Fascistas de Curitiba perseguindo “comunistas”

size_810_16_9_agressao-manifestante-rio-e1445723665406

Tentam transformar uma briga em fato político

Os fatos ocorridos na madrugada do último dia 3 de maio estão sendo distorcidos e narrados de forma tendenciosa com o único intuito de manchar a minha vida pessoal e a minha carreira profissional. Ter um direcionamento ideológico, hoje, é crime neste país. A intolerância com as diferenças de pensamento é tratada como moeda de troca para interesses políticos/partidários e pessoais. Manchar a história de uma pessoa com mentiras e ilações sem nexo é a regra para conquistar mais e mais votos.

Fui abordado na fila de uma loja de conveniência do posto de gasolina TS Shell, localizado na esquina das ruas Tomazina e Anita Garibaldi, no bairro Ahu, em Curitiba. O casal visivelmente embriagado, ele com lata de cerveja e cigarro, o que é proibido por lei dentro do estabelecimento, ela na beirada da fila.

Dirigiu-se a mim sem nunca ter me visto, com ironia e dizendo “Chegou um comunista”. Eu não trajava nada que sequer lembrasse um comunista. Só a barba. Boné azul, blusa azul, calça jeans e tênis. Na fila, esperando a minha vez de ser atendido. Reagi como sempre faço nessas situações. Dei uma risada amarela pra ver se o assunto acabava por ali. Ela riu. Ele se dirigiu para a porta do estabelecimento e de novo soltou um “Comunista”. Eu, em tom de brincadeira, ainda com a risada amarela no rosto, disse “Tá, sou comunista” e ri. Ela, então, se colocando na minha frente na fila soltou um “então vamos socializar a fila, comunista”. Mais uma vez recuei e ela furou a fila.

Os fatos a seguir são de arrepiar qualquer estado democrático. Saí, entrei no carro e me dirigi à saída do posto. Eles estavam ali. Me chamaram de comunista corrupto. Abri a janela do carro e soltei um “Não vai ter golpe”, e fui embora. Levei a minha companheira até a casa dela e voltei pelo mesmo caminho para a minha casa. Como o estabelecimento é o único que permanece aberto por 24 horas, resolvi comprar mais algumas coisas para levar para casa. Parei no posto e, para a minha surpresa, o cidadão veio pra cima de mim assim que eu saí do carro.  Sem argumento, sem conversa. Só brutalidade. Recuei e ainda deu tempo de pegar a chave de roda, com intenção única de me defender. Levei um soco na lateral do rosto. Infelizmente fomos para vias de fato durante alguns segundos enquanto começaram a chegar pessoas em volta com chutes. Completamente assustado, desferi um golpe com a chave, que acertou o couro cabeludo do meu agressor. Caímos no chão. Senti duas mãos envolvendo a minha cabeça e dedos entrando nos meus olhos. A pessoa tentava enterrar os dedos em volta dos meus globos oculares, tentando ferir meus olhos, enquanto os outros continuavam a desferir chutes e socos. Rodei o braço direito para trás e desferi um golpe com a chave para tentar me desvencilhar daquela situação. Para a minha surpresa era ela. Me derrubaram no chão, me chutaram, tiraram a chave da minha mão. Os frentistas me tiraram dali, separaram a confusão e me dirigiram ao banheiro, onde fiquei esperando a polícia chegar. Nesse tempo, rasgaram os quatro pneus do meu carro com uma faca ou canivete.

Ou seja. Os fatos não têm nada a ver com política ou partidos. Têm a ver com a intolerância, com o preconceito. Infelizmente aconteceu de uma forma brutal.

Durante a minha vida profissional executei trabalhos para diversas entidades, pessoas físicas e jurídicas e partidos políticos, inclusive, que votaram em favor do impeachment da presidenta Dilma.

Estou sendo perseguido por meu posicionamento ideológico. Estou sendo perseguido por tentar me defender de agressões físicas e verbais durante uma compra em uma loja de conveniência. Estou sendo perseguido por tentar me salvar de um linchamento. Não abordei ninguém. Não ofendi ninguém. Não provoquei discussão. Para eles, meu único mal era parecer um comunista. Meu único mal é ter uma opinião diversa da deles e ter barba.

Me livrei do linchamento físico, mas promoveram esse linchamento imoral nas redes sociais, sites e blogues com incitação ao ódio.

