Pesquisa: 24% dos brasileiros são petistas, 6% pmdbistas e 5% tucanos, e infelizmente maioria é apartidária

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Após 10 anos do PT no poder no âmbito federal, com Lula e Dilma, pesquisa do Ibope divulgada pelo Estadão e pala Gazeta do Povo informam que 24% dos brasileiros simpatizam com o Partido dos Trabalhadores, 6% com o PMDB e 5% com o PSDB. A pesquisa é de outubro de 2012. Não se está tratando de filiações, mas de pessoas que são simpáticas. Outras pesquisas apontam que apenas 10% dos brasileiros são filiados.

Cada vez mais em nossa sociedade está caminhando para o individualismo e egoísmo e as pessoas hoje são mais apartidárias. Em 1988 apenas 38% dos brasileiros eram apartidários, hoje são 56%. Mau sinal para uma democracia. A reforma política-eleitoral deve priorizar o fortalecimento dos partidos, com o financiamento público de campanha e o voto em lista.

Hans Kelsen dispõe que “um dos elementos mais importantes da democracia real” são os partidos políticos, que “agrupam os homens de mesma opinião, para lhes garantir influência efetiva sobre a gestão dos negócios públicos”. Para ele, “os impulsos provenientes dos partidos políticos são como numerosas fontes subterrâneas que alimentam um rio que só sai à superfície na assembleia popular ou no parlamento, para depois correr em leito único do lado de cá. Kelsen diz que “a moderna democracia funda-se inteiramente nos partidos políticos, cuja importância será tanto maior quanto maior for a aplicação encontrada pelo princípio democrático”. Segundo o autor: “está claro que o indivíduo isolado não tem, politicamente, nenhum existência real, não podendo exercer influência real sobre a formação da vontade do Estado. Portanto, a democracia só poderá existir se os indivíduos se agruparem segundo afinidades políticas, com o fim de dirigir a vontade geral para os seus fins políticos, de tal forma que, entre o indivíduo e o Estado, se insiram aquelas formações coletivas que, como partidos políticos, sintetizem as vontades iguais de cada um dos indivíduos”. Para ele “só a ilusão ou a hipocrisia pode acreditar que a democracia seja possível sem partidos políticos”. Note-se que todo esse ideário kelseniano vem junto com a concepção de que a democracia direta não é mais possível em face das dimensões do Estado moderno e da multiplicidade dos seus deveres, e a democracia do Estado moderno é a indireta, parlamentar. (A democracia. São Paulo: Martins Fontes, 2ª ed., 2000, pp. 35-43)

Também um defensor dos partidos políticos, Antonio Gramsci entende que o partido político deve ser capaz de, ao mesmo tempo, elaborar e agir, deve proporcionar o surgimento de operadores de ideias, de novos projetos ideológicos, e não de determinar a simples reprodução de ideias de comando, e o compromisso do partido é servir de protótipo de sociedade do futuro e possibilitar a confrontação entre as mais diferentes correntes de pensamento. (Maquiavel, a Política e o Estado Moderno)

Pela essencialidade da existência de partidos políticos, o professor publicista mexicano Jorge Fernández Ruiz expõe que “en la democracia representativa contemporânea los partidos políticos desempeñan un papel estelar, al grado de que se les puede considerar consustanciales a ella, por lo que a pesar de suas vícios y desprestigio no se ha encontrado, hasta ahora, substituto para ellos”. O professor define partido político: “Es la agrupación permanente de una porción de la población, vinculada por ciertos princípios y programas, derivados de sus interesses o de su interpretación del papel que corresponde a los depositarios del poder público y a los diversos segmentos sociales en el desarollo socioeconómico del Estado, con miras a hacerse de dicho poder para, en ejercicio del mismo, poner en práctica los princípios y programas que postula”. (Tratado de Derecho Electoral. México: Editorial Porrúa, 2010, p. 241.)

Para Orides Mazzaroba, um estudioso dos partidos políticos no Brasil, cabe aos partidos políticos “indubitavelmente a tarefa de aglutinar as vozes individuais e transportá-la para a esfera do espaço público e, finalmente, para a estrutura do Estado”. (O partido politico no Brasil: princípios constitucionais balizadores para criação e funcionamento. In: GONÇALVES, Guilherme de Salles; PEREIRA, Luiz Fernando Casagrande (coord.). Direito eleitoral contemporâneo. Belo Horizonte: Fórum, 2008, pp. 45-60, p. 58)

Norberto Bobbio ainda analisa que o partido político “compreende formações sociais assaz diversas, desde os grupos unidos por vínculos pessoais e particularistas às organizações complexas de estilo burocrático e impessoal, cuja característica comum é a de se moverem na esfera do poder político”. (Dicionário de Política. Brasília: UNB, 2004, 12ª ed., p. 899.)

Chega de discutir nomes, que tal discutirmos projetos e ideologias nas eleições, para o bem da democracia?

