Textos que defendem a privatização via OS, publicados hoje na Gazeta do Povo

FHC criou a privatização via OS no Brasil, copiado por Beto Richa no Paraná

Organizações sociais para quem?

Fernando Borges Mânica

A parceria com uma OS pode fazer com que sejam respeitados direitos, até o momento ignorados, e sejam materializados serviços que são hoje mal prestados ou inexistentes

O tumultuado processo de aprovação do projeto de lei paranaense das Organizações Sociais (OSs) trouxe para muitas pessoas a sensação de que tal lei promove verdadeira e ilegítima privatização do Estado. Mas essa sensação decorre da “forma” como a lei foi aprovada ou de seu “conteúdo”?

De início, insta ressaltar que a Constituição brasileira é pródiga na previsão de direitos aos cidadãos e na imposição de deveres ao Estado, muitos dos quais até o momento não foram materializados. Qual foi a última vez que você precisou de um serviço social do Estado? Você foi atendido de modo rápido, eficiente e satisfatório?

É ingenuidade imaginar que as OSs sejam panaceia para todas as falhas de atuação do Estado na ordem social. Mas, também, é ingenuidade pensar que uma estrutura pública integrada possa ser imune a desvios, ineficiência, apadrinhamento e corrupção. Não é porque aviões são usados em guerras e ataques terroristas que devemos deixar de usá-los como meio de transporte em determinados casos. Até porque os corruptos não precisam das OSs para desviar recursos. Eles já têm o Estado e fazem isso diariamente com cargos em comissão, com “funcionários fantasmas”, com a lei de licitações, com os convênios e por aí vai.

Nesse prisma, o terceiro setor deve atuar em áreas nas quais o Estado não atua ou não possui condições de atuar de modo satisfatório. A parceria com uma OS pode fazer com que sejam respeitados direitos, até o momento ignorados, e sejam materializados serviços que são hoje mal prestados ou inexistentes. Os melhores hospitais brasileiros são privados. E a maioria sem fins lucrativos. Por que não aproveitar seu know-how e fazer com que seus serviços sejam ofertados adequadamente a todos os brasileiros e não apenas à parcela da população mais aquinhoada?

A contratualização permite maior transparência, melhor controle e a possibilidade de comparação entre as atividades, os resultados e os custos de várias entidades que atuam na mesma área. Favorece a profissionalização, agilidade, flexibilidade, cobrança e responsabilização em caso de desvios, de modo muito mais incisivo do que ocorre em entidades públicas e em entidades privadas conveniadas. Não obstante, uma parceria com uma OS deve apenas ser celebrada nos casos em que, justificadamente, a participação privada ofereça tais vantagens. Por isso, a decisão pela parceria deve ser motivada e toda a execução do contrato deve ser transparente, sob pena de nulidade.

Ressalte-se que a Lei das OSs não vai mudar a realidade. O que pode mudá-la são as parcerias a serem celebradas. Que cada uma delas seja objeto de discussão pelo governo do estado, pelos detratores das OSs e, especialmente, pela sociedade civil organizada, que quer ver o direito de todos garantido acima de interesses egoísticos, ideológicos, fisiológicos ou partidários; por meio de serviços prestados com honestidade, transparência e eficiência.

Para que isso aconteça, outra parcela de entidades deve ganhar corpo no Brasil. Tratam-se das organizações não-governamentais (ONGs), que têm como foco a fiscalização do Estado e de suas parcerias. Junto de instituições como o Ministério Público e o Tribunal de Contas, o terceiro setor tem o dever de colaborar com a Administração Pública também na fiscalização dos serviços sob sua responsabilidade. Com o olhar atento da sociedade organizada e dos órgãos oficiais de controle, as OSs podem servir como poderoso instrumento de garantia de direitos sociais que, até hoje, são desrespeitados. Sem esse olhar coletivo, entretanto, as OSs poderão ser usadas para destruir edifícios e fazer implodir o regime jurídico que busca evitar utilização de recursos públicos para satisfazer interesses privados.

