Cataratas do Iguaçú

Cataratas do Iguaçu - outubro de 2011 - Foz do Iguaçu - Paraná - Brasil. Foto de Tarso Cabral Violin

Ato reúne petistas em defesa da candidatura própria em 2012

Do site do Tadeu Veneri

Cerca de trezentas pessoas, entre militantes e lideranças petistas, participaram do ato em defesa da candidatura própria do PT na disputa à prefeitura de Curitiba nas eleições do próximo ano, realizado na noite de segunda-feira, 21, na Sociedade Treze de Maio. A manifestação expressa a posição de vários setores do partido a favor do lançamento de um nome do PT à prefeitura, a ser escolhido, em prévias, entre as pré-candidaturas já apresentadas, do deputado estadual Tadeu Veneri e dos deputados federais Angelo Vanhoni e Dr. Rosinha.
“Quem decide no PT são os filiados. Quem decide pelo PT são os filiados”, disse Veneri, que destacou a ampla participação da base do partido no movimento. “Nós queremos que o PT municipal inicie o processo de construção do calendário para discutir a eleição municipal. Para nós, discutir a pré-candidatura do PT é um processo natural depois de trinta anos de predomínio de um mesmo grupo político-econômico na prefeitura de Curitiba”, disse Veneri. Para o deputado, o PT precisa apresentar um projeto com a sua identidade para a população de Curitiba. “ Um projeto de transformação, que represente uma inversão de prioridades em que a política deixe de ser aplicada em benefício de uma minoria para atender à maioria da população”, afirmou.
O deputado estadual Professor Lemos e a vereadora professora Josete defenderam a tese da candidatura própria. “Nós não apenas temos o direito de ter candidatura própria em Curitiba, como também o dever, a obrigação de apresentar um projeto de sociedade para a cidade. Nós temos nomes e todos eles podem representar esse projeto”, disse Lemos.
Para a vereadora professora Josete, não há uma justificativa plausível para que o PT abdique de ter um candidato em Curitiba. “Nós estamos no terceiro mandato do governo federal e é um projeto do partido fazer o debate das nossas propostas nas maiores cidades do país. O projeto do partido tem que estar acima dos projetos individuais”, disse.
Representante do Dr. Rosinha no ato, o dirigente do PT estadual Marcio Pessati observou que, em 2010, o PT do Paraná fez um recuo tático ao abrir mão de lançar um candidato ao governo em benefício da eleição da presidente Dilma Rousseff. “Isso foi importante, mas teve um custo para o partido. Em 2012, a diretriz é outra. Nós temos um objetivo de construção do PT do estado. E isso passa pela candidatura própria. Até este momento, nenhuma outra corrente política apresentou tese de aliança”, disse.
Militantes históricos do PT como o professor Romeu Gomes de Miranda e o advogado Claudio Ribeiro também destacaram a importância de o PT lançar candidato. “Nós precisamos defender as bandeiras deste partido. Nós temos uma identidade a defender”, afirmou Ribeiro.
O ato teve ainda a participação de dois integrantes da direção nacional do PT, Marcos Sokol e Marcel Frison, atual secretário de Saneamento do governo do Rio Grande do Sul , um integrante da executiva nacional, Renato Simões, e representantes do PT da Região Metropolitana de Curitiba e do Interior do Estado.
“O Congresso Nacional do PT estabeleceu que precisamos nos consolidar como o partido dos avanços sociais e nossa prioridade é ter candidaturas próprias. O fórum de decisão não é de meia-dúzia de dirigentes, mas do conjunto de filiados. O PT de Curitiba não pode se comportar como uma força política de segunda categoria. Por que todas as grandes cidades do país e do estado podem ter candidaturas próprias e Curitiba não?”, questionou Renato Simões.
Para Frison, nada é tão importante para reforçar o projeto nacional do PT do que a indicação de candidaturas próprias a prefeito nas eleições de 2012. “As alianças são instrumentos táticos. As concessões fazem parte da vida política. Mas não podemos subordinar interesses estratégicos dos trabalhadores às alianças, apenas pelo propósito de chegar ao poder”, disse o representante gaúcho.
O debate sobre a posição do PT na disputa eleitoral de 2012 continua nos dias 5, 6, 7 e 8, nas reuniões das regionais do Portão, Cidade Industrial de Curitiba, Cajuru , Boa Vista, Pinheirinho, Boqueirão e Bairro Novo, Matriz e Santa Felicidade.

