ObsCenas

Saga de Cachoeira no Paraná

Por Cícero Cattani

Para que a Larami vencesse a concorrência e explorar a Loteria no Paraná, precisou de uma mãozinha da GThec. Mas antes de tudo, passou pelo crivo de um poderoso do Jaime Lerner, José Cid Campello, presidente do conselho de administração do Serlopar.  Começava a história de Carlinhos Cachoeira com o Paraná.  Vamos à GThec: a mais poderosa organização voltada para o jogo dos Estados Unidos chegou ao Brasil comprando a Racimec, uma empresa curitibana que prestava serviços à Caixa . Não muito tempo depois, a GThec/Racimec passou a dominar todo o serviço de Loterias da Caixa Econômica Federal. O conselho de administração da Racimec  era integrado por José Richa (ex-governador do Paraná), Karlos Rischibieter (ex-ministro da Fazenda), Carlos Alberto Vieira, Simão Brayer e Antônio Carlos Lino da Rocua. Voltando à Larami: na licitação “vencida”, a GThec só fez número, pois nem apresentou proposta.

O procurador Luiz Francisco de Souza, que participou do início das investigações, acusa em entrevista à revista Conju. de o4/03/2004.  o PSDB de ter ajudado a Gtech a crescer de forma ilegal no País. “Quando ela avança, comprando as quotas da testa-de-ferro Racimec, o presidente do conselho de administração da empresa é o sr. José Richa, que era aquele tucano-mor, de bico comprido. Aí a Gtech passa a controlar todo o sistema de loterias, correspondências, assistência social, principalmente através do cartão Bolsa-Escola”. Em entrevista à revista Consultor Jurídico na quinta-feira 4, Luiz Francisco espeta o ex-ministro José Serra ao lembrar que o sistema Bolsa-Escola foi organizado pelo Ministério da Saúde para tornar-se carro-chefe de sua campanha à Presidência em 2002. “Quem passou a gerir todo esse sistema de assistência social do governo foi a Gtech, no governo Fernando Henrique.” GTche era a  múlti americana que dava suporte a Carinhos Cachoeira.

Aécio Neves defende privatizações de FHC na Folha de S. Paulo. Desse jeito em 2014 não se elege nem para síndico de prédio

Celepar torra R$ 35,7 milhões dos tontos sem licitação – Esmael Morais

Diário Oficial do Estado do Paraná (Comércio, Indústria e Serviços) de 30/03/2012

Do Blog do Esmael

A Companhia de Informática do Paraná (Celepar), do governo do estado, assinou contrato de inexigibilidade de licitação no valor de R$ 35.763.728,00 com a empresa Aceco Ti Ltda. Traduzindo em português claro: a licitação foi dispensada.

Segundo edital publicado no Diário Oficial do Estado, do dia 30 de março de 2012,edição 8683, a Aceco foi contratada para instalar um “Data Center” no Celepar.

O curioso é que a mesma empresa foi duramente criticada no ano passado pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça) por conta de um contrato de R$ 8,69 milhões, também celebrado sem licitação, para a aquisição de um mesmo “Data Center”.

A seguir, eu reproduzo um e-mail encaminhado ao blog por um especialista em informática questionando o valor que será pago por nós, os tontos dessa história, e a dispensa da licitação. O moço, por motivos óbvios, pede para não ser identificado.

“Olá Esmael, tudo bem?

Acompanho seu blog e trabalho e gostaria de compartilhar contigo uma dúvida: saiu no Diário Oficial do Estado do Paraná a autorização para contratar empresa que fornecerá ao Celepar um Data Center por mais de R$ 35 milhões.

Trabalho com tecnologia faz alguns anos e pelo nosso conhecimento, não existe motivo para esta compra por inexigibilidade sendo que existem empresas concorrentes do mesmo produto no mercado com níveis iguais de certificação ou até melhores.

Temos um exemplo no Estado que é o caso do TRT-9, que comprou por menos de R$ 5 milhões uma Sala Cofre Outdoor. A mesmo empresa que deve fornecer ao Celepar por inexigibilidade vende a mesma solução na média de R$ 8 milhões – detalhe, por inexigibilidade.

Sabemos que a inexigibilidade deve ser bem justificada… mas o que diz o Celepar dessa compra “no escuro”?

Ele pode alegar que a empresa contratada é a única que obtém as certificações da NBR 15247 da ABNT, mas peraí, existem normas internacionais utilizadas por empresas do mercado equivalentes ou melhores.

Prezado Esmael, pode parecer uma tempestade em copo d’água, mas garanto para você que será o metro quadrado mais caro que vi até o Governo comprar, considerando que essa sala deve ter uns 250 metros quadrados…

Peço apenas que não divulgue meus contatos pois como deve perceber, essa contratação do Governo acorreu sem muita gente saber. Afinal, onde foi divulgado? Quais empresas participaram da tomada de preço? Qual a % dos Paranaenses que lêem o Diário Oficial?

Um abraço do
LFP (iniciais fictícias)”

Ducci troca cores de Curitiba pelas do PSB

Da Roseli Abrão 

Foi protocolada na última sexta-feira, na Vara da Fazenda de Curitiba, uma ação popular contra o prefeito Luciano Ducci por conta da campanha levada ao ar “Orgulho de ser curitibano”.

