“Não fui eu que fiz as promessas, foi você” (Reinaldo de Almeida César para Beto Richa)

O Secretário de Segurança Pública do governo Beto Richa (PSDB), Reinaldo de Almeida César, só tem 10% da verba para cumprir as promessas de Beto Richa na campanha de 2010, e bate no Secretário da Casa Civil, Durval Amaral, que pretende ser o novo Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Paraná. Para Reinaldo isso “é nada”.

“Não fui eu que fiz as promessas, foi você” (Reinaldo de Almeida César para Beto Richa, sobre a segurança pública)

Veja matéria completa na Gazeta do Povo de hoje.

Um integrante do governo chamou Reinaldo de moleque e deu a entender que ele está na corda bamba, segundo o Blog do Esmael.

Beto Richa enrola e não implementa a Defensoria Pública. Dia 14 ato na UFPR pela Defensoria

Mais de um ano de enrolação.

Cadê a Defensoria Pública?

Hoje na Gazeta do Povo

CLARA MARIA ROMAN BORGES E PRISCILLA PLACHA SÁ

Não é prudente se conformar com a promessa de um concurso público, pois a Defensoria somente existirá quando for publicado o edital, realizadas as provas, nomeados e empossados os novos defen­­­sores e servidores

Há quase um ano, nas escadarias da nossa centenária Universidade Federal do Paraná (UFPR), o governador Beto Richa posou para os jornalistas segurando em suas mãos a recém-sancionada lei que previa a criação da Defensoria Pública no Estado do Paraná.

Contudo, assim como a envelhecida foto, a esperança de implementação desta instituição em prol da população carente de nosso estado encontra-se amarelada, na medida em que tem sido carcomida pela morosidade e desídia dos poderes públicos. Aos poucos, a perspectiva de mudança no cenário dos cárceres estaduais superlotados, do fortalecimento da cidadania do povo paranaense e do cumprimento da Constituição de 1988 tem sido sorrateiramente apagada do horizonte.

A Defensora-Geral e o Conselho Superior Provisório foram nomeados, a verba orçamentária para a concretização da nossa Defensoria já foi aprovada pelo Poder Legislativo e disponibilizada aos órgãos competentes, o comitê encarregado da realização do concurso público para contratação de defensores e servidores foi indicado, bem como a resolução governamental que o autoriza a realizá-lo foi assinada, mas o que se percebe é a falta de vontade para dar vida à instituição que tem por função primordial assegurar a dignidade dos nossos cidadãos mais espoliados.

Sabe-se que sem Defensoria a população que não possui condições de pagar um advogado fica à míngua de seus direitos e suscetível aos abusos dos mais poderosos. Atualmente, os paranaenses carentes estão juridicamente desprotegidos e com frequência assistimos de mãos atadas à violação de seus direitos fundamentais e ao descaso dos poderes públicos em relação às suas demandas prioritárias. Até porque os antigos advogados contratados precariamente pelo Estado para a defesa dessa população foram desligados de sua função para que fosse aberto espaço para os novos defensores da carreira recentemente criada.

Percebe-se a cada dia mais claramente que o sonho de implantação de uma defensoria pública independente e popular em nosso estado cedeu espaço a outros projetos midiaticamente “mais lucrativos” na agenda política dos governantes. A Copa do Mundo de 2014, suas reformas e operações policiais nas áreas de visibilidade turística têm ocupado o tempo daqueles que deveriam estar comprometidos com a efetivação deste órgão capaz de tirar os paranaenses carentes da condição de subcidadãos.

É certo que se não pode passivamente deixar perdurar essa situação de vilipêndio de direitos no Paraná, sob pena de se levar a índices insuportáveis o processo de exclusão perpetrado pela globalização neoliberal.

Não é prudente se conformar com a mera promessa de um concurso público, pois a Defensoria somente existirá quando for publicado o edital, forem realizadas as provas, forem nomeados e empossados os novos defensores e servidores.

Em suma, não se pode retroceder nesta luta pela implementação da Defensoria Pública em nosso estado, a qual já teve grandes conquistas, mas como se vê não chegou ao final.

