CPI questiona burla à licitação por meio da organização social “ICI”

Vereadores durante a CPI da Urbs

Vereadores durante a CPI da Urbs

A CPI da Urbs da Câmara Municipal de Curitiba vai propor que seja feita uma licitação para contratar uma empresa de bilhetagem eletrônica para o transporte coletivo de Curitiba e região metropolitana.

Hoje quem presta o serviço é a empresa privada Dataprom, contratada sem licitação pelo Instituto Curitiba de Informática – ICI, uma organização social criada na gestão do ex-prefeito Cassio Taniguchi (PFL/DEMO).

Segundo o presidente da CPI, vereador Jorge Bernardi (PDT), o valor cobrado por mês pela Dataprom é R$ 500 mil maior que a antiga empresa.

O vereador Bruno Pessuti (PSC), relator da comissão, informa que o contrato entre o ICI e a Da­­taprom acaba em agosto, e a CPI não quer sua renovação, pois o custo é muito alto e não tem transparência. Segundo ele a Dataprom cobra três vezes mais que o valor de mercado da bilhetagem eletrônica, que seria de R$ 70 mensais por ônibus, mas o valor cobrado é de R$ 200 por mês por ônibus.

Pessuto exige uma licitação.

O presidente da empresa privada Dataprom, que recebe muito dinheiro público sem licitação, Alberto Abujamra, disse que na verdade, a empresa cobra “apenas o dobro” do preço porque “faz bem o serviço”.

Ele ainda dá a entender que Curitiba é refém da empresa privada, pois a tecnologia foi desenvolvida pela Dataprom: “Se tivesse licitação, eu tenho certeza de que não teria concorrência, mas eles podem ficar à vontade para fazer”, ameaça.

Informações da Gazeta do Povo.

O Blog do Tarso parabeniza a CPI e os vereadores de Curitiba.

O ICI e as organizações sociais – OSs foram criados no governo do ex-presidente FHC (PSDB) para que fossem utilizados para burlar as licitações, os concursos públicos e o regime jurídico-administrativo.

Em Curitiba, o ICI é utilizado simplesmente para intermediar contratos entre o Município de Curitiba e empresas privadas de informática, sem licitação.

Uma vergonha.

Espero que a CPI sirva de pressão para que a prefeitura de Curitiba acabe com o modelo de privatização via ICI.

Desaprovação de Curitiba à Beto Richa aumenta 22,86 pontos

Levantamento do Instituto Paraná Pesquisas/Gazeta do Povo em Curitiba mostra que a gestão do governador Beto Richa (PSDB) foi aprovada por apenas 53,37%. Em abril de 2011 a aprovação de Richa em Curitiba era de 74,8%, em dezembro de 2011 o índice foi de 71,08%.

A desaprovação subiu bastante, pois em abril de 2011 era de 19,77%, subiu para 23,98% em dezembro de 2011 e agora é de 42,63%.

A margem de erro da pesquisa é de 4 pontos.

Especialistas dizem que dificilmente Beto Richa se reelege

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Gleisi Hoffmann (PT), Beto Richa (PSDB) e Roberto Requião (PMDB) são os favoritos para a corrida eleitoral para governador do ano que vem

A Pesquisa Ibope/CNI mostra que o governador Beto Richa (PSDB) é aprovado por apenas 41% dos paranaenses, sendo que no mesmo período o ex-governador Roberto Requião (PMDB) tinha 74%; que 73% acham que o governo Beto Richa utiliza os recursos públicos mal ou muito mal; e que  Beto Richa caiu 32 pontos percentuais, enquanto a presidenta Dilma Rousseff (PT).

Em matéria da Gazeta do Povo, o cientista político da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Emerson Cervi, informa que os resultados da pesquisa Ibope-CNI mostram uma das piores avaliações do governo do estado nos últimos anos: “A aprovação dos oito anos de governo do [Roberto] Requião ficavam em torno de 55% e 60%, nunca baixou disso”. De acordo com um estudo realizado pelo sociólogo Carlos Alberto Almeida, governantes com mandatos avaliados como ótimos e bons por 40% dos eleitores dificilmente são reeleitos.