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4 comentários sobre “Pesquisa: 24% dos brasileiros são petistas, 6% pmdbistas e 5% tucanos, e infelizmente maioria é apartidária

  1. Com a falta de investimento em educação não é de admirar que a maioria do povo seja apartidário, e com certeza dentre os que tem acesso a informação e educação, a vergonheira geral que graça em todos os lados na política (vide agora a vergonhosa eleição de denunciados para camara e senado com apoio de todos os partidos…) também não me admira que muitos não queiram nem saber de política. è um erro não ser participativo, mas é consequencia do desanimo que dá ver que as mazelas do país continuam no campo da política, e quando o STF decide prender alguns, ainda tem gente que vem a publico defender os condenados.

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  2. eu deixei de acreditar em pesquisas a muito tempo, e nas ultimas eleições vimos seus brilhantes acertos em cidades como Manaus e Salvador e ate em São Paulo onde se previa q a diferença entre Serra e Haddad seria o dobro do q foi.

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  3. O seu texto é altamente elucidativo do ponto-de-vista político-partidário ao abordar a falta de interesse pela política como forma de desencantamento pelo cidadão comum diante da realidade brasileira. Concordo com você, Tarso, mas acho que o buraco é bem mais embaixo. Faz tempo que a reforma política se faz urgente neste país, onde político virou sinônimo de corrupto e política de corrupção. O sistema está errado em sua gênese e nos seus conceitos. Logicamente, na sua execução, só pode piorar.
    No entanto, a meu ver, esse desencanto não é só uma característica brasileira. Pelo mundo afora vemos as pessoas se desiludirem com os políticos e com a política por diversas razões mas, quase sempre, a origem comum é a corrupção que norteia o processo e o modelo político disseminado como o mais eficaz para governar. A agitação popular na Europa e o movimento Occupy nos EUA é um exemplo disto.
    Em um de seus últimos posts, você apresenta a brilhante entrevista do professor Ramalho, jurista e psiquiatra, que dá sua interpretação sobre o modelo econômico neo-liberal. Ele nos dá uma pista muito boa de como a situação chegou a este estado nos dias atuais. Ora, se temos um modelo econômico neo-liberal precisa-se, antes de mais nada, de um sistema político que dê base legal a este modelo econômico, legalizando suas ações através da máquina estatal. Daí vem o comprometimento dos políticos que, sem ideologia nem defendendo um conteúdo programático próprio, fazem o jogo dos lobbies e trustes que infestam os congressos nacionais da maioria dos países e este exemplo é seguido nas câmaras menores, provinciais e municipais. O judiciário é envolvido no esquema a partir do momento em que, como zelador do patrimônio legal da nação, se vê obrigado a “atualizar-se” diante dos novos modelos propostos. É uma grande bola de neve onde uma coisa puxa outra e tudo está intrinsicamente conectado e, se não estiver, é considerado obsoleto e varrido do sistema. Vide o discurso neo-liberal tucano que tece loas às privatizações desenfreadas, passando a idéia de que são soluções únicas num mundo totalmente renovado e diferente e que o Estado não deve se intrometer em atividades que não sejam as estritamente essenciais, reduzindo-o ao obsoletismo de que falo acima. Os que não se enquadram neste oba-oba e chegam a ser filiados a partidos de esquerda são considerados ultrapassados – numa clara alusão ao comunismo que sucumbiu com o fim da URSS e o isolamento Cubano – ou são simplesmente chamados de ladrões e vagabundos, aproveitando a enxurrada midiática de acusações ao PT, em especial, pelo julgamento do mensalão.
    Mas há ainda um outro aspecto, que foge do campo da política, propriamente dito.
    Há cerca de uns 7 anos, mais ou menos, assisti a um programa do jornalista Roberto D’Ávila, onde ele entrevistava um filósofo francês cujo nome não lembro agora e o assunto era ideologias. O filósofo tratou justamente do egoísmo que permeia as relações interpessoais nos dias de hoje baseado na mudança de modelo econômico e político, atrelando os dois numa mesma linha e dizia que o ser humano preocupado excessivamente em consumir e possuir, fica sem tempo para se relacionar, torna-se falsamente auto-suficiente em suas necessidades pelas facilidades que o consumo oferece e explica essa situação como sendo forjada no bojo do modelo neo-liberal, onde a educação também foi alterada, dirigida a fins técnico-produtivos e não mais humanistas nem voltada a uma formação crítica e universal. Ainda, segundo ele, a crise ideológica enfrentada pelas religiões ocidentais, que perderam seu papel na formação dos cidadãos, aliada aos escândalos que pipocam em quase todas elas, pouco resta ao homem comum dos dias de hoje a não ser voltar-se para o seu próprio corpo, no melhor estilo narcisista de viver, reproduzir-se e eleger seu pequeno núcleo familiar como a coisa mais importante do mundo, ao contrário do que acontecia em outras eras, onde a fé, a honra, as ideologias, apaixonavam e arrastavam civilizações inteiras.
    Resumindo: o homem moderno é impelido a achar que o mundo inteiro está um caos, que a competição é cada vez mais acirrada, que o vale-tudo da sobrevivência é cada vez mais válido, que o mundo é assim mesmo e não tem como mudar e sem muita orientação, fecha-se no seu pequeno mundo, infeliz, ansioso e insatisfeito, cumprindo à risca papéis que lhe foram desenhados à distância por pessoas que ele jamais conhecerá e sequer saberá que existem.
    Tudo em nome de uma nova ordem mundial.

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