ObsCena: Souza Cruz e a Livre Concorrência

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Liberdade para matar?

A imagem acima foi publicada em quase uma folha inteira do jornal Gazeta do Povo de 03.04.2013, p. 13. Provavelmente foi publicada em todos os grandes jornais do país.

É verdade que a livre concorrência está prevista no art. 170 da Constituição Social e Democrática de Direito de 1988.

Mas antes da livre concorrência estão previstos na Constituição os fundamentos como cidadania, dignidade da pessoa humana; objetivos fundamentais como a construção de uma sociedade solidária, promoção do bem de todos.

No próprio art. 170, que trata da ordem econômica, é previsto que o Brasil deve ter por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, e que um dos princípios é a função social da propriedade. Apenas depois é citada a “livre concorrência”. E logo depois é ordenada a defesa do meio ambiente. Mas para a empresa Souza Cruz, apenas o que importa é a livre concorrência.

Milhões de crianças e adolescentes viciados fumando? Não tem problema, o que importa é o lucro.

Fumaça na nossa cara e bitucas de cigarro jogadas por todos os lugares, acabando com o meio ambiente? Não tem problema, o que importa é a liberdade da Souza Cruz.

A Souza Cruz paga milhões para advogados e publicitários convencerem a sociedade que ela deve ser livre para fazer o que bem entender.

Querem esconder que a Constituição prevê um Estado que intervêm na economia para o atendimento do interesse público.

Essa peça publicitária é indecente. É obscena. Deveria ser proibida. Qualquer propaganda de cigarro deveria ser proibida.

Xô neoliberalismo. Xô capitalismo selvagem. Xô propaganda da indústria fumageira! No Brasil não há liberdade para matar!

11 comentários sobre “ObsCena: Souza Cruz e a Livre Concorrência

  1. Quanta bobagem, procure ler sobre os dados do alcoolismo, é que a cruzada contra o tabaco gerou proporções que beiram o ridículo, a indústria do cigarro paga anualmente bilhões de reais de impostos mas os não fumantes estão mais preocupados com as bitucas e ou o cheiro de cigarro durante 2 segundos ao passar por um fumante de que se preocupar com o destino desses bilhões. Engraçado que mortes ligadas direta e indiretamente à bebida alcoolica superam às do cigarro e ninguém reclama da propaganda de cerveja em cada esquina e que mesmo assim a maioria esmagadora da população dirige após tomar umas e outras mas somos um país de hipócritas.

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  2. Esse pensamento megalomaníaco é coisa de comunista falido. Querer controlar tudo… por favor, vai pra coréia do norte. Lá eles gostam bastante disso. Quer controlar a mídia, o que consumimos, o que comemos, etc. Vai querer escolher onde vamos trabalhar também?

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  3. Excelente post! Parabéns. A verdadeira liberdade de fato pressupõe a regulamentação e obviamente a indústria do tabaco, assim como a do álcool devem ser reguladas. Se não fosse a regulação garanto que a Souza Cruz ainda distribuiria amostras grátis de cigarros na frente das escolas e investiria bilhões em propaganda na TV. O fumante tem toda a liberdade de fumar, mas a indústria não pode ter toda a liberdade para promover seu produto da forma que quer.

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  4. Parabéns pela análise crítica sobre os reais interesse da indústria de lucrar a qualquer custo. Só mesmo quem consegue captar além das aparências permite-se tal análise, principalmente quando se trata de indústrias produtoras de drogas legais mas letais como o álcool e o tabaco. E reagir aos abusos é no mínimo um ato de cidadania.

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  5. Parabéns pelo texto! É complicado pensarmos em liberdade se tratando de uma substância que causa dependência. Vejo que não podemos minimizar os danos causados pelo tabaco com o discurso que outras drogas causam mais problemas. Devemos, sim, buscar o desenvolvimento de ações que protejam os cidadãos dos abusos, das ilusões e dos interesses sórdidos das empresas que produzem e vendem drogas lícitas, que é garantir o mercado tornando os jovens dependentes.

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  6. Excelente análise crítica sobre essa postura cara de pau da Souza Cruz!
    O que está por trás dessa defesa da livre iniciativa é a intenção da indústria do tabaco em expor livremente seus produtos, leia-se cigarros, nos locais de venda ao lado de balas e chocolates. E assim angariar novos consumidores (regra geral, crianças e jovens, já que 90% dos fumantes iniciam o consumo antes dos 18 anos). Depois a nicotina se encarrega de manter os consumidores fieis ao tabagismo, por conta da dependência.
    Livre iniciativa às custas de tanto malefício? Não obrigada.

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  7. Gente, quem diria que um dos blogueiros mais progressistas do Brasil se rendeu à caça às bruxas do tabaco? Que decepção, hein…Agora o sujeito não pode nem mais acender seu cigarrinho que a patrulha da moral e bons costumes (acompanhada do Tarso, pasmem) já começa a bradar sobre o câncer que o fumo passivo trará ao pobre coitado do “cidadão de bem”. Mas sobre os carros ninguém fala. Surpreendente.

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  8. Excelente crítica. O problema não está na liberdade de expressão ,, e sim na maneira mentirosa , sedutora usada pela indústria para conseguir dependentes do tabaco. A única finalidade dela é conseguir lucros cada vez maiores. Para ela não importa o nº de pessoas que ela mate.Afinal escrúpulo não faz parte da sua ética.

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  9. estou certo de que fumar é uma questão pessoal e intransferível, mas nós fumantes não somos em sua totalidade espalhadores de bitucas e nem jogamos fumaça na cara dos outros, alguns possuem princípios e educação,vejam a questão do alccol os bebuns são em sua maioria indesejáveis, chatos, perturbadores da ordem e dos bons modos, inconvenientes etc…, qualquer motivo é motivo para encher a cara, se são ricos são excentricos, se são pobres são cachaceiros, estou certo de que propaganda de cigarro ligada a jovens bonitos em locais altamente desejaveis fazem a cabeça de qualquer jovem, mas e a propaganda de certos produtos ligados as mesmas circustancias e com o uso de bebidas, mulheres de roupas provocantes, carros bacanas, locais caros, incentivam ao que nesta economia mal distribuida? eu fumo não nego, quero deixar o vício e vou deixar. mas nem por isso censuro ninguém que quis fumar foi eu, foi escolha minha, meus filhos não fumam nem bebem.

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