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Entrevista com Bruno Meirinho na RPC: Sandro Dalpícolo acha que estamos no século XVIII

Entrevista exclusiva com a pré-candidata a prefeita de Curitiba pelo PPL, Alzimara Bacellar

Dando continuidade à séria de entrevistas com os pré-candidatos a prefeito de Curitiba, realizada com exclusividade pelo Blog do Tarso, e após as quatro primeiras entrevistas com o ex-prefeito Rafael Greca (PMDB), o deputado federal e então pré-candidato Doutor Rosinha (PT), o advogado Bruno Meirinho (PSOL), e a advogada e vereadora Renata Bueno (PPS), apresentamos a entrevista com a pré-candidata a prefeita do PPL, Alzimara Bacellar, que prontamente atendeu o pedido de entrevista do Blog do Tarso.

Blog do Tarso: Olá Alzimara Bacellar, obrigado por aceitar participar da entrevista. O PPL é um partido recente? Quais os fundamentos ideológicos do partido? É de esquerda, centro ou de direita?

O Partido Pátria Livre obteve o seu registro junto ao TSE em 04 de outubro  de 2011. Esta será a nossa primeira eleição. Como pode ser visto no nosso estatuto, temos por objetivo a constituição da mais ampla frente nacional, popular e democrática para completar a nossa independência nacional, defendemos que as nossas riquezas sejam colocadas para o nosso desenvolvimento. Somos um partido nacional desenvolvimentista.

E a senhora, se considera de centro, de esquerda ou de direita?

Eu me considero de esquerda.

Quais suas críticas aos governos Dilma, Beto Richa e Luciano Ducci?

No recente programa de TV do PPL, no horário eleitoral a nível nacional, o nosso Presidente Sergio Rubens, sintetizou quais são os principais problemas que envolvem a nossa economia no momento atual, as taxas de juros que no ano passado tiveram elevação ao invés de redução, comprometendo a nossa economia de forma grave, foram R$ 236 bilhões entregues aos bancos em 2011. Neste ano, a Presidente Dilma, vem dando um combate com reduções  às altas taxas de juros, e isto é positivo, mas ainda temos a maior taxa mundo. É necessário avançar. Outro problema, que estamos vivendo é a desnacionalização das nossas empresas, que estão sendo compradas pelo capital estrangeiro, principalmente americano e europeu, o que coloca nossa economia muito mais vulnerável, com a acelerada desnacionalização das nossas empresas e a conseqüente remessa de lucros para  o exterior .

Com relação do governo estadual estamos convivendo com dois anos de governo e o estado paralisado.

Nenhuma proposta relevante para o desenvolvimento econômico do estado. O mundo vive uma das maiores crises econômicas e que esta afetando a nossa produção industrial. E isto parece não ser problema para o governo.

A produção industrial do estado do Paraná apresentou aumento no ritmo de queda na produção industrial entre o último quadrimestre do ano passado, de 11,6% para 6,2%, segundo  dados do IBGE.

E o que observamos em relação ao governo do estado, a total falta de sintonia com os trabalhadores e empresários paranaenses.

Em relação à administração municipal não precisamos de muito esforço para reconhecer a falência do modelo de administração, baseado nas práticas neoliberais, isto é procurando enfraquecer as responsabilidades públicas, como na área da saúde, privatizando a contratação de médicos e deixando a população a própria sorte, na área da cultura, a grande proposta apresentada esta sendo a privatização da Ópera de Arame, Pedreira Paulo Leminski e o Parque Náutico, isto prá citar, somente, dois exemplos.

Quais suas principais propostas para Curitiba?

O Partido Pátria Livre tem discutido, estudado  e formulado propostas para a área da saúde, educação, cultura, transporte, enfim, vamos depois da nossa convenção, na qual espero que seja aprovada a  nossa candidatura,  então,  estaremos divulgando e apresentando o conjunto das nossa propostas para Curitiba.

Qual sua opinião sobre as privatizações? Saúde via Organização Sociais – OS, presídios, Concessões da Ópera de Arame e Pedreira, aeroportos, etc.

Como disse anteriormente, o Partido Pátria Livre considera que o estado tem papel fundamental na vida nacional, realizando investimento nas áreas de saúde, educação, transporte, habitação, dotando o país de infra estrutura que permita  o nosso crescimento e desenvolvimento econômico, como é o caso dos portos, aeroportos, ferrovias, usinas hidroelétricas. São setores estratégicos e que sustentam a soberania do país, portanto, devem ser estatais, são construídos com investimentos públicos, isto é, com recursos do povo e tem que estar a serviço de todos e para todos.

Se eleita o que fará com o ICI (Instituto Curitiba de Informatica)?

Como pré candidata a prefeita, tenho refletido bastante sobre o assunto, mas nos parece que o mais sensato será rever e reavaliar cada um dos contratos que o ICI mantém com a prefeitura, torná-los públicos, para que todos tenham o direito de acompanhar os contratos e compromissos que são assumidos pela prefeitura em nosso nome.

E paralelamente dotar a prefeitura de iestruturas próprias para executar toda área de informatização e desenvolvimento de programas. Como falei antes, áreas estratégicas tem que ser públicas.

Vamos libertar a prefeitura dessa privatização, vamos tornar público um dos setores vitais para a administração.

Lula ou FHC?

Lula.

Lerner, Requião ou Beto Richa?

Requião.

Se eleita, conseguira governar com a atual Câmara de Vereadores?

Hoje, como pré-candidata pelo PPL, tenho certeza que seria possível estabelecer uma nova relação com a Câmara Municipal de Curitiba, pois se eleita, estabeleceremos uma relação de respeito e discussão sobre o que é melhor para Curitiba e sua gente. Pensando nos trabalhadores, nas nossas mulheres, crianças. Vamos discutir com os vereadores as prioridades e não apenas o que seja de interesse de poucos.

O que acha do Metrô para Curitiba?

Penso que é uma obra importante, embora estejamos começando com tempo de atraso, com certeza, hoje já teríamos que ter a linha norte-sul e leste-oeste construídas e em operação. A administração não teve visão e nem compromisso com o povo.

Deixou-se guiar por interesses de setores contrários a implantação do metrô em Curitiba, não teve a capacidade de liderar esse processo. Ainda bem ,que com  o  com incentivo e financiamento do Governo Dilma esta importante obra entra no planejamento de Curitiba.

Qual sua opinião sobre a Copa em Curitiba?

