Chateaubriand em Tanabi

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Urbano Ganot Chateaubriand Bandeira de Melo, irmão do Chatô

Nos meus estudos para a elaboração da minha tese sobre democratização da mídia no Doutorado em Políticas Públicas da Universidade Federal do Paraná, li a biografia de Assis Chateubriand (Chatô, o Rei do Brasil), de Fernando Morais.

Eis que me deparo com a informação de que o irmão do Chatô faleceu em Tanabi, cidade do interior do Estado de São Paulo, próxima a São José do Rio Preto. Cidade onde meu pai, Antonio Geraldo Violin, nasceu e viveu sua infância e juventude, e onde eu ia passar minhas férias na infância e adolescência.

Urbano Ganot Chateaubriand Bandeira de Melo, irmão mais novo de Chatô, nasceu em 15 de agosto de 1902 em Recife, Pernambuco, no sobrado de azulejos azuis da Rua Aurora. Aprendeu a tocar tuba e chegou a ser entregador de cartas do Correio.

Pacato, foi convencido pelo outro irmão Oswaldo a emprestar cômodos de sua casa na Vila Mariana em São Paulo para serem utilizados como depósito de material bélico pela Revolução Constitucionalista de 1932. Ganot, radialista e jornalista, chegou a ocupar cargos nas empresas de Chatô, mas não tinha a mesma vocação de Chatô e Oswaldo, seja para dirigir os jornais e revistas, seja para enfrentar as guerras políticas em tempos de censura. Depois morou em amplo apartamento no primeiro andar num prédio de três pavimentos na rua Senador Feijó, quase esquina do largo São Francisco, em pedaço menos nobre do centro de São Paulo (do outro lado da rua havia uma gafieira infernal que tocava música estridente até o dia clarear), quando Chatô chegou a residir no térreo, quando foi perseguido pelo governo Vargas.

Ganot passou a residir em Tanabi em 1943, quando assumiu como Oficial-Maior do Cartório de Registro de Imóveis de Tanabi recém instalado. Antonio Caprio informa que foi “fato inusitado porque não foram seguidas normas vigentes na época, mas a política local desejava ter um cartorário aqui para resolver ‘pendências’ de títulos de propriedades rurais e urbanas com problemas de várias ordens”. Ganot lavrou, por exemplo, a ata de fundação do município Votuporanga.

Caprio ainda informa que “por vontade política da Família Chateaubriand, foi candidato a deputado estadual e, apesar de uma intensa e cara campanha não conseguiu se eleger, e era pessoa de difícil trato e relacionamento.

Urbano Ganot faleceu em Tanabi em 8 de outubro de 1951, decorrente de infarto fulminante, com seu corpo transladado para Jacarei. O biógrafo Fernando Morais informa que Chatô ficou muito mais abalado com a morte de seu irmão Oswaldo, anos depois de Ganot.

Foi casado com Augusta de Souza e depois com Estelita Albuquerque (ou Estela, que faleceu logo depois do marido). Tiveram dois filhos, Ivan (que chegou a trabalhar nos Diários Associados nos EUA, a pedido de Chatô, onde teve um filho com uma estadunidense, e faleceu em acidente de carro quando ia visitar parentes em Fernandópolis) e Maria Lúcia (que se mudou para Brasília). Há relato de que teriam, ainda, adotado uma filha com apelido “Xuxa”, que logo depois se mudou de Tanabi.

Em 1936 começou a ser construído o Grupo Escolar de Tanabi, inaugurado em 1945, que recebeu a denominação de Escola Estadual Ganot Chateaubriand em 1952, em homenagem ao recém falecido.  Posteriormente a escola foi municipalizada e passou a se denominar Escola Municipal Ganot Chateaubriand, que tem até hino (ver aqui).

Escola Ganot Chateaubriand, em Tanabi

Escola Ganot Chateaubriand, em Tanabi. Foto enviada por Antonio Caprio

Bibliografia

CAPRIO, Antonio. De Conceição do Jatahy a Tanabi, 2009, p. 314 e 315.

MORAIS, Fernando. Chatô: o rei do Brasil, a vida de Assis Chateaubriand. São Paulo: Companhia das Letras, 1994, 736 p.

Ainda colaboraram Marcia Cavassane, Eduardo Cavassane, Claudia Togni, Gislainy Regina Violin e Luiz Gonzaga.

Imagens sobre Urbano Ganot do livro “Chatô”:

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