Ações já chegam em 18 estados e mobilizam mais de 20 mil Sem Terra

No Paraná, trancamento de rodovias, ocupação de prefeitura e mobilização em favor da educação.

No Paraná, trancamento de rodovias, ocupação de prefeitura e mobilização em favor da educação.

Da Página do MST

Ao longo desta semana, o Brasil amanheceu com diversas mobilizações das mulheres camponesas. Até o momento, mais de 20.000 mulheres participaram das ações em 18 estados brasileiros, com marchas, ocupações e trancamento de rodovias.

As mobilizações aconteceram em RS, MA, PR, SP, BA, Bsb, PB, GO, AL, SE, MT, TO, RN, CE, ES, PE, PI, PA. Alguns estados, como RJ, SC e MG realizam ações ao longo desta semana.

As ações fazem parte da Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Camponesas, em que denunciam o modelo do agronegócio no campo brasileiro e propõem a agroecologia como alternativa ao capital estrangeiro na agricultura.

GO

Nesta terça-feira, (10) cerca de 1.500 mulheres camponesas do MST, Movimento Camponês Popular (MCP), da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (FETRAF) e da Comissão Pastoral da Terra (CPT) ocuparam a unidade da transnacional Cargill, em Goiânia. Segundo as trabalhadoras rurais, a Cargill vem estimulando o desmatamento do Cerrado e a expulsão de milhares de famílias camponesas, ao apoiar a expansão dos monocultivos de soja e cana-de-açucar.

Nesta segunda-feira (9), mais de 1.500 mulheres também do MST, MCP e Fetraf ocuparam a Secretaria da Fazenda. No período da tarde, as camponesas ocupam a sede da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), na capital. Elas reivindicam a aprovação da Lei de Fortalecimento da Agricultura Familiar e Camponesa, travada na Casa Civil do estado. A lei cria um fundo com 0,5% do orçamento anual do governo estadual para políticas públicas para a agricultura camponesa.

RS

Na manhã desta terça-feira (10), cerca de 800 mulheres camponesas do MST e do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) ocuparam a sede da multinacional israelense Adama, em Taquari, no Rio Grande do Sul. A multinacional Adama é uma das maiores empresas de agroquímicos do Sul do país, na produção de princípios ativos de agrotóxicos para sementes, incluindo o veneno 2,4-D, que estava proibido no Brasil por ser cancerígeno. O 2,4D é um dos principais componentes do agente laranja, usado como arma química no Vietnã.

AL

Cerca de 2 mil trabalhadores e trabalhadoras rurais Sem Terra ocupam na manhã desta terça-feira (10) agências do Banco do Brasil e do Banco do Nordeste, na capital Maceió e no Sertão, nos municípios de Delmiro Gouveia e Piranhas, em Alagoas.

Na noite de domingo (8), em Maceió, as mulheres ocuparam a sede da superintendência do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. As camponesas denunciaram o modelo devastador de produção da cana-de-açúcar e a atual intensificação da plantação de eucalipto no estado.

PE

Em Pernambuco, centenas de Sem Terra também ocuparam agências da Caixa Econômica e BNB no estado, nesta terça-feira. As ações dão continuidade às mobilizações iniciadas pelas mulheres no estado. Os camponeses exigem agilidade no Programa Nacional de Habitação Rural (PNHR) e criticam o Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf), que não atente nem contempla as necessidades das famílias assentadas.

Na segunda, na capital pernambucana, em Recife, mais de 600 mulheres do MST, da Pastoral da Juventude Rural (PJR), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Levante Popular da Juventude e Marcha Mundial das Mulheres (MMM) ocuparam a sede do Ministério da Agricultura e a Secretaria de Agricultura do Estado.

MA

Cerca de 420 mulheres do MST e militantes do Levante Popular da Juventude ocuparam a sede da Empresa Vale, no porto da ponta da Madeira em São Luís (MA), uma área em expansão voltada para atender o mercado da mineração. A ação denunciou os impactos socioambientais provocados pela duplicação do complexo mina-ferrovia-porto. Segundo os Sem Terra, o projeto tem agredido violentamente aos povos e comunidades tradicionais, acampamentos e assentamentos da Reforma Agrária a partir do saque dos bens naturais, desrespeito aos direitos humanos, apropriação, especulação e concentração de terras.
2015mulheresPR4.jpg No Paraná, trancamento de rodovias, ocupação de prefeitura e mobilização em favor da educação.

PR

O estado do Paraná com foi palco de diversas lutas protagonizadas pelas mulheres do campo, em várias regiões do estado, nesta segunda-feira (9). Na região centro, cerca de 700 mulheres de diversos assentamentos e acampamentos do MST, do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e da Via Campesina ocuparam a BR 277 junto a praça de pedágio de Nova Laranjeiras. Depois, mulheres também realizaram um ato em frente ao Núcleo Regional da Educação em Laranjeiras do Sul. Outras 200 mulheres do MST ocuparam a prefeitura de Cascavel, oeste do estado, para entrega de pautas como educação, saúde e infraestrutura.

Bsb

Em Luziânia, entorno de Brasília, cerca de 800 mulheres organizadas pela Via Campesina ocuparam a multinacional Bunge. Segundo as mulheres, a Bunge é uma das empresas transnacionais que representa o capital estrangeiro na agricultura.

