O perfeito candidato à presidência do Brasil

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O perfeito candidato à presidência do Brasil nasceu há cerca de 55 anos, filho de professores, numa modesta casa de classe média em uma cidade no interior do Estado. De família numerosa, que veio de região pobre do país, cresceu em cidade pequena, brincou muito como um típico menino do interior, conviveu com trabalhadores do campo, familiarizando-se bem com todos os problemas agrícolas. Quando estava no ensino médio seu pai morreu, a casa foi vendida, sua mãe, uma mulher forte e sensível, mudou com a família para a capital e a luta começou.

O futuro presidente trabalhou no comércio de um conhecido da família, e dentro em pouco conhecia perfeitamente todos os problemas do trabalho e da administração, enquanto continuava seus estudos. Foi recruta do serviço militar. Estudo direito em uma universidade pública. Casou-se com a namorada do colégio, de boa família. Foi presidente do Centro Acadêmico de Direito. Ao se formar, passou no Exame da OAB, abriu escritório, ingressou em um partido político de esquerda, fez trabalho voluntário, frequentava todo o domingo a Igreja. Arranjava tempo para fazer atividades físicas.

Como advogado intermediou lides entre trabalhadores e empresas, entre empresas e Administração Pública, entre servidores e Administração Pública e representou políticos em eleições.

Fez mestrado e doutorado escrevendo sobre temas de interesse público.

Tornou-se prefeito da capital, em coligação partidária ideológica, com campanha financiada pelo partido, por pequenas empresas e por cidadãos que acreditaram em seu bom trabalho.

Fez uma ótima administração, organizando a Administração Pública municipal, respeitando os servidores públicos, dialogando com o empresariado, respeitando o texto Constitucional. Foi reeleito.

Dois anos depois do seu mandato, elegeu-se governador do estado e também fez um ótimo governo. Foi reeleito.

Sempre fez administrações eficazes, éticas, cordiais e honestas.

Orador notável, boa aparência, agora pretende ser presidente de República.

(adaptação de MILLS, C. Wright, A Elite do Poder, Zahar Editora, 1962, p. 273, que também adaptou de BENDINER, Robert. Portrait of the Perfect Candidate, The New York Times Magazine, 18.05.1952, pp. 9 e segs.)

Ainda não há um político perfeito no Brasil e no mundo. Ainda estamos construindo nosso Estado Social, Republicano e Democrático de Direito previsto na Constituição de 1988.

O candidato acima poderia ser mulher, negro, rico, ter outra profissão, outra preferência religiosa ou sexual. Poderia ter outra história pessoal e política.

Enquanto não há perfeição, enquanto não temos uma sistema eleitoral perfeito, devemos escolher nas eleições os políticos que melhor possam representar os brasileiros. Que tentem garantir os direitos das minorias discriminadas, garantir um desenvolvimento social, econômico, ambiental, ético, jurídico e político, sem pensar apenas nos interesses das elites.

Tarefa difícil, mas não impossível. Não caia no conto do vigário, no conto do político mentiroso, sem história.

E isso vale também para a escolha dos governadores, prefeitos, senadores, deputados e vereadores.

Participe da vida política!

4 comentários sobre “O perfeito candidato à presidência do Brasil

  1. Estava vendo TV e pensando, se não fosse pela pequena imprudência burguesa de ir ao nordeste de jato pago por outra pessoa, o Dep. Vargas poderia ser esse cara!!! Possui técnicas avançadas de administração financeira, que fariam multiplicar as reservas do país!

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