Siate, o monitoramento é dos valorosos professores de Educação Física funcionários públicos municipais, o secretário de Esportes Municipal de Esportes e Lazer – Marcelo Richa, acadêmico de direito da Universidade Positivo – é pago com dinheiro público, o que sobra de despesa e investimento para a empresa particular terceirizada?

Ainda vale lembrar que o evento é patrocinado com dinheiro público pela Caixa, Copel (ainda pública), Sanepar (em parte pública) – mas que fornecerá água pura dos mananciais da serra – e o banco espanhol Santander – dono da conta pública da Prefeitura de Curitiba.

O valoroso vereador Algaci Túlio (PMDB), com ideais olímpicos, adepto das corridas esportivas, não se conforma. Fez pedido de informações ao prefeito Ducci. Ainda sem resposta.

Luciano Ducci, sedento por arrecadação, mantém aplicação de multas pela Urbs

Lucano Ducci e Beto Richa, que não resolveram o problema de aplicação de multas pela Urbs

Qualquer estudante de Direito do 3º ano sabe que apenas as pessoas jurídicas de Direito Público têm Poder de Polícia. Assim, as empresas públicas e sociedades de economia mista, que fazem parte da Administração Pública indireta, mas são pessoas jurídicas de Direito Privado, não têm Poder de Polícia. Nesse sentido posição da Prof.ª Dr.ª Adriana Schier, da UniBrasil e Instituto Bacellar, divulgada hoje na Gazeta do Povo: “A aplicação de multas é decorrente do poder de polícia do Estado. E esse poder é indelegável. Quem pode exercer são só pessoas jurídicas de direito público, onde a Urbs não se enquadra”.

A Urbanização de Curitiba S/A – Urbs é uma sociedade de economia mista municipal e não pode aplicar multas. Mas infelizmente os ex-prefeitos Cássio Taniguchi e Beto Richa, e o atual Luciano Ducci (PSB) mantêm essa incostitucionalidade flagrante da Urbs.

Mesmo com uma decisão do Tribunal de Justiça de proibir a Urbs de aplicar multas, o Governo Ducci as continua aplicando por meio da Urbs.

Seria um ato de boa-fé do prefeito simplesmente alterar o regime jurídico da Urbs.

Gustavo Fruet detona Beto Richa, Luciano Ducci e PSDB em entrevista na Época

QUEM É: Filho de Maurício Fruet, prefeito de Curitiba entre 1983 e 1985, foi deputado federal por três mandatos. O QUE FEZ: Em 2005, foi sub-relator da CPI dos Correios, que investigou as denúncias sobre o mensalão no governo Lula. No ano passado, perdeu a eleição para o Senado. Foto: Renata Chede/ÉPOCA

“Nem na ditadura teve uma lógica de aproximação com todos os partidos como no Governo Beto Richa”.

“O PSDB não tem projeto”

“O PSDB não existe no Paraná”

“Beto Richa me prometeu o comando da executiva municipal do PSDB. Derosso e Luciano Ducci vetaram e o Beto Richa ficou com eles e silenciou”.

“Sempre que converso com alguém, há uma tentativa de cooptação por parte do governo Beto Richa e da prefeitura de Luciano Ducci. O Beto Richa foi pedir para o Gilberto Kassab não me apoiar.”

Entrevista publicada na revista Época 696, de 19/09/2011

Gustavo Fruet: “O PSDB não tem projeto”

O ex-deputado, estrela tucana na investigação do mensalão, critica o partido que acabou de deixar

DANILO THOMAZ

Conhecido por sua atuação combativa em Brasília, principalmente na CPI do Congresso que investigou o mensalão, em 2005, o ex-deputado federal Gustavo Fruet, do Paraná, aparecia frequentemente listado como uma das mais importantes lideranças da oposição ao governo petista. Em junho, porém, Fruet deixou o PSDB com o discurso de que precisava recomeçar sua carreira política. Derrotado nas eleições para o Senado no ano passado, ele diz que esperava contar com o apoio do governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), para se qualificar como pré-candidato à prefeitura de Curitiba no ano que vem. Isso não ocorreu, e, agora, Fruet está mais próximo de partidos que compõem a base do governo Dilma Rousseff, como PDT e PCdoB.