OAB/PR consegue que CNJ suspenda novamente o CU de Beto Richa e Clayton Camargo

Captura de Tela 2013-07-12 às 00.38.13 Gov. Beto Richa participa da posse de novos Desembargadores do T

A Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional do Estado do Paraná, presidida por meu amigo desde os tempos do movimento estudantil de Direito, Juliano Breda, conseguiu junto ao Conselho Nacional de Justiça – CNJ uma liminar que proíbe qualquer transferência de depósitos judiciais para o Caixa Único – CU do governo Beto Richa (PSDB). O termo CU foi criado pelo blogueiro Luiz “Polaco Doido” Skora e amplamente divulgado pelo blogueiro Esmael Morais e pelo senador Roberto Requião (PMDB).

O magistrado e professor de Direito Administrativo, conselheiro Silvio Luís Ferreira da Rocha do CNJ, proibiu que qualquer autoridade do Tribunal de Justiça do Paraná, inclusive o seu Presidente Clayton Camargo, de transferir para o Poder Executivo do Paraná valores relativos aos depósitos judiciais recolhidos na Caixa Econômica Federal, até que o julgamento do mérito.

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Conselheiro do CNJ Silvio Rocha

Beto Richa traiu o seu amigo, o deputado Plauto Miró (DEM), e não o apoiou na eleição para Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. Em seu lugar, venceu o deputado e ex-advogado não atuante Fábio Camargo (PTB), com apoio da bancada de apoio de Richa. Fábio é filho de Clayton Camargo, presidente do TJ, e muitos dizem que foi uma troca de favores.

Beto Richa chegou a mandar que os deputados estaduais voltassem do recesso para aprovar o CU às pressas em sessão extraordinária.

Veja a decisão do CNJ:

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73% acham que o governo Beto Richa utiliza os recursos públicos mal ou muito mal

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Na Pesquisa Ibope/CNI que mostra que o governador Beto Richa (PSDB) é aprovado por apenas 41% dos paranaenses, sendo que no mesmo período o ex-governador Roberto Requião (PMDB) tinha 74%; e que  Beto Richa caiu 32 pontos percentuais, enquanto a presidenta Dilma Rousseff (PT) caiu 24; aponta que 73% dos paranaenses acreditam que Beto Richa e seus secretários utilizam os recursos públicos mal ou muito mal.

Beto vai ter dificuldades em se reeleger em 2014.

 

Beto Richa cai 32 pontos e Dilma 24

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Segundo o Ibope/CNI o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), é aprovado por apenas 41% dos paranaenses. O ex-governador Roberto Requião (PMDB), em 2005, com o mesmo tempo de governo, tinha 74%.

Há cinco meses o Ibope disse que Beto Richa era aprovado por 73% dos paranaenses.

Na pesquisa divulgada hoje (25) a popularidade da presidenta Dilma Rousseff (PT) caiu de 55% (junho) para 31%.

Beto Richa é aprovado por apenas 41% dos paranaenses. Requião tinha 74%

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A pesquisa Ibope/CNI divulgada hoje (25) mostra que após dois anos e meio de governo apenas 41% dos paranaenses avaliam como “bom ou ótimo” o governo Beto Richa (PSDB).

Foram ouvidos 602 eleitores no Paraná entre 9 e 12 de julho.

Em junho de 2005, após o mesmo período de dois anos e meio de governo Roberto Requião (PMDB), sua aprovação era de 74%, segundo o instituto Databrain/Istoé.

A pesquisa Istoé/Databrain entrevistou 1.100 eleitores e teve uma margem de erro de 3 pontos, para mais ou para menos.