Penso que será um evento importante e que todas as cidades estão se preparando, poderá projetar Curitiba para outros países, atrair um grande fluxo de turistas. Poderemos também melhorar as condições de infra-estrutura, que a partir do Governo Federal tem recursos a disposição das prefeituras que serão sedes da copa, como é o caso de Curitiba.

O que acha das permissões hereditárias aos taxistas de Curitiba?

Primeiro, o serviço de taxi é uma licença para exercer a atividade, e como tal tem que existir um processo de concorrência quando houver uma vaga, para que qualquer pessoa possa ter o direito de concorrer. Não é de estranhar que apenas 07 vereadores votam contra e apresentaram outra proposta e que foi rejeitada. Como tem ocorrido com muita freqüência, existe na Câmara de Curitiba uma maioria ligada ao prefeito, e que são capazes de cometerem este desatino e outros que a imprensa vem denunciando, mostrando o completo distanciamento em relação ao povo que os elegeu.

Para ser eleita pretende fazer alianças com outros partidos?

Claro, pois com eleição em dois turnos, existirão alianças para obtenção da vitória no segundo turno, é muito difícil que um partido sozinho consiga vencer e governar sem realizar alianças.

Qual livro esta lendo ou qual foi o ultimo que leu?

São Bernardo, autor Graciliano Ramos

Como se informa no dia-a-dia? Jornais, revistas, internet?

Jornais, internet.

Obrigado pela entrevista e boa sorte.

Entrevista exclusiva com o pré-candidato a prefeito de Curitiba pelo PT, Deputado Federal Dr. Rosinha

Dando continuidade à séria de entrevistas com os pré-candidatos a prefeito de Curitiba, realizada com exclusividade pelo Blog do Tarso, e após a primeira entrevista com o ex-prefeito Rafael Greca (PMDB), apresentamos a entrevista com um dos pré-candidatos a prefeito do Partido dos Trabalhadores, o Deputado Federal Doutor Rosinha, que prontamente atendeu o pedido de entrevista do Blog do Tarso.

Dr. Rosinha defende que o PT tenha candidatura própria, disse que se eleito vai acabar com as privatizações via as OS, inclusive com o ICI, chamou Beto Richa de “supernepotista”, e defendeu o financiamento público de campanha e o voto em lista nas eleições proporcionais.

Segue a entrevista:

Blog do Tarso – Dr. Rosinha, obrigado por ter aceitado o convite para ser entrevistado pelo Blog do Tarso, sobre as eleições de outubro. Fale um pouco sobre sua trajetória política.

Dr. Rosinha – Nasci em Rolândia, região Norte do Estado. Estudei medicina na Universidade Católica do Paraná, hoje PUC, em Curitiba. Sou médico pediatra, servidor da Prefeitura Municipal de Curitiba licenciado, sem remuneração, desde que fui eleito vereador, em 1988.

Comecei minha militância política no movimento da saúde e, posteriormente, no sindical. Participei da fundação do Partido dos Trabalhadores e da Central Única dos Trabalhadores.

Antes disso, na luta pela saúde publica, presidi no Paraná o Centro Brasileiro de Estudos da Saúde. Em 1991, fui eleito deputado estadual, e, em 1998, deputado federal. Durante esses quatro mandatos na Câmara dos Deputados também já presidi o Parlamento do Mercosul.

Blog do Tarso –  Quais são os pontos fortes e os pontos fracos, até agora, do Governo da Presidenta Dilma Rousseff? 

Dr. Rosinha – O ponto mais forte do governo Dilma foi ter ganho a confiança da sociedade. Muitos achavam que ela ficaria dependendo do Lula. Mas Dilma mostrou ser independente e capaz.

Outro ponto forte é a forma como tem enfrentado a crise econômica mundial. Diga-se de passagem, uma crise nos países centrais da economia. Tanto ela como Lula têm enfrentado a maior crise econômica da história. Economistas dizem que esta crise é mais grave que a de 1929. Este é, a meu ver, um dos pontos mais fortes, pois FHC não conseguiu enfrentar as crises em seu governo. E olha que, naquela época, eram crises de países periféricos.

Pontos fracos? Não me recordo de nenhum, ela tem enfrentado e superado todos os desafios. 

Blog do Tarso –  O senhor é pré-candidato para a eleição de Prefeito de Curitiba em 2012. Com quais partidos que o senhor aceitaria fazer coligação?

Dr. Rosinha – O PT definiu em seu 4º Congresso que os únicos partidos com os quais estão vetadas coligações são DEM, PSDB e PPS.

Na qualidade de pré-candidato, aceito coligar com todos os partidos da base aliada da presidenta Dilma, destacando que, a meu ver, o PT deve encabeçar essa aliança em um primeiro turno. A exceção em Curitiba seria o PSB, que por aqui está totalmente alinhado com a direita.

Se eventualmente não conseguirmos chegar a um segundo turno, daí, sim, poderíamos debater o apoio a um ou outro candidato.

Blog do Tarso –  Haverá disputa interna no PT? Inclusive com o deputado Tadeu Veneri?

Dr. Rosinha – Historicamente, o PT é um partido muito intenso, com muito debate, muita disputa interna. Sempre foi assim e espero que sempre seja. É um dos pontos fortes do partido.

No momento, a disputa em Curitiba se dá entre os que querem a candidatura própria e entre a ala que defende o apoio ao candidato de outro partido já no primeiro turno. Decidiremos por uma das duas propostas num encontro em abril, no qual todos os filiados em dia com o partido poderão votar.

Se a tese da candidatura própria sair vencedora, passaremos a discutir qual o melhor quadro para disputar a prefeitura da capital. O meu nome e o do deputado Tadeu Veneri já estão colocados.

Blog do Tarso – Quem o senhor acha que está um pouco mais à esquerda, Gustavo Fruet ou Luciano Ducci?

Dr. Rosinha – Ambos fazem parte de um mesmo grupo político. As concepções, tanto de um quanto de outro, estão distantes de qualquer coisa que possamos definir como pensamento de esquerda.

Ducci é o candidato a prefeito do atual governador Beto Richa, que tem implantado no estado medidas franca e abertamente lernistas.

Fruet vem do mesmo grupo. No Congresso, foi um dos maiores críticos do governo Lula, não com o mesmo grau de hostilidade de um Arthur Virgílio, mas no mesmo viés do PSDB, conservador.

Ainda ontem, na campanha de 2010, ele era visto andando de mãos dadas com Richa e Serra.