“Odeio os Indiferentes” – Antonio Gramsci

Divulgado pelo Blog MidiaCrusis

Os Indiferentes

Antonio Gramsci

11 de Fevereiro de 1917

Texto retirado do livro Convite à Leitura de Gramsci

Do Marxists

Odeio os indiferentes. Como Friederich Hebbel acredito que “viver significa tomar partido”. Não podem existir os apenas homens, estranhos à cidade. Quem verdadeiramente vive não pode deixar de ser cidadão, e partidário. Indiferença é abulia, parasitismo, covardia, não é vida. Por isso odeio os indiferentes.

A indiferença é o peso morto da história. É a bala de chumbo para o inovador, é a matéria inerte em que se afogam freqüentemente os entusiasmos mais esplendorosos, é o fosso que circunda a velha cidade e a defende melhor do que as mais sólidas muralhas, melhor do que o peito dos seus guerreiros, porque engole nos seus sorvedouros de lama os assaltantes, os dizima e desencoraja e às vezes, os leva a desistir de gesta heróica.

A indiferença atua poderosamente na história. Atua passivamente, mas atua. É a fatalidade; e aquilo com que não se pode contar; é aquilo que confunde os programas, que destrói os planos mesmo os mais bem construídos; é a matéria bruta que se revolta contra a inteligência e a sufoca. O que acontece, o mal que se abate sobre todos, o possível bem que um ato heróico (de valor universal) pode gerar, não se fica a dever tanto à iniciativa dos poucos que atuam quanto à indiferença, ao absentismo dos outros que são muitos. O que acontece, não acontece tanto porque alguns querem que aconteça quanto porque a massa dos homens abdica da sua vontade, deixa fazer, deixa enrolar os nós que, depois, só a espada pode desfazer, deixa promulgar leis que depois só a revolta fará anular, deixa subir ao poder homens que, depois, só uma sublevação poderá derrubar. A fatalidade, que parece dominar a história, não é mais do que a aparência ilusória desta indiferença, deste absentismo. Há fatos que amadurecem na sombra, porque poucas mãos, sem qualquer controle a vigiá-las, tecem a teia da vida coletiva, e a massa não sabe, porque não se preocupa com isso. Os destinos de uma época são manipulados de acordo com visões limitadas e com fins imediatos, de acordo com ambições e paixões pessoais de pequenos grupos ativos, e a massa dos homens não se preocupa com isso. Mas os fatos que amadureceram vêm à superfície; o tecido feito na sombra chega ao seu fim, e então parece ser a fatalidade a arrastar tudo e todos, parece que a história não é mais do que um gigantesco fenômeno natural, uma erupção, um terremoto, de que são todos vítimas, o que quis e o que não quis, quem sabia e quem não sabia, quem se mostrou ativo e quem foi indiferente. Estes então zangam-se, queriam eximir-se às conseqüências, quereriam que se visse que não deram o seu aval, que não são responsáveis. Alguns choramingam piedosamente, outros blasfemam obscenamente, mas nenhum ou poucos põem esta questão: se eu tivesse também cumprido o meu dever, se tivesse procurado fazer valer a minha vontade, o meu parecer, teria sucedido o que sucedeu? Mas nenhum ou poucos atribuem à sua indiferença, ao seu cepticismo, ao fato de não ter dado o seu braço e a sua atividade àqueles grupos de cidadãos que, precisamente para evitarem esse mal combatiam (com o propósito) de procurar o tal bem (que) pretendiam.

A maior parte deles, porém, perante fatos consumados prefere falar de insucessos ideais, de programas definitivamente desmoronados e de outras brincadeiras semelhantes. Recomeçam assim a falta de qualquer responsabilidade. E não por não verem claramente as coisas, e, por vezes, não serem capazes de perspectivar excelentes soluções para os problemas mais urgentes, ou para aqueles que, embora requerendo uma ampla preparação e tempo, são todavia igualmente urgentes. Mas essas soluções são belissimamente infecundas; mas esse contributo para a vida coletiva não é animado por qualquer luz moral; é produto da curiosidade intelectual, não do pungente sentido de uma responsabilidade histórica que quer que todos sejam ativos na vida, que não admite agnosticismos e indiferenças de nenhum gênero.