ÉPOCA – O atual prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, era um quadro promissor do PSDB. Saiu e foi para o PMDB. O mesmo ocorreu com o deputado Gabriel Chalita, em São Paulo. Agora, o senhor. Por que o PSDB não consegue reter seus novos quadros?
Gustavo Fruet – São vários fatores. Primeiro, o PSDB é muito influenciado pela prevalência da política paulista. Segundo, há uma cultura partidária autofágica, uma soma de projetos pessoais, em vez de um partido. Terceiro, não há cultura do incentivo. Acaba que não renovamos a vida partidária. Há também uma visão centralizadora. A visão da capital federal define como vai ser a política no Brasil. O PSDB não tem clareza em relação aos projetos de médio e longo prazo. O PSDB chegou a ter mais de 100 deputados. Na última eleição, elegeu 55 ou 56.

ÉPOCA – O senhor vê futuro para o PSDB como sigla de oposição?
Fruet – Sempre haverá espaço para oposição, mas o PSDB hoje está refém de uma situação que não é uma estratégia política. Qual é? Esperar a tragédia do governo. Quer usar uma crise econômica ou política para tentar tirar da base do governo partidos como o PSB, o PDT, o PMDB. Mas nos Estados é muito comum o PSDB estar coligado a partidos que são aliados do PT no plano nacional.

ÉPOCA – Quais foram seus atritos no PSDB?
Fruet – Quando entrei, em 2004, foi para apoiar o Beto Richa (à prefeitura de Curitiba). Ele estava atrás nas pesquisas, eu o apoiei, ele foi eleito. Em 2008, o apoiei para a reeleição. Sempre houve muita clareza de que me preparava para ser o sucessor. Em 2008, abri mão da indicação de ser o vice dele para manter a coligação com o PSB. Nesse período, fiquei muito focado no Congresso, participei do Conselho de Ética e de uma CPI. Eu me afastei da política local. Fiquei sem nenhum diretório do PSDB. Abri mão do espaço na executiva estadual. E o compromisso que tinham de me deixar na executiva municipal não foi cumprido. O partido nunca se reuniu para fazer tese, congresso, convenções. Em 2010, preparei-me para ser candidato a senador. A executiva estadual trabalhou contra. O PSDB preferiu apoiar o Ricardo Barros (PP), que era candidato do Lula, e o Osmar Dias (PDT). É assim: a gente fica na política nacional, no combate, e no Estado o partido dá apoio a aliados do governo federal. Na última hora, o Osmar resolveu sair, e me chamaram para concorrer ao Senado. Abri mão da reeleição (para deputado)para tentar o Senado e dar tempo de TV para o PSDB, para ajudar o (José) Serra, candidato à Presidência.

É assim: a gente fica na política nacional, no combate, e no Estado seu partido dá apoio a aliados do governo federal”

ÉPOCA – Qual é o principal problema do PSDB no Paraná?

Fruet – O PSDB não existe no Paraná. Em muitos municípios, dirigentes apoiaram o Beto para governador e, ao mesmo tempo, a Gleisi Hoffmann (PT) e o Roberto Requião (PMDB)para o Senado. É importante para vermos o que é fidelidade partidária… O fato de haver um partido constituído não significa que ele esteja seguindo um programa.

ÉPOCA – O senhor saiu do PSDB por falta de espaço para disputar a prefeitura. É isso?
Fruet – Depois da eleição (de 2010), pedi só uma coisa para o Beto: apoio para conseguir o comando da executiva municipal. Ele assumiu esse compromisso. Mas o presidente da Câmara e um grupo ligado ao prefeito (Luciano Ducci, prefeito de Curitiba, do PSB) vetaram. O Beto ficou com eles. Pedi espaço para construir a candidatura, depois decidiríamos. Mas houve um silêncio constrangedor.

ÉPOCA – Alguém do PSDB ofereceu apoio?
Fruet – Não em público. Aí não adianta. Não pedi para ser ungido. Queria fazer uma consulta, pesquisas. Tentaram abafar minha candidatura. O Beto Richa começou a criar secretaria, dar cargo para vereador e cooptar quase todos os partidos. Sempre apareci bem nas pesquisas. Ficaram me cozinhando.

ÉPOCA – Quem lhe ofereceu ajuda?
Fruet – O Sérgio Guerra (presidente nacional do partido) e o Serra. Não houve promessa, no sentido “eu garanto”. Conversei com eles por telefone, eles estiveram em Curitiba no casamento do filho do Beto. O compromisso deles era conversar, buscar uma solução.

ÉPOCA – Quando o senhor saiu do partido, alguém ligou?
Fruet – O único que ligou foi o Aécio (Neves, senador).