O resultado da pesquisa mostra que Beto Richa terá dificuldades em se reeleger em 2014, quando concorrerá contra Gleisi Hoffmann (PT) e Roberto Requião (PMDB).

ObsCenas: quem são os culpados pelo Fábio Camargo no TC?

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Foto de Daniel Castellano / Agência de Notícias Gazeta do Povo

Foto de Daniel Castellano / Agência de Notícias Gazeta do Povo

Gov. Beto Richa participa da posse de novos Desembargadores do T

 

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Hoje protestos na frente do TC contra a posse de Fábio Camargo

Foto de Daniel Castellano / Agência de Notícias Gazeta do Povo

Foto de Daniel Castellano / Agência de Notícias Gazeta do Povo

Hoje às 15h haverá a posse do ex-deputado Fábio Camargo (ex-deputado estadual pelo PTB, ex-empresário, ex-advogado não praticante) como novo conselheiro do Tribunal de Contas do Paraná.

Ele foi escolhido por 27 excelentíssimos deputados estaduais em eleição na Assembleia Legislativa.

Vários protestos na frente do TC ocorrerão contra a posse de Fábio Camargo, mesmo com chuva e frio, da hora do almoço até a hora da posse.

Veja os eventos no Facebook:

https://www.facebook.com/events/566482846726492/?fref=ts

https://www.facebook.com/events/368572676598197/?fref=ts

https://www.facebook.com/events/602935073061495/?fref=ts

Leonel Brizola e a Globo, veja os vídeos

Participe da enquete: você é a favor ou contra o financiamento público de campanha?

Blog do Tarso, Luis Nassif, Paulo Henrique Amorin e Daniel Dantas são estudados em monografia

Entrevista do então presidente Lula com os blogueiros progressistas em 2010

Entrevista do então presidente Lula com os blogueiros progressistas em 2010

As estudantes de jornalismo Nathalia Aparecida Aires da Silva e Andressa Carvalho Vieira, da UFRN, elaboraram o estudo “Comunicação Militante na Web: um estudo descritivo dos blogueiros progressistas” e apresentaram no Intercom Nordeste.

No estudo foram entrevistados Tarso Cabral Violin, autor do Blog do Tarso, Luis Nassif, do Luis Nassif Online, Paulo Henrique Amorin, do Conversa Afiada e Daniel Dantas, do De olho no discurso.

A pesquisa rendeu no evento várias discussões importantes sobre o cenário da comunicação contra-hegemônica feita na internet.

Clique aqui para ter acesso ao estudo.

Já se cadastrou no Participatório?

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Após estudos ocorridos desde 2011, ontem foi lançada em versão experimental a rede social do governo federal chamada Participatório – Observatório Participativo da Juventude. Participe!

Esse é um projeto em software livre e código aberto, em parceria da Universidade Federal do Paraná e da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

O Blog do Tarso e seu autor, o advogado, professor universitário e blogueiro, já estão cadastrados na nova rede social.

As imagens da vergonha na Assembleia Legislativa do Paraná

O deputado estadual Fábio Camargo (PTB) foi eleito nesta segunda-feira (15) para o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Paraná na vaga aberta com a aposentadoria de Hermas Brandão. Ele teve 27 votos contra os 22 dados ao seu colega Plauto Miró Guimarães (DEM), 1º secretário da Mesa Executiva. Os dois deputados que disputavam o posto se abstiveram de votar. O advogado Tarso Cabral Violin recebeu dois votos e Paulo Drabik, um. Vários postulantes acompanharam a sessão nas tribunas de honra. Ao final, o povo se manifestou: “vergonha, vergonha!”

A mensagem da juventude brasileira – Lula

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Por Luiz Inácio Lula da Silva, The New York Times

Parece mais fácil explicar esses protestos quando ocorrem em países não democráticos, como no Egito e na Tunísia, em 2011, ou em países onde a crise econômica aumentou o número de jovens desempregados para marcas assustadoras, como na Espanha e na Grécia, do que quando eles surgem em países com governos democráticos populares – como o Brasil, onde atualmente gozamos das menores taxas de desemprego da nossa história e de uma expansão sem precedentes dos direitos econômicos e sociais.