Sabe-se que o Estado é um mau prestador e um péssimo fiscalizador de serviços. Que a sociedade civil organizada o auxilie também em sua tarefa de fiscalização, por meio da realização de audiências públicas antes, durante e depois da celebração de parcerias com as OSs.

Com a participação ativa da sociedade organizada em um canal institucional e sob os holofotes da imprensa, o governo terá oportunidade de explicar e discutir detalhadamente os motivos pelos quais a gestão de uma atividade será (ou não) realizada por uma OS. Sem isso, a “forma” influenciará o “conteúdo” das parcerias, fazendo permanecer viva a sensação de que elas servem a interesses outros que não os dos cidadãos paranaenses.

Fernando Borges Mânica, doutor em Direito do Estado pela Universidade de São Paulo (USP), é professor titular de Direito Administrativo da Universidade Positivo e professor de Direito Municipal da Universidade Tuiuti do Paraná. Também é membro da Comissão de Direito do Terceiro Setor da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional do Paraná (OAB-PR).

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A lei e o espírito da lei

Mário Messagi Júnior

O processo foi profundamente antidemocrático e abre brechas para o pior uso possível das OSs

Organizações Sociais (OSs) não são, necessariamente, uma má solução de gestão pública. Uma avaliação justa deve levar em conta não apenas a lei, mas o espírito que a preside, a forma como a lei é implantada, os mecanismos que ela cria ou deixa de criar. OSs podem ser uma boa solução, mas a forma como o governo Beto Richa está trilhando este caminho é, no mínimo, temerária.

As OSs fazem parte de um movimento que cresce cada vez mais de ampliação do terceiro setor, que engloba também Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) e Organizações Não Governamentais (ONGs). Essas entidades atuam em áreas relevantes e de interesse público e muitas vezes cumprem funções de Estado. Materializam ação pública, mesmo que sejam de natureza jurídica privada. Por isso, exige-se delas prestação de contas como se públicas fossem.

Em 1998, o governo Fernando Henrique Cardoso, do mesmo PSDB do governador Beto Richa, pelas mãos do ministro Bresser Pereira aprovou a Lei 9.637, que instituía o Programa Nacional de Publicização. O espírito do texto permitir a qualificação de OSs, para realizarem ações públicas.

As OSs são organizações privadas credenciadas por interesse direto do Estado. Estão assim muito mais próximas da política estatal e atuam por contrato de gestão. OSCIPs e ONGs são também entes privados, mas estão mais distantes das atividades centrais do estado. Firmam parcerias através de convênios e recebem, assim, recursos públicos para executar suas ações, com dever de prestar contas. OSCIPs estão mais distantes do núcleo central de ação do Estado e não podem receber espaço físico, estrutura ou servidores públicos para executar suas finalidades. Orbitam em torno do Estado, mas distantes dele. OSs podem receber servidores públicos cedidos, espaços físico (como hospitais) e estrutura para realizar suas ações. Foi esta distinção fundamental que fez o governo estadual optar por este caminho.

O modelo de controle público sobre OSs, como diz a cartilha do antigo Ministério da Administração e Reforma do Estado (MARE) em 1998, era finalístico e não processualístico. Ou seja, não são os procedimentos que são avaliados prioritariamente, mas os resultados. A ideia não é ruim. A Lei 8.666, que regula as licitações, tem um modelo processual. Quem conhece os procedimentos sabe muito bem como burlar a lei.

Mas o modelo finalístico não funciona em si. Depende da forma como ele é executado. OSs devem ter um conselho de administração composto por até 30% de representantes da sociedade civil e, no máximo, 40% de representantes do poder público. A abertura deste conselho para a participação efetiva da sociedade civil, dando acesso a todos os gastos e procedimentos é fundamental para que não haja corrupção. O que impede os desvios é a transparência do Estado, não a burocracia a portas fechadas. Na cartilha do Mare, a participação da sociedade civil no Conselho é prioritária: “As OSs tornam mais fácil e direto o controle social, por meio da participação nos conselhos de administração dos diversos segmentos representativos da sociedade civil”.