Ambos só estão à esquerda quando sentados: estão à esquerda de alguém.

Blog do Tarso –  Caso o senhor se eleja, o que fará com o ICI – Instituto Curitiba de Informática?

Dr. Rosinha – Fácil. Deixará de existir no atual modelo. Mudaremos o modelo e faremos com que todas as atividades e ações na área da informática sejam desenvolvidas por empresa estatal ou pública. Ou seja, acabarei com mais uma privataria tucana.

Blog do Tarso – Qual sua opinião sobre as Organizações Sociais – OSs criadas no Governo FHC e Beto Richa, a Fundação de direito privado de Luciano Ducci e a Empresa Estatal de Saúde criada pelo Governo Lula? O senhor prefere que a saúde seja prestada por autarquias ou pela Administração direta?

Dr. Rosinha – Fui um dos que lutou para que a Constituição de 1988 garantisse a saúde como um direito do cidadão e dever do Estado.

Sob o ângulo da legalidade e do modelo de gestão, é possível dizer que as organizações sociais não cumprem os pressupostos legais para garantir ao cidadão o direito à saúde.

Os outros dois modelos se diferenciam das OSs. Dependendo do que dispõe a legislação que as criam (fundações ou empresas), elas podem garantir o serviço totalmente público, com transparência e sem duas portas de entrada.

É o caso da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares. Chamo a atenção que a Ebserh não pode ser considerada uma terceirização dos serviços, já que está definido no projeto que todos os atendimentos devem ser realizados via SUS. Ou seja, não terá leitos privados. Todas as compras também devem ser feitas por licitação e todos os funcionários, contratados através de concurso público.

Blog do Tarso – Socialismo ou social-democracia? Hoje o PT é social-democrata?

Dr. Rosinha – Eu sou socialista. Quanto ao PT, o que acontece é que, ao chegar ao governo, o partido foi obrigado a fazer certas concessões, por conta do modelo político vigente, o presidencialismo de coalizão.

Mas isso é uma questão de governo. O partido, sua base, continua carregando as bandeiras históricas do socialismo, da igualdade.

Isso ficou claro no nosso 4º Congresso, em 2011, quando aprovamos medidas como, por exemplo, a paridade de gênero nas chapas do partido.

Blog do Tarso – Qual sua opinião sobre o Governo Requião? E o Governo Beto Richa?

Dr. Rosinha – Embora com algum viés personalista e problemas como a prática do nepotismo, Requião fez uma gestão com vários pontos positivos: priorizou a área social, apoiou os programas do governo Lula, barrou as privatizações e terceirizações, acabou com a farra dos gastos em publicidade da era Lerner, entre outras ações elogiáveis.

Já Beto Richa tem retomado as mesmas políticas de direita de seu padrinho, Jaime Lerner. Além de repassar serviços públicos para organizações sociais, Richa inovou ao praticar uma espécie de supernepotismo, inflando as secretarias comandadas por seu irmão e por sua esposa.

Isso sem contar o primo dele dirigindo o Detran e o filho nomeado por Luciano Ducci na Prefeitura de Curitiba, um típico caso de nepotismo cruzado.

Assim como Serra em São Paulo, Richa demonstrou que é um político sem palavra. Em 2008, quando era prefeito e candidato à reeleição em Curitiba, ele disse com todas as letras que cumpriria os quatro anos de mandato, se fosse eleito.

Beto Richa também prometeu não fazer novas privatizações, mas novos trechos de pedágio serão concedidos em breve. Vemos uma tendência clara pró-interesses privados em várias outras áreas, como na Celepar, por exemplo.

Não se pode esquecer ainda que o PSDB do Paraná vive uma crise séria com o escândalo Derosso. Vão mesmo dar a legenda para ele, com a ficha suja que tem, ser candidato tucano a vereador em outubro?

Representante da elite curitibana, Beto Richa sempre foi um parceiro de Derosso e não deve deixá-lo na mão, assim como não deixou na mão o Ezequias Moreira, lembra dele? Aquele que teve a sogra fantasma nomeada por Beto Richa e hoje é funcionário de confiança do governo estadual. Esse é o tão falado “novo Paraná”…

Blog do Tarso –  O que o senhor acha do PSD?

Dr. Rosinha – É um partido amorfo em termos ideológico e programático. Foi criado para aderir ao governo, seja ele qual for.

O Gilberto Kassab criou a legenda depois que a eleição da presidenta Dilma mostrou uma oposição sem rumo, criou para poder aderir ao governo.

Veja o exemplo de São Paulo: namorava o PT, mas bastou o José Serra lançar sua pré-candidatura a prefeito e aparecer na frente nas pesquisas, e lá foi o PSD atrás.

É aquele tipo de legenda que a gente diz que não é de esquerda, nem direita, nem de centro – muito pelo contrário.

Blog do Tarso –  O que o senhor acha das medidas neoliberais de prefeitos e governadores do PSB e de outros partidos ditos de esquerda?

Dr. Rosinha – Quando Lula assumiu a Presidência da República, imperavam no Brasil as políticas neoliberais. Essas políticas haviam ganhado corações e mentes dos governantes, e não havia espaço para outras ideias.

Lentamente, Lula foi fazendo a transição para outro modelo, o do desenvolvimento. Hoje, com Dilma, estamos deixando para trás o neoliberalismo.

Muitos governantes, por inércia, medo ou por ideologia, insistem no neoliberalismo, mas creio que logo mesmo o mais empedernido dos neoliberais enxergará  que este modelo não dá certo.

Como sua pergunta se refere aos que se dizem de esquerda e persistem nesse modelo, tenho comigo que não são de esquerda, mas oportunistas que usam uma sigla de esquerda para ganharem eleições.

Blog do Tarso – O senhor está acompanhando a gestão do primeiro prefeito do PT na região metropolitana de Curitiba? O que acha do Governo do Luizão?

Dr. Rosinha – Acompanho à distância, e o que vejo são resultados positivos em todas as áreas. Tem diminuído a violência, melhorou o atendimento na saúde, inclusive reabriu o hospital.

Atacou e reduziu bastante as enchentes, investiu em cultura e educação. Poderia ampliar a lista de seus feitos, mas não é o caso. Só afirmo que é, se não o melhor, um dos melhores prefeitos da região metropolitana.

Blog do Tarso –  Por que o senhor e o PT defendem o financiamento público de campanha e o voto em lista na reforma política?