Muitos analistas atribuem os recentes protestos a uma rejeição da política. Eu acho que é precisamente o oposto: Eles refletem um esforço para aumentar o alcance da democracia, para incentivar as pessoas a participar mais plenamente.

Eu só posso falar com autoridade sobre o meu país, o Brasil, onde acho que as manifestações são em grande parte o resultado de sucessos sociais, econômicas e políticas. Na última década, o Brasil dobrou o número de estudantes universitários, muitos de famílias pobres. Nós reduzimos drasticamente a pobreza e a desigualdade. Estas são conquistas importantes, mas é completamente natural que os jovens, especialmente aqueles que estão obtendo coisas que seus pais nunca tiveram, desejem mais.

Esses jovens não viveram a repressão da ditadura militar nas décadas de 1960 e 1970. Eles não convivem com a inflação dos anos 1980, quando a primeira coisa que fazíamos quando recebíamos nossos salários era correr para o supermercado e comprar tudo o possível antes de os preços subirem novamente no dia seguinte. Lembram-se muito pouco da década de 1990, quando a estagnação e o desemprego deprimiu nosso país. Eles querem mais.

É compreensível que assim seja. Eles querem que a qualidade dos serviços públicos melhore. Milhões de brasileiros, incluindo os da classe média emergente, compraram seus primeiros carros e começaram a viajar de avião. Agora, o transporte público deve ser eficiente, tornando a vida nas grandes cidades menos difícil.

As preocupações dos jovens não são apenas materiais. Eles querem maior acesso ao lazer e a atividades culturais. Mas, acima de tudo, eles exigem instituições políticas que mais limpas e mais transparentes, sem as distorções do sistema político e eleitoral anacrônico do Brasil, que recentemente se mostraram incapazes de gerir a reforma. A legitimidade dessas demandas não pode ser negada, mesmo que seja impossível atendê-las rapidamente. É preciso primeiro encontrar recursos, estabelecer metas e definir prazos.

A democracia não é um compromisso de silêncio. Uma sociedade democrática é sempre em fluxo, debater e definir as suas prioridades e desafios, em constante desejo por novas conquistas. Apenas em uma democracia um índio pode ser eleito presidente da Bolívia, e um afro-americano pode ser eleito presidente dos Estados Unidos. Apenas em uma democracia poderia, primeiro, um metalúrgico e depois, um mulher serem eleitos presidentes do Brasil.

A história mostra que, quando os partidos políticos são silenciados e as soluções são procuradas pela força, os resultados são desastrosos: guerras, ditaduras e perseguição das minorias. Sem partidos políticos não pode haver uma verdadeira democracia. Mas as pessoas simplesmente não querem votar a cada quatro anos. Eles querem interação diária com os governos locais e nacionais, e querem participar da definição de políticas públicas, oferecendo opiniões sobre as decisões que os afetam a cada dia.

Em suma, eles querem ser ouvidos. Isso cria um enorme desafio para os líderes políticos. Exige as melhores formas de engajamento, através da mídia social, nos espaços de trabalho e nos campi, reforçando a interação com grupos de trabalhadores e líderes da comunidade, mas também com os chamados setores desorganizados, cujos desejos e necessidades não devem ser menos respeitado por falta de organização.

Tem-se dito, e com razão, que enquanto a sociedade entrou na era digital, a política permaneceu analógica. Se as instituições democráticas utilizassem as novas tecnologias de comunicação como instrumentos de diálogo, e não para mera propaganda, eles iriam respirar ar fresco em suas operações. E seria mais eficaz trazê-los em sintonia com todas as partes da sociedade.