Então, para fazer valer o compromisso dos movimentos sociais de monitorar os esforços públicos para tornar efetiva a Lei Complementar n.º 136/2011, perguntamos à Defensora-Geral e ao governador do Estado: cadê a Defensoria?

Além disso, estamos programando, para o dia 14 de março próximo, às 11 horas, nas escadarias da UFPR da Praça Santos Andrade, um ato no qual haverá um minuto de silêncio em protesto à desídia dos poderes públicos com a Defensoria Pública do Paraná.

Clara Maria Roman Borges, professora de Direito Processual Penal da Faculdade de Direito da UFPR é integrante do Observatório pela criação da Defensoria Pública no Paraná. Priscilla Placha Sá, professora de Direito Penal da Faculdade de Direito da UFPR, é coordenadora do Observatório pela criação da Defensoria Pública no Paraná.

Beto Richa e Luciano Ducci mantiveram contrato entre Curitiba e empresa da família Derosso

Na coluna de Celso Nascimento, hoje na Gazeta do Povo

Ligações perigosas

Impossível, no entanto, evitar que sejam apagados outros sinais da histórica ligação de João Cláudio Derosso com o grupo que comanda há anos a prefeitura e a política municipal. Esses sinais podem ser encontrados até no Diário Oficial da prefeitura, onde se repetem desde 2006 os aditivos que mantêm a empresa Laine Manutenção de Áreas Verdes como contratada do município para recolher das ruas restos vegetais deixados por podas, jardinagens ou ventanias.

A Laine é da família Derosso. Do contrato social não consta o nome do vereador João Cláudio, mas de dois parentes que carregam o mesmo sobrenome. Além disso, a empresa se encontra instalada num terreno de 4 mil metros, no bairro do Xaxim, de propriedade do vereador, conforme a declaração de bens que registrou na Justiça Eleitoral.

O contrato com a Laine já venceu há muito tempo e uma nova licitação deveria ter sido realizada. Entretanto, manobras judiciais têm obrigado a prefeitura, desde os tempos em que era comandada por Beto Richa, a fazer sucessivas prorrogações por meio de aditivos, os quais, além do prazo, também reajustam os valores pagos à empresa.

Atualmente, segundo o último aditivo, firmado em dezembro passado e válido para um bimestre, a fatura devida à Laine ficou em R$ 2.947.379,65 pela incumbência de fazer a coleta de resíduos vegetais da região sul da cidade. Da região norte, a empresa responsável é a Viaplan, que tem merecido o mesmo bom tratamento dispensado à Laine.

Discurso X Prática

Hoje na Gazeta do Povo

TV Folha estreou hoje na TV Cultura. Faltou o TV Carta Capital, o TV Caros Amigos…

O programa TV Folha estreou hoje na TV Cultura (exibido no Paraná pela TV Educativa E-Paraná) e será exibido todos os domingos, das 20 às 20h30. Melhor do que as outras besteiras que existem no mesmo horário na TV aberta, mas com os méritos e falhas do jornal Folha de S. Paulo escrito.

A TV Cultura (TV estatal do governo do Estado de SP) também convidou a revista Veja e os jornais Valor e O Estado de S. Paulo. É possível esse tipo de procedimento segundo a Lei 8.666/93, é uma espécie de credenciamento (inexigibilidade de licitação por inviabilidade de competição). O problema são os critérios para a escolhas dos meios de comunicação. Por que não fazer convites também para as revistas Carta Capital e Caros Amigos?

Deputado Fabio Camargo pode ser o novo Desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná

A Ordem dos Advogados do Brasil, Seção do Paraná, tornou público os pedidos de inscrição para o processo de formação de lista sêxtupla para provimento de 1 (uma) vaga de Desembargador destinada a advogado no Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, pelo quinto constitucional, decorrente da aposentadoria do Desembargador Oto Luiz Sponholz.

Entre os inscritos está o Deputado Estadual pelo PTB Fabio de Souza Camargo!

O Conselho da OAB/PR escolherá 6 nomes que serão submetidos ao Pleno do Tribunal de Justiça para a escolha dos 3 que serão submetidos ao governador Beto Richa para a escolha do novo desembargador.

