Software livre: bandeira que vale a pena abraçar

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Por João Arruda

Há coisas nesta vida que vale a pena abraçar, como a militância pelo meio ambiente, deixar o carro em casa e andar de bicicleta, tomar partido dos mais fracos, dos indefesos; e opor-se à violência, às guerras, às armas, porque a paz e o entendimento entre os povos valem a pena. Vale a pena colocar abaixo todas as restrições que impedem o acesso universal às novas tecnologias, ao maravilhoso mundo novo dos computadores, da internet; vale a pena a bandeira da democracia digital.

Foi por isso que o governo do PMDB, em 2003, fez aprovar lei estadual determinando que a administração pública deveria usar, preferencialmente, programas abertos de computador, o chamado

“software livre”. No caso de compra de software proprietário, a lei determinava que deveria ser dada preferência aos que operassem em ambiente multiplataforma, de forma a permitir sua execução em sistemas operacionais baseados em software livre, sem restrições.

Além da desobrigação de comprar os produtos da Microsoft, por exemplo, em pouco tempo mais de 80% da administração pública estadual, direta e indireta, operava com o software livre. Fomos o primeiro estado do país a implantar massivamente a nova e libertária tecnologia, o que nos valeu destaque em todo o mundo.

Mas, no último dia 9 de abril, o atual governador assinou acordo de intenções com a Microsoft. Entusiasmado com a oportunidade de pulverizar o software livre, Michel Levy, presidente da multinacional no Brasil, declarou que o Paraná “está puxando o trem da competitividade no país”. Competitividade com a destruição da grande conquista do software livre?

Como se sabe, a primeira trinca, a primeira fissura no monopólio da informação digital ocorreu nos anos 1980, com a criação do software livre. Graças a rebeldes como Richard Stallman e Linus Torvalds, libertamo-nos das garras monopolistas e castradoras da Microsoft.

O software livre funda-se em quatro princípios: liberdade para executar o programa para qualquer propósito; liberdade de estudar o programa e adaptá-lo para as suas necessidades (o acesso ao código-fonte é um pré-requisito para essa liberdade); liberdade de redistribuir cópias de modo a ajudar outras pessoas; e liberdade para aperfeiçoar o programa e liberar o acesso aos avanços obtidos, de maneira que todos se beneficiem.

A fuga do software proprietário permitiu ao Paraná criar seus próprios programas, segundo as necessidades de cada secretaria, órgão ou empresa estatal, sem pagar pedágio ou royalties à Microsoft. A adesão do Paraná ao software livre liberou a Celepar e seus técnicos da camisa de força do software proprietário. Soltos das amarras e restrições, nossos técnicos deram vazão à criatividade, à ousadia, na busca de soluções que atendessem plenamente à demanda dos paranaenses. Mas agora os tempos são outros e o desejo insaciável pela privatização voltou a nos assombrar. Parece que tudo aqui está à venda.

A reação dos funcionários da Celepar contra o desmonte do software livre gera perseguições e ameaças. Abraçar essa bandeira é mais uma forma de dizer não à venda dos bens públicos construídos a duras penas por todos os paranaenses.

João Arruda, deputado federal (PMDB-PR), é presidente da Comissão Especial criada pela Câmara para estudar o projeto do Marco Civil da Internet.

5 comentários sobre “Software livre: bandeira que vale a pena abraçar

  1. joao aruda,com toda a rasao compartilho com seus comentarios,como era de se esperar .este tal governo so tem outros intereses ,este governo mal intencionado ,de governo nunca teve nada ,governo de midia mentirosa,sempre com interese em algo que sim e bom prasipropio.mais uma ves critico ,cobro do poder publico.este governo falido sem neum interese com o estado ate gando ,este governo que disse que iria faser um governo com choque de gestao,beto richa mentirrosso.se beto nao sabe o que choque vai trabalhar na copel ,a copel que ele e seus amiguilhos queriam vender ,hoje a copel e o que ,por que teve um governo ,chamado roberto requiao ,este sim sabe ,fas ,nao dorme no tempo.pois os 8 oito anos a frente do estado soube muito bem como recuperar,e provou como fes .foi amplo afavor dos soft livre.parabens.aruda parabems tambem.assis bituruna parana.