Mesmo o Partido dos Trabalhadores, que ajudei a fundar e que tem contribuído muito para modernizar e democratizar a política no Brasil, precisa de profunda renovação. É preciso recuperar suas ligações diárias com os movimentos sociais e oferecer novas soluções para novos problemas, e fazer as duas coisas sem tratar os jovens de forma paternalista.

A boa notícia é que os jovens não estão conformistas, apáticos ou indiferentes à vida pública. Mesmo aqueles que pensam que odeiam a política estão começando a participar. Quando eu tinha a idade deles, nunca imaginei que me tornaria um militante político. No entanto, acabamos criando um partido político quando descobrimos que o Congresso Nacional praticamente não tinha representantes da classe trabalhadora. Através da política conseguimos restaurar a democracia, consolidar a estabilidade econômica e criar milhões de empregos.

É evidente que ainda há muito a fazer. É uma boa notícia que os nossos jovens querem lutar para garantir que a mudança social continue em um ritmo mais intenso.

A outra boa notícia é que a presidente Dilma Rousseff propôs um plebiscito para realizar as reformas políticas que são tão necessárias. Ela também propôs um compromisso nacional para a educação, saúde e transporte público, em que o governo federal iria fornecer apoio técnico e financeiro substancial para estados e municípios.

Ao conversar com jovens líderes no Brasil e em outros lugares, eu gostaria de dizer-lhes o seguinte: Mesmo quando você está desanimado com tudo e com todos, não desista da política. Participe! Se você não encontrar em outros o político que você procura, você pode achá-la em si mesmo.

Luiz Inácio Lula da Silva é ex-presidente do Brasil e presidente de honra do Partido dos Trabalhadores

Vergonha na Assembleia

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Editorial de hoje da Gazeta do Povo

O candidato mais despreparado acabou eleito para o Tribunal de Contas. Mas a eleição para o TC atraiu um nível inédito de interesse popular; esperamos que esse nível de mobilização possa perdurar

Não causou surpresa a proclamação do deputado Fabio Camargo como novo conselheiro do Tribunal de Contas do Paraná, anteontem, pela Assembleia Legislativa. Era a notícia aguardada havia meses, desde o dia em que se revelou a intenção do parlamentar – filho do presidente do Tribunal de Justiça – de disputar a vaga com o colega Plauto Miró, tido até então como o candidato in pectore dos poderosos que mantêm sob controle os cordéis do teatro encenado no plenário.

Protegido sob o manto das disposições constitucionais, o processo eleitoral guardou quase toda a aparência de legalidade. Candidataram-se todos os que se dispuseram a tanto e puderam comprovar, documentalmente, o cumprimento das regras regimentais. Foram todos sabatinados, todos puderam discorrer livremente sobre suas qualidades para que, em seguida, secretamente, 52 dos 54 deputados (Camargo e Miró não votaram, embora pudessem fazê-lo) votassem naqueles que suas consciências indicassem como os melhores para ocupar o cargo.

Ledo engano. Ainda que na aparência não se tenha agredido a processualística legal e regimental, as cartas estavam previamente marcadas para que, vergonhosamente, fosse eleito exatamente o candidato mais despreparado para integrar o conselho do Tribunal de Contas – tanto por seu pífio histórico profissional e parlamentar quanto pelas pobres manifestações que fez em defesa da própria candidatura na tribuna da Casa ou em declarações públicas ao longo de sua campanha.

Persistem, porém, algumas dúvidas sobre a decisão do presidente da Assembleia, deputado Valdir Rossoni, ao proclamar a vitória de Camargo por 27 votos – um a menos do que prevê o regimento interno, que leva em conta o número de eleitores presentes em plenário e se omite em relação às abstenções. Ora, presentes estavam os 54 deputados e, nesse caso, a maioria só estaria assegurada com 28 votos, ou seja, 50% mais um. Mas há controvérsias: o corpo jurídico da Assembleia entende que a composição da maioria se faz pelo número de votos encontrados na urna. Nesse caso, como os dois deputados candidatos não votaram, os 27 votos dados a Camargo lhe confeririam a maioria dos 52 que depositaram votos.