Com a pressa do governo, a composição do Conselho não foi definida, nem houve qualquer avanço na forma de participação da sociedade civil ou na definição do modelo de compras ou do Plano de Cargos e Salários. Nenhum desses aspectos fundamentais foi discutido. Os trabalhadores não têm ideia de como será o sistema de contratação e o que acontecerá com os contratados pela CLT, que são um bom contingente dos empregados em saúde no estado. O modelo de compras também não foi debatido. O processo foi profundamente antidemocrático e abre brechas para o pior uso possível das OSs.

Os salários pagos por essas organizações, que atuam no setor público com recursos públicos, podem ser aviltantes se seguiram a lógica privada que guia as empresas de terceirizações, ferozes perseguidoras do máximo de lucro. O recurso para compra de materiais e serviços pode ser utilizado sem nenhum controle público, longe de olhos incômodos da sociedade civil.

Espero que nada disso aconteça, que o governo mostre o alto espírito público que preside suas ações, mas os sinais emitidos até agora apontam para o sentido contrário. Tudo indica um processo de terceirização efetiva, mesmo usando entes jurídicos que, apesar de privados, devem ser públicos.

Mário Messagi Júnior, jornalista, é doutor em Ciências da Comunicação e foi gestor da área de Comunicação da UFPR de fevereiro de 2009 a julho de 2011.

Enquanto livro denuncia corrupção nas privatizações do FHC, governo Beto Richa quer privatizar via PPP e OS

A revista Carta Capital desta semana divulgou o novo livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr, “A Privataria Tucana”, que denuncia esquema de propinas e lavagem de dinheiro nas privatizações durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), entre 1995 e 2002.

O livro informa que o tucano Ricardo Sérgio de Oliveira, tesoureiro das campanha de FHC e José Serra (PSDB), que foi Diretor Internacional do Banco do Brasil durante a gestão de FHC, mandou milhões de dólares para paraísos fiscais durante o governo FHC, sem ser incomodado por autoridades.

O livro denuncia também que o genro e a filha de José Serra, logo depois da privatização das teles realizada por FHC, lavaram o dinheiro ilícito conseguido por tucanos durante as privatizações, por meio de propinas, com envolvimento também do empresário milionário cearense Carlos Jereissati, irmão do cacique tucano Tasso Jereissati. Carlos comprou parte do sistema Telebrás pagando um ágio de apenas 1%. Os parentes de Serra enriqueceram na época. Lembremos que José Serra foi ministro do Planejamento e da Saúde de FHC.

O autor chama os tucanos de “Privatas do Caribe”.

E nesse momento que o livro desmascara a privataria tucana, e enquanto o terceiro setor (ONGs) é questionado por esquemas nos âmbitos municipais, estaduais e federal, o governador Beto Richa impõe a Assembleia Legislativa do Paraná a aprovação em tempo recorde das leis estaduais que prevêem privatizações via as organizações sociais – OS e Parcerias Público-Privadas – PPP.

Beto Richa vai privatizar a TV Educativa por meio de uma OS

Segundo o Blog do Esmael, o governador Beto Richa (PSDB) vai privatizar a TV Educativa (E-Paraná) por meio de uma organização social – OS, sem a realização de licitação, para não precisar fazer concurso público.

Mas ele não havia prometido que iria privatizar via OS apenas um hospital, o Museu Oscar Niemeyer e a Orquestra Sinfônica?

Livro “A Privataria Tucana” é o presente de Natal do ano. Veja reportagem da Record News

Divulgado pelo Blog do Esmael

Líder do movimento estudantil, Camila Vallejo perde eleição no Chile

Do Opera Mundi

Gabriel Boric será o novo presidente da Fech; analista vê sinal de radicalização

Camila Vallejo, o rosto mais conhecido e carismático do movimento estudantil chileno – que nos últimos sete meses abalou o governo de Sebastián Piñera com protestos, choques e greves – foi derrotada nesta terça-feira (06/12) na eleição para presidente da Fech (Federação de Estudantes da Universidade do Chile), a entidade mais importante do setor.