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  2. A quem defende o uso de software livre sugiro que use somentes estes programas em seus computadores. Depois de um mês veremos se não muda de opiniões.

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    • Eu utilizo somente software livre no trabalho e não sinto falta nenhuma do windows. Dá pra fazer de tudo, digitar textos, fazer planilhas eletrônicas, apresentações, editar figuras, videos e áudio. Agora, como em casa é a patroa quem manda, deixo ela com seus caprichos consumistas. Aliás, acabei me estrepando, depois do bug da microsoft.

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      • Zé vc com certeza é uma exceção a regra. 9 entre 10 pessoas com certeza preferem windows ao linux. Observe q na sua própria casa há uma divisão: sua esposa prefere software pago e se vc tiver filhos provavelmente eles não acompanharão sua opinião.

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  3. Boa tarde…

    Também defendo a bandeira do software livre. Entretanto, o que economizamos em tempo de desenvolvimento e criação de código-fonte, gastamos 2x mais na equipe técnica para dar suporte a esse tipo de estrutura.

    O modelo adotado deveria ser aquele criado originalmente com a informatização dos setores de uma empresa. Ou seja, a própria empresa possuir um setor de desenvolvimento. Atualmente, muitas empresas são reféns de softhouses.

    Mas antes de embarcarmos na onda do software livre, é muito importante que se expandam seus conceitos além do mero dizer de que este tipo de software é ‘grátis’.

    Quem se dedica a essa tecnologia sabe que existem diversas categorias de softwares. Os mais críticos e os mais caros de se produzirem, inclusive, envolvendo muitos recursos (humanos e financeiros) são os chamados sistemas operacionais. Podemos relatar vários, mas os principais são os da famílias Unix, Linux, McOS e
    Windows.

    A despeito do Linux, existem centenas de distribuições (versões). Cada uma especializada numa área de atuação: servidores de emails, web, banco de dados, engenharia para cálculos críticos, etc)

    Cada um deles, foi desenvolvido para uma arquitetura específica de microprocessadores, excetuando-se os Unix, que são os SO destinados aos processadores de computadores propriamente ditos. Há de se esclarecer que para ser um simples operador de Unix, a bagagem técnica e conhecimento exigidos é várias e várias vezes superior digamos, ao conhecimento do operador de Linux, McOS e Windows, embora quem opera um sistema Linux, não vai se sentir um alienado quando se deparar com o Unix.

    Estabelecendo esse parâmetro, de que existem diversas plataformas e diversas arquiteturas de software, vêm os sistemas especialistas. Entre eles estão os gerenciadores de base de dados. Estes controlam praticamente tudo o que se coloca na via eletrônica. Não existe nada que seja dado e esteja fora desse ambiente. Podemos citar Oracle, SQL Server, PostGreSQL, MySQL, Sybase, Firebird/Interbase, IBM Informix, Progress (sugiro uma pesquisa no tema SGBD).

    Temos a categoria dos servidores da web, como APACHE, TOMCAT, IIS (sendo os principais e mais difundidos).

    Linguagens de programação como Pascal, JAVA, C/C++, Phyton, PHP entre milhares.

    Minha pergunta é: como fica essa Babel? São diferntes coisas para diferentes resultados…

    Cada plataforma abarca determinada tecnologia. Como convergir sem perder poder de armazenamento? Como formar um especialista sem tornar cara sua mão-de-obra?

    A respeito disso, reforço a opinião de nosso colega: instale um software gratuito em seu micro pessoal, de preferência uma versão do Linux (sugiro a Ubuntu, por ser a mais popular e a que possui recursos mais parecidos com o Windows 8). Instale essa versão, estudo e depois venha postar aqui como foi sua experiência. Observação: não vale aficcionados do Linux. Desafiamos um usuário dos produtos da Microsoft a fazer isso.

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