Carlos Alberto Richa é inimigo do Estado. Não, ele não é anarquista ou comunista, ele não sonha com um mundo sem classes, seu lema não é “se ai gobierno soy contra”, ele não busca uma sociedade civil emancipada.
O Governador Carlos Alberto segue a cartilha tucana, do Partido da Social-Democracia Brasileira. Não, apesar do nome, o PSDB não é social-democrata. Talvez no máximo 5% dos tucanos sejam social-democratas.
Segundo o Dicionário de Política de Norberto Bobbio, social-democracia designa os movimentos socialistas que pretendem mover-se no âmbito das instituições liberal democráticas, aceitando provisoriamente o mercado e a propriedade privada, mas com limites, diferenciando-se dos socialistas revolucionários. A social-democracia pretende efetivar a participação popular e tolera o capitalismo enquanto a sociedade não estiver amadurecida para, por meio das intituições liberal-democráticas, se chegar ao socialismo. “A Social-democracia é um partido revolucionário e não um partido que faz revoluções” (Kautsky).
Alguém acredita que Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Geraldo Alckmin, Aécio Neves ou Beto Richa almejam algum dia o socialismo? Me parece que não.
A cartilha tucana, principalmente desde o Governo FHC, não é social-democrata mas sim neoliberal. O que é o neoliberalismo?
Perry Anderson (Balanço do Neoliberalismo) informa que o neoliberalismo nasceu após a segunda guerra mundial, com Friedrich Hayek (O Caminho da Servidão), que desde então reuniu os inimigos do Estado do bem-estar social europeu e do New Deal estadunidense. Com a crise econômica dos anos 70 e os Governos Thatcher e Reagan no início dos anos 80 o neoliberalismo começou a ganhar espaço, com seus ideais contrários a igualdade, aos sindicatos e ao movimento operário em geral e dos gastos sociais do Estado e, consequentemente, dos impostos. para o neoliberalismo o Estado deve ser forte apenas para romper o poder dos sindicatos e manter o grande capital, o mercado, mas parco nas intervenções econômicas e sociais. Sobre o tema recomendo VIOLIN, Tarso Cabral. Terceiro Setor e as Parcerias com a Administração Pública: uma análise crítica (Fórum, 2ª ed., 2010).
A “bíblia” da guinada neoliberal do PSDB no Governo FHC foi o Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado, elaborada pelo então Ministério da Administração e Reforma do Estado – MARE, e assinado pelo Ministro Bresser Pereira e por FHC. O Plano, entre outras disposições neoliberais e da chamada Administração Pública Gerencial, previu a privatização, como regra, de todas as empresas estatais federais, como a Companhia Vale do Rio Doce, a Telebrás, a Petrobras e o Banco do Brasil.
No Paraná o Governador Jaime Lerner do PFL (antiga ARENA, atual DEMO) adotava a mesma cartilha e precarizou via terceirizações a Companhia de Informática do Paraná – Celepar, repassou para empresas estrangeiras o controle acionário da Sanepar e tentou privatizar a Copel. Jaime Lerner foi impedido de privatizar a COPEL pelo movimento de toda a sociedade, nas ruas e no Poder Judiciário.
Em grande parte do Governo Lerner o então Deputado Estadual Beto Richa foi da base de apoio para as medidas neoliberais de Lerner na Assembléia Legislativa, apenas saindo para ser Vice-Prefeito da Gestão Taniguchi na Prefeitura de Curitiba.
O problema para os tucanos é que até a Década de 90 o discurso do neoliberalismo era forte no mundo todo, inclusive na América Latina. Após o desastre que foram Governos neoliberais de direita como Alberto Fugimori no Perú, Carlos Menem na Argentina e FHC no Brasil, com suas privatizações, a grande maioria da sociedade latino-americana não aceita mais essas políticas conservadoras.
Verificamos que no terceiro milênio, principalmente na América do Sul, o neoliberalismo está adormecido. Os neoliberais não defendem mais com tanta convicção suas teses, e isso reflete na política paranaense.
Se pudesse o Governador privatizaria a Copel, Sanepar e Celepar, repassaria a gestão das universidade estaduais e escolas públicas para entidades do terceiro setor, e implantaria pedágio em todas as estradas do Estado. Para ele e para o PSDB a iniciativa privada sempre é mais eficiente, e o Estado deve ser mínimo, apenas regulador, para assegurar os direitos do grande capital.
No início da campanha para Governador Carlos Alberto precisou desmentir suas ideologias e negou que faria as privatizações que tanto defendeu, apoiou e ajudou a consolidar na era FHC/Lerner.
Sagrou-se vencedor com o discurso de que é o “novo”, com a promessa de que não privatizará a COPEL. Eleito com esse discurso, entendo ser impossível que Beto Richa, por mais que queira, venda a maior empresa do Paraná.
Ainda bem que vivemos numa democracia. As eleições, o voto do povo, vão assegurar que Beto Richa pelo menos não privatize a COPEL, um patrimônio do povo paranaense.
Ontem durante a posse da nova diretoria da COPEL ele manteve o discurso das eleições.
Vamos tentar assegurar que ele, além de não privatizar, não terceirize as atividades fim da COPEL e das demais empresas estatais, o que é uma praxe dos governos demotucanos. Os diretores da COPEL também têm a ideologia neoliberal, e se o povo paranaense descuidar vão querer privatizar, se não por meio da venda, mas por meio das terceirizações.
Viva a Democracia!


