Inscrita primeira chapa à reitoria da UFPR

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Chapa “UFPR é nossa vida”, representada pelos professores Ricardo Marcelo Fonseca e Graciela Bolzon, registrou hoje a candidatura junto à UFPR

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Eleição acontece em setembro

Nesta quinta-feira (09) pela manhã, foi inscrita a primeira chapa que concorre à reitoria da Universidade Federal do Paraná. As eleições ocorrem no final de setembro, exceto em caso de segundo turno.

O professor do curso de Direito Ricardo Marcelo Fonseca e a professora do curso de Engenharia Florestal Graciela Bolzon, acompanhados de cerca de 30 estudantes, professores e servidores técnico-administrativos, registraram, junto à UFPR, sua candidatura oficial a reitor e vice-reitora da Instituição. A chapa “UFPR é nossa vida” realiza hoje (09) à noite o evento oficial de lançamento da campanha na sede da Asufepar – Associação dos Servidores da UFPR.

“O número de pessoas envolvidas já no ato de inscrição da chapa mostra o perfil de atuação que temos assumido: uma construção coletiva e democrática de plataforma de propostas e ações para a próxima gestão da UFPR” – ressalta Ricardo Marcelo.

Trajetória acadêmica dos candidatos

Formado em Direito e História, professor há mais de 20 anos na UFPR, Ricardo Marcelo é diretor eleito do Setor de Ciências Jurídicas da UFPR desde 2008. Implementou uma gestão focada em transparência, excelência no ensino, pesquisa e extensão, forte internacionalização e condução democrática. O curso de graduação em Direito hoje é reconhecido como referência nacional e internacional, tanto por parâmetros profissionais (como o teste da OAB), como ligados à extensão e pesquisa.

Ricardo Marcelo tem relação com pesquisa e agências de fomento e avaliação, como Capes e Fundação Araucária. Tem reconhecimento nacional e internacional em seu campo, tendo sido presidente do Instituto Brasileiro de História do Direito e membro de projetos científicos e institutos de pesquisa internacionais.

Graciela Bolzon nasceu na argentina e é naturalizada brasileira. Engenheira florestal, tem extenso currículo acadêmico com dedicação ao ensino, pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico. Na UFPR, destacou-se à frente da coordenação de Programas de Pós-graduação e atualmente é Diretora de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico PRPPG-UFPR e Coordenadora do programa de Bioenergia.

Dentro da Instituição, Graciela também é reconhecida pela experiência em captação de recursos para financiamento de projetos em ciência e tecnologia. Em um momento onde as instituições de ensino enfrentam dificuldades, Graciela entra como um forte apoio em uma Universidade que precisa cada vez mais fortalecer seu lado criativo e inovador. Além disso, a chapa “UFPR é nossa vida” tem na igualdade de gênero uma política necessária, e a professora entra como a representatividade feminina da UFPR.

Site: www.ufprenossavida.com.br

Facebook: www.facebook.com/ufprenossavida

Evento de amanhã sobre o Massacre do Centro Cívico foi transferido para a Reitoria

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A partir de seu espaço que é de reflexão sobre o direito – seu conteúdo, seus desafios, seus limites, suas insuficiências e suas possibilidades – mas que ao mesmo tempo que é de inserção social comprometida com a os desafios do nosso tempo, a Faculdade de Direito e o Programa de Pós-Graduação em Direito da UFPR promovem amanhã (08 de maio de 2015), às 18h30, no Teatro da Reitoria, um julgamento tendo em face dos acontecimentos do último dia 29 de abril, em Curitiba.

Passíveis de tantas leituras – jornalísticas, sociológicas, políticas, antropológicas, psicológicas – os eventos também estão carregados de possibilidades jurídicas. Cabe a uma Universidade comprometida com seu tempo e com suas chagas refletir sobre tudo isso e indicar eventuais e possíveis caminhos para a ação.

O propósito deste evento, naturalmente, não é judicial – na acepção estrita do termo. Vai além disso. Como academia jurídica – que forma juízes, advogados, juristas – o propósito que se coloca é o de trazer à luz fatos, promover sua interpretação e dar-lhes enquadramentos jurídicos para futuros encaminhamentos possíveis, a serem eventualmente tomados pelos mais diversos atores do nosso cenário social, politico e jurídico.

