Programa de TV do PCdoB com Jorge Amado, Pablo Neruda, Prestes, Oscar Niemeyer, Lula e Dilma

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Privatização do cinema alternativo em Curitiba

Conforme o post Beto Richa, Luciano Ducci e Taniguchi são inimigos do Cinema Nacional e dos Cines Públicos de arte. Privatização da cultura?, Curitiba vem passando por uma privatização dos espaços públicos com filmes alternativos. Após o fechamento dos cines Groff, Ritz e Luz, pelos prefeitos Cassio Taniguchi e Beto Richa, sobrou apenas a Cinemateca fundada pelo ex-prefeito rafael Greca como cinema público-estatal, com filmes alternativos e baratos.

Hoje fui na reinauguração das salas de cinema do Shopping Crystal, um dos únicos espaços privados que passam filmes não comerciais. Me nego a fazer propaganda para o Banco que patrocina o cinema, pois foi ele que comprou nosso antigo Banestado privatizado por Jaime Lerner.

O cinema está bonito mas o atendimento na bilheteria é demorado; a pipoca é ruim; durante a projeção do filme os funcionários ficam conversando lá fora, o que atrapalha quem assiste; as cadeiras, todas cobertas com couro, tem distância entre cada uma menor do que a de aviões, o que complica para quem é alto; não há uma música enquanto se espera antes do filme; ocorreu atraso de mais de 10 minutos antes do início do filme; a tela é dividida em quatro, com emendas que atrapalham na hora de assistir cenas claras do filme; e o ingresso é caro. Essa é a eficiência da iniciativa privada?

O filme que assisti é maravilhoso, o iraniano A Separação, vencedor do Oscar de filme estrangeiro, do Globo de Ouro e do Festival de Berlim.

Lula diz que o candidato a prefeito por SP, Fernando Haddad, vai surpreender

Entrevista publicada hoje na Folha de S. Paulo:

Quando é que o senhor começa a participar da campanha de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo?
Eu acho o Fernando Haddad o melhor candidato. São Paulo não pode continuar na mesmice de tantas e tantas décadas. Eu acho que ele vai surpreender muita gente. E desse negócio de surpreender muita gente eu sei. Muita gente dizia que a Dilma era um poste, que eu estava louco, que eu não entendia de política. Com o Fernando Haddad será a mesma coisa.

A importância da classificação indicativa – José Eduardo Cardozo e Paulo Abrão

Hoje na Folha de S. Paulo

Nem o modelo ultraliberal sem restrições, nem controle prévio do Estado onipresente: no país, respeitada a faixa das 6h às 23h, tudo pode ser exibido

“Não se engane, tem coisas que o seu filho não está preparado para ver”.

Eis o mote da campanha que a Secretaria Nacional de Justiça do Ministério da Justiça lança, em parceria com os meios de comunicação e as entidades de proteção das crianças e adolescentes. O objetivo é conscientizar sobre a importância da classificação indicativa.

Com a redemocratização, esta importante conquista da sociedade foi concebida na Constituinte para substituir e se opor ao entulho ditatorial da antiga Divisão de Censura. Ela foi regulamentada pelo Estatuto da Criança e do Adolescente e recebeu muitos aperfeiçoamentos nos últimos anos.

Ela atua na mediação entre dois valores fundamentais para uma sociedade democrática: o direito à liberdade e o dever-poder de proteção dos direitos humanos das crianças. A educação no Brasil, em sentido amplo, é dever do Estado e da família. Ela é promovida e incentivada com a colaboração da sociedade.

Daí que os órgãos do Estado democrático são instados a atuar para que as liberdades de expressão (dos artistas e roteiristas) e de exibição (das empresas de rádio, cinema, teatro e televisão) estejam aliadas à preservação dos direitos dos pais em decidir sobre a educação de seus filhos -e aos direitos próprios das crianças e adolescentes de serem protegidos em uma fase vital de seu desenvolvimento biopsicosocial.

O que está em jogo é o pleno desenvolvimento das próximas gerações e seu preparo para o exercício da cidadania.

Em nosso modelo, são as emissoras que se autoclassificam, segundo três conteúdos temáticos: drogas, violência e sexo.

Os critérios se distanciam das subjetividades governamentais, pois são fixados previamente e construídos socialmente a partir de consultas públicas e estudos especializados sobre o comportamento das crianças e sua tendência de imitar aquilo que assistem.

Um elemento estruturante da política é que, respeitada a gradação da faixa horária protetiva das 6h às 23h, tudo pode ser exibido.

A supervisão coercitiva do Estado é limitada e não admite censuras, vetos ou cortes de conteúdos, sejam prévios ou posteriores.

Os números demonstram o seu sucesso: de um total de 5.600 obras, somente em 48 casos ocorreu reclassificação em 2011. A eficácia se explica pela concepção de se promover concomitantemente o máximo de exercício de liberdade e o máximo de direito à proteção. Os direitos são restringidos de modo mínimo, apenas naquilo que é adequado, necessário e proporcional à garantia de um equilíbrio que não lesione os seus conteúdos essenciais.

Entre um modelo ultraliberal, sem notícias no mundo ocidental, no qual tudo poderia ser exibido em qualquer horário e a responsabilidade pela formação dos jovens estaria terceirizada ao mercado, e um outro tipo radicalmente oposto, em que o Estado é onipresente e realiza controle prévio sobre conteúdos (como, a propósito, ocorre em muitas democracias ocidentais), o Brasil concebeu um modelo social, elogiado internacionalmente, cuja grande virtude reside na ideia de justo meio.

Esta campanha remete ao propósito social da classificação indicativa: o de ser um instrumento da liberdade, compreendido como uma condição de possibilidade para que os pais e mães consigam dar efetividade às suas escolhas, precaver danos e planejar cada vez mais seu tempo de convivência com a família.

Trata-se de um instituto a serviço da construção de um ambiente social saudável, condizente com os grandes desafios do desenvolvimento do Brasil, no presente e no futuro.

JOSÉ EDUARDO CARDOZO, 52, é ministro da Justiça
PAULO ABRÃO, 36, é secretário nacional de Justiça