Greenpeace declara apoio a Lula no segundo turno

 

O voto é pelo futuro do Brasil
 

Nota do Greenpeace Brasil sobre o 2º turno eleitoral

No último domingo (2), o Brasil foi às urnas decidir quem deverá presidir o país pelos próximos anos. Em uma apuração acirrada, o candidato Luiz Inácio Lula da Silva contabilizou pouco mais de 57 milhões de votos, enquanto que Jair Bolsonaro teve pouco mais de 51 milhões. No próximo dia 30 de outubro eles disputarão a presidência da República em segundo turno e, nessas quatro semanas cruciais, muita coisa estará em jogo.

Desde que assumiu a presidência em 2018, o governo de Bolsonaro foi catalisador de tristes retrocessos sociais, econômicos e ambientais que culminaram em perdas inestimáveis para o Brasil. Perdemos vidas, perdemos florestas, perdemos direitos, perdemos tempo. Por isso, o resultado do próximo dia 30 afetará de maneira determinante o nosso futuro. Após quatro anos de uma política catastrófica do ponto de vista social, econômico e ambiental, o povo brasileiro terá a chance de mudar democraticamente um cenário marcado por ataques permanentes e inconcebíveis às instituições, à ciência, à imprensa e aos direitos dos cidadãos e cidadãs garantidos na Constituição.

Neste momento crítico na história do Brasil, a população poderá conhecer as propostas dos candidatos e decidir por um futuro melhor. À luz de nossas campanhas e valores, avaliamos que o candidato Bolsonaro apresenta um plano de governo que se exime da responsabilidade dos resultados danosos do governo atual. Na área ambiental, o plano indica a continuidade das políticas atuais, que levaram o Brasil a colecionar recordes de desmatamento, emissões, queimadas e aumento da violência contra povos indígenas, comunidades tradicionais e defensores ambientais.
 

Isso não significa, porém, que não haverá desafios caso Lula seja eleito. Embora em seus mandatos anteriores o Brasil tenha vivenciado um declínio significativo do desmatamento na Amazônia, a nova administração terá a missão de reverter radicalmente os retrocessos decretados por Bolsonaro nos últimos anos e fazer avançar uma agenda ambiciosa de proteção ambiental e climática com transparência e participação da sociedade. Além disso, terá de lidar com um Congresso Nacional majoritariamente contrário à agenda socioambiental e que deve insistir em “passar a boiada”, atuando de forma oposta ao rumo que precisamos seguir.

Para garantir o futuro do Brasil, o próximo governo eleito terá de implementar um projeto altamente comprometido com a reconstrução do país, que exigirá, em primeiro lugar, a reversão da política anti-ambiental, anti-indígena e antidemocrática atualmente em curso. Diante disso, precisará priorizar ações que resolvam as urgências das famílias que estão em situação de vulnerabilidade; reverter o desmonte socioambiental; fiscalizar e inviabilizar atividades ilegais na Amazônia; tirar o Brasil da fome, com comida de verdade e sem veneno; além de assumir o compromisso de tornar o Brasil carbono-neutro até 2045.
 

As próximas semanas serão desafiadoras: fake news, mentiras e campanhas difamatórias devem aumentar, e precisamos prestar atenção para checar informações, buscar a verdade, ampliar nosso olhar e diversificar os canais que nos entregam conteúdos. Não caia em armadilhas.

Temos certeza que, junto a milhões de brasileiros e brasileiras, caminharemos rumo ao país que acreditamos que o Brasil merece e pode ser: mais verde, digno e justo para todas e todos. E nós, do Greenpeace Brasil, seguiremos atuando como sempre fizemos, de maneira independente e aguerrida, com força e resiliência pois não há outra opção: o que está em jogo definirá o nosso futuro e o de nossos filhos e filhas. Seguimos.