A imbecilidade não tem limites 2, a baixaria e a mentira começaram…

Ainda sobre o Reinaldo Azevedo da Veja

Reinaldo Azevedo e seu amigo, o tucano José Serra

Reinaldo Azevedo e seu amigo, o tucano José Serra

Muito dizem que não vale a pena falar sobre o que Reinaldo Azevedo, da revista Veja, falou sobre o arquiteto comunista Oscar Niemeyer, falecido na quarta-feira (5).

Disse que Oscar Niemeyer era metade gênio, metade idiota, por ser comunista.

Não, Reinaldo Azevedo não questionou o arquiteto Oscar. Por mais que, por incrível que pareça, ontem mesmo alguns questionaram até a qualidade das obras de Niemeyer. Teve gente, por exemplo, que falou mal do urbanismo de Brasília, esquecendo-se que o urbanista da capital federal foi Lúcio Costa.

Mas Azevedo chamou Oscar de idiota por ele ser comunista. Não percebe, o verdadeiro imbecil, que a visão política e social de Oscar está em praticamente todas as suas obras.

Não percebe Reinaldo o quanto as palavras e ideias de Oscar também eram belas, como as seguintes enviadas ao Blog do Tarso pela leitora Marilisa Fonseca de Lima Lange, do livro “Nas curvas do tempo” de Oscar Niemeyer:

“Nunca fui contra qualquer movimento de protesto. É preciso protestar. Uma palavra que seja, dita com coragem, na hora certa, só merece apreço. Muitas vezes, quando a miséria é demais e os homens a esquecem, a solução é reagir.”

“Dentro das minhas limitações de simples arquiteto, sinto com tristeza a situação do meu país. A miséria imensa que o cobre e o desprezo da burguesia multiplicando-a.”

“Eis que lhes devia dizer sobre a minha arquitetura feita com coragem e e idealismo, mas consciente de que o importante é a vida, os amigos, e esse mundo injusto que precisamos melhorar.”

Muitos dizem que não devemos divulgar a revista Veja e o próprio Reinaldo.

Discordo. Não acredito que apenas imbecis lêem a revista Veja. Claro, muitos imbecis lêem a Veja. Mas muitas pessoas continuam lendo a revista por costume, as vezes até costume de família. Alguns leitores não percebem o quanto a revista Veja representa apenas uma pequena parcela conservadora de ultra-direta do Brasil. Ainda acredito que essas pessoas que continuam lendo a Veja, quando se deparam com idiotices como as ditas pelo Reinaldo Azevedo, aos poucos vão deixar de assinar e comprar a Veja. A Veja já perdeu vários leitores para outras revistas, jornais e para a própria blogosfera. E a tendência é acabar. Ou se manter como a revista oficial de uma minúscula parcela da sociedade que acha que ainda está no período da monarquia ou do liberalismo do século XIX.

Para terminar, um sambinha composto por Oscar Niemeyer:

Análise da Carta Capital sobre a privatização de Dilma mostra o quanto é ruim a Veja

Gostaria de parabenizar a Carta Capital pela matéria de capa “Dilma e o Estado empacado”, com os vários textos de articulistas diferentes. Apenas achei que faltou à revista se posicionar mais claramente sobre sua opinião com relação às concessões realizadas pela presidenta Dilma Rousseff (PT). Luiz Antonio Cintra no “Destino, o fator privado” se posicionou no sentido de que a “opção pragmática” pode ir na direção correta, o que parece defender a privatização. Mas foi interessante a cobrança de que o governo Dilma deixou de avançar no combate às mazelas estruturais do Estado brasileiro. Eu diria mais, o governo Dilma deixa de pensar em como melhorar a Administração Pública e vai pelo caminho mais fácil, mas quase sempre danoso ao interesse público, o da privatização. Sim, é privatização! Privatização em sentido amplo, como diz a jurista Maria Sylvia Zanella Di Pietro, mas é privatização. Sim, é menos pior do que a venda de empresas estatais como fez o governo tucano de FHC, mas é privatização, é desresponsabilizaçao do Estado em setores estratégicos como é o setor de transportes. Dilma preferiu seguira posição privatista de Jorge Gerdau, de consultorias privadas e de empresários sedentos pelo lucro fácil e garantido pelo orçamento público e pelo BNDES. Nesse ponto foi ótima a crítica do texto com relação a Gerdau, às consultorias e ao RDC – Regime Diferenciado das Licitações, que deixa o projeto para depois da licitação, o que pode ganhar tempo mas encarece a contratação. Se bem que no caso de Dilma às vezes é melhor pecar pela omissão. FHC e seu Ministro Bresser-Pereira formularam políticas neoliberais-gerenciais de reforma do aparelho do Estado que até hoje repercutem de forma negativa na Administração Pública, o que ao invés de aprimorar a burocracia, redundou em um retorno ao patrimonialismo e precarização da máquina pública. Parabéns à Carta Capital, que mais uma vez mostrou para a revista Veja que é possível um meio de comunicação ter lado, mas sem fazer política rasteira travestida de jornalismo sério e independente.