O resultado, publicado na madrugada de hoje, revela um desejo de radicalizar os protestos estudantis em 2012, já que a corrente vencedora, mais radical, rechaça a via parlamentar como espaço de resolução das demandas estudantis, de acordo com analistas ouvidos pelo Opera Mundi. O novo presidente, o estudante de Direito Gabriel Boric, falou em estabelecer alianças com outros movimentos sociais em 2012.

Haroldo Ceravolo Sereza

Em agosto, Camila Vallejo (ao centro), esteve em Brasília durante ato da UNE

“Nossa proposta é construir novos setores políticos. A atual institucionalidade no Chile não tem largura para conter as demandas do movimento estudantil e nossa proposta será de confluir com diversos atores sociais. Não estamos dispostos a seguir delegando nossa vocação transformadora aos políticos de ontem. Chegamos para ficar”, disse Boric.

Boric apresenta uma mudança em relação a Vallejo por não ter filiação política, nem ideológica. Ele representa uma corrente autonomista, anti partidisma. Por isso, nao está vinculado aos trotskistas ou stalinistas, já que nao é comunista. Tampouco é anarquista. Nao está vinculado a partidos e sua proposta é exatamente anti-partidária.

Oito listas concorreram na eleição, realizada na segunda e terça-feira. A lista vencedora, F, Criando Esquerda, recebeu 4.053 votos. A lista J, Esquerda Estudantil, de Camila Vallejo, terminou com 3.964, uma diferença de apenas 89 votos.

O sistema eleitoral adotado pela Fech, entretanto, prevê que o candidato mais votado da lista mais votada assuma a presidência. E o segundo candidato mais votado, de qualquer lista, assuma a vice-presidência. Assim, embora Camila tenha perdido a presidência, ficará com a vice-presidência da Fech.

Outros representantes de listas menos votadas também farão parte da direção do movimento, assumindo cargos de secretaria geral e comunicação, por exemplo. Nenhum candidato de direita conseguiu votos suficientes para compor a direção e pelo menos um anarquista, da lista I, conseguiu entrar.

O novo presidente [foto ao lado] expressou sua admiração por Camila e elogiou sua “entrega (à causa) a todo custo”. Boric é da região mais austral do Chile, Magalhães. Ele diz que quer liderar “um movimento que não mude apenas a educação, mas que mude o Chile”.

Comunista, Camila era a menos radical

A derrota de Camila, que é membro da Juventude Comunista, é vista pelo analista político chileno Nibaldo Mosciatti como uma opção dos estudantes pelo radicalismo. “De forma aproximada, podemos dizer que a eleição na Fech reproduziu um movimento parecido com o que ocorreu no Chile com a Unidade Popular (governo do presidente socialista Salvador Allende, deposto por um golpe de Estado em 1973)”, disse ao Opera Mundi. “Naquela época, os comunistas representavam a ala menos radical, a ala que defendia a via parlamentar como foro adequado para a resolução dos conflitos, da mesma forma que acontece agora. Mas os setores mais radicais, neste caso, os anarquistas, os autônomos e mesmo os socialistas não veem o parlamento nem a política formal como instâncias representativas”, completou.

Depois de sete meses de paralização dos estudantes, protestos e choques com a polícia, Camila e seu vice, Giorgio Jackson, vinham privilegiando a opção de trasladar o debate político sobre as demandas estudantis para o Parlamento, especialmente para os trabalhos das comissões de Orçamento e Educação, como forma de pôr um fim ao impasse. Mas os setores mais radicais consideram a opção uma derrota.

“Os mais radicais têm a característica de apostar fortemente no assembleismo permanente, na mobilização social abrangente. Falam muito sobre o descrédito dos partidos políticos e culpam o Partido Comunista, de Camila, por ter se aliado à Concertação (coalizão governista de centro-esquerda que governou o Chile nos últimos 20 anos e, do ponto de vista dos estudantes, não promoveu as mudanças necessárias na educação)”, disse Mosciatti.

