Manuel Castells: “não basta manifesto no Facebok” e “meios de comunicação tradicionais não têm boa perspectiva”

25-02-2008_07_35_47_

Hoje na Folha de S. Paulo

Não basta um manifesto nas redes sociais para mobilizar as pessoas

Sociólogo diz que alcance real dos protestos depende das condições de quem os lê

ROBERTO DIAS SECRETÁRIO-ASSISTENTE DE REDAÇÃO

O franquismo dominava a cena espanhola quando um estudante de 18 anos decidiu entrar nos cinemas de Barcelona para alterar seu enredo.

Escolheu salas na periferia, aproveitou a escuridão para deixar folhetos de protesto nas cadeiras e terminou a noite com uma sensação: “As palavras que eu havia transmitido poderiam mudar algumas mentes que acabariam por mudar o mundo”.

O objetivo principal não foi alcançado, e a ditadura espanhola perdurou até os anos 1970. Décadas mais tarde, ao descrever seu ato, Manuel Castells concluiu que ignorava coisas importantes da comunicação. “Não sabia que a mensagem só é eficaz se o destinatário estiver disposto a recebê-la e se for possível identificar o mensageiro e ele for de confiança”, escreveu.

O jovem revolucionário acabou exilado em Paris, onde deu início a uma trajetória que fez dele um dos mais destacados sociólogos do mundo. Famoso por estudar sobre poder das redes e o impacto social da informação, Castells diz, em entrevista por e-mail, que o Facebook sozinho não é capaz de mudar a história. Continuar lendo