Silêncio da imprensa abre caminho para a eleição de Rossoni na Assembleia do PR, por Esmael Morais

Rossoni pagava piloto de avião particular com dinheiro da Assembleia.

O deputado estadual Valdir Rossoni (PSDB) deverá ser alçado ao Olimpo da moralidade hoje à tarde se for eleito presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP). Tudo com a anuência e o silêncio obsequioso da imprensa do estado, que faz vistas grossas ao envolvimento do tucano em irregularidades na Casa.Durante a gestão de Rossoni como 1º Secretário da Assembleia, em 2002, duas agricultoras de Cerro Azul, município da região metropolitana de Curitiba, foram contratadas como funcionárias fantasmas no Legislativo Estadual. O desfalque nos cofres públicos neste episódio, segundo o Ministério Público, chegou a R$ 1,6 milhão.

É tarefa do 1º Secretário admitir e demitir funcionários, celebrar contratos, enfim, administrar a Assembleia como se fosse uma prefeitura. O orçamento da instituição previsto para 2011 é de R$ 1,5 bilhão.

O deputado tucano também teria autorizado uma funcionária do gabinete dele morar na Inglaterra pelo período de dois anos a custas do dinheiro do Legislativo Estadual.

Rossoni ainda teria contratado um piloto, em cargo de comissão da Assembleia, para conduzir uma aeronave particular da madeireira que possui no município de Bituruna, região Sul do estado.

Além disso, em 2007, o então governador Roberto Requião (PMDB) anulou a compra pelo tucano de uma área de reflorestamento, a preço vil, que pertencia ao antigo Banestado – privatizado no governo de Jaime Lerner (DEM).

O deputado do PSDB compunha ainda, em 2001, a tropa de choque lernista que tentou vender a Copel (Companhia Paranaense de Energia). Na época, a sociedade se mobilizou e conseguiu impedir a privatização da estatal.

A eleição de Rossoni, se consumada, deverá inaugurar um período de chuvas e trovoadas em cima da Assembleia na legislatura 2011-2014.

Se confirmado na presidência, o êxito de Rossoni nesta tarde poderá ser atribuído ao governador Beto Richa (PSDB), que o escolheu a dedo, e à imprensa que se calou diante de fartas denúncias que pairam contra o pretendente ao cargo máximo da Casa.

O tucano poderá até vencer a eleição no Parlamento, mas ficará com um amargo gosto de derrota na boca.

Não há como deixar em branco, também, a responsabilidade do PMDB, que tucanou de forma vergonhosa. Os deputados do partido sentaram no colo dos tucanos e não tem quem os tire daquele “conforto”. Tudo em troca de alguns carguinhos no governo do PSDB.

É a política como ela é. Sem Photoshop.

 

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