O Chile terá eleições locais em 2012 e parlamentares e presidenciais em 2013. Camila é uma das três personalidades políticas mais bem avaliadas do Chile – atrás apenas da ex-presidente chilena, Michelle Bachelet, e do ministro dos Transportes do atual governo, Laurence Golbourne, visto como o responsável pela operação de resgate dos 33 mineiros presos em Atacama, em agosto de 2010, quando então era ministro da Mineração. Para alguns analistas, Camila poderia candidatar-se a deputada em 2013.

Opiniões na Gazeta do Povo sobre PPP, imoralidade na Lei Orgânica de Curitiba e possibilidade de nulidade de leis da ALPR

Hoje na Gazeta do Povo

Análise

Para o professor do Dou­torado em Gestão Urbana Denis Alcides Rezende, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), experiências de PPPs em países desenvolvidos têm mostrado que essa é uma boa saída para trazer resultados significativos na qualidade de vida do cidadão. Rezende, pós-doutor em Admi­nistração Pública, ressalta que os contratos devem ser muito bem amarrados, para garantir benefícios a ambas as partes. “Não pode haver apenas desembolso de dinheiro público sem uma contrapartida privada, como ocorre em algumas PPPs”, critica. “Tem de haver equilíbrio. Do contrário, qual será o benefício para o cidadão?”

Por outro lado, o professor de Direito Administrativo Tarso Cabral Violin, da Universidade Positivo, defende que as PPPs são, na verdade, um “capitalismo sem risco”, no qual o poder público patrocina parte da verba envolvida no serviço. “Nas concessões comuns, como das rodovias e do transporte coletivo, a responsabilidade maior fica com a iniciativa privada”, argumenta. “Já nas PPPs, há um risco compartilhado, no qual o ente privado entra com a possibilidade de obter lucro, que acaba sendo assegurado pelo poder público.”

Ele ressalta ainda que determinadas PPPs terminam, em última instância, contrariando a exigência legal de realização de concurso público. “É o caso de escolas e hospitais, que, depois de construídos por meio de uma PPP, passam a ser geridos pelo ente privado”, alerta.

Fiscalização

Os dois professores concordam ao menos em um ponto: na necessidade de haver um controle rígido dos contratos envolvendo PPPs. “Os órgãos de controle e a sociedade civil organizada precisam estar vigilantes para evitar parceiras direcionadas a interesses de grupos políticos e econômicos específicos”, afirma Rezende.

“Uma coisa é firmar PPPs na Europa, outra coisa é o Brasil, onde não há controle social nem atuação eficaz dos órgãos de controle”, argumenta Violin. “Aqui, a possibilidade de fraude, como vemos todos os dias, se torna ainda maior por se tratar de dinheiro público repassado à iniciativa privada.”

Dia 05.12.2011 na Gazeta do Povo

“É pouco democrático que alguém seja eleito pelo povo e possa ocupar qualquer cargo comissionado, talvez favorecendo o suplente, em uma troca de favores”, observou o advogado Tarso Ca­­bral Violin, professor de Direito Administrativo da Universidade Positivo. Para ele, o pior é que essa possibilidade abre brecha para que vereadores se licenciem e mantenham a estrutura de gabinete, onerando os cofres públicos.

Dia 05.12.2011 na Gazeta do Povo

Dois especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo, no entanto, têm outro entendimento. Zilmar Fachin, membro da Comissão Nacional de Estudos Constitu­cionais da OAB, diz que “a possibilidade de se anular os atos é muito forte”. Fachin afirma que tanto a Constituição Estadual quanto a Federal determinam que os vetos, se não apreciados num prazo de 30 dias do recebimento, trancam a pauta e suspendem a votação de qualquer projeto de lei. “Está aí o quadro que pode ensejar a anulação dos projetos aprovados”, afirmou.