Dr. Rosinha – O financiamento público de campanha é necessário porque é uma forma de combater a corrupção. Hoje, o que se vê são empresas que fazem doações para campanhas –às vezes para vários candidatos que concorrem para o mesmo cargo– esperando depois poder lucrar em cima dos mandatos.

Ou seja, não doam por questões ideológicas, mas na perspectiva de posteriormente conseguir contratos e outros favorecimentos.

Assim, de certa forma hoje as campanhas já são financiadas, de maneira indireta e ilegal, com dinheiro público.

Com o financiamento público, isso acaba, porque se eu não lhe dou dinheiro hoje, não posso te colocar contra a parede mais tarde. Se conseguirmos aprovar o financiamento público, teremos mais transparência nos gastos das campanhas.

Sei que não acaba, mas criaremos mecanismos mais efetivos para evitar o famigerado caixa dois.

Já o voto em lista fechada é bom porque fortalece os partidos, os projetos. Os partidos no Brasil hoje são muito carentes de projetos, são personalistas, centrados em caciques. Você vota em uma pessoa, não vota em um projeto de país, Estado ou município.

Tem gente que diz: “ah, mas o voto em lista favorece o PT”. Se favorece é porque temos projeto. Se aprovarmos o voto em lista, outros partidos serão obrigados a elaborar projetos. Isso é bom para o país, enriquece o debate.

Blog do Tarso – Deputado Doutor Rosinha, obrigado pela entrevista esclarecedora e boa sorte nas prévias e quem sabe na eleição!

Entrevista com Tadeu Veneri na Gazeta do Povo

Foto de Henry Milléo/Gazeta do Povo

“Temos cada vez mais uma cidade do espaço privado”

Tadeu Veneri (PT), deputado estadual

Publicado em 11/01/2012 | CAROLINE OLINDA

O deputado estadual Tadeu Veneri diz não abrir mão de disputar internamente a indicação do PT para ser candidato à prefeitura de Curitiba. Contra essa vontade, aparece a ala majoritária do partido, que já indicou a intenção de fazer uma aliança e apoiar a candidatura de Gustavo Fruet (PDT). Além desse grupo, Veneri ainda tem como pedras no caminho os deputados federais Dr. Rosinha e Angelo Vanhoni, que também se colocam como pré-candidatos petistas.

Apesar de toda essa disputa interna, o deputado afirma que o PT manterá a unidade na eleição. “Sabemos que não há a menor possibilidade de nós crescermos no processo eleitoral se não tivermos unidade.”

Quem é

Tadeu Veneri (PT)

– Nasceu em União da Vitória (PR), em 1953.

– Está no terceiro mandato como deputado estadual.

O pré-candidato Gustavo Fruet (PDT) afirma que negocia com o PT uma aliança. Como está a situação do partido em relação à eleição de 2012?

Por todo o carinho que tenho pelo Gustavo, há um equívoco nessa afirmação dele. Não há negociações com o PT. Ele está negociando com pessoas do PT e com uma ala. Oficialmente, o PT tem um calendário para decidir por ter candidatura própria. Se o Gustavo está entendendo que está negociando com o PT, alguma coisa está errada nessa conversa. Em nome do PT, não há negociação. Temos um calendário produzido pelo diretório nacional e não vai ser um dirigente que vai se sobrepor ao partido. Seria uma situação surreal nós acharmos que pessoas individualmente são maiores que o processo coletivo.

Mas a cúpula do partido tem defendido haver um único candidato da base.

A cúpula tem o direito e a legitimidade de querer o que ela quiser, desde que ela passe pelos pressupostos internos partidários. Ela pode ter desejos e isso é legítimo. Mas daí a você ter esse desejo transformado em realidade, tem um caminho chamado partido. E eu não abro mão de disputar internamente a candidatura.

Ter várias candidaturas de oposição diminui a possibilidade de derrotar o atual prefeito?

Se a disputa for polarizada, eu não tenho a menor dúvida de que quem ganha é o candidato que estiver no governo, seja o candidato que for, seja do partido que for. Porque você polariza entre continuar com a administração ou romper com essa administração. Tem a vantagem também de toda a estrutura da máquina pública, que é considerável, a vantagem das relações construídas com segmentos empresariais e com segmentos da sociedade que a oposição tem dificuldades de atingir. Essa disputa feita entre um candidato de oposição e um de situação leva o candidato que tem uma avaliação de governo positiva e uma avaliação pessoal positiva a vencer no primeiro turno. Então, nós entendemos que se o PT tiver candidatura própria, o PPS, o PDT, o PMDB e enfim, se todos os partidos que têm condições de fazer questionamentos sobre a cidade, o resultado disso será melhor para todos nós. Incluindo o prefeito Luciano Ducci (PSB). Isso porque, se eleito numa situação que, de alguma forma o leve a assumir compromissos explicitados publicamente, seu governo terá um perfil muito melhor.

O PT tem hoje três pré-candidatos colocados. Isso enfraquece uma possível candidatura do partido?

Não. Eu acredito que nós três [além do próprio Veneri, também são pré-candidatos do partido os deputados federais Dr. Rosinha e Angelo Vanhoni] temos claro que qualquer um que venha a ser o indicado será o indicado do partido. E sabemos que não há a menor possibilidade de nós crescermos no processo eleitoral se não tivermos unidade. E a unidade se dá, não no discurso, se dá na prática. Temos um tempo para fazer a divergência e para a multiplicidade de opiniões que antecedem as decisões.Mas temos de ter unidade na ação.

Já pensa em alguma inovação para a cidade?

Curitiba foi aprisionada em alguns pressupostos que particularmente eu não concordo. Um deles é que Curitiba é conservadora, que sempre foi desse jeito e não tem como mudar. Dessa forma, se aprisiona a alma da cidade e se repete isso indefinidamente pa­­ra que as pessoas realmente acreditem que não há, por exemplo, como ter um processo que substitua o automóvel por um sistema de transporte mais eficiente […]. Esse é um pressuposto que, me parece, está muito presente. Então, as coisas que nós gostaríamos de alterar seriam essas relações entre as pessoas que olham o ônibus talvez como um castigo e fazer com que o ônibus passe a ser um direito.

Qual a opinião do senhor sobre o projeto do metrô?