Para quem ainda não leu recomendo que comprem a carta Capital desta semana.

Antonio Gramsci já previa a existência da revista Veja como partido político

“Um jornal (ou um conjunto de jornais), uma revista (ou um grupo de revistas), são também eles ‘partidos’, ‘frações de partidos’ ou ‘funções de um determinado partido’. Veja-se a função do Times na Inglaterra, a que teve o Corriere dela Sera na Itália, e também a função da chamada ‘imprensa de informação’, supostamente ‘apolítica’, e até a função da imprensa esportiva e da imprensa técnica”.

GRAMSCI, Antonio. Maquiavel, a política e o Estado moderno, 7ª ed., 1989, Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, p. 23.

Tarso Cabral Violin – Blog do Tarso

Entrevista com o pré-candidato a prefeito de Curitiba Mauricinho Tucanus

Divulgo a entrevista que um importante meio de comunicação de Curitiba fez ao pré-candidato a prefeito de Curitiba, Mauricinho Tucanus:

O senhor prefere se ir para o trabalho de Ferrari ou Harley Davidson?

Então, tipo assim… Não gosto muito de trabalhar, aprendi isso com o papai e com o vovô. Uso minha Ferrari nos dias chuvosos e a Harley nos dias de sol.

O que o senhor costuma ler?

Não gosto muito de ler, vejo mais televisão, principalmente o BBB, o Manhattan Connection e o programa do Tucano Huck. Adoro o Diogo Mainardi. Mas leio a revista Veja e a Caras.

Como o senhor se define?

Não sou nem de esquerda, nem de centro, nem de direita.

Do que o senhor mais gosta na cidade?

Quando entro no elevador e ninguém me dá bom dia.

Do que menos gosta?

Do povão com dinheiro, quando invade os locais que costumo frequentar.

Qual o seu lugar favorito em Curitiba?

Minha cobertura no Batel.

E para o senhor, quem é o curitibano?

O meu clube.

E como definir Curitiba?

É o melhor restaurante da cidade, o Bar Curityba.

Do que o senhor sente falta quando está fora de Curitiba?

Do meu papai.

Existe algo que o senhor viu em outra cidade e que adaptaria a Curitiba?

Estátua da Liberdade e Torre Eiffel.

O curitibano é fechado?

O Clube Curitibano não fechou não, está aberto. Vou lá jogar golf.

Em qual época a cidade é mais bonita?

Não leio a Época, leio a Veja.

Alguma lembrança de infância?

Quando meu papai me deu o primeiro carro aos 12 anos.

Qual a sua praça favorita?

Nenhuma, todas são publicas. Posso citar a praça do meu condomínio?

Alguma feira que frequenta?

As feiras de carros, são as melhores.

Existe algum local pouco conhecido de Curitiba que o senhor indicaria a um amigo visitar?

Posso indicar ótimos restaurantes.

Existe um personagem histórico da cidade que o senhor admira?

Jaime Lerner.

E da atualidade?

Beto Richa.

Se um gênio da lâmpada concedesse um pedido para o senhor fazer uma única mudança em Curitiba, o que mudaria?

A transformaria em Nova York.

Alguma proposta de inovação para a cidade?

Transformar o Batel e o Ecoville em condomínios fechados.

Como melhorar o trânsito da cidade?

Proibindo pobres de terem carros.

É possível fazer ciclofaixas em toda a cidade?

Concordo com as ciclofaixas de final de semana do atual prefeito Luciano Ducci (PSB). Bicicleta é para diversão, e não para ir ao trabalho.

Qual meta social o senhor gostaria de atender?

Então, tipo assim… As colunas sociais dos grandes jornais poderiam aumentar né?.

O que mais o irrita no trânsito como motorista?

Detesto encontrar fuscas pela rua.

Qual a opinião do senhor sobre o metrô?

Vou instalar os trens da Disney aqui.

Lula ou FHC?

FHC, claro!

Qual sua opinião sobre o golpe de 1964?

Que golpe? A Veja disse que foi uma revolução gloriosa.

Quais suas principais propostas?

Pena de morte, redução da maioridade penal para 4 anos, fim do bolsa família, proibição da união estável entre homossexuais, obrigação do ensino religioso nas escolas públicas, privatização de tudo, fim dos concursos públicos e licitações.

Coxa ou Furacão?

Prefiro o São Paulo.

Praias do Paraná ou Santa Catarina?

Nunca fui, adoro Miami, onde há mais anticastristas no mundo.

Para turismo Foz do Iguaçu ou Rio de Janeiro?

Disney.

Um lugar que nunca iria?

Cuba, o Jornal Nacional e o pastor disse que lá é coisa do capeta.

Se eleito quem serão seus secretários?

Cassio Taniguchi, Fernando Francischini, Jair Bolsonaro, minha esposa, meu irmão, meu filho e toda a família do meu ídolo, Beto Richa.