Odeio os indiferentes também, porque me provocam tédio as suas lamúrias de eternos inocentes. Peço contas a todos eles pela maneira como cumpriram a tarefa que a vida lhes impôs e impõe quotidianamente, do que fizeram e sobretudo do que não fizeram. E sinto que posso ser inexorável, que não devo desperdiçar a minha compaixão, que não posso repartir com eles as minhas lágrimas. Sou militante, estou vivo, sinto nas consciências viris dos que estão comigo pulsar a atividade da cidade futura que estamos a construir. Nessa cidade, a cadeia social não pesará sobre um número reduzido, qualquer coisa que aconteça nela não será devido ao acaso, à fatalidade, mas sim à inteligência dos cidadãos. Ninguém estará à janela a olhar enquanto um pequeno grupo se sacrifica, se imola no sacrifício. E não haverá quem esteja à janela emboscado, e que pretenda usufruir do pouco bem que a atividade de um pequeno grupo tenta realizar e afogue a sua desilusão vituperando o sacrificado, porque não conseguiu o seu intento.

Vivo, sou militante. Por isso odeio quem não toma partido, odeio os indiferentes.

Romeu Bacellar Filho falou hoje para mais de 400 estudantes e juristas na Universidade Positivo

Fernando Mânica, Marcos Alves (coordenador do Curso de Direito da UP), o palestrante Romeu Bacellar, a presidenta de mesa Ana Cláudia Finger, Tarso Cabral Violin e o desembargador Guido Dobeli. Foto do advogado, professor, fotógrafo e pré-candidato a vereador Maicon Guedes

O professor doutor Romeu Bacellar Filho falou hoje para mais de 400 estudantes e juristas na Universidade Positivo, em evento paralelo a XXI Conferência Nacional dos Advogados, que também ocorre no Campus da UP.

Bacellar tratou da Administração Pública, Eficiência e Poder Judiciário, além de criticar a Lei do RDC (Regime Diferenciado de Contratações para a Copa e Jogos Olímpicos), questionou que no Brasil se utiliza muitos relógios de sol de Siracusa com o as agências reguladoras, contratos de gestão, estatuto do usuário de serviços públicos, e fez uma declaração de amor a nossa Constituição: “a Constituição de 1988 é a melhor de todos os tempos”.

Amanhã será a vez da palestra do professor Celso Antônio Bandeira de Mello, sobre o Princípio da Supremacia do Interesse Público sobre o privado, às 19h, no auditório do bloco bege (pode ser transferido para um auditório maior da UP).

Romeu Bacellar na Universidade Positivo. Foto de Maicon Guedes

Auditório lotado da Universidade Positivo na palestra do professor Romeu Bacellar Filho. Foto de Tarso Cabral Violin / Blog do Tarso via iPhone

Foto de Tarso Cabral Violin / Blog do Tarso via iPhone

 

Cartaz da festa de formatura dos estudantes de Direito da USP – sem comentários

Celso Antônio Bandeira de Mello fala amanhã na Universidade Positivo, às 19h

O advogado e professor de Direito Administrativo Celso Antônio Bandeira de Mello (PUCSP) fará palestra na Universidade Positivo, amanhã, dia 23 de novembro de 2011, 19h.

A entrada é livre para toda a sociedade, sem necessidade de inscrição prévia.

O tema será “O Princípio da Supremacia do Interesse Público sobre o privado no Estado Social e Democrático de Direito”, sob a presidência do professor de Direito Administrativo da UP, Tarso Cabral Violin, no auditório do Bloco Bege (se a palestra for transferida para o pequeno auditório do Teatro Positivo, que é um auditório maior, avisarei amanhã durante o dia no Blog do Tarso).

Celso Antônio Bandeira de Mello é professor emérito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, onde é professor titular de Direito Administrativo, e é o maior administrativista brasileiro de todos os tempos.

Maiores informações pelo e-mail tarso@up.com.br

Hoje Romeu Bacellar Filho na Universidade Positivo, 19h

O advogado e professor de Direito Administrativo da UFPR e PUC/PR, Romeu Bacellar Filho, fará palestra na Universidade Positivo, hoje, 19h, no auditório 2 do Bloco Amarelo.

A entrada é livre para toda a sociedade, sem necessidade de inscrição prévia.

O tema será ”Administração Pública, Eficiência e Poder Judiciário”, sob a presidência da professora de Direito Administrativo da UP, Ana Cláudia Finger.

Amanhã será a vez de Celso Antônio Bandeira de Mello, no mesmo horário. Clique aqui para maiores informações.