O metrô é importante. Mas o metrô é para daqui a dez anos. Engana-se aquele que pensa que, em três anos, o metrô estará sendo utilizado como em todas aquelas fotografias belíssimas, com a limpeza que se pretende, com todas as linhas funcionando. Não é verdade. E daqui a três anos vão dizer: “Olha, não deu certo agora. E vamos esperar mais três”. Aliás, a Linha Verde era para estar inteira pronta há oito anos. Acho que se faz muito da política da empulhação, do processo de mistificar essa cidade como se fosse perfeita, e não se discute o que acontece para que se tenham índices tão diversos e situações tão diferentes. Uma cidade onde as pessoas andam o tempo inteiro com os vidros dos carros fechados, uma cidade que está se “enguetando” [criando guetos] cada vez mais em condomínios fechados, se fechando em prédios com cercas, com grades, com cachorros. Você está tirando dos parques, das praças e transferindo esse espaço público para o espaço privado. Você olha os shoppings como o único lugar em que pode andar sossegado aos sábados e aos domingos à noite. É o caos. Porque você separa a cidade. E, quando você parte a cidade, não pode pedir para aqueles que ficam de fora que não tentem entrar.

Mas essa não é uma característica exclusiva de Curitiba. Acon­tece em cidades grandes de todo o país.

É do país, mas é muito específica de Curitiba. Curitiba tem uma dificuldade muito grande de olhar para si mesma. As pessoas que aqui estão têm uma dificuldade muito grande de reconhecer que nós temos problemas e a primeira forma de você resolver o problema é reconhecer que ele existe. Quando se fala dos problemas de Curitiba, automaticamente quem está no poder, até mesmo a parte intelectual da cidade, entende que você está falando mal da cidade. Mas se ignora que você está gastando R$ 40 milhões para um eixo urbano interno da cidade e a 10 quilômetros do centro você não tem condições de andar porque as calçadas não existem. Quem se beneficia do que a cidade produz? Como se beneficia do que a cidade produz? […] Temos cada vez mais uma cidade do espaço privado, com aqueles que podem e que fazem, e aqueles que não podem, mas que querem fazer. E aí as coisas se complicam.

Quais as soluções para melhorar o sistema de transporte público e o trânsito?

Sou contra penalizar o motorista do transporte individual sem que ele tenha a opção do transporte público. Se você tivesse um transporte público de excelência, poderia fechar parte das ruas do centro de forma a dificultar que o transporte individual prevaleça sobre o transporte público. Também poderia ser aberta a possibilidade para que as pessoas pudessem ir para o seu local de interesse e ter um tempo para voltar sem ter de pagar nova passagem. Também se tivéssemos uma cultura de o terminal ser um espaço onde as pessoas possam se encontrar, onde tenha um bicicletário correto, um estacionamento correto, onde se tenha segurança, obviamente que as pessoas iriam preferir andar de ônibus. Não num processo curto e imediato, mas num processo de médio e longo prazo. Mas, se nós não pensarmos o que queremos de Curitiba para daqui 30, 40 ou 50 anos, não vamos conseguir pensar o que queremos de Curitiba para daqui seis meses.

Estaria disposto a ampliar as ciclofaixas?

Não é lógico que uma cidade que tem quase 2 milhões de habitantes use todas as suas vias ou 99% delas com estacionamentos para carros. Se você tem estacionamento dos dois lados da via, por que você não pode ter estacionamento em um dos lados e do outro ter espaço para a bicicleta? Mas não basta ter ciclovias ou ciclofaixas sem que se coloque nas empresas um alojamento correto para que a pessoa possa trocar de roupa, tomar um banho, se achar necessário.

Quem é o curitibano?

Uma pessoa extremamente generosa.

E como definir Curitiba?

Também uma cidade extremamente generosa. Generosa porque recebe a tudo e a todos. Por isso que virou essa bagunça que ela é.

O que o senhor viu em outras cidades que adaptaria a Curitiba?

Temos experiências geniais em cidades do mundo todo na parte cultural, como em Barcelona, Porto Alegre e São Paulo.

O curitibano é tímido ou fechado?

Quem acha que o curitibano é tímido ou fechado nunca foi a um estádio de futebol.

O senhor costuma andar de ônibus?

Eu uso o Inter 2 todas as manhãs às 8h30. Mas é muito confortável para eu vir porque eu não venho às 6 horas ou ao meio-dia. E essa linha, no trecho que eu pego, que é do Colégio Militar ao Centro Cívico, é mais tranquila.

Entrevista com o pré-candidato a prefeito de Curitiba Mauricinho Tucanus

Divulgo a entrevista que um importante meio de comunicação de Curitiba fez ao pré-candidato a prefeito de Curitiba, Mauricinho Tucanus:

O senhor prefere se ir para o trabalho de Ferrari ou Harley Davidson?

Então, tipo assim… Não gosto muito de trabalhar, aprendi isso com o papai e com o vovô. Uso minha Ferrari nos dias chuvosos e a Harley nos dias de sol.

O que o senhor costuma ler?

Não gosto muito de ler, vejo mais televisão, principalmente o BBB, o Manhattan Connection e o programa do Tucano Huck. Adoro o Diogo Mainardi. Mas leio a revista Veja e a Caras.

Como o senhor se define?

Não sou nem de esquerda, nem de centro, nem de direita.

Do que o senhor mais gosta na cidade?

Quando entro no elevador e ninguém me dá bom dia.

Do que menos gosta?

Do povão com dinheiro, quando invade os locais que costumo frequentar.

Qual o seu lugar favorito em Curitiba?

Minha cobertura no Batel.

E para o senhor, quem é o curitibano?

O meu clube.

E como definir Curitiba?

É o melhor restaurante da cidade, o Bar Curityba.

Do que o senhor sente falta quando está fora de Curitiba?

Do meu papai.

Existe algo que o senhor viu em outra cidade e que adaptaria a Curitiba?

Estátua da Liberdade e Torre Eiffel.

O curitibano é fechado?

O Clube Curitibano não fechou não, está aberto. Vou lá jogar golf.

Em qual época a cidade é mais bonita?

Não leio a Época, leio a Veja.

Alguma lembrança de infância?

Quando meu papai me deu o primeiro carro aos 12 anos.

Qual a sua praça favorita?

Nenhuma, todas são publicas. Posso citar a praça do meu condomínio?

Alguma feira que frequenta?

As feiras de carros, são as melhores.

Existe algum local pouco conhecido de Curitiba que o senhor indicaria a um amigo visitar?

Posso indicar ótimos restaurantes.

Existe um personagem histórico da cidade que o senhor admira?

Jaime Lerner.

E da atualidade?

Beto Richa.