BA

Na Bahia, 6.000 pessoas iniciaram nesta segunda uma marcha rumo a capital Salvador. A marcha saiu de Feira de Santana e percorrerá 116 km. Outros 150 camponeses do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) saíram em marcha até a sede do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) na cidade da Vitória da Conquista.

PB

Cerca de 450 mulheres do MST ocuparam na manhã desta segunda-feira (9) o Engenho da Usina Giasa, no município de Pedra de Fogo, na Paraíba. No período da tarde, enquanto os homens ajudavam a montar o acampamento no local, as Sem Terra se juntaram com mulheres de outras organizações e ocuparam a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em João Pessoa. Ao todo, mais de 650 camponesas participam da ação.

MT

No Mato Grosso, depois de marcharem pelo município de Cáceres na manhã desta segunda-feira (9), cerca de 300 mulheres do MST ocuparam a Fazenda Rancho Verde no mesmo município, a 220 km de Cuiabá.

RN

No Rio Grande do Norte, as mulheres Sem Terra trancaram cinco rodovias, na região de João Câmara. Cada travamento contou com cerca de 200 camponesas. Na terça-feira (10), elas se somarão a outros integrantes do Movimento e seguirão para sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para discutir pautas relacionadas aos assentamentos da região, como a construção de escolas e postos de saúde.

CE

Em Quixeramobim, no Ceará, cerca de 300 mulheres do MST e da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Ceará (Fetraece) realizaram uma marcha pelas ruas do município contra o agronegócio e a violência contra as mulheres. Na sequência, as camponesas ocuparam a Assembleia Legislativa, onde homenagearam as diversas lutadoras, em especial, Maria Lima, uma das fundadoras do Movimento no estado. No período da tarde, elas se reunirão para um curso de formação destinado somente às mulheres.

ES

No Espírito Santo, cerca de 1.000 mulheres de diversas organizações do campo realizaram uma marcha pela cidade de Colatina. Durante a ação as camponesas bloquearam a rodovia ES 259, em direção à capital. Outras 100 famílias ocuparam a Fazenda Nossa Senhora da Conceição, próximo a Linhares.

SE

Em Aracaju (SE), cerca de 600 mulheres do MST, Movimento dos Trabalhadores Urbanos (MOTU), Movimento Camponês Popular (MCP) Síntese, Casa das Domésticas e Marcha Mundial de Mulheres saíram as ruas da capital em comemoração ao dia internacional das mulheres.
2015mulheresSE.jpg Marcha em Aracaju reuniu cerca de 600 mulheres de diversos movimentos sociais.

PI

O balão da BR 316, na cidade de Picos, no Piauí, se converteu numa grande escola, chamada “escola do asfalto”, organizada pelo Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e o Levante Popular da Juventude. O objetivo foi denunciar o sucateamento das escolas no campo nos últimos anos, quando foram fechadas mais de 37 mil escolas na zona rural.

TO

No Tocantins, mais de 250 mulheres trancaram a Rodovia Belém Brasília (BR 153), na cidade de Guaraí.

PA

Na Pará, as Mulheres do MST realizam atividades desde o dia 5 de março. Na ocasião, as Sem Terra, junto a outros representantes de movimentos sociais, militantes de partidos de esquerda realizaram um ato público em apoio à Venezuela e o lançamento do vídeo “Meu Amigo Hugo”, do diretor de Oliver Stone, que narra a vida do ex-presidente venezuelano Hugo Chávez, no Cine Olympia, em Belém.

Em Marabá, sudeste do estado, cerca de 300 mulheres do MST realizaram um encontro de formação entre os dias 6 a 8 de março, sobre a realidade das mulheres camponesas nas regiões sul e sudeste paraense. No sábado foi realizada a feira agroecológica numa praça no centro da cidade, com comercialização de produtos produzidos nos assentamentos e acampamentos da região. Neste domingo (8), na capital, as camponesas realizaram junto com outras organizações feministas, uma caminhada pelas ruas contra a violência, por direitos e pelo plebiscito popular.

SP

Na quinta-feira (5) passada, cerca de 1.000 mulheres do MST ocuparam a sede da empresa Suzano/Futura Gene, em Itapetininga (SP), com o objetivo de barrar a votação que liberaria o cultivo de eucalipto transgênico no Brasil. Paralelamente, outras 300 camponeses ocuparam a própria Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), onde estava tendo a reunião que liberaria o eucalipto.

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4 comentários sobre “Ações já chegam em 18 estados e mobilizam mais de 20 mil Sem Terra

  1. Republicou isso em radioproletarioe comentado:
    A Syngenta também é líder no desenvolvimento da “Tecnologia Terminator”, um processo de engenharia genética que torna sementes estéreis numa tentativa de forçar os agricultores a sempre comprarem suas sementes, em oposição à prática camponesa de selecionar, cuidar e compartilhar sementes livremente.

    Leia e entenda um pouco:
    https://radioproletario.wordpress.com/2014/10/30/a-syngenta-na-guerra-do-vietna-2/

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  2. A Syngenta também é líder no desenvolvimento da “Tecnologia Terminator”, um processo de engenharia genética que torna sementes estéreis numa tentativa de forçar os agricultores a sempre comprarem suas sementes, em oposição à prática camponesa de selecionar, cuidar e compartilhar sementes livremente.

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  3. Os companheiros chamam isso de “discurso do ódio”. Têm razão:
    – ódio à ladroagem;
    – ódio à rapinagem na Petrobras;
    – ódio à impunidade;
    – ódio ao estelionato eleitoral;
    – ódio ao cinismo.

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