O professor de Direito Administrativo da Universidade Positivo Tarso Cabral Violin afirma que, juridicamente, é possível tornar nulos todos os projetos aprovados pela Assembleia. “Os vetos deveriam ser apreciados antes de qualquer proposta de lei.”

 

Charge: hoje na Europa, não lembra as emendas constitucionais do período neoliberal de FHC?

Publicada dia 06.12.2011 no El Pais

Charge: mobilize-se contra os conservadores!

Campanha EUA: ruim com o democrata Obama, pior com os republicanos

Michael Douglas interpreta Gordon Gekko no filme Wall Street – Poder e Cobiça (1987)

Paul Krugman

Mitt Romney fez fortuna destruindo empregos

Publicado hoje na Gazeta do Povo | THE NEW YORK TIMES

Já se passou quase um quarto de século desde que o filme Wall Street – Poder e Cobiça foi lançado, e ele parece estar mais relevante do que nunca. As lengalengas hipócritas de magnatas financeiros condenando o presidente Barack Obama se parecem todas com variações do famoso discurso do personagem Gordon Gekko de que “a ganância é boa”, enquanto as reclamações do Ocupe Wall Street soam iguais ao que Gekko dizia em privado: “Eu não crio nada. Eu sou dono”, ele declara num ponto; em outro, ele pergunta a seu protegido, “Agora você não é mais inocente o bastante para pensar que vivemos numa democracia, não é, amigo?”

No entanto, com o benefício da retrospectiva, podemos ver que o filme errou no final. Ele termina com Gekko recebendo o que merece, e a justiça chega graças à diligência da Comissão de Segurança e Câmbio [SEC, na sigla em inglês]. Na realidade, a indústria financeira só continuou ficando mais e mais poderosa, e os reguladores foram castrados.

E, de acordo com o mercado preditivo Intrade, há uma chance de 45% de que um Gordon Gekko de verdade seja o próximo candidato presidencial republicano.

Eu não sou, é claro, a primeira pessoa a perceber a semelhança entre a carreira empresarial de Mitt Romney e as explorações fictícias do anti-herói criado por Oliver Stone. Na verdade, o grupo Americans United for Change [Americanos Unidos pela Mudança], apoiado pelos trabalhadores, está usando o slogan “Romney-Gekko” como base para sua campanha. Mas há um problema aqui ainda mais profundo do que críticas levianas contra Romney.

Pois a ortodoxia atual entre republicanos é que não devemos sequer criticar os ricos, que dirá exigir que eles paguem impostos mais altos, porque eles são “geradores de empregos”. No entanto, o fato é que um bom número dos ricos de hoje ficou assim destruindo, e não gerando, empregos. E o histórico empresarial de Romney oferece uma ilustração muito boa desse fato.

O Los Angeles Times recentemente pesquisou os registros da Bain Capital, a firma de atividade financeira do tipo “private equity” chefiada por Romney de 1984 a 1999. Como nota o relatório, Romney fez muito dinheiro durante esses anos, tanto para si próprio quanto para seus investidores. Mas ele, com frequência, o fez de modos que prejudicaram os trabalhadores comuns.

A Bain se especializou em aquisições alavancadas, compra de controle de companhias com dinheiro emprestado, em compromisso contra os ganhos e ativos dessas companhias. A ideia era aumentar os lucros das companhias adquiridas, depois revendê-las.

Mas como aumentaram-se os lucros? A imagem popular – moldada em parte por Oliver Stone – é que às aquisições seguiam-se cortes de despesas implacáveis, imensamente à custa de trabalhadores, que ou perdiam seus empregos, ou descobriam que seus salários e benefícios seriam cortados. E, embora a realidade seja mais complexa que esta imagem – algumas companhias expandiram e acrescentaram trabalhadores após a aquisição – ela contém mais do que um grão de verdade.