Se um gênio da lâmpada concedesse um pedido para o senhor fazer uma única mudança em Curitiba, o que mudaria?

A transformaria em Nova York.

Alguma proposta de inovação para a cidade?

Transformar o Batel e o Ecoville em condomínios fechados.

Como melhorar o trânsito da cidade?

Proibindo pobres de terem carros.

É possível fazer ciclofaixas em toda a cidade?

Concordo com as ciclofaixas de final de semana do atual prefeito Luciano Ducci (PSB). Bicicleta é para diversão, e não para ir ao trabalho.

Qual meta social o senhor gostaria de atender?

Então, tipo assim… As colunas sociais dos grandes jornais poderiam aumentar né?.

O que mais o irrita no trânsito como motorista?

Detesto encontrar fuscas pela rua.

Qual a opinião do senhor sobre o metrô?

Vou instalar os trens da Disney aqui.

Lula ou FHC?

FHC, claro!

Qual sua opinião sobre o golpe de 1964?

Que golpe? A Veja disse que foi uma revolução gloriosa.

Quais suas principais propostas?

Pena de morte, redução da maioridade penal para 4 anos, fim do bolsa família, proibição da união estável entre homossexuais, obrigação do ensino religioso nas escolas públicas, privatização de tudo, fim dos concursos públicos e licitações.

Coxa ou Furacão?

Prefiro o São Paulo.

Praias do Paraná ou Santa Catarina?

Nunca fui, adoro Miami, onde há mais anticastristas no mundo.

Para turismo Foz do Iguaçu ou Rio de Janeiro?

Disney.

Um lugar que nunca iria?

Cuba, o Jornal Nacional e o pastor disse que lá é coisa do capeta.

Se eleito quem serão seus secretários?

Cassio Taniguchi, Fernando Francischini, Jair Bolsonaro, minha esposa, meu irmão, meu filho e toda a família do meu ídolo, Beto Richa.

Entrevista exclusiva com Rafael Greca, pré-candidato a prefeito de Curitiba pelo PMDB

Rafael Greca, pré-candidato a prefeito de Curitiba pelo PMDB

Na entrevista exclusiva para o Blog do Tarso, por e-mail, Rafael Greca preferiu não dizer se é de esquerda, centro ou direita, pois é um “humanista”. Deixou claro que o presidente do Plano Real foi Itamar Franco e seu Ministro Rubens Recupero. Alertou que Cassio Taniguchi (DEMO), Beto Richa (PSDB) e Luciano Ducci (PSB) não fizerem nenhuma obra importante e que a Linha Verde não vale porque ainda não terminou e nem foi projeto deles. Denunciou que a excessiva terceirização dessas gestões engessou o Município, que perdeu em ousadia, coragem, eficiência e inovação, e que a cidade e a Câmara Municipal estão dominadas por interesses espúrios. Criticou as terceirização, que fazem o prefeito perder poder, que passa a ser um pagador de contas e a cada dia manda menos e paga mais.

Rafael Greca de Macedo nasceu em Curitiba, em 17 de março de 1956. É filho de Terezinha Greca de Macedo e do engenheiro Eurico Dacheux de Macedo e casado com a jornalista Margarita Pericás Sansone. É formado em Economia e Engenharia, com especialização em urbanismo. Membro concursado do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba. Vereador, Deputado Estadual constituinte, Prefeito de Curitiba, Deputado Federal mais votado do Brasil, Ministro de Estado do Esporte e Turismo. Recebeu inúmeras condecorações e prêmios internacionais. Entre os mais significativos, o “Prêmio Mundial do Habitat 1996”, ou “World Habitat Award 1996”, da Organização das Nações Unidas, pelo conjunto de sua obra humanitária. Escritor, poeta, editor e pesquisador da História, membro da Academia Paranaense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná. Presidiu a Companhia de Habitação do Paraná entre 2007 e abril de 2010, quando assumiu mandato de deputado estadual. Seu site é o www.rafaelgreca.org.br.

Blog do Tarso: Como foi sua carreira política até ser prefeito de Curitiba?

Rafael Greca: Ainda no colégio Medianeira liderei a mobilização pela FIEL – Feira Intercolegial e Estudantil do Livro, que acontecia todo maio na praça Osório. Na Universidade Federal do Paraná fundei o jornal O Pêndulo, da escola de Engenharia, depois apoiado pelo DCE. Organizei o primeiro encontro pós-ditadura de Jornais Universitários do Brasil. Criei , com apoio da sociedade curitibana, a Festa da Igreja da Ordem, para mobilizar a comunidade em torno de causas culturais e humanitárias.

Vereador, eleito em 1982, participei da campanha das Diretas Já, liderei a bancada Pró-Cidade contra os vereadores “na gaveta“ do transporte coletivo de Curitiba. Combati a tentativa de privatizarem a rede municipal de ensino. Criei um curso de urbanismo para meus colegas de Câmara entenderem a cidade que diziam representar. Promovia a despoluição visual da rua XV e do centro histórico, com a Fundação Roberto Marinho.

Fui aprovado engenheiro do IPPUC, em primeiro lugar no concurso público de 1990.

Deputado Estadual , orgulho-me de ter lutado ao lado do Magistério, mandando abrir os portões da Assembléia para salvar das bombas os professores reprimidos a 30 de agosto de 1988. Constituinte Estadual,relatei o capítulo Da Ordem Econômica e Social da atual Constituição do Paraná (1989) e dei-lhe a redação final.

Fui provedor da Casa dos Pobres São João Batista – albergue, casa de apoio para doentes vindos do interior, e creche -mantendo-as com as famosas e animadas Festas da Ordem, no centro histórico de Curitiba.

Então deputado pelo PDT, liderei no Paraná o Movimento Nacional Leonel Brizola, ocasião em que convivi e conheci grandes brasileiros, o professor Darcy Ribeiro , o poeta Thiago de Mello, os deputados Brandão Monteiro, Bocayúva Cunha, Doutel de Andrade, Márcio Moreira Alves, os irmãos Villas Boas, Ziraldo, Millôr e a turma do Pasquim.

E depois da eleição a Prefeito, como foi sua trajetória?

Prefeito dos 300 anos de Curitiba (1993-1996), pude realizar 6.600 novas obras, além da usual conservação da cidade, em 4 anos. Não tive direito a reeleição, então proibida no Brasil.

Tive a alegria de criar e implantar – com a valorosa equipe da Prefeitura Municipal de Curitiba – programas depois imitados nacionalmente e no exterior:

Faróis do Saber (55) – primeiras bibliotecas de bairro, com  módulos de segurança e lan houses públicas do Brasil.