Fábio Camargo é empresário, advogado, formado em Direito pela Universidade Tuiuti do Paraná, deputado estadual e apresentador de programa de televisão na CNT, e também pode ser candidato a prefeito de Curitiba pelo PTB.

Se a OAB/PR, TJ e Beto Richa escolherem o nome do deputado será o fim dos tempos!

Já tenho meu candidato a prefeito… no Rio de Janeiro!

O PSOL da cidade do Rio de Janeiro tem como pré-candidatos a prefeito e vice o deputado estadual Marcelo Freixo e o músico e compositor Marcelo Yuka, ex-baterista da banda O Rappa. A chapa não fará alianças no primeiro turno para não ficar com “rabo-preso” com ninguém.

Freixo presidiu a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Milícias, da Assembleia Legislativa do Rio, que investigou a atuação de grupos criminosos integrados por políticos, policiais e ex-policiais em comunidades do Estado, e inspirou o personagem do filme “Tropa de Elite 2” (personagem Diogo Fraga, professor de história que se torna deputado e combate milícias). Foi o segundo candidato mais votado em 2010, com 177 mil votos, mas o filme foi lançado apenas depois das eleições.

Freixo usará o filme para superar o pouco tempo de TV e terá apoio do cineasta José Padilha, diretor das duas versões de “Tropa”, que vai colaborar com o programa de TV e organizar encontro com possíveis doadores.

Yuka, filiado ao mesmo partido do parlamentar desde 2010, ficou paraplégico depois de ser baleado, há quase 12 anos, em um assalto no RJ. Em 2009, Yuka voltou a ser alvo da violência na capital, quando assaltantes tentaram levar seu carro e ele foi agredido com socos e jogado para fora do veículo.

O candidato favorito é atual prefeito Eduardo Paes (PMDB, ex-PSDB), de centro, que tentará a reeleição, com apoio de até 18 partidos, inclusive do PT.

Outros nomes conservadores neoliberais de direita podem ser candidatos, como o Ministro da Pesca, pastor e sobrinho de Edir Macedo, Marcelo Crivella (PRB), Rodrigo Maia pelo DEMO (ex-ARENA, ex-PDS, ex-PFL) e Otávio Leite (PSDB), todos com poucas chances.

Para os que criticam o Estado Social: Brasil é menos desigual e brasileiro é o mais feliz do mundo, diz FGV

Gazeta do Povo de quinta-feira

Pobreza no país caiu 7,9% no ano passado

Estudo da FGV revela que o Brasil tem a menor desigualdade em meio século, mas permanece entre os 12 países mais desiguais do mundo

O Brasil atingiu em 2012 o menor nível de desigualdade desde 1960, apesar da crise na Europa. De acordo com a pesquisa “De volta ao País do Futuro” do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (CPS/FGV), o índice de Gini – que varia de 0 a 1, sendo menos desigual mais próximo de zero –, caiu 2,1% de janeiro de 2011 a janeiro de 2012, chegando a 0,5190.

A projeção da FGV é que a desigualdade continue reduzindo no país, levando o índice a 0,51407 em 2014. “A má notícia é que ainda somos muito desiguais e estamos entre os 12 países mais desiguais do mundo. Mas a queda é espetacular e deve continuar”, afirmou Marcelo Neri, coordenador da pesquisa.

A FGV mostra que a renda familiar per capita média do brasileiro cresceu 2,7% nos 12 meses encerrados em janeiro. É o mesmo crescimento registrado de 2002 a 2008, período considerado uma era de ouro mundial, e superior ao 0% de 2009, índice resultante da crise financeira daquele ano.

A pobreza no país também caiu entre janeiro do ano passado e janeiro deste ano: -7,9%, ritmo três vezes mais rápido do que da meta do milênio da ONU. Isso depois de uma redução de 11,7% na pobreza de maio de 2010 a maio de 2011, quando o Brasil crescia mais.

Segundo Neri, a redução da desigualdade foi fundamental para este resultado na pobreza. Ele cita que na última década a renda dos 50% mais pobres do Brasil cresceu 68%, enquanto a dos 10% mais ricos cresceu apenas 10%.