Independentemente desta controvérsia, que poderá ser levada à Justiça e até mesmo provocar a anulação do pleito, o que de mais lastimável resulta desse episódio é o fato de a Assembleia Legislativa ter perdido a chance de melhorar sua imagem perante os eleitores – tarefa de que não deram totalmente conta muitas das providências elogiáveis tomadas pela atual direção. Se a revelação dos descalabros administrativos e morais que se perpetravam nos porões da Casa, denunciados na série Diários Secretos, fez com que o Legislativo paranaense procurasse elevar seu conceito sob aqueles aspectos, a eleição para o Tribunal de Contas o fez cair de patamar.

A Assembleia e seus deputados mostraram-se evidentemente surdos aos protestos nascidos nas ruas. Preferiram, em sentido diametralmente contrário à indisfarçável ojeriza popular aos vícios da política que se pratica no país, manter o velho corporativismo e dar as costas para o anseio da sociedade que clama por mais qualidade, honestidade e seriedade das instituições republicanas e de seus gestores.

Nem tudo, entretanto, é motivo de decepção e entristecimento. Esta eleição para conselheiro do Tribunal de Contas provocou um debate sem precedentes na história desse tipo de escolha. A população despertou e se conscientizou sobre a importância de escolhas técnicas e politicamente isentas para melhor fiscalizar as contas públicas. O que pode significar que, da batalha agora perdida, se tire lição positiva para as próximas eleições.

A derrota do Paraná

Foto de Daniel Castellano / Agência de Notícias Gazeta do Povo

Foto de Daniel Castellano / Agência de Notícias Gazeta do Povo

Celso Nascimento, hoje na Gazeta do Povo 

–Alô! É o papai? Ganhamos! Ganhamos, papai!

O hipotético telefonema que o deputado Fabio Camargo disparou para o principal gabinete do Tribunal de Justiça seria o retrato perfeito e acabado do que aconteceu ontem na Assembleia Legislativa, que o elegeu conselheiro do Tribunal de Contas. Ainda que tal ligação não tenha sido feita e ainda que a exultante informação nem precisasse ser transmitida, a comunicação entre ambos teria servido para selar a consagração de um projeto nascido em dezembro passado, quando o desembargador Clayton Camargo, o pai, foi alçado à presidência do TJ.

Antes mesmo da posse, o intrépido desembargador fez saber ao governador que queria ver o filho ocupando a cadeira que, meses depois, ficaria vaga em razão da aposentadoria do conselheiro Hermas Brandão. A partir daquele momento, iniciaram-se os movimentos precisos e coordenados que culminaram ontem com os 27 votos (mínimo necessário para o quórum de 52 votantes) que elegeram Fabio Camargo para o cargo.

Uma das primeiras providências foi tirar, silente e vagarosamente, o tapete sobre o qual trafegava a candidatura do deputado Plauto Miró Guimarães, deputado da base a quem o governador havia prometido levar para o TC. Ao mesmo tempo, como numa competição olímpica de nado sincronizado, seguiram-se gestos de boa-vontade entre Executivo e Judiciário – como foi o caso do decreto judiciário que permitia a transferência de depósitos judiciais para criado caixa único do governo estadual.

Uma decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), concordando com a ilegalidade arguida pela OAB-PR, suspendeu o decreto e, consequentemente, anulou a expectativa do governo de socorrer seu combalido caixa com o aporte calculado em R$ 2 bilhões que viria dos depósitos judiciais sob a guarda do TJ.

Essa pedra no meio do caminho, no entanto, não impediu que, na surdina de alguns gabinetes, graves conversas tenham sido travadas com vários deputados para convencê-los a “preferir” o nome do colega Fabio Camargo. Desse convencimento não escaparam nem mesmo alguns deputados da oposição, representada principalmente pela bancada do PT. Sem dúvida, o resultado da votação – 27 a 22 – demonstrou a eficácia da campanha, a menos que a maioria dos 52 eleitores tenha decidido seus votos apenas pela admiração que nutre pelos olhos azuis e louros cabelos do deputado vitorioso.