Não me resignarei diante de falácias. Os provocadores, agora, se fazem de vítimas. Estão tentando transformar uma briga em fato político. Defendi a minha integridade física sem qualquer ligação ideológica. Defenderei a minha integridade moral, pessoal e profissional na justiça.

Edson Rimonatto

Anúncios

Será lançado o primeiro livro sobre o Golpe de 2016

20160504235731

Em alguns dias será lançado o primeiro livro sobre o Golpe de 2016 que está ocorrendo no Brasil, com o Impeachment sem crime de responsabilidade da presidenta Dilma Rousseff (PT), pelo Projeto Editorial Praxis.

A obra, organizada pelos juristas e professor universitários Wilson Ramos Filho (Xixo), Gisele Cittadino, Marcio Tenenbaum e Carol Proner, contará com textos de vários juristas, intelectuais e jornalistas como Boaventura de Sousa Santos, Agostinho Ramalho Marques Neto, Afrânio Silva Jardim, Luis Nassif, Baltasar Garzón Real, Luiz Moreira, Miguel do Rosário, Eduardo Guimarães, Marcelo Neves, Geraldo Prado, Gilberto Bercovici, Leonardo Avritzer, Magda Barros Biavaschi, Ricardo Lodi Ribeiro, Wadih Damous, entre outros advogados, professores de Direito e profissionais de outras áreas.

Faremos uma singela contribuição com essa tão importante obra, com um texto apontando as inconsistências jurídicas do Impeachment.

Parabéns a todos os envolvidos e a todas as envolvidas!

Curitiba: hoje ato contra o monopólio da velha mídia

13124923_990426231005710_4267703865858984647_n 13124837_987135778001422_3247705504314723538_n

Hoje (5) entidades e movimentos sociais irão às ruas em diversas cidades do Brasil com a bandeira “Monopólio é golpe”. Em Curitiba, o ato se concentrará às 18h na Praça Santos Andrade.

Confirme presença e divulgue a página do evento no Facebook.

A Associação ParanáBlogs estará presente e apoia o evento.

A proposta é fortalecer a denúncia sobre a participação de grupos da mídia tradicional no processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. O processo hoje está em curso por motivos políticos que deixam a justiça de lado e configuram um golpe de setores de direita. A mobilização é convocada pela Frente Brasil Popular e pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação – FNDC, organizações compostas por centrais e movimentos como a Marcha Mundial das Mulheres, CUT, UNE, entre muitos outros.

O que se evidencia é que, como em outros momentos da história brasileira, a grande mídia serve como o influenciador da opinião pública, com atuação nas mais fortes emissoras de rádio e televisão, em jornais, revistas e em meios online. “A imprensa tradicional sempre esteve envolvida no centro das conspirações da política brasileira e agora, nesta articulação do golpe, não foi diferente. Na ditadura militar, essa mesma imprensa ajudou a elaborar o AI-5 junto ao Ex-ministro da Justiça Vicente Rao. Hoje, ela é o centro ideológico e propagandeador das ideias do golpe institucional que o Brasil está sofrendo”, afirma Ana Flávia Marx, do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé.

O envolvimento dos veículos de comunicação no golpe diz respeito a uma disputa de poder e de interesses privados. Segundo Adriana Magalhães, da CUT-SP, “os grandes veículos de comunicação têm promovido um golpe contra a democracia, contra um governo que foi eleito com 54 milhões de votos, mas também um golpe contra a classe trabalhadora em nome da disputa político-partidária. São desprezados os avanços de um projeto societário, os avanços que milhões de pessoas tiveram com a inclusão dos programas sociais, com a elevação do salário mínimo, pelos interesses escusos de setores que envolvem os empresários dos grandes veículos de comunicação, que estão inclusive envolvidos em escândalos de corrupção”.

Além da denúncia sobre a atuação da mídia na conjuntura atual, os movimentos também propõem alternativas para a regulamentação da mídia no país. “Defendemos a democratização da comunicação. A comunicação no Brasil é dominada por apenas 6 famílias. Isso fere a constituição porque cria um monopólio cruzado dos meios, além da presença de vários políticos dominando os meios, o que também é ilegal. A comunicação é um direito. Mas, da forma que está hoje, representa os interesses das classes dominantes, e não da população, das mulheres, negras e negros, trabalhadoras e trabalhadores.  Queremos nosso direito para que possamos fortalecer uma comunicação feminista, que ouça as mulheres e seja feita por elas”, defende Bruna Provazi, da Marcha Mundial das Mulheres.