ÉPOCA – O que o senhor acha do governo de Beto Richa?
Fruet – A avaliação dele é positiva aqui. Ele ganha como contraponto do Requião (ex-governador). O lado negativo é a lógica de aproximação com todos os partidos. Nem na ditadura teve algo assim. É uma dependência brutal do governo. Todos, com exceção do PT, estão votando com o governo na Assembleia. O PMDB, que era oposição, está com o governo, com exceção de um deputado.

ÉPOCA – O senhor ficou nacionalmente conhecido pela atuação na CPI dos Correios, na investigação do mensalão. Agora está prestes a ingressar na base do governo. Qual é sua opinião sobre o mensalão hoje?
Fruet – Mantenho as mesmas posições. Foi um fato sério, que mudou profundamente a forma de acompanhamento da política do Congresso e tem efeitos até hoje. Uma marca muito negativa do governo no Congresso.

ÉPOCA – Que marcas deixou no Congresso?
Fruet – Um desgaste profundo. O Congresso não conseguiu mais sair dessa agenda negativa. São certos hábitos que estão enraizados. A forma de relação com o Executivo não se sustenta. É o que está acontecendo agora, esta sequência de queda de ministros. Vou além: não se concluiu muito do que se levantou na época. Vai ficar eternamente no sigilo.

ÉPOCA – Já escolheu algum partido para sair candidato à prefeitura?
Fruet – Não. Vim a Brasília por isso e tentei conversar com algumas lideranças. É importante evitar que o partido seja cooptado pelo governo do Beto Richa. Além disso, são poucos os partidos que não estão na base da prefeitura de Curitiba. Só PDT, PCdoB e PV são independentes. E o PT. Para o PT, não vou, sem demérito. Para o PMDB do Requião, também não vou. Vim conversar com a Rosane Ferreira, do PV, com o Osmar Dias, do PDT, e com dirigentes do PCdoB. Agora, sempre que converso com alguém, há uma tentativa de cooptação por parte do governo e da prefeitura. PSD? O Beto foi pedir para o Gilberto Kassab não me apoiar. DEM? Eles criaram uma Secretaria Especial de Habitação para acomodar o DEM. Essa é a política real.

ÉPOCA – O senhor tem conversado com o ministro Paulo Bernardo, do PT?
Fruet – Não. Ontem (terça-feira 13), falei com ele pela primeira vez. Uma conversa política, de conjuntura, mas nada conclusivo. O PT trabalha para eleger a Gleisi governadora em 2014. Para o PT é importante ter candidatos (a prefeito) ou apoiar candidatos nas principais cidades do Paraná.

A Grande Família curitibana

Abertura da Grande Família de Curitiba que um leitor encaminhou para o Blog do Tarso. Aqui, tudo é para a família, deles…

Publicado no youtube pelo Cleverson do Rodopiou

TJ decide o óbvio: a URBS como sociedade de economia mista não pode aplicar multas. Só não é óbvio para Luciano Ducci, Beto Richa e Cássio Taniguchi

Depois de 16 anos o Tribunal de Justiça do Paraná decidiu o óbvio: a URBS, como sociedade de economia mista do Município de Curitiba, não pode aplicar multas. Só não é óbvio para o atual prefeito Luciano Ducci (PSB) e para os ex-Prefeitos Beto Richa (PSDB) e Cássio Taniguchi (DEMO). Incompetência ou má-fé? Veja a matéria da Gazeta do Povo de hoje, de Kátia Brembatti e José Marcos Lopes:

O então prefeito de Curitiba Cássio Taniguchi e seu vice e Secretário de Obras Beto Richa. Cássio foi Secretário de Planejamento de Jaime Lerner e agora ocupa o mesmo cargo do Governo Beto Richa.

Urbs não tem o direito de aplicar multas, diz TJ-PR

Decisão do Tribunal de Justiça proíbe o órgão que gerencia o trânsito de Curitiba de multar infrações de trânsito

O Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) decidiu ontem que a Urbs não pode fiscalizar e multar no trânsito de Curitiba. A decisão, tomada por unanimidade pelos 20 desembargadores que integram o Órgão Especial, vale a partir da publicação do acórdão – o que deve acontecer em uma semana. As multas aplicadas antes da publicação continuam valendo. Veja a matéria completa:

Luciano Ducci recebe a maior remuneração de Prefeito do país, igual à da Presidenta. Meus alunos não acreditaram quando informei esse absurdo.

Do Blog Lado B