Hoje foi tomada a decisão mais importante da #confOAB: Emerson do Corinthians joga contra o Figueirense

Emerson do Corinthians

Hoje durante a XXI Conferência Nacional dos Advogados, que está sendo realizada em Curitiba, na Universidade Positivo, o atacante Emerson do Corinthians seria julgado pelo STJD devido a uma jogada na vitória contra o Avaí. Mas sob a alegação que o julgamento do técnico do Fluminense, Abel Braga, havia sido adiado, o advogado do Corinthians pediu o adiamento e também foi atendido pelo relator Alberto Puga. Desta forma o atacante está liberado para enfrentar o Figueirense neste domingo (27), às 17h.

Emerson chegou ao Timão nesta temporada e vem tendo participações decisivas nos jogos da reta final do Brasileirão. Como na vitória contra o Atlético-MG, em que o atacante deu o passe para o gol de Adriano. O Camisa 11 marcou seis gol em 27 jogos com a camisa alvinegra.

Charge: Derosso, já vai tarde e não volte mais!

Charges: Chevron comprova de que discurso da eficiência do setor privado é balela

Ex-jogador do Corinthians, Dentinho, é caboman da XXI Conferência Nacional dos Advogados

Dentinho ou seu irmão gêmeo separado no nascimento? Foto de Tarso Cabral Violin / Blog do Tarso

Dalmo de Abreu Dallari está falando na conferência de abertura da XXI Conferência Nacional dos Advogados

Dalmo de Abreu Dallari na XXI Conferência Nacional dos Advogados. Foto de Tarso Cabral Violin / Blog do Tarso

O tema de sua palestra é a liberdade, democracia e meio ambiente. A TV Justiça está televisionando o evento ao vivo.

Mesa de abertura. Foto de Tarso Cabral Violin / Blog do Tarso

 

Será que Beto Richa e Luciano Ducci dormiram na abertura da XXI Conferência Nacional dos Advogados?

Foto de Tarso Cabral Violin / Blog do Tarso

 

Foto de Tarso Cabral Violin / Blog do Tarso

Charge: amnésia seletiva

Hoje na Gazeta do Povo

Charge: abutres?

Hoje na Gazeta do Povo

Não confie quando alguns políticos se disserem de esquerda

Folha de S. Paulo de domingo

A Folha de S. Paulo de domingo divulgou a pesquisa Legislativa Brasileira (2009) que foi analisada no livro “O Congresso por Ele Mesmo” (UFMG, 2011, organizado por Timothy Power e Cesar Zucco Jr).

A pesquisa realizada com 139 congressistas em 2009 mostra que nos últimos 20 anos a esquerda brasileira acabou aceitando muitas das políticas econômicas propostas pela direita.

Em 1990 72% dos congressistas que se diziam de esquerda defndiam maior presença do Estado na economia.

Em 1997, segundo a obra, com a voga neoliberal, o índice caiu para 47% e se mantém estável até hoje.

Para Cesar Zucco, professor da Universidade Rutgers (EUA), os dados indicam que muitos congressistas se dizem de esquerda sem de fato defenderem posições tradicionalmente de esquerda: “A esquerda veio para o centro, mas a direita continuou mais ou menos igual. O resultado é que, apesar de haver mais cadeiras ocupadas pela esquerda, o Congresso se percebe mais de centro e vê menos diferenças entre os polos ideológicos“.

Para David Samuels, professor da Universidade de Minesota (EUA), o PT é o maior responsável por esse movimento: “Afora o PT, nunca houve posições muito distintas entre os partidos. Quando o PT chega ao governo, razões pragmáticas levam a legenda para o centro. Com isso, a convergência no Congresso é acentuada”.

Segundo a classificação que os congressistas fazem dos partidos, praticamente todas as legendas de esquerda são vistas hoje mais à direita que em 1990, e as de direita, mais à esquerda, conforme quadro acima.

O quadro abaixo mostra que cada vez mais congressistas que se dizem de esquerda preferem o sistema econômico de mercado,  menos predomínio estatal ou puramente estatal.

A convergência na economia. Apoio a economia de mercado diminui entre congressistas que se posicionam à direita e aumenta na esquerda. Folha de S. Paulo de domingo

Ou seja, políticos de partidos como o PSDB e PPS apenas se dizem de esquerda, mas na verdade são de centro-direita ao apoiarem a economia de mercado. Políticos de vários estado do PSB também defendem a economia de mercado, como o prefeito Luciano Ducci de Curitiba. E até alguns políticos do PT são de centro-direita ao apoiarem o fim do Estado Social e Democrático de Direito e apoiarem mais mercado, mais neoliberalismo e menos Estado.