A acusação é que Ducci, na tentativa de “criar uma identidade visual para sua campanha de reeleição”, trocou as cores de Curitiba – verde e vermelho – pelo do PSB – vermelho e amarelo.

A advogada Carla Karpstein informa, pelo Twitter, que de 1º de março a 4 de abril foram 638 inserções só na televisão, ao custo de 2,4 milhões de reais, “sem contar a criação e a produção dos comercias”.

— Dava uns 10 km de asfalto, compara.

Do Cícero Cattani

A advogada Carla Karpstein, especialista em direito eleitoral, fez as contas e contatou que o prefeito Luciano Ducci foi constante na televisão em março: “Vocês sabem quantas inserções Luciano Ducci fez em março/2012 de publicidade institucional? 638. A um custo deR$ 2.4000.000,00 só em veiculação.” E  com um detalhe: “A recuperação asfáltica da Rua Madalena Taborda Ribas custou R$ 450.000,00. A divulgação da obra, mais de R$ 2.000.000,00“.  Carla chama a atenção, também, que as cores dos programas do PSB e as utilizadas pela prefeitura são as mesmas. Nada escapa dos advogados dos candidatos à prefeitura.

Hoje é Dia de São Jorge, o padroeiro do Corinthians!

Estátua de São Jorge na Capela da Sede do Corinthians, no Parque São Jorge. Foto de Tarso Cabral Violin, via IPhone.

Charge: 1964 X 64%

Charge do Benett. Hoje na Folha de S. Paulo

O economista e ex-tucano Bresser-Pereira defende retomada do controle da YPF pela Argentina

A Argentina tem razão

Luiz Carlos Bresser-Pereira

Hoje na Folha de S. Paulo

Não faz sentido deixar sob controle estrangeiro um setor estratégico para o desenvolvimento do país

A Argentina se colocou novamente sob a mira do Norte, do “bom senso” que emana de Washington e Nova York, e decidiu retomar o controle do Estado sobre a YPF, a grande empresa petroleira do país que estava sob o controle de uma empresa espanhola. O governo espanhol está indignado, a empresa protesta, ambos juram que tomarão medidas jurídicas para defender seus interesses. O “Wall Street Journal” afirma que “a decisão vai prejudicar ainda mais a reputação da Argentina junto aos investidores internacionais”. Mas, pergunto, o desenvolvimento da Argentina depende dos capitais internacionais, ou são os donos desses capitais que não se conformam quando um país defende seus interesses? E, no caso da indústria petroleira, é razoável que o Estado tenha o controle da principal empresa, ou deve deixar tudo sob o controle de multinacionais?

Em relação à segunda pergunta parece que hoje os países em desenvolvimento têm pouca dúvida.

Quase todos trataram de assumir esse controle; na América Latina, todos, exceto a Argentina.

Não faz sentido deixar sob controle de empresa estrangeira um setor estratégico para o desenvolvimento do país como é o petróleo, especialmente quando essa empresa, em vez de reinvestir seus lucros e aumentar a produção, os remetia para a matriz espanhola.

Além disso, já foi o tempo no qual, quando um país decidia nacionalizar a indústria do petróleo, acontecia o que aconteceu no Irã em 1957. O Reino Unido e a França imediatamente derrubaram o governo democrático que então havia no país e puseram no governo um xá que se pôs imediatamente a serviço das potências imperiais.

Mas o que vai acontecer com a Argentina devido à diminuição dos investimentos das empresas multinacionais? Não é isso um “mal maior”? É isso o que nos dizem todos os dias essas empresas, seus governos, seus economistas e seus jornalistas. Mas um país como a Argentina, que tem doença holandesa moderada (como a brasileira) não precisa, por definição, de capitais estrangeiros, ou seja, não precisa nem deve ter deficit em conta corrente; se tiver deficit é sinal que não neutralizou adequadamente a sobreapreciação crônica da moeda nacional que tem como uma das causas a doença holandesa.

A melhor prova do que estou afirmando é a China, que cresce com enormes superavits em conta corrente. Mas a Argentina é também um bom exemplo. Desde que, em 2002, depreciou o câmbio e reestruturou a dívida externa, teve superavits em conta corrente. E, graças a esses superavits, ou seja, a esse câmbio competitivo, cresceu muito mais que o Brasil. Enquanto, entre 2003 e 2011 o PIB brasileiro cresceu 41%, o PIB argentino cresceu 96%.

Os grandes interessados nos investimentos diretos em países em desenvolvimento são as próprias empresas multinacionais. São elas que capturam os mercados internos desses países sem oferecer em contrapartida seus próprios mercados internos. Para nós, investimentos de empresas multinacionais só interessam quando trazem tecnologia, e a repartem conosco. Não precisamos de seus capitais que, em vez de aumentarem os investimentos totais, apreciam a moeda local e aumentam o consumo. Interessariam se estivessem destinados à exportação, mas, como isso é raro, eles geralmente constituem apenas uma senhoriagem permanente sobre o mercado interno nacional.

Criacionismo científico? Ah tá!

http://www.youtube.com/watch?v=PZokHt1Z3iM&feature=youtu.be