Outra conclusão da pesquisa é que a população nas classes AB será 29% maior em dois anos, enquanto a da classe C crescerá 11,9%. “Agora falaremos da nova classe AB, como falamos da nova classe média”, disse Marcelo Neri, coordenador do estudo.

A projeção do CPS/FGV é que 60,1% da população brasileira estarão na classe C em 2014, ante 55% em 2011. De 2003 a 2011, mais 40 milhões de pessoas chegaram à nova classe média e a expectativa é que serão mais 12 milhões até 2014, somando cerca de 118 milhões de pessoas. A metodologia da FGV, que leva em conta a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) do IBGE, classifica como classe C aqueles com renda familiar de R$ 1.734 a R$ 7.475. O dado foi atualizado a preços de julho de 2011. A classe AB chegará a 29,1 milhões, contra 13,3 milhões de brasileiros em 2003.

Já a população da classe DE – com renda de zero a R$ 1.734 – seguirá se reduzindo, em consequência da queda da desigualdade e ascensão para outros segmentos econômicos. A FGV calcula que ela sairá dos atuais 63,6 milhões de brasileiros para 48,9 milhões em 2014. No ano de 2003, a base da pirâmide social brasileira tinha 96,2 milhões de pessoas.

Apesar da redução da desigualdade e da pobreza, Neri é taxativo ao afirmar que ela não será erradicada em 2014, como promete o governo federal. “A pobreza não termina, apesar da meta nobre”, disse.

Pesquisa

Brasil lidera ranking de felicidade

O Brasil é tetracampeão em felicidade no ranking de uma pesquisa feita pela Fundação Getulio Vargas em parceria com a consultoria Gallup, na qual a Síria aparece em último lugar. Feita com cerca de 200 mil pessoas em 158 países, a pesquisa realizada em 2011 buscou saber a expectativa de felicidade das pessoas nos próximos cinco anos e também no presente. O Brasil vence nos dois. Depois dele aparecem Panamá, Costa Rica, Colômbia, Qatar e Suíça.

Entre os brasileiros, a pesquisa constatou também que as mulheres são mais felizes que os homens, o que Neri atribui ao maior nível de educação conquistada pelas mulheres nos últimos anos. Segundo ele a educação se traduz em renda e, consequentemente, em uma vida melhor. Outra constatação da pesquisa é de que as mulheres solteiras são mais felizes que as casadas no mundo inteiro.

Folhapress

Comissão de Juristas do Senado descriminaliza aborto e eutanásia

Religiosos conservadores radicais são contra as propostas dos juristas, conforme determinação dos chefes de suas igrejas.

A Comissão de Juristas criada pelo Senado Federal para elaborar o novo Código Penal aprovou na sexta-feira (09/03) um anteprojeto que prevê ampliação nos casos em que o aborto é legal:

1. Interrupção da gravidez até a 12ª semana quando, a pedido da gestante, o médico ou psicólogo constatarem que a mãe não apresenta condições de arcar com a maternidade;

2. Para fetos anencéfalos (o que ainda está sendo discutido no STF);

3. Nos casos de perigo à saúde da mãe.

Hoje o Código Penal apenas não considera crime os abortos para salvar a vida da gestante e quando a gravidez é decorrente de estupro.

Os juristas entedem que essas medidas não aumentarão o número de abortos, mas apenas não criminalizarão o que já ocorre na prática. Dizem que o tema tem que ser tratado como saúde pública, e não como tema policial.

Religiosos chamaram os juristas de assassinos durante a audiência.

Também foi aprovada a prática da eutanásia para pacientes com doenças graves e irreversíveis atestadas por dois médicos e com consentimento do paciente ou da família. Hoje essa prática é crime com pena entre 6 e 20 anos. Também foi aprovada pena maior para delitos de trânsito.

A comissão é composta pelo paranaense René Ariel Dotti, um dos maiores penalistas do Brasil.

Parabéns à comissão!

Beto Richa faz choque-de-gestão nas Universidades Estaduais. Vai matá-las eletrocutadas!