O Blog do Tarso fará cobertura da XXI Conferência Nacional dos Advogados via Twitter e Facebook

O Blog do Tarso fará cobertura da XXI Conferência Nacional dos Advogados, em Curitiba, na Universidade Positivo, via twitter e facebook.

Já divulguei a minha programação da Conferência Nacional.

Ministro Carlos Ayres Britto do STF receberá hoje título de cidadão honorário do Paraná

Hoje o Ministro Carlos Augusto Ayres de Freitas Britto, vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), receberá o título de Cidadão Honorário do Paraná em sessão solene na Assembleia Legislativa do Paraná. As vezes a AL faz algo de bom.

O ministro é um grande constitucionalista e administrativista, inclusive já escreveu livro até sobre o perfil constitucional das licitações, pela editora Zênite.

Deputado Tadeu Veneri, pré-candidato a prefeito de Curitiba, chama militantes para evento por candidatura própria do PT

Direita golpista chilena matou Pablo Neruda

O poeta chileno Pablo Neruda, que morreu em 1973 logo após o golpe militar no Chile

Pablo Neruda foi assassinado, reitera ex-ajudante do poeta

Do Blog do Esmael

via portal Vermelho

“Pablo Neruda foi assassinado. Não estava para morrer, estava com boa saúde”, reiterou, em Santiago do Chile, Manuel Araya, motorista, ajudante e amigo pessoal do poeta chileno.

Em declarações à Rádio Cooperativa do Chile, Araya disse que, depois do golpe de Estado de 11 de setembro de 1973, a família e os amigos do Prêmio Nobel de Literatura (1971) decidiram levá-lo do seu lar até a Clínica Santa María de Santiago por segurança.

“Pensávamos que na clínica estaria mais seguro. Nunca pensamos que lhe iam dar uma injeção e ele ia morrer”, relatou.

Araya informou que explicou tudo em detalhe às autoridades judiciais que pesquisam a morte do poeta e, em particular, ao ministro do caso, Mario Carroza: “Ficou muito contente com o que lhe contei; contei-lhe todo o que eu sabia”.

Citado também por Rádio Bío Bío de Chile, Araya disse que, estando Neruda nessa clínica, lhe chamou por telefone para lhe dizer que tinham dado a ele uma injeção no estômago e que estava com muita febre.

Araya foi então à instituição médica e lá um doutor pediu-lhe que saísse para comprar um medicamento, informou em seu depoimento.

“Eu retiro uma toalha para molhar (a Neruda) e lhe baixar a febre, entro no banheiro para lavar meu rosto e molhar a toalha, entra um doutor e me manda comprar um medicamento, mas eu lhe digo que nós estamos pagando e o medicamento deve ser fornecido por eles”.

“Tive que ir a uma farmácia de bairro e saí para comprar o medicamento, mas nunca imaginei que me seguiam automóveis e, na rua Vivaceta com Balmaceda, fui detido a muito poucas horas da morte de Neruda. Tinham tudo programado”, sustenta.

“Esse maldito assasino matou-o. Ele estava doente de câncer, mas resistia muito bem. Nesse dia, ele estava pendente de sua viagem ao México que ocorreria dois dias depois. Ele não estava mau e não tinha por que ter morrido. O governo militar não queria que saísse do país e por isso o fez”, enfatizou.

De acordo com a informação propalada pelo regime militar de Augusto Pinochet (1973-1990), Neruda faleceu em 23 de setembro de 1973 na Clínica Santa María devido a um câncer de próstata.

Dado o antagonismo das versões em torno da morte da ilustre figura das letras latino-americanas, o Partido Comunista do Chile apresentou em maio passado um pedido para esclarecer a causa e as circunstâncias da morte.

O presidente desse partido, Guillermo Teillier, considerou um dever moral da sigla exigir a verdade sobre o falecimiento de quem foi também militante comunista e destacado representante político do Governo da Unidade Popular de Salvador Allende (1970-1973).

Teillier ponderou também a pertinência desta querela em um contexto no que se investigam outros casos emblemáticos da história do Chile, como o de Allende e o de seu ministro de Defesa, José Tohá, e nos que surgiram dados contraditórios que põem em contradição a tese do suicídio que o regime militar divulgou sobre ambos.

Fonte: Prensa Latina