Uma análise recente de “transações de private equity” – o tipo de aquisição em que a Bain se especializou – notou que os negócios em geral estão sempre gerando e destruindo empregos simultaneamente, e que isso também é verdade sobre companhias visadas pelas aquisições. No entanto, a geração de empregos nas firmas visadas não é maior do que em firmas semelhantes não visadas, enquanto a “pura destruição de empregos é substancialmente maior”.

Assim, Romney fez sua fortuna num negócio que é, após o balanço, mais de destruição do que geração de empregos. E, porque a destruição de empregos prejudica os trabalhadores enquanto aumenta os lucros e renda dos altos executivos, firmas de aquisições alavancadas contribuíram para a combinação de salários estagnados e a alta de renda no topo que tem caracterizado a América desde 1980.

Agora eu já disse que a indústria de aquisições alavancadas, como um todo, tem sido uma destruidora de empregos, mas e a Bain? Por pelo menos um critério, a Bain durante os anos Romney parece ter sido ríspida sobretudo com os trabalhadores, visto que quatro de seus dez alvos principais, por valor em dólar, acabaram falindo. (A Bain, contudo, fez dinheiro com três desses negócios.) Essa é uma taxa de fracasso muito mais alta do que o normal, mesmo em companhias que passam por aquisições alavancadas – e, quando as companhias faliram, muitos trabalhadores acabaram perdendo seus empregos, suas pensões, ou ambos.

Então, o que aprendemos desta história? Não que Mitt Romney, o empresário, era um vilão. Ao contrário do que dizem os conservadores, os liberais não querem demonizar e castigar os ricos. Mas eles têm objeções às tentativas da direita de fazer o oposto, de canonizar os ricos e isentá-los dos sacrifícios que se espera que todo mundo faça, por conta das coisas maravilhosas que eles supostamente fazem por nós.

A verdade é que o que é bom para o 1%, ou melhor, o 0,1%, não é necessariamente bom para o resto da América – e a carreira de Romney ilustra este argumento perfeitamente. Não há necessidade, nem motivo, para se odiar Romney e outros como ele. Nós, porém, precisamos mesmo é fazer que tais pessoas paguem mais impostos – e não deveríamos deixar que os mitos sobre “geradores de empregos” impeçam isso.

Tradução de Adriano Scandolara.

Na campanha Beto Richa andou de fusca e prometeu não privatizar. Agora é Ferrari e privatização!

Beto Richa (PSDB) andado de Ferrai nas 500 milhas de Londrina

Beto Richa no fusca de Mestre Déa, envolvido no esquemão do PRTB filmado pelo Fantástico que respingou em Beto Richa

200 mil acessos ao Blog do Tarso em menos de um ano. Obrigado!

O Blog do Tarso, que começou suas atividades em 1.1.11 para discutir política, Direito, Administração Pública e outras futilidades, acabou de atingir a marca de 200.000 acessos. Gostaria de agradecer todos os advogados, juízes, promotores, procuradores, professores, juristas, estudantes, políticos, jornalistas, corinthianos, militantes e demais membros da sociedade que acessam diariamente o Blog do Tarso!

Continuem comentando, curtindo e compartilhando no Facebook, retuitando no Twitter, criticando e contribuindo para o Blog do Tarso.

E que nossa meta de 20 mil acessos/dia não demore tanto!

Um abraço,

Tarso Cabral Violin

Editor do Blog do Tarso

Beto Richa está “de mal” do Blog do Tarso

Hoje durante o programa olho-no-olho da jornalista Joice Hasselmann, na Bandnews, o governador Beto Richa (PSDB) novamente se negou a responder uma pergunta do Blog do Tarso e disse que “não respeita minha autoridade moral”. Eu perguntaria sobre a privatização via as organizações sociais – OS que ele quer implementar no Paraná.

Apenas porque tenho várias Ações Populares contra o governador, por irregularidades que entendo que ele praticou na Administração Pública, Carlos Alberto entende que faço “perseguição pessoal”.

Francamente governador, é Vossa Excelência que utiliza a máquina pública para se promover, é Vossa Excelência que privatiza, é Vossa Excelência que utiliza de seu poder para empregar parentes e seus “aspones”.