Ruas de Cidadania (8) – sedes regionais da Prefeitura, com biblioteca de 15 mil livros, centro de saúde 24 Horas, Armazém de Família e serviço de Advogados do Povo, pioneiros no Brasil.

O primeiro Restaurante de R$ 1 do Brasil.

A rede Farmácias Curitibanas, as primeiras farmácias básicas com 80 genéricos gratuitos do país, inaugurada, em 1994, pelo ministro da saúde Jamil Hadad.

E ainda, o projeto Carrinheiro Cidadão, Tudo Limpo – mutirões de ação social – Nascer em Curitiba Vale a Vida (1993) – depois chamado Mãe Curitibana (1999), rede de 10 Postos de Saúde 24 Horas e 105 postinhos de saúde 12 Horas, Hospital Amigo da Criança (no Bairro Novo), Pousada de Maria – para mulheres vítimas ou ameaçadas de violência, Vale Vovó/ SOS Idoso – programa pioneiro de renda mínima no BR. Implantei a central de marcação de consultas e internamento hospitalar por telefone e computador – no meu tempo funcionava.

Fiz asfaltar os 3 anéis de ônibus interbairros. Pude comprar 99 ônibus bi-articulados, levei a rede municipal integrada de transportes a todas as cidades metropolitanas vizinhas a Curitiba.

Dos 20 parques da cidade fiz 11 deles – Tanguá, Tingui, Bosque Ucraniano, Bosque Alemão, Bosque Italiano, Bosque de Portugal, Bosque da Fazendinha, Mané Garrincha, Parque dos Tropeiros, Parque do Semeador, Bosque do Trabalhador. Na verdade, fiz 12, pois já havia criado, na gestão Lerner, em 1980, o Bosque do Papa, como mentor intelectual da obra municipal.

Canalizei, draguei e drenei a maioria dos rios de Curitiba, enterrando obras que não aparecem mas são essenciais para o bom funcionamento da cidade.

Instalei o palco da Pedreira Paulo Leminski, aberta aos grandes espetáculos de José Carreras, Roberto Carlos, Ana Botafogo, Arthur Moreira Lima e Sinfônica Brasileira, Gilberto Gil e Caetano Veloso, Paul McCartney, em eventos de ingressos trocados por lixo reciclável.

Criei a Linha Turismo, com os primeiros ônibus urbanos do país, quiçá do mundo, movidos a bio-combustível, Isto trouxe a Curitiba o senador Timothy Wirthy secretário de Meio Ambiente dos EUA e me levou a falar no circuito universitário da costa leste daquele país, o MIT – Massachusets Institut of Tecnologhy incluído.

Trouxe para Curitiba o Prêmio Mundial do Habitat de 1996. 

Deputado Federal mais votado do Brasil em 1998, fui convidado a ser Ministro de Esporte e Turismo do Brasil e Ministro presidente do comitê ministerial bi-nacional dos 500 anos do Brasil pelo presidente Fernando Henrique Cardoso.

Deputado Estadual presidi as comemorações dos 150 anos do Paraná, em 2003, ocasião em que lancei o programa Bibliotecas Cidadãs, e fiz editar a coleção Páginas Escolhidas – síntese da identidade paranaense em 5 volumes.

Secretário de Estado da Habitação, presidi a Cohapar , viabilizando 32 mil novas moradias, das quais 5500 pelo PAC da Habitação nas áreas de risco dos mananciais de água de Curitiba. Ganhamos 3 vezes o Prêmio Nacional de Habitação pelos melhores projetos entre todas as Cohabs do Brasil.

O senhor se considera de direita, de centro ou de esquerda?

Sou humanista. Adepto das idéias de Heráclito de Éfeso: você pode olhar diversas vezes um mesmo rio, nunca é a mesma água que você vê. Toda visão depende desde onde você olha.

Gosto também do pensamento lúcido da filósofa Hanna Arendt: o poder é uma fatia de cebola percorrida em sentido horário. Quando você está fora dele, todos estão à sua direita, ninguém à sua esquerda. Quando você chega ao núcleo, ninguém está à sua direita, todos estão à sua esquerda.

O senhor foi Ministro de FHC e hoje seu atual partido foi e é da base de apoio dos governos Lula e Dilma. Quem foi melhor no governo federal, PT ou PSDB?

Assim como não se apita um jogo de futebol por vídeo-tape, não se pode comparar dois diferentes momentos da história nacional e da conjuntura econômica e política mundial que a influencia.

Cada momento é único.

O Brasil aplaudiu o fim da inflação e o plano Real – criado pelo Itamar Franco e seu genial ministro Rubens Ricúpero, que tive a honra de receber em Curitiba quando prefeito. Levei-o passear de bi-articulado até o Boqueirão, o povo o aplaudia agradecido.

O presidente Fernando Henrique sancionou a Lei de Responsabilidade Fiscal e o Estatuto das Cidades. Perdeu-se em não capitalizar o estado com os dividendos econômicos das privatizações. Razão pela qual sofre as atuais acusações deprivataria.

O presidente Lula, grande comunicador, mexeu com as estruturas sociais do país, devolvendo protagonismo ao Governo Federal sem brigar com as classes dominantes, banqueiros e grandes empresários. Surfou com competência e simpatia sobre a onda adversa do Mensalão. Escolheu o melhor para o Brasil, na pessoa da Dilma, com quem tive a honra de trabalhar enquanto – presidente da Cohapar – coordenei o PAC de Habitação no Paraná.

Jaime Lerner ou Roberto Requião?

Ambos pertencem à história de Curitiba e do Paraná. Juntos somam 15 anos de gestão municipal e 20 anos de gestão estadual.  Tive a ventura, de trabalhar com os dois.

Eles me conhecem, sabem de minhas qualidades e defeitos. Quem não os tem? Ambos me escolheram seu candidato a prefeito de Curitiba, em momentos diferentes. Isto me honra.

Ambos sabem que o que me qualifica a ser pré-candidato a prefeito é meu amor pela nossa terra e nossa gente.

Quais suas criticas as gestões posteriores a sua na Prefeitura de Curitiba?

Diga você, rápidamente, uma obra importante depois que eu saí da Prefeitura?

A Linha Verde não vale, porque ainda não terminou. Nem foi projeto deles.