O julgamento terá uma fase em que os fatos serão relatados (por atores diretos dos eventos e também pelo Estado, que será notificado para tal); uma fase em que um colegiado de julgadores fará considerações, em vista dos fatos relatados; e uma fase de decisão, tomada pelo colegiado de julgadores, com a leitura de um documento com eventuais encaminhamentos.

Entre no Facebook do evento aqui.

Antes das considerações do colegiado de julgadores, serão lidas manifestações de Fabio Konder Comparato (jurista, USP) e Flavia Piovesan (jurista, PUC-SP), elaboradas especialmente para a ocasião.

O colegiado dos julgadores sera composto por:

Celso Antonio Bandeira de Mello (jurista, PUC-SP)
Jorge Luiz Souto Maior (jurista e magistrado, USP)
Kenarik Boujkian (desembargadora, TJSP, ex-presidente da associação dos Juízes para a democracia)
Pedro Rodolfo Bodê de Moraes (sociólogo, UFPR)
Larissa Ramina (UFPR)

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Celso Antônio Bandeira de Mello

 

Texto obrigatório do professor Ricardo Marcelo Fonseca sobre as universidades federais, públicas e estatais brasileiras

Universidades federais no Brasil: a semeadura e a colheita

Por Ricardo Marcelo Fonseca, hoje na Gazeta do Povo

Algumas das ideias sobre as universidades federais brasileiras que costumam estar “na boca do povo” são a de que o custo por aluno é muito alto e também a de que nossas instituições ainda não têm os níveis de excelência esperados. A discussão é mais que oportuna e merece muitas mediações.

A questão dos “altos custos” tem de ser enfrentada com a maior cautela. Primeiro, porque a planilha desta conta não raro costuma incluir toda sorte de despesas, como pensões e aposentadorias dos inativos. Segundo, porque a própria linguagem dos “custos” (própria da racionalidade de mercado), quando é aplicada a uma entidade pública que produz um serviço essencial como educação superior, pode parecer deslocada. Afinal, desde quando educação (ou saúde) tem preço? Ou o Estado, para prover esses direitos de todo cidadão brasileiro, deve antes fazer um juízo de custo-benefício?

O perigo subjacente à retórica da “universidade pública cara” é promover o discurso legitimador do sucateamento do ensino público superior e o deslocamento da atenção estatal – como já ocorreu num passado recente – ao ensino privado (que seria, então, “mais eficiente”). Há, nessa linha, até mesmo os que defendem que o Estado transfira os recursos dos contribuintes para as instituições particulares… Certamente os empresários do ensino – que aumentarão suas margens de lucro privado em função do fomento público dos custos – agradecerão! Em terceiro lugar, não é demais relembrar que desde o mês de maio quase todas as universidades federais brasileiras estão em greve – o que certamente não é um indicativo de que os seus recursos públicos sejam assim tão abundantes.

E exatamente isso leva à discussão sobre a “baixa excelência” demonstrada por nossas universidades, tópico que também deve ser abordado com cuidado. Primeiro, por efetivamente não haver consenso algum sobre os critérios dos rankings internacionais. Segundo, porque se pode estar deixando de lado importantes resultados que as universidades federais brasileiras têm efetivamente dado à nossa sociedade. Afinal, sabe-se que cerca de 95% da produção científica nacional provém das universidades públicas – onde, aliás, estão mais de 80% dos cursos de mestrado e doutorado no país.

E isso leva ao problema da aparente desconexão entre os “altos investimentos” (na verdade nada altos) e os “parcos resultados” (na verdade nada parcos). Cabe lembrar que a produção do conhecimento em uma universidade é processo que deve ser feito em um cultivo lento, contínuo e cuidadoso. Se os resultados deste processo não forem colhidos quando estiverem maduros, não existirão bons frutos. O tempo dos resultados na academia, portanto, jamais deve ser equiparado ao tempo que é próprio dos “produtos” do mercado.

Existe, hoje, uma grande urgência para a educação superior no Brasil: ela se refere ao aumento dos recursos. É inquestionável que há, sim, relação direta entre investimento público e qualidade acadêmica (embora as variáveis sejam complexas e não sincrônicas). O exemplo emblemático das universidades paulistas (USP e Unicamp), nas quais por décadas foram despejados muitos recursos a mais que nas federais (o que resultou em aumento de qualidade visível), fala por si. Com essa receita, então, os resultados podem tardar, mas, no tempo certo, certamente vão aparecer.
Ricardo Marcelo Fonseca, pós-doutor pela Università degli Studi di Firenze, é professor e diretor do Setor de Ciências Jurídicas da UFPR.