Veja a pergunta que a querida Joice faria, e que o governador Beto Richa se negou a responder porque não aceita um debate franco:

“Sobre a Lei de privatização via OS recentemente aprovada na Assembleia, cujo projeto foi sua proposta: o modelo foi questionado pelo TC de SP (que disse que o modelo é menos eficiente, mais caro e paga menos os profissionais da saúde); o presidente do TC do PR, Fernando Guimarães, recomendou audiência pública prévia; a primeira dama, Fernanda Richa, prometeu que haveria debate com a população antes da aprovação; a maior jurista do Direito Administrativo do Brasil, Maria Sylvia Zanella Di Pietro confirma que OS é privatização; no ano passado durante a sabatina do UOL (tenho o vídeo), Vossa Excelência disse que não privatizaria, que não conhecia o modelo de privatização via OS, manteria o sistema apenas de convênios e elogiou o modelo de saúde estatal de Curitiba; Vossa Excelência teve quase um ano para fazer concurso público para os hospitais públicos estaduais que precisam de médicos; o modelo de repasse de dinheiro público para ONGs vem sendo questionado desde que o governo FHC criou a privatização via OS. Mesmo assim, por que tanta pressão na Assembleia para aprovação em apenas 14 dias da lei das OS, com agressões nos manifestantes e portas fechadas para a votação? Já sancionou a Lei?”
Vai responder Governador Carlos Alberto Richa?

Charge: não importa a divisão ou não do Pará. O que importa, infelizmente, é que a diferença social permanecerá no PA

Discurso de posse de Cristina Kirchner, no qual cita a prisão de Dilma

Vídeo encaminhado pelo Senador Roberto Requião (PMDB-PR).

Charges sobre o livro de Amaury Jr, “A Privataria Tucana”, que prova privataria de Serra

Pesquisa em SP: Lula principal eleitor, Kassab o pior eleitor e Serra com a maior rejeição

Segundo pesquisa do Datafolha divulgada na Folha de S. Paulo de hoje, 48% dos paulistanos podem ser levados a escolher o candidato do ex-presidente Lula (PT), 33% no caso da presidenta Dilma Rousseff (PT), 31% para o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e apenas 13% do prefeito Gilberto Kassab (PSD).

Dos possíveis candidatos a prefeitura de São Paulo, José Serra é disparado o candidato com a maior rejeição, com 35% dos moradores do município de São Paulo que dizem que não votam no tucano de jeito nenhum. O atual ministro da educação, Fernando Haddad (PT), tem a menor rejeição, com 8%.

Que tal democracia direta nos pequenos municípios?

Foto da semana: Beto Richa comemorando as privatizações?

Luciano Ducci desistiu de privatizar a Rodoferroviária após Beto Richa perder credibilidade ao privatizar via OS

Os Bons Companheiros

Hoje na coluna do Celso Nascimento da Gazeta do Povo

Marcha à ré

A prefeitura desistiu da ideia de terceirizar a administração da Rodoferroviária e dos terminais de ônibus da cidade, atualmente sob controle da Urbs. Um edital de licitação para contratar as empresas já estava em elaboração pela Secretaria Municipal da Administração, mas o prefeito Luciano Ducci mandou suspender tudo para não dar motivo a manifestações dos setores contrários à privatização de serviços públicos – bastante alvoroçados desde que o governador Beto Richa fez aprovar a lei que transfere para ONGs a administração de hospitais do estado.

Paranaenses aprovam Beto Richa, mas não sabem o motivo

74% dos paranaenses aprovam o governo Beto Richa (PSDB), conforme a Paraná Pesquisas divulgada hoje na Gazeta do Povo.

O problema é que 55% não sabem o motivo da aprovação e 12% entendem que não há nenhum ponto positivo.

Ou seja, ainda não há uma marca positivo do governo tucano.

Os pontos negativos são os apontados no Blog do Tarso: apatia e privatização.