A excessiva terceirização engessou a nossa competente Prefeitura, que perdeu em ousadia, coragem, eficiência e inovação. Hoje a cidade, com a Câmara Municipal dominada por interesses espúrios, está esmagada por interesses alheios à nossa  história.

Qual sua opinião sobre as privatizações via Organizações Sociais – OS e a da Maratona de Curitiba? Vai manter o ICI se eleito?

Terceirização faz o prefeito perder poder. Passa a ser um pagador de contas. Cada dia manda menos e paga mais. Ontem, fui ao Bosque Ucraniano. Até o museu de pêssankas – ovos de Páscoa pintados a mão – é terceirizado. Do 156 aos Museus, passando pelas Maratonas, Viradas Culturais, Natal, Transporte Coletivo tudo é terceirizado. 20 % mais caro, no mínimo.

Isto significa que a Cidade perde e alguém embolsa.

O que o senhor acha do partido do prefeito Luciano Ducci (PSB) em Curitiba, que mesmo com o nome “socialista” pratica uma política conservadora?

Embora reconheça o valor do ideal de igualdade de oportunidades para todos, não conheço este PSB.

Os moradores de Curitiba costumam votar nos candidatos da situação. O senhor imagina por que isso acontece?

Nas últimas 4 eleições municipais os candidatos de oposição não discutiram a cidade. Ninguém pode amar – ou defender – o que não conhece. Sobraram à situação deitar-se – descansada – sobre os louros conquistados em outras gestões anteriores.

Repito a pergunta: diga rápidamente uma obra importante depois que deixei a Prefeitura? E repito a resposta:A Linha Verde não vale, porque ainda não terminou. Nem foi projeto deles.

Quem é seu vice ideal? O senhor esta conversando com quais partidos?

Fui ao congresso municipal do PC do B. Fui à sede do PV. Conversei com o pessoal do novo partido Pátria Livre. Conversei com os históricos do PDT, com o líder do PT no Congresso Nacional. E , é claro, com os líderes nacionais do meu partido, desde 2003, o nosso PMDB. Sempre muito bem recebido

O PMDB do Paraná sempre esteve mais a esquerda do Nacional, em decorrência do Requião. O partido está em crise, já que quase todos os seus deputados estaduais abraçaram o governo neoliberal de Beto Richa? E o Municipal?

Você refere episódios superados. No ano novo já recebi bons sinais do líder Caíto Quintana. Logo teremos novidades. O presidente Waldir Pugliesi foi a todas as plenárias que confirmaram minha pré-candidatura. Presidiu a eleição do Diretório Municipal de Curitiba que consagrou nossa chapa Requião/Greca. Vencemos a convenção municipal com cerca de 807 votantes, 799 votos a favor. Isto num domingo de sol, em julho de 2011, sem mídia, sem máquina, sem comida, sem holerite do pessoal militante da folha, só no ideal. O partido está renovado, tem quadros qualificados, é muito jovem, usa twitter, facebook. Anda de bicicleta, ouve rock e pagode. Mas o importante é que não perdeu sua alma. É apaixonado por Curitiba e pelo bem que a cidade merece.

As classes A e B de Curitiba são privilegiadas. Quais suas principais propostas para a classe D e E? O senhor conhece a periferia atual de Curitiba?

O prefeito serve a todos, sem distinção de classe social. A cidade só melhora quando suas inovações não são de mercado, mas no campo social.

Um Restaurante de R$ 1 serve a todos porque amplia oportunidades, evita necessidade de pedir esmolas, alivia o conflito social.

Se um programa social da F.A.S. (Fundação de Ação Social ) remove populações de rua, aliviando o risco social de pessoas excluídas – por exemplo, na cracolândia que virou nosso centro, os moradores mais ricos, sejam contribuintes do Centro, do Jardim Social, do Batel, ou do Jardim Los Angeles também ganham com isso.

Em ordem inversa. Na gestão Richa/Ducci morreram afogados por ausência de uma política correta de drenagem e dragagem dos rios tanto moradores muito pobres, cidadãos excluídos – que tiveram suas casas arrastadas de favelas beira rio – como um jovem casal da família Baggio que, com seu carrão, foi tragado pelo aluvião do rio Barigui, na ponte da rua Eduardo Sprada, junto aos condomínios de luxo que chamam  de Ecoville.

Nunca me afastei de Curitiba. Na Cohapar fiz um amplo estudo da sub-habitação na nossa amada capital e região. Conheço as quebradas do Tatuquara à Cachoeira, as ocupações beira-rio que não existiam há 15 anos quando fui prefeito, a favela junto aos muros do Ceasa, os mocós do centro histórico – cracolândia em construção. E as ocupações metropolitanas, em Pinhais, Campo Magro, Tamandaré, São José, Piraquara. Há muito serviço a ser feito.

Por isso, num programa de 15 intervenções inovadoras – já em elaboração – nossa principal proposta é uma Prefeitura cuidadora das pessoas, preocupada com as pessoas.

Um país rico é um Brasil sem miséria. Uma cidade verdadeiramente rica é aquela que se importa com as pessoas. Todas as pessoas.  Repito, a cidade só melhora quando a inovação é social, não é de mercado.

Quero agradecer a oportunidade. Proponho que na próxima entrevista você me pergunte sobre idéias de futuro. A conquista da Prefeitura mais do que um trampolim político é ocasião de expor idéias, inovar, ousar, com a coragem daqueles capazes de escrever uma nova história.

Informo que organizarei neste primeiro semestre um debate entre os pré-candidatos na Universidade Positivo, onde será possível a discussão do futuro de Curitiba. Obrigado pela entrevista e boa sorte!

Nos próximos dias entrevista com outro pré-candidato a prefeito de Curitiba. Aguardem!

Blog do Tarso começa série de entrevistas com os pré-candidatos a prefeito de Curitiba

Rafael Greca, ex-prefeito de Curitiba

Não. O Blog do Tarso não está imitando a série de entrevistas da Gazeta do Povo. A idéia da série de entrevistas do Blog do Tarso com os pré-candidatos a prefeito de Curitiba surgiu há dois meses. O problema é que dois pré-candidatos, que por enquanto não divulgarei os nomes, concordaram em participar das entrevistas por e-mail mas, no momento em que chegaram as perguntas, eles não retornaram mais ao Blog com as respostas. O primeiro entrevistado é o pré-candidato do PMDB e ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca, que é leitor do Blog do Tarso e se prontificou na mesma hora em participar da entrevista, que será divulgada no próximo post.