As galerias dos vencedores e perdedores

Na galeria dos vencedores ficam expostas os retratos de Fabio Camargo, do desembargador Clayton Camargo e do padrinho que, do Palácio Iguaçu, dizia “liberar” sua base para que votasse em quem quisesse, desde que, preferentemente, o fizesse em favor de Camargo; 27 obedeceram a orientação, 25 seguiram a própria consciência – três dos quais votando em candidatos não deputados.

A galeria dos derrotados, no entanto, é muito maior. Dela fazem parte, em lugar de destaque, o conjunto da Assembleia Legislativa, que se mostrou surda à voz das ruas e ao silêncio da maioria, que clama pela moralização da coisa pública, incluída aí a despolitização do Tribunal de Contas – conciliábulo de políticos e amigos onde se reúnem os encarregados de julgar as contas justamente de quem os elege e nomeia. Os gritos de “vergonha! vergonha!” que ecoaram das galerias foram apenas uma pequena medida da revolta das ruas.

Derrotado também o próprio Tribunal de Contas, que se vê outra vez desvalorizado por uma escolha inapropriada à sua natureza de órgão que necessária e absolutamente deveria ser técnico e politicamente isento. Perde o governador do estado, por enxergar apenas à mais curta e conveniente distância, tal como agiu, por exemplo, ao nomear secretário o antigo assessor Ezequias Moreira, o “homem da sogra”, dando-lhe posto e gabinete para abrigar-se do alcance imediato de uma condenação pela justiça.

E, sobretudo, perde o Paraná, obrigado mais uma vez a assistir impotente ao descompromisso de suas três principais instituições com o estado.

Nova enquete: qual sua posição sobre o financiamento público de campanha?

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Vote na enquete ao lado.

Cinema pela Verdade 2013 em Curitiba começa amanhã

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veja o evento no Facebook.

Hoje troque seu almoço por um Paraná melhor

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A eleição para o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Paraná será realizada hoje (15), às 17 horas, e quem terá direito ao voto serão os deputados estaduais.

Também hoje, 12h (meio-dia), ocorrerá uma grande manifestação na frente da Assembleia Legislativa, contra a escolha dos dois deputados estaduais Fábio Camargo (PTB, sem comentários) e Plauto Miró (DEM, que  é fazendeiro sem formação universitária). Os dois não têm notório saber jurídico ou de Administração Pública e estão sendo investigados pelo Ministério Público. Os demais 38 candidatos são técnicos.

O nome do evento é “TCE-PR: Troque seu almoço por um Paraná melhor!”. Confirme participação no Facebook, apareça e divulgue para os seus contatos.

A mobilização é grande contra a escolha desses dois deputados pelos seus colegas.

Pressione os deputados pelo Facebook, clique aqui.

Participe do telefonaço de hoje nos gabinetes dos secretários e por e-mails, clique aqui.

O voto é secreto mas saberemos quem vai votar em quem, veja a lista das possibilidades de votação, clique aqui.

OAB/PR pede para deputados pensarem bem e ouvirem o povo para a escolha do TC, o presidente da Assembleia Legislativa é contrário às candidaturas de Plauto Miró e Fábio Camargo e o Presidente da FIEP pede para que deputados desistam de suas candidaturas para o TC.

Por enquanto apenas o deputado estadual Tadeu Veneri garante que não votará em deputado para o TC.

98% dos telespectadores da RPC/Globo não querem um deputado como Conselheiro do TC e 85% dos leitores do Blog do Tarso, participe da enquete ao lado.

Se hoje os paranaenses paralisarem o Centro Cívico na frente da AL os deputados podem não ser eleitos. Caso contrário…