Salvem as universidades

Rosana Félix na Gazeta do Povo de sábado

A universidade é um lugar fantástico. Prin­­cipalmente nas instituições públicas, reúne todo tipo de gente, dos mais pobres aos mais ricos, dos mais hippies às patricinhas, dos mais empenhados aos preguiçosos. É uma espécie de mundo em miniatura, onde estudantes e professores exploram as diferentes áreas do conhecimento, estudando o que já foi feito e propondo novos caminhos para os desafios que se colocam. Essa é uma visão um pouco idealista, mas é o que se espera de um centro irradiador de conhecimento. Por isso as pessoas se chocaram ao saber que o governo estadual cortou pela metade a verba de custeio das universidades estaduais.

 

O plano de governo de Beto Richa contém 44 menções às universidades. No papel, elas têm uma “grande responsabilidade” no projeto de desenvolvimento para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Para tanto, o governador se propôs a “definir com as universidades estaduais um plano bilateral de objetivos e metas atrelado à contínua promoção da autonomia científica, administrativa e financeira, com ampla prestação de contas a toda a sociedade”. Para ter autonomia financeira, as instituições precisam, no mínimo, saber quanto vão receber ao longo do ano. Mas, neste início de 2012, foram surpreendidas com um corte significativo nas verbas repassadas.

Conforme dados do site Gestão do Dinheiro Público, a redução gira em torno de 60%. Foram prejudicadas as universidades estaduais de Londrina (UEL), Maringá (UEM), Ponta Grossa (UEPG), do Oeste do Paraná (Unioeste), do Norte do Paraná (UENP) e do Centro-Oeste (Unicentro). Juntas, elas receberam R$ 124,3 milhões no primeiro bimestre de 2011. Agora, em 2012, o dinheiro repassado caiu para R$ 45,3 milhões.

Os dados mostram que os cortes maiores atingiram a UEL e a UENP, com uma tesourada que chegou a 96%. Mal dá para acreditar. Como seria possível manter qualquer estrutura com uma redução tão drástica como essa? Os dados são todos do site Gestão do Dinheiro Público e têm caráter oficial.

O governo estadual justificou-se dizendo que era preciso fazer ajustes no dinheiro repassado, mas já se comprometeu a normalizar a situação e a retomar os repasses nos patamares dos anos anteriores. Se o governo tem desconfianças sobre o destino da verba, precisa investigar e comunicar as instituições envolvidas. Mas não pode simplesmente fechar a torneira e cortar a verba de um dia para outro. Desse jeito, a tão falada autonomia universitária parece um sonho distante.

Sempre é bom rever repasses de dinheiro e analisar se há desperdício. Mas parece difícil de acreditar que o orçamento das universidades estivesse supervalorizado. Entre janeiro e fevereiro de 2011, a UEL recebeu R$ 28,4 milhões. Como são 17.976 discentes, a proporção foi equivalente a R$ 1.581,67 por aluno – o número serve apenas para ilustrar a situação, e não é um cálculo formal de quanto deve ou não ser aplicado. Não parece ser muito, não é?

No mesmo período, a Uni­­versidade Federal do Paraná (UFPR), por exemplo, teve R$ 109,2 milhões em despesas liquidadas, ou uma proporção de R$ 4.299,83 por aluno. Pois bem. Agora, em 2012, a UEL recebeu o equivalente a R$ 66,02 por estudante. A UEM não sofreu um corte tão grande, mas o repasse no primeiro bimestre de 2011 correspondeu a R$ 1.854,23 por aluno. Neste ano, caiu para R$ 972,11.

Repetindo: se há desconfianças, é preciso averiguar. Mas não dá para fazer um corte de despesas desse vulto antes de confirmadas as suspeitas.

Os sindicatos podem ter motivações políticas quando sentam para negociar com determinados governos. Mas, quando o Executivo toma uma atitude tão drástica, dá margem para ser contestado. Ainda mais depois de ter criado expectativas tão grandes, dizendo que as universidades seriam peça-chave no desenvolvimento do Paraná. Mas elas não podem ser protagonistas se tiverem de ficar andando